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Aluga-se uma noiva

Aluga-se uma noiva

Autor:: Lady Darkness
Gênero: Romance
William é o herdeiro do império Blackwell, criou do nada uma grande empresa de tecnologia desenvolvendo softwares, sendo visto pelos seus funcionários como um gênio idealista. Há cinco anos sua noiva o trocou por seu irmão mais novo Nicholas, um playboy que vive do dinheiro dos pais. Tem seu mundo virado do avesso quando descobre que o amor da sua vida e seu irmãos irão se casar no dia dos namorados, em meio ao desespero conta uma mentirinha que ganhará grandes proporções. Todos sabem que ele é reservado e nunca expões seus relacionamentos passageiros então seria fácil apresentar alguém para se passar por sua noiva, ela só precisaria ser perfeita e convincente. Stephany Miller é dona da agência de acompanhantes "Secret World" em Nova York que, tem como prioridade o sigilo e a descrição, possui um site que oferta qualidade, eficiência e os quesitos que clientes procuram. Tem os melhores profissionais do ramo que, pelo preço e necessidade certa podem se passar por namorado, amante, noivo, noiva e até mesmo esposa. Descrente do amor tem apenas um lema, não se apaixonar por seus clientes limitando o contato ao máximo, tendo boas referencias e uma lista vasta de clientes é recomendada por pessoas poderosas e acaba conhecendo seu novo cliente que tem especificações curiosas e muito complexas. Precisava criar um personagem perfeito que aos olhos de todos seria a esposa perfeita! Um contrato foi posto a mesa, dois desconhecidos entrarão em uma farsa perfeita. Quer saber o que o dia dos namorados promete? Venha conhecer "Aluga-se uma noiva"...

Capítulo 1 Prólogo

"O tamanho dos seus sonhos deve sempre exceder a sua capacidade de alcançá-los. Se os seus sonhos não te assustam, eles não são grandes o suficiente."- Ellen Johnson-Sirleaf.

William Blackwell

O maldito Dia dos Namorados se aproxima e esta data me faz repensar o significado do amor, que a meu ver não tem nada de bonito. Ele pega seu coração entre os dedos, o quebra em milhares de pedaços e você precisa pegar cada caquinho para reconstruí-lo.

Mas sempre deixará um pedacinho esquecido em um canto, não o curando completamente.

Quem inventou esse dia com toda certeza não estava apaixonado, mas sofrendo de amor ou de uma forte desilusão.

Não compreendo o motivo de comemorar uma data estupida.

Eu mal consegui colar todos os meus cacos.

Como se o mundo almejasse pregar uma peça mais uma vez, recebi um convite inusitado que dificilmente poderei dizer não.

É o convite de casamento do meu irmão, a pessoa que deveria mais confiar na vida.

Porém, essa pessoa me apunhalou pelas costas.

Finjo pelo bem dos meus pais que não aconteceu nada e que aceitei o fim do meu namoro, nunca contei a eles o que de fato aconteceu, embora suspeitem.

Serei obrigado a ir nesse casamento e meu melhor amigo me ajudará nesse quesito. Ele tem a ideia maluca de contratar uma noiva e diz que conhece uma agência de encontros. Este lugar pode me proporcionar uma moça apresentável aos olhos e que ninguém desconfiará que não é minha noiva.

Quero que todos saibam que estou bem e que segui a vida com uma mulher incrível, embora sexo casual seja bem melhor do que me prender a alguém pelo resto da vida e ela vir a me trair.

Mesmo que não tenha mais irmãos para me apunhalar pelas costas.

Olha que Roger não precisa do serviço de uma agência de encontros, afinal consegue qualquer mulher que queira, apenas com seu charme barato. Ele é um cafajeste de carteirinha e não sei se existe uma mulher capaz de fazê-lo sossegar.

Tento focar no meu problema atual.

Há exatos cinco anos, a mulher que pela primeira vez disse que amava e que daria o céu, as estrelas e todas as riquezas que pedisse, resolveu que foder apenas comigo, pelo resto da vida, poderia ser monótono, palavras dela.

Ela então resolveu que investir no meu irmão mais novo, que sempre desejou tudo que conquistei ao longo dos anos, seria um jogo interessante.

Quando ela resolveu abrir as pernas, ele não pensou duas vezes, muito menos que poderia pegá-los na minha cama, caso voltasse mais cedo da empresa.

E foi o que aconteceu.

Um dia resolvi fazer uma surpresa, comprei rosas vermelhas, suas preferidas, uma garrafa de espumante e quando abri a porta, ouvi os gemidos.

Senti uma dor enorme em meu peito e os peguei, mas não era qualquer um ali, era meu irmão.

Foi o pior dia da minha vida.

Lembro que dei uma bofetada nele e o expulsei da minha casa sem as roupas. Lembro também de queimá-las quando me acalmei naquela noite.

Já ela, tive consideração suficiente para permitir que se vestisse e me entregasse a cópia da chave da casa que comprei para nós. Nem olhei em seus olhos, exigi que jamais voltasse a minha casa ou sequer me olhasse, e que se me visse, cruzasse a rua e fingisse que não me conhecia.

Eu me desfiz de tudo que me lembrava dela.

Ela pensou que era um blefe e que iria perdoá-la, mais uma vez como sempre fazia.

Mas ela me traiu com meu irmão, uma traição dupla imperdoável e jamais a perdoarei.

Foi a gota d'água e mesmo a perdoando em inúmeros deslizes e a colocando em um pedestal, tudo tinha um limite e ela cruzou a linha quando não foi com um homem qualquer para a cama.

No outro dia, comecei minha vida de solteiro sedutor que jamais dispensava uma garota bonita nas festas. A garota terminava a noite na minha cama e no outro dia até queria mais, mas escolhi viver sem me prender a alguém que possa me trair, sem a menor consideração como ela fez.

Depois daquela traição decidi que nunca mais iria ficar com apenas uma mulher, afinal não quero mais ter meu coração partido.

Agora me vejo em uma situação complicada...

Preciso de uma moça que faça minha ex se roer de inveja, que minha família sinta orgulho de mim e que, no fundo, sonhem com meu casamento, mesmo que seja de mentirinha.

Mas não quero uma prostituta, quero uma mulher real que faça ciúmes na minha ex e que ela se arrependa do dia que me trocou pelo meu irmão.

A mulher precisa ser perfeita e autentica em todos os sentidos, mas temo que a situação saia do controle.

Como resistir se a moça for sedutora?

Meu dia começou de mal a pior e acredito que se me perguntarem se há algo que possa piorar, direi que sim e acontecerá.

Mas em meio ao caos, preciso arrumar uma noiva convincente e culta em pouco tempo.

Basta tomar coragem e aceitar a ideia do meu amigo.

Peço para entrar em contato com a agência de encontros e ele acessa uma página.

"Isso foi suficiente para que o Dia dos Namorados se eternizasse na minha memória e fizesse uma belíssima tatuagem em meu coração."

- Bom, vejamos, preciso de uma noiva com mais de trinta anos, decidida e culta. Que saiba se portar na alta sociedade e que seja a melhor no que faz. Ela precisa ser perfeita aos olhos de todos e que agrade meus pais - digo enquanto descrevo a candidata que desejo e espero que demore no mínimo algumas horas.

Na segunda página pede o número de contato que, assim que digito, aparece aqueles "x" das senhas, como se tudo fosse sigiloso.

Confesso que isso atrai minha atenção.

Mal termino de digitar e um número desconhecido me liga.

- Seja bem-vindo a The Secret World, selecionaremos a melhor para o que deseja.

Engulo em seco, pois, a voz que atende é muito sedutora.

"Jamais imaginei que uma ligação mudaria completamente tudo que entendo sobre relacionamento.

Que aquela voz fosse enlouquecer meus pensamentos, meu corpo e minha alma de uma maneira que jamais me permiti sentir antes.

Era apenas um contrato de noivado que duraria menos de cinco dias...

Mas desde o momento que ouvi sua voz e depois a conheci, entendi o que era amor à primeira vista.

Digo que podemos amar uma pessoa que mal conhecemos, mas precisamos estar dispostos a isso e não sei se consigo."

Capítulo 2 Um

William Blackwell

Sou o dono de uma grandiosa empresa tecnológica que criei com muito esforço, inteligência e empenho.

Quem me conheceu dez anos atrás, sabendo de quem sou filho e como neguei aceitar dinheiro dos meus pais para montar a empresa, não imaginava que cresceria ao nível global.

Tenho ao todo cinco filiais, onde gênios da informática me ajudam a torná-la a melhor do ramo.

Comecei em meu pequeno apartamento desenvolvendo algoritmos para algumas empresas e hoje, crio softwares que ajudam a gerenciar empresas de grande, médio e pequeno porte.

Criei do zero uma grande empresa de tecnologia que rende milhões por ano.

Meus pais apenas abriram as portas do meu futuro com as melhores escolas e faculdades, e acredito que sou o orgulho deles.

Mas hoje não é um dia comum, estamos há cinco dias do Dia dos Namorados, uma das datas mais odiada, pelo menos por mim, desde a última mulher que entreguei meu coração.

Estou perdido em meio ao meu devaneio que percebo a presença da minha linda secretária somente após ela tossir levemente, me fazendo elevar os olhos.

Noto que ela está me encarando com um ar preocupado, desço o olhar e vejo um envelope grande e dourado em suas mãos.

Seu silêncio está me deixando irritado, então retiro os óculos e indago:

- Julie, você é paga para ficar parada feito um dois de paus no meio da minha sala?

Ela revira os olhos e antes que a repreenda, diz de forma ousada:

- Não, mas não sou paga para ser sua babá e, as vezes, faço tal papel, deveria receber um bônus. - Respira fundo e começa a rir.

- O que tem nas mãos?

Ela fica tensa com a pergunta.

- Promete que vai abrir apenas quando eu sair da sala?

Levanto da cadeira, dou a volta na mesa e vou em sua direção.

A cada passo que dou, ela anda dois para trás.

- Não posso prometer o que não irei cumprir, me entregue!

Ela respira fundo e me estende o envelope.

- E a resposta é não.

Fico surpreso com sua resposta e não entendo a afirmativa.

- Nem perguntei nada, senhorita Julie.

Ela balança a cabeça em negativa.

- Mas irá e a resposta continua sendo não.

Quando viro o envelope para saber quem o enviou, sinto um frio intenso na barriga.

Sei o que é, mesmo assim abro o envelope e retiro de dentro o papel.

Olho atentamente as letras douradas, "Katheryn e Nicholas, te convidam para celebrar a união do casal em uma cerimônia que durará quatro dias e será realizada no "The Terrace at Gramercy Park", no Dia dos Namorados, para eternizar o amor do casal."

Leio e releio o papel algumas vezes até notar que estou sozinho na sala e me sinto perdido com essa novidade.

Imaginava que eles se amavam, mas nunca havia passado pela minha cabeça que iriam se casar.

Há alguns anos não falo com eles, nem tenho notícias, e agora preciso revê-los sem deixar transparecer minha raiva e infelicidade.

Antes que possa raciocinar direito sobre tudo, meu telefone toca e para piorar quando vejo o nome na tela, sinto que não tenho desculpa para não atender.

- Bom dia, mamãe - digo sem ânimo nenhum.

- Bom dia, meu filho, recebeu o convite?

Respiro fundo, volto para minha cadeira e me sento jogando o corpo para trás.

- Recebi, mas não sei se poderei ir.

Ouço sua risada doce e sei que ela fará algo para me fazer mudar de ideia.

- Você vem sim, faz cinco anos que não sei o que é ter um momento em família, está na hora de fazerem as pazes. - Começa seu drama para me convencer. - Você disse que estava noivo e até hoje nada de nos apresentar a moça.

- Mamãe, disse que estava namorando, não que estava noivo. - Reviro os olhos ao imaginar que ela deve ter contado a todos que sou o próximo a se casar.

- Não, você disse noiva, e nós, sua família toda, estamos te esperando para o casamento do seu irmão. Deve ter lido nas letras douradas que é o padrinho dele e consequentemente a sua noiva será a madrinha.

Que confusão que ela me meteu, agora não posso dizer não, ou não aparecer, certamente irão espalhar que estou solteiro e infeliz.

- Se levar minha noiva e passar esses quatro dias com vocês, seremos uma família feliz de novo? - Essa ideia em nada me agrada.

- Sim, meu filho.

Sua euforia e alegria me deixam em uma posição muito difícil. Como vou encontrar uma noiva em tão pouco tempo?

- Estou ansiosa para conhecer minha futura nora e poder esfregar na cara da Katheryn que meu filho está noivo e ela é mais linda que a noiva do tolo do seu irmão.

Respiro fundo.

Sei que, no fundo, minha mãe assim como eu, não aprova esse relacionamento, afinal ela sempre demonstrou ao longo dos anos que nunca perdoou minha ex por ter me trocado.

Não posso decepcionar minha mãe e preciso apresentar a noiva perfeita.

- Nos vemos no hotel, mamãe.

Após nos despedirmos, foco em como arrumar uma noiva que não seja uma prostituta, nem uma amiga ou conhecida.

Pego o telefone, clico no botão vermelho e em seguida minha secretária atende.

- A resposta é não!

Não posso levar minha secretária, afinal minha noiva não pode ser nada menos que uma moça com posses e de boa educação ou mamãe me matará.

- Nem perguntei nada, quero que ligue para o Roger.

Nem termino de pensar direito e ela me interrompe antes que possa pedir o resto.

- Ligar para aquele seu amigo cafajeste?

Respiro fundo e ignoro seu comentário impertinente, mas não posso julgá-la, meu amigo gosta de sair com mulheres bonitas e depois descartá-las sem nenhum remorso.

- Vou ignorar seu comentário inoportuno sobre um dos meus acionistas e esperar que ligue e informe que desejo o ver em minha sala agora.

Ouço a mulher bufar do outro lado da linha e tento manter a calma.

- Sim, chefe! - diz e desliga.

Resolvo fechar as pastas que estão abertas e pegar o convite para ler o que teremos nesse casamento, ainda sem entender qual a necessidade de quatro dias de um casamento. Embora o penúltimo seja a melhor parte; a despedida de solteiro.

Teremos o jantar de noivado no primeiro dia; no segundo iremos ter um piquenique; no terceiro o dia jogo de beisebol e uma bela festa temática para a despedida de solteiro e no quarto dia da noiva e do noivo e por último o casamento.

***

Aguardo um bom tempo até que Roger entra sem bater à porta com aquele jeito despojado e nada preocupado.

Ele se senta na poltrona sem nem pedir licença.

- Sua secretária gostosa me contou que a cadela da sua ex-noiva resolveu bancar a arrependida, te convidou para o casamento e de quebra para ser padrinho.

Reviro os olhos com seu comentário de péssimo gosto e o encaro.

- Primeiro, não fale assim da minha secretária. Segundo, preciso de uma noiva para amanhã à tarde!

Ele me olha por alguns segundos e cai na risada como se pensasse que estou brincando.

- Qual a graça?

- Pensei que estava me pedindo ajuda para arrumar uma noiva de mentira. - Gargalha até por fim perceber que estou falando sério.

- Sim, minha mãe entendeu que estou noivo ao invés de estar tendo algumas relações nada sérias! - Suspiro alto, sei que ele tem contatos. - Agora preciso de uma noiva convincente, que saiba interpretar bem o papel e, de preferência, que não seja conhecida.

Um sorriso safado aparece em seu semblante, ele então se levanta e pede:

- Liga o notebook, Will!

Reviro os olhos antes de abrir a tela e ele sem cerimônia acessar a internet.

- Se quisesse uma prostituta, eu mesmo procuraria, Roger! - Noto seu sorriso cafajeste e reviro novamente os olhos.

Só falta querer que leve uma prostituta.

- Meu amigo, desde quando saio com prostitutas? - diz algo que faz sentido, afinal o safado sabe escolher bem.

Após uma pesquisa rápida, ele acessa um site curioso com a tela inicial toda dourada e em seguida aparece uma silhueta de um cupido derrubando corações. Logo embaixo começa a surgir os dizeres, "Seja bem-vindo ao The Secret World, onde suas necessidades serão atendidas com descrição e com a perfeição que precisa."

- Essa é a melhor agência que conheço que pode te ajudar. Lembra daquela modelo que apresentei para meu avô há uns dois anos? Pois é, meu amigo, ela é funcionária deste site. Eles oferecem um serviço de qualidade e com certeza você vai precisar da melhor! - Clica no "maiores de dezoito anos".

Na próxima tela aparece um tipo de questionário que pergunta o que preciso e ele se afasta para que eu digite.

- Bom, vejamos, preciso de uma noiva com mais de trinta anos, decidida e culta. Que saiba se portar na alta sociedade e que seja a melhor no que faz.

Na segunda página pede o número de contato que, assim que digito, aparece aqueles "x" das senhas, como se tudo fosse sigiloso.

Confesso que isso atrai minha atenção.

- Você está duvidando da eficiência, não é mesmo? - Roger pergunta e começa a rir. - Eles são os melhores, tenho alguns amigos e conhecidos que já requisitaram os serviços e nunca vi nenhum deles reclamar ou alguém descobrir que era apenas uma moça contratada... Se até meu avô pensou que iria me casar, será moleza arrumar uma noiva para você, meu amigo. Mas está mais do que na hora de seguir sua vida.

Reviro os olhos.

- Olha só quem está falando! O homem que não se prende a nenhuma mulher e que apenas almeja alguém para esquentar suas noites.

Ele sorri.

- Agora que estou seguindo seus passos está achando ruim? Você é meu amigo e sua função é me apoiar acima de qualquer decisão que tome.

Ele concorda, mas não parece estar convencido.

- Sabe, ainda pagará com a língua. Um dia vai encontrar a mulher certa e vai ser ela que não vai querer nada sério, porque não prometo nada e nem almejo relacionamento. Mas você, meu amigo, seus olhos brilhavam com a ideia do casamento, apenas não era a pessoa certa e ela nunca será. Eu sempre disse isso.

Roger realmente tentou me alertar.

- Posso ser um cafajeste, mas jamais dormiria com a mulher do meu amigo, mesmo que ela me desse mole e ficasse nua na minha frente.

- Você é um péssimo amigo!

Começamos a rir.

Nunca vi Roger com nenhuma mulher mais de um dia, tirando algumas modelos, mas nenhuma mais de cinco dias.

Pensando bem, nunca vi meu amigo se apaixonar.

- Deveria apoiar minha vida de solteiro e não criticar.

Ele mostra a língua.

- Justamente por ser seu amigo, estou dizendo que deveria sair da pista. Algo me diz que surpresas estão reservadas para você nesse Dia dos Namorados.

Faço uma careta mudando de assunto.

- A ligação deles demora muito?

Ele sorri malicioso.

- Eles ligam rápido e te garanto que é a melhor!

Roger mal termina a frase e um número desconhecido me liga.

- Mais rápido do que pensa...

Interrompo sua fala elevando a mão, tomando coragem para atender.

Respiro fundo e penso que não tenho nada a perder, preciso de uma solução e se até Roger conseguiu enganar a todos, será fácil e nem preciso me envolver.

Capítulo 3 Dois

William Blackwell

Mal acreditei quando Roger me contou que a moça que, levou em uma certa ocasião, era contratada, pois, ela era boa demais.

Entrei nessa posição delicada e aceitei sua ideia maluca.

Agora que fiz o cadastro, recebi uma ligação nada comum e a moça do outro lado era muito boa.

Mas ainda assim havia dúvidas sobre sua competência, afinal por telefone qualquer um pode ser alguma coisa, quero ver pessoalmente.

- Seja bem-vindo a The Secret World, selecionaremos a melhor para o que deseja.

Engulo em seco, pois, a voz que me atende é muito sedutora e demoro a responder.

- Senhor, está aí?

Não tenho uma boa foda há dias e esta mulher me causa reações adversas.

- Sim, estou apenas surpreso com a rapidez do contato. - Posso ouvir a respiração calma do outro lado da linha.

- Somos a melhor agência, senhor, então temos que ser eficientes e discretos ao efetuarmos o primeiro contato para sabermos o que procura.

Respiro fundo e encaro meu amigo que está rindo da minha cara.

- Você é um homem que gosta de estar no comando e quando as coisas saem do seu controle fica nervoso e perdido, mas é só te dar alguns segundos que tudo ficará claro.

Abro a boca inúmeras vezes antes de responder a sua opinião totalmente desnecessária.

- É assim que conquista seus clientes? - indago com sarcasmo e ela não desce do salto por nenhum momento.

- Se o senhor se refere a dizer a verdade, sim. A ética entre cliente e contratante deve ser respeitada.

Posso ouvir o bater das unhas em uma superfície, ela parece nervosa ou ansiosa, mas não altera em momento algum seu tom de voz.

- Meu amigo me indicou seu serviço, mas não estou convencido de que será a escolha ideal.

Sua respiração fica mais pesada e acelerada, ela deve ter se irritado com minha afirmação.

- Garanto nosso sucesso em qualquer momento e ocasião, embora seja muito difícil o cliente escolher quem deseja contratar. Temos regras rígidas com a escolha e a seleção da parceira ou parceiro ideal. Como disse no questionário, deseja algo bem selecionado e como duvida do êxito, eu mesma ofereço meu serviço...

Não é sempre que o chefe inverte a posição e não se importa com isso.

- Então a minha peculiaridade torna minha procura complicada, é isso?

Minha secretária entra na sala e após meu amigo contar o que estou fazendo, ela cai na gargalhada.

- Sim, a exigência em certas perfeições traz uma gama x de possibilidades. E a cada item que deseja no pacote precisamos afunilar ainda mais a seleção. - Faz uma pausa e penso se é realmente correto o que faz. - E a cada especificação que o cliente pede, nem todas possuem. Você quer uma moça culta, que saiba impressionar a família, deve ser de berço e que preza os bons costumes.

Ela deduziu tudo isso em meia dúzia de palavras?

Estou intrigado.

- Onde quer chegar? - pergunto sem cerimônia.

- No ponto crucial. Para que deseja todos esses requisitos? A meu ver, é para impressionar alguém e mostrar para essa pessoa que não é mais importante em sua vida.

Ela está certa até certo ponto.

- E, ao mesmo tempo, teme que isso seja errado. Mas temos um contrato para assinar e prefiro tratar de negócios pessoalmente.

Temos uma afinidade, gostamos do cara a cara antes de findar um negócio.

- Onde posso te encontrar?

Ouço alguns cliques das teclas do teclado e após alguns minutos de puro silêncio ela diz:

- No hotel Four Seasons, suíte quinhentos e oito em uma hora.

Ela já escolheu o hotel e alugou a suíte.

Confesso que sua escolha é peculiar.

- Ah, mais uma coisa, possuímos uma política muito rígida quanto a relacionamento. Embora pareça real, ele não é. Não nos apaixonamos e nem transamos com nossos clientes, mas pode ser uma exigência do cliente algo mais íntimo e já aviso que custará $10.000,00 a mais, caso haja algo.

Fico surpreso pelo valor cobrado.

Não que deseja me envolver intimamente com quem quer que seja, mas fico tentado a saber os serviços oferecidos nesse caso.

- Não precisa ficar com medo, não me interesso facilmente por alguém, muito menos tendo que pagar por algo que consigo de graça ou em troca de presentes.

Ela gargalha do outro lado da linha e antes que possa responder algo que possa se arrepender, ela apenas se despede.

- Até breve, senhor, te aguardo no hotel e não se atrase.

Antes que possa dizer algo ela completa:

- Meu vestido será azul e serei a mulher que chama sua atenção - diz com propriedade.

- A senhorita nem me disse seu nome e já está barganhando, é uma tola ou é muito boa no que faz. - Não que deseje desmerecê-la, mas tem certas coisas que quando compro, desejo obediência e não insubordinação.

- Irá descobrir em breve.

Ela desliga o telefone e isso me deixa intrigado e, ao mesmo tempo, curioso, tentado a conhecê-la completamente e de preferência sem roupa.

Mas pagar por sexo está fora de cogitação.

- Pelo visto, você, meu amigo, foi fisgado. Adora um desafio e ela acabou de se tornar um.

Roger me conhece muito bem.

- É, ela é um desafio, mas algo em sua voz e postura me deixam intrigado.

Minha secretária começa a rir.

- Qual a graça?

Ela leva a mão a boca tentando conter o riso, mas é em vão.

- Uma mulher te superou.

Levanto e ela nem me dá tempo para responder, apenas sai me deixando boquiaberto.

- Ainda não sei por que não a demiti.

Roger vem em minha direção e bate em meu ombro.

- Porque, no fundo, ela é a única que te suporta e não quer ir para a sua cama.

É verdade até certo ponto, aprecio seu profissionalismo no fim.

- Agora me deixa trabalhar que preciso me preparar psicologicamente para conhecer minha noiva. - Rio da situação.

Eu que iria me casar há cinco anos, hoje não me vejo casado e agora estou noivo.

Não sei se é uma ironia ou peça do destino, mas irei descobrir.

***

Me sinto nervoso e ansioso.

Nunca precisei pagar por companhia e agora estou fazendo isso, mas olhando pelo lado bom, nenhuma parte sairá magoada e nem apaixonada.

O maior erro que se pode cometer ao sair comigo, é simplesmente se apaixonar. Todas são suscetíveis ao meu charme e ela não será exceção.

Saí da empresa há quinze minutos, dispensei o motorista e vim até o hotel no meu Lamborghini preto.

Acredito que seja uma forma de mostrar que não sou um homem qualquer, mas do tipo discreto, que exige nada menos que perfeição.

Me sinto confiante em nossa transação, mas agora que estou parado do outro lado da rua, pensando na grande besteira que estou fazendo, me sinto um mentiroso ao tentar enganar minha doce mãe.

Puxo o ar dos pulmões e tento criar coragem.

Saio do carro, o trancando em seguida, caminho até o semáforo e quando a luz verde com a imagem de uma mão aparece, atravesso a rua indo em direção ao hotel.

Entro no local e sou recepcionado pelo concierge que repara como me visto e deve ter me reconhecido.

- Bom dia, senhor, deseja um quarto?

Balanço a cabeça em negativa e quando chego ao balcão digo para a recepcionista:

- Bom dia, tenho uma reunião no quarto quinhentos e oito.

Ela me olha, curiosa e pergunta:

- Desculpa, senhor, mas é política da empresa e não posso entregar a chave para qualquer pessoa. A moça me orientou a só deixar subir quem soubesse a cor de seu vestido, ela foi muito enfática nesse detalhe.

Respiro aliviado, já que ela me falou qual era e por sorte sou um homem que não esquece fácil as coisas.

- Entendo que a segurança deve ser prezada sempre, o vestido da bela dama é azul!

Ela estende o cartão e avisa:

- Senhor, o quarto é no quinto andar, deseja que envie o almoço logo em seguida?

Analiso um pouco as opções e sei que a reunião será longa, então iremos apreciar o almoço enquanto conversamos.

- Sim, peça para que sirvam o prato do dia, e claro, levem a sobremesa.

Ela anota no computador e antes que me afaste, diz:

- Tenha uma bela e proveitosa estadia!

Pela forma que diz, percebo que ela pensa que irei transar, e não que não precise, mas não com ela.

Há uma singularidade de sutileza na escolha do ambiente.

Ela está tentando me testar ou entende de todos os detalhes solicitados.

Meus pais são exigentes até mais do que eu. Nunca me importei com vestimenta ou como a moça é ou deixa de ser, mas como é o casamento do meu irmão, não posso aparecer com qualquer pessoa. Não seria justo comigo, não mostrar que estou bem e que superei ambos.

Ando pelo saguão até chegar ao elevador, entro e aperto o número cinco.

Em poucos segundos, a porta fecha e sobe até o andar.

O sentimento de nervosismo se abate em meu corpo, quando o elevador para, e saio.

Posso reparar que o corredor é todo na cor creme e o tapete que se estende no chão é em um tom ouro.

Caminho procurando o número quinhentos e oito enquanto reparo que os números são incrustados em mármore branco na porta da mesma cor.

Quando chego no quarto, acho mais sensato dar duas batidas à porta antes de entrar. Respiro fundo e rapidamente à medida que a porta abre.

Noto ao entrar no quarto que há uma dama com curvas muito sensuais de costas para mim, observando o movimento pela janela. Seu longo cabelo castanho está semipreso por uma fivela de borboleta, é magra e mesmo assim possui curvas que elevam seu padrão de feminilidade.

Parece levemente distraída e alheia a quem entra no quarto, mas pelo reflexo que vejo na janela ela é simplesmente belíssima.

Me sinto encantado apenas com seu olhar sedutor perdido no movimento da grande cidade.

Percebo que ela escolheu uma roupa fina assim como as joias e salto alto delicado.

Ela parece uma mulher refinada e isso chama minha atenção completamente.

Ela está ao telefone e parece calma enquanto dá instruções em francês e sua voz é sedutora.

Ela fala fluentemente e não quero atrapalhar.

Como não faço negócios com qualquer pessoa, antes de sair solicitei para um amigo que é investigador me contar mais detalhes sobre a agência. Pouco se sabe sobre os funcionários, donos ou até mesmo clientes, mas é uma empresa real que dá lucro e cumpre o que é prometido.

Me perco em meus pensamentos, notando como ela move os dedos e gesticula, como se alguém fosse vislumbrar ou entender o que expressa.

Observo que ela morde o lábio delicadamente e isso me proporciona ideias tentadoras do que fazer com eles.

Sinto uma vontade quase insana de tomar seus lábios que está apenas com um gloss e é perfeito para não deixar marcas visíveis.

Respiro fundo e resolvo findar a indiferença, preciso chamar sua atenção sem distraí-la ou até mesmo tirar seu foco da conversa que parece ser séria.

Resolvo fechar a porta e o barulho irá tirar sua concentração.

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