Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > Adeus, Casamento de Aparências
Adeus, Casamento de Aparências

Adeus, Casamento de Aparências

Autor:: Qin Wei
Gênero: Moderno
Hoje era nosso oitavo aniversário de casamento, e Marcos me deu um broche de camélia barato. "A camélia combina com você, Luana" , disse ele, com um sorriso sem calor, me chamando de "simples e discreta" . Eu via o broche sem graça na minha mão e o luxo da nossa mansão; o contraste era cômico. Naquele exato momento, decidi que era hora de acabar com tudo: "Marcos, precisamos conversar." A impaciência tomou conta do rosto dele, revelando o desprezo habitual. Então, a porta se abriu, e Camila, a irmã dele, entrou, lançando veneno com um sorriso falso. Ela sussurrou que eu tinha "mãos ásperas como as de uma faxineira" , e Marcos me ignorou, como sempre. A raiva subiu pela minha garganta, um gosto amargo e familiar, e eu disse as palavras que ecoavam no meu coração: "Eu quero o divórcio." Camila fingiu surpresa, mas Marcos apenas riu debochado, tirou um cartão de crédito e jogou na mesa. "Compre o que você quiser. Mas pare com esse drama, ok? Estou cansado." Ele tentou me comprar de novo, mas o dinheiro dele não me compraria mais. Eu recusei, mas ele zombou da minha origem humilde, dizendo que eu não duraria uma semana fora daquele "bairro imundo" . Meu filho, Léo, de cinco anos, desceu as escadas e, em vez de vir para mim, correu para os braços de Camila. Marcos disse, com um sorriso cruel: "Até o Léo sabe quem cuida bem dele. Camila é mais mãe para ele do que você jamais foi." Aquelas palavras foram a gota d' água da dor que eu vinha engolindo há anos. Com uma calma assustadora, eu olhei para ele e revelei a verdade mais dolorosa: "Eu não fui uma boa mãe para ele, porque nem tive a chance de segurá-lo. Eu o perdi no chão frio do banheiro desta casa luxuosa. Sozinha." O sorriso de Marcos congelou, o ar ficou irrespirável, e eu chorei a dor do nosso filho perdido, que enterrei sozinha, longe dos olhos dele e de todos. Naquele hospital, onde ele me culpou pela nossa perda, ele escolheu a irmã, me abandonando novamente, mas a dor se transformou em alívio. Senti a certeza de que minha decisão era a certa.

Introdução

Hoje era nosso oitavo aniversário de casamento, e Marcos me deu um broche de camélia barato.

"A camélia combina com você, Luana" , disse ele, com um sorriso sem calor, me chamando de "simples e discreta" .

Eu via o broche sem graça na minha mão e o luxo da nossa mansão; o contraste era cômico.

Naquele exato momento, decidi que era hora de acabar com tudo: "Marcos, precisamos conversar."

A impaciência tomou conta do rosto dele, revelando o desprezo habitual.

Então, a porta se abriu, e Camila, a irmã dele, entrou, lançando veneno com um sorriso falso.

Ela sussurrou que eu tinha "mãos ásperas como as de uma faxineira" , e Marcos me ignorou, como sempre.

A raiva subiu pela minha garganta, um gosto amargo e familiar, e eu disse as palavras que ecoavam no meu coração: "Eu quero o divórcio."

Camila fingiu surpresa, mas Marcos apenas riu debochado, tirou um cartão de crédito e jogou na mesa.

"Compre o que você quiser. Mas pare com esse drama, ok? Estou cansado."

Ele tentou me comprar de novo, mas o dinheiro dele não me compraria mais.

Eu recusei, mas ele zombou da minha origem humilde, dizendo que eu não duraria uma semana fora daquele "bairro imundo" .

Meu filho, Léo, de cinco anos, desceu as escadas e, em vez de vir para mim, correu para os braços de Camila.

Marcos disse, com um sorriso cruel: "Até o Léo sabe quem cuida bem dele. Camila é mais mãe para ele do que você jamais foi."

Aquelas palavras foram a gota d' água da dor que eu vinha engolindo há anos.

Com uma calma assustadora, eu olhei para ele e revelei a verdade mais dolorosa: "Eu não fui uma boa mãe para ele, porque nem tive a chance de segurá-lo. Eu o perdi no chão frio do banheiro desta casa luxuosa. Sozinha."

O sorriso de Marcos congelou, o ar ficou irrespirável, e eu chorei a dor do nosso filho perdido, que enterrei sozinha, longe dos olhos dele e de todos.

Naquele hospital, onde ele me culpou pela nossa perda, ele escolheu a irmã, me abandonando novamente, mas a dor se transformou em alívio.

Senti a certeza de que minha decisão era a certa.

Capítulo 1

Hoje era nosso oitavo aniversário de casamento, e Marcos me deu um broche de presente.

Era um broche de camélia, barato e sem graça, do tipo que se compra em qualquer loja de esquina por menos de cinquenta reais.

"A camélia combina com você, Luana" , disse ele, com um sorriso que não chegava aos olhos. "Simples e discreta."

Eu olhei para o broche na caixa de veludo barata, e depois para a sala de estar luxuosamente decorada da nossa mansão. Cada objeto ali valia mais do que a minha vida inteira antes de conhecê-lo.

O contraste era tão grande que chegava a ser cômico.

Segurei o broche e forcei um sorriso.

"Obrigada, Marcos. É... lindo."

A mentira saiu seca da minha boca.

Naquele exato momento, decidi que era hora de acabar com tudo.

"Marcos, precisamos conversar."

Ele franziu a testa, a impaciência já tomando conta do seu rosto. Ele odiava conversas sérias.

"O que foi agora, Luana? Não gostou do presente? Eu sei que não é um diamante, mas é o gesto que conta, não é?"

Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu e sua irmã, Camila, entrou com um sorriso falso nos lábios.

"Luana, querida! Feliz aniversário de casamento!"

Ela se aproximou, me deu um abraço frio e forçado, e sussurrou no meu ouvido:

"Me desculpe por ontem. Eu não devia ter dito que suas mãos são ásperas como as de uma faxineira. Eu estava de cabeça quente."

Eu me afastei dela. A ofensa dela nunca era acidental.

Olhei para Marcos, esperando que ele dissesse algo, mas ele apenas deu de ombros, como se a humilhação que eu sofria constantemente fosse apenas um detalhe irritante.

"Camila já pediu desculpas, Luana. Deixe isso pra lá."

A raiva começou a subir pela minha garganta, um gosto amargo e familiar. Ignorei Camila e voltei meu olhar para Marcos.

"Eu quero o divórcio."

As palavras saíram calmas, mas firmes.

Camila ofegou, fingindo surpresa.

"O quê? Luana, você enlouqueceu? Depois de tudo que meu irmão fez por você?"

Marcos, por outro lado, apenas riu, um riso debochado e cansado. Ele se sentou no sofá de couro italiano, cruzou as pernas e me olhou como se eu fosse uma criança fazendo birra.

"Divórcio? Luana, não seja ridícula. É por causa do broche? Ou por causa da Camila? Você sempre faz tempestade em copo d'água."

Ele tirou a carteira do bolso, pegou um cartão de crédito e o jogou na mesa de centro.

"Tome. Compre o que você quiser. Uma bolsa, um anel, o que for. Mas pare com esse drama, ok? Estou cansado."

O cartão de crédito preto brilhava sob a luz do lustre de cristal. Era o símbolo do nosso casamento: ele me dava dinheiro para que eu ficasse quieta. Para que eu aceitasse a indiferença, as humilhações, a solidão.

"Eu não quero seu dinheiro, Marcos. Eu quero ir embora."

"Ir embora para onde?" , ele perguntou, o desprezo evidente em sua voz. "Voltar para aquele seu bairro imundo? Para aquela casinha caindo aos pedaços? Você não duraria uma semana."

A menção da minha origem humilde era a arma preferida dele e de sua família. Eles nunca me deixaram esquecer de onde eu vim, não importava o quanto eu tentasse me encaixar no mundo deles.

Nesse momento, nosso filho de cinco anos, Léo, desceu as escadas correndo. Ele não veio para o meu colo. Passou direto por mim e pulou nos braços de Camila.

"Tia Mila! Você veio brincar comigo?"

Camila o abraçou com força, lançando-me um olhar vitorioso.

"Claro, meu amor! A tia sempre vem brincar com você."

Meu coração se apertou. Eu era a mãe, mas Léo sempre preferiu a tia. Camila o enchia de presentes caros, o levava para passeios extravagantes, fazia tudo o que eu não podia, pois estava sempre ocupada cuidando da casa e das aparências, como Marcos exigia.

Marcos viu a cena e sorriu com satisfação.

"Veja, Luana. Até o Léo sabe quem cuida bem dele. Camila é mais mãe para ele do que você jamais foi."

Aquelas palavras foram a gota d'água. A dor que eu vinha engolindo há anos transbordou.

Eu olhei para ele, a calma em minha voz escondendo a tempestade dentro de mim.

"Você sabe, Marcos" , comecei, e a sala inteira ficou em silêncio. "Você tem razão. Eu não sou uma boa mãe."

Ele sorriu, arrogante, achando que tinha vencido.

"Talvez eu não tenha conseguido ser uma boa mãe para o Léo porque eu estava muito ocupada perdendo nosso outro filho. Sozinha."

O sorriso de Marcos congelou. Camila arregalou os olhos.

"O nosso bebê, Marcos. Aquele que eu perdi há dois anos, enquanto você estava numa viagem de negócios na Europa com a sua assistente. Lembra?"

O ar na sala ficou pesado, irrespirável. Eu tinha guardado essa dor, esse segredo terrível, apenas para mim. Mas agora, eu não aguentava mais.

"Eu não fui uma boa mãe para ele, porque nem tive a chance de segurá-lo. Eu o perdi no chão frio do banheiro desta casa luxuosa. Sozinha."

O silêncio foi quebrado pelo meu soluço, um som que eu não me permitia fazer há dois anos. A máscara de esposa perfeita finalmente se quebrou, revelando a mulher devastada por baixo.

Capítulo 2

A memória daquele dia era como um filme que passava em minha mente sem parar.

A dor aguda na barriga, o sangue escorrendo pelas minhas pernas. Eu estava no chão do banheiro, tentando ligar para Marcos.

O telefone chamou, chamou, e caiu na caixa postal.

Liguei de novo. E de novo.

Finalmente, ele atendeu, a voz irritada do outro lado do mundo.

"Luana? O que foi? Estou no meio de uma reunião importante."

"Marcos, eu... eu acho que estou perdendo o bebê" , consegui dizer, entre lágrimas e soluços de dor.

Houve um silêncio do outro lado da linha. Depois, a voz dele veio, fria como gelo.

"Você tem certeza? Não pode ser só um alarme falso? Você sempre exagera."

"Não, Marcos, é sério! Tem muito sangue!"

"Ok, ok. Ligue para o motorista. Peça para ele te levar ao hospital. Eu ligo para o Dr. Almeida. Tente não fazer escândalo."

Ele desligou.

Não houve um "você está bem?" , um "aguenta firme, estou voltando" . Nada. Apenas instruções frias, como se eu fosse uma funcionária incompetente que estava atrapalhando seu dia de trabalho.

O motorista me levou ao hospital. Dr. Almeida, o médico da família, já me esperava. Ele foi gentil, mas seu olhar era de pena.

Eu perdi o bebê. Um menino.

Marcos só voltou três dias depois. Ele entrou no quarto do hospital, não olhou para mim. Foi direto falar com o médico no corredor.

Quando voltou, seu rosto era uma máscara de fúria.

"O médico disse que foi estresse. Estresse! Eu te dou tudo, Luana! Tudo! Uma casa, dinheiro, conforto. E você não consegue nem segurar um filho? Qual é o seu problema?"

Ele não chorou pelo filho que perdemos. Ele me culpou por tê-lo perdido.

Naquele momento, algo dentro de mim morreu. O amor, a esperança, a última fagulha de admiração que eu sentia por ele. Tudo se transformou em cinzas.

Eu tive alta dois dias depois. Voltei para a casa vazia e silenciosa. Marcos já tinha ido para o escritório.

Naquela noite, arrumei uma pequena mala. Decidi ir embora. Estava na porta, com a mão na maçaneta, quando ele chegou.

Ele não perguntou para onde eu ia. Ele simplesmente bloqueou a porta.

"Onde você pensa que vai?"

"Embora."

"Não seja estúpida. Sua vida é aqui."

Naquele dia, eu não tive forças para lutar. Eu estava quebrada, vazia. Voltei para dentro e desfiz a mala. Mas a decisão já estava tomada, apenas adiada.

Era irônico pensar que nosso começo tinha sido tão diferente.

Eu o conheci não em uma festa de gala, mas em uma oficina mecânica. Meu fusca velho tinha quebrado no meio da estrada, e eu o empurrei até a oficina mais próxima. Eu estava coberta de graxa e suor.

Ele estava lá, de terno e gravata, esperando seu carro de luxo ser consertado. Ele me olhou, não com desprezo, mas com curiosidade.

"Problemas com o carro?" , ele perguntou, com um sorriso charmoso.

Eu, que sempre fui tímida, respondi com uma ousadia que não sabia que tinha.

"Nada que um pouco de paciência e uma chave de fenda não resolvam."

Ele riu. E ficou ali, conversando comigo por quase uma hora, enquanto o mecânico trabalhava no meu carro.

Ele não parecia o empresário arrogante que eu conheceria mais tarde. Parecia um homem genuinamente interessado, cativado pela minha independência.

Ele pediu meu número. Eu hesitei, mas acabei dando.

Ele me ligou no dia seguinte. E no outro. E no outro. Ele era insistente, quase obsessivo. Mandava flores para o meu trabalho, aparecia de surpresa na minha casa com sorvete, me levava para passeios simples, como andar no parque ou ver o pôr do sol na praia.

Ele dizia que estava cansado das mulheres fúteis do seu círculo social. Dizia que eu era real, que eu era diferente.

Eu me apaixonei por aquele Marcos. O Marcos que parecia me ver de verdade.

Uma vez, estávamos cozinhando juntos no meu pequeno apartamento. Eu me cortei com a faca, um corte fundo no dedo. O sangue jorrou.

Eu entrei em pânico, mas Marcos ficou pálido, mais assustado do que eu. Ele me pegou no colo, me levou para o banheiro, limpou o ferimento com um cuidado desesperado. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

"Não se machuque, Luana. Por favor. Eu não suporto te ver com dor."

Naquele momento, eu acreditei que ele me amava. Acreditei que seu amor era real e profundo.

Casamos seis meses depois. No dia do nosso casamento, na pequena igreja do meu bairro, ele me deu um presente. Era um pequeno pingente de prata, em forma de chave de fenda.

"Para você nunca se esquecer de como nos conhecemos" , ele sussurrou. "E para me lembrar que você é a única que pode consertar meu mundo."

Era o nosso segredo. O nosso símbolo.

Onde estava aquele homem agora? Onde estava aquele amor?

Olhando para o broche de camélia em minhas mãos, eu sabia a resposta.

Ele tinha se perdido em algum lugar entre o primeiro milhão e a arrogância que o dinheiro trouxe. E eu, por oito anos, fingi que não via.

Mas agora, meus olhos estavam abertos. E eu não podia mais fingir.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022