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Alice

Alice

Autor:: xik
Gênero: Romance
Alice ia se casar com uma pessoa que não gostava, mas fugiu da igreja minutos antes de entrar. Foi para um lugar desconhecido, encontrou pessoas que ajudaram. Mas seu passado a perseguiu.

Capítulo 1 Fugindo

Alice com seus 1,75 de altura está sentada na sala de espera da igreja com um buque de rosas vermelhas na mão, os seus cabelos negros como a noite preso num coque de noiva e os velhos verde esmeralda cheios de lágrimas pela dúvida que tinha se deveria ou não entrar por aquele corredor.

- Eu não posso fazer isso. Ele já fez muita coisa comigo. Se eu ficar aqui ele vai terminar comigo. -Pensava ela. Vou sair daqui antes que seja tarde.

Antes que voltasse atrás na sua decisão Alice saiu pela porta lateral da igreja, desceu os degraus e foi para o ponto de taxi que ficava ao lado da igreja. Deu o endereço da sua casa e o taxi saiu pelas ruas da pequena cidade e logo chegou.

-Espere por mim, por favor. – O taxista apenas assentiu.

Quando Alice entrou em sua casa deu uma olhada nos móveis velhos que já foram comprados usados. A casa estava silenciosa, pois todos estavam esperando por ela na igreja. Ela foi rapidamente para o quarto trocou de roupa, jogou algumas roupas dentro de uma mala e saiu correndo para não voltar mais.

-Para a rodoviária. – O motorista olha para Alice e percebe que ela está fugindo, mas não diz nada, apenas dirige até o destino.

A rodoviária é pequena e poucos ônibus passam por ela. Com somente um guichê, de dois funcionando Alice entra na fila e não demora muito para chegar a sua vez.

- Qual é o próximo ônibus que sai daqui?

-Temos um que sai agora para a capital e o próximo é só amanhã de manhã. - Responde a moça que está atendendo.

-Pode ser.

Assim que Alice compra a passagem o ônibus liga o motor e ela corre arrastando sua mala e colocando a carteira na bolsa. Quando o motorista vê Alice ele espera por ela que entra e senta-se no primeiro banco vago. Logo o ônibus já sai e entra no curso para chegar ao seu destino.

Um som começa a tocar e Alice percebe que é seu celular, olha e vê que é o pai, não atende e desliga o telefone.

- Desculpa, pai. Tentei te contar tudo que ele me fez, mas você não acreditou. Não tive outra saída. – Pensou Alice.

O ônibus acelerou quando saiu da rodovia, Alice se aconchegou no ônibus e dormiu, pois não tinha feito isso na última noite e a viajem levaria algumas horas.

Capítulo 2 Chegando

Quando Alice percebeu que o ônibus tinha parado já estava na capital. O céu já estava escuro e as luzes da cidade já brilhavam para mostrar que estava em um lugar totalmente diferente. Até mesmo a rodoviária era muito maior que na sua cidadezinha, com muitos ônibus parados e passageiros embarcando e desembarcando.

Ela saiu do ônibus arrastando a sua mala e resolveu ligar o celular para olhar a hora. Uma pessoa com muita pressa esbarrou nela, mas nem olhou e correu na direção de outro ônibus parado ali. O celular que estava na mão de Alice caiu no chão longe dela e trincou a tela.

- As pessoas aqui não olham para onde estão indo, passam pela gente como furacão. – Resmungou ela.

Quando estava ajuntando o celular do chão, ouviu um choro desesperado de uma criança. Olhou em volta e viu um garoto abaixado atrás de uma floreira, agarrando suas pernas.

-Oi, garoto! Posso te ajudar? Onde estão seus pais?

-Você só pode me ajudar se você vai me tirar daqui e me levar para bem longe. – Gritou o garoto. – Do contrário fique longe de mim.

-Pra onde você quer ir? Onde estão seus pais? Você não me respondeu essa última pergunta.

O garoto acalma um pouco o choro, mas logo começa de novo, não conseguindo falar. Alice fica com muita pena dele e o abraça falando.

- Venha aqui. Um abraço sempre ajuda quando estamos tristes. Que tal a gente comer um lanche, eu estou com fome. Você não está?

O garoto simplesmente assente concordando entre os braços da Alice. Eles caminham alguns passos e logo encontram uma lanchonete praticamente vazia devido ao avançado da hora. Sentam-se em uma mesa perto da janela e uma garçonete muito jovem, mascando chicletes aparece para fazer o pedido.

-O que vocês vão querer?

-Eu quero um café preto, sem açúcar e bem forte e para comer um sanduíche. E você garoto?

-Eu quero cachorro quente, tem? -ele responde animado- E refrigerante.

A garçonete assente para responder a pergunta do menino e anota os pedidos. Quando a garçonete sai Alice olha para o menino e pergunta:

-Você pode me dizer o seu nome e o que está fazendo a essa hora em uma rodoviária sozinho?

-Eu queria fugir daqui, já que não tenho ninguém que me ama. Só que a mulher do guichê disse que só posso ir acompanhado de um adulto.

-Então você fugiu de casa? – Ela sorriu pensando na ironia, dois fugitivos lanchando na metade da noite em uma rodoviária.

-É.

-Depois de lancharmos você precisa voltar pra casa, está bem? Você lembra do seu endereço?

-Sim, eu sei o meu endereço. Só que não quero voltar pra casa. - Ele dá um suspiro de decepção e depois continua: - Meu pai nunca tem tempo pra mim, trabalha o tempo todo, não ganho nem meus beijos de boa noite que ganhava uma vez. Acho que ele não me ama mais.

- Não diga isso, seu pai deve te amar muito. Só deve estar ocupado demais par te dizer isso. E agora ele provavelmente está desesperado procurando você.

O garoto dá um suspiro novamente. O Lanche chega e os dois devoram, pois estavam famintos. Alice pega o garoto por uma mão e sua mala na outra e os dois saem da lanchonete depois de pagar a conta.

- Já que você me contou a razão de ter fugido, pode me falar seu nome? Perguntou Alice.

- João Pedro. E o seu?

-Alice.

-Minha mãe me contou a história da Alice no País das Maravilhas a muito tempo. - Começou a chorar de novo.

Nesse momento ele chegaram ao ponto de taxi e entraram em um. Então Alice deu um abraço apertado no garoto que parou de chorar e deu o endereço para o motorista.

Ao longo do caminho houve um silencio mortal. Ninguém falou nada. Alice estava olhando o mar de prédios pelos quais estavam passando que com o andar do taxi foram diminuindo, dando lugar a casas luxuosas. Quando passaram pela entrada de um condomínio o guarda olhou viu João Pedro e os deixou passar.

O taxi parou bem em frente a casa de João Pedro. Alice paga o taxi e sai pasma de admiração por aquela mansão de dois andares, muitas janelas, um jardim de contos de fadas e a entrada da casa tem uma porta enorme de madeira maciça. Ela anda em direção a porta imaginando qual será a reação do pai de João Pedro, torcendo para que não seja um homem tão frio quanto o menino falou.

Capítulo 3 Entregando o filho ao pai

Alice respira fundo e toca a campainha. Ao longe se ouve passos se aproximando rapidamente. Um homem alto, loiro de olhos cor de avelã abre a porta. Ela sente um arrepio quando olha para ele e ao mesmo tempo fica fascinada pelos seus traços perfeitamente esculpidos. Porém, quando ele vê Alice ali parada o encarando quase de boca aberta, fica furioso:

-Quem é você? Como te deixaram entrar no condomínio? Pago por segurança e primeiro meu filho some e depois alguém que não conheço bate em minha porta.

Alice dá um passo pra trás com medo do que ele possa fazer e se arrependeu de ter um coração bom e querer ajudar o garoto. Ela suspira e depois toma coragem de falar.

- Desculpa incomodá-lo, senhor. Eu encontrei um garoto que disse morar aqui e o trouxe. – Falando isso ela tira João Pedro de trás dela.

O homem olha para o garoto e o abraça com tanta força que o garoto parece sufocar. Enche ele de beijos e o pega no colo.

- Eu estava louco atrás de você! Ainda bem que você está aqui. Você está bem?

- Sim, pai, estou bem. A moça aí me encontrou e cuidou de mim.

Depois de mais alguns abraços e beijos o homem finalmente resolveu largar o garoto de seu abraço e simplesmente o segurou pela mão. A primeira impressão que causou um pouco de medo em Alice se transformou em dever cumprido.

-Acho que te devo um pedido de desculpas, não é? – Ele falou com cara de arrependido, olhando pela primeira vez para Alice. - Desculpa, te tratei tão mal. Eu deveria te agradecer por trazer meu filho de volta.

-Você não precisa agradecer. Ele é uma criança adorável, eu quis ajudá-lo.

- Se não fosse você eu ainda estaria desesperado para encontrá-lo. Obrigado. Quer entrar e tomar um café? É o mínimo que eu poderia fazer por você. Ah, esqueci sou Arthur Starck!

- Alice Miller, prazer em conhece-lo, senhor Starck. Infelizmente não posso ficar, tenho que encontrar um lugar para passar a noite. - Ela disse enquanto erguia a mala para mostrar- Por falar nisso, você conhece alguma lugar? De preferência que eu não vá gastar todas as minhas economias para uma noite.

-Entre, eu posso ajudá-la com isso. É o mínimo que posso fazer.

Ao entrar na casa Alice arregala os olhos e olha tudo com atenção e admiração. As escadas que levam ao segundo andar parecem ter sido feitas de ouro, o sofá muito mais confortável do que a cama que dormia na sua antiga casa, sem falar que a casa parece ser muito maior do que vista por fora.

- Desculpa estar olhando para tudo assim, acontece que só vi casas assim em filmes e novelas. – Disse Alice envergonhada e ao mesmo tempo curiosa com tanto luxo.

- Fique à vontade. Vou pedir para a empregada dar um banho em João Pedro enquanto combinamos a sua estadia. -Disse Arthur sorrindo e subindo as escadas.

Alice ficou sozinha por alguns minutos e aproveitou para olhar mais algumas coisas da casa luxuosa. No canto da sala, um piano de calda chama sua atenção e no móvel atrás dele algumas fotos em molduras douradas. Ela olha cada uma delas e reconhece Arthur e João Pedro. Logo depara com a foto de uma mulher loira de olhos azuis muito bonita e pensa:

-Deve ser a mãe de João Pedro. Mas, ninguém tocou no nome dela ainda.

Um celular começa a tocar e Alice percebe que é o seu, mas como a tela está um pouco quebrada não dá para identificar quem está querendo falar com ela. Ela espera um pouco e decide atender.

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