Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Alicia entre o Céu e o Inferno - 2º versão
Alicia entre o Céu e o Inferno - 2º versão

Alicia entre o Céu e o Inferno - 2º versão

Autor:: E.J.L Spiekovski
Gênero: Romance
Eles juraram amor eterno, mas no meio do processo Caled deixou de ser quem era, agora ele e Alicia são iguais, mas Asmodeus não perdoará isso, ele os arrastará para o inferno por terem cometido tamanha traição, uma guerra entre o céu e o inferno está prestes a começar e Alicia está no centro dela, então... Até onde você seria capaz de ir por amor? Venha descobrir em Alicia entre o céu e o Inferno! Esse é o segundo livro da série Anjos e demônios e deve ser lido após ler Alicia e o Condenado.

Capítulo 1 1º capítulo

Os alunos da Toronto Hight School, foram todos transferidos para um colégio secundário dirigido por freiras locais após o incidente no baile de primavera, agora tínhamos novos professores, novas matérias e consequentemente novos colegas, não estranhei muito o ambiente, pois tinha me criado em uma escola muito semelhante que era a escola do orfanato, porém não posso dizer o mesmo de alguns colegas meus que pediram transferência na mesma semana, Sophia, porém quis permanecer comigo, ainda que estivesse falando muito pouco, literalmente o básico.

Desde o incidente ela não tinha mais vindo lá em casa, também não tinha mais me convidado para ir a casa dela, não mandava mais mensagens ou conversava como antes, a verdade é que ela tinha se distanciado muito.

- Oi Sophi! – Acenei assim que a vi no pátio da nova escola, ela, porém apenas deu um meio sorriso e fez um leve sinal com a cabeça entrando, soltei o ar de forma pesada, nesse instante alguém esbarrou forte em mim e seus livros se espalharam pelo chão.

- Não vê que está no meio do caminho garota! Olha só o que você fez, derrubou todas minhas coisas! – Reclamou uma garota loira de cabelos lisos, eu tentei ajudá-la a recolher suas coisas, mas ela me empurrou. – Não se atreva e encostar em nada meu, ou chamo a direção e digo que fez de propósito!

Ergui as mãos sem reação e me afastei, santo Deus quanto mau humor, era apenas um esbarrão e eu tinha tentado ajudá-la.

Ouvi o sinal tocar e corri apressada para a minha sala, ao chegar logo percebi que a garota mau humorada seria minha colega, Sophia também estava na sala, tentei alcançar a sua carteira para sentar próximo dela, mas um garoto tomou o lugar que eu tinha escolhido antes de conseguir, então acabei me sentando mais afastada dela, as vezes eu olhava para o lado dela para ver se ela estava olhando, queria fazer sinal, dizer para sentarmos juntas no intervalo ou para nos encontrarmos depois da aula, mas ela parecia extremamente concentrada na aula.

Na saída busquei por ela sem muito sucesso, corri até o portão a procurando e então vi que o carro do motorista do pai dela já tinha partido, ela nem ao menos tinha me esperado, olhei ao redor buscando por Helena, talvez ela estivesse me esperando, afinal à escola era mais longe que antiga, porém a única pessoa que eu vi vindo em minha direção era um lindo moreno alto, com o sorriso mais perfeito de todo o universo.

- Carona senhorita?

Disse Caled me dando um leve beijo nos lábios.

- Sempre beija suas passageiras?

Ele sorriu.

- Não, só você... Onde está Sophia?

- Ela já foi. – Eu disse triste, ele percebeu.

- Algum problema?

- Acho que sim, ela não tem conversado comigo desde o que aconteceu, na verdade ela tem me ignorado totalmente, não consegui sentar perto dela em nenhuma das matérias, no intervalo ela preferiu sentar com desconhecidos do que comigo, estou tentando me aproximar, porém parece que ela não deseja que eu me aproxime.

- Dê um tempo para ela, ela precisa por a cabeça no lugar, ela amava o Hélior, está sendo difícil para ela.

- Já faz um mês Caled! Faz um mês que a gente mau conversa, eu só queria que ela se abrisse comigo, será que é demais pedir isso?

- Quer que eu fale com ela?

- Acha que ela falaria com você?

- Talvez, tenho que conversar com o pai dela hoje, acho que vou vender as terras e a minha casa para ele.

- Vai mesmo vender tudo? Achei que agora que estávamos bem iria ficar...

- Alicia os anjos me permitiram voltar, mas me deixaram sobre a alerta, podem precisar dos meus trabalhos em qualquer momento e então eu terei que partir, e bom tem toda aquela questão da minha idade, preciso me afastar.

- Mas e nós?

- Eu não vou me afastar de você, eu ainda estou fortemente ligado a você, você ainda está presa na minha mente de um jeito inexplicável, eu achei que isso passaria, porém ainda sei onde está como está e se está precisando de mim, pretendo me mudar para a cidade vizinha de Hamilton, lá ninguém me conhece e será fácil me camuflar, é perto daqui e poderemos estar sempre juntos.

- Mas eu não poderei visita-lo de bicicleta, ou encontrá-lo do lado de lá da ponte.

Ele sorriu fazendo um carinho em meu rosto.

- Mas eu ainda estarei aqui, eu ainda irei te buscar todos os dias na escola e posso falar com Helena para te levar também, eu ainda visitarei sua casa e estarei próximo, entenda que só estarei morando em outro lugar, mas ainda estarei por perto, e eu também posso lhe comprar um carro para que vá me visitar afinal agora você já pode tirar a carta.

- Não! Sabe que eu jamais aceitaria isso, você é milionário Caled, mas eu não quero ser mimada por você, quero conquistar minhas próprias coisas!

- Chamo isso de teimosia e burrice, se alguém quer lhe presentear com algo maravilhoso por que não aceitar?

- É um presente muito caro.

- Eu deixo você escolher o modelo.

- Nada feito.

- Esse pode ser o seu presente de 50 anos de aniversário adiantado.

- Você não vai conseguir me deixar 50 anos sem presentes.

- Tem razão, e se você estipular um valor?

Eu olhei séria para ele sem dar resposta.

- Ok, já entendi, ainda é não.

Caled me levou para casa, Helena estava de olho pela janela, ela ainda não estava totalmente aberta a aceitar Caled de volta, por mais que compreendesse que ele não desapareceria novamente.

- Dona Helena...

- Sr. Ferhell, achei que tinha uma reunião com o Billy.

- Eu tenho.

Ele soltou um sorriso sem graça e me olhou, fiz um sinal para que ele fosse logo, Helena me olhou séria e fez um sinal para que eu entrasse.

Assim que larguei a mochila sobre o sofá ela me olhou atentamente.

- Então vai voltar a ser o que era?

- Acho que sim.

- Sem desaparecimentos, sem assassinatos suspeitos, apenas o bom e velho misterioso Caled.

- Tia eu sei que você ainda esta um pouco chateada com tudo isso, mas eu amo o Caled e acho que sabe que ele me ama também e nada vai fazer isso mudar.

- Eu sei Alicia, e eu entendo e aceito, aliás, fico muito feliz de tê-lo por perto novamente por que sei que ao lado dele está protegida, mas ele ainda vai vender a casa e ainda vai ir embora, tem certeza que isso não é apenas uma forma de adiar o inevitável?

- Como assim?

- Caled é do mundo Alicia, não é um homem para casar e ter filhos, não terá uma família com ele, tem certeza que é isso mesmo que quer?

Eu não consegui responder isso, por que no fundo eu sabia que eu também não seria a família de ninguém, Caled me compreendia por que ele era como eu, mas se eu desistisse dele e ficasse com um humano comum, como eu explicaria para ele que eu podia curar? Que eu não envelhecia, que parte de mim não era humana? Certamente eu acabaria em um laboratório sendo estudada por algum maluco.

- Vamos fazer assim tia, vamos vendo até onde vai, vamos dando um tempo ao tempo, eu ainda sou nova demais para pensar em casamento ou filhos, ok?

- Ok, mas não deixarei que desista de uma faculdade por causa dele! Não aceito!

Não, eu pensei, nem mesmo eu tinha pensado nisso, na verdade a faculdade era uma excelente opção, pois me manteria afastada de Helena e assim ela não notaria o fato de eu não envelhecer.

- Não se preocupe, vou fazer faculdade como qualquer pessoa, apenas ainda não me decidi.

- Mas tem ideia de algo?

- Não sei, mas penso em medicina, enfermagem, algo assim.

Ela deu um pulo de felicidade.

- Sua mãe teria tanto orgulho de você!

Ela me abraçou com carinho.

- Vamos com calma tia, eu nem sei se serei aprovada em alguma faculdade e sabe bem que esse curso é caro demais.

- Você ainda tem a poupança que seus pais deixaram, nunca foi mexida, tenho certeza que servirá para custear seus estudos, e eu também vou ajudar, tenho boas economias.

- Não tia, não quero... Nem pensar...

- Não seja boba! Não tive filhos e você é minha única sobrinha, vou ajudar sim!

Migrei para o quarto e me joguei sobre a cama.

Capítulo 2 2º capítulo

Caled encostou o carro em frente à mansão dos Bill e desceu, Sophia o esperava em frente a casa.

- Oi Sophia.

- Oi. – Ela disse cruzando os braços sobre o peito e o estudando atentamente. – Você está ótimo, ótimo demais para alguém que foi acusado de assassinato, sumiu por meses, voltou de forma misteriosa e agora esta pronto para voltar a sumir.

- Sophia eu... Eu sei que você precisou segurar Alicia de pé quando eu parti, eu sei a dor que causei a ela, porém ela me perdoou e acho que sabe disso, então será que ainda podemos ser amigos?

- Existe uma escuridão na minha mente Caled, existe partes que não se encaixam, tenho lapsos de uma memória que está em frangalhos e confusa, é tudo um caos, eu perdi o homem que eu amava e até agora eu não sei como isso aconteceu, por que nós estávamos nos divertindo no baile, Alicia mandou todos saírem e depois disso eu não sei o que houve, tenho vagos lapsos do Hélior dirigindo apressado e depois disso mais nada, acordei molhada no pátio da escola destruído, Alicia disse que o prédio desabou, assim do nada... Mas o carro do Hélior foi encontrado no fundo do rio, e o Hélior não estava nele, ele estava na ponte, mas quem o tirou de lá? E como eu fui parar na escola?

Caled abriu e fechou a boca.

- Acho que eu não posso responder isso, eu não estava lá.

- Estranho, por que enquanto a Alicia dormia ela falou o seu nome várias vezes, frases como "Caled salve o Hélior"... Por que ela pediria para você salvá-lo e que poder você teria para salvá-lo?

- Alicia estava confusa, ficou dias em coma, não falou coisa com coisa, tenho certeza que algum médico te explicaria isso melhor.

- Você e Alicia sempre tem boas respostas, e eu sempre acreditei nelas, porém agora isso é tão confuso e parece tão errado.

- Não precisa confiar em mim, mas confie em Alicia, ela nunca mentiria para você Sophia, ela ama você.

- Será? Será mesmo que ela não mentiria? Ela sempre foi tão verdadeira, e por isso eu pensava que ela era maluca no começo, por que as coisas que ela falava não faziam nenhum sentido, mas agora eu percebo algo, percebo que no inicio quando ela era maluca as coisas tinham certa magia e depois que você se envolveu com ela, essa magia sumiu e ficaram só mentiras, a Alicia que eu conheci não mentiria para mim, mas essa Alicia de hoje, eu não sei quem é.

Sophia passou por ele e entrou no carro, assim que ela saiu Billy apareceu na porta.

- Sophia falou com você?

- Sim, falamos um pouco.

- Espero que ela não tenha sido rude, não tem sido fácil para ela.

- Tudo bem senhor Bill, eu conheço Sophia há muito tempo, sei que é uma boa menina.

Billy sorriu, porém parecia triste e preocupado com a filha, fez um sinal para Caled entrar, Caled o seguiu, mas antes tirou o celular do bolso e escreveu para Alicia.

Eu estava deitada na cama quando recebi a mensagem.

- "Sophia está muito chateada, me fez muitas perguntas, acho que está indo para ai, pense bem antes de responder algo, não esqueça, eles estão de olho".

Fechei os olhos nervosa, se ela me confrontasse o que eu diria para ela? Como eu poderia mentir olhando nos olhos dela?

Não deu nem vinte minutos eu ouvi o ronco do carro dela encostar em frente a casa de Helena, desci as escadas apressada.

- O que Sophia quer a essa hora?

- Não sei, Mas acho que ela quer conversar, vamos sair para dar uma volta.

Assim que eu sai porta a fora ela me olhou sabendo que eu já sabia, sabendo que Caled já tinha me avisado e isso pareceu incomodá-la.

- Então ele já te alertou, eu deveria saber.

- Sophia, ele não tinha certeza se você viria para cá ou não, mas sim ele me avisou.

- E então? O que foi que combinaram dessa vez? Vão dizer o que para a Sophia?

- Não combinamos nada, na verdade isso já foi longe demais a muito tempo, eu nunca quis mentir para você Sophia.

- Mas mentiu, não é?

- Sim.

- Quantas vezes?

- Algumas.

- E por quê?

- Sophi... É complicado, tem coisas que fogem de mim, coisas que não tenho permissão para falar, por que não se trata só de mim.

- E se trata de quem?

- Isso eu também não posso falar, por que se eu falar, estarei entregando outra pessoa.

Ela andou em círculos irritada.

- Então não pode me dizer por que está mentindo para mim e nem sobre o que está mentindo para mim, mas quer que eu aceite numa boa por que somos amigas?

- Eu sei que é pedir demais, eu sei que é muito difícil para você aceitar isso, mas é a verdade.

- Ah, agora é a verdade? E sobre a morte de Hélior o que você tem a dizer sobre isso?

Mordisquei o lábio sem saber o que responder.

- Por favor, Sophia, apenas tente ignorar tudo isso e vamos seguir de onde paramos.

- Eu amava ele Alicia! Eu o amava! Ele foi o meu primeiro e você sabe disso! Você sempre me apoiou, e agora vem me pedir apenas para esquecer? Como você quer que eu esqueça? Como Alicia?

Helena acabou saindo para fora.

- Meninas o que está acontecendo aqui?

- Tia ta tudo bem, a Sophi só está um pouco irritada.

- Irritada? Só um pouco irritada? Vai mentir para a Helena também Alicia? Vai mesmo mentir para ela também? Quantas outras vezes você mentiu?

- Do que está falando Sophia? – Minha tia quis saber. – De que mentira estão falando? Alicia o que está acontecendo aqui?

Eu fechei os meus olhos com força.

- Já chega Sophia! Está completamente louca! Eu compreendo que esteja triste por ter perdido o Hélior eu também estou, ele era meu amigo, mas eu não surtei não a ponto de ficar criando teorias da conspiração!

- Teorias da conspiração?

- Sim, é o que você está fazendo, criando ideias mirabolantes em sua cabeça para justificar a morte dele, mas ouça, não importa! Ele morreu, ok? Morreu e não vai voltar, você explicando a morte dele ou não!

Eu tinha sido uma idiota, meu Deus eu tinha sido uma pessoa horrível, vi o rosto de Sophia mudar de raivoso para triste, ela abaixou a cabeça e circulou o carro, abriu a porta em silêncio e entrou, ficou alguns segundos dentro do carro e então partiu, eu tinha terminado de destruí-la com minhas palavras e se ela fosse inteligente se afastaria de mim para sempre e nunca mais me perdoaria.

Helena me olhou sem palavras.

- O que foi isso? O que ela queria afinal e por que falou assim com ela? Meu Deus Alicia, vocês eram como irmãs! O que está acontecendo com você? Tem ideia do que disse a ela?

- O que ela precisava ouvir! – Eu disse seca. – Estava me destruindo por dentro, mas eu precisava ir até o fim para poder ganhar um pouco de espaço. – Sophia está assim desde que o Hélior morreu, mas ela precisa acordar para a vida, ela precisa seguir em frente!

- Eu sei Alicia e é o que eu mais quero que aconteça, mas você foi cruel, você a machucou!

- Às vezes é necessário machucar as pessoas para curá-las.

Eu disse mais uma vez fria, e entrei subindo as escadas e me trancando no quarto, assim que me vi sozinha eu desmoronei, nunca chorei tanto em toda minha vida, eu não queria ter dito às coisas que disse eu não queria ter machucado ela, eu não queria Deus sabia disso, mas como eu poderia contar toda a verdade? Como explicar tudo sem poder falar nada?

Caled apareceu na minha varanda e eu corri até ele, ele me abraçou com força e me levantou no colo me levando de volta para a cama.

- Vai ficar tudo bem, apenas chore o que for necessário, sei que um dia ela vai compreender.

- Ela nunca vai me perdoar, ela vai me odiar para sempre.

- De um tempo há ela, vocês duas precisam de um tempo agora.

Capítulo 3 3º capítulo

Sophia não foi para a escola no dia seguinte, e nem no próximo, eu fiquei esperando por ela no portão, queria pedir desculpas, mas ela não apareceu, pedi para Helena sobre ela e ela disse que Sophia tinha decidido fazer uma viagem, que ela precisava respirar outros ares, tentei aceitar isso bem, talvez fosse melhor mesmo deixar ela processar tudo, esfriar a cabeça e talvez voltar a ser a Sophia de antes, mas eu tinha certeza, certeza absoluta de que isso não aconteceria, Sophia não voltaria a ser a doce Sophia de antes.

Alguns dias se passaram e Sophia ainda não tinha voltado da sua viagem, eu realmente já estava começando a me sentir muito mal com isso, Caled continuava a vir me buscar todos os dias e passava a maioria das tardes comigo, para a preocupação de Helena que não gostava muito disso, e eu não podia culpa-la, afinal sabia o quanto ela tinha sofrido com tudo o que tinha acontecido, no fundo ela só estava preocupada comigo, estava fazendo o papel de mãe, mãe que eu nunca tive.

Depois de duas semanas fiquei sabendo que Sophia estava de volta, me animei, fui para a escola entusiasmada, eu daria um jeito de falar com ela, de me desculpar, eu tinha tudo na ponta da língua, literalmente tinha ensaiado em frente ao espelho, eu não queria perder nossa amizade, ela era mais que uma amiga para mim, era a irmã que eu não tinha, eu precisava dela do meu lado, mas Sophia não foi à escola.

No dia seguinte, também não e no terceiro mais uma vez não.

Era sexta feira e eu já estava saindo da escola quando vi o carro do motorista de Sophia passando, olhei para o lado e vi Caled parado me esperando, ele sabia que eu tinha visto, caminhei até ele.

- Era o motorista dos Bill... Sophia estava no banco de trás!

Caled olhou para baixo.

- Ele foi busca-la na escola como sempre.

Pisquei várias vezes tentando compreender, só então entendi, Sophia também tinha trocado de escola, ela não queria mais estudar comigo, mordi o lábio inferior me sentindo enganada.

- Esse tempo todo, me ouvindo falar dela e você não me contou?

- Desculpa Alicia, pensei que fosse melhor se deixasse isso para trás.

- Ela é minha amiga! Minha irmã! Eu me quebrei em mil pedaços por vocês, para esconder coisas que nem eu tenho certeza se são certas ou não!

- Alicia, acalme-se...

- Por quê? Porque eles ainda estão de olho? Eu quero que eles se explodam! Eu perdi a Sophia para sempre por causa dessas mentiras...

- Ali... Eu sinto muito...

Eu podia ver nos olhos dele que ele estava arrependido por não ter me contado a verdade, me afastei mesmo assim.

- Eu preciso de um tempo, eu preciso respirar, eu preciso ir para casa...

- Eu levo você.

- Não Caled, eu vou pegar um táxi, te vejo amanhã.

Eu me afastei dele e segui sozinha até o ponto de táxi, eu amava Caled amava muito, mais que minha própria vida, tinha mentido por ele, tinha me transformado em outra pessoa por ele, mas não aceitaria que ele mentisse para mim, ele sabia o quando Sophia era importante para mim, ele sabia que Sophia era como uma irmã, e eu não a perderia assim tão facilmente.

Durante a tarde Helena ficou na casa dos Bill me disse que tinha umas contas para fechar e que acabaria se atrasando para o jantar, olhei pela janela e vi o tempo nublar e pesar, respirei fundo, sentia falta de ter alguém com quem conversar, talvez eu devesse ligar para Caled e pedir para ele vir me ver, eu não conseguia ficar longe dele por muito tempo, ele era a cocaína que meu corpo viciado precisava.

Vi os arbustos se mexerem do lado de fora e algo sair deles, estranhei assim que percebi que era um gatinho, um lindo gato preto de pelo brilhante, ele olhou para casa como se soubesse que eu estava ali e miou, quem teria jogado um gatinho ali? Aquilo era uma floresta, um gato indefeso como aquele não sobreviveria ali, decidi sair e pegá-lo, iria alimentá-lo e depois veria com Helena o que fazer, mas assim que eu saí ele pareceu se assustar de mim e acabou correndo para dentro da trilha, tentei segui-lo, mas ele correu ainda mais rápido.

- Ora, vamos gatinho... Seja menos arrisco, só quero te ajudar...

Ele parou e me olhou como se me entendesse, apressei o passo agora eu o pegaria, porém quando estava quase chegando até ele, mais uma vez ele correu, parecia mesmo que ele queria que eu o seguisse, nesse instante eu parei, como assim ele queria que eu o seguisse? Isso estava estranho demais, talvez eu devesse voltar para casa, porém quando eu já estava dando as costas para ele eu o vi subir no beiral da ponte, olhar para mim e mais uma vez miar, voltei a olhar assustada, ele acabaria caindo ali, meu Deus eu precisava tirar aquele animalzinho dali, tentei andar rápido, mas sem fazer movimentos bruscos para não assustá-lo, tinha medo que ele acabasse caindo, eu o estava quase alcançando, mais uns vinte centímetros e poderia segurá-lo, mas então seus olhos me olharam como se desse risada de mim e então ele saltou para dentro do vapor que subia da cachoeira caindo no cânion.

Pulei tentando agarrá-lo, mas não consegui mais vê-lo, permaneci um tempo olhando para o nada, até que ouvi uma voz atrás de mim.

- Animais tristes e insignificantes os gatos, quase tão tolos quanto os humanos...

Olhei para trás e encontrei os olhos de um senhor de meia idade, ele estava muito bem vestido, com ser terno preto alinhado, os cabelos penteados para trás e um rosto belo demais para ser normal, e não era, seus olhos como os de um gato eram tão amarelados quanto os de Caled, aliás, tinha muitas outras semelhanças com Caled ali, senti um arrepio percorrer minha espinha.

- Quem é você?

Ele riu como se eu tivesse feito uma piada.

- Realmente, nada diferente do esperado, os humanos são realmente criaturas ingênuas, perguntam "quem é você"? Esperando ouvir a verdade, como se o assassino fosse revelar sua verdadeira face assim tão facilmente, "olá, sou seu assassino e vou te matar"...

Tremi, esse homem não era meu amigo.

Ele se aproximou de mim como se quisesse tocar em meu rosto, mas seus dedos pareceram sentir dor antes mesmo de se aproximarem, então afastou a mão, mas manteve o olhar frio.

- Interessante, é uma garota realmente interessante, não me impressiona que ele tenha caído de amores por você...

Dei um passo para trás pensando em correr para longe dali, mas nesse instante ouvi a voz do meu salvador que tinha chegado a tempo.

- Papai, afaste-se dela.

Como fumaça Caled se pôs entre nós, eu tentava me concentrar em meus poderes para se caso fosse necessário ajudar Caled a lutar, porém meu coração estava disparado e a única coisa que minha mente focava era naquela frase "papai, afaste-se dela"... "Papai"... Era assim que ele o tinha chamado, então, esse era o pai de Caled? Esse era Asmodeus?

- Filho, eu gostaria de abraça-lo, mas tem algo em você que me irrita, esse cheiro, seu corpo está diferente, eles mudaram você.

- Eles me salvaram!

- Não eles mudaram você, transformaram você em outra coisa, eles nem ao menos deixam você usar todo o seu poder, quanto é que eles te ofereceram? 30... Talvez 40%? Eu nunca limitei você, eu sempre o deixei livre para ser quem era e olha só o que aconteceu... Tudo por causa dessa garotinha aspirante a anjo!

- Eles não teriam precisado me modifica se você tivesse conseguido segurar o Ágares!

- Cale-se! Ágares foi um fiel seguidor! Ele tentou me alertar sobre você, mas eu não acreditei, eu achei que você estava agindo dessa forma por que tinha um plano maior para nós e veja só o meu erro, os planos não eram seus, eram deles!

- O que você quer afinal pai?

Asmodeus sorriu de canto e se afastou um pouco.

- Nada além do que me deve ser dado por direito, eles roubaram o meu ceifador, agora vou pegar um dos deles para mim, mande o aviso para os seus, estamos de lados opostos agora filho, e eu não vou parar até ter o que eu desejo.

Segundos depois ele desapareceu diante dos nossos olhos como em um a nuvem de fumaça, um frio percorreu todo meu corpo e eu o abracei com força.

- O que foi isso? Ele não estava morto ou preso, ou algo assim? Miguel não o tinha lacrado?

- Lacrou, mas ele se libertou há algum tempo.

- Como?

- Asmodeus se alimenta de maldades, de pessoas rancorosas, invejosas, pessoas capazes de tudo para alcançar objetivos, ganancia, luxúria, ira, isso é o que o fez estar de volta.

- Então os maus estão vencendo? É isso que está dizendo?

- Sabe aquilo que ele me chamou?

- Sim... Ceifador, o que significa?

- Quando alguém se torna muito mau, quando alguém passa de todos os limites, um ceifador é enviado, eu era um ceifador, por que podia ler as mentes mais sujas e me infiltrar nos lugares mais impuros, eu ajudei a libertá-lo Alicia, levando pessoas que estavam no fundo do poço até ele.

Eu mordi o lábio, Caled tinha cometido muito mais erros que eu poderia imaginar, tantos anos vagando pela terra daquela forma, não tinha como imaginar tudo que ele já tinha feito.

Caled me acompanhou em silêncio até em casa e paramos em frente à casa de Helena.

- Por que estava lá Alicia?

- Ele me atraiu com um gato, não pensei que fosse uma armadilha, até chegar até a ponte.

- Um gato? Foi fácil assim? Não sabia que gostava tanto de gatos.

- Desculpa.

Ele suspirou.

- Desculpe a mim, estou um pouco irritado com tudo isso e descontando na pessoa errada obviamente.

- Aquilo que ele falou na ponte, sobre seus poderes, é verdade?

Caled olhou para baixo com as mãos nos bolsos.

- Eles ainda não confiam totalmente em mim, é normal me limitarem.

- E acha que um dia confiarão?

- Não sei, mas estou tentando me mostrar disposto e merecedor.

Eu fiz um carinho em seu rosto.

- Senti tanta sua falta hoje.

Ele me abraçou com força.

- Por favor, não diga mais que quer um tempo, quase me destruiu antes.

- Eu estava com raiva, desculpa.

Ele me beijou longamente, um vento forte nos acertou nos fazendo nos afastar, Caled olhou para as árvores que sacudiram com o vento e para a claridade que veio do meio delas.

- Preciso ir.

- Como assim?

- Estão me chamando.

- Não estou ouvindo nada.

Ele sorriu.

- Nem todos ouvem.

Eu o vi se afastar e entrar em meio à floresta e fiquei parada o observando desaparecer, como assim "nem todos ouvem" eu era um deles não era? Eu deveria ouvi-los melhor do que o próprio Caled que não era totalmente aceito.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022