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Além das fronteiras do coração

Além das fronteiras do coração

Autor:: Lara Santtya
Gênero: Romance
Isabela Gomes, uma jovem brasileira, se muda para Londres em busca de sucesso profissional, mas acaba se envolvendo em um romance proibido com seu chefe, Ethan, um britânico irresistível. Entre olhares furtivos e segredos no escritório, eles precisam equilibrar a crescente paixão com as exigências de suas carreiras. Quando o amor e o trabalho colidem, até onde estão dispostos a ir para ficarem juntos?

Capítulo 1 Partida para o novo!

Isabela Gomes

Isabela Gomes olhou pela janela do seu apartamento em São Paulo, observando o movimento das ruas abaixo. O sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons laranja e rosa, era um dia bem quente, mas, naquele momento, nenhuma beleza externa conseguia impressionar a tempestade que se formava em seu coração. Em suas mãos, um e-mail que recebeu a 3 dias atrás, que não tinha visto devido a alguns acontecimentos em sua vida, estava iluminando a tela do seu computador: uma proposta de trabalho irrecusável da editora que trabalha no Brasil, mas para começar em menos de uma semana na sede em Londres. Era o sonho de qualquer amante de livros, e, por um breve momento, Isabela se deixou levar pela ideia de novas aventuras, novos começos. Seu coração batia rápido, um misto de nervosismo e excitação tomava conta do seu corpo, essa era a sua chance.

Isabela sempre sonhou em trabalhar com livros. Desde muito nova, se via cercada por histórias, mergulhada em aventuras e romances. Hoje aos 27 anos, já tinha conquistado uma posição sólida como editora no Brasil e quando surgiu a vaga para se inscrever para essa oportunidade na editora sede em Londres, não pensou que seria escolhida, ainda não acreditava inclusive. Se não fosse pela sua até então amiga Anna, ela não teria seguido com a inscrição, Anna incentivou e questionava noite e dia se realmente havia realizado a candidatura. Essa era o tipo de oportunidade que qualquer pessoa de sua área lutaria para conseguir, mas Isabela hesitou. Ela amava sua vida em São Paulo – sua família, seus amigos, e claro, o namorado, John.

Ou, ao menos, amava o que acreditava ser sua vida.

Três dias antes de receber a oferta de trabalho, Isabela descobriu a verdade que a devastou. John, o homem com quem ela compartilhou muito de sua vida e dividiu os últimos 2 anos, estava traindo-a. E o pior: a traição havia sido com Anna, sua então amiga, quem havia sido cupido em seu relacionamento. Isabela conheceu John em uma reunião entre amigos que aconteceu na casa de Anna, que ficou muito feliz em lhes apresentar e fazia questão de sempre dizer que ela quem uniu o casal. A descoberta foi bem impactante para Isabela, em uma dessas reuniões de amigos, Isabela chegou mais cedo na casa de Anna, para ajudar nos preparativos e encontrou os dois transando.

Naquele momento, seu mundo desmoronou. Ela revivia as conversas que teve com Anna sobre o John, revivia os planos que fez com o John sobre casamento e toda a vida que construiriam juntos, e tudo parecia desmanchar diante dela. Como ele pôde? Como ela pôde? O chão parecia que iria desaparecer de seus pés e o futuro, que antes era promissor e cheio de amor, se tornou uma incógnita. Isabela nem esperou por explicações, pois o que viu foi mais do que suficiente e saiu do apartamento de Anna no mesmo minuto. Durante esses dias, Isabela não atendeu nenhuma das chamadas dos dois, porém como trabalhava na mesma editora que Anna, teve que encontrá-la no trabalho, mas não deu oportunidade para que Anna contasse alguma história triste e a enganasse mais uma vez.

A resposta da proposta de trabalho veio como uma luz no fim do túnel, uma forma de escapar de tudo aquilo. Londres representava um recomeço, lugar novo onde não conhecia ninguém, onde ela poderia se reinventar e abandonar a dor da traição. Mas a decisão de ir não foi fácil, todo esse recomeço dava medo. Aceitar o trabalho significava também se despedir de tudo o que conhecia, de tudo o que estava acostumada e de sua comodidade e conforto, abrir mão de sua família, dos amigos leais e abandonar a cidade que sempre foi seu lar.

Sua semana passou tão rápido com toda a organização de malas, tomou bastante do seu tempo. Sua irmã, Isadora, veio pra cidade por esses dias para ajudar e foi essencial para dar suporte e apoio emocional que Isabela tanto precisava. Na noite anterior a sua viagem, seus pais também vieram para se despedir e ficaram em seu apartamento, pois no dia seguinte todos iriam ao aeroporto acompanhá-la. Seus pais eram as melhores pessoas que ela conhecia, Srª Marta e Srº Otávio, eram pessoas humildes que criaram suas filhas com muita dedicação e trabalho, sempre incentivando a buscar o melhor através dos estudos, eles mesmos não tiveram muitas formações, a vida da família não tinha luxos e extravagancias, mas nunca faltou a alimentação, carinho e amor. Isabela passou uma noite maravilhosa com sua família, porém antes de deitar sua irmã percebeu que estava um pouco inquieta e insegura e foi dormir com ela em sua cama.

-Você não precisa fazer isso Dora, estou bem e terei uma ótima noite de sono.- Isabela disse para a irmã, mas seu coração estava apertado por estar indo pro desconhecido sem sua família ao lado.

-Irmã, minha querida Bela, eu te conheço melhor do que ninguém e sei que você está nervosa e insegura, mas fique tranquila que também sei que você é mais do que capaz para cumprir esse desafio que está sendo proposto. Não deixe que um canalha tire de você a oportunidade de brilhar ainda mais em sua carreira e quem sabe conquistar um novo amor!- disse Isadora.

-Confesso que estou nervosa sim, mas não me preocupo em encontrar um novo amor, vou focar mais na minha vida profissional e não quero saber de homens me atrapalhando, nada de novo amor.-

"É a melhor coisa que eu posso fazer por mim", repetia para si mesma em pensamento essa frase. Ela queria acreditar que a dor logo passaria, que, em Londres, novos desafios e experiências iriam apagar as marcas deixadas por John e Anna.

Na manhã seguinte, com o coração pesado, mas determinada, Isabela chegou ao aeroporto. Seus pais e irmã a acompanharam até o portão de embarque, emocionados, mas orgulhosos. Foi dado um abraço longo, silencioso, mas cheio de apoio. Isabela deu um último olhar para trás, respirou fundo e sorriu leve, com uma sensação de alívio. Estava partindo, dando adeus a cidade, adeus a sua antiga vida , adeus a uma versão que não existia mais e um até logo a sua família. Agora, ela estava indo em direção a um futuro desconhecido, mas sentia pela primeira vez em dias, que o caminho a sua frente era seu, e apenas seu.

Londres a esperava!

Capítulo 2 Primeiros passos em Terras desconhecidas

Isabela desceu do táxi, observando com atenção e admiração a fachada imponente da sede da editora Kingston & Co. Publishing em Londres. O edifício de pedra, com suas linhas clássicas e janelas amplas, parecia carregar consigo o peso de décadas de história literária. Ela respirou fundo, ajustou a alça da bolsa em seu ombro, e entrou.

O hall de entrada estava movimentado. Paredes forradas de livros e troféus de grandes destaques literários, escritores andando e editores conversando em grupos. Ela mal teve tempo de admirar o ambiente quando uma mulher alta e elegante, com cabelos loiros impecavelmente presos, se aproximou.

- Isabela, certo? Sou Claire, da equipe de Recursos humanos. Vou te acompanhar até o escritório do Srº Dave.

Com um sorriso discreto e nervoso, Isabela a seguiu pelos corredores. Ela tentava parecer calma, mas seu estômago estava revirando de ansiedade. Claire parou em frente a uma porta com a placa que dizia "Ethan Dave – editor chefe", bateu suavemente antes de abrir a porta.

Ethan estava sentado a sua mesa, concentrado em papéis espalhados ao redor de seu laptop. Ele é um homem alto, com cabelos escuros, olho azul cinzento, extremamente bonito e com uma postura rígida e um ar de seriedade, ele ergueu o olhar apenas por um instante, voltando sua atenção para os documentos e deixando Claire sem jeito.

- Sr. Dave, esta é Isabela Gomes, nossa nova assistente editorial, que veio da filial do Brasil – anunciou Claire.

Ele assentiu, sem demostrar muito interesse, fez um gesto para que Isabela se aproximasse.

- Bem Vinda, Srta. Gomes. Espero que sua estadia aqui seja produtiva – disse, em um tom firme e sem calor. – Temos prazos apertados e muita coisa acontecendo. Espero que esteja preparada para isso.

- Com certeza estou pronta para o desafio – respondeu Isabela, tentando soar confiante, embora sentisse uma tensão palpável no ar.

Após a breve introdução, ele a dispensou com um movimento de cabeça, e Claire a conduziu de volta ao corredor.

- Não se preocupe. Ele sempre é assim no começo – sussurrou Claire. – Agora vamos te apresentar ao resto da equipe e a sua mesa.

O escritório era um grande espaço aberto, divido em estações de trabalho. A primeira pessoa que ela conheceu foi Tom, o editor de ficção. Ele era completamente o oposto do Sr Dave: caloroso, com um sorriso amigável e um jeito mais leve e descontraído. Logo em seguida, foi apresentada a Emily, uma jovem quieta, porém eficiente e perspicaz, que cuidava da parte gráfica, e a James, que estava sempre ao telefone, lidando com os autores mais exigentes. Após conhecer parte da equipe, Claire a levou para conhecer os espaços do escritório, tinha os banheiros, uma sala para relaxar e se inspirar, uma área de reuniões e o refeitório, com uma área para o café.

Depois das apresentações, Isabela foi designada para um pequeno espaço, onde estava sua estação de trabalho, ficando perto da janela, era pequeno, mas ela gostou do local e podia ver o movimento da rua. Ali, ela já se ocupou com os primeiros e-mails e tarefas, tentando se familiarizar com o ritmo intenso da editora. Por mais que estivesse nervosa, sentiu uma excitação crescer dentro de si. Estava cercada de escritores consagrados, cujas obras ela admirava. Em um certo momento, passou por ela Mark Hensjey, um dos autores de suspense mais vendidos no Reino Unido. Ele conversava com Ethan em voz baixa, com uma seriedade quase conspiratória.

Já era quase noite quando o dia de trabalho terminou. A empresa havia disponibilizado para Isabela um flat no centro de Londres, e ela finalmente foi descansar, estava exausta e ainda sofrendo pelo fuso horário. O flat era moderno, com móveis bonitos e com janelas que ofereciam uma linda vista para a cidade iluminada. Ela se jogou no sofá, deixando-se afundar e fechou os olhos por uns instantes.

O primeiro dia foi intenso, mas ela sabia que iria se adaptar e que aos poucos tudo se ajustaria. O desafio era grande, mas estava otimista para esse novo começo. Isadora tinha um sentimento de que estava pronta para o que viesse, e por mais que Ethan Dave fosse uma figura lindamente intimidadora, ela estava determinada a provar o seu valor.

Capítulo 3 Entre olhares e silêncios

A primeira semana de Isabela na Kingston & Co. Publishing havia sido intensa, mas produtiva. Aos poucos ela se ajustava ao ritmo acelerado e exigente da editora, sempre mantendo o foco em dar o seu melhor. Ethan Dave, continuava sendo uma presença constante e imponente, era criterioso e detalhista, observava cada movimento e cada decisão que ela tomava. E embora a relação entre eles fosse estritamente profissional, Isabela não podia negar o efeito que ele começava a ter sobre ela.

Ela se pegava, vez ou outra, admirando-o mais do que deveria. A maneira como seus olhos azuis acinzentados pareciam penetrar sua alma, a postura impecável e o jeito quase predatório com que ele se movia pelo escritório... tudo isso a deixava inquieta. Ethan era lindo de uma forma que ela não esperava de um homem tão contido, havia algo magnético em sua seriedade, um mistério que ela sentia desejo de desvendar.

Por outro lado, Ethan, sempre analítico e reservado, também não era indiferente à presença de Isabela. Ele se impressionava cada vez mais com a habilidade dela de se adaptar ao caos do escritório, sua inteligência afiada e a organização meticulosa. Havia algo em sua confiança discreta e no sorriso caloroso que o desarmava. Com o tempo, Ethan passou a notá-la de forma diferente, reparou alguns aspectos mais sutis, a maneira como seus olhos brilhavam quando conversava sobre algum livro ou projeto interessante, ou o leve toque de nervosismo que ela tentava esconder quando ele a observava por tempo demais.

Naquela sexta-feira, ao fim de uma semana exaustiva, Isabela foi surpreendida por um convite da equipe para um happy hour no pub local. Ela hesitou por um instante, mas acabou aceitando. Afinal, se enturmar com os colegas era importante. O local escolhido ficava na rua da editora, era um pub tradicional inglês, com luzes baixas e paredes de madeira escura. Isabela chegou um pouco atrasada, e o clima já estava animado. Tom, James e Emily riam enquanto contavam histórias do cotidiano da editora, e Claire já havia pedido uma rodada de bebidas.

- Que bom que você veio, Isabela! – disse Tom, acenando para ela. – Isso aqui– Isso aqui não é a mesma coisa sem a nossa nova colega.

Ela sorriu, agradecida pela acolhida calorosa, e logo entrou no clima da conversa. A noite parecia que seria leve e descontraída, até que, de repente, a porta do pub se abriu e Ethan Dave entrou. Um silêncio breve tomou conta do grupo. Ethan raramente participava desses eventos sociais, o que tornava sua presença uma surpresa. No entanto, a equipe logo retomou o ritmo habitual, como se fosse algo normal.

Isabela, por sua vez, sentiu o coração acelerar. Ele estava vestido de forma mais leve, sem o terno e gravata e com os dois primeiros botões de sua camisa abertos, com as mangas arregaçadas, dando um ar menos formal, mas ainda assim intimidador. Ele trocou algumas palavras rápidas com Tom e Jaime, pegou uma cerveja e se aproximou do grupo, sentando-se em uma cadeira próximo a Isabela.

Ela sentia o peso de sua presença, mesmo que ele não a estivesse olhando diretamente. A conversa fluía, mas Isabela se sentia distraída para o assunto, porém estava ciente de cada movimento de Ethan, de como ele parecia à vontade, mas ao mesmo tempo inacessível. Em determinado momento, seus olhares se cruzaram. O azul-cinza de seus olhos encontrou o dela por um instante que pareceu mais longo do que realmente foi. Isabela sentiu um calor percorrer seu corpo, uma onda de desejo que a deixou desnorteada e assustada, pois apenas um olhar a deixou molhada e querendo descobrir mais. Ele sorriu levemente, algo que ela nunca havia visto no escritório, e logo voltou sua atenção para outra parte da mesa.

Aquela troca de olhares foi suficiente para mexer com os nervos de Isabela. Por que ele tinha que ser tão bonito? E por que ela não conseguia parar de pensar nele? Ela não queria se distrair com nada disso, esse não era o propósito de sua mudança de país. Não sabia nem se ele era solteiro e mesmo assim, ele não saía de seus pensamentos.

Enquanto a noite avançava, Ethan continuava interagindo com o grupo, mas seus olhos frequentemente voltavam para Isabela. Ele a observava rindo com os colegas, os olhos brilhando sob a luz suave do pub. Havia algo na maneira como ela ocupava o espaço, sem esforço, que o intrigava profundamente. Ele sabia que havia uma linha tênue entre o profissional e o pessoal, e que cruzá-la seria perigoso. Mas ao mesmo tempo, não conseguia evitar a crescente curiosidade.

Perto da meia-noite, o grupo começou a se dispersar. Ethan se levantou e, com um último olhar para Isabela, despediu-se de todos. Isabela observou-o sair, sentindo-se dividida entre o alívio e excitação. O ar da noite estava frio, porém ela decidiu caminhar até o apartamento, esfriando um pouco o turbilhão de emoções que se agitava dentro dela.

A semana havia terminado, mas o jogo entre ela e Ethan estava apenas no início. Ela sabia que, de alguma forma, aquele homem de olhares intensos e presença imponente faria parte de seus dias. E, ansiava por isso, mesmo sem saber onde aquilo a levaria.

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