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Alma Congelada: A Vingança Dela

Alma Congelada: A Vingança Dela

Autor:: Qian Mo Mo
Gênero: Moderno
Como punição por uma cena de ciúmes que eu não fiz, meu marido, Rodolfo, me trancou no cofre abandonado da mansão. Ele disse que eu era "dramática demais" e precisava de um "tempo para pensar". Mas o sistema de climatização, que ele jurava estar quebrado há anos, foi ativado secretamente. O ar gelado jorrou, e eu morri congelada, batendo na porta de aço até minhas unhas quebrarem. Meu espírito flutuou para fora e o encontrou na sala, rindo com sua "melhor amiga", Maísa, a verdadeira culpada por tudo. "Ela vai aprender a lição, meu amor", ela sussurrou, antes que ele a levasse para o nosso quarto, para a nossa cama, sem sequer olhar para trás. O homem que me prometeu um império me deixou morrer por uma mentira, cego pela manipulação da mulher que o cobiçava há anos. Eu era apenas um estorvo a ser descartado. Mas a morte não foi o fim. Presa como um fantasma, fui condenada a assistir à sua felicidade construída sobre meu túmulo, esperando o momento em que a verdade viria à tona para esmagá-lo. E eu faria com que ele pagasse.

Capítulo 1

Como punição por uma cena de ciúmes que eu não fiz, meu marido, Rodolfo, me trancou no cofre abandonado da mansão. Ele disse que eu era "dramática demais" e precisava de um "tempo para pensar".

Mas o sistema de climatização, que ele jurava estar quebrado há anos, foi ativado secretamente. O ar gelado jorrou, e eu morri congelada, batendo na porta de aço até minhas unhas quebrarem.

Meu espírito flutuou para fora e o encontrou na sala, rindo com sua "melhor amiga", Maísa, a verdadeira culpada por tudo.

"Ela vai aprender a lição, meu amor", ela sussurrou, antes que ele a levasse para o nosso quarto, para a nossa cama, sem sequer olhar para trás.

O homem que me prometeu um império me deixou morrer por uma mentira, cego pela manipulação da mulher que o cobiçava há anos. Eu era apenas um estorvo a ser descartado.

Mas a morte não foi o fim. Presa como um fantasma, fui condenada a assistir à sua felicidade construída sobre meu túmulo, esperando o momento em que a verdade viria à tona para esmagá-lo. E eu faria com que ele pagasse.

Capítulo 1

Liliana POV:

A primeira coisa que senti foi o frio. Não o frio suave de uma manhã de inverno, mas um frio cortante, que se infiltrava nos ossos, como se o próprio ar estivesse congelado. Abri os olhos, mas não vi nada além de escuridão. O cheiro de mofo e metal velho me sufocou. Eu estava no cofre. O cofre abandonado da mansão Lobo. Rodolfo havia me trancado aqui de novo.

"Rodolfo, me tira daqui!" minha voz ecoou, fina e desesperada, na vastidão escura.

Ele não respondeu. Nunca respondia.

Senti as paredes geladas e úmidas. Eu já devia saber. Devia ter previsto. Aquele cofre, um mausoléu de segredos antigos da família Lobo, era o lugar perfeito para uma "lição". Rodolfo adorava suas lições.

Ele sempre dizia que eu era "muito emotiva", "dramática demais". Maísa, é claro, sempre estava lá para concordar, com os olhos de cordeiro e a voz suave que enganava a todos. Menos a mim.

"Liliana, por favor, pare de fazer uma cena," a voz de Rodolfo ainda ecoava em minha mente. Era a voz que ele usou na festa, depois que Maísa "desmaiou" no depósito.

Um depósito que Maísa mesma abriu. Um desmaio que ela encenou.

"Ela está se sentindo mal de novo, Rodolfo," a voz chorosa de Maísa. "Acho que a Liliana não gosta muito de mim."

Como se eu fosse a vilã. Como se eu fizesse questão de trancá-la em qualquer lugar.

Rodolfo me olhou com desgosto. Aqueles olhos, que um dia me prometeram um império e um amor eterno, agora me viam como um estorvo.

"Você passou dos limites, Liliana," ele disse, as palavras pingando de decepção. "Maísa é minha amiga de infância. Minha família a ama."

"Eu não fiz nada, Rodolfo," tentei argumentar, mas ele já não me ouvia.

Ele nunca me ouvia quando se tratava de Maísa.

Maísa se aproximou dele, com as mãos delicadas roçando seu braço. Sua cabeça pendeu sobre o ombro dele, um gesto de fragilidade calculada.

"Não se preocupe, Rodolfo," ela murmurou, alto o suficiente para eu ouvir. "Ela só precisa de um tempo para pensar."

Um tempo para pensar. No cofre.

Rodolfo me empurrou para dentro. A porta de aço pesado se fechou com um estrondo ensurdecedor, selando meu destino.

"Quando você estiver pronta para pedir desculpas à Maísa, me avise," ele disse, a voz abafada pela porta. "E para se comportar como uma esposa deve se comportar."

Eu bati na porta, em pânico. "Rodolfo, por favor! Está muito frio aqui! Eu não fiz nada!"

Mas ele já estava longe.

Eu sabia que Maísa estava lá, observando. Seus olhos, que pareciam tão inocentes, brilhavam com uma malícia que só eu conseguia ver.

"Ela sempre foi tão invejosa," Maísa deve ter dito a Rodolfo, enquanto ele se afastava. "Desde que você se casou, ela ficou assim. Acho que se sente ameaçada."

Ameaçada. Ameaçada por uma mulher que se arrastava aos pés dele por décadas. Que obsessão doentia era aquela?

O silêncio do cofre era opressor. Comecei a tremer. As paredes pareciam se fechar em torno de mim.

O ar estava ficando rarefeito. Eu sabia que aquele cofre era desativado. Mas algo estava errado.

De repente, um zumbido baixo começou, vindo de algum lugar nas profundezas da sala. Um som mecânico, velho e enferrujado. O sistema de climatização. Aquele que Rodolfo disse que estava quebrado há anos.

"Não," sussurrei, o pânico apertando minha garganta.

O ar gelado começou a circular, mais forte, mais denso. O frio se tornou insuportável. Eu bati na porta de novo, as mãos já dormentes.

"Socorro! Está funcionando! Está congelando aqui!"

Nenhuma resposta.

Eu sabia que havia guardas lá fora. Rodolfo sempre tinha seus homens para garantir que suas "lições" fossem cumpridas.

"Por favor! Guardas! Me tirem daqui!"

Uma voz, abafada, respondeu: "Sinto muito, senhora. Ordens do patrão. Ninguém pode entrar ou sair até a ordem dele."

"Mas eu vou congelar! O ar condicionado está ligado!"

Silêncio. Eles não me acreditavam. Ou não se importavam.

O frio era excruciante. Meus lábios ficaram azuis. Meus dedos doíam tanto que pareciam queimar.

Eu me encolhi no canto, tentando me aquecer, mas era inútil. As paredes estavam geladas, o chão de concreto, um espelho para a morte. Minhas respirações se tornaram rasas, dolorosas.

Eu tentei me levantar, me mover, mas meu corpo estava pesado, lento. Meus músculos estavam rígidos.

Meus olhos se fecharam. Eu não conseguia respirar. A escuridão me engoliu, e o frio me abraçou, um abraço final e mortal.

E então, não havia mais frio. Não havia mais dor.

Abri os olhos. Eu estava flutuando. Acima do meu corpo.

Sim. Meu corpo. Congelado, encolhido no canto daquele cofre imenso. Meus olhos estavam abertos, fixos no nada, uma expressão de terror gravada em meu rosto. Minhas unhas estavam quebradas, cravadas nas paredes de aço, como se eu tivesse tentado desesperadamente arrancar uma saída daquele inferno gelado.

Eu estava morta.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios, mas não havia som. Eu era um espírito. Uma sombra.

E então, uma força invisível me puxou. Para fora do cofre. Para fora da mansão. Para a sala de estar.

Lá estava Rodolfo. E Maísa.

Ele estava rindo. Uma risada leve, despreocupada. Maísa, aninhada em seus braços, sorria. Uma vitória silenciosa.

"Ela vai aprender a lição, meu amor," Maísa murmurou, beijando o pescoço dele.

Meu amor. A voz dela me atingiu como um raio. Era uma voz que agora parecia um veneno, cada sílaba carregada de uma doçura forjada que só agora, na morte, eu conseguia ver claramente. Todo aquele tempo que Rodolfo me acusava de ciúmes, de paranoia, Maísa estava ali, tecendo sua teia. E eu, como uma tola, só queria o amor dele.

Ele a abraçou mais forte, os olhos fechados, como se Maísa fosse a única coisa real em seu mundo. Eu era apenas uma sombra, uma irritação, um problema a ser resolvido em um cofre frio. O homem que eu amava, que eu me prostei para amar, me deixou morrer. E ele nem sabia. Ou se importava.

A visão deles juntos, a proximidade, a intimidade, era um punhal em meu coração já morto. Mas não havia mais coração para doer. Apenas um vazio, um eco de uma vida que ele destruiu.

"A janela está aberta, Rodolfo," Maísa disse, estremecendo falsamente. "Está um pouco frio, não acha?"

Ele riu, fechando-a com um gesto. "Não se preocupe, meu amor. Eu estou aqui para te aquecer."

E a levou para cima, para o quarto principal. O meu quarto.

Eu flutuei atrás deles, um espectador indesejável em minha própria tragédia. A dor era diferente agora. Não era física, mas uma dor da alma. Uma dor de ver a verdade nua, horrível, de sua indiferença.

Ele nunca me amou. Não de verdade. Eu era apenas mais uma posse, uma arquiteta talentosa que ele podia exibir, mas nunca realmente ver.

E Maísa... Maísa era a sombra que ele escolheu para iluminar sua escuridão. E para apagar a minha luz para sempre.

Ele nem sequer olhou para trás. Nem uma única vez.

"Tarde demais, Rodolfo," eu sussurrei para o vazio. "Sempre tarde demais."

Naquele momento, eu soube. Meu tormento começaria agora. Não o tormento do frio, mas o tormento de observar. E esperar. Esperar que ele pagasse.

Capítulo 2

Liliana POV:

Não havia sono para mim. Apenas a observação gélida. Eu os segui até o quarto principal, o quarto que Rodolfo e eu compartilhávamos. Minha alma pairava perto do teto, observando a cena desenrolar-se. A cama king-size, coberta com edredons de seda que eu escolhera, agora abrigava Maísa. Ela parecia tão pequena e frágil ali, quase uma criança.

Rodolfo sentou-se na beira da cama, acariciando o cabelo dela. O mesmo gesto que, há tanto tempo, ele usava para me acalmar. Mas para mim, sempre com uma ponta de impaciência. Para Maísa, era pura devoção.

"Está com frio, meu amor?" ele perguntou, a voz suave, preocupada.

"Um pouco," ela murmurou, os olhos marejados se abrindo lentamente. "O vento... o vento me assusta. Me lembra de quando eu era pequena e a tempestade abria a janela do meu quarto."

Ah, o velho truque do vento. Maísa sabia exatamente como apertar os botões de Rodolfo. Uma tempestade? Não havia tempestade. Apenas uma brisa suave que entrava pela janela que Rodolfo havia fechado.

Ele a puxou para perto, abraçando-a com força. Seus braços, que nunca me apertaram com tanta desespero, a envolveram como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo.

"Está tudo bem, Maísa. Eu estou aqui. Não vou deixar nada te acontecer," ele prometeu, beijando-lhe a testa.

Eu me senti como uma intrusa em meu próprio lar, em minha própria vida. Meu fantasma, observando a farsa se desdobrar. Eu queria gritar, queria correr, mas não havia para onde ir. Uma força invisível me prendia ali, àquela cena de falsa intimidade e traição.

Lembrei-me das minhas próprias noites de medo. Uma vez, houve uma forte tempestade. Os trovões faziam a mansão tremer. Eu tinha medo de raios desde criança. Rodolfo estava no escritório, trabalhando. Fui até ele, tremendo, pedindo para ele ficar comigo.

"Liliana, por favor, não seja infantil," ele disse, sem sequer levantar os olhos dos papéis. "É só uma tempestade. Você é uma mulher adulta, uma arquiteta. Não pode ter medo de um pouco de vento."

Ele me mandou de volta para o quarto, sozinha. Eu me encolhi debaixo das cobertas, chorando em silêncio, tentando me convencer de que tudo ficaria bem. Eu sempre tive que me consolar sozinha.

Mas Maísa... para Maísa, ele era o porto seguro.

Um desejo ardente de escapar tomou conta de mim. Eu não queria ver mais. Não queria sentir mais aquela dor fria de realidade. Mas a força invisível me mantinha presa. Eu estava condenada a testemunhar a consequência de minha própria morte.

Rodolfo esperou até Maísa adormecer, com um sorriso satisfeito nos lábios. Ele a deitou com cuidado e saiu do quarto, fechando a porta suavemente.

Maísa abriu os olhos no segundo em que ele saiu. Um sorriso malicioso se espalhou por seu rosto.

"Tão fácil," ela sussurrou para o quarto vazio. "Ele é tão previsível. Sempre foi. E ela? Tão tola em pensar que tinha uma chance. Apenas mais uma pedra no meu caminho."

Minha alma gelou. Não de frio, mas de horror. Ela não era apenas manipuladora. Ela era cruel. Ela era pura maldade.

A força me moveu novamente. Desta vez, para o escritório de Rodolfo. Ele estava sentado à sua enorme mesa de mogno, a luz fraca de um abajur iluminando seu rosto pensativo. Em suas mãos, ele segurava um pequeno objeto.

Um pássaro de madeira.

O pássaro que eu havia esculpido para ele há anos, quando nos conhecemos. O pássaro que ele disse que havia perdido.

Ele o alisava com o polegar, perdido em pensamentos.

"Tão teimosa, Liliana," ele murmurou, a voz baixa. "Tão infantil. Por que você não podia simplesmente ceder? Pedir desculpas?"

Eu queria gritar. Queria dizer a ele que nunca fui teimosa, apenas não mentia. Que nunca fui infantil, apenas não jogava os jogos sujos dela.

Ele nunca me deu a chance de explicar. Nunca procurou a verdade. Ele sempre acreditou na versão da história que Maísa contava, convenientemente moldada para me pintar como a vilã ciumenta e irracional. Como ele podia ser tão cego?

Rodolfo Lobo, o CEO carismático que controlava um império de construção, que tomava decisões de bilhões de dólares com uma mente afiada e implacável, era um tolo cego quando se tratava de suas próprias emoções. Ele era um gigante no mundo dos negócios e um pigmeu na compreensão humana. Sua arrogância era sua ruína. E a minha.

A porta do escritório se abriu. Jaime Portela, seu assistente executivo, entrou, parecendo mais pálido do que o normal.

"Senhor Lobo," Jaime disse, a voz hesitante. "Os guardas relataram que a Senhora Moreno não fez nenhum movimento há horas no cofre. Não responde às chamadas. Eles estão preocupados."

Rodolfo levantou os olhos, irritado. "Ela está se fazendo de difícil. Apenas mais um de seus truques para chamar a atenção. Ela vai ceder quando sentir fome ou frio o suficiente."

"Mas senhor, o sistema de climatização... os guardas disseram que ouviram um barulho. E a temperatura está caindo rapidamente lá dentro," Jaime insistiu, seus olhos fixos nos de Rodolfo.

Um arrepio percorreu minha alma. Jaime. Ele estava preocupado. Ele era um dos poucos que realmente se importava.

Rodolfo suspirou, esfregando as têmporas. "Eu já disse. Deixe-a lá. Ela vai aprender. E quando ela pedir desculpas à Maísa, e a mim, então eu a libero."

Ele bateu com o punho na mesa, fazendo o pássaro de madeira saltar levemente. "Ela tem que entender que eu sou o cabeça desta casa! Minha palavra é lei! Ela não pode me desafiar, não pode desrespeitar Maísa, que é como uma irmã para mim!"

Jaime abaixou a cabeça, derrotado. "Sim, senhor."

Mas quando ele se virou para sair, Maísa estava parada na porta. Seus olhos, antes cheios de falsa inocência, agora carregavam uma sombra de triunfo.

"Rodolfo, meu amor, não perca seu sono por causa dela," Maísa disse, sua voz melíflua. "Ela vai ficar bem. Não é a primeira vez que ela faz um drama. Ela só quer que você se preocupe."

Rodolfo olhou para ela, o rosto suavizando. "Você tem razão, Maísa. Eu não deveria me estressar com isso."

Ele se levantou, caminhou até ela e a abraçou. Ela sorriu vitoriosamente por cima do ombro dele, diretamente para Jaime, que a olhou com uma expressão ilegível.

"Venha, meu amor," Maísa disse, puxando Rodolfo. "Vamos descansar. Você precisa de paz."

Rodolfo assentiu, deixando o pássaro de madeira sobre a mesa. Ele nem sequer olhou para trás. Enquanto eles se afastavam, a força invisível me puxou para longe novamente, para um lugar vazio, onde eu podia apenas observar a escuridão que se tornara minha vida.

Ele me abandonou novamente. E desta vez, foi para sempre.

Capítulo 3

Liliana POV:

A noite se arrastou, uma eternidade de observação silenciosa. Eu estava condenada a flutuar, um fantasma em minha própria casa, testemunhando a felicidade artificial construída sobre minha sepultura gelada.

"Rodolfo, você não acha que já é o suficiente?"

A voz de Maísa me tirou do torpor. Ela estava sentada na cama, no quarto principal, olhando para Rodolfo com uma falsa preocupação. O sol já havia nascido, lançando raios dourados pelo quarto.

Ele estava se vestindo, o rosto marcado pela insônia, mas ainda exalando a aura de poder que sempre o definira.

"Suficiente para quê, Maísa?" ele respondeu, a voz arrastada.

"Para a Liliana. Ela já deve ter aprendido a lição, não acha? Ela é orgulhosa, mas não é má."

A bile subiu em minha garganta fantasma. Orgulhosa, sim. Mas não má. E ela, a encarnação da maldade, estava ali, jogando o papel da pacificadora.

"Ela não é má, Maísa. Ela é teimosa. É a única maneira de ela entender que não pode me desafiar. Não pode desrespeitar você."

Maísa suspirou, um som melodramático. "Eu só não quero que você se arrependa, Rodolfo. E se algo acontecer a ela lá dentro? O ar condicionado..."

O ar condicionado! Ela estava jogando com ele. Semeando a dúvida, mas de uma forma que o faria pensar que a ideia era dele.

"Não seja boba, Maísa," Rodolfo disse, mas uma pontada de incerteza atravessou sua voz. "Aquele sistema está quebrado há anos. É impossível que esteja funcionando." Ele se virou, parecendo mais ansioso do que antes. "Mas... talvez seja bom levarmos um médico. Apenas para me certificar de que ela está bem. Para evitar que ela faça mais drama."

Aha. Eu sabia. Ele não estava preocupado comigo. Estava preocupado com a "cena" que eu faria quando saísse. Preocupado em manter sua imagem de protetor, mesmo quando o lobo era ele mesmo.

Minha alma riu, um som sem alegria. Tão previsível. Tão egoísta. Ele queria um médico para ter controle sobre a situação, para me fazer parecer uma histérica que precisava de "ajuda" depois de sua "punição".

Eu me perguntei. Como ele reagiria quando encontrasse meu corpo? O choque, a negação, a culpa. Queria ver isso. Queria vê-lo quebrar. Não por vingança, mas por justiça poética. Ele tinha que sentir a dor que me causou.

"Ela só quer chamar a atenção, Rodolfo," Maísa disse, interrompendo meus pensamentos sombrios. Ela o puxou para perto, os olhos marejados. "Você sabe como ela é. Sempre me odiou, desde que éramos crianças. Ela sempre foi ciumenta de mim, da nossa amizade."

Rodolfo beijou a testa dela. "Eu sei, meu amor. Eu sei. Mas não se preocupe com ela. Ela vai aprender a me valorizar. A valorizar o que tem."

Valorizar o que eu tinha? Eu tinha um marido cego, uma rival dissimulada e uma vida que se desintegrava. Eu não tinha nada para valorizar.

Lembrei-me de como eu tentava explicar a Rodolfo que Maísa não era quem ele pensava. Eu o avisava, sutilmente a princípio, depois mais diretamente. Mas ele nunca ouvia. Ele via Maísa como a vítima eterna, a pobre amiga de infância que eu, a "forasteira", estava tentando afastar.

Eu nunca competi com Maísa pelo amor dele. Eu competi com a ideia dele de Maísa. E com a versão que ela construiu de mim em sua mente. Eu estava exausta. Exausta de lutar por um amor que não era reciproco, por uma verdade que ele se recusava a ver.

Mesmo antes de ser trancada no cofre, eu já estava planejando minha saída. Eu estava juntando meus documentos, contatando um advogado. Eu queria o divórcio. Eu queria minha liberdade. Mas ele me roubou até isso.

Rodolfo voltou para o escritório, seus pensamentos visivelmente atormentados. Ele parou diante da janela, olhando para o vasto jardim, mas sem realmente ver. Ele pegou o telefone.

"Jaime," ele disse, a voz tensa. "Alguma notícia da Liliana? Ela está se comunicando?"

"Não, senhor," Jaime respondeu, a voz distante. "Os guardas disseram que está tudo em silêncio por lá. Nenhuma resposta."

Rodolfo respirou fundo. "Tudo bem. Eu estou indo até lá. Diga aos guardas para abrirem o cofre. E prepare um médico para ir conosco. Preciso ter certeza de que ela está bem."

Um nó de esperança, tão ridículo quanto inútil, se formou em minha alma. Um lampejo de humanidade? Um vislumbre de preocupação?

Maísa surgiu no corredor, seus olhos brilhando com uma satisfação disfarçada. Ela sabia que ele iria. Ela sabia o que ele encontraria.

Rodolfo desligou o telefone. "Eu vou até lá, Maísa. Não se preocupe. Talvez ela esteja apenas... dormindo."

Ele se virou para sair. Maísa hesitou por um momento, então soltou um gemido.

"Ai, Rodolfo... minha cabeça... de repente me sinto tonta."

Ela cambaleou, as mãos no peito, os olhos revirando. Rodolfo correu até ela, a expressão ansiosa.

"Maísa! O que houve? Você está bem?"

Ele a segurou antes que ela caísse, o rosto pálido de preocupação.

"Eu... eu não sei," ela sussurrou, os olhos fixos nele. "Acho que a emoção de ontem... e o frio... me sinto tão fraca."

Rodolfo a pegou nos braços, ignorando completamente o cofre, o médico, e, é claro, a mim.

"Não se preocupe, meu amor. Eu vou te levar para a cama. Você precisa descansar."

Ele a levou de volta para o quarto, com todo o cuidado e ternura que ele nunca me dedicou. Passou a manhã e a tarde ao lado dela, ignorando as chamadas de Jaime, os relatórios dos guardas. Eu era, mais uma vez, uma inconveniência esquecida.

Minha alma, em vez de raiva, sentiu uma estranha serenidade. Ele não merecia minhas lágrimas. Ele não merecia minha raiva. Ele merecia a verdade.

E a verdade, eu sabia, o encontraria.

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