- Preciso falar com você. - Eveline disse, aflita.
- Como conseguiu meu telefone? Não tenho nada para falar com você! - Joshua respondeu, irritado.
- Não importa como consegui. Só liguei porque é muito importante. - Ela disse, com as mãos trêmulas.
- Nada que venha de você é importante. - Ele fez uma breve pausa antes de completar: - Nós nos divorciamos. Não lhe devo mais nada.
- Não? Você ficou com a casa que eu lutei tanto para construir, com tudo o que havia nela. Depois descobri que, enquanto eu pagava as contas da casa, você guardava dinheiro ou gastava com luxos para parecer rico. - Ela respondeu, sentindo um gosto amargo na boca.
- Você mesma disse que não queria nada. Agora não se passou nem um ano e já está me procurando?
- O que você esperava? Enquanto era casado comigo, você já estava noivo de outra mulher. Cinco anos não significaram nada para você?
- Eu amei você, mas a vida é mais do que amor. Eu não podia ficar preso a alguém que não tinha nada para me oferecer, quando Judite era herdeira da maior indústria de celulose do país, queria se casar comigo e o pai dela fazia questão da nossa união.
- Mesmo se casando com uma mulher rica, você ainda me tirou tudo o que construí com tanto trabalho. - Ela disse, arrependida de ter sido tão ingênua.
- Você aceitou o acordo. Devia ter pensado nisso antes. Agora é tarde. Não me ligue mais, nem que esteja morrendo.
Joshua desligou o telefone e bloqueou o número de Eveline.
Ao ouvir a chamada ser encerrada, Eveline caiu de joelhos e chorou.
Um ano antes...
- Quero o divórcio!
Joshua chegou em casa, sentou-se à mesa de jantar e pronunciou aquelas palavras sem um pingo de sentimento.
- O que você está dizendo?
Eveline quase deixou a travessa cair de suas mãos.
- Não quero choradeira. Já faz muito tempo que penso em me divorciar. Encontrei alguém que me completa e já providenciei um advogado. Posso deixar você levar algumas coisas, mas preciso da casa.
Eveline colocou a travessa sobre a pia. Sua visão escureceu, o ar pareceu desaparecer dos pulmões e ela precisou se apoiar na cadeira antes de se sentar.
- Não estou entendendo nada. Você está louco? Se isso for uma brincadeira, pare agora. Não tem graça. - Ela disse, irritada.
- Não estou brincando, Eveline. Tenho outra pessoa e vou me casar com ela. Amanhã nós assinaremos o divórcio. Não vou jantar. Só vim avisar. Nos encontraremos no cartório. Aproveite esta noite para procurar um lugar onde morar.
Ele se levantou para sair.
Eveline também se levantou e bloqueou a porta.
- Como você pode fazer isso comigo? Desse jeito? O que eu fui para você?
- Nada. Você não é mais nada para mim. Agora saia da frente. Estou atrasado.
Eveline estava terminando o curso de Arquitetura. Conhecera Joshua no último ano do ensino médio e os dois estavam juntos desde então.
Ela havia dedicado a vida a ele. Depois de dois anos de namoro, foram morar com a família dele. Lá, era constantemente humilhada, tratada como uma empregada. Trabalhava o dia inteiro e, ao voltar para casa, ainda fazia toda a faxina sozinha, enquanto os demais passavam a tarde assistindo televisão.
Para sair da casa da sogra, conseguiu mais um emprego e passou a estudar à noite. Joshua fazia estágio em uma empresa de celulose enquanto cursava Administração.
Era Eveline quem pagava praticamente todas as despesas. Com o dinheiro que herdara dos pais, comprou a casa onde moravam. Porém, por insistência de Joshua, colocou a escritura em nome dele.
Na manhã em que assinou o divórcio, sentia nojo de Joshua e o orgulho profundamente ferido. Queria apenas colocar um ponto final naquela história.
Assinou os documentos com as mãos trêmulas, virou as costas e saiu sem dizer uma palavra.
Quando chegou à porta do cartório, encontrou a chuva caindo forte. Ficou parada por alguns instantes até sentir alguém se aproximar. Um guarda-chuva foi aberto sobre sua cabeça.
Ela sequer olhou para trás.
Apenas continuou caminhando sob a chuva.
Quando Joshua viu Eveline assinar o divórcio sem questionar nada, sentiu uma pontada no peito. Enquanto ela brigava, discutia e reclamava, significava que ainda se importava. Mas, naquele momento, ela simplesmente foi embora, deixando para trás até mesmo tudo o que havia conquistado com o próprio esforço.
Ele nunca mais a viu.
Não soube mais nada sobre sua vida.
Já Eveline acompanhava a dele pelos jornais. As notícias do casamento, das festas e das baladas que Joshua e a nova esposa frequentavam estampavam as colunas sociais.
Certo dia, Joshua passou em frente a um hospital e viu uma mulher grávida de aproximadamente oito meses. Por um instante, pensou que fosse Eveline.
Mas logo descartou a possibilidade.
A mulher tinha os cabelos na altura dos ombros. Eveline era alta, magra e usava os cabelos longos. Aquela gestante parecia mais cheia e caminhava com dificuldade até desaparecer pela entrada do hospital.
O que Joshua não sabia era que Eveline realmente estava grávida quando assinou o divórcio.
Ela simplesmente ainda não havia descoberto.
Por complicações durante a gestação e o parto, seu filho nasceu com graves problemas de saúde. Para levá-lo para casa, precisaria montar uma UTI domiciliar e arcar com um tratamento extremamente caro.
Conseguiu emprego em um escritório de arquitetura e, à noite, iniciou o curso de Direito.
Nunca mais seria enganada daquela forma.
Eveline sempre gostou de aprender. Interessava-se pelos mais diversos assuntos, desde administração doméstica até economia e política.
Quando soube da gravidade do estado de saúde do filho e descobriu quanto custaria mantê-lo internado em um quarto especializado, percebeu que jamais conseguiria pagar sozinha.
Tentou procurar Joshua.
Afinal, o menino também era filho dele.
Mas ele sequer quis ouvi-la.
Sem outra alternativa, decidiu pedir ajuda ao patrão.
- Bom dia, senhor. Posso falar um momento com o senhor?
Eveline esperou Vladimir chegar ao escritório.
Estava aflita.
Trabalhava ali havia poucas semanas e não enxergava outra saída.
Ela tinha uma silhueta elegante. Era magra, mas suas curvas eram delicadas e femininas. A cintura fina, os cabelos lisos, longos, em um tom de loiro-escuro iluminado por fios dourados, destacavam os grandes olhos verdes, que contrastavam com a pele clara e os lábios naturalmente avermelhados.
Vladimir era um homem um pouco mais velho que Eveline. Ela tinha quase vinte e quatro anos; ele, trinta e dois. Tinha cabelos pretos, já com alguns fios brancos, olhos claros, postura alta e elegante, maxilar forte e uma covinha no queixo.
- Diga, Eveline. - disse, analisando um croqui.
- Eu sei que entrei há pouco na empresa, mas preciso de um adiantamento. Pagarei assim que puder. - Ela falou, nervosa e envergonhada.
Ainda prestando atenção ao projeto, ele perguntou:
- Hum... quanto você precisa?
- Preciso de duzentos mil. - A resposta saiu quase inaudível.
Vladimir parou o lápis com o qual fazia as anotações no projeto e levantou os olhos para ela, arqueando uma sobrancelha, surpreso.
- Duzentos mil?
- Sim. Posso pagar parcelado, se o senhor me der um prazo. - Ela respondeu, apertando as próprias mãos.
Ele a observou com curiosidade. Eveline mantinha os olhos fixos nas mãos, visivelmente tensas. Ficou olhando para ela por alguns instantes, até que ela levantou o rosto e seus olhares se encontraram.
- Se dormir comigo, eu lhe dou o dinheiro. - disse seriamente, sem desviar os olhos.
- Não estou brincando, senhor. - Ela corou.
- Eu também não. - Continuou observando-a atentamente. - Você pode pensar.
Por fim, voltou às anotações como se nada tivesse acontecido.
Envergonhada, Eveline levantou-se para sair. O caminho da cadeira até a porta pareceu uma légua. Seus pensamentos eram confusos, e o desespero era ainda maior.
Quando chegou à porta, virou-se para ele. Não havia mais ninguém a quem recorrer. Precisava daquele dinheiro. Seria a entrada do apartamento e a compra dos aparelhos de que seu filho precisava.
- Uma noite? - perguntou, sentindo um nó se formar na garganta.
- Sim. Apenas uma condição: ninguém poderá saber. - respondeu, encarando-a.
- Está bem... eu aceito. - disse, trêmula, sentindo o rosto queimar.
- Ótimo. Hoje, às dezenove horas, encontre-me no Hotel Sumatra. Mais alguma coisa? - perguntou, voltando ao trabalho, como se estivessem negociando um contrato qualquer.
- Não, senhor. - Ela respondeu antes de sair.
A primeira vez que Vladimir viu Eveline, seus olhos se encheram de curiosidade. Ela era linda. Vestia uma calça jeans e uma camiseta branca, simples, mas extremamente elegante, mesmo usando roupas tão básicas.
Haviam ligado para ele de uma obra. Os trabalhadores haviam derrubado uma das colunas mestras do apartamento, e agora toda a estrutura podia estar comprometida.
- Como vocês conseguiram fazer isso? Coloquem escoras imediatamente! Estou a caminho, chego aí em poucos minutos!
Ele dirigia o mais rápido que podia.
Seguia por uma avenida quando, ao chegar a um cruzamento, decidiu virar de última hora em uma rua vicinal, já que por ali não havia semáforos. Ao fazer a conversão, fechou o carro que vinha logo atrás. O outro motorista havia dado seta indicando que também entraria na rua, mas Vladimir não percebeu.
Por sorte, o carro era pequeno, e o motorista conseguiu evitar a colisão.
Ainda assim, o veículo parou logo à sua frente.
Vladimir sabia que estava errado e desceu disposto a pedir desculpas.
Deu alguns passos e viu uma jovem sair do outro carro.
Ela parecia muito nervosa.
Caminhou até ele gesticulando, claramente irritada. Falava sem parar, mas ele não ouviu uma única palavra.
A única coisa que enxergava eram seus olhos verdes e os lábios vermelhos.
Os olhos da garota o atraíram como uma mariposa é atraída pela luz.
Sem entender o próprio impulso, aproximou-se, segurou delicadamente seu rosto entre as mãos e a beijou.
Seu coração disparou.
Só a soltou quando sentiu as mãos dela tentando afastá-lo.
Naquele dia, Eveline também estava extremamente nervosa.
Tentava vender o carro, a única coisa que conseguira manter depois do divórcio. Arrependia-se profundamente de não ter lutado por tudo o que havia conquistado durante o casamento.
Então um estranho a fechou no trânsito...
...e a beijou no meio da rua.
No primeiro instante, foi tomada de surpresa.
Uma avalanche de emoções invadiu sua mente, e ela simplesmente perdeu a reação.
Quando voltou a si, tentou com todas as forças se livrar daquele desconhecido.
Assim que ele a soltou, ela ficou sem ar.
Queria esbofeteá-lo.
Mas, quando ergueu a mão, sentiu que algo não estava bem.
Virou-se para voltar ao carro, porém, antes mesmo de conseguir abrir a porta, tudo escureceu.
Vladimir esperava que ela voltasse a gritar com ele, e com toda razão.
Não conseguia explicar o que havia passado por sua cabeça.
Apenas a viu caminhar alguns passos.
Ela parecia muito pálida.
Ele a seguiu.
No instante em que Eveline abriu a porta do carro, desmaiou em seus braços.
Algumas pessoas assistiam à cena, já que os dois haviam parado parte do trânsito próximo a um posto de combustível.
Ainda segurando Eveline, Vladimir olhou para um funcionário do posto.
- Guarde o carro dela, por favor.
O homem concordou.
Vladimir colocou a jovem em seu carro e a levou para um hospital particular que ficava próximo dali.
Durante todo o trajeto, seu telefone tocou diversas vezes.
Ele não atendeu.
Estava irritado, mas, acima de tudo, preocupado.
Enquanto dirigia, lançava olhares para a garota inconsciente ao seu lado.
Ela era realmente muito bonita.
No hospital, dirigiu-se apressado à recepcionista.
- Rápido! Chame um médico.
Alguns minutos depois, o médico que havia examinado Eveline foi até o corredor, onde Vladimir aguardava.
- O senhor tem algum documento dela? - perguntou.
- Não. Devem ter ficado no carro. Foi um acidente, mas nem chegamos a bater. Acho que ela ficou muito nervosa. Ela tem algum problema grave?
- Não posso afirmar, mas acredito que não. A taxa de glicemia dela está baixa. Provavelmente está há horas sem comer. Não é nada grave. Colhemos sangue para outros exames e ela permanecerá em observação.
- Está bem. É um alívio. Não se preocupe com as despesas, eu arcarei com todos os custos. Tenho um assunto urgente para resolver e voltarei assim que terminar. Não a deixe ir embora antes que eu volte.
Vladimir agradeceu ao médico e saiu o mais rápido que pôde, seguindo direto para a obra.
Algum tempo depois, Eveline acordou assustada. Ao tentar se sentar, sentiu uma fisgada na mão. Só então percebeu o soro ligado ao braço. Quando ia retirá-lo, uma enfermeira abriu a porta.
- Oh! Você acordou. Que bom! - disse a mulher, muito simpática.
- Onde estou?
- Na Clínica São Camilo. Acho que seu namorado a trouxe. Você estava com hipoglicemia. Precisa se alimentar melhor, ainda mais agora que está grávida.
- Ele não é...
Eveline ia explicar que o homem que a levara não era seu namorado, mas, ao ouvir a palavra "grávida", simplesmente perdeu a voz.
- Grávida? Como isso pode ser? - perguntou, atônita.
- Ora, com um homem tão bonito como aquele, como não poderia acontecer? - respondeu a enfermeira, rindo.
Eveline voltou a sentir uma vertigem. As mãos começaram a suar.
Sua vida já estava difícil, e agora descobria que estava grávida de Joshua.
Ela se deitou novamente, enquanto as lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos. Ao vê-la tão abatida, a enfermeira preferiu deixá-la sozinha. Percebeu que aquela não era uma notícia esperada.
Depois de algum tempo, Eveline levantou-se, retirou o soro e saiu discretamente pelo corredor até encontrar a recepção.
- Boa tarde. Eu estava no quarto cento e vinte e quatro. Estou sem celular e sem carteira. Poderia emitir alguma nota? Eu assino e volto para acertar a conta assim que recuperar meus documentos.
- Não precisa. O rapaz que a trouxe já deixou tudo pago.
Eveline pensou em pedir o contato dele para devolver o dinheiro, mas acabou desistindo. Afinal, estava naquela situação por causa dele.
- Pode chamar um táxi para mim?
A recepcionista fez um gesto afirmativo e ligou para uma central. Poucos minutos depois, um táxi parou em frente à clínica.
Eveline entrou no veículo e pediu que o motorista a levasse até o local onde quase havia colidido com o carro do estranho. Imaginava que seu carro ainda estivesse lá.
Ao encontrá-lo, pagou a corrida e o levou até a garagem onde pretendia deixá-lo para venda, como já havia planejado.
Agora, porém, tudo se tornara muito mais complicado.
Ela não esperava descobrir que estava grávida.
Depois disso, chamou um carro por aplicativo e voltou para o pequeno flat que havia alugado.
Vladimir conseguiu contornar os problemas na obra. Teria de refazer parte do projeto, e, por muito pouco, todo o trabalho não havia sido perdido por causa de um descuido do mestre de obras.
Dentro do carro, sentia-se esgotado e profundamente irritado.
De repente, um perfume delicado pareceu despertar uma lembrança.
A garota.
Ligou o carro novamente e voltou para a clínica.
- Me desculpe, senhor, mas ela foi embora antes mesmo de receber alta. Foi um erro nosso. Pedimos desculpas.
- Pelo menos anotaram o nome dela, não foi? - perguntou, irritado.
- Não, senhor. Foi tudo tão rápido que acabamos nos esquecendo. Me perdoe.
- Está bem. Depois me enviem a conta.
Vladimir deixou sobre o balcão um cartão com seus dados e o telefone do escritório.
Na calçada, permaneceu parado por alguns segundos, sem saber exatamente o que fazer.
Será que voltaria a encontrá-la algum dia?
Quando entrou no carro, acabou rindo sozinho.
- Ora, Vladimir... o que está acontecendo com você? Ansioso por uma garota que viu uma única vez? E se ela for casada?
Balançou a cabeça, divertido consigo mesmo, e voltou ao escritório.
Agora, pouco mais de um ano depois, reencontrara a mesma garota.
Ela estava um pouco diferente.
Parecia mais madura.
Mas continuava sendo uma tentação.
Tinha os mesmos olhos, os mesmos lábios e a mesma aparência delicada e inocente. Ao mesmo tempo, carregava a postura firme e determinada de uma mulher que aprendera a enfrentar a vida.
Ela apareceu em seu escritório com um currículo excelente e ótimas referências.
Como fazia com todos os candidatos, Vladimir entregou-lhe um projeto já iniciado para que ela o concluísse.
Normalmente, antes de apresentar um projeto ao cliente, ele fazia algumas correções. Era algo natural. Seus arquitetos eram bons, mas ainda lhes faltava experiência.
Com Eveline foi diferente.
Não precisou alterar absolutamente nada.
Quando apresentou o projeto ao cliente, este não quis mudar uma única linha.
Foi assim que ela se tornou sua assistente de projetos.
O que mais o intrigava era que Eveline jamais demonstrara reconhecê-lo.
Aquilo o incomodava.
Ela realmente não se lembrava dele?
Na verdade, Eveline não se lembrava.
Naquele dia, estava tão nervosa e preocupada com tudo o que acontecia em sua vida que mal prestara atenção no estranho que a beijara e a levara ao hospital.
Depois que a viu sair de sua sala, uma dúvida não lhe saía da cabeça.
Duzentos mil reais não eram pouco dinheiro, mas também não eram uma fortuna a ponto de alguém aceitar se vender por aquela quantia.
Além disso, Eveline não parecia uma mulher acostumada ao luxo.
Mesmo assim, ele não deixaria aquela oportunidade escapar.
Agora teria uma forma de mantê-la trabalhando em seu escritório.
Eveline passou o restante do dia aflita.
Não havia mais nada que pudesse fazer.
Precisava daquele dinheiro, e ninguém mais poderia ajudá-la.
As horas passaram mais depressa do que nos outros dias.
Então, seu celular emitiu um aviso.
Era uma mensagem do banco.
"Duzentos mil reais foram depositados em sua conta."
Seus olhos se encheram de lágrimas.
Agora ela poderia começar a preparar tudo para receber o filho.
Saiu do escritório às cinco da tarde e correu para o hospital.
Quando entrou no quarto, encontrou o Dr. Júlio.
- Oi, Eveline. Vim ver o pequeno Nicolas. Como você está? - perguntou, com pena da jovem mãe.
- Estou bem, doutor. E o Nicolas?
Ela olhou para o pequeno, ligado aos aparelhos.
- Ele está estável. Na verdade, eu precisava conversar com você.
O médico apontou para a cadeira, esperando que ela se sentasse.
- Eu sei que você quer levar o Nicolas para casa, mas eu e minha equipe conversamos bastante sobre isso. Tenho um hospital infantil e uma excelente equipe lá. Se você transferir o Nicolas para essa unidade, decidimos cobrar apenas os custos do tratamento.
Fez uma pequena pausa antes de continuar.
- Se optar por levá-lo para casa, não será apenas a UTI que precisará manter. Você também terá de contratar funcionários para cuidar dele vinte e quatro horas por dia. Além disso, se acontecer qualquer emergência, será necessário transportá-lo até um hospital. Eu sei que você precisa trabalhar e que os custos não são baixos. Pense com carinho antes de tomar essa decisão.