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Acordos e Corações: Uma Segunda Chance

Acordos e Corações: Uma Segunda Chance

Autor:: Meng Meng Da Xiao Xue Qiu
Gênero: Romance
O dia do meu casamento com Lucas foi também o funeral do meu pai. Num vestido de noiva branco, eu vestia luto por dentro, casando-me com o filho do nosso maior rival para salvar a empresa da minha família. Mas não era um casamento, era uma transação. Com a morte do meu pai, tornei-me a incubadora trocada pelo império Almeida. A minha sogra, Dona Helena, tratava-me com um desprezo gélido, e Lucas, o meu marido, era uma sombra alheia. Fui vigiada 24 horas por dia, a minha gravidez controlada, a minha própria mãe impedida de me ver. O meu corpo e a minha vontade já não me pertenciam, apenas o bebé dentro de mim importava para a 'herdeira'. Quando a pré-eclâmpsia me levou ao limite, à beira da morte, ouvi o médico dizer: "Ou ela ou o bebé." Como é que uma vida pode ser reduzida a um contrato e uma moeda de troca? Como posso amar um filho que nasceu da minha humilhação e sofrimento? Como se reerguer quando se sente apenas um produto? Mas quando o Lucas, com quem nunca tive uma conversa sincera, me olhou nos olhos e disse: "Tu vales tudo", percebi que talvez, apenas talvez, um novo começo fosse possível fora das cinzas do passado.

Introdução

O dia do meu casamento com Lucas foi também o funeral do meu pai.

Num vestido de noiva branco, eu vestia luto por dentro, casando-me com o filho do nosso maior rival para salvar a empresa da minha família.

Mas não era um casamento, era uma transação.

Com a morte do meu pai, tornei-me a incubadora trocada pelo império Almeida.

A minha sogra, Dona Helena, tratava-me com um desprezo gélido, e Lucas, o meu marido, era uma sombra alheia.

Fui vigiada 24 horas por dia, a minha gravidez controlada, a minha própria mãe impedida de me ver.

O meu corpo e a minha vontade já não me pertenciam, apenas o bebé dentro de mim importava para a 'herdeira'.

Quando a pré-eclâmpsia me levou ao limite, à beira da morte, ouvi o médico dizer: "Ou ela ou o bebé."

Como é que uma vida pode ser reduzida a um contrato e uma moeda de troca?

Como posso amar um filho que nasceu da minha humilhação e sofrimento?

Como se reerguer quando se sente apenas um produto?

Mas quando o Lucas, com quem nunca tive uma conversa sincera, me olhou nos olhos e disse: "Tu vales tudo", percebi que talvez, apenas talvez, um novo começo fosse possível fora das cinzas do passado.

Capítulo 1

O dia do meu casamento com o Lucas foi também o dia do funeral do meu pai.

A chuva caía sem parar, pesada e fria, como se o céu estivesse a chorar comigo.

Eu usava um vestido de noiva branco, mas por baixo, vestia luto preto.

A minha mãe, Sofia, segurava a minha mão com força, os seus dedos estavam gelados.

"Lia, tens a certeza disto? Não precisas de fazer isto por mim."

Olhei para ela, para o seu rosto pálido e os seus olhos inchados de tanto chorar.

"Mãe, é a única maneira. A empresa do pai não pode falir. Não podemos perder tudo."

Ela começou a chorar de novo, em silêncio.

O Lucas estava à minha espera no altar, com um sorriso que não chegava aos olhos. Ao lado dele, a sua mãe, a Dona Helena, olhava para mim com um desprezo mal disfarçado.

Ela nunca gostou de mim, achava que a minha família estava acabada e que eu só queria o dinheiro deles.

Mal sabia ela que era exatamente o contrário.

A nossa empresa familiar, fundada pelo meu avô, estava à beira da falência após a morte súbita do meu pai. A família do Lucas, os Almeidas, eram os nossos maiores rivais nos negócios.

Eles ofereceram-se para nos salvar, mas com uma condição.

Eu tinha de me casar com o Lucas, o seu único filho.

Foi a Dona Helena que fez a proposta, com uma voz fria e calculista, no mesmo dia em que encontrámos o corpo do meu pai.

"É uma troca justa. A vossa empresa pela tua mão. Salvo a tua herança, e tu dás-me um neto."

Por isso, aqui estava eu, a trocar a minha vida pela sobrevivência da minha família.

O padre falou, mas eu não ouvi uma única palavra. A minha mente estava no cemitério, onde o caixão do meu pai estava a ser baixado à terra.

Quando chegou a altura de dizer "Sim", a minha voz falhou.

O Lucas apertou a minha mão, um aviso.

"Sim," sussurrei.

Tornou-se oficial. Eu era agora Lia Almeida.

Não houve festa, nem lua de mel. Fomos diretamente do cartório para a mansão dos Almeida.

A casa era enorme, fria e silenciosa, como um museu.

A Dona Helena esperava por nós na sala de estar.

"Bem-vinda à tua nova casa, Lia. O teu quarto é no final do corredor, à esquerda. O quarto do Lucas é à direita."

Ela olhou para nós os dois.

"Espero não ter de esperar muito pelo meu neto. Foi para isso que paguei."

Virei-me para o Lucas, à espera que ele dissesse alguma coisa, que me defendesse.

Ele apenas desviou o olhar.

"Estou cansado. Vou para o meu quarto."

E deixou-me ali, sozinha com a minha sogra.

Subi as escadas, o meu vestido de noiva a arrastar-se no chão. O meu quarto era grande e luxuoso, mas sentia-me como se estivesse numa prisão.

Tirei o vestido branco e vesti as minhas roupas pretas.

Sentei-me na beira da cama e finalmente deixei-me chorar. Chorei pelo meu pai, pela minha liberdade perdida, pela vida que nunca teria.

Capítulo 2

As semanas transformaram-se em meses.

A minha vida na mansão Almeida era uma rotina monótona.

Acordava, tomava o pequeno-almoço em silêncio com a Dona Helena, que me olhava sempre como se eu fosse uma deceção.

O Lucas saía cedo para a empresa, a empresa que antes era do meu pai, e voltava tarde. Mal nos falávamos.

Ele dormia no seu quarto, eu dormia no meu. Éramos estranhos a viver sob o mesmo teto.

A única coisa que a Dona Helena me perguntava todos os dias era:

"Já estás grávida?"

E todos os dias, a minha resposta era a mesma.

"Não."

O seu rosto endurecia ainda mais.

"Para que é que serves, então? Comprei-te por uma razão. Cumpre a tua parte do acordo."

Eu não respondia. Apenas baixava a cabeça e continuava a comer.

Uma noite, o Lucas chegou a casa mais cedo do que o habitual. Ele parecia ter bebido.

Entrou no meu quarto sem bater.

Eu estava a ler na cama. Assustei-me.

"O que estás a fazer aqui?"

Ele cambaleou até à cama e sentou-se. O cheiro a álcool era forte.

"A minha mãe não para de me pressionar," disse ele, a sua voz arrastada. "O neto. O herdeiro. É tudo o que ela quer saber."

Ele olhou para mim, os seus olhos turvos.

"Temos de fazer isto, Lia. Temos de lhe dar o que ela quer."

O meu coração começou a bater mais depressa.

"Lucas, eu não..."

Ele não me deixou terminar. Agarrou-me pelos ombros. A sua força surpreendeu-me.

"Não temos escolha. Tu sabes disso. Foi este o acordo."

Naquela noite, ele cumpriu a sua parte do acordo.

Foi rápido, mecânico e sem qualquer emoção.

Quando terminou, levantou-se e saiu do meu quarto sem dizer uma palavra.

Fiquei deitada na escuridão, a sentir-me vazia e suja.

As lágrimas escorriam silenciosamente pelo meu rosto.

Isto não era um casamento. Era uma transação comercial, e eu era o produto.

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