Capítulo 1 Deise
Hoje acabam as férias, escuto o despertador, a vontade é continuar na cama, mamãe abre a porta do quarto.
- Hora de acorda Deise, primeiro dia de aula, não quer chegar atrasada!
- Bom dia, mamãe, só mais 5 minutos!
- Deise, você entrará na escola em 30 minutos.
Dou um pulo da cama.
- Mamãe, eu coloquei o relógio para despertar as 05:30.
- Você dormiu de novo.
Ela sai do quarto, me arrumo e desço as escadas que nem vejo.
- Vem tomar café.
- Não dá tempo, mamãe, eu tomo café na escola.
Saiu correndo.
Estou atravessando o farol da avenida, quando vejo um carro em alta velocidade se aproximando, escuto o barulho dos pneus derrapando no asfalto e logo após um garoto me insultando!
- Menina estúpida, eu poderia ter te matado.
Olho para o farol está vermelho.
- Garoto desequilibrado, eu estou na faixa, presta atenção na rua e esquece o celular!
- Garota petulante, você tem sorte que estou atrasado ou iria te ensinar uma lição!
O farol abre e ele sai com o carro mais uma em alta velocidade, fico olhando ele sumir, que rapaz louco, quase passou com o carro por cima de mim.
Continuo correndo, já estou atrasada, chego no portão da escola, Dona Marlene, inspetora, olha-me já reclamando:
- Primeiro dia de aula atrasada, garotinha.
Peço desculpas e entro como um furacão!
Quando estou chegando próximo à sala escuto a voz da professora Carol, não acredito, essa professora me odeia, como vou conseguir estudar mais um ano com ela?
Saiu dos meus pensamentos e bato na porta.
- Posso entrar professora?
Ela me olha com uma cara de poucos amigos e responde:
- Deveria ter chegado mais cedo, agora vai ter que esperar a segunda aula.
- Tudo bem, desculpa ter atrapalhado a sua aula.
Vou para o pátio esperar a segunda aula.
A segunda vai aula começar, entro na sala e a professora Carol continua lá, como assim ela vai dar duas aulas, essa mulher não vale nada, custava ela ter deixado eu entrar, que mulher nojenta, ainda bem que a próxima aula é da professora Andreia de artes, ela é maravilhosa, deu aula para nossa turma no semestre passado.
Saímos para o intervalo, este é o último ano do colegial e estamos todos na mesma sala: eu, Nicole, Carlos, Lucas, Pedro, Paulo, Débora, Larissa e Barbara, estudamos juntos desde do quinto ano, somos inseparáveis.
O intervalo terminou, voltamos para às duas últimas aulas de matemática, minha matéria preferida, tiro ótimas notas, e me dou bem com professora Regina
As aulas terminaram, vou direto para casa, pensando em tudo que estou vivendo, me chamo Deise Alencar, tenho 17 anos, estudante, filha de Eliana Munhoz e Arthur Alencar, minha mãe nutricionista parou de trabalhar quando nasci, meu pai dono de um escritório de contabilidade faleceu em decorrência de um infarto a 4 anos foi nesse momento que nossas vidas mudaram drasticamente, minha mãe precisou voltar a trabalhar, mas infelizmente não conseguiu na sua área, o único trabalho que conseguiu foi de faxineira uma vez por semana, mas não está sendo suficiente para suprir nossas despesas.
Depois que meu pai faleceu, seu sócio Tiago Sousa alegou estarem com problemas financeiros e abriu falência.
Eu era muito pequena e minha mãe não entendia nada de números, as coisas ficaram complicadas.
Meu pai, um homem conservador, sempre foi responsável pela nossa família, deixando minha mãe livre de qualquer responsabilidade financeira, ela nunca precisou se preocupar dinheiro.
Fernando
Estou vivendo um inferno acabei de me formar e fui obrigado a assumir uma das três empresas da família, meu pai o poderoso Hugo Freitas dono da maior rede de farmácias do país é responsável pela Transportadora Freitas Nic e Nic Cosméticos, após meu avô Otávio sofrer um infarto e a equipe medica informar que ele não teria mais condições de administrar as empresas com isso meu pai ficou sobrecarregado e contratou um executivo para o ajudar em 5 anos esse tal executivo quase levou a rede de farmácias a falência e para o meu azar é justamente essa empresa que meu pai me passou a presidência e agora me cobrar resultados o tempo todo.
Acordei atrasado, tenho uma reunião importante às 7:30 com alguns fornecedores.
Estou no trajeto para empresa ligando para Andrey, meu assistente uma, duas, três vezes e nada dele atender quando do por mim, estou com o carro derrapando para não atropelar uma estudante, discuto com ela e para minha surpresa a mal-educada me respondeu altura, ela tem sorte por eu estar atrasado saiu com o carro em alta velocidade preciso chegar a tempo na reunião.
Chego na empresa, Aline está entrando na minha sala com uma pilha de documentos.
- Bom dia, Aline, por favor avise Andrey para ir para sala de reuniões.
- Bom dia, senhor Fernando, Andrey já está na sala com os fornecedores.
- Ok, obrigado!
Entro na sala de reuniões, Andrey está tão nervoso que nem olha para mim, porque tive que herda tantos problemas, já não bastavam os meus.
A reunião começa.
Não conseguimos entrar em um acordo, eles querem lucros de 80% ficaram malucos, ainda fui obrigado a escutar que o outro administrador concordava com a porcentagem, não é atoa que a empresa está quase falindo, termino a reunião dispensando os fornecedores.
- O que vamos fazer, Fernando? Os fornecedores de descartáveis também não aceitaram a porcentagem.
Entro na minha sala com Andrey me enchendo de perguntas e me avisando que teremos mais duas reuniões na parte da tarde, antes de eu responder o meu telefone tocou, aparece o número de Vitória, minha namorada, tivemos uma discussão na noite anterior ela quer casar.
Atendo a ligação me lembrando de tudo que está acontecendo.
Ela não esperou nem eu falar alô, já foi me bombardeado de perguntas, fico tão irritado, como ela ousa me pressionar dessa forma, eu só tenho 23 anos, nem sei se a amo, sei que não vou me casar, peço para ter paciência, conversaremos a noite estou ocupado, ela mais uma vez fica furiosa e desliga o telefone, que mulher insuportável.
Meu pai entra na sala gritando.
- Fernando o que você está fazendo, se continuar assim vai falir a empresa, precisamos de fornecedores, os estoques estão quase vazios.
- Papai o senhor quer abraçar o mundo com as mãos, não sei como não faliu ainda, seu administrador estava recebendo lucros de 20% para empresa, o capital não era suficiente para o giro, mesmo a transportadora sendo nossa temos muitos gastos, com funcionários, gasolina, alugueis, etc.
Meu pai me olha apavorado!
- Aquele idiota ficou louco, quem gerência uma empresa com lucros de 20%?
Ele está furioso!
- E qual é sua estratégia?
- Procurar novos fornecedores com porcentagem adequadas, afinal lidamos com todas as classes sociais.
- Ok, procure os fornecedores e me avise assim que tiver outra estratégia.
- Papai vou fazer algumas viagens essa semana, preciso ver pessoalmente os estoques, precisamos gerência a transportadora, pois fornecemos para vários países.
Mais uma vez ele me olha em choque, como ele deixou os negócios chegarem a esse ponto?
- Desculpa filho, negligencie a empresa quando confiei ela nas mãos de um estranho.
- Tudo bem, vamos resolver, como estão às vendas na Nic Cosméticos?
- Estamos em primeiro lugar de vendas no país, está difícil manter os estoques, o giro está ótimo, acredito que não percebi que às farmácias estavam com problemas por usamos a mesma transportadora e através dela o giro do dinheiro é ótimo!
- Sim, papai, mas Nic Cosméticos não é responsável pelo sucesso das farmácias, estamos só mantendo trabalhos sem lucros.
- Sim, intendo é muito trabalho para eu resolver sozinho, graças a Deus você assumiu as farmácias e vai me ajudar com a transportadora, assim que Nic se formar passarei a direção da Nic cosméticos para ela e ficarei responsável só pela Transportadora, vamos conseguir colocar tudo no lugar.
Ele sai sem se despedir, papai e sua mania autoritária.
Hora do almoço, Andrey continua estressado.
- Andrey, qual o problema? Você não atendeu minhas ligações e contínua de mal-humorado
- Não consigo tirar uma adolescente da cabeça, ela mora no mesmo condomínio que eu, estou com medo, ela é só uma menina, mas é maravilhosa, corpo perfeito, sorriso cativante, educada.
Eu o encaro!
- Qual é o problema?
- Ela e estudante, muito nova, eu tenho 23 anos e ela deve ter no máximo 17 anos, não quero atrapalha os estudos dela.
- Nosso Andrey do jeito que você fala parece um velho, você também é novo, tem que conversar com a garota e ver se ela também está interessada em você.
- Fernando, você não está entendendo, essa garota está me enlouquecendo, eu quero ela para mim.
Começo a rir do desespero dele.
- Se acalma e esfriar a cabeça, toma cuidado para não assustar a garota.
Capítulo 3 Fernando
Andrey Ferraz advogados e vice-presidente da empresa, somos grandes amigos, ele é alto, moreno, olhos castos e muito educado.
Estou aqui observando o comportamento dele e não sei nem o que falar com tantas mulheres gostosa para se apaixonar, se apaixonou justo por uma adolescente, isso poderá acarretar vários problemas, a garota já tem idade para namorar, mas precisará muito mais de atenção do que uma mulher de mais idade, fora que é uma idade difícil, está começando a vida agora, é meu amigo, boa sorte!
Voltamos para a empresa, temos mais duas reuniões, Vitória está me liga de novo!
Senhor essa mulher vai me enlouquecer!
Vitória Santos, 23 anos, formada em "marketing" digital, nos conhecemos na faculdade e nos tornamos amigos, ela é uma patricinha mimada e o maior culpado disso sou eu, começamos a namorar a dois anos do jeito mais inusitado possível, em meio a uma conversa contei-lhe que nunca quis me envolver com várias mulheres, queria uma só, mas que não envolvessem sentimentos, ela deu risada e falou:
- Eu também não quero namorar, que tal, nós nos relacionarmos sem compromisso? Podemos só suprir nossas necessidades fisiológicas, assim não precisaremos se envolver com maís ninguém.
Adorei a ideia, uma amizade colorida, mas às coisas mudaram na mesma semana, nossos familiares descobriram o nosso envolvimento e marcaram um jantar para nossas famílias se conhecerem, eu aceite afinal nos éramos amigos, até o pai de Vitória nos surpreender com um brinde nos parabenizando pela união de nossas famílias, Vitória ficou pálida, eu fiquei sem reação, meu pai me encarou e fui obrigado a fazer o pedido de namoro oficialmente ao seu pai e o que era para ser algo casual virou um namoro estressante.
Dou tudo que Vitoria quer, temos uma conta conjunta e um cartão ilimitado, ela pode comprar o que quiser, qual a necessidade de casar.
Atendo a ligação.
- Alô.
- Fernando quero me casar, por favor preciso de você diariamente.
- Vitoria estou com muitos problemas na empresa, a última coisa que preciso agora e me estressar com casamento, você já tem de tudo espera mais uns meses.
Ela mais uma vez desliga o telefone na minha cara me deixando irritado.
Vou ter que descobrir porque essa maluca quer casar, se desde o começo temos um acordo que não envolveria sentimentos, ela me satisfaz e eu a satisfaço.
Como falei, gosto de ter uma mulher só, sou fiel a mim a meu caráter, nunca concordei em ter várias mulheres, mas isso não é motivo para eu querer me casar.
Preciso de uma bebida para tirar esse peso do dia.
Ligo para o meu amigo Paulo.
- Fala Fernando está sentindo minha falta? Me ligando no meio do dia!
Sinto o espanto do Paulo em suas palavras.
- Engraçadinho, estou cheio de problemas, vamos sair a noite, para beber?
- Beber Fernando, você beber?
Meu amigo, o negócio e sério mesmo, você não toma nem uma latinha de cerveja se quer, fiquei curioso, nos encontraremos às 21:00 no centro.
- Ok, até lá.
Desligo o telefone e volto a ler os contratos que Aline deixou na minha mesa de manhã.