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Adeus, João: A Minha Nova Vida Começa

Adeus, João: A Minha Nova Vida Começa

Autor:: Gu Jian
Gênero: Romance
Eu era apenas uma mãe, com o meu filho de cinco anos, Leo, a enfrentar uma cirurgia urgente depois de partir o braço. Respirei fundo, esperando que o meu marido, João, chegasse para nos dar apoio. Mas o seu telefone estava desligado. Uma, duas, três horas de silêncio de rádio. Até que a minha sogra atendeu, com uma voz cheia de cautela. "Ah, querida... o João está ocupado. A prima dele, a Catarina... o cão dela fugiu." Senti a minha alma rasgar-se. O meu filho estava a ser operado, e ele estava a procurar um cão para a sua prima "frágil"? A raiva borbulhava, mas nada me preparou para o que ouvi a seguir, a voz do João ao fundo: "Calma, Cati. Vamos encontrá-lo. Eu estou aqui. Não te vou deixar." Aquela ternura, que nunca mais fora direcionada a mim, nem ao nosso filho, atingiu-me como um raio. Era uma faca no coração. Quando ele finalmente apareceu no hospital, não veio sozinho. Trazia a Catarina, que encenava um ataque de pânico ali mesmo, no quarto do meu filho. Ele sequer hesitou em ir atrás dela, deixando-nos para trás, Leo assustado, o braço engessado. Era o fim. Mas a partir daquele momento, a minha dor transformou-se em aço. Eu sabia o que tinha que fazer. Ele me abandonou, mas nós iríamos renascer das cinzas.

Introdução

Eu era apenas uma mãe, com o meu filho de cinco anos, Leo, a enfrentar uma cirurgia urgente depois de partir o braço.

Respirei fundo, esperando que o meu marido, João, chegasse para nos dar apoio.

Mas o seu telefone estava desligado. Uma, duas, três horas de silêncio de rádio.

Até que a minha sogra atendeu, com uma voz cheia de cautela.

"Ah, querida... o João está ocupado. A prima dele, a Catarina... o cão dela fugiu."

Senti a minha alma rasgar-se. O meu filho estava a ser operado, e ele estava a procurar um cão para a sua prima "frágil"?

A raiva borbulhava, mas nada me preparou para o que ouvi a seguir, a voz do João ao fundo: "Calma, Cati. Vamos encontrá-lo. Eu estou aqui. Não te vou deixar."

Aquela ternura, que nunca mais fora direcionada a mim, nem ao nosso filho, atingiu-me como um raio. Era uma faca no coração.

Quando ele finalmente apareceu no hospital, não veio sozinho. Trazia a Catarina, que encenava um ataque de pânico ali mesmo, no quarto do meu filho.

Ele sequer hesitou em ir atrás dela, deixando-nos para trás, Leo assustado, o braço engessado.

Era o fim.

Mas a partir daquele momento, a minha dor transformou-se em aço. Eu sabia o que tinha que fazer.

Ele me abandonou, mas nós iríamos renascer das cinzas.

Capítulo 1

A enfermeira entrou na sala, com uma prancheta na mão.

"Senhora Sofia Mendes? A cirurgia do seu filho foi um sucesso. Ele está a recuperar bem da anestesia. Pode vê-lo agora."

Respirei fundo, o alívio percorreu-me o corpo como uma onda quente.

"Obrigada. Muito obrigada."

Levantei-me, as minhas pernas tremiam um pouco, e segui-a pelo corredor branco e estéril.

O meu filho, Leo, de cinco anos, estava deitado na cama do hospital, pequeno e pálido. Tinha partido o braço a cair de um baloiço no parque. Um acidente simples, uma fratura limpa.

Mas o pânico que senti quando ele gritou foi avassalador.

Agarrei no meu telemóvel para ligar ao meu marido, João. O homem que prometeu estar sempre lá para nós.

O telefone chamou, uma, duas, três vezes. Sem resposta.

Tentei novamente. Direto para o correio de voz.

Enviei uma mensagem: "O Leo partiu o braço. Estamos no Hospital da Luz. Por favor, vem."

Nenhuma resposta.

Isso foi há três horas. Três horas de silêncio de rádio.

Agora, olhando para o meu filho a dormir, a raiva começou a borbulhar sob a minha preocupação. Onde estava ele?

Peguei no meu telemóvel outra vez. Desta vez, liguei para a minha sogra, a mãe dele, a Dona Isabel.

Ela atendeu ao primeiro toque.

"Sofia? Está tudo bem? O João não me disse que ias ligar."

A voz dela era suave, mas havia um tom de cautela.

"Isabel, o Leo partiu o braço. Estamos no hospital. O João não atende o telefone. Sabe onde ele está?"

Houve uma pausa. Uma pausa que durou demasiado tempo.

"Ah, querida... o João está ocupado. A prima dele, a Catarina... ela está a passar por um momento difícil."

Catarina. O nome deixou um gosto amargo na minha boca. A prima "frágil" que vivia connosco desde que os pais dela morreram há um ano.

"O que aconteceu à Catarina?", perguntei, a minha voz fria.

"Oh, o cão dela, o Faísca, fugiu. Ela ficou tão perturbada, Sofia. Estava inconsolável. O João teve de ir ajudá-la a procurar. Sabes como ela é sensível."

O cão. O cão dela fugiu.

E o meu filho, o filho dele, partiu um osso.

"Ele está a procurar um cão?", a minha voz saiu quase como um sussurro incrédulo.

"Não sejas assim, Sofia. A família tem de se ajudar. O João fez a coisa certa. A Catarina precisa dele. Tu és forte, consegues lidar com o Leo."

Antes que eu pudesse responder, ouvi a voz do João ao fundo. Não para mim. Para a Catarina.

"Calma, Cati. Vamos encontrá-lo. Eu estou aqui. Não te vou deixar."

A voz dele era suave, cheia de uma ternura que eu não ouvia há anos.

A minha mão tremeu. Desliguei a chamada.

Não havia necessidade de mais explicações. Tudo ficou claro como água.

A porta do quarto abriu-se e uma enfermeira sorriu-me. "Ele está a acordar."

Fui para o lado da cama do Leo, forcei um sorriso e acariciei o seu cabelo.

"Olá, meu amor. A mamã está aqui."

Ele abriu os olhos, grogue. "Dói, mamã."

"Eu sei, querido. Vai ficar tudo bem."

Naquele momento, enquanto confortava o meu filho, tomei uma decisão.

O nosso casamento não estava apenas partido. Estava morto e enterrado.

Eu só ainda não tinha assinado a certidão de óbito.

Capítulo 2

O meu telemóvel vibrou na minha mão. Era o João. Finalmente.

Atendi, a minha voz estava vazia de qualquer emoção.

"Onde estás?"

"Sofia! Desculpa, só vi as tuas mensagens agora. O meu telemóvel estava sem bateria. Como está o Leo?"

A desculpa era tão fraca, tão usada.

"Ele partiu o braço. A cirurgia correu bem. Ele está a dormir."

"Oh, meu Deus. Cirurgia? Foi assim tão mau? Eu estou a caminho agora mesmo!"

A sua preocupação soava oca, uma atuação para uma audiência de um só.

"Não te incomodes," disse eu, calmamente. "Fica aí. A Catarina precisa mais de ti. O cão dela ainda está desaparecido?"

Houve um silêncio do outro lado da linha. Ele não esperava isto.

"O que é que isso quer dizer? Claro que vou aí! Ele é meu filho!"

"É mesmo? Esqueceste-te disso nas últimas três horas?"

"Eu já te disse, o meu telemóvel morreu! E a Catarina estava a ter um ataque de pânico! Eu não a podia deixar sozinha naquele estado!"

"Um ataque de pânico por causa de um cão. Enquanto o teu filho estava a caminho da sala de operações."

Eu não gritei. Não chorei. A minha voz era monótona, um facto declarado.

"Não estás a ser justa, Sofia! Tu não sabes como ela ficou! Ela não tem mais ninguém!"

"Ela tem-te a ti, aparentemente. E isso parece ser suficiente."

"Para com o drama! Eu estou a ir para aí. Falamos quando eu chegar."

Ele desligou.

Olhei para o ecrã escuro do telemóvel. Drama. Ele chamou-lhe drama.

O meu filho magoado, a minha preocupação, o meu medo. Tudo era "drama".

O Leo mexeu-se na cama. "Mamã, tenho sede."

"Claro, meu amor."

Levantei-me e servi-lhe um copo de água, ajudando-o a beber com uma palhinha.

O seu pequeno rosto olhou para mim, os seus olhos grandes e confiantes.

"O papá vem?"

A pergunta simples atingiu-me onde mais doía.

Engoli em seco. "Ainda não sei, querido. Ele está... ocupado."

"Com a tia Cati?"

Até o meu filho de cinco anos via o padrão.

Não respondi. Apenas lhe limpei a boca e ajeitei-lhe as mantas.

A porta do quarto abriu-se de rompante. Era o João, o seu rosto vermelho de raiva e justificação. Atrás dele, a espreitar, estava a Catarina, os seus olhos inchados de lágrimas.

"Sofia, podemos falar lá fora?", disse o João, a sua voz baixa e ameaçadora.

A Catarina soluçou suavemente. "A culpa é minha. Eu sou um fardo tão grande."

O João virou-se imediatamente para ela, a sua expressão suavizou. "Não, Cati, não é. Não digas isso."

Ele estava a confortá-la. Ali mesmo. No quarto de hospital do nosso filho.

Levantei-me, a minha espinha direita como uma barra de aço.

"Não. Vamos falar aqui. Ou melhor, não vamos falar de todo. Podes vê-lo por cinco minutos. Depois, quero que saiam."

A cara do João ficou roxa. "Como te atreves a falar assim comigo? Na frente da Catarina?"

"Ela não é o problema, João. Tu és."

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