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Almas Gêmeas, Destinos Cruzados

Almas Gêmeas, Destinos Cruzados

Autor:: Callista
Gênero: Horror
Eu flutuo no ar frio da velha mansão, um fantasma da minha própria tragédia. Três anos se passaram desde que morri aqui, jogada no poço. Para o mundo, sou Luana, a garota que tirou a própria vida, uma história barata para assustar turistas. Mas esta noite, minha família está aqui, e eles não vieram rezar pela minha alma. Eles vieram para me expor, para humilhar minha memória publicamente em uma transmissão ao vivo. Minha mãe e Sofia, minha irmã adotiva, encenam uma farsa diante das câmeras, me acusando de tudo que é mal. Meu pai e meu irmão me chamam de "desprezível" , desejando que eu estivesse "morta de verdade" para acabar com o sofrimento deles. Mal sabem eles que o desejo cruel de meu pai já foi atendido. Enquanto Zé Coragem, um caçador de mitos da internet, vasculha o poço onde supostamente me suicidei, minha família inventa acusações bizarras de feitiçaria e roubo para justificar sua crueldade. Eles querem me transformar em um monstro para apagar qualquer vestígio da verdade. Eu observo tudo, uma espectadora silenciosa da minha própria difamação, sentindo a injustiça que me corrói. Eu queria gritar, queria dizer a eles que a vítima sempre fui eu. Mas fantasmas não têm voz. No entanto, eles não sabem que o sótão guarda um segredo, um refúgio da minha infância repleto de memórias. Minha antiga boneca, Aurora, esconde a verdade que todos ignoraram, com gravações da minha voz revelando a doçura e a inocência que eles suprimiram. E agora, era a hora de mudar tudo.

Introdução

Eu flutuo no ar frio da velha mansão, um fantasma da minha própria tragédia.

Três anos se passaram desde que morri aqui, jogada no poço.

Para o mundo, sou Luana, a garota que tirou a própria vida, uma história barata para assustar turistas.

Mas esta noite, minha família está aqui, e eles não vieram rezar pela minha alma.

Eles vieram para me expor, para humilhar minha memória publicamente em uma transmissão ao vivo.

Minha mãe e Sofia, minha irmã adotiva, encenam uma farsa diante das câmeras, me acusando de tudo que é mal.

Meu pai e meu irmão me chamam de "desprezível" , desejando que eu estivesse "morta de verdade" para acabar com o sofrimento deles.

Mal sabem eles que o desejo cruel de meu pai já foi atendido.

Enquanto Zé Coragem, um caçador de mitos da internet, vasculha o poço onde supostamente me suicidei, minha família inventa acusações bizarras de feitiçaria e roubo para justificar sua crueldade.

Eles querem me transformar em um monstro para apagar qualquer vestígio da verdade.

Eu observo tudo, uma espectadora silenciosa da minha própria difamação, sentindo a injustiça que me corrói.

Eu queria gritar, queria dizer a eles que a vítima sempre fui eu.

Mas fantasmas não têm voz.

No entanto, eles não sabem que o sótão guarda um segredo, um refúgio da minha infância repleto de memórias.

Minha antiga boneca, Aurora, esconde a verdade que todos ignoraram, com gravações da minha voz revelando a doçura e a inocência que eles suprimiram.

E agora, era a hora de mudar tudo.

Capítulo 1

Eu flutuo no ar frio da velha mansão, um fantasma em minha própria tragédia.

Três anos. Faz três anos que morri aqui.

Para o mundo, eu sou Luana, a garota que se jogou no poço. Uma história de terror barata para assustar turistas.

Mas esta noite, minha família está aqui. Eles não vieram rezar por minha alma.

Vieram para me expor.

Minha mãe, Helena, está abraçada à minha irmã adotiva, Sofia. A câmera de uma transmissão ao vivo foca em seu rosto, contorcido de dor e raiva.

"Ela era uma ingrata," diz minha mãe, com a voz embargada. "Nós a amávamos, demos tudo a ela, e ela nos traiu. Ela tentou destruir nossa Sofia."

Sofia, aninhada em seus braços, soluça suavemente, o retrato da inocência ferida.

Meu irmão, Tiago, está ao lado delas. Seus punhos estão cerrados.

"Luana era um ser desprezível," ele rosna para a câmera. "Tudo o que ela fez foi para prejudicar a Sofia. Ela tinha inveja porque nós amávamos a Sofia de verdade."

Meu pai, Ricardo, completa o quadro de ódio. Seus ombros estão curvados, não pela dor da perda, mas pelo peso da vergonha que eles acreditam que eu causei.

"Eu gostaria que ela estivesse morta de verdade," ele diz, com a voz baixa e cheia de veneno. "Pelo menos assim, nosso sofrimento acabaria."

Mal sabe ele que seu desejo já foi atendido.

A transmissão ao vivo é comandada por um homem chamado Zé Coragem. Ele se autointitula um "caçador de mitos". Um showman barato da internet, contratado pela minha família para provar ao mundo que minha morte foi uma farsa, que eu fugi para viver uma vida de devassidão e que o fantasma da mansão não passa de uma mentira.

Eles querem apagar até a minha memória.

A câmera passeia pela sala principal da mansão abandonada. Poeira cobre os móveis antigos, teias de aranha pendem do teto como mortalhas. Este lugar, que já foi meu lar, agora é um circo de horrores transmitido para milhares de pessoas.

Os comentários na tela rolam freneticamente.

"Essa Luana era um monstro!"

"Coitada da Sofia, sofreu tanto."

"Zé, acaba com essa farsa! Mostra pra todo mundo quem essa garota realmente era."

"A família é a maior vítima aqui. Perder uma filha e ainda ser enganado assim."

Eu observo tudo, uma espectadora silenciosa da minha própria difamação. Uma parte de mim, a parte que ainda se lembra de como é sentir, quer gritar. Quer dizer a eles que estão errados, que a vítima sempre fui eu.

Mas fantasmas não têm voz.

Minha mãe aperta mais o braço de Sofia, como se para protegê-la de minha influência maligna.

"Zé, por favor," ela implora ao apresentador. "Encontre as provas. Mostre ao mundo que não estamos loucos. Mostre a eles a verdade sobre a Luana."

Zé Coragem sorri para a câmera, um sorriso cheio de falsa confiança.

"Não se preocupem, Dona Helena," ele diz, com sua voz de locutor de rádio. "Nós vamos até o fundo disso. Hoje, a verdade será revelada. O mito de Luana, a 'pobre alma penada', vai acabar de uma vez por todas."

Ele se vira e caminha em direção ao jardim dos fundos, onde a escuridão engole a maior parte da paisagem.

Onde o velho poço me espera.

Eles não sabem, mas a verdade que eles procuram está lá.

Não a verdade deles.

A minha.

E ela é muito mais terrível do que qualquer história de fantasma que eles possam imaginar.

Capítulo 2

Zé Coragem caminha pela grama alta e descuidada do jardim, sua lanterna cortando a escuridão da noite. A equipe de filmagem o segue de perto, capturando cada passo.

"E aqui estamos, pessoal," ele narra para a câmera, com um tom dramático. "O epicentro de toda a lenda. O poço onde Luana supostamente tirou a própria vida."

Ele para diante da estrutura de pedra e madeira envelhecida. O ar ao redor parece mais frio, mais denso.

Sofia, que os seguiu a uma distância segura com o resto da família, solta um pequeno grito e se esconde atrás de Tiago.

"Eu não consigo olhar," ela sussurra, com a voz trêmula. "É aqui... foi aqui que ela tentou me amaldiçoar pela última vez."

Minha mãe, Helena, corre para o lado dela, lançando um olhar de puro ódio para o poço.

"Essa menina era envolvida com coisas sombrias, Zé. Feitiçaria, rituais... ela queria o mal da Sofia. O mal de todos nós."

Zé Coragem se aproxima do poço, examinando a pesada tampa de madeira que o sela.

"Interessante," ele murmura, mais para si mesmo do que para a câmera. Ele bate na madeira. "Está lacrado. Bem lacrado."

Ele se vira para meu pai, Ricardo.

"O senhor que lacrou isso, Seu Ricardo?"

Meu pai assente, o rosto sombrio. "Sim. Logo depois... do incidente. Para que ninguém mais caísse aí. Para selar a maldade dela."

Na tela da transmissão, os comentários explodem novamente.

"Ué, se ela se matou, como o poço foi lacrado por fora?"

"Boa pergunta. Isso tá estranho."

"A família deve ter lacrado depois, pra evitar acidentes, gente. Parem de criar teoria da conspiração."

"Mas e se ela não se matou? E se ela só fugiu e eles inventaram essa história?"

Zé Coragem parece ler os pensamentos da audiência. Ele coça o queixo, pensativo.

"Se ela se jogou... alguém teve que fechar a tampa depois. Ou," ele faz uma pausa dramática, "a história do suicídio tem algum furo."

Tiago dá um passo à frente, irritado. "Qual é a sua? Está duvidando da gente? Ela era uma manipuladora! Deve ter enganado alguém para ajudá-la a forjar a própria morte!"

Zé levanta as mãos em um gesto de paz. "Calma, meu amigo. Estou aqui para investigar todas as possibilidades. É isso que um caçador de mitos faz."

Ele volta sua atenção para o poço. "E para investigar direito, eu preciso ver o que tem lá dentro."

Ele se volta para sua equipe. "Tragam o pé de cabra."

Um dos assistentes entrega a ferramenta de metal para ele. O som do metal arranhando a madeira velha ecoa no silêncio da noite. O rangido é agonizante.

Sofia começa a chorar mais alto. "Não abra! Por favor, não abra! A alma dela está presa aí! Ela vai nos pegar!"

Zé Coragem a ignora. Ele se posiciona, fincando o pé de cabra na fresta entre a tampa e a pedra. Ele faz força. Uma vez. Duas. Os músculos de seus braços se contraem sob a luz da câmera.

Um cheiro estranho começa a emanar da fresta. Um cheiro de água parada, mofo e algo mais... algo doce e podre.

Eu reconheço o cheiro. É o cheiro do meu fim.

Com um último puxão, a tampa de madeira cede com um estalo alto, quebrando uma parte da borda.

Zé Coragem se afasta, ofegante. Ele aponta a lanterna para o buraco negro que se abriu no chão.

A escuridão lá dentro parece infinita.

"Ok, galera," ele diz para a câmera, recuperando o fôlego e o personagem. "Hora da verdade. Quem tem medo do escuro? Zé Coragem não tem."

Ele prende uma corda a uma árvore próxima e amarra a outra ponta em um cinto de segurança. Ele testa a firmeza.

"Vou descer," ele anuncia. "Vamos ver que segredos Luana deixou para trás."

Minha mãe aperta um crucifixo no peito. Meu pai recua um passo. Tiago olha, fascinado e apreensivo.

Sofia para de chorar. Por um breve segundo, quando ela pensa que ninguém está olhando, um brilho diferente passa por seus olhos. Não é medo. É expectativa.

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