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Alicia - Para sempre

Alicia - Para sempre

Autor:: E.J.L Spiekovski
Gênero: Romance
Após uma guerra devastadora entre anjos e demônios, Alicia fez um pedido silencioso ao único ser que poderia conceder-lhe: Metatron, seu pai. Ela queria uma nova chance, um futuro na Terra como humana, ao lado de Caled, Sophia e sua família. Mas não apenas isso-Alicia desejava apagar as cicatrizes do passado, voltar ao momento antes do acidente que levou sua mãe. Metatron atendeu ao seu desejo, mas com uma condição cruel: apenas ela se lembraria de tudo. Sophia, Caled e Caliel teriam suas memórias apagadas, e suas histórias reescritas. Ainda assim, Alicia aceitou. Tudo valeria a pena, se significasse uma nova chance. O que ela não esperava era que nove anos poderiam mudar tanto. Embora Sophia ainda fosse sua melhor amiga, o mundo ao seu redor já não era o mesmo. Helior, seu ex-namorado, está de volta, reacendendo sentimentos que Alicia pensou que ela teria deixado para trás. Mas nada a fere tanto quanto descobrir que Caled não se lembra dela-e, pior ainda, agora pertence a outra. Húlia, sua antiga inimiga, conseguiu tudo o que sempre quis: o coração de Caled. Sem passado, sem promessas e sem memórias de seu amor, Caled não vê motivo para esperar por Alicia. Para ele, ela não passa de uma estranha. Mas Alicia sente cada batida do coração que um dia foi dela, e a dor de sua ausência é insuportável. Será que o destino permitirá que eles se reencontrem? Ou algumas histórias simplesmente não foram feitas para serem reescritas?

Capítulo 1 1º capítulo

Desci lentamente as escadas, tentando absorver a serenidade daquele momento. A visão da minha mãe, com seu avental azul e os cabelos presos em um coque desajeitado, me trazia uma paz que eu nunca imaginara sentir novamente. Ela cantarolava uma melodia suave enquanto espanava a estante, e por um momento, eu me permiti acreditar que tudo aquilo era real, que os últimos nove anos não tinham passado de um pesadelo distante.

- Está tudo bem, querida? - a voz doce da minha mãe me trouxe de volta à realidade.

Assenti, sentindo um calor aconchegante no peito.

- Sim, só... Estou feliz por você estar aqui.

Só depois de falar é que percebi o quanto isso soava estranho, dado o fato que ela nunca soube o que era ficar sem mim, apenas eu tinha essas tristes lembranças, ainda assim ela me olhou e sorriu.

- É claro que está, o que seria de você sem mim? – Gargalhou voltando a concentração para o que estava fazendo, eu sorri e assenti, sim exatamente isso, o que seria de mim sem ela?

Fiquei parada ali, observando cada movimento dela, como se quisesse gravar tudo na memória. O cheiro de lavanda que vinha das roupas limpas, o barulho suave do espanador deslizando pela estante, tudo parecia tão simples e, ao mesmo tempo, incrivelmente precioso.

- Quer ajuda? - ofereci, mesmo sabendo que ela provavelmente recusaria.

Ela riu baixinho, balançando a cabeça.

- Não precisa, querida. Você já tem muito com o que se preocupar.

Suspirei e me sentei no degrau da escada, abraçando os joelhos.

- Mãe... Você acha que tudo acontece por um motivo?

Ela parou por um instante, pensativa, antes de responder.

- Acho que sim. Mas, às vezes, somos nós que damos significado às coisas, não acha?

Fiquei em silêncio, absorvendo suas palavras. Talvez ela estivesse certa. Talvez tudo isso estivesse acontecendo para me mostrar que eu finalmente poderia ter um novo começo.

- Você vai ficar atrasada para a escola. - ela disse com um sorriso suave.

Levantei-me, sentindo-me mais leve.

- Sim, eu sei. Obrigada, mãe.

Ela me deu um beijo carinhoso na testa.

Saí pela porta, respirando fundo o ar fresco da manhã. O mundo parecia mais leve agora, mais colorido. Eu não precisava me preocupar com o que os anjos aprovariam, ou com o que dos demônios fariam, eu só precisava deixar a vida seguir seu curso, quando eu pedi para que Metatron me trouxesse de volta a terra como humana, salvasse Caled e permitisse que Caliel também tivesse uma chance aqui, ele me disse que não poderia mudar o livre arbítrio de cada um e que antes de fazer qualquer coisa, eles teriam que aceitar essa mudança, porém para Caled ou Caliel tinha sido muito diferente, ao aceitarem voltar para a terra, eles também abriram mão de suas memórias anteriores, então para eles, a mudança tinha sido muito maior, pois eu sabia exatamente quem eles eram, mas eles obviamente não me conheciam nessa vida, com essa mudança Caled também nunca ultrapassou os limites, e o acidente da minha mãe nunca aconteceu, eu nunca vivi em um orfanato, e nada que eu vivi com ele durante o ano passado tinha acontecido também.

Lembro-me de Metatron entrar na minha mente no dia em que fiz a escolha.

- Tem certeza de que é isso que quer? Lembre-se Alicia, não terá volta, essa é a última chance de vocês, o que está pedindo mudará tudo, você saberá quem ele é, mas ele não, tem certeza de que é assim que quer que seja?

- Eu e Caled fomos feitos um para o outro, nosso amor é de outras vidas, sempre encontraremos um jeito de nos encontrar Metatron, eu viverei esses nove anos novamente, ao lado de minha mãe e então nos mudaremos para Toronto e quando eu o conhecer, você vai ver, vai ser como se o tempo não tivesse passado.

- Alicia escute, você vai voltar nove anos no passado, muitas coisas vão acontecer nesse período, para você e para ele, o que te garante que ele esperará por você? Nessa nova realidade, ele não saberá quem é você, não saberá que você vai chegar um dia, talvez ele nem esteja mais morando em Toronto, talvez ele se mude e faça a vida dele em outro lugar.

- Ainda assim eu vou arriscar. – Eu disse, com determinação. – Pode demorar mais que nove anos, mas quando nos vermos novamente saberemos que fomos feitos um para o outro.

Dito isso, ele fez a mudança necessária e eu voltei no tempo... E durante nove anos, eu esperei, eu vivi tudo que eu não tinha vivido com minha mãe, tudo que a vida tinha me roubado, e ao fazer quinze anos eu pedi para que nos mudássemos para Toronto, para perto da tia Helena, minha mãe negou no começo, achou um absurdo, mas com o passar dos dias, eu acabei convencendo ela de que morar em Toronto seria melhor para nós e assim foi feito, no dia em que fui à casa de Sophia eu a reconheci de imediato, eu sabia que seriamos amigas, pois já tínhamos vivido isso, e coincidentemente foi o dia em que eu o revi pela primeira vez, Caled, meu maravilhoso e perfeito Caled, sem nenhum arranhão diferente, nós nos vimos, nos cumprimentamos e nos olhamos, o choque elétrico que percorreu nossas mãos ao se encontrarem deixou claro que eu sempre estive certa, nada mudaria.

Capítulo 2 2º capítulo

No caminho para a escola, ainda sorrindo, meus passos diminuíram quando meus olhos captaram uma cena que me fez prender a respiração. Do lado de fora da escola, Caled estava encostado em uma das colunas, rindo com uma garota. Meu coração parou por um instante ao reconhecer Húlia. No passado, ela havia tentado se aproximar dele, mas ele nunca lhe deu atenção, e no fim ela acabou tendo um final trágico. Agora, no entanto, os dois pareciam incrivelmente felizes juntos.

Senti uma dor profunda no peito, como se um tiro tivesse atravessado meu coração. Antes que eu pudesse processar o que estava vendo, Sophia chegou ao meu lado, olhando para mim com uma expressão preocupada.

- Algum problema, Ali?

Eu ainda olhava para Caled e Húlia, tentando entender como aquilo poderia ser real.

Olhei para ela ainda sem conseguir acreditar no que via.

- Desde quando eles estão juntos?

Sophia acompanhou meu olhar e, após alguns segundos de reflexão, respondeu:

- O Caled e a Húlia? Acho que já faz um ano.

Senti meu coração se partir em um milhão de pedaços. Metatron estivera certo. Caled não tinha como esperar por alguém que ele nem sequer sabia se existiria.

Puxei o ar com dificuldade tentando conter as lágrimas, meu Deus! O que eu faria agora? Eu tentei não transparecer nada, porém Sophia percebeu.

- Você gostou dele, né? – Perguntou com um sorrisinho malicioso.

"Ah! Se ela soubesse"... Pensei comigo, fechei os olhos com força tentando não entrar em desespero.

- Não, Sophi, não é isso, imagina, eu apenas estranhei, ele não parecia ter alguém fixo no dia que nos conhecemos.

Sophia gargalhou.

- E não tem, na realidade o Caled é meio... Como vamos dizer, "cafajeste", para não dizer coisa pior, ele e Húlia estão juntos, isso é um fato, mas ele não é fiel se quer saber.

Aquilo me machucou ainda mais, senti como se uma faca atravessasse meu peito e rodopiasse rasgando minha carne, quem era esse Caled? Será que eu estava preparada para isso? Suspirei, o ar era pesado agora, meu peito doía.

De repente, alguém esbarrou em mim com força, me tirando abruptamente dos meus pensamentos. Virei-me para o lado, pronta para protestar, e então vi Hélior. Meu coração deu um salto. No passado, ele e Sophia tinham sido namorados, mas sua morte a deixou em pedaços. Agora, ali estava ele, vivo, sorrindo para mim com aquele mesmo olhar gentil.

- Me desculpe, não te vi. - disse ele, passando a mão pelos cabelos de um jeito despreocupado.

Sophia imediatamente endireitou a postura, seus olhos brilhando de interesse.

Ele seguiu seu caminho, mas eu percebi logo que ela tinha gostado muito daquilo.

- Quem será que é? Será que é aluno novo? Meu Deus! Essa escola ficou muito, mas muito mais interessante agora!

Meu estômago revirou. Sophia não se lembrava do que viveram, mas eu lembrava. E agora percebia o desastre que havia causado. Eu tinha achado que voltar no tempo resolveria tudo, mas agora via a verdade. Caliel tinha abdicado de tudo por Sophia, mas... e se, com Hélior vivo, ela nunca o escolhesse?

Meu Deus... O que eu tinha feito? Tudo estava uma bagunça por culpa minha!

Não consegui me concentrar a manhã inteira, nenhum assunto na aula me prendia, tudo estava desfocado e distante a voz do professor parecia estar em outra língua, como eu resolveria isso? Eu não tinha mais poderes, eu era humana agora, Metraton tinha sido firme ao dizer que eu não poderia voltar atrás, aquela era minha última chance e eu tinha desperdiçado achando que podia decidir por todos o que era melhor para cada um, quanto egocentrismo!

Quando a aula terminou, me arrastei para o lado de fora, sentindo o peso do dia inteiro. Sophia já me esperava no carro, acenando animadamente.

- Quer carona? - perguntou.

Assenti com a cabeça e entrei no carro, embora minha mente ainda estivesse distante, perdida em tudo que tinha acontecido. Sophia me olhou de soslaio, preocupada.

- Você está bem distante, algum problema?

Neguei com a cabeça, tentando focar no presente. Sophia, animada, começou a falar sobre sua festa de aniversário, radiante de empolgação. Só então me dei conta de que seu aniversário estava a poucos dias de distância.

Tudo ia bem até ela mencionar casualmente:

- Estou pensando em convidar Hélior... Quero conhecê-lo melhor.

Quase perdi a respiração. Metatron tinha dito que ninguém tinha o direito de interferir no livre-arbítrio de outra pessoa. Se Sophia escolhesse Hélior, eu teria que aceitar... Mas e Caliel? Ele abriu mão de tudo por ela. Como isso poderia estar certo?

Senti-me tão culpada, isso tudo era por minha causa.

Sophia encostou o carro em frente a sua casa e eu desci, Helena saiu porta a fora e sorriu para mim.

- Fico feliz em saber que fizeram uma amizade tão bonita, sua mãe disse para você ir para casa, pois ela fez seu prato preferido hoje.

Eu assenti com a cabeça e peguei o caminho para dentro da reserva, fazia muito tempo que eu não caminhava por aquela estrada. Eu e minha mãe tínhamos comprado à antiga casa de Helena, pois Helena tinha se casado com Billy afinal de contas e agora quem morava na casinha da floresta era eu e ela, isso tinha me animado muito na época por que eu ainda estava no mesmo lugar de sempre e a bem pouco de distância da casa de Caled, mas agora, agora que eu tinha descoberto tudo eu me perguntava o quanto isso era bom, por mais que Caled não fosse fiel a Húlia eu não queria me envolver com ele, isso era errado, eu não era esse tipo de garota, e Sophia tinha deixado claro que ele era um cafajeste, fechei os olhos sentindo raiva de mim mesma pela burrada que eu tinha feito, eu não poderia ter simplesmente pedido para vir humana e deu? Eu tinha que ter pedido para voltar nove anos?

Capítulo 3 3º capítulo

Caminhando pela estrada de terra em meio à floresta, eu estava completamente distraída quando um carro começou a andar vagarosamente ao meu lado.

- Hei! Garota, quer carona?

Levantei a cabeça olhando para o lado e vendo quem era. Era Caled. Ele tinha parado o carro e me observava com atenção. Meu coração palpitou. Eu deveria aceitar? Eu não conhecia aquele Caled. Eu conhecia apenas o Caled do passado. E se ele não fosse uma boa pessoa?

Fechei os olhos com força e neguei veementemente com a cabeça.

- Não, obrigada.

Por dentro, meu coração berrava para aceitar, mas eu não podia fazer isso. Ele fez uma cara estranha, certamente não acostumado a receber o "não" de uma garota, e voltou a ligar o carro e seguir em marcha lenta.

- Tem certeza? Sei onde mora, é meio longe.

Olhei para ele ainda sem graça e segurei a mochila com mais força.

- Não precisa, eu agradeço.

Ele sorriu, com seus dentes brancos perfeitamente alinhados. Que saudade que eu tinha daquele sorriso, pensei.

- Eu não mordo, ok? Não vou sequestrar você, se é disso que está com medo.

Engoli minha saliva, ainda sem acreditar naquilo, e então concordei com a cabeça.

- Ok, tudo bem. Você pode me levar até em casa.

Circulei o carro, e ele abriu a porta para mim como um perfeito cavalheiro. Não pude deixar de reparar nos olhos cor de mel. Ainda eram os mesmos olhos claros. Achei que quando ele fosse humano, esse traço desapareceria, já que não era muito comum. Mas não, ainda eram os mesmos olhos que tinham me conquistado e enlouquecido.

Enquanto andávamos, ele ligou o rádio e ajustou o volume para baixo, quase como se quisesse que a música fosse apenas um pano de fundo. Mas, ao ouvir os primeiros acordes de Sympathy for the Devil, uma lembrança me invadiu. O antigo Caled também gostava dessa música. Alguns gostos não mudavam, ao que parecia. Ele sorriu ao perceber que eu reconhecia a melodia.

- Gosta de Rock? – perguntou os olhos fixos em mim, esperando uma resposta.

Assenti com a cabeça.

- Gosto, essa música é boa. – Eu mal terminei de falar e ele já estava sorrindo, como se soubesse de algo que eu não estava dizendo.

- Billy me disse que você é sobrinha da Helena, certo? – ele perguntou, quase como se tentando unir peças de um quebra-cabeça.

Olhei para ele, sem saber exatamente o que responder. Não era só sobre ser sobrinha de Helena, era sobre tudo o que isso representava. Mas, em vez de falar sobre isso, apenas confirmei.

- Sim, isso mesmo.

Ele riu baixinho, um sorriso de quem reconhecia alguma ironia na situação, mas não disse nada mais sobre o assunto. Sua voz, então, ficou um pouco mais suave.

- Conheço a Helena há um tempão. Nunca te vi por aqui... Não eram tão próximas?

Suspirei, sentindo um peso no peito. Ele não tinha a menor ideia do que isso significava para mim. O motivo de eu não vir muito a Toronto, a razão de agora estar ali... Era uma história que ele jamais entenderia. E eu não sabia se estava pronta para contar, até por que se eu contasse ele com certeza diria que eu devia ser internada por loucura.

- Não, eu não vinha muito para cá. Eu e minha mãe decidimos nos mudar meio que do nada. – Minha voz se fez mais baixa, quase como se estivesse tentando me convencer de que essa explicação era suficiente. E, de certo modo, era.

Ele ficou em silêncio, observando-me com atenção, como se tentasse ler algo em meu rosto. Talvez ele soubesse que estava faltando alguma coisa, mas não insistiu. Até que, de repente, ele parou bruscamente em frente à minha casa.

- Está entregue, sã e salva. – Ele sorriu, mas não de um jeito amigável. Como se fosse um lembrete de algo que ele sabia que não poderia controlar. – Se quiser, vou sempre para a cidade. Posso te dar carona para a escola.

Senti o nó na garganta. O motivo de ele ir para a cidade era, obviamente, Húlia. Eu não ia aguentar ficar vendo ele se esvair para os braços dela todos os dias. Era demais para mim. Apenas o pensamento me fez querer correr para dentro de casa.

- Agradeço, mas não é necessário. Vou com Sophia. – Foi à única coisa que consegui dizer, a voz soando mais fria do que eu queria.

Ele me olhou por um momento, como se tentasse entender o que havia por trás da minha recusa. Era óbvio que ele não estava acostumado a ser negado.

Desci do carro rapidamente, sem olhar para trás. Quase corri para a porta, sentindo o peso do seu olhar na minha nuca. O arrepio percorreu toda a minha espinha. Caled não era mais o demônio que eu conhecia, nem o anjo. Mas, de alguma forma, ele ainda me causava o mesmo efeito. Será que um dia isso passaria?

Minha mãe me viu entrando em casa rapidamente, com os olhos fixos no carro de Caled que já se afastava na estrada. Ela cruzou os braços, uma expressão de desconfiança estampada no rosto.

- Então os lobos já estão rondando? – Sua voz era calma, mas eu podia perceber a análise meticulosa em cada palavra.

Olhei de canto para ela, tentando parecer o mais indiferente possível, mas o calor da situação ainda estava em mim, e eu sabia que minha expressão não ajudaria em nada.

- Não sei do que está falando. Ele é só nosso vizinho, tem namorada. – Tentei minimizar, mas minha mãe não se deixou enganar. Ela me seguiu pelas escadas, com aquele passo firme, determinado a não deixar o assunto passar em branco.

- Eu sei disso, sei que é nosso vizinho, e também sei que tem namorada. – Ela parou no topo das escadas, me observando com atenção, como se cada palavra fosse uma peça de um quebra-cabeça que ela ainda não conseguira montar. – Mas também sei que ele não tem boa fama. Helena já me alertou. O que ele queria de você?

Eu revirei os olhos, tentando escapar do olhar dela, mas sabia que não seria fácil. Minha mãe nunca ia deixar esse assunto passar.

- Nada demais. Só me deu uma carona. – Eu sabia que isso soava vazio, mas o que mais eu poderia dizer? Não era mentira, mas também não era a história completa.

Ela me seguiu mais de perto, como se sentisse o cheiro da mentira no ar. Quando estava perto de mim, parou, ainda me encarando com aquele olhar penetrante, que me fazia me sentir vulnerável.

- Sei, esses rapazes, Alicia... Nunca querem apenas dar uma carona. Isso de carona é velho, é só pretexto para se aproximar. – A voz dela ficou mais séria, cheia de experiência. – Você é inocente demais, não vê as segundas intenções, mas eu vejo.

Eu a encarei por um momento, tentando sorrir, mas o gesto saiu mais forçado do que eu queria. Eu sabia que ela estava certa em tudo, e isso me causava um desconforto que não conseguia ignorar. Ela via tudo com clareza, enquanto eu me perdia na confusão dos meus próprios sentimentos. Como eu poderia me aproximar de Caled? Como poderia conquistar sua atenção, sem me arriscar demais? E, ainda mais importante, como negar tudo isso e ao mesmo tempo sonhar que ficaríamos juntos novamente?

Minha mente estava em um turbilhão, as emoções se chocando umas contra as outras, criando um nó que eu não conseguia desfazer. Eu queria gritar, queria confessar tudo, mas sabia que isso não ajudaria em nada. Eu só desejava que as coisas fossem mais simples. Mas, no fundo, sabia que nunca seriam.

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