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Adotada por um vampiro

Adotada por um vampiro

Autor:: Maria Júlia
Gênero: Romance
Elisa, é uma jovem de 17 anos, órfã. Seus pais, morreram quando ela era apenas uma criança, então foi deixada em um orfanato em Skelton, que é uma cidade dominada por vampiros da alta sociedade. Elisa quer ter uma família feliz, porém, desde que foi deixada naquele orfanato, nunca foi adotada, bem... até agora. Quando não tinha mais esperanças, Elisa, é adotada por um homem misterioso que, julga querer-la como filha, mas, na verdade, suas intenções mostram, que tem muito mais coisa em jogo.

Capítulo 2 A chegada

Bônus David:

Estava em meu escritório, revendo algumas papeladas, tudo estava uma bagunça, há dias que eu estava de cabelos em pé, tentando organizar contratos. Os acionistas não estão dando trégua e eu preciso resolver o mais rápido possível.

Ultimamente, minha vida se baseia nisso, trabalho de dia e diversão a noite. Não sou nenhum santo, essa vida foi feita para aproveitar cada pedacinho. É difícil dizer, mas mesmo sendo imortal, cada época é um estilo diferente, não é muito fácil se habituar rápido.

Sou o primogênito de uma longa linhagem da minha família. Infelizmente, isso é um fardo pelo fato de que, sou de sangue nobre, e por isso tenho que seguir uma regra chata e que não me deixa contente: Ter que me casar. Péssima regra! Eu não quero isso para minha vida, mas sou forçado porque tenho que levar o sobrenome Parker a diante.

Estava tentando achar um formulário, perdido em tantos papéis em minha mesa, quando escuto três batidas de leve na porta. Faço que pode entrar, e me deparo com meu pai. Ele não entra, fica em pé na porta. Carrega um semblante tenso, parecia preocupado.

– Olá, meu velho – Anúncio. – Entre e sente-se.

Ele absorve meu pedido e acaba cedendo, fecha a porta e se senta em uma das cadeiras em frente à mesa principal.

– Mais aconchegante que me lembro. – Abre um sorriso preguiçoso.

Meu pai tinha seus negócios próprios, eu era independente – uma garantia para maus momentos em um possível futuro –. Ele sempre foi reservado e calmo, pensava antes de agir, um pouco ao contrário de mim, acho que puxei mais a minha mãe nesse requisito.

– O que faz aqui? – Vou direto ao ponto. Pelo seu semblante preocupado, percebo que deve ser algo sério. Dificilmente meu pai viria ao meu escritório sem ser algo de interesse mútuo.

– Bom dia, para você também, meu filho.

– Desculpe-me, estou um pouco lotado de...

– Tudo bem, eu entendo. – Sou interrompido. – Meu filho, precisa arranjar uma noiva, o quanto antes.

Reviro os olhos, mais uma vez, esse assunto me perturba. Desde que cheguei a fase adulta escuto isso. Não me deixam em paz, ainda tenho muito tempo para isso.

– Meu velho, tenho muito tempo ainda para pensar sobre isso.

– Não, você não tem, David. – Fala irritado. – Você está com 999 anos! O tempo está se esgotando.

Meu pai não é de se irritar fácil, mas essa história de eu não querer achar uma pretendente o deixa maluco. Muitos devem pensar que eu sou um idiota por não ter jogado foda-se para o ar e ficar com o dinheiro que eu já tenho, e deixar minha família se virar com o próximo herdeiro. Pois é, eu tentei... Realmente tentei! Só que eles não saíram do meu pé, e agora estou na frente da pessoa que eu menos queria ver nesse momento de estresse.

– Só um minuto, pai. Eu estou com 900 anos. O senhor está...

– Não, David. Você está com 999 anos, eu e sua mãe contamos todos os seus aniversários. Isso que dá não comemorar seu nascimento, agora está aí, nem se tocou que já está um adulto completo.

Foi aí que a ficha caiu. Ele tinha razão... Eu estou com 999 anos, e ainda não tenho uma noiva.

– Eu arranjarei alguma noiva por aí...

– Por aí, não! Você vai arranjar uma humana que preste! – Se altera, já se levantando e colocando um dedo na minha cara.

– Por quê? Eu já não suporto humanos e...

– Nada feito, David! Você precisa de uma esposa decente, e lembre-se de que você só não passa fome graças as bolsas de sangue doadas para nós.

Eu já estava perdendo a paciência.

– Será que, o senhor, pode parar de me interromper! E elas não são doadas, eles dão porque são obrigados.

Meu pai nunca vê as coisas com os olhos certos. Sempre otimista e tentando suavizar a situação.

– O que estou dizendo David é que, pela primeira vez na vida, pare de correr atrás de qualquer mulher por aí, e foque em só uma.

– Você venceu. Vou pedir para Rose, que me ajude a achar alguém.

Sua expressão se suavizou, fazendo com que se acalme e tire o dedo da minha cara.

– Ótimo, e que seja o mais rápido possível.

Ele não se senta, pelo contrário, se vira na direção oposta à minha, deixando-me com a visão de seu tronco largo. Assim que se vai, me jogo na minha cadeira confortável e começo a pensar.

A sala estava em silêncio completo, o cômodo era mesclado com as cores preto e branco. Nunca gostei de mais que isso, não gosto muito de cores chamativas. As persianas estavam fechadas, porque o Sol fazia com que meus olhos lacrimejassem. Ainda não sei, por que escolhi ter uma varanda na sala, sendo que nunca terei interesse de usá-la.

Assim que recupero meu bom senso, seguro o telefone ao meu lado esquerdo na grande mesa do escritório, e ligo para minha secretária.

– Alô, Sr. Parker. – Diz Rose, do outro lado da linha.

– Venha ao meu escritório e, de preferência, com alguns endereços de orfanatos.

Eu precisaria de uma garota quieta e que fizesse tudo que eu queria. Uma que é desinteressada e que não ligue para o que faço e não seja curiosa. Era uma ótima ideia, uma garota que não tinha família e que ninguém sentiria falta. Perfeito.

Escuto duas batidas fracas na porta, assim que Rose entra, lhe dou um leve acenar de cabeça e índico uma cadeira de frente a minha mesa.

Hora de começar a pôr a mão na massa

*******************************************************

*Elisa:

Desvio um pouco a atenção dele, e olho mais uma vez para o interior. É aconchegante. Talvez eu estivesse tentando achar uma maneira de parar de encará-lo, mas não estava dando certo, meus olhos sempre voltavam para ele. O pior é que nós continuávamos a se encarar, e ele tinha um sorriso debochado no rosto, que não estava me deixando deixar feliz.

Nem tive tempo de piscar duas vezes, e ele desapareceu rapidamente do meu campo de visão, reaparecendo atrás de mim. Eu senti suas mãos geladas tocarem minha cintura, seu rosto chegou perto do meu pescoço. Aproximou seu nariz na curvatura do meu pescoço, mas não sentia sua respiração. Por que será, Elisa?

Quando menos esperei, ele lambeu a curva do meu pescoço até chegar no começo da orelha. Ele me impedia de me mover. Aquilo era muito desconfortável, era como se eu fosse um pedaço de carne amostra em um açougue.

– Elisa. – Fala, como se sentisse necessidade de dizer meu nome. – Não precisa ser tão...formal, me chame só de David.

– T-tudo bem. – Acabou que, tive um pouco de dificuldade para responder. Isso é assédio, sabia? Sanguessuga de merda.

Então ele é o Sr. Parker. Ele é o cara que me adotou. Era para ser meu pai, mas não está agindo como tal. Eu sabia que essa história estava muito errada, mas no momento, não estava propícia a dizer qualquer coisa que fizesse sentido.

Não sei de onde eu tirei coragem, mas rapidamente consegui me virar, olhei profundamente na imensidão de azul que eram seus olhos, e não sei de onde tirei força, mas o empurrei para longe. O que não fez muito efeito, já que ele era uma muralha em relação a mim.

– Nunca mais, tente tocar em mim. – Falo. Acho que dessa vez minha voz saiu firme.

Ele começou a dar risada. Eu parecia uma palhaça por um acaso? Parecia estar se divertindo com a situação, rindo da minha cara. O encaro confusa, tentando decifrar o que se passa na cabeça daquele homem. Rapidamente aquela expressão de divertimento e deboche saiu de sua cara, dando espaço a uma expressão séria. Ele pegou o meu queixo e segurou o meu rosto, aproximando nossas faces até que meu nariz, quase tocasse o dele. E mais uma vez, tive que encarar a imensidão azul.

– Não é você que dá as ordens aqui. – Fala. – Daqui a pouco, vão servir o almoço, vá para o seu quarto e se arrume, pedirei para uma empregada acompanhar você.

Esse homem era bipolar, não era possível! Uma hora, estava tirando onda com a minha cara e, em outra, estava me dando um sermão junto com ordens.

– Perdão? – Tento permanecer calma. – O que o faz mudar de humor tão rápido? – Era uma pergunta meio besta, mas era a única que consegui pensar no momento.

Simplesmente soltou meu queixo, – que eu nem percebi que ainda estava segurando. – E se afastou um pouco recuperando a compostura.

– A menos que, queira que eu a use como alimento, não faça perguntas. –– Ele queria me controlar. Controlar a situação. David, pega em meu braço e puxa meu corpo para perto do seu. Me encarou por um instante, e depois seu semblante se suavizou.– Ilya! – Chama, me soltando de seu quase abraço.

Rapidamente, uma mulher pequena com roupas de serviçal adentra a sala. Ela parecia ter uns 40 anos, seus cabelos negros estavam presos em um coque bem-feito e sua roupa bem arrumada.

Ele estava parecendo se controlar, eu podia jurar que a 2:00 minutos atrás, o próprio queria me matar. Acho que ele sabe disfarçar bem na frente das pessoas.

– Estou aqui, senhor. – Responde, a mulher se aproximando cautelosamente.

– Por favor, leve Elisa até seus aposentos, e faça com que tomo um banho, para tirar todo esse ar de orfanato, impregnado em suas roupas. – A mulher fez uma breve reverência e, fez um sinal para que eu a seguisse.

Antes de subirmos a grande escada, Sr. Parker, advertiu:

– Escolha uma das roupas do armário, não quero peças de nível inferior aqui.

Vai se ferrar. Deu uma certa vontade de falar, mas me segurei. Não seria nada legal se ele realmente cumprisse a ameaça de sugar meu sangue. Espero que esse dia chegue nunca.

Eu a segui em silêncio pela grande escada. Viramos o corredor e logo me deparei com uma porta de Eucalipto esculpida com delicados detalhes há minha frente. A mulher abriu a porta, me dando uma ampla visão do quarto.

Ele era grande, em comparação ao meu antigo quarto, que eu dividia com outras dez meninas. Tinha uma cama espaçosa no centro e tinha uma linda e delicada penteadeira no canto. Também do outro lado do quarto havia um sofá grande e que parecia ser confortável, juntamente com uma prateleira com alguns livros. Tinha duas portas no quarto, imaginei que, uma levaria ao Closet e outra ao banheiro.

Estava realmente impressionada com o quarto. Ele era lindo.

A mulher entrou no aposento, e eu a segui. Ela se virou para mim e mostrou um sorriso gentil. Eu retribuo. Antes mesmo de falar algo, a mulher rapidamente virou e foi até uma das portas do quarto. Ela abriu e me deu passagem para entrar, era o banheiro.

O banheiro era enorme, suas paredes tinha um tom bege. Bem no centro tinha uma grande banheira (eu não vou ficar falando muitos detalhes, porque não é isso que importa).

Me virei para a mulher que já estava quase saindo pela porta do banheiro e tive coragem de falar:

– Como você consegue? – Ilya, a serviçal, deu um leve sorriso.

– Ele não é esse idiota que você deve estar imaginando. É que hoje não é um dos seus melhores dias.

Realmente eu achava que ele era um idiota completo. Qual é o problema em usar roupas que não são de marca? Otário.

– Bom, não creio muito nisso. – Digo, e a mulher revira os olhos.

– Daqui a pouco, você vai entender o que eu estou falando. – Ela se vira e sai do banheiro.

Agora me resta ir tomar banho. Liguei as torneiras, rapidamente a água começou a percorrer todo seu meio. Achei onde ficava o sabonete e os produtos para o cabelo, também peguei uns sais de banho e despejei na banheira. Esperei um pouco e então entrei. Até que, não é tão ruim assim. A água estava morna e trazia um ótimo bem-estar a minha pele. Eu já tinha tomado um banho hoje, mas nem se comparou com esse.

Fiquei um tempo descansando, lavei meu corpo e meus cabelos.

Ao chegar no quarto, me deparei com um delicado vestido de seda azul, posto em cima da cama. Ele se ajustou perfeitamente em meu corpo. A empregada escolheu a cor certa, adorava azul. Junto com o vestido, ela me deixou uma sapatilha bege nos pés da cama. Impressionantemente elas serviram perfeitamente.

Depois de me vestir, fui até a penteadeira e de lá peguei uma escova de cabelo. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e dei uma pequena ajeitada no vestido.

Está na hora de descer. Pego e saio do quarto, indo em direção as escadas.

*David:

Chego em meu escritório um tanto quanto transtornado. Quando vi Elisa na fila de garotas, ela me parecia uma marionete, uma menina sem curiosidade e interesses, que faria o que eu dissesse sem pestanejar. Bom, parece que me enganei.

A garota tem um jeito teimoso e petulante em seu olhar. Mas o que eu pensava que iria acontecer? Que ela seria uma menina tímida e educada? É claro que não, ainda mais vindo de um orfanato.

Vou até minha mesa e pegou o telefone discando o número de Clark, era meu melhor amigo desde a infância – Sim, somos amigos há bastante tempo. – Toda vez que eu tenho problemas, recorro a ele. É um ótimo conselheiro.

– Alô. – Fala, a voz de Clark atrás da linha.

– Sou eu, David.

Escuto um bocejando atrás da linha.

– Nem precisava dizer seu nome. Conheço de longe essa voz enjoativa que as mulheres adoram. Dou risada. Ele adora tirar onda com a minha pessoa.

– O que você quer? Nem venha me dizer que é dinheiro, porque se for, vou te dar um pé na bunda.

– Claro que não. Eu preciso de ajuda com uma garota... – Me interrompe, não me deixando terminar de falar.

– Espera um pouco, eu ouvi bem? David Parker II, pedindo ajuda com garotas? O apocalipse chegou! – Fala Clark, em tom de deboche.

– Você é um pé no saco sabia? – Ele ri. – Eu preciso que você me ajude, a meio que, domar uma garota.

– Domar? Você está ficando Louco, David? A velhice finalmente te alcançou.

– Claro que não, seu idiota – Falo, perdendo a paciência. – Lembra que eu comentei com você sobre a minha noiva, e que estava planejando achá-la em um orfanato?

– Deixa eu adivinhar, a garota que você está querendo domar é a que você adotou?

– Sim, mas ela não é nada que eu achava que era. Achava que era uma garota quieta e facilmente manipulável.

– Ela não é nada disso, não é mesmo?

– Exato. E agora eu não sei o que eu faço. Preciso que ela seja a minha noiva, mas não sei como contar sem que ela saía de casa correndo e vá direto divulgando pelos quatro cantos. – Digo, frustrado.

A linha fica um tempo em silêncio, de repente voltando com um Clark perigosamente animado.

– Já sei! Você deve ir com calma, ela precisa confiar em você e ter afinidade. – Diz, explicando.

– O que eu faço, exatamente? – Pergunto um pouco confuso. Escuto um suspiro atrás da linha.

– Faça com que ela ache que você não tem segundas intenções, haja no começo como um pai, tenha afinidade com ela e...

- Não vai rolar, digamos que, eu já dei o primeiro passo e é provável que se ela não sacou que quero algo dela, provavelmente suspeita. –Interrompo.

– Você é um idiota mesmo. Precisa calcular as consequências de seus atos!

Clark sempre foi mais calculista e cauteloso, e eu sempre fui pelo impulso.

– Então, o que você indica?

– Você precisa fazer com que ela perca as suspeitas sobre você.

– Como? – Pergunto, meio perdido. Acho que isso não vai rolar.

– Leve alguma mulher para sua casa e, apresente ela como sua "namorada".

– Até pode funcionar, mas... - sou interrompido.

– Mas nada, David! Você tem um monte de mulheres na sua agenda, dá para escolher a dedo.

– Qual a mania de todo mundo me interromper? – Suspiro. – Tudo bem. – Digo, por vencido e desligo na cara dele. Provavelmente irá me matar depois, mas todo tempo é precioso.

Seguro o telefone e disco outro número. Já tinha a pessoa perfeita para isso.

– Alô – Diz, uma voz feminina do outro lado da linha.

– Aly? Podemos conversar?

*************

*Elisa:

Lá vamos nós. Eu só preciso descer as escadas e pedir para que alguma empregada me leve até a sala do almoço. Aquilo era horrível, odiava ter que pedir informação, mas se for por conta própria vou acabar me perdendo e não achar o caminho de volta.

Parece improvável que nunca mais encontre o caminho de volta, mas isso aqui é imenso. Mas se eu for pensar bem, até preferiria me perder e nunca mas ser achada. Não quero ficar aqui, não tenho vontade de andar por aqui e muito menos olhar todo dia para ele.

Ok, chega de enrolar. Começo a descer as escadas devagar, na espera de que, algo venha e me derrube. Tudo bem, estava exagerando, mas sinto que aqui todo cuidado é pouco. Assim que cheguei no andar de baixo, comecei procurar um serviçal ou chofer, até preferiria se fosse Ilya. Continuei procurando, mas não achei ninguém. Talvez fosse a hora de tentar a própria sorte e seja o que Deus quiser.

Entrei e saí por várias portas tentando achar o lugar certo. Era impossível! eram tantos cômodos, que fiquei a ponto de me trancar em um e ficar lá até apodrecer.

Estava passando por um corredor estreito quando de repente... Pow! Eu esbarrei com alguém. Nós caímos e senti a pressão da caída vir até minhas entranhas e voltar.

É muito azar para uma pessoa só.

Olhei para cima, era uma moça. Ela era pálida, seus cabelos ruivos e seus olhos puxados para um azul esverdeado. Ela estava meio perdida e esfregando a mão na cabeça, onde eu imagino ter levado a pancada na queda.

Tentei começar um possível pedido de desculpas. Mas o problema é que, eu não sabia quem era a causadora do tombo, mesmo assim, era melhor me desculpar.

– Oi, desculpa por ter esbarrado em você. – Digo, ela se virou parecendo finalmente ter se tocado que eu estava ali, parecia estar em outro mundo. Abriu um sorriso e deixou escapar um riso.

– Não tem o que se preocupar. Fui eu que me esbarrei em você. – Ela se levanta e, dá a mão, me ajudando a levantar. – Me desculpe. Ah propósito, sou Katherine.

Ela parecia ser gentil, mas também poderia estar lidando com uma pessoa ligada nos 320.

– Eu sou, Elisa. – Assim que falo, ela arregala os olhos.

– Meu deus! Problemão! Só me segue. – Diz isso, e vira as costas, saindo andando rapidamente, eu a acompanho.

Estava confusa, o que ela queria dizer com "problemão"? Será que, era algo está relacionado a mim?

Nós viramos à direita e depois a esquerda, passando por corredores escuros graças as cortinas. Então, paramos em frente a uma porta branca e larga. Ela me olhou e eu a olhei de volta.

– Ele odeia atrasos. – Diz, tomando a iniciativa.

Ele...David?! Que legal. Penso. "Ele odeia atrasos". Vai ser muito divertido o meu almoço.

Notei agora que as roupas de Katherine não eram de uma serviçal, as suas roupas eram normais do cotidiano. Talvez ela seja alguma amiga ou parente.

– Muito ruim? – Pergunto, um pouco apreensiva.

Ela me olha com uma expressão séria.

– Se fosse em um dia normal, não, mas hoje não é um de seus melhores dias. – Ela sussurra em meu ouvido, para que ninguém escute.

Ainda paradas em frente a porta:

– Alguma probabilidade de homicídio?

Ela se assusta e volta ao normal.

– Nem brinque com isso.

Essa garota estava realmente me assustando. Eu não tinha mais nem coragem de abrir uma porta, achava que algo sairia de trás dela e me agarraria. Ela começou a rir. Eu fiquei um tempo raciocinando o que estava acontecendo.

– Sua cara foi a melhor. – Diz, rindo.

Eu estava chocada, ela me deixou apreensiva e com medo, para depois rir da minha cara.

– Não teve graça. – Fico com uma cara emburrada

– Calma, eu só estava brincando. Mas sério, eu estava te procurando, deveria te levar para almoçar.

Eu ainda olhava para sua cara um pouco abismada. Eu estava com vontade de sair dali, pisando duro e não comer mais nada. Ela deve ter notado a carranca que se formou em meu rosto e, logo endireitou sua postura.

– É nessa porta. Fica tranquila, ele não vai almoçar conosco.

O nome dele não foi citado por ela. Tá com medo de invocar o diabo?

– Não? – Pergunto. Pensei que, no primeiro dia, ele ficaria para dar as boas-vindas, mas uma parte de mim ficou mais tranquila, apesar de que agora ficaria com essa garota que me assusta um pouco.

– Não. Ele foi almoçar com alguém. Me disse que só voltaria a noite.

– Hm. – Melhor para mim.

Ela olhou para porta e para mim novamente.

– O que estamos fazendo do lado de fora? Eu quero comer! – Diz, dando batidas de leve na barriga.

Eu dei uma risada de leve. Até que não seria tão ruim almoçar com ela.

– Então vamos. – Digo, pegando no trinco da porta.

Assim que abre, me deparei com um lugar amplo e aconchegante. Havia uma grande mesa redonda no centro e grandes janelas (dessa vez, abertas) iluminadas pelos raios solares do meio-dia.

– Sente-se. – Katherine, se vira para mim, já se sentando e mostrando um lugar à sua frente.

Vou e me sento. Era um pouco esquisito, nem conhecia ela direito e já almoçando juntas. Mas, pelo menos, eu teria uma companhia.

Os pratos já estavam a mesa, juntamente com a comida. Era estranha, tinha uma pequena porção que continha algo verde, um pedaço de carne meio cru e uma pequena quantia de salada.

Isso é para uma criança desnutrida? Nunca tinha visto tão pouca comida em um prato antes. Observei o prato de Katherine, e o dela estava cheio de comida, chegava a me dar água na boca. Por que eu não posso ter isso? Injustiça!

Com um pouquinho de indignação – muita – e querendo achar que aquilo era brincadeira falei:

– Isso é só uma entrada, não é mesmo? – Falo, apontando para o prato.

Ela dá uma risada.

– Não. David não quer que engorde.

– Ele quer me ver magra ou anoréxica?

Idiota! Idiota! Idiota! Eu quero minha comida e não migalhas dela.

Ela cai na gargalhada.

– Pera. – Diz, enxugando uma lágrima do olho. – Adorei essa!

Não estou vendo nada de muito engraçado, na verdade, nada disso é engraçado. EU QUERO MINHA COMIDA!

– O que eu faço com essa coisa verde? – Aponto para a borda do prato.

– Vai por mim, deixa ela aí. Não experimenta.

– Ok...

...

Terminamos de comer. Conversamos bastante, sobre vários assuntos aleatórios e, ela disse que, no armário da cozinha, tem uma bolacha recheada, que eu poderia comer se ficasse com fome.

Bom, depois de almoçar, voltei para o quarto, não antes de me perder novamente. Estava me sentindo vazia, sem nenhuma comida quase para digerir.

Comecei a pensar. Com quem David foi almoçar? Será que voltaria tarde? Eram pensamentos bestas, mas queria saber para que quando chegasse, me explicasse de o porquê do racionamento de comida.

Já que estava de tarde, resolvi pegar um de meus livros para ler e passar o tempo. Foi quase impossível de ler, ficava pensando o tempo todo na minha vida no orfanato, nas pessoas. Tudo aquilo perdido.

Quando me dei por mim, o sono já tinha levado ...

*David:

Tédioooooooo. Não aguentava mais, ouvir Aly falando em meus ouvidos. Como aquela mulher falava tanto em pouco tempo?! E o pior era que ria de si própria.

Dá para ficar pior? Acho que sinceramente dá!

Estava tentando seguir o conselho que Clarck me deu. Fui atrás de uma mulher, só para ficar por um tempo e fazer teatro para Elisa.

Isso foi uma péssima ideia. Fazia tempo que não nos falávamos, acabei esquecendo que para fazer calar a boca, era preciso sentar-se em cima dela.

Eu deveria ter imaginado quando liguei para ela. Mal tinha feito o convite, e já estava dizendo onde iríamos comer.

Não me leve a mal. Eu e ela já nos divertimos muito nessa vida, mas tudo que é demais enjoa, e a cota dela já acabou. Ela sempre foi muito manipulável, então imaginei que seria fácil tê-la como namorada. Pelo menos, por um tempo, até eu poder dar um pé na bunda dela.

– Então, David? O que queria me dizer quando entramos? – Finalmente, chegamos no ponto da conversa. Eu tentei até agora, falar com ela sobre isso, mas sempre que tinha uma brecha, me cortava.

– Bom, já que estamos aqui. Aly, esqueci seu sobrenome, desculpe-me...

– É Singer.

– Ok. Aly Singer, por todas as circunstâncias, você é uma mulher incrível. Gostaria de saber, quer namorar comigo? – Faço a pergunta. Seus olhos se arregalaram em surpresa, logo abre um sorriso em sua face.

– Sim! Sim! Sim! – Diz, dando pulinhos na cadeira.

Era o cúmulo. Todos ao redor de nossa mesa, estavam olhando o escândalo que Aly estava fazendo.

Aly era uma vampira jovem. Foi transformada há um tempo. Faz talvez 50 anos que nos conhecemos, não sei ao certo.Estava começando a querer sair pela porta e nunca mais voltar. Mas já que estava aqui, não podia mais voltar atrás.

Não estava em um restaurante de vampiros, era um restaurante normal, precisava que ninguém soubesse o que eu estava fazendo. Não tinha sangue aqui, e isso estava começando a me apavorar. Não me alimentava já fazia dois dias, pelo fato da correria.

Estava começando a considerar que surtaria de fome.

Enquanto meu estômago roncava, Aly enchia minha cabeça com sua voz irritante.

Que arrependimento.

***********

*Elisa:

Acordei e olhei ao meu redor. Não era meu quarto, estava tentando identificar, mas não estava dando certo. Finalmente entendi que não estava mais no orfanato, não estava, mas em casa.

Fui surpreendida com meu estômago roncando, juntamente com uma fome enorme.

Lembrei que tinha um pacote de bolacha na cozinha.

Levantei-me da cama e fui até a janela, olhei ao redor e estava tudo escuro. Devia ter ficado noite enquanto eu dormia.

Talvez ninguém esteja na cozinha. Eu poderia muito bem ir até lá sem ser vista. Foi com esse pensamento que resolvi sair do quarto em busca das bolachas.

Era provável que tinha muito mais coisas para comer do que um pacote de bolacha, mas por enquanto é melhor deixar minha ambição de lado.

Desci como escadas com cuidado, tentando não fazer barulho. Era estranho como estava tudo quieto.

Olhei ao redor e não avistei ninguém. Por sorte, antes de ir para o meu quarto, Katherine me mostrou onde ficava a cozinha.

Eu a agradeço imensamente em pensamento. Por mais que já tinha visto onde era a cozinha, não era a coisa mais difícil do mundo se perder por aqui.

Virei um corredor e me deparei com um beco sem saída. Mas algo era estranho, ali o papel de parede cinza claro era úmido e com algumas ondulações. Poderia ser infiltração, mas era estranhamente excitante, tinha algo atrás daquilo. Por mais que aos olhos de outras pessoas aquilo fosse uma mera infiltração, eu tinha certeza de que era algo a mais. Eu senti isso.

Acreditava que aquilo não passou despercebido aos olhos do Senhor Kilson. Ele parecia um homem muito certinho e arrumadinho para deixar isso como está.

Se não fosse por meu estômago, talvez tenha arrancado o papel de parede. Estava com muita fome, não tinha almoçado direito.

- Ele não quer que engorde - digo imitando a voz de Katherine, que por um acaso, era muito dócil para sua personalidade explosiva.

...

Refiz o caminho umas quatro vezes, até finalmente achar uma cozinha. Parei um pouco antes de entrar. A porta estava fechada, porém ouvia-se barulhos vindos de trás dela.

Talvez estivessem cozinhando o jantar, mas não era um barulho normal, eram barulhos de coisas caindo ou sendo arrastadas.

Fantasmas são mera conversa que as crianças mais velhas inventam para assustar as mais novas. Repetia esse mantra, toda vez que ficava com medo. No caso, era meio patético já que eu morava em uma cidade sobrenatural, mesmo assim, fantasmas são diferentes.

Agora estava dividida entre entrar e não entrar. Uma parte queria sair correndo e, a outra, queria entrar e socar a merda que está fazendo isso.

Tá... as duas opções não me agradam muito.

De uma vez só, resolvi mandar um foda-se para o ar e entrar.

Foi a pior escolha da minha vida, assim que entrei, a porta acabou fechando e eu não conseguia achar o trinco.

Tudo bem, se eu estou aqui, é por um motivo ... COMER!

A cozinha, estava escura e eu não sabia onde ficava o interruptor.

Os barulhos ainda continuavam, mas agora não eram de coisas caindo, mas sim, de algo engolindo.

Tentei chegar mais perto e escutei alguma coisa murmurando:

– Não... é... o... suficiente. – A Coisa disse, em intervalos de tempo.

Merda. Tinha alguém naquela cozinha, e não era humano. A coisa ainda não devia ter reparado que eu estava ali, então tentei recuar. Estava em um breu total e o barulho da coisa engolindo atrás de mim não estava ajudando.

Estava quase chegando à porta, quando o barulho da coisa engolindo cessou.

Meu coração gelou. Ela reparou que estou aqui.

Em um mal súbito, fui para cima da Coisa. Tentando me defender. Por sorte, acertei algo. Era algo grande e musculoso. Estava com medo e nem sabia o que ainda estava fazendo ali. Aquilo nem teve vontade de se defender, só ficou parado, como se fosse uma estátua.

Foi quando eu ouvi um crack, e tudo foi iluminado.

Eu fechei meus olhos, não queria olhar. Foi quando senti dedos gélidos acariciarem minha pele.

Abri meus olhos devagar e me deparei com... David? Levei um susto, sua boca estava ensanguentada e o sangue escorria de seu maxilar até a blusa que estava semiaberta.

Eu quis gritar, chutar, me livrar, mas não consegui, estava paralisada.

– Desobedecendo ordens... Bem, já é um bom começo. – Diz, sínico.

Nem tive tempo de responder. Quando vi, seus lábios estavam se esfregando em meu pescoço. Ele acariciou minha bochecha com seus dedos. Quando dei por mim, senti algo perfurando meu pescoço. Aquilo doía e ardia. Eu chutei e o soquei, mas ele não me largava.

Comecei a ver tudo embaçado, tentava me forçar a ficar acordada, mas a única palavra que consegui dizer antes de adormecer foi:

– Idiota...

Capítulo 3 Dama de companhia

Abro os olhos lentamente, um fleche de luz escapando da janela atinge meu rosto em cheio. Tentei virar, mas uma dor do lado esquerdo do meu pescoço não deixava.

Tento focar em alguma coisa, mas minha vista estava embaçada e uma dor de cabeça começava a brotar.

– O que aconteceu? – Murmurei, para mim. Tentava lembrar os acontecimentos da noite anterior, porém a dor de cabeça não me deixava pensar.

Me virei ainda sentindo dor e me deparei com um esboço vermelho deitado junto a mim na cama. Relei meus dedos com cuidado, não sabendo o que era. Minha visão estava terrível. Antes que eu pudesse raciocinar, o esboço vermelho se mexeu pulando em minha face.

– Oi! – Disse, esbanjando um sorriso.

– Ah! Saí encosto! – Quando dei por mim, estava caída no chão do quarto.

A coisa se aproximou devagar e me encarou. Percebi que "A Coisa", se tratava de Katherine.

– Encosto? Assim, você me magoa. – Faz biquinho.

– Queria que eu falasse o quê? linda do meu coração?

– Eu não acho ruim. – Diz, com cara de deboche. Acabo rindo de sua expressão. Tento me levantar, mas uma fraqueza súbita faz com que eu quase caia de cara no chão. Por sorte, Katherine foi mais rápida e me sustentou.

– O que aconteceu ontem? – Deixo uma frase escapar de imediato. Ela me olha apreensiva.

– Nada demais. Você veio para seu quarto e não saiu desde então. – Me senta na cama e se senta ao meu lado.

Não me lembrava de ter ido me deitar. Algo estava errado. Katherine parecia estar mentindo.

– Pode ser. – Minto. Acredito que, se ela soubesse o que aconteceu ontem à noite, não me contaria. – Estou me sentindo fraca. O meu pescoço está doendo. – Levo meus dedos até onde está dolorido, mas Katherine os tiras de lá com rapidez.

– Deve ter dormido de mau jeito, e a fraqueza deve ser porque não jantou. – Ela me olhava tensa. Eu sabia que estava mentindo. Algo aconteceu ontem, só não conseguia lembrar.

– Deve ser mesmo. – Minto, novamente – Mas, mudando de assunto, o que você estava fazendo deitada junto comigo na cama?

– Cuidando de você. Achei que já era melhor começar meu trabalho hoje. – Sorri. Cuidando de mim? Mas eu era não necessário que alguém cuidasse de mim.

– Trabalho? Como assim? – Digo, confusa.

– Surpresa! – Diz, abanando as mãos para o auto. – Sou sua dama de companhia!!!! – Diz, agora batendo palmas.

– Uma o quê? Eu não preciso...

– Precisa sim! David, que me mandou especialmente para cuidar de você.

Não estou gostando disso. Nem sabia direito o que ela iria fazer aqui. Não queria uma dama de companhia.

– Vai, vai ser legal. Eu te prometo. – Diz, colocando uma mão de cada lado do meu ombro.

– Tudo bem...

– Oba!!! – Animada, Katherine pega minha mão e me leva até o banheiro. – Vai tomando banho, que eu vou escolher uma roupa bonita para você. Hoje, David vai tomar café da manhã conosco. - Diz, dando uma piscada.

Era estranho, mas acredito que ela e "David" tinha uma certa afinidade, já que ela não o chamava pelo sobrenome. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Katherine me levou ao banheiro e me tacou uma toalha e saiu para fora.

Que furacão. Nem pisquei e estou aqui no banheiro.

– Que prática. – Digo, debochando.

– Eu ouvi! – Diz Katherine, do outro cômodo.

Dou risada, até que não seria ruim ter ela como "dama de companhia", apesar de que se parece muito com Emily. Sinto saudade de Emily e estar perto de Katherine me deixa com mais saudade ainda.

– Não estou ouvindo o barulho da água! – Grita, me tirando de meus desvaneios.

– Já vai!

Prefiro não enrolar mais. Tomo um banho refrescante, lavo meus cabelos e ensaboo meu corpo.

Assim que saio do banho, fui até o espelho olhar minha aparência e, para minha surpresa, tinha um grande roxo em meu pescoço. Como aquilo poderia ter parado ali? Não conseguia lembrar, mas sabia que aquilo não era bom.

Estava bem roxo e quando encostei minha mão, estava doendo muito.

Quando estava analisando o hematoma, Katherine apareceu no banheiro, com um sorriso no rosto que logo se transformou em tenção.

– O que é isso? – Pergunto, apontando para meu pescoço.

– Ontem quando nos esbarramos, você bateu o pescoço na quina da...

– Não lembro de ter batido. Na verdade, depois do almoço, não lembro de mais nada. – Falo, refletindo. Katherine, me puxa rapidamente para fora do banheiro e me senta na cama.

– Não aconteceu nada. Deve ser paranoia de primeira noite. – Diz, me encarando.

Não acreditava nisso, mas gastar saliva não iria ajudar.

– Vamos deixar isso para outro momento. – Diz, batendo palmas e se animando de novo. – Deixa eu arrumar você! Vai ficar uma bonequinha.

"vai ficar uma bonequinha", essa frase me perturba desde quando as meninas resolveram me maquiar. Ficou um lixo, eu odiei e elas ficaram rindo de mim.

– Creio que não é necessário. – Digo, me afastando de suas mãos, que são mais ágeis e me seguram no lugar.

– Nem pensar. Vai ficar quietinha, enquanto te deixo lindinha. – Reflete – Olha! Até rimou!

Suspiro. Não iria discutir.

...

Deixei Katherine me lambuzar de cosméticos. Assim que terminou, fui até o espelho me olhar e tive uma surpresa. Eu não estava me reconhecendo, parecia mais viva e feliz – coisa que não era realidade.

Enquanto estava me observando, Katherine me tocou nos ombros, me fazendo virar.

– Que tal mudar o cabelo?

Fico tensa. Eu nunca mudei o cabelo só cortei as pontinhas.

– Eu não... nunca ...

- Não me diga que nunca cortou o cabelo?! – Diz, espantada. Assenti com a cabeça. – O que acha de mudarmos?

– Eu não sei. Nunca mudei.

– Deixa disso. O que você acha de cortarmos curto? Ficaria bem no seu rosto.

– Não! Não vou deixar isso. – Falo, segurando meus cabelos.

Ué não era você que era toda desapega, Elisa? Minha própria mente me sabota.

– Por favor, mudar as vezes é bom. Eu sou uma ótima cabeleireira.

– Mas agora que eu não deixo mesmo! – Digo, me afastando de seus braços.

– Não vai ser fácil assim. – Assim que, Katherine falou isso, escutei um barulho de algo em atrito e quando vi, meus cabelos estavam no chão.

– Você... O que você... – Toquei onde eram meus cabelos, e eles não estavam mais lá. Me virei para o espelho e só via o resto que sobrou dele.

– Não me agradeça. – Diz, Katherine, colocando a tesoura na cômoda. Em um ataque de fúria fui para cima dela.

– Eu não te dei permissão! – Eu gritava, tentando acertá-la em algum lugar, mas ela era muito mais forte que eu e demonstrava facilidade em desviar de meus golpes.

– Já acabou? – Assim que falou, notei que parecia uma louca. Me recompus e há encarei:

– Me desculpa. Nem sei o que deu em mim.

– Se me permite dizer, você ficou bem mais bonita assim. – Fui em direção ao espelho novamente e olhei com mais calma. Realmente, não estava mal. – Sabia que você iria gostar.

– Quer saber? Você tem razão! - Digo rindo, enquanto Katherine me acompanha. – Acho que exagerei.

– Só um pouquinho, mas deixa quieto.

– Vamos continuar a se arrumar. Já enrolamos demais. Olha, tenho que confessar, você é fortinha.

Rimos novamente. E pensar que estava tentando matá-la agora a pouco.

– Tudo bem. Vamos lá terminar as coisas.

...

Ela me deixou básica na roupa, e a agradeci imensamente por isso. Eu vesti um vestido branco e uma sapatilha preta.

Tínhamos conversado um pouco antes de descermos.

Não sabia o que havia acontecido ontem à noite, porém algo me dizia que David, tinha algo a ver.

Estava pensando comigo mesma: o que farei quando sentar-me na mesma mesa que ele? Era um pensamento que rodeava minha cabeça, enquanto descia as escadas cautelosamente.

Talvez, nós apenas ficamos nos encarando, ou também poderá ser que ele nem note minha presença.

Depois de ter percebido aquele grande roxo em meu pescoço, fiquei um pouco arisca em relação a ele. Não queria que ninguém soubesse daquele hematoma além de mim e Katherine, por isso, pedi que passasse algo para esconder. Não ficou 100%, mas dá para o gasto.

– Não é como se ele fosse te morder. – Katherine, reflete, observando minha expressão tensa. – Quer dizer, ele pode, mas não é desse jeito que funciona.

– Tudo bem, não precisa tentar me deixar calma, só vai piorar. – Digo, descendo o último degrau da grande e elegante escadaria. – E, além do mais, estou morrendo de fome. Espero que não tenha racionamento de comida hoje. – Katherine, ri. Ela parecia se divertir com as coisas que eu falava.

Passamos pelo mesmo caminho que ontem, só que desta vez não teve nenhum tombo. A casa estava calma e eu estava pensando em coisas inúteis enquanto passávamos pelo corredor.

Estávamos quase chegando ao destino, quando ouvimos uma conversa meio distante e alterada:

– Eu estou enxergando tudo roxo! Como isso pode ser possível?! – Uma voz grave soa pelos corredores.

– Não faço ideia, meu senhor. Sempre verificamos os alimentos e as bebidas antes de o senhor ingeri-las. – Diz, uma voz feminina quase imperceptível.

– Então descubra. Eu estou me sentindo um completo idiota! – Diz, a voz grave, novamente.

– Sim, meu senhor.

Foi tudo que ouvimos, a conversa parou e depois foi puro silêncio. Depois do que ouvimos, nos encaramos e depois de algum tempo voltamos a andar.

Quando dei por mim, já estava na porta que dava para uma sala, onde comi no dia anterior.

Tinha medo de abrir uma porta e me deparar com quem não queria, pois sabia que o Sr. Parker, estava logo adiante. Ou melhor, David. Sabendo dos riscos, olhei para Katherine que me deu um sorriso reconfortante.

Coloquei a mão na maçaneta e virei devagar. A porta foi aberta, dando a visão de um David muito irritado. Era quase inaudível, mas tive a impressão de ouvir um riso vindo de Katherine.

– Olá... – Disse, tentando soar o mais convencional possível (o que não deu muito certo). Ele apenas me encarou, me analisando e voltou a comer seu café da manhã, que aliás parecia estar delicioso.

Eu estava com muita fome, poderia comer aquela mesa cheia de pães doces, bolos e torta, tudo de uma vez.

Katherine tomou seu lugar na mesa, ao lado esquerdo, onde me sentei, bem ao seu lado.

Algo começou a me afligir no momento. Era uma pergunta que ontem não me lembrei de fazer, mas hoje veio totalmente à tona. Como ficarão meus estudos? Eu preciso saber, só que sentir que àquela hora não era a mais especificada. Resolvi esperar e falar sobre isso com ele mais tarde.

Tudo estava silencioso, apenas os sons dos talheres e copos eram ouvidos na sala. Um climão.

David, me analisava despreocupadamente. Talvez ele tenha notado que cortei o cabelo. Ele não parava de encarar e eu estava começando a ficar desconfortável (mais do que já estava).

Seria legal se um buraco no chão viesse e me engolisse para que eu não tivesse que ficar aqui.

– Não acho uma boa ideia. – Diz David, de repente, me encarando.

– Como? – Pergunto, confusa.

– Querer cair em buracos. – Diz, simplesmente.

Mais um pouco de degustação de leitura da mente.

– Mais que saco! – Grita David, apertando os olhos com força, em seguida, olhando para Katherine. Aquilo me assustou. – Que merda está acontecendo? – Katherine apenas o olhou e um sorriso debochado surgiu em seu rosto – Você. Foi você... – Diz, fuzilando Katherine.

– Como pode me acusar tão veemente sem provas?

– Não preciso de provas ou vestígios de algo, foi você, está se vingando... Eu sinto isso.

O que está acontecendo aqui?

– Pois acho que está equivocado. – Katherine, sorri colocando um pedaço de torta na boca.

Enquanto, assistia a discussão dos dois, me perguntava o que eles tinham. Se tratavam muito intimamente. Não estava entendendo nada.

– Foi você sim! Eu me sinto ridículo enxergando tudo roxo! Parece um mundo de ETs roxos, com pessoinhas abusadas. – A última frase, falou me encarando.

– Você parece uma criança. Aliás você nunca mudou, sempre foi essa criança desde quando nasceu. – Katherine, se pronuncia.

– Eu posso falar a mesma coisa de você.

– David Parker Storn... Não me faça... – Katherine, o olha sombriamente.

– Katherine Parker Storn. Se acha que me intimida, cansa esse nariz empinado da chuva.

O que estava presenciando antes estava confuso, mas agora entendo perfeitamente. Eles são irmãos, os dois são da mesma família. Enquanto os dois se fuzilavam, eu apenas os olhava normalmente. Como se fosse combinado, os dois viraram em minha direção, e começamos um concurso de quem encarava melhor. Estava bem desconfortável, mas não podia fazer nada a respeito.

– Katherine, me acompanhe. – David, diz de repente a encarando.

– Ok. – Fala, bufando e, de repente, olhando para mim. – Assim que eu terminar a nossa conversa, eu vou te encontrar? – Faço que sim com a cabeça.

Os dois se levantam e saem da sala tranquilamente, deixando-me com meus pensamentos.

Finalmente paz. Penso calmamente.

Agora que estou sozinha, me vejo pensando em uma questão ... Por que David afirmava estar enxergando tudo roxo? Isso era uma questão curiosa.

*David:

Eu estou ficando louco. Essa é uma questão. Sinto como se, algo estivesse passado despercebido ao meu redor.

Não acredito que, tenha recaído por causa de, Elisa. Talvez tenha sido a fome, mas eu sabia que não devia ter feito aquilo.

Talvez tenha passado dos limites, estou com receio que algo mude depois disso. Possa ser que tenha sorte e que ela não se lembre de nada, mas e se lembrar? Lá se vão todo o meu respeito e confiança conquistados com os investidores.

Mas onde eu estava com a cabeça quando o ataquei o pescoço da menina? A fome fez com que eu me tornasse um monstro novamente.

Estava em meio a tantos pensamentos que nem notei quando peguei no sono.

Acordei um pouco enjoado. Dormir de barriga cheia não é uma boa ideia.

O peso na consciência me afligiu em cheio, assim que fui para meu escritório longe da mansão. Estava culpado e, ao mesmo tempo, com raiva. Raiva por um sangue de uma garota, me fizesse jogar tudo que construir nos anos por água abaixo.

Fui até onde guardava uma garrafa de whisky e o peguei. Precisava beber um pouco.

Finalmente tinha me contentado com doações, do que beber direto da fonte, mas agora tudo está perdido. O vicio vai voltar.

Tomei três goles e andei em direção a janela, como estavam cortinas fechadas pelo fato da luz do Sol irritar meus olhos. Abri um pouco para ver o belo amanhecer.

Fechei depois de um tempo, pois comecei a lacrimejar. Tomei mais alguns goles e, comecei a ter uma forte dor de cabeça. Estranhei pelo fato de que bebo a muito tempo, foi quando minha visão mudou, comecei a enxergar tudo roxo.

– Mas que porra é essa? – Perguntei, confuso. Foi quando, me lembrei que, antes de tomar o whisky, comi um pedaço de torta na cozinha. Podia ser que aquilo tenha me feito mal. Fui até meu telefone e disquei o número do telefone da casa.

– Alô. – Uma das empregadas atendeu.

– Sou eu, David. Quero falar com Katherine.

– Vou chamá-la. – Demorou um pouco, mas Katherine atendeu.

– Sim, meu querido irmão. – Disse, debochando.

– Oi. Vou ir para casa, provável que tomo o meu café aí. Preciso conversar com você.

– Sim, devo chamar, Elisa? Ela ainda pode estar...

– Chame, preciso saber se lembra de algo.

– Sim, a propósito, ficou uma marca horrível em seu pescoço. – Droga. Pensei levando a garrafa mais uma vez a boca, sentindo o efeito do álcool ao consumir.

– Fale alguma desculpa, depois eu vejo o que eu faço. E faça tudo para que ela não se lembre de ontem.

– Ok. Mais alguma coisa? – Pergunta, irônica.

– Sim, não me irrita, que hoje não estou com paciência.

Desliguei o telefone sem dar chance para que ela falasse mais alguma coisa. Sai do escritório indo até a recepção, lugar de várias mulheres bonitas. Infelizmente não me envolvo com funcionários, mas realmente é uma tentação.

O motorista me levou até em casa. Chegando lá, perdi toda minha paciência quando, falei com uma das mulheres da cozinha. Estava irritado e com pressa.

Assim que saiu, me sentei e comecei a fazer minhas coisas. Logo em seguida, Katherine e Elisa entraram na sala.

Olhei para Elisa, ela estava diferente, seu cabelo estava curto, deu um ar mais sedutor a ela, estava mais adulta. Katherine não perde chance. Pensei mentalmente. Não demonstrei nenhuma reação ao vê-la, porém por dentro estava gostando do novo visual.

Ela tentou falar algo casual, mas o momento não aprovou. Ela não parecia se lembrar de algo e a marca não estava tão ruim quando Katherine havia afirmado, aquilo me tranquilizou um pouco.

...

Saí da sala com Katherine me acompanhando. Estava furioso, tinha sido ela que fez isso comigo, nem estava acreditando... quer dizer, é bem a cara dela fazer uma coisa assim.

Vou até o escritório da casa, onde é mais escuro que o habitual e um pouco menor, mas serve.

Assim que entramos, vou até a porta e a tranco, deixando a chave no bolso do meu paletó. Olho para Katherine, que está com um sorriso debochado na cara.

– Mas que merda você estava pensando, quando fez isso comigo? – Digo, irritado.

– Você merece pelo que fez com, Elisa. Ela poderia ter morrido ou ficado com alguma sequela. – Diz, me olhando seriamente.

– Mas não ficou. – Suspiro. – Eu sei que foi um erro ter feito aquilo, mas eu não sei o que deu em mim...

– Mas eu sei, você estava com fome, e quando isso acontece, você se transforma em uma sanguessuga.

– Do mesmo jeito, isso não é desculpa para me deixar vendo as coisas em roxo. – Comecei a perder o controle e andar de um lado para o outro; na sala. – Me diga, o que você fez em mim?

– Você, mais tarde, vai descobrir. – Diz, isso indo para a porta. Ela está trancada idiota. Penso, mas ela consegue abrir e eu fico parecendo um tonto parado, sem saber o que ela fez. Foi quando percebi, que a chave que tinha guardado no bolso, não estava mais lá.

– Estou ferrado. – Digo, me dando conta que os efeitos ainda nem apareceram direito.

*******

*Elisa:

Um silêncio pairava pela sala, a comida já estava com um aspecto diferente, não queria comer mais.

Saí da sala, sem muitas ideias do que fazer a seguir. Talvez, se eu olhasse em volta, me sentiria menos desconfortável.

Eu sei que, o mundo a minha volta, não é mais o mesmo. Agora vou ter que lidar com um ambiente totalmente diferente do que estou acostumada.

Me lembro que, quando vim para cá ontem, tinha avistado um belo jardim, cheio de flores, um pouco longe daqui.

Resolvi sair um pouco, afinal, não posso ficar nessa casa o tempo todo. Não seria ruim sair um pouco.

Andei até a entrada principal onde se encontrava um homem alto e forte.

– Com licença, gostaria de abrir uma porta.

– O chefe, me deu ordens para não deixar a senhorita sair dessa casa. – Diz, cruzando os braços, impedindo minha passagem ainda mais.

– Pois bem, mas saiba. – Falo, não me intimidando com seu tamanho. – Eu não desisto fácil. – Saio pisando duro e tentando pensar em outra saída.

– Primeiro, foi a comida e agora isso! Que saco! – Digo, revoltada.

– Alguém precisa de um calmante. – Escuto uma voz masculina atrás de mim. Me viro e me deparo com um homem lindo. Olhos azuis, loiro, barba por fazer. Realmente um colírio. Nossa ele é alto hein.

– Talvez? – As palavras, não saíam como eu pensei e, para piorar, ele deu uma risada muito charmosa.

– Deixe-me adivinhar seu nome... Elisa? – Pergunta, me analisando.

– Sim.

– Prazer, sou Clarck. – Vem em minha direção e se curva, me dando um beijo na bochecha, fazendo com que eu fique corada.

Alguém tira esse homem daqui meu Deus! – Seu pai está, Elisa? – Saio do meu transe e volto a realidade. Caí na real, quando ele falou a palavra pai.

– Está sim, mas não o considero meu pai.

– Se quer saber, eu também não o consideraria. – Diz, piscando.

– Pois é... – Não consigo pensar em nada para falar!

– Posso fazer uma pergunta? – Diz, puxando assunto.

– Claro. – Por que eu disse claro?!

– Saberia me dizer, onde está David? – Agora eu me lembrei, não tinha respondido a sua pergunto. Que mico.

– Er... Ele saiu para conversar com sua Irmã, e não sei para onde ele foi.

– Tudo bem, eu volto outra hora. – Diz, se aproximando e depositando um beijo morno em minha mão.

– Mas veja quem está aí. – Escuto uma voz atrás de mim, me viro, me deparando com ninguém menos que, David.

Tinha que estragar o momento.

– Vejo que estava se divertindo, Elisa. – David, fala sarcasticamente, deixando meus nervos à flor da pele.

– Que bom que apareceu, estava mesmo perguntando por você. – Diz, Clarck.

– Eu não digo o mesmo. – Falo, revirando os olhos.

– Como você pode ver, Clarck. – David, aponta em minha direção. – Tenho uma menina difícil aqui comigo.

Alguém me mata, me bate bem forte na cabeça ...

– Eu notei – Diz Clarck, rindo.

– Deixe-nos a sós agora. Hora de os adultos conversarem. – David não parecia estar muito bem. Se eu pudesse, nesse momento exato, daria um soco nele, mas acho que assustaria a visita.

Contei até três e resolvi ir para meu quarto. Ao chegar, tranquei a porta e chutei o ar.

– Para que essa violência toda? – Diz Katherine, deitada na cama, me dando um enorme susto.

– Por que eu não posso ficar sozinha por um instante?!

– Acho que cheguei em uma má hora. – Diz, se levantando e indo até a porta.

Não digo nada e espero ela se retirar. Assim que fecha a porta, respiro fundo tentando me manter calma.

– Merda! Por que as coisas não podem ser menos complicadas?

Levanto-me, e vou para a varanda do quarto, o Sol da tarde estava forte e eu apreciei cada instante como se fosse o último.

– As coisas estão tomando um rumo diferente do que eu penso que tomariam.

Me peguei pensando nas lembranças do orfanato. Emily, Chloe... Olivia, meninas chatas que eu nem lembro mais o nome... Realmente, todas essas coisas estão perdidas agora. Tento me fazer de forte, mas sinto que posso fraquejar.

Saio da varanda e me deito na cama.

- Eu vou ir para o Jardim, nem que eu tenha que mudar o meu nome para Picles.

De repente, uma confiança surge em mim, desço as escadas em passos seguros. David e Clarck não estão, mas aqui, devem ter ido para outro lugar. Me aproximo do segurança e estufo o peito e antes de dizer qualquer coisa ele já me adianta:

– Não. Ordens são ordens.

– Pois bem. – Digo, indo pisando duro até meu quarto.

Que saco! Eu não desisto tão fácil!

Olho para a varanda e, uma ideia se ilumina em minha cabeça. Me aproximo do parapeito e espio o chão. O jardim estava bem abaixo de mim.

– Não é tão alto, se eu pular vou conseguir no máximo uns ossos quebrados. – Digo, calculando. – Quem eu estou querendo enganar, é claro que eu vou morrer se fazer isso.

Me viro já desistindo e indo em direção da cama, foi aí que ao observar os lençóis, eu tive uma grande ideia (que podia dar muito errado, mas, é aquele ditado: quem não arrisca, não petisca).

Vou em direção a um armário onde me parece ter um monte de lençóis, colchoados, fronhas e mais algumas coisas.

...

– Pensando bem, isso não vai dar certo. – Digo, observando o emaranhado que eu fiz com as coisas que estavam no armário, acabei criando uma corda.

– É agora ou nunca. – Pego, e coloco a "corda" para fora da varanda. – Meu Deus, por que eu gosto de fazer tanta merda nessa minha vida? – Pergunto, pensando em ser minhas últimas palavras. Começo a descer devagar, o vestido não ajuda, mas é o que tem para hoje. Estava quase na metade quando escorrego e fico pendurada na corda tentando me recompor.

– Adorei a visão. – Fala, uma voz, de repente, me fazendo olhar assustada.

– David! – Exclamo, já começando a rever meus atos. Se não bastasse, Clark estava ao seu lado, tentava disfarçar o olhar, mas eu sabia que estava olhando na mesma direção que David.

Eu mereço...

– Pensei que tinha dado ordens claras ao segurança, para não te deixar sair, mas devo dizer que, você foi bem... criativa. – Não estava mais aguentando estar nessa situação, meus braços estão começando a fraquejar.

– Alguém me ajuda... – Mal terminei uma frase, e já estava caindo para minha morte. Quando eu achei que não estava, mas em meu corpo, senti braços fortes me segurando. Abri meus olhos e vi David, com um olhar malicioso me encarando enquanto me segurava. Eu odeio a cara dele.

Fiquei um pouco sem reação. Olhando de perto, David realmente era um belo homem, mas do mesmo jeito estava me olhando estranho e foi aí que eu percebi que ainda estava em seus braços. Rapidamente, desci envergonhada, não só por terem visto minha calcinha ou uma cena que possivelmente, poderia ser interpretada em uma peça desastrosa, e sim porque eu fui burra, ao ponto de achar, que o plano daria certo.

– Bom, foi ótimo te conhecer, Elisa. – Diz Clarck, é visível que está muito desconfortável com o que acabou de acontecer.

– Digo o mesmo.

– Pois bem, já que está aqui fora, espere um pouco que vou levar Clarck até a saída depois daremos um passeio. – David, mal falou, e já tinha virado as costas.

Pensei em discordar, mas precisava sair do meu quarto para respirar um ar, então disse um simples "ok".

Esperei um tempo até avistar David vindo em minha direção.

– Eu gostaria de tratar de algumas coisas com você, mas prefiro fazer isso dando uma volta pelo Jardim. – Diz. Achei estranho, sua expressão não estava debochada como de costume e sim, séria.

Ao andar pelo Jardim ao seu lado ficava imaginando o porquê de estarmos ali, juntos sem falar nada.

– Acho melhor, começar a falar... – Começa. – Bom, é um pouco complicado de te falar isso pois sei que não vai ser fácil.

– Pode falar. – Por mais que, estava começando a me assustar, tentava parecer bem e que já estava esperando algo difícil de lidar, mas não é grande coisa, já que nada nunca foi muito fácil na minha vida.

– Vou tentar não te assustar – Começa. – Vamos nos casar, Elisa. –Definitivamente, se ele queria não me assustar, falhou miseravelmente.

– Como assim?! – Digo, tentando lidar com a notícia. – Você está louco, de onde tirou essa ideia absurda?

Tento sair de perto dele, porém é mais rápido e segura minha mão me fazendo aproximar-se dele.

– Eu também não quero, mas eu preciso. Um dia você vai entender.

– Nunca. Jamais. Você me tirou de lá para se casar? É isso mesmo?!

Talvez eu não esteja lidando com aquilo muito bem, mas quem saberia lidar com isso nessa situação?!

– Não tem escapatória. Sinto muito. – Consigo ver, claramente, que não está arrependido, o que faz com que eu fique mais com raiva.

– Você não sente nada! Você é um egoísta, não quero viver ao seu lado.

– É... o que está acontecendo? – Vejo, David, ficar um pouco confuso e começar a ficar mais pálido do que já é.

– Você está bem? – Eu sei, não é uma pergunta muito inteligente quando você vê a pessoa ficando roxa, mas coloco culpa no calor do momento.

– Eu acho que vou... – E é, nesse instante, que David cai no chão. Foi meio óbvio, mas é a vida. Agora tenho que fazer a minha parte e pedir ajuda.

Vou até a porta principal onde há dois seguranças. Talvez eu esteja calma demais, mas quando você sabe que uma pessoa não morre, fica tudo mais sem graça. Claro que eu não conseguiria carregar aquele tijolo, seu dedo mindinho pesa uma tonelada, imagina o corpo todo.

– Eu preciso de ajuda, o Sr. Parker, desmaiou. – Ao contrário de mim, os seguranças saíram correndo como se fosse o fim do mundo. Não os culpo, se ganhasse dinheiro para isso, também ficaria preocupada.

Os seguranças nem sabiam onde David estava tirando uma sonequinha, por isso, voltaram eufóricos me pedindo para mostrar o caminho.

Assim que, chegamos lá, os seguranças foram direto acudir seu chefe desmaiado.

Eu talvez tenha ficado reflexiva demais em tão pouco tempo, mas o que eu posso fazer? Sou estranha assim mesmo.

Assim que, o pegam no colo, o levam para seu quarto. Confesso que achei que ele não fosse tão mole assim, mas as aparências enganam. Eu os acompanho.

O quarto era bem luxuoso, cortinas tampando o Sol (nenhuma surpresa), enquanto a cama é grande e parece tentadoramente confortável.

Resolvi deixar os seguranças cuidarem das coisas, ainda estava digerindo o que ele me falou. Não poderia estar falando sério... poderia?

Vou para o meu quarto, desde que vim para cá, quase não saiu daqui. Nessas horas bate arrependimento de ter expulsado Katherine daqui.

Sabe quando você se deita, na sua cama, e todos os problemas, crise existencial, tristeza, batem na sua porta, ao mesmo tempo?

– Como eu vim parar aqui, meu Deus? – Sei que ninguém vai responder, mas ainda tenho esperanças.

O sono começa a me atingir. Afinal, é quase só o que eu faço mesmo. Meus olhos começam a se fechar e quando vejo, estou em um sono profundo.

...

Capítulo 4 Matrimônio

Acordei, depois de um longo sonho onde, David me dizia tudo o que havia dito no Jardim. Aquilo não era possível, eu não acreditei, mas aí me pego pensando: Será? Tudo que ele falou pode ter algum sentido?

– Não acredito, que estou considerando isso, – Falo, sussurrando para mim mesma, com medo de que alguém escute.

O fato de que, David, praticamente, ter me colocado em uma encruzilhada, não significa que eu não arranje um jeito de sair. Talvez, se eu tomar um bom banho, tudo fique melhor.

Me dirigi ao banheiro, meu pescoço ainda doía, e eu não iria aceitar facilmente a ideia de que foi um "acidente". Fui para o chuveiro, necessitava daquela água morna, para acalmar meus conflitos internos. Ultimamente, está sendo estressante ter que conviver com vampiros.

Enquanto estava com a mente em outro lugar, escutei um barulho vindo do quarto. Saí do chuveiro, colocando um roupão antes. Fui devagar até a porta, onde avistei, nada menos, nada mais, que David mexendo na gaveta de calcinhas.

– Divertido? – Falo, o fazendo pular para trás. – Pelo jeito, não queria ser pego no flagra.

– Na verdade, preciso de sua ajuda e... já pensou no que eu te disse? – Pergunta, mudando de assunto, sem perceber que está com uma de minhas calcinhas ainda na mão.

– Primeiro, tira essa mão imunda da minha calcinha. - Finalmente percebeu e largou. – Segundo, até ontem você estava desmaiado e fraco, e agora parece que, está totalmente recuperado. – Ele tenta me interromper, mas continuo a falar. – Terceiro, o que você precisa?

– Primeiro, – Diz, se aproximando de mim. – Você deveria me respeitar, mocinha. – Termina de falar com um ar sombrio. – Segundo, eu me curo rápido. Terceiro, preciso de ajuda para achar um cobertor e, não adianta dizer que não sabe onde fica, porque ontem você caiu no meu colo graças a ele. – Diz, dando um sorriso safado e me deixando com vergonha.

Droga de cobertor.

– Eu acho que está no armário. – Falo, tentando não fazer contato visual.

Ele anda até o armário e começa a fuçar, tira de lá toalha, lençol, cortina, até que, para e se vira, segurando um cobertor todo costurado há mão e cheio de retalhos.

– Por que precisa dele? – Minha curiosidade fala mais alto. Ele estava segurando o cobertor de maneira estranha, como se, do nada, ele criasse vida e pulasse em sua cara.

– Quer segurar? – Diz, já me entregando, sem ao menos me questionar primeiro.

Começo analisando e sentindo sua textura em minhas mãos. Não tem nada demais.

– Antes que você pergunte, ele é usado pela minha família, para fazer... como posso dizer? – Fala, hesitando um pouco. – Serve para fazer filhos.

– Entendi... – Fico encarando o cobertor, até que...– Espera! O QUE?! – Jogo de volta para ele horrorizada, o mesmo, apenas ri da minha cara.

– Pois é, ele sempre foi um encosto para mim. Por isso, vou devolver para minha mãe no baile do mês que vem. – Diz, indo até a porta. – Não se esqueça da proposta, de qualquer jeito você já é minha. – Abre aquele sorriso irritante e sai de vez.

Ufa... Fico aliviada. Mas isso dura pouco, porque ele volta:

– A propósito, seu roupão está quase mostrando o que não deveria. – Diz, e aí sim, se retira. Me fazendo ficar paralisada.

Depois que reparo, o roupão estava prestes a abrir. Pego e me escondo no banheiro.

– Nem tive tempo de perguntar mais nada. – Falo, sussurrando. O que foi isso, meu Deus?

...

Eu sabia que não teria escapatória. De qualquer jeito "seria dele". E a palavra "baile", eu deixaria para conversar um outro dia.

Meus pensamentos ficavam voando o tempo todo, pensava no que eu iria fazer. Já estava cansada de não ter muito o que distrair minha mente.

– Bom Dia! – Diz Katherine, pulando na minha frente me dando um susto.

– O que é isso, garota?! Todo dia vai ser isso? – Digo, tentando respirar.

– Desculpa. Bom, eu vim aqui porque, principalmente, sou sua "dama de companhia", segundamente, vou te dar aulas e terceiramente, vim te chamar para o café.

– Até você. – Digo, me lembrando quando comecei esse lance de "primeiramente", de manhã.

– Você, vai me dar aulas? – Falo, tentando analisar o que se passa em sua cabeça.

– Eu mesma! – Diz, e começa a me encarar, tentando me analisar. – Você está duvidando mesmo dos meus 639 anos de estudos? –

Começa a me metralhar com os olhos. Parei um pouco para refletir. Ela tinha razão.

– Vendo por esse lado... – Falo, meio sem graça.

– Agora mudando de assunto. Vamos ir tomar um café?

– Vamos. – Ela passa seu braço no meu e vamos ao encontro da escadaria.

...

Estava muito tenso, na sala onde estávamos novamente. Era um climão.

Eu não conseguia encarar David, porque toda a hora ele me dava olhares, e não conseguia encarar Katherine, porque toda hora, estava rindo da situação.

Eu já estava irritada, com o fato de estar sendo controlada com poucas porções de comida; Tentava olhar para os lados, para disfarçar meu desconforto, mas nada adiantava.

– Está tudo bem? – Katherine, sussurrou em meu ouvido. Fiz sinal de positivo.

...

Depois do café da manhã, eu e Katherine, fomos para uma biblioteca (que eu nem sabia da existência), estudar. Era um lugar enorme, com várias prateleiras cheias de livros.

– Isso é demais. – Digo, impressionada.

– Fecha a boca, se não entra mosquito. – Katherine, fala rindo de mim.

Realmente a biblioteca era bela. Cheia de livros. Me encantou à primeira vista. Passei minhas mãos pelas estantes, os livros pareciam ser bem cuidados, era apaixonante. Sempre fui louca por livros, mas ficava difícil ler o tempo todo por causa das provas, mas creio que agora vai ser mais fácil.

– Gostou? – Perguntou, já sabendo minha resposta.

– Vamos estudar aqui, todos os dias?! – Digo, muito animada. Não pelo fato do estudo, e sim, por estar em um paraíso cheio de livros.

– Não todos, porque ninguém merece estudar de final de semana. – Katherine, vai até uma mesa e se senta, me chamando para fazer o mesmo. – Vamos começar por história...

– Antes de começar, por que você aceitou me dar aulas? – Interrompo.

– Bom... – Ela trava por um instante. – Digamos que, estava devendo um favor a David.

– Hmmm – sei.

– Então, onde eu parei... – Antes de terminar, a interrompo de novo.

– O David me fez uma proposta, que creio que não seja próprio para...

– Um pai. – Dessa vez, eu que sou interrompida.

– Ele não te adotou para ser seu pai, menina ingênua. - Uma voz grossa atrás faz arrepiar minha nuca, me deixando paralisada.

Vejo Katherine encarando a direção da voz. Talvez, depois de um certo "sermão" que ele acabou me dando, tenha ficado com vergonha de encará-lo.

– Deixe-a, Sebastian. É sua primeira semana. – Katherine, exclama.

– Humf! – Sebastian não parece feliz. – Essa garota mal chegou e já quero ela fora do meu estofado. – Agora me viro para ele irritada. Meu sangue subiu pela cabeça. Ele precisava ser tão rude?!

– Sebastian, se acalme...

– Se...se acontecer a mesma coisa com ela, não diga que eu não avisei. – Sebastian, um homem, que parecia ter 40 e poucos anos, de cabelos cinza e olhos castanhos, olhou para Katherine que devolveu em um olhar furioso.

– O que pode acontecer comigo? – Falo, com um pouco de receio.

– Nada. Sebastian, só está tentando assustá-la.

– Por que não pergunta para, David? Ele te responderá tudo. – Diz, saindo brusco pela porta.

– Desculpe...– Katherine começou, mas eu acabei interrompendo, me sentindo frustrada pela situação.

– Escuta, eu tentei me manter calma e fria diante a toda essa situação. Você acha que foi fácil para mim? Eu tenho dezessete anos! Nunca fui adotada na minha vida, e agora vem esse, David Parker Storn, e me tira do único porto seguro que eu tinha. Eu não pedi para vir parar aqui, eu não queria vir parar aqui! Em uma cidade, onde a maioria da sociedade é formada por vampiros ricos e esnobes, eu fui parar justo nesse lugar. E o melhor de tudo isso, eu não tenho escapatória, eu não tenho para onde pedir socorro. E, estava tentando fingir que a história do casamento não passava de uma brincadeira, mas quer saber? Isso não é uma brincadeira! Eu tentei ser fria, mas é impossível, perante a eu ser forçada a me casar com ele! – As palavras, simplesmente saem da minha boca, sem eu conseguir segurar.

Katherine me olha com... pena. Eu não quero seus olhos me olhando com cautela. Eu não quero ser julgada por um estranho. Menina ingênua. Será que todos acham isso? Eu sei que algo nessa história está errado, quantas vieram antes de mim? Será que veio uma antes de mim...

– Não. Não veio. Essa eu não escolhi, não obriguei, não ameacei... nos escolhemos, veio comigo, me dominou e agora não resta mais nada. –Escuto uma voz familiar, só que fria, calma e com raiva... tristeza talvez. Levanto a minha cabeça quem nem vi que abaixei e limpo as lágrimas que, nem sabia que derramaram.

– Por quê? Por que eu? – As palavras saem novamente, amontoadas por um choro silencioso.

– Talvez porque...– O encaro nos olhos e vejo uma expressão triste. Era, David, a voz familiar. – Porque você tinha muita determinação, esperança, você era diferente de alguma forma. Eu queria mostrar a você que não existe mais esperança nesse mundo, e que pessoas superiores sempre vão ser superiores. Eu te escolhi, porque queria estragar o futuro que você acha que poderia construir.

Katherine, olha paralisada para nós dois. Não sabia o que fazer.

Eu só vejo as palavras sendo tacadas em minha face. Determinação e esperança. Eu nunca soube o que era isso, e agora simplesmente, estou sendo julgada por elas. Ele simplesmente, as colocou na minha frente, em um tribunal silencioso.

Olho de relance para os lados e, não tem mais ninguém aqui, fora eu e ele. A porta está fechada. Me deixaram aqui. Eu lembro de minhas palavras ao vácuo e pensamentos que deveriam ser só meus, mas são roubados da minha mente. Como surtei assim?

Minhas mãos doem, vejo os nós dos meus dedos brancos. Estou apertando com força, tanta força que acabo que furando com minhas próprias unhas.

– Eu só queria...– Sou interrompida. Não consigo impedir, sinto que estou pequena e indefesa, igual quando era pequena no orfanato.

– Uma família? PAIS?! Você queria pais, Elisa. – Ele, simplesmente, joga as palavras novamente. E foi quando eu me vi levantando a cabeça novamente e o encarando com raiva.

– Eu queria apenas, paz. Queria sair daquele lugar. Queria trabalhar e poder ter a minha vida, sem ninguém para me julgar ou colocar pressão em minhas costas. – Falo, mas é como se não falasse. As palavras saíram vazias. Nem eu acredito nessas mentiras.

– Queria um refúgio, porque é fraca. Sempre foi, uma realidade simples.

– Não ache que pode me humilhar assim e sair limpo. Eu não vou me abaixar, por suas palavras cruéis. – Não iria, embora elas fossem verdade.

– Vai sim. Vai ser minha noiva com um sorriso doce no rosto e ficar quieta ao meu lado. Vai ao baile de inverno comigo e se apresentar, me beijar e fingir que estamos apaixonados. Vamos nos casar e quando não precisar mais de você... – Ele não precisa mais terminar a frase, para eu saber qual será meu final. Eu esperava tudo, mas não sabia que ele poderia ser tão...

As palavras machucam, são tão afiadas que são capazes de furarem minha carne.

– Você não teria coragem... – Pronuncio as palavras, mas novamente sai sem emoção. Nem eu acredito em minhas palavras. Ele apenas ri, me encarando maliciosamente.

– Será mesmo, Elisa? – O jeito que pronuncia meu nome, me dá nojo. No fundo eu já sabia qual era o meu futuro aqui. Afinal, o que um vampiro de sangue nobre, iria querer com uma humana insignificante? Resposta: usá-la.

Eu não preciso responder. Nós dois já sabemos a resposta.

– Olha, vou tentar te explicar gentilmente uma realidade óbvia: você não é nada. E, antes que diga, que eu estou fodendo a sua vida, porque a minha é uma porra...Você está errada, ela é maravilhosa, mas tem um calo, me impedindo de continuar assim... – Ele pausa um pouco e faz uma cara de desgosto. Então me encara e continua. – Mas você pode me ajudar. Você, Elisa. – Novamente, sinto nojo do meu nome saindo de sua boca. Apertava tão forte minha mão que os nós dos meus dedos estavam brancos.

– Não. Mesmo você me ameaçando, me matando, eu não vou fazer isso. Não tenho mais nada a perder. – Na verdade, eu tinha uma coisa a perder, minha dignidade. Eu tentava segurar as lágrimas silenciosas, mas era em vão. Simplesmente eu chorava de raiva, chorava querendo não chorar, mas chorava. Bem confuso.

– Na verdade, não só sua dignidade. Tem outra coisa que eu posso tirar de você, e posso fazer isso agora. Que tal começarmos a ensaiar a Lua de Mel? Hein? – Ele vem caminhando até mim, com um olhar de predador, e sinto como se fosse sua presa. Foi quando entendi o que ele quis dizer com "tem outra coisa que posso tirar de você". Não, ele não faria isso. Faria sim...

Ele não tirava a expressão maliciosa de sua face, não conseguia ver no que estava pensando, não conseguia ler sua mente, igual ele. David estava me encurralando em uma das paredes, até conseguir segurar meus pulsos e chegar seu rosto bem perto do meu.

Simplesmente, eu fiquei em silêncio, remoendo suas palavras cruéis em minha mente. Eu tentei sair, mas ele era mais forte.

Realmente, sabia qual seria meu destino naquela sala. Saiba que seria tirado a única coisa que eu ainda achava ter dignidade, a minha inocência. Não era difícil saber que eu era virgem, transparecia isso em minha face. Não tinha vergonha de não ter tido "meu momento". Mas eu também não queria que fosse tirado, era a única coisa que ainda me fazia me sentir como antigamente, uma criança inocente e marrentinha...e feliz.

Foi quando a campainha tocou e um alívio percorreu meu corpo por inteiro. Aquilo me salvou. Me salvou de sentir nojo de mim mesma.

– Ah que droga, péssima hora. – Ele me encara, seus olhos bem presos nos meus. A malícia ainda estava lá, e a arrogância também. Afinal, ele não era tão fino e elegante, um bom rapaz como aparentava ser.

Ele solta os meus pulsos e me encara novamente:

– Eu ainda não acabei...

Ele deixa no ar essa frase, e sai do cômodo me deixando sozinha. Estava sozinha ali e dentro de minha alma.

Katherine me deixou sozinha com ele, sozinha. Por pouco a minha vida não é desgraçada hoje.

*David:

Tá, admito: as coisas saíram do controle. Talvez, seja o fato de estar bastante estressado ultimamente ou o fato de que, quero ensinar uma lição para aquela menininha, metida a durona.

Se exagerei? Exagerei, mas eu não ia de fato...bem...estuprá-la. –Acho uma palavra muito forte para tal ato. – Era só para que aprendesse o seu lugar...acho que recebeu muito bem a mensagem.

Eu poderia até estar feliz pelo gosto de mostrar a aquela garota, quem eu sou de verdade, mas a campainha não me deixou esquecer do meu outro "problema".

Quando Clarck me propôs a ideia de aparentar ser um "cara legal" (nem tão legal assim), e namorar uma loira bonita e nenhum pouco inteligente, eu pensei: hmm talvez seja uma boa ideia. Mas agora, antes mesmo de chegar no hall de entrada, sei que foi um erro chamá-la aqui. Afinal, aquela droga de bebida que ingeri fez eu contar tudo para Elisa antes da hora e agora o plano foi por água abaixo...ou não.

Estava indo de encontro com a porta da frente, para receber quem eu já sabia que veria, Aly...

Sinceramente, eu a chamei para fazer uma "encenação" para que Elisa não desconfiasse do meu plano de torná-la minha noiva, mas tudo não saiu como o planejado como achei que iria sair. E agora, tenho esse problema a resolver.

O mordomo chegou primeiro que eu, mesmo assim, faço questão de abrir para ter certeza, de que, realmente meu pesadelo começa agora.

Seguro a maçaneta e a puxo. Vejo nada mais, nada menos, que a loira mais sexy e mais irritante da cidade parada em minha porta. Aly.

Ao reparar em suas roupas e no seu corpo escultural, noto que tem duas malas de viagem, uma de cada lado. Ela está pensando em se mudar para cá ou o quê?

– Dominic, que saudade! – Ela vem e se joga em meus braços. Eu não acredito que isso está acontecendo. – Como está meu namorado? – Ela enfatiza a última palavra, como se estivesse provando algo novo – Acho que, não vai achar ruim de minha ilustre presença por... digamos, alguns meses? – Eu não conseguia demonstrar felicidade, apenas uma carranca de desgosto. Ela já estava até entregando as malas ao mordomo. E o pior de tudo...PORQUE ELA SIMPLESMENTE NÃO ME CHAMA DE, DAVID E NÃO DE DOMINIC.

Dominic, é meu nome verdadeiro e tudo o mais, mas está muito ultrapassado até mesmo para ela.

– Mas é claro que não. - Mas é claro que sim. Até o mordomo revira os olhos vendo a cena. – Porque não entra, ou melhor, já entrou. Venha, vou te mostrar a casa e a minha...digamos, minha protegida. – Por mais que, Elisa já tenha descoberto minhas intenções, ainda dava para me divertir com Aly em sua frente. Até hoje, a loira não sabe das tradições das famílias antigas e de sangue nobre, então não vai desconfiar, vai ser tipo um fantoche. Um fantoche burro igual uma porta.

Que os jogos comecem...

Elisa, ao chegar na entrada, não parava de me encarar, era até engraçado.

– Então, Aly... Bem-vinda, a minha humilde casa. – Não sabia como me dirigir a ela. Precisava apenas despertar alguns ciúmes em, Elisa. Não deve ser difícil, afinal, eu sou gostoso demais para ser dividido.

– Nossa casa né, amor? Agora é tudo nosso. – Aly enfatiza o nosso, o que me faz querer ter um ataque de pânico.

– Ah claro. Sim, sim. Bom, o mordomo vai levar a mala para o seu quarto e... – Sou interrompido.

– Mas pera. Eu não vou ter que me casar com... – Elisa, começa a falar e fecho sua boca com a minha mão rapidamente. – Mas que cheiro bom é esse?! – Se refere ao cheiro da minha mão.

– Ervas. – Digo, dando uma piscadela.

– Bom, achei que eu iria poder ficar no quarto com você. – Aly, começa a fazer uma cara que deveria me convencer, mas que, na verdade, me assustou.

– As regras são muito claras e, vai ser diverti... quer dizer, regras são regras.

– Entendi, mas, Dominic...e ela? – Aly, aponta para Elisa, que faz uma carranca.

– É David, Aly. Meu nome é, David! Enfim, ela vai ficar perambulando por aí, com a daminha dela. – Foi a vez de minha irmã (que chegou junto a, Elisa) fazer a carranca. Consegui!!! – Enfim, eu vou precisar dar umas palavrinhas com a Elisa, mas já volto, ok? Não faça nada que eu tenha que limpar depois. – Digo, puxando Elisa pelo braço e a levando para um canto separado.

– O que pensa que está fazendo?! – Elisa, diz em um tom bravo, que mais a faz parecer fofa.

– Olha, ela apareceu aqui e eu não esperava. Eu tinha meio que pedido ela em namoro...

– Que?! Por quê?

– Posso terminar? Enfim, era na época que você não sabia de nada. Fiz isso para ser parte do disfarce, mas você estragou tudo, sem graça. – Digo, mostrando a língua.

– Escuta, Dominic ou David. Se ela tentar fazer qualquer coisa, contra mim, eu vou para cima com tudo.

– Nossa, bravinha! Temos aqui um titã baixinho. – Era engraçado ver Elisa irritada. Mas eu tinha que manter o controle. – Mas escuta, não é você quem manda e essa discussão acabou aqui.

*******

*Elisa:

Eu não acredito que, o David, deixou aquela loira oxigenada, vir para cá de male e cuia.

– Oh cuidado! Vai abrir um buraco no chão desse jeito. – Katherine exclama rindo da minha cara. Tínhamos voltado para o quarto.

– Antes que você diga, não é ciúmes. Eu estou apenas chocada que ele a deixou ficar aqui.

– Para mim, isso é ciúmes. – Ela revira os olhos.

– Tal irmão, tal irmã – Digo, saindo do quarto a ponta pés.

...

Já havia percebido que, ficar brava, não iria adiantar nada. Pelo menos, quando o assunto era, David ou Aly, ou qualquer coisa que incluía os dois, sabia que iria tirar minha paciência.

Katherine andava de um lado para o outro, falando que eu estava com ciúmes e dizia uns 200 motivos, do porquê de não gostar de, Aly. Eu também não gostava, mas ao contrário de mim, Kate já a conhecia.

– Olha, a voz dela é muito irritante, mas também não aguento mais a sua. – Digo, tentando tampar meus ouvidos, na esperança que ela pare de falar.

– Eu estou falando sério. Aquela garota, não bate bem da cabeça. Apesar que. eu acho que você já percebeu. – Era engraçado ver a situação, mas estava começando a me irritar.

– Eu sei, eu sei. Mas o que podemos fazer? Daqui a pouco, vai ser o jantar e eu não sei nem como me dirigir a ela.

– Talvez... gigolô?

– Boa ... – Dou risada do apelido.

Já estava na hora de descer e encarar aqueles dois esquisitos. Tinha que tomar coragem, fui saindo do quarto primeiro. Quando cheguei na sala de jantar, não me aguentei ao ver, Aly, se pendurando no pescoço de, David, que a empurrava delicadamente com a mão. Acabei rindo e... alto, o que fez os dois perceberem minha presença. Acho que o plano de, David, para me irritar, estava indo por água abaixo.

– Aly, meu largue. – David, diz me encarando.

– Ela não se importa, não é mesmo, Elisa? – Aly, parecia estar pronunciando meu nome, daquele jeito, de propósito, só para me irritar.

– Claro que não. – Digo, entre dentes, tentando parecer simpática.

O jantar estava indo até que bem, tirando o fato de Aly, estar sempre em cima de David e, Katherine, sempre rindo da minha cara.

Logo depois, decidi ir para meu quarto. Kate, quis me acompanhar, mas resolvi ficar um pouco sozinha.

Já no meu quarto, acabei desligando as luzes e indo me deitar. Mas um barulho, me fez ligar as luzes assustadas.

– Surpresa... – David, me diz assustado e vindo em minha direção.

– O que você está fazendo aqui? Você me assustou!

– Fica tranquila, só vim dizer que, daqui 3 dias, vamos a casa dos meus pais. – David, sussurrou, como se tentasse não fazer barulho. Aquilo soou como a coisa mais sem importância do mundo. – E, estou fugindo da Aly. – Empina o nariz.

– Não! Eu não quero isso. – Acabo excedendo a voz.

– Shiu! Fala baixo! – Diz, colocando o dedo indicador entre os lábios, pedindo silêncio. – Você não tem que querer nada. Eu que decido e, nós vamos. – David, sussurra novamente. Cada vez, se aproximava mais da cama, me deixando encurralada.

– O que está fazendo? – Digo, assustada com nossa proximidade. – E para de sussurrar.

– Shiu, Elisa! Que garota barulhenta. – Nessa altura, ele já estava na beirada da cama, quase se sentando. – Só fiquei curioso para saber o sabor de seu sangue. – David, já estava com a cara colada na minha e seus olhos estavam estranhos, nunca tinha o visto assim. Eu tentei me desvencilhar, mas ele foi rápido e seguro minhas mãos.

– Não tão rapi...– Quando achei que estava tudo perdido, surge uma voz no meio ao corredor... era Aly chamando por, David. – Viu, você chamou muita atenção. – O encarei e percebi a frustração em seus olhos e, em um piscar de olhos ele sumiu. Fiquei surpresa e nunca pensei que poderia ser salva por aquela garota.

- Ufa! Salva pelo gongo. – Digo, em meio a uma respiração pesada.

Tudo estava calmo, menos eu – como sempre. Depois da visita indesejada do meu futuro marido ao meu quarto, eu não consegui mais fechar meus olhos.

Era tão ruim me sentir assim, não me lembrava da última vez em que me senti segura. – Se é que um dia eu realmente estive.

Estava tão cansada por não ter dormido que, ao olhar pelo espelho do banheiro, havia bolsas nos meus dois olhos.

Esperava hoje uma boa notícia, do tipo "Então, lembra daquele baile? Pois é, não vai mais rolar." Ou "Acabei percebendo que você não seria uma boa esposa, você está livre". Mas é claro que, isso não iria acontecer, porque nada que envolvia eu e vampiros, era simples.

Hoje, eu e Kate, – a apelidei assim, o nome dela é muito grande. – Iríamos escolher um vestido para o tão importante, baile de máscaras. Eu não queria uma coisa muito extravagante, mas Kate insistia em falar que:

– Mas é claro que, precisa ser extravagante, Elisa! Você será o que todos vão falar e fofocar. Todos sabem que você é a noiva do primogênito. – Ela, toda vez que dizia "primogênito", eu revirava os olhos quase automaticamente.

– Eu sei, mas não foi por escolha minha. E se dependesse de mim...– Eu provavelmente nem estaria aqui.

É claro que, ficamos discutindo durante uma hora, sobre qual vestido eu deveria vestido usar, mas no fim, concordamos que pelo menos a máscara eu poderia escolher. – O que não era muito justo, mas pelo menos, era alguma coisa.

– Tá legal, meio que eu já tinha escolhido o vestido que você iria usar. – Kate, acabou admitindo, o que me fez ficar levemente indignada.

– Bom, já notei que ninguém aqui liga para minha opinião mesmo. – Eu suspirei, já admitindo para mim mesma.

Kate pediu para eu esperar no quarto, pois, de acordo com ela, seria uma surpresa. Quando ela trouxe, eu jurava que aquele vestido tinha saído de um possível filme de vampiros. Sério, aquilo remetia exatamente o que o baile traria. Era um vestido vermelho sangue, com um discreto decote entre os seios, e uma longa e esvoaçante saia.

– Uau. – Foi só o que consegui dizer. Era um vestido simples, mas muito bonito.

– Eu imaginei que você fosse gostar, é simples e bonito, igual a você. –Minhas orelhas ficaram quentes, não era muito boa com elogios. – Então, eu sei que você queria escolher a máscara, mas eu encontrei uma que ficaria linda com o vestido.

Kate novamente saí do quarto e volta com as duas mãos para trás.

– Tá preparada? – Fiz que sim com a cabeça. – TCHARAM!

Kate, então me entrega, uma bela máscara sexy e ao mesmo tempo, delicada que remete a uma raposa.

– Realmente, eu me superei. – Diz, batendo palmas para si mesma.

– Realmente...– Digo, ainda um pouco impressionada.

...

Depois que, Kate, saiu do quarto, eu precisava espairecer a cabeça. Resolvi, que sairia um pouco do quarto, afinal, não dava para ficar trancafiada lá o tempo todo. Se arrependimento, matasse...

Passando pelo corredor, do andar de cima, me deparei com nada menos, nadas mais, que Aly, saindo de um quarto com uma porta gigantesca. Ela estava toda descabelada, parecia que tinha sido atropelada por uma manada de elefantes. Não contente, suas roupas estavam todas rasgadas. Meu Deus, ela está bem?

Acabei ficando preocupada, então fui em sua direção. Se arrependimento matasse, parte 2...

Antes de, me aproximar o suficiente, David, sai pela mesma porta em que, Aly estava antes, com o cabelo todo bagunçado, porém, suas vestes estavam impecáveis. Gente, que baixaria...

Eu acabo me escondendo, atrás de uma das colunas que iam até o teto – eram bem grandes, então estava segura, ou achava que estava.

Eles não tinham percebido minha presença, acabei sendo mais rápida. Ou era o que eu achava, mas no fim, eu mesma me delatei, tudo por culpa de meus pensamentos. Aly, já estava indo para outro lugar, e David a acompanhava, eu até respirei, aliviada, mas fiquei curiosa com uma coisa.

Vampiros são tão fortes assim? Meu deus, ela está só o pó!

Eu então, na mesma hora, me arrependi amargamente. David, parou e ficou estático, ele estava de costas, mas eu podia jurar, que estava sorrindo. Aly, foi embora em uma velocidade fora do normal, por isso, nem reparou que, David, ficou para trás.

– Merda...– Nem deu tempo de piscar e, David já estava atrás de mim.

Eu sabia que ele estava lá, mas não queria virar. Ele tinha lido novamente minha mente, mesmo sem saber da minha presença... ou ele já sabia?

– Ficou curiosa? – Escuto uma voz grave. Ele estava atrás de mim. – Bom, se quiser saber mais sobre...– Sinto que, ele estava se aproximando, ficando bem perto das minhas costas. Só que, ele tinha 1,90cm de altura, e eu, 1,69cm. – Se quiser, pode ir ao meu quarto, mais tarde

Ele se aproximou, encostando seu lábio em minha orelha. E sussurrando:

– Esperarei por você, Elisa.

– Você pensa que... – Falo, tomando coragem, e me virando. Mas ele não estava mais lá.

Esse homem, é louco! Que abusado. Nem tinha reparado, mas estava segurando a respiração. Aquilo tinha sido rápido, mas foi tão intenso que, eu não estava conseguindo raciocinar.

Me indaguei se, o quarto dele, era aquele por onde ele tinha saído, que tinha uma porta gigante. É sério, que você está considerando isso, Elisa? A curiosidade ia me matar um dia.

Ele havia me feito um convite, de ir ao seu quarto, mais tarde. Creio que, o mais tarde, seria a noite, certo? Afinal, já era, mais ou menos, 18:00 da tarde.

Bom, eu sabia que ele tinha ido fazer outra coisa. Então significava que, ele provavelmente chegaria mais tarde ao seu quarto. Isso, me dizia que, eu tinha um tempo até ele voltar.

Sim, resolvi que ia dar uma olhada em seu quarto. Mas só por curiosidade. Afinal, ele nem estava lá.

Coloquei meu plano em ação, fui indo em direção a grande porta, por onde, David e Aly, saíram. Se eles não quebraram o quarto inteiro, né?

Chego perto da porta, ela estava fechada. Era bem alta, preta, e tinha uns detalhes talhados a madeira, bem bonitos. Puxei o trinco, e a porta estava aberta. Só olhar, nada mais.

Sem mais, nem menos, entrei. Estava meio escuro, por causa das cortinas pesadas, mas eu liguei a luz, que era avermelhada. David, seu safadinho.

Olhei ao redor, estava tudo nos conformes. O quarto cheirava a rosas. Tinha uma grande – e quando eu digo "grande", é porque é grande mesmo. – Cama centralizada. Parecia muito confortável, toda preta, tinha cetins pendurados em cima, tipo no teto dela? Sei lá, mas era bonito. Tinha um grande tapete, preto, bem felpudo, no meio do quarto. Duas portas, uma para o closet, e outra, para o banheiro.

Quer saber? Vou dar uma olhada no, closet.

Então, abro a porta maior, que parecia ser o closet, e era ele mesmo. Era enorme, tinha muitas roupas, que pareciam muito caras. Ele só tem coisa preta? Affe!

Passo a mão pelas camisas, estavam penduradas em cabides, eram bem confortáveis, pelo visto. Lá tinha um espelho, fui em sua direção. O olhei, ele estava um pouco rachado, como se, tivessem esbarrado nele. Então, foi aqui que o negócio rolou? Aiai, esses vampiros.

Já que estou aqui, vou dar uma olhadinha no banheiro...

Eu tinha bastante tempo, até ele voltar, então resolvi ir até a outra porta, que dava ao banheiro. Assim que entrei, fiquei fascinada.

Era um luxo. Tinha uma banheira enorme em um canto, um chuveiro no outro, tinha até sofá. Para que, um sofá? Nossa, o dinheiro é grande, para ter um sofá no banheiro.

Notei que, na pia principal, tinha alguns cosméticos, e algumas coisas que homens usam, para sei lá o que. Fui em sua direção, era cheia de perfumes, eles tinham cheiro muito bom, nem tinha aberto a tampa e já sentia o perfume. Fiquei impressionada com um frasco, ele era todo preto, bem misterioso. Aí deve ser muito cheiroso. Resolvi cheirar. Realmente, era muito bom.

Estava saindo do banheiro quando, minha visão ficou turva, minhas pernas começaram a vacilar, e eu fui parar no chão, e de repente, tudo ficou escuro.

...

Sentia meu corpo um pouco dormente, parecia que eu tinha dormido por um bom tempo. Abri os olhos e, para minha surpresa, estava no banheiro do David!

– Merda! – Exclamei. Levantei-me meio tonta, olhando para janela que tinha perto do chuveiro, consegui observar que, já havia escurecido.

Ele deve chegar a qualquer momento!

Sai do banheiro correndo. Fui para a porta do quarto, mas então, escutei um barulho, vindo de trás da mesma. É ele! David, chegou!

Não sabia o que fazer, se ele me pegasse aqui, seria meu fim. Então, fiz o que qualquer um faria: me escondi debaixo da cama. Genial! Por sorte, consegui me encaixar e ficar em silêncio, foi o tempo de ele abrir a porta.

Conseguia enxergar de seu pescoço para baixo. Ele entrou, e fechou a porta atrás de si, e trancou! Eu já sabia, tinha me ferrado, e não era pouco.

Ele então, caminhou até o meio do quarto. Tirou seu casaco chique, e jogou na cama. Parecia cansado, mesmo sem ver sua cara, seus movimentos já serviam de exemplo.

Achando que não poderia piorar, ele vem em direção a cama, e se senta:

– O que eu vou fazer com essa menina... – Exclama, soltando um suspiro (se isso era possível). Estava falando de mim, Dominic?

Ele então, se levanta e vai para o closet. Vejo de escanteio seus movimentos, ele estava tirando a camisa. De botão em botão, bem devagar. Confesso que, estava curiosa. Já não estou aqui? Pelo menos, preciso de um agradinho.

Quando seu tronco, começa a aparecer, acabado dando um suspiro. Realmente, era um belo homem. Ele, finalmente, tira toda a camisa, e consigo ver todo seu peito, e barriga. Nunca tinha visto algo tão bonito na minha vida, aquele homem era todo malhado!

Gente, será que algo ainda vai me surpreender?

David, começa a desabotoar sua calça. Nesse momento, eu fico confusa, não dá para ver tão bem, ele se vira de costas, e some. Isso me deixa frustrada. Menina, para de ser tarada! Minha própria mente me sabota. Ele então volta, está com uma calça de moletom, apenas...

Ele vem em direção a cama, me fazendo prender a respiração. David, se senta e suspira.

Ufa! Foi por pouco. Penso.

Ele estava sentado, logo acima, mas estava tudo bem. Eu me sentia tranquila. Até que, do nada, ele joga seu tronco para frente e se agacha.

Sua face, encontra a minha. Meus olhos se arregalam. Fui descoberta!

– Saí debaixo dessa cama, agora. – Ele me olha sério, e com medo, eu o obedeço.

Saio de baixo da cama, e fico parada no canto, enquanto ele, sentado, só me observa.

– Sente-se aqui. – Ele bate a mão, indicando para eu me sentar ao seu lado, na cama. Eu fico paralisada. – Agora. – Ele recita a palavra, de um jeito, que me fez engolir em seco.

Obedeço e me sento ao seu lado. Quieta. Ele abre um sorriso, sarcástico.

– Quando eu te disse aquilo. Me refiro a...

– Eu sei. – O interrompo. Ele se referia a conversa de mais cedo. Não pareceu gostar de eu, o interromper.

– Não terminei de falar. – David, me olha sério, porém seu sorriso irritante, ainda está lá. – Para onde você está olhando?

Foi aí que percebi, eu não tirava o olho do abdômen dele. Ai que merda. Ele então, dá uma gargalhada.

– Qual é a graça? – Pergunto, tentando tomar coragem e encará-lo. Ele então aproxima seu rosto ao meu, quase encostando nossos narizes.

– O que a puberdade não faz, não é mesmo? – Me encara, e eu o encaro de volta. Pera aí, ele acha que eu vim aqui, por que meus hormônios estão em chamas?

– Eu não vim aqui, por causa de hormônios. Vim aqui, porque eu quis...– Nem termino a frase, e já me arrependo. Ele abre um sorriso largo.

– Então, você quis vir me ver? – Fala, e seus olhos azuis me encaram. Estava tão perto, que não conseguia respirar.

– Na verdade...– Eu não sabia como terminar uma frase.

– O que você quer de mim, Elisa? – David, parecia saborear meu nome em sua boca. O olho surpresa, e o mesmo segura meu queixo com uma de suas mãos (grandes, até de mais). – Diga, quer que eu faça o que com você? – Diz. Ele me olha de um jeito, diferente, o sorriso havia sumido, no lugar, havia uma expressão muito intensa.

– Eu não sei...– Pera, o que eu acabei de dizer?!

Ele me encara, mais intensamente ainda. Não conseguia respirar. Ele pende a cabeça para trás e ri, me deixando com uma cara de tonta.

– Vai dormir, Elisa. – Diz, largando meu queixo e indo até a porta.

Eu me levanto, confusa. David, abre a porta, e faz sinal para que eu passe.

Eu apenas estava indo no modo automático, nem olhei mais para, David. Sentia que, ainda estava sendo observada, e que, provavelmente, aquele sorriso safado, tinha se instaurado em seu rosto.

Estava já aliviada, quase saindo pela porta, mas David, me segura pelo braço, e me puxa para si, me fazendo esbarrar em seu peito. Ele me encara, e por último fala:

– Dessa vez, vou deixar passar. – Me encara, sério. – Mas dá próxima, quem vai fazer isso por mim, vai ser você. – Então, ele me larga.

– Fazer o que? – Digo, confusa.

Ele ri, me deixando mais confusa ainda. Eu já estava para fora do quarto, e ele já fechando a porta.

– O que significa fazer? – Ou ele me falava ou eu não sairia dali. David, sorri.

– Volte aqui de novo, Elisa. – Ele aponta para mim, suas palavras saem em forma de aviso. – Volte aqui de novo, e farei com que você se ajoelhe.

Então, sem mais, nem menos, ele fecha a porta.

– Espera ai! – Bato na porta. – Como assim, ajoelhar? O que isso significa? Por que vou ter que me ajoelhar para você?

Ele não responde mais. Resolvo voltar para o quarto, de mãos abanando.

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