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Adeus, Amor de Mentira

Adeus, Amor de Mentira

Autor:: Jiang Mu
Gênero: Moderno
Lucas Silva finalmente sentiu o peso do mundo sair de seus ombros. Conseguiu o contrato multimilionário que salvaria a empresa de design de sua esposa, Ana Clara, pela enésima vez. Era seu ganso dos ovos de ouro, o verdadeiro gênio criativo por trás de todo sucesso dela. Cansado, mas eufórico, esperava agora o reconhecimento, talvez aquele relógio de luxo que tanto queria. Mas Ana Clara, com um sorrisinho condescendente, pegou uma caneta preta e, em seu pulso, desenhou um relógio infantil: "É um presente simbólico, querido. Sabe das nossas dificuldades financeiras." "Dificuldades financeiras." Enquanto a tinta preta parecia uma mancha humilhante em sua pele, a frase ecoava. Então, ao abrir o Instagram em casa, seu sangue gelou. A primeira postagem: Pedro Costa, assistente de Ana Clara, encostado em um carro esportivo luxuoso recém-comprado. A legenda dizia: "Obrigado, meu amor, pelo presente incrível! O verdadeiro amor da minha vida!" No reflexo do carro, a silhueta de Ana Clara, tirando a foto. Uma facada no estômago. Não havia dinheiro para um relógio para o marido que salvou a empresa, mas havia uma fortuna para um carro para o amante. A raiva fria e lúcida se instalou. Ele curtiu a postagem. O telefone tocou quase imediatamente. A voz de Ana Clara era pânico e irritação: "Lucas? Por que você curtiu a foto do Pedro? Está insinuando algo? É só um bônus." A hipocrisia, tão descarada. Um bônus que valia mais que seu salário anual! Sua voz saiu calma, gelada e irrevogável: "Ana Clara. Vamos nos divorciar." Ela riu, com escárnio. "Divórcio? Não seja dramático por causa de um carro, Lucas! Não tem senso de humor?" Ele desligou. Um cansaço de alma o invadiu. Por cinco anos, ele foi o ganso dos ovos de ouro, construindo o império dela com promessas vazias. Mas então, seu celular vibrou novamente. Sua equipe de design, seus colegas leais, tinham visto sua curtida. Eles estavam reagindo. Sofia, sua designer sênior, comentou na foto: "Meritocracia aqui é diferente, né? Enquanto o gênio que salvou a empresa ganhou um relógio de caneta..." Outros comentários ácidos se seguiram. Eles o defendiam. Um calor inesperado se espalhou por Lucas. Ele não estava sozinho. O telefone tocou de novo. Ana Clara, furiosa: "Lucas, o que você fez? Mande sua equipe apagar esses comentários! Se não, estarão todos na rua amanhã!" A ameaça era real. A barreira de gelo de Lucas finalmente se quebrou. "Você não vai tocar na minha equipe." Ele então se lembrou: Pedro não tinha qualificações. Ela o contratou por causa do relacionamento deles. Não era apenas traição, mas um esquema de longa data, onde ele financiava o caso de sua própria esposa. "O problema não é meu, Ana Clara. É seu." Ele desligou o chamada, bloqueando o número dela. Ele havia sido cego, um tolo. Mas agora, enxergava. Ela usava a lealdade dele como arma. Mas ela estava errada. A tentativa de manipulação teve o efeito oposto. Em vez de encurralado, Lucas sentiu-se libertado. Ele não se submeteria. A melhor maneira de protegê-los era tirá-los de lá. Naquela mesma tarde, Lucas chamou Sofia. "Se eu saísse desta empresa, quantos de vocês viriam comigo?" Sofia sorriu: "A pergunta não é quantos, Lucas. A pergunta é quando. Todos nós. Nós não trabalhamos para a 'Empresa Ana Clara Design'. Nós trabalhamos para Lucas Silva." Lucas respirou fundo. Ele pegou seu telefone. Ricardo Almeida, CEO da maior concorrente da empresa de Ana Clara. "Ricardo, aqui é Lucas Silva. Sua oferta ainda está de pé?" "Sempre. Diga-me o que você precisa." "Salários 30% maiores para minha equipe, bônus de contratação substancial e autonomia para mim como Diretor de Design." "Fechado. Vocês começam na próxima segunda." O peso de anos de manipulação finalmente se levantou. Ele não era um peão. Ele era a peça mais importante, e virara o jogo. Naquela noite, abriu o cofre. Pegou o acordo pré-nupcial que ela insistira. Ela o criara para se proteger, mas agora ele garantiria sua liberdade. Com determinação fria, começou a preparar os papéis do divórcio. Não haveria mais discussões. Apenas a lei.

Introdução

Lucas Silva finalmente sentiu o peso do mundo sair de seus ombros.

Conseguiu o contrato multimilionário que salvaria a empresa de design de sua esposa, Ana Clara, pela enésima vez.

Era seu ganso dos ovos de ouro, o verdadeiro gênio criativo por trás de todo sucesso dela.

Cansado, mas eufórico, esperava agora o reconhecimento, talvez aquele relógio de luxo que tanto queria.

Mas Ana Clara, com um sorrisinho condescendente, pegou uma caneta preta e, em seu pulso, desenhou um relógio infantil: "É um presente simbólico, querido. Sabe das nossas dificuldades financeiras."

"Dificuldades financeiras." Enquanto a tinta preta parecia uma mancha humilhante em sua pele, a frase ecoava.

Então, ao abrir o Instagram em casa, seu sangue gelou. A primeira postagem: Pedro Costa, assistente de Ana Clara, encostado em um carro esportivo luxuoso recém-comprado.

A legenda dizia: "Obrigado, meu amor, pelo presente incrível! O verdadeiro amor da minha vida!" No reflexo do carro, a silhueta de Ana Clara, tirando a foto.

Uma facada no estômago. Não havia dinheiro para um relógio para o marido que salvou a empresa, mas havia uma fortuna para um carro para o amante.

A raiva fria e lúcida se instalou. Ele curtiu a postagem.

O telefone tocou quase imediatamente. A voz de Ana Clara era pânico e irritação: "Lucas? Por que você curtiu a foto do Pedro? Está insinuando algo? É só um bônus."

A hipocrisia, tão descarada. Um bônus que valia mais que seu salário anual!

Sua voz saiu calma, gelada e irrevogável: "Ana Clara. Vamos nos divorciar."

Ela riu, com escárnio. "Divórcio? Não seja dramático por causa de um carro, Lucas! Não tem senso de humor?"

Ele desligou. Um cansaço de alma o invadiu. Por cinco anos, ele foi o ganso dos ovos de ouro, construindo o império dela com promessas vazias.

Mas então, seu celular vibrou novamente. Sua equipe de design, seus colegas leais, tinham visto sua curtida.

Eles estavam reagindo. Sofia, sua designer sênior, comentou na foto: "Meritocracia aqui é diferente, né? Enquanto o gênio que salvou a empresa ganhou um relógio de caneta..."

Outros comentários ácidos se seguiram. Eles o defendiam. Um calor inesperado se espalhou por Lucas. Ele não estava sozinho.

O telefone tocou de novo. Ana Clara, furiosa: "Lucas, o que você fez? Mande sua equipe apagar esses comentários! Se não, estarão todos na rua amanhã!"

A ameaça era real. A barreira de gelo de Lucas finalmente se quebrou.

"Você não vai tocar na minha equipe." Ele então se lembrou: Pedro não tinha qualificações. Ela o contratou por causa do relacionamento deles.

Não era apenas traição, mas um esquema de longa data, onde ele financiava o caso de sua própria esposa.

"O problema não é meu, Ana Clara. É seu." Ele desligou o chamada, bloqueando o número dela.

Ele havia sido cego, um tolo. Mas agora, enxergava. Ela usava a lealdade dele como arma.

Mas ela estava errada. A tentativa de manipulação teve o efeito oposto.

Em vez de encurralado, Lucas sentiu-se libertado. Ele não se submeteria.

A melhor maneira de protegê-los era tirá-los de lá.

Naquela mesma tarde, Lucas chamou Sofia.

"Se eu saísse desta empresa, quantos de vocês viriam comigo?"

Sofia sorriu: "A pergunta não é quantos, Lucas. A pergunta é quando. Todos nós. Nós não trabalhamos para a 'Empresa Ana Clara Design'. Nós trabalhamos para Lucas Silva."

Lucas respirou fundo. Ele pegou seu telefone. Ricardo Almeida, CEO da maior concorrente da empresa de Ana Clara.

"Ricardo, aqui é Lucas Silva. Sua oferta ainda está de pé?"

"Sempre. Diga-me o que você precisa."

"Salários 30% maiores para minha equipe, bônus de contratação substancial e autonomia para mim como Diretor de Design."

"Fechado. Vocês começam na próxima segunda."

O peso de anos de manipulação finalmente se levantou. Ele não era um peão. Ele era a peça mais importante, e virara o jogo.

Naquela noite, abriu o cofre. Pegou o acordo pré-nupcial que ela insistira. Ela o criara para se proteger, mas agora ele garantiria sua liberdade.

Com determinação fria, começou a preparar os papéis do divórcio. Não haveria mais discussões. Apenas a lei.

Capítulo 1

Lucas Silva sentiu o peso do mundo sair de seus ombros no momento em que o cliente apertou sua mão com firmeza, um sorriso largo no rosto.

"Parabéns, Lucas. O projeto é seu. É genial."

A sala de reuniões, antes tensa, explodiu em aplausos discretos da sua pequena equipe. Foram meses de trabalho duro, noites sem dormir e uma pressão gigantesca. A empresa de design de sua esposa, Ana Clara, estava à beira da falência. Este contrato multimilionário não era apenas uma vitória, era a tábua de salvação que eles precisavam desesperadamente. Lucas, o arquiteto principal e a verdadeira força criativa por trás da empresa, tinha conseguido mais uma vez.

Ele voltou para o escritório sentindo um misto de exaustão e euforia. Ana Clara, a presidente da empresa, o esperava em sua sala, com uma expressão que ele não conseguiu decifrar.

"Conseguimos", disse Lucas, permitindo-se um sorriso cansado. "A empresa está salva."

"Eu sabia que você conseguiria, meu amor", disse Ana Clara, sua voz suave e controlada. Ela se aproximou dele, pegou sua mão e o fez sentar. "Você é meu herói. E todo herói merece uma recompensa."

O coração de Lucas aqueceu. Talvez agora, depois de salvar a empresa dela pela enésima vez, ele finalmente teria o reconhecimento que merecia. Ele pensou no relógio de luxo que vinha namorando há meses, um pequeno luxo que ele nunca se permitiu, sempre colocando as necessidades da empresa em primeiro lugar.

Ana Clara pegou uma caneta preta de sua mesa. Com uma delicadeza surpreendente, ela puxou o pulso dele e, com traços cuidadosos, começou a desenhar diretamente em sua pele. Lucas observou, confuso, enquanto a forma de um relógio de desenho animado, com ponteiros tortos e números grandes e infantis, tomava forma em seu pulso.

Ela terminou o desenho com um pequeno coração no centro e olhou para ele, seus olhos brilhando.

"Pronto. Um presente para o meu arquiteto genial."

Lucas ficou sem palavras, olhando para o desenho ridículo em seu pulso. A tinta preta parecia uma mancha humilhante.

"É uma piada?", ele conseguiu perguntar, a voz baixa.

"Ah, querido, não seja assim", disse ela, rindo como se ele fosse uma criança. "Você sabe que a empresa ainda está passando por dificuldades financeiras. É só um gesto simbólico. No próximo ano, quando as coisas melhorarem, eu te dou um de verdade. Eu prometo."

Aquelas palavras, "dificuldades financeiras", ecoaram na cabeça de Lucas. Eram as mesmas palavras que ele ouvia há anos, mesmo enquanto seus projetos traziam lucros enormes. Ele não discutiu. Apenas se levantou, sentindo um frio que não vinha do ar-condicionado.

"Estou cansado. Vou para casa."

Em casa, o silêncio do apartamento luxuoso era ensurdecedor. Lucas tomou um banho longo, tentando lavar a sensação da caneta em sua pele, mas a imagem do relógio de desenho animado estava gravada em sua mente. Era um símbolo perfeito de como Ana Clara o via: útil, talentoso, mas no fundo, uma criança que podia ser apaziguada com gestos vazios.

Ele se jogou no sofá e, por puro hábito, abriu o Instagram no celular. A primeira postagem em seu feed fez seu sangue gelar.

Era de Pedro Costa, o assistente pessoal de Ana Clara.

A foto mostrava Pedro encostado em um carro esportivo de luxo, um modelo alemão novíssimo que custava mais do que o salário anual de Lucas. O carro estava estacionado em frente ao prédio deles. Na legenda, Pedro escreveu:

"Obrigado, meu amor, pelo presente incrível! Você é a melhor do mundo e tornou meu sonho realidade. O verdadeiro amor da minha vida!"

Lucas deu zoom na foto. No reflexo polido da porta do carro, ele podia ver a silhueta de Ana Clara tirando a foto. O coração dele parou por um segundo e depois começou a bater de forma descontrolada e dolorosa no peito.

Dificuldades financeiras.

A frase dela era uma faca girando em seu estômago. Não havia dinheiro para um relógio de verdade para o marido que acabara de salvar a empresa, mas havia uma fortuna para um carro de luxo para o assistente pessoal dela.

"O verdadeiro amor da minha vida."

A bile subiu pela garganta de Lucas. Ele leu os comentários. Eram todos de amigos de Pedro, parabenizando-o, invejando-o. Um deles dizia: "Uau, sua chefe é generosa demais, hein? ;)"

Sem pensar, com os dedos tremendo de uma raiva fria e lúcida, Lucas apertou o ícone do coração. Ele curtiu a postagem.

Não demorou nem trinta segundos. Seu celular começou a tocar. Era Ana Clara. A voz dela, quando ele atendeu, era um misto de pânico e irritação.

"Lucas? Por que você curtiu a foto do Pedro? Você está tentando insinuar alguma coisa?"

Lucas permaneceu em silêncio, ouvindo a respiração dela do outro lado da linha.

"É só um carro, Lucas. Um bônus pelo trabalho duro dele. Você sabe como ele tem sido essencial para mim, me apoiando em tudo. Não seja paranoico."

Um bônus. Um carro esportivo de luxo como bônus para um assistente, enquanto o arquiteto que garantiu o futuro da empresa ganhava um desenho de caneta no pulso. A hipocrisia era tão descarada que chegava a ser surreal.

Ele finalmente encontrou a voz, e quando falou, ela saiu calma, gelada e irrevogável.

"Ana Clara."

Ele fez uma pausa, saboreando o poder daquelas próximas palavras.

"Vamos nos divorciar."

Capítulo 2

Houve um silêncio do outro lado da linha, seguido por uma risada. Não era uma risada divertida, mas uma risada de escárnio, cheia de desprezo.

"Divórcio? Lucas, você bebeu? Não seja dramático."

A voz de Ana Clara era condescendente, como se estivesse falando com uma criança birrenta.

"Você está fazendo uma tempestade em copo d'água por causa de um carro? Eu já te expliquei, foi um bônus. E o relógio foi uma brincadeira, você não tem senso de humor?"

Lucas não respondeu. Ele apenas desligou o telefone. Ele se encostou no sofá, fechando os olhos. O cansaço que sentia antes era físico, agora era uma exaustão de alma.

A mente dele começou a vagar pelo passado, pelos cinco anos de casamento. Ele se lembrou do início, quando Ana Clara era apenas uma gerente ambiciosa e ele, um jovem arquiteto cheio de sonhos. Ele a amava, admirava sua garra. Foi ele quem a incentivou a abrir a própria empresa. Ele trabalhou de graça por quase dois anos, usando seu talento para construir o portfólio e a reputação da "Empresa Ana Clara Design".

Todos os grandes clientes, todos os projetos premiados, todos tinham a assinatura criativa dele. Mas o nome na porta era o dela. Os lucros iam para a conta dela. E ele, o ganso dos ovos de ouro, era mantido por perto com promessas vazias e tapinhas nas costas.

Ele se lembrou de todas as vezes que pediu um aumento, ou uma participação societária, algo que refletisse seu valor real.

"Agora não, querido", ela sempre dizia. "A empresa precisa reinvestir. Temos que ser inteligentes. Confie em mim."

E ele confiava. Porque ele a amava. Ou pensava que amava. Agora, olhando para trás, ele via que era dependência, um hábito. Ele estava tão focado em construir o império dela que se esqueceu de construir a si mesmo.

O barulho de notificações em seu celular o tirou de seus pensamentos. Ele abriu o aparelho e viu que a postagem de Pedro estava explodindo de uma maneira diferente.

Membros da sua equipe de design, seus colegas leais, tinham visto a curtida dele. E agora, eles estavam agindo.

Sofia, sua designer sênior, comentou diretamente na foto do carro: "Uau, que bônus generoso! Enquanto isso, o gênio que acabou de salvar a empresa com um contrato milionário ganhou um relógio de caneta. A meritocracia aqui é diferente, né?"

Outro arquiteto júnior, Rafael, postou: "Parabéns pelo carro, Pedro. Deve ter sido por aquele seu projeto inovador de... ah, espera, qual foi mesmo?"

Os comentários eram ácidos, irônicos e diretos. Eles não o mencionavam pelo nome, mas todos na empresa sabiam exatamente do que estavam falando. Estavam defendendo-o. Um calor inesperado se espalhou pelo peito de Lucas. Ele não estava sozinho.

Seu telefone tocou novamente. Era Ana Clara, e desta vez, não havia risada em sua voz. Havia fúria pura.

"Lucas, o que diabos você fez? Mande sua equipe apagar esses comentários agora mesmo! Eles estão humilhando o Pedro! Eles estão me humilhando!"

Era impressionante. A preocupação dela não era com o marido que ela havia traído e humilhado. Não era sobre o pedido de divórcio dele. Era sobre a imagem pública do seu amante.

"Eles estão apenas dizendo a verdade, Ana Clara", disse Lucas, sua voz ainda calma.

"Verdade? Que verdade? Você está envenenando minha equipe contra mim! Eu exijo que você controle seus cachorrinhos! Se eles não apagarem isso em cinco minutos, todos eles estarão na rua amanhã!"

A ameaça pairou no ar. Lucas sentiu a raiva finalmente quebrar sua barreira de gelo.

"Você não vai tocar na minha equipe."

"Sua equipe? Eles trabalham para a minha empresa! Eu sou a chefe! Eu decido quem fica e quem sai!"

Nesse momento, uma memória específica veio à mente de Lucas com uma clareza dolorosa. A memória do dia em que Pedro foi contratado.

Pedro não tinha nenhuma qualificação. Seu currículo era medíocre, com passagens curtas por empregos irrelevantes. O RH havia recomendado veementemente contra a contratação dele para o cargo de assistente pessoal da presidência.

Lucas se lembrava da discussão que teve com Ana Clara.

"Ele não tem experiência, Ana. Por que você insiste nele?"

"Você não entende, Lucas", ela disse na época, com um ar de mistério. "Ele tem um talento que não está no papel. Uma... inteligência emocional rara. Ele me entende. Ele vai ser um grande trunfo."

Inteligência emocional. Agora Lucas entendia que tipo de "inteligência" e que tipo de "emoções" estavam envolvidas. Ele havia sido cego por tanto tempo. Ela não o contratou apesar da falta de qualificações. Ela o contratou por causa do relacionamento deles. Ela o colocou dentro da empresa, bem debaixo do nariz do marido, e usou os lucros gerados por Lucas para mimá-lo.

A percepção o atingiu como um soco. Não era apenas uma traição. Era um esquema. Um longo e humilhante esquema onde ele era o financiador involuntário do caso de amor da sua própria esposa.

"Lucas? Você está me ouvindo?", gritou Ana Clara no telefone. "Resolva isso agora!"

"Não", disse Lucas, sentindo uma clareza que não sentia há anos. "Eu não vou resolver nada. O problema não é meu, Ana Clara. É seu."

E com isso, ele desligou o telefone novamente, bloqueando o número dela.

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