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Alfa Kurt

Alfa Kurt

Autor:: Zana Kheiron
Gênero: Lobisomem
ATENÇÃO! PARA MAIORES DE 18 ANOS! Após ser traído por sua companheira predestinada, Alfa Kurt Dolph vive para o bando e para com suas obrigações. Ele se recusa a casar novamente, porém, a pressão do Conselho e do próprio Rei o empurram para outro caminho. Punida pelo erro de seu pai, Rosamund Gibson foi rebaixada de Herdeira Beta à ômega. Sua vida se resume a trabalhar e a apanhar. Tudo o que ela quer é poder ser livre. Kurt e Rosamund terão seus caminhos cruzados e precisarão aprender a superar os desafios que os separam da felicidade.

Capítulo 1 Festa

- Você não foi macho o suficiente! - Aquelas palavras machucaram demais. Eram como facadas dadas diretamente no coração de Kurt.

- Eu deveria matar você! - Ele falou, quase sem ar. E em seguida, ele faria algo que doeria ainda mais - Eu, Kurt Wade Dolph, Alfa do Shadow Moon Pack, rejeito você... Alexandra Mackenzie Dolph, como minha parceira eterna.

Depois disso, apenas escuridão.

*** *** *** ***

KURT

A noite não poderia ser mais chata. Todo aquele falatório sobre assuntos que não me interessavam em nada era extremamente enfadonho e eu só queria uma oportunidade para me ver livre daquilo. Pelo menos a comida era boa, mas a bebida poderia ser melhor. Ou mais forte.

━ Eu vou tomar um ar, Finn - Eu disse para o meu Beta, Finley Hawking, dando-lhe um tapinha no ombro, antes de andar para longe do salão. Ele não respondeu nada, apenas concordou com a cabeça, indicando que tinha entendido.

As portas duplas que davam para os jardins estavam escancaradas, permitindo que uma brisa agradável entrasse no ambiente. Eu andei para mais longe, a fim de não continuar perto daquele monte de lobisomens. Os machos queriam falar sobre política ou batalhas; as fêmeas queriam flertar; e tinha também os que estavam loucos para se verem livres de suas amadas filhas, com esperanças de que eu fizesse de uma delas a minha futura Luna. Como se isso fosse acontecer.

A varanda estava vazia, pelo que agradeci a Selene. Um pouco de paz, e... Eu parei para ouvir melhor o que eu achava que era um gemido. Sim, era gemido, mas não de prazer. Eu sei que estava com a sobrancelha franzida, pois segundo Finley, era assim que eu fazia quando me concentrava em algo ou estava irritadiço. E eu estava irritado.

Pensei em ignorar, mas era impossível, afinal, se eu estava ali para ficar longe dos outros e relaxar, não tinha como isso acontecer ouvindo alguém choramingando. Ok! Alguém estava chorando e eu não ia fingir que não ouvia!

━ Ah, mas que maravilha! - Amaldiçoei, após dar um pequeno chute em um dos balaústres com o pé e empurrar o parapeito de mármore com as duas mãos. Eu teria que seguir aquele som que tirou a minha chance de sossego naquela festa insossa.

Quando na forma humana, nossos sentidos não são tão afiados, porém, ainda são muito superiores aos de humanos e eu, sendo um Alfa, conseguia sentir muito mais do que os outros, tanto cheiros quanto barulhos.

━ P-por favor... - Uma voz feminina suplicava. E então, o cheiro de sangue invadiu as minhas narinas. Apressei o passo e lá estava a cena: uma figura encolhida ao chão, tentando proteger a cabeça com as mãos e o tronco com as pernas, enquanto um lobisomem de cabelos loiros a chutava e outros dois observavam.

━ Mas que porra é essa?! - Eu perguntei e acho que foi alto o suficiente, pois os três agressores deram um pulo, com os olhos arregalados. Enquanto os dois observadores pareciam tremer de medo, o loiro relaxou.

━ Ah, Alfa Kurt! - Ele me cumprimentou, sorrindo de lado, como se eu fosse pariceiro dele ━ Estamos dando uma lição nessa ômega ladra - Ele apontou para a criatura no chão, muito provavelmente a suposta delinquente.

━ Lição? Você a estava espancando! - Eu retorqui ━ É assim que as coisas são resolvidas nesse bando? Ela claramente é bem menor do que você. E uma ômega!

━ Ela roubou, Alfa! - Ele soltou um sopro de escárnio enquanto lançava uma olhadela de desgosto na direção da vítima - E ela não passa da filha de um inútil!

- Eu acho bom você sair de perto dela, filhote - A minha voz saiu ameaçadora. Eu o vi engolir em seco, mas ele não abaixou a cabeça.

- Eu sou Gabriel Redley. Você não pode me ameaçar assim! Eu moro aqui e, em breve, serei o Alfa! - Mesmo com medo, ele manteve a cabeça erguida - Não sou nem filhote e nem seu inferior!

- Ah, você é o Gabriel, sobrinho do Alfa Idris- Eu disse com um sorriso de deboche - E eu sou um Alfa, garoto. Você não passa de um moleque que, quem sabe, pode nem mesmo passar dessa noite e pensa que pode se comportar como Alfa! - O lábio inferior dele tremeu. Excelente. Coloquei as mãos nos bolsos da calça - Vamos ver o que o seu tio acha de tudo isso. Mas até lá, saia de perto dessa fêmea. Aproveite enquanto eu ainda estou sendo legal.

Gabriel, apesar de parecer querer me peitar, não pôde. Eu só precisei usar um pouco da aura Alfa para que ele acabasse cedendo. Eu usei o mind link para me comunicar com o meu Beta, pedindo a ele que encontrasse o Alfa do Midnight Pack. Havia uma situação que precisava ser resolvida imediatamente.

"- Sim, Alfa. Eu já estou procurando por ele" - Finley respondeu.

Eu me aproximei da ômega no chão e ela se afastou de mim, conforme eu me aproximava, encolhendo-se ainda mais. Eu não conseguia ver o rosto dela. Ela mantinha a cabeça abaixada e os cabelos castanhos formavam uma cortina. Quando ela se afastou um pouco mais, a luz de uma das lâmpadas laterais, perto de um dos arbustos, a iluminou e o cabelo dela brilhou. Ele era avermelhado. Eu não gostava de fêmeas de cabelos daquela cor e senti imediatamente uma certa repulsa por ela.

- O que está havendo aqui? - A voz do Alfa Idris me fez virar a cabeça e me afastar da ômega, o que me agradou muito.

- Esse lobinho estava espancando uma ômega. Ele e os dois amigos dele.

Eu falei sério, olhando para o macho loiro, de aproximadamente quarenta anos, um pouco mais baixo do que eu. Ele olhou de relance para a figura atrás de mim e para o sobrinho, além dos outros dois comparsas do rapaz que, devo dizer, estavam para se urinar de medo.

- Gabriel, mas o que diabos? - Idris estava claramente de mau humor.

- Ela estava roubando, tio! - Gabriel falou, me olhando com atrevimento - Eu estava apenas ensinando a ela a gravidade das ações dela. Se não cortarmos o mal pela raiz, outros ômegas vão achar que podem seguir os passos dela e nosso bando ficará uma bagunça!

Ele pareceu mais confiante, como uma criança pequena na presença dos pais que passam a mão na cabeça dela. Patético.

- O que ela roubou? - Idris perguntou, levando a mão ao rosto e apertando a ponta do nariz dele entre o polegar e o indicador, de olhos fechados. O pé direito dele dava pequenas batidinhas no chão.

- Isto! - Gabriel puxou algo do bolso.

Quando ele ergueu a mão, eu não acreditei no que vi. Era um pequeno bolo de dinheiro.

- Ela roubou dinheiro? O seu dinheiro? - Eu perguntei e olhei para ela. Ela balançou a cabeça, negando. Eu voltei a olhar para Gabriel.

- Ela roubou de alguém! Como ela poderia ter dinheiro?

- Está me dizendo que você nem sabe a quem isso pertence? Você não a viu roubando? - Eu vociferei, me segurando para não pular naquele merdinha.

- Gabriel, como você sabe que ela roubou? - Idris perguntou. Eu vi que ele não estava com raiva do sobrinho, ele estava apenas enfadado por ter que resolver aquele problema. E, muito provavelmente, por estar "passando vergonha" na minha frente.

Não estou me gabando, mas meu bando e eu mantínhamos um status diferenciado, naquele reino. Não só pela minha ligação com o Rei, mas por sermos organizados e fortes.

- Ela é uma ômega. Como ela teria dinheiro? - Gabriel insistiu, usando um tom que indicava ser óbvia a conclusão a que ele havia chegado.

- De onde você pegou esse dinheiro? - Eu me acocorei e perguntei à ômega, tentando ser o mais gentil possível com as minhas palavras. E eu não tinha esse dom.

Ela estava tremendo, mas percebi pela respiração que ela estava começando a balbuciar. Gabriel começou a tentar falar algo, mas eu levantei a mão, indicando que ele deveria se calar.

- Se você não me falar, eu não vou poder te ajudar.

- E-eu... Eu juntei. Meus pais... Eles deixaram pra mim - A voz era baixa, mas soaram muito bem aos meus ouvidos. Muito agradável.

- Se os pais dela deixaram pra ela, então não pode ser dela! - Gabriel finalmente falou, batendo um dos pés no chão, como uma criança birrenta, e eu o olhei com raiva. Ele era muito atrevido!

- E por quê? - Eu questionei, usando o pouco de paciência que ainda me restava.

- Ela é uma filha de traidores! Ela é uma ômega, filha de um inútil! O pai dela falhou e, por isso, perdemos a nossa Luna! - Gabriel a olhou com desprezo, mas tinha algo a mais ali, eu só não sabia exatamente o que era - Eles foram destituídos, portanto, esse dinheiro NÃO é dela!

- Gabriel... - Idris começou a falar e eu olhei para ele, que logo se calou.

- Ela vai comigo.

Eu nem sei o que me deu para falar uma coisa daquelas, mas eu falei antes de pensar.

- Perdão? - Idris perguntou, atônito. Eu podia ver nos olhos dele que ele não esperava por aquilo. Nem eu esperava por aquilo!

- Eu sou completamente contra esse tipo de intervenção. Se vocês não a querem, eu a levarei comigo - Pagar pelos pecados dos pais não era algo que eu toleraria.

- Mas...

- Você tem algo contra, Alfa Idris? - O meu bando era o maior do país. Eu não sou o monstro que todos pensam, mas sim, eu sou um guerreiro que não perdoa em batalha. Ter sangue Lycan em minhas veias me ajudava. E ninguém ousaria me desafiar. O Midnight Pack não era páreo para o Shadow Moon, meu bando.

- Não, eu não sou contra. Pode levá-la - A voz de Idris saiu seca.

- Tio! - Gabriel protestou com incredulidade estampada no rosto dele.

- Quieto! - Idris rosnou para o sobrinho e me olhou, com uma mistura de medo e respeito - Pode levar essa ômega, Alfa Kurt. Faça o que desejar com ela.

Capítulo 2 Uma pena

KURT

- Mas... Como assim a gente vai levar uma ômega do Midnight Pack com a gente? - Finn me perguntou e eu apenas dei de ombro, enquanto esperávamos pelo nosso carro.

- Ela estava sofrendo aqui e eu resolvi que era melhor ela ir conosco.

- Simplesmente assim? - Finn insistiu, entortando a boca para mim. Ele era o meu melhor amigo. Estávamos juntos desde crianças e eu sempre soube que ele seria o meu Beta.

- Sim, simples assim.

Dependendo do meu tom, Finn sabia quando poderia ou não continuar me contestando. Naquele momento, ele sabia que não deveria. Esperamos calados e então, eu ouvi um limpar de garganta.

- Alfa Kurt? - Uma voz incrivelmente doce falou. Não, não era doce do tipo meigo, mas sim do tipo enjoativo. Carla Redley, filha de Idris. Ela era bonita, loira, olhos azuis bem clarinhos e um corpo razoavelmente curvilíneo, mas ela era antipática e falsa. Pra mim, francamente, perdia totalmente a beleza.

- Sim? - Perguntei, mantendo a compostura. Eu não poderia ser grosseiro com a moça a troco de nada, não é mesmo? Ela olhou para trás e fez sinal com a cabeça para alguém atrás da porta dupla da entrada.

A ômega, é claro. Ela estava com um casaco velho jogado sobre as costas, as mãos escondidas dentro dos bolsos do mesmo, os cabelos na frente do rosto e ela mancava. Eu respirei fundo, para manter a calma.

- Ah, certo. Estávamos esperando por ela. Obrigado, Senhorita Redley - Eu falei e sorri com o melhor sorriso que eu conseguia dar naquele momento.

- É um prazer servi-lo, Alfa Kurt - Carla colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, como se estivesse acanhada. Acanhada? Me poupe. Ela era nova, uns dezenove anos, por aí, mas de acanhada ela não tinha nada. Eu podia não ser um macho de muitas festas e nem tão fofoqueiro, mas certas notícias corriam fácil.

- Certo. Obrigado mais uma vez - Eu estendi o braço para a ômega, indicando que esta deveria se aproximar. Ela pareceu titubear, mas o fez. O carro chegou e foi estacionado na nossa frente - Tenha uma boa noite, Senhorita Redley. Dê os cumprimentos ao seu pai.

Era uma ofensa Idris não estar ali, porém, ele havia me informado que estaria resolvendo a situação com Gabriel. Eu não era imbecil e sabia que ele não iria punir o moleque. Na verdade, Idris queria apenas manter distância de mim. Ridiculamente covarde.

Eu entrei no carro, no banco do passageiro, enquanto Finn acomodou a ômega no banco de trás e depois se sentou no banco do motorista.

- Se estiver com sono, pode dormir. A viagem vai ser um pouco demorada. Quando chegarmos ao bando, você vai pro hospital, fazer um check-up, ok? - Eu falei e ela balançou a cabeça, concordando. Ela estava olhando para baixo e eu ainda não tinha ideia de como era o rosto daquela jovem.

Eu não comentei nada, mas achei curioso o fato de que eu não conseguia sentir o cheiro dela. Eu sentia ainda o cheiro de sangue, eu conseguia sentir o cheiro do sabonete barato dela, mas fora isso, nada. Era como se ela estivesse se escondendo. Mas os ômegas não podiam fazer aquilo. Apenas lobos com sangue de alto ranking podiam usar desse artifício. E nem todos.

A viagem foi silenciosa, ao menos, para a ômega. Finn e eu conversamos através do mind link.

Quando o carro finalmente parou, eu percebi que a jovem estava adormecida, com a cabeça encostada na janela. Eu bati de leve no vidro para que ela acordasse, e funcionou. Mas ainda assim, ela não se virou para mim.

- Leve-a para o hospital, Finn.

- Sim, Alfa.

Já era madrugada e eu estava morto. Porém, Finn também devia estar e ele tinha uma fêmea e um filho esperando por ele. Por isso, eu me virei, mudando de ideia.

- Quer saber? Deixa que eu mesmo faço isso. Vá para casa. Audrey deve estar esperando por você.

Finn sorriu para mim, balançou a cabeça, me deu boa noite e se foi.

Eu abri a porta do carro para que a ômega pudesse sair.

- Somos só nós dois, agora - Eu falei e não esperava que ela fosse estremecer como ela o fez - Eu não vou machucar você. Pode ficar tranquila. Agora, vamos pro hospital. Não é tão longe da packhouse.

Ela concordou com a cabeça e andou atrás de mim.

- Qual o seu nome? - Eu perguntei.

- Rosamund - Ainda que carregada de medo, agora que eu podia ouvir melhor, a voz dela era muito bonita. Bem como o nome. Rosamund. Eu gostei.

- Rosamund. Eu sou Alfa Kurt - Ela fez um sinal curto e positivo para mim, ainda olhando para baixo - Você não olha no rosto das pessoas enquanto fala com elas, menina?

- E-eu... Eu posso?

Como assim? Ela estava me perguntando se poderia olhar para mim? Isso era... Isso era absurdo! E um sinal do quão humilhada ela deve ter sido no outro bando.

Eu queria saber melhor o que houve, porém, eu teria que esperar. Seria muito insensível da minha parte fazer um interrogatório com uma criatura que estava no estado dela. Ela ainda mancava.

- Sim, pode.

O fato de ela ainda mancar, combinado com eu não conseguir sentir um lobo nela, provavelmente era sinal de que ela era menor de idade. Mesmo que ômegas amadurecessem um pouco mais tarde, mesmo sem o lobo dela, Rosamund deveria ser capaz de se regenerar com mais rapidez. A coitada estava subnutrida.

Eu não conseguia ter uma ideia do estado real dela, pois ela não olhava para mim e as roupas dela eram muito largas. Ela tinha uma altura mediana para uma loba. Na verdade, ela era um pouco maior do que as ômegas costumavam ser. Levando em consideração que eu tinha dois metros e quinze centímetros de altura, ela devia ter por volta de um e setenta... Ômegas fêmeas normalmente não passavam de um e sessenta.

Entramos no hospital e eu pedi que Rosamund - eu gostava do nome, no entanto, preferiria chamá-la de Rosa. Mas eu não tinha essa intimidade, não é mesmo? - fosse atendida.

- Eu voltarei pela manhã ou depois do almoço para ver como estão as coisas aqui.

- Sim, Alfa Kurt - A enfermeira falou. Débora, se não me engano. Eu acenei com a cabeça e fui para casa.

"- Ela é diferente" - o meu lobo falou. Thorin.

"- Diferente como?"

"- Diferente... Há algo nela que me atrai."

"- Nem pense nisso, Thorin."

"- Eu não estou pensando em nada..."- sim, ele estava. Eu conhecia Thorin muito bem. Ele era um depravado. Não que eu também não adorasse me deliciar com uma bela fêmea, mas eu não faria isso com aquela pobre ômega. Ainda mais quando os cabelos dela eram avermelhados. Eu não me deitava com uma ruiva desde... enfim, eu não queria pensar nela.

- "Ótimo", eu falei e fui direto para o banho. Eu gostava de dormir limpo, sempre.

Pela manhã, eu fui ao meu escritório, lidei com alguns documentos e, pouco antes do almoço, resolvi dar uma passada no hospital.

- Oh, Alfa Kurt! - A médica de cabelos castanhos e sorriso gentil me cumprimentou. A Dra. Hanna Mahler era uma das melhores pessoas que eu já tinha conhecido na vida. Quando eu quase morri, foi ela quem me salvou, apesar de ser uma recém-formada.

Sim, ela era humana, mas vivia conosco. A boa médica me encontrou na floresta, cuidou de mim e resolveu ficar no bando, até porque ela era a companheira predestinada de um dos nossos membros. Isso foi descoberto assim que o Ranger em questão, Nick Mahler, colocou os olhos nela.

- Bom dia, Dra. Como está a paciente? - Ela sabia a quem eu me referia.

- Ela está tendo uma recuperação lenta. Algumas costelas quebradas, ela teve uma luxação no fêmur, tem hematomas pelo corpo e algumas cicatrizes. É bem óbvio que ela vem sofrendo maus tratos há algum tempo.

Fechei o punho ao ter a confirmação do quanto Rosamund vinha sofrendo. Aquilo era uma covardia! Se o Rei não tivesse me pedido para evitar brigas nesses últimos tempos, eu voltaria ao Midnight Pack e faria Idris engolir os dentes. Ele e aquele maldito fedelho!

- Ela está se recuperando lentamente por conta das condições físicas dela, não é?

- Sim - Ela balançou a cabeça, um olhar triste - É uma pena. Ela é tão bonita e meiga. Ah, eu vou prepará-la para a sua chegada, certo?

- Tudo bem - Eu respondi, parando de andar e ficando perto da porta. A Dra. Hanna entrou e eu esperei até que ela colocasse a cabeça para fora e fizesse sinal para que eu entrasse.

Quando ela saiu da frente, eu vi novamente a cortina de cabelos castanho-avermelhados, mas dessa vez, eles estavam limpos e menos bagunçados. Como em câmera lenta, a ômega começou a virar a cabeça em minha direção e eu fui agraciado com aquela visão.

Capítulo 3 Visita

KURT

A primeira coisa que eu vi foram aqueles olhos. Aqueles olhos maravilhosos. Eles não eram exatamente castanhos, pois havia um fundo muito avermelhado ali, como os cabelos dela. Apesar de Rosamund estar machucada e maltratada, ainda era possível notar como ela era bonita. O nariz delicado e fino, a boca levemente cheia, o formato oval do rosto. O pescoço dela era fino, claro, afinal ela estava muito magrinha. Descendo mais, os seios dela. Sim, eu sei, isso é horrível, mas eu não consegui evitar de perceber o belo volume que ela tinha ali. Talvez por ser muito magra, tenha dado para ela conseguir esconder tudo aquilo debaixo do casaco folgado. Agora, ela vestia uma camisola do hospital e dava para perceber que ela foi agraciada com um belo par de seios redondos.

Não, não fiquei encarando! E eu espero ter sido discreto o suficiente para ela não ter percebido que eu olhei para o busto dela. Senti vergonha de mim mesmo naquele momento.

- Olá, Rosamund! - Eu falei, sorrindo, tentando disfarçar. Eu não era o cara mais lindo do mundo, eu sei. A bela cicatriz do lado direito do meu rosto não me ajudava em nada. Eu evitava sorrir, normalmente, pois quanto mais largo o sorriso, pior ficava a minha feiura. Eu sorri de leve, para não espantar a pobre ômega.

- Oi - Foi a resposta dela, com uma voz tão bonita que quase me peguei suspirando. Ela olhou para baixo, mas eu notei como as bochechas dela coraram de leve.

- Seja bem-vinda ao Shadow Moon Pack. Eu espero que você se recupere logo e, depois, poderemos conversar sobre se você vai querer ficar conosco ou se preferirá ir embora.

Eu não havia pensado sobre aquilo, mas a verdade é que eu não poderia prendê-la no meu bando. Ela precisava aceitar ser parte da alcateia. Rosamund não havia se desvencilhado do Midnight Pack, o que significava que ela era apenas uma visitante em nossas terras.

Ir embora. E se ela quisesse ir embora? Aquilo me incomodou, por algum motivo. Mas eu não tinha tempo e nem queria ficar pensando nos porquês. Rosamund era livre.

- Obrigada, Alfa - Ela agradeceu, ainda de cabeça baixa.

- Não há o que agradecer. Siga tudo o que a Dra. Hanna falar. Ela é uma excelente médica e você não poderia estar em melhores mãos.

- Ah, muito obrigada, Alfa Kurt - Hanna sorriu, sinceramente. Ela era uma boa alma, sempre contente, mas também muito responsável e capaz. Eu a admirava.

- Eu apenas falei a verdade. Agora, com licença. Eu tenho algumas coisas a resolver, mas mantenha-me informado quanto a nossa paciente, sim? Dra. Hanna, Rosamund - Eu fiz uma reverência com a cabeça e me retirei.

Voltei para a packhouse andando, pois caminhar me ajudava a pensar. Eu precisava resolver a questão com o Conselho.

Deixe-me explicar como isso funciona: Nós somos um reino, com vários bandos. O meu bando é o que mais se destaca. O Rei, meu primo, está precisando de um herdeiro. A esposa dele não consegue ter filhotes. Ele quer que eu me case o mais rápido possível para que o meu filho se torne o herdeiro do trono. Isso não só garante que a nossa linhagem permaneça no poder, como também vai evitar brigas entre os outros bandos a fim de decidir quem será o novo Rei.

Cada bando possui um Conselho, menor, mas com pelo menos um terço de participantes oficiais, ou seja, enviados do Rei. E há um Conselho maior, o Royal Council. Este vai ter pelo menos 1 conselheiro de cada bando, mais os conselheiros do Rei.

Pois bem, o Conselho do meu bando está me infernizando para que eu me case imediatamente. Eu já fui casado, mas as coisas não saíram como o planejado. Ela era a minha companheira predestinada e, ainda assim, ela me traiu. Ela quase me matou, na verdade, e foi quando a Dra. Hanna me encontrou.

A questão é que eu não quero me casar. Se a minha própria fêmea, ligada a mim pelos laços divinos, me traiu, imagine uma fêmea que é completamente alheia a mim? Claro, assim que eu a marcar, estaremos ligados, mas é diferente. Nossas almas não estarão unidas, entende?

Mas eu preciso me casar e ter um herdeiro. Há a possibilidade de uma barriga de aluguel, mas eu não quero isso. A criança não teria mãe, pois a fêmea que a gestasse teria que ir embora. E eu não quero isso para nenhum filhote. Eu sei o que é crescer sem a mãe. A minha faleceu há muitos anos e... Digamos que o meu pai não foi lá uma figura paterna exemplar.

A fêmea com a qual eu resolver procriar deve ser uma fêmea com um sangue de "alta qualidade". Ela precisa ter sangue Alfa ou Beta. O Conselho escolheu algumas possíveis candidatas e esse foi o motivo de eu ir até aquela droga de Midnight Pack. Eu conheço Idris, eu já tive contato com a filha dele, antes, quando ela era mais nova e eu posso dizer que o temperamento dela não mudou nada. Se mudou, foi para pior. Ela é insuportável e eu não me casaria com ela de jeito nenhum. Eu ainda tenho mais uma candidata para visitar e eu espero que essa seja menos intragável, ou eu precisarei buscar por uma Beta. E isso será ofensivo para os Alfas, uma vez que eu rejeitei as filhas deles.

- Tio Kut! - Uma voz que eu já conhecia me chamou. Thomas, filho de Finn e Audrey. Eu me virei e vi aquela criança linda de cabelos cacheados, cheios, com uma covinha do lado direito da bochecha e com os bracinhos abertos. Ele me chamava de "Kut", pois ainda era pequeno.

Eu me abaixei e abri os braços.

- Oi, campeão! - Eu o abracei quando ele se jogou em cima de mim.

- Tio! Eu... Eu... Eu caí!

Ele fez uma carinha triste e me mostrou o joelho, ainda se recuperando.

- Não! Mas como isso aconteceu? - Eu perguntei, fazendo uma cara de extrema preocupação. Eu olhei de relance para cima e vi Audrey andando até nós. Ela era a esposa de Finn, uma bela morena, simpática, amável, mas também, tinhosa quando queria. Às vezes eu tinha pena do Finn.

- Eu caí da ávoie - Ele disse e balançou a cabecinha para cima e para baixo.

- Tsc tsc. Mas você precisa ter mais cuidado! O que estava fazendo em cima da árvore, mocinho?

Ele olhou para baixo e eu vi as bochechinhas cheias dele se movendo. Então, ele levantou a cabeça para mim, com os olhos brilhando.

- Eu fui pegá o gatino.

- Ah, o gatinho. Entendi. Tenha mais cuidado da próxima vez. Você é o próximo Beta desse bando!

Ele não tinha nem dois anos, mas adorava assistir tudo sobre lutas e super-heróis. Essa geração tinha mais contato com coisas humanas. E quando ele soube que o pai dele era um guerreiro, ele também quis ser um. Assim que ouviu a palavra "Beta", o olhar dele se iluminou mais ainda. Tommy concordou veementemente com a cabecinha.

- Ele vai tomar mais cuidado, Alfa Kurt - Audrey falou, colocando a mão na cabeça do filho.

- Onde está o Finn?

- Ele deve estar na packhouse, esperando por você. Esse espoleta aqui já almoçou. Acredito que os outros estejam esperando por você.

Eu tinha esquecido completamente disso. Fiquei tão imerso nos meus pensamentos que, pela primeira vez em muito tempo, eu esqueci de comer.

- Ah, sim. Eu vou apressar o passo, então.

Ela apenas concordou com um aceno de cabeça. Dei um beijo na testa de Tommy e me fui. Ao chegar na porta do casarão, eu senti um cheiro diferente. Alguém estava nos visitando.

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