Ponto de vista de Jennifer:
"Jennifer, sua vadia! Onde o meu colar de pérolas está?", Barbara gritou pela fresta da porta.
Assustada ao escutar sua voz, coloquei o colar de pérolas dentro da caixa de madeira de volta apressada, e então guardei a caixa sob o travesseiro para escondê-la.
Eu nem sequer tinha terminado de me endireitar na cama quando a porta de madeira do quarto foi aberta com um chute violento. Barbara passou correndo pela porta junto de um grupo de lobas, seguida por Luna Debra, que tinha o rosto coberto com uma camada espessa de base, mas que infelizmente não conseguia esconder as rugas nos cantos dos olhos.
Ambas estavam sempre vestidas de maneira extravagante, quase como se quisessem exibir todas as joias que tinham em um único traje.
"Luna Debra, senhorita Barbara, como posso ajudá-las?", perguntei de forma educada, saudando-as como de costume com um sorriso amigável no rosto.
"Jennifer, onde está o meu colar de pérolas que eu costumo usar?", Barbara rosnou e foi para onde eu estava, e então agarrou meu colarinho e olhou no fundo dos meus olhos. "Sua vadia! Você tem sempre a mão leve para essas coisas! É você a responsável por limpar o meu quarto. Onde foi parar meu colar de pérolas favorito? Eu não consigo encontrá-lo. Você roubou?"
"Senhorita Barbara, eu não tirei nada de dentro do seu quarto. Você não pode me acusar assim sem ter provas", respondi com paciência, usando um tom que não era nem humilde e nem agressivo.
"Sua vadia sem vergonha! Como você ousa falar comigo dessa forma? Você quer provas? Então vamos encontrar provas agora mesmo!", Barbara rosnou em minha cara e me empurrou para trás. Ela então se virou para as lobas que havia trazido e ordenou que revistassem meu quarto.
Meu quarto pequeno e pobre logo foi virado de cabeça para baixo. A velha colcha que eu jogava sobre a cama foi atirada no chão, enquanto a pequena mesa de madeira e o banquinho eram derrubados com baques altos. E o pior de tudo é que eu tive que assistir Barbara pisar na minha colcha com seus saltos altos caros. Ela até teve coragem de pegar a chaleira meio vazia que agora estava caída no chão e derramou a água na colcha. Ela estava claramente se aproveitando da oportunidade para descarregar toda a sua raiva em mim.
Tentei manter meu rosto sem expressão e olhei para os rufiões enquanto eles transformavam meu quarto em uma bagunça, mas o ressentimento daquela cena agarrou meu coração e se infiltrou para dentro dos meus olhos.
"Como você ousa me encarar assim? Você terá consequências graves quando eu encontrar aquele colar!", Barbara gritou e então enfiou seus calcanhares com mais força na minha colcha.
Cerrei meus punhos ao lado do corpo para controlar minha raiva e a ignorei. Depois de mais alguns breves segundos observando as lobas jogarem todas as minhas coisas pelo chão, eu não pude me conter. "Parem! Eu não roubei nada de ninguém. Por que vocês estão fazendo isso?", gritei, irritada.
"Por quê? Essa é uma resposta simples. Eu sou a filha do Beta e você é só mais uma escrava, um lixo abandonado pelos outros!", Barbara riu de mim com esnobe.
"Você não é nem um pouco nobre. Você não passa de uma órfã adotada pela Luna", respondi com raiva.
Antes de morrerem, os pais de Barbara costumavam ser amigos íntimos de Luna Debra. E foi por esse motivo que Luna Debra adotou Barbara. Se formos falar de linhagem, eu era muito mais nobre do que Barbara. Eu realmente não tinha ideia do que eu poderia ter feito para ofendê-la daquela forma. Ela nunca gostou de mim e sempre me causava problemas públicos e particulares.
Naquele instante, uma loba jogou meu travesseiro no chão, fazendo com que a pequena caixa de madeira caísse no chão.
"Não!", eu corri ansiosamente para pegar a caixa de madeira. Mas antes que eu pudesse ter a chance de tocá-la, Barbara pisou nas costas da minha mão. Seu calcanhar cravou fundo em minha pele até que começasse a sair sangue. Eu não consegui evitar estremecer com a dor aguda que aquilo havia me causado.
"Qual é a pressa, vadia? Por que está tão preocupada com esta caixa surrada? Você deve estar escondendo algo dentro dela", Barbara zombou.
Uma das lobas pegou a caixa de madeira e entregou para ela. Barbara abriu a caixa de madeira e todos puderam ver o colar de pérolas que estava ali dentro.
Eu quis me levantar, mas Barbara apertou o calcanhar com mais força nas costas da minha mão, me deixando presa no chão.
Eu fiquei com medo de que, se eu me levantasse abruptamente, minha pele acabasse se rasgando. A dor era muito forte para que eu conseguisse aguentar. Mas ainda assim, a dor no meu coração era ainda maior do que aquela que eu sentia na minha pele.
"Luna Debra, olhe!", Barbara pegou o colar de pérolas nas nãos e balançou-o triunfantemente na frente de Luna Debra. "Eu te disse que aquela vadia tinha roubado o meu colar! Ela apenas não quis admitir. Como uma escrava como ela poderia ter um colar tão caro?", ela cuspiu, e olhou para mim com desdém.
Luna Debra franziu a testa enquanto olhava para o colar, e acenou com a cabeça, concordando.
"Nós demos um teto para ela, mas ela nos roubou! Como ela ousa fazer isso? Ela deve ser severamente punida", Barbara continuou, tentando provocar Luna Debra ainda mais.
"Esse colar é meu! Senhorita Barbara, olhe com mais atenção para ele. Não é o seu colar", argumentei, mordendo meu lábio inferior com receio.
"Mesmo que este colar não seja realmente meu, também não pode ser seu. Já que você perdeu o meu colar de pérolas, vou tomar isso como uma forma de compensar a perda." Apertando o colar na mão com força, Barbara me chutou no peito, jogando a caixa de madeira no chão.
"Luna Debra, você precisa fazer alguma coisa! Barbara está sendo irracional", implorei, voltando-me para Luna Debra que agora era como meu último raio de esperança.
Mas Luna Debra somente me olhou com desprezo. "Já que você perdeu o colar de Barbara, você não acha que deveria compensá-la por isso? Você deveria se sentir grata por Barbara não estar te responsabilizando por isso", ela disse, zombando.
Eu cerrei minhas mandíbulas com raiva. Eu sabia que já não tinha nada que eu pudesse fazer contra aquelas duas mulheres perversas, então eu não tinha escolha se não engolir o insulto e a humilhação que elas estavam jogando em mim. Imaginar que o colar que minha mãe já falecida havia deixado para mim, estava sendo tirado das minhas mãos por Barbara, me fez quase perder o controle. Eu realmente queria que pudesse despedaçar os rostos daquelas duas mulheres e deixá-las provar do seu próprio veneno.
"Luna Debra, vamos. O quarto dessa vadia é muito sujo. Ele não é digno da sua presença." Barbara então segurou o braço de Luna Debra e saiu de forma arrogante pela porta, enquanto as lobas as seguiam.
"Vadia, amanhã você passará o dia sem comer nada. Isso é o que você ganhou por ter me irritado", ela acrescentou antes de desaparecer pela porta.
Amanhã seria meu aniversário de dezoito anos, e eu havia acabado de descobrir que passaria fome o dia todo. O ódio borbulhou dentro do meu coração enquanto eu olhava para suas costas, recuando. 'Um dia eu vou fazer você pagar por todas as coisas que você fez comigo!', jurei para mim mesma.
Por um momento, sentei-me no chão com os joelhos aninhados no meu peito, balançando-me para frente e para trás no quarto escuro e pobre. O vento frio entrava vez ou outra pela janela quebrada, me fazendo estremecer da cabeça aos pés. Ainda não era inverno, mas o tempo já estava congelando. Apertei meu velho avental em volta do corpo, e finalmente me levantei e fui até a porta para fechá-la. A porta de madeira lascada rangeu quando eu a empurrei.
Eu então me virei, peguei a caixa de madeira que estava no chão e limpei toda a poeira que estava nela com meu avental. Até que finalmente senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
Aquele colar de pérolas havia sido deixado para mim por minha mãe, que havia morrido anos atrás. Sempre que eu sentia falta dela, eu pegava o colar nas mãos e me lembrava dos tempos que passei com ela.
Na verdade, eu não havia nascido para ser escrava. Meu pai, Lewis Smith, e minha mãe, Doris Smith, foram o Alfa e a Luna da Matilha de Arco-Íris. Eu também tinha um irmão mais velho, chamado Jerome Smith. E com a proteção de minha família, eu havia tido uma ótima infância.
Mas quando eu tinha somente sete anos de idade minha mãe morreu de uma doença aguda. Um velho ditado dizia que as coisas ruins vinham em triplo. Não muito depois, Beta Arthur e outros traidores se rebelaram contra meu pai e então o mataram. Meu irmão mais velho me tirou da matilha para me manter segura em algum lugar, mas nós dois acabamos nos separamos durante nossa fuga.
Depois de vagar por conta própria por um tempo, eu cheguei até a Matilha de Rio Escuro. Claro que não ousei revelar minha verdadeira identidade para eles. E a partir daquele momento, lavei roupas e cozinhei todos os dias, tornando-me escrava desse bando para sobreviver.
Depois de algum tempo, fiquei sabendo que o Beta Arthur havia se tornado o Alfa da Matilha de Arco-Íris. Como um traidor poderia se tornar o Alfa? Era engraçado!
Eu carreguei todos os erros e infortúnios que havia sofrido dentro do meu coração, incluindo a traição de Beta Arthur, a morte injusta de meu pai, e o então desaparecimento de meu irmão, junto com a forma como fui insultada e abusada todos os dias na Matilha de Rio Escuro. Eu daria o meu melhor para me tornar mais forte e conseguir me vingar de todos.
Ponto de vista de Jennifer:
Enquanto eu permanecia deitada com aquela caixa de madeira vazia nas minhas mãos, o ódio aumentava dentro de mim.
"Jennifer, você será bem-sucedida um dia", uma voz me tirou do meu torpor.
"Quem está aí?", perguntei ansiosa.
"Jennifer, sou eu, Eva. Sou a sua loba. Parabéns pelos seus dezoito anos!"
"Eva, finalmente consigo sentir você!", exclamei, deixando as lágrimas rolarem pelo meu rosto com a sensação de alívio que me invadiu. Somente agora me dava conta que já passava da meia-noite. Portanto, eu oficialmente tinha dezoito anos e minha loba apareceu.
"A partir de hoje, estarei sempre com você", ela me disse.
"Obrigada, Eva. É bom saber que não estarei mais sozinha", respondi, sorrindo com o pensamento de tê-la ao meu lado.
"Você nunca está sozinha. E logo vai conhecer o seu companheiro", Eva prosseguiu.
"Sim, você tem razão! Sou adulta agora. Assim que receber de volta o colar que minha mãe me deu, vou deixar este lugar e procurar pelo meu companheiro."
Encontrá-lo era algo que eu realmente ansiava dentro de mim. Ainda podia lembrar quão intenso era o amor dos meus pais um pelo outro. E, por algum motivo, sentia que teria uma relação tão boa quanto com o meu companheiro.
O ferimento na minha mão seguia latejando e, graças a Barbara, minha colcha estava um trapo. Eu estava toda enrolada na cama numa posição patética. Embora estivesse faminta e com frio, adormeci com o brilho das minhas expectativas reluzindo no horizonte.
Cedo na manhã seguinte, fui até a casa de Barbara para limpar sua casa. O colar de pérolas que ela havia roubado era de grande valor para mim, por isso eu precisava pegá-lo de volta a qualquer custo.
Assim que entrei na sua casa, fui direto para o seu quarto. A porta estava entreaberta, mas não havia ninguém lá dentro. Contando com a sorte ao meu lado, corri e comecei a vasculhar suas coisas o mais rápido que pude. Infelizmente não consegui encontrar meu colar, porém achei o colar que Barbara normalmente usava. Ela havia me incriminado e acusado injustamente de roubá-lo! E, nesse tempo todo, ele estava ali, bem a salvo na sua caixa de joias. Aparentemente aquela cadela havia criado problemas sem motivo algum.
Vasculhei cada centímetro do quarto dela, mas não consegui encontrar o meu colar de pérolas. Grunhindo frustrada, saí dali para procurar em outros cômodos.
Fui até o seu closet, disposta a tentar a sorte lá. Uma forte fragrância de lírios me atingiu de súbito enquanto eu procurava meu colar ali. Conforme fui caminhando pela casa, o cheiro foi ficando cada vez mais forte.
De alguma forma, como se por instinto, eu sabia que esse era o cheiro do meu companheiro. Quem era ele?
"Não, não aguento mais... Seu pau é tão grande, está tão fundo dentro de mim!", uma mulher gemeu.
"Você não consegue aguentar? Querida, mal entrei", um homem respondeu.
"Amor, me come! Me deixe louca!", a outra gritou em resposta.
Os gemidos lascivos da mulher estavam acompanhados pelo som de água corrente e o barulho constante de carne contra carne.
Meu coração pulou para minha boca enquanto eu continuava seguindo o cheiro até chegar na porta do banheiro. Assim que vi duas pessoas entrelaçadas na banheira, senti meu estômago embrulhar. Os dois estavam tão absortos um no outro que nem repararam na minha presença.
Eram dois lobisomens fazendo sexo na banheira, um deles era a cruel Barbara e o outro era o despudorado Kevin. Aquele homem seria o futuro Alfa. Ele dormia com muitas mulheres e me assediava de tempos em tempos. Eu o odiava profundamente. Nunca achei que ele e Barbara ficariam juntos, mas os dois faziam um casal perfeito.
Ai, meu Deus! Esse idiota é para ser meu companheiro?
A bile subiu queimando a minha garganta enquanto eu os observava com meus pés enraizados naquele lugar.
Ponto de vista de Kevin:
Eu estava transando loucamente com Barbara no banheiro quando senti uma doce fragrância de flores. Era evidente que minha companheira estava por ali. E, realmente, quando olhei para a porta, vi Jennifer ali parada.
"Jennifer, você está aqui", cumprimentei, continuando a enfiar meu pau em Barbara. A visão da garota ali na porta me deixou ainda mais duro, fazendo com que fosse impossível parar.
"Sim", Jennifer engasgou em voz baixa, como se estivesse sentindo alguma dor física.
"Puta, quem foi que permitiu você entrar aqui essa hora da manhã? Saia agora!", Barbara rugiu.
Vi Jennifer dando meia volta para sair.
"Espere, não vá, venha aqui", falei em um tom mais duro, saindo de dentro de Barbara.
Jennifer entrou no banheiro devagar, hesitante.
"Kevin, eu ainda não me satisfiz, não deixe essa vadia te distrair. Diga para ela dar o fora", Barbara choramingou, puxando meu pau para junto dos seus seios. Ela agia de maneira tão obscena que parecia uma prostituta.
"Barbara, você precisa ir agora, tenho que conversar com Jennifer sobre um assunto importante", falei, mal conseguindo esconder o nojo que sentia diante da cena dela e a empurrando para longe.
Barbara ficou chocada com minha atitude por um momento, mas depois se levantou relutante e saiu do banheiro. Assim que chegou na porta, levantou a mão e deu um tapa na cara de Jennifer.
"Olha aqui, puta, é melhor você se comportar. Kevin é meu homem, se você se atrever a seduzi-lo, vou matá-la!", ela exclamou com veemência.
"Senhora Barbara, somente você confundiria lixo com mel", Jennifer cuspiu de volta, encarando Barbara enquanto cobria a bochecha atingida.
"Você é apenas uma escrava fazendo trabalho doméstico, por que age de maneira tão arrogante? Se você meramente se atrever a me encarar assim outra vez, vou arrancar seus olhos fora!", Barbara ameaçou, bufando na cara da outra.
"Ah, é só isso que você consegue fazer?", Jennifer zombou, encarando a outra sem medo algum.
Escutar as duas brigando estava me dando dor de cabeça. "Barbara, saia!", interrompi bruscamente.
Lançando uma última mirada fulminante na direção de Jennifer, a mulher finalmente deixou o lugar.
Finalmente, estava a sós com Jennifer. Acenei para ela, a convidando para vir até mim. "Jennifer, chegue mais perto", falei.
"O que você precisa?", a garota indagou, caminhando lentamente na minha direção com a cabeça baixa.
Saí da banheira e fechei a porta. Meu lobo estava gritando violentamente na minha cabeça, pedindo para que eu saltasse em cima dela naquele exato momento.
Assim que fiz dezoito anos, soube que Jennifer seria minha companheira. Claro, eu não pensei nem por um momento em aceitá-la, já que sua condição social era muito abaixo da minha. Uma mulher como aquela não poderia ser minha Luna. No entanto, eu não podia negar que sua forma de violão me deixava completamente louco por possui-la. Se não podia fazê-la ser minha Luna, pelo menos poderia tê-la como parceira sexual.
Já fazia um bom tempo que eu a queria, mas sua guarda estava sempre levantada contra mim. Contudo, se não me falhava a memória, hoje era seu aniversário, portanto ela provavelmente sabia que eu era o seu companheiro. E, nesse caso, havia uma chance de sua atitude mudar em relação a mim. Afinal, nenhuma loba hesitaria diante da possibilidade de ser a companheira de um Alfa.
"Olhe para mim", ordenei, puxando o queixo de Jennifer para cima a fim de encarar seus olhos. A aura fria que aquela mulher exalava só me fez querê-la ainda mais, porém o nojo em sua expressão era algo que eu não podia ignorar.
"Quem você acabou de chamar de lixo?", rosnei.
"Não foi você", Jennifer retrucou indiferente.
"Sabe de uma coisa? Você parece tão pura e inocente o tempo todo que só me dá vontade de transar contigo até o fim dos tempos", falei, soltando o queixo dela e acariciando sua bochecha. "Jennifer, você é fodasticamente gostosa."
"O que você está fazendo?", a mulher retrucou, dando um passo para trás e afastando a minha mão. "Hein? Barbara não conseguiu satisfazê-lo?"
"Ela não é tão atraente quanto você, cada vez que transamos, fico imaginando você no lugar dela." Só de cogitar fazer sexo com Jennifer já me deixava excitado e, com isso, lambi meus lábios antevendo meu prazer. "Vamos, fique comigo, posso sustentá-la e você não precisará continuar sendo uma escrava", falei, segurando seu ombro e, num gesto brusco, rasguei sua saia. Ela lutou desesperadamente, tentando se soltar do meu aperto.
"Não precisa continuar com essa cena de inocência, na Matilha de Rio Escuro, toda loba quer transar comigo", falei convicto. Com a mão esquerda, agarrei o cabelo dela, enquanto com a direita fui subindo pela sua coxa.
"Não me toque!", ela gritou.
"É melhor você se comportar. Você já deve ter percebido isso o que nós dois temos, não? Somos companheiros, portanto, dormir juntos não é grande coisa para nós. Mas se você continuar resistindo, vou rejeitá-la!", lancei como cartada final. Eu tinha certeza que ela cederia após essa frase.
E, de fato, Jennifer parou para refletir por um momento. Mas, justo quando pensei que havia a deixado com medo, ela levantou a mão e desferiu um tapa no meu rosto. Pego de surpresa, afrouxei o aperto em seu cabelo, fazendo ela aproveitar para correr até a porta.
"Como você se atreve a me bater?!", rosnei indignado.
Quando toquei na minha bochecha inflamada pelo tapa, senti a raiva subindo por dentro de mim. Que vadia sem vergonha!
Eu havia planejado dormir junto dela e depois rejeitá-la, mas aquela puta estava destruindo todos meus planos só porque queria continuar fingindo ser pura e virgem! Bem, logo ela se arrependeria de ter me desafiado.
"Eu, Kevin Brook, o futuro Alfa da Matilha de Rio Escuro, rejeito você solenemente, Jennifer Smith, como minha companheira", falei com total frieza.
Achei que ela cairia imediatamente aos meus pés e imploraria para que eu retirasse minhas palavras. Contudo, para minha surpresa, ela sorriu aliviada.
"Isso é ótimo, estava esperando que você me rejeitasse. Agora mesmo estava me perguntando por que a Deusa da Lua me designou um patife que nem você como companheiro. Obrigada por me deixar livre!", ela exclamou.
De que diabos essa vadia estava falando? Ela não deveria estar choramingando por ter sido rejeitada por mim, o futuro Alfa? Como podia sorrir dessa maneira, como se essa fosse a melhor notícia do mundo?
Um sentimento ruim se formou no meu coração, mas antes que pudesse elaborar qualquer coisa em resposta, Jennifer abriu a boca para falar, inspirada. Seu tom emanava alegria, como se tivesse ganho um prêmio e não sido rejeitada:
"Eu, Jennifer Smith, filha do falecido Alfa Lewis Smith da Matilha de Arco-Íris, estou aqui para aceitar a sua rejeição."
Ponto de vista de Kevin:
O tom na voz de Jennifer era completamente calmo e ela até ostentava um sorriso alegre no rosto. Eu, por outro lado, senti como se um trovão tivesse me atingido. Olhando para ela, fiquei deslumbrado com seu sorriso.
Do que ela estava falando? Como poderia ser filha do rebaixado Alfa Lewis Smith da Matilha de Arco-Íris? Ela não era apenas uma reles escrava? Como poderia ser parte da linhagem de um Alfa?
Meu lobo gritou em sofrimento dentro da minha mente: "Seu idiota! Como foi rejeitar uma companheira de linhagem Alfa?"
"A Matilha de Arco-Íris já tem um novo Alfa, esta garota não passa de uma simples escrava agora. Não merece ser minha Luna de forma alguma. O certo foi rejeitá-la", teimei com meu lobo. Mas se aquilo era realmente o certo, por que eu sentia a raiva se acumular dentro de mim?
"Você é tão idiota, está arrependido agora, não é?", meu lobo provocou.
"Caralho! Você pode calar a boca um pouco?", pedi com raiva.
Me arrepender? Eu era o futuro Alfa, todas as lobas da matilha estavam loucas para ficar comigo, por que deveria me arrepender de recusar uma escrava? Não fazia o menor sentido.
"Posso sair agora?", Jennifer indagou, interrompendo o fluxo dos meus pensamentos com seu sorriso.
Havia certo desdém e uma impaciência nem um pouco disfarçada em seus olhos.
Eu queria agarrá-la e fodê-la violentamente como punição por essa grosseria. Contudo, a expressão impertinente no seu rosto era irritante demais para que eu continuasse olhando.
"Vá se foder", rosnei.
Jennifer deu de ombros e saiu dali sem nem sequer olhar para trás. Parecia não ter realmente intenção alguma de ficar por ali. Na verdade, era como se estivesse me evitando como uma doença contagiosa.
Ainda assim, a visão das suas costas bem delineadas e graciosas só contribuiu para aumentar meu desejo. Sem ter outra maneira de desabafar, grunhi e soquei a parede.
Minha raiva queria sair descontrolada de dentro de mim.
Como aquela vadia podia ser tão indiferente perante a minha pessoa? Isso era completamente inaceitável!
Ponto de vista de Barbara:
Aquela puta da Jennifer veio se intrometer na minha relação com Kevin e, ainda por cima, quando estávamos transando! Não bastasse isso, Kevin pareceu interessado nela! Isso não pôde ficar assim.
Minha linhagem de sangue era de nobres Betas e eu conhecia Kevin desde criança, já havia decidido há muito tempo que seria sua Luna um dia.
O Alfa Norman sempre me tratou bem. Se eu reclamasse com ele sobre Jennifer, com certeza ela seria punida.
Pensando nessa possibilidade, rapidamente corri até o seu escritório. Pouco antes de adentrar, procurei me lembrar de todas as emoções negativas que carregava dentro de mim e consegui tirar algumas lágrimas dos meus olhos. Só então entrei com uma cara digna de pena.
"Barbara, o que houve? Por que você está chorando? Quem foi que fez isso?", o Alfa Norman me perguntou, preocupado.
"Não foi nada", murmurei, baixando minha cabeça em sinal de respeito. "Desculpe deixá-lo preocupado."
"Quem te deixou assim? Não tenha medo de me dizer, seja quem for, vai aprender uma boa lição!", ele disse, se levantando e tocando de leve a minha cabeça.
"Foi... Jennifer", falei, deixando as lágrimas rolarem de meus olhos vermelhos ao pronunciar seu nome. "Ela roubou meu colar de pérolas ontem, pedi que me devolvesse, mas ela se recusou e chegou até a dizer que não se importaria de usar a violência para ficar com ele. Finalmente consegui pegar o colar de volta, mas ela me ameaçou e quase me deu um tapa! E, pior, deu em cima de Kevin. Veio me dizer que é a única digna de ser companheira dele..."
Fiz uma pausa, como se estivesse sofrendo muito em falar sobre o assunto.
"Sinto muito, Alfa Norman, não deveria estar aqui o incomodando por algo tão trivial..."
Quando levantei um pouco o olhar para ver a reação dele, pude ver que Norman estava explodindo de raiva.
"Isso não é trivial! Como uma simples escrava ousa ameaçá-la? E ainda cobiça ficar ao lado de Kevin como sua companheira? Quem diabos ela está pensando que é? Uma escrava tão despudorada e cruel precisa ser punida!", Alfa Norman retrucou com seriedade, se virando em seguida para seus guarda-costas e gritando: "Tragam Jennifer aqui!"
Não demorou muito para que a garota entrasse na sala também. Vestida com apenas uma camiseta branca e calças rasgadas, ela parecia muito pobre.
Assistindo enquanto Jennifer caminhava até o sofá, o Alfa Norman fez um gesto com a mão. Duas lobas altas e fortes surgiram de trás de Jennifer, a agarrando com força e batendo nela várias vezes.
O som dela apanhando me encheu de alegria, embora eu não demonstrasse isso por fora.
"Alfa Norman, por que você está fazendo isso?", Jennifer questionou em choque, cobrindo as bochechas inchadas.
"Esta é sua punição por ameaçar Barbara!", Alfa Norman exclamou, sentando bem ereto numa postura dominadora. "Não se esqueça de quem você é, da próxima vez que você cruzar a linha, não serei tão gentil."
Jennifer zombou de raiva e quis explicar, porém Alfa Norman não lhe deu chance de falar.
"Daqui a dois dias, o senhor Anthony Jones virá para selecionar alguns lobisomens especiais para treinarem no nosso campo real. Jennifer, seria melhor você já ir se preparando para a cerimônia e para os testes. Não estrague tudo, caso contrário irei esfolar você viva!"
"Posso participar dos testes?", Jennifer indagou com um brilho no rosto. Era como se tivesse acabado de esquecer a humilhação que sofrera agora mesmo.
A maluquice dela quase me fez gargalhar da sua cara. Alfa Norman a contemplou de cima a baixo com um olhar evidente de desagrado.
"Você? Quem você pensa que é? Como uma escrava poderia participar dos testes? Não me venha com essas fantasias ridículas! Você não está qualificada, apenas faça seu trabalho direito. Não deixe seus pensamentos tomarem conta", ele rosnou.
Ver Jennifer ser posta no seu lugar me satisfez enormemente.
"Apenas lobisomens de linhagens nobres podem participar dos testes. Você acha que merece essa oportunidade?", adicionei à humilhação dela, encarando seu rosto pálido.
"E se eu merecesse?", Jennifer retrucou com firmeza.
"Só nos seus sonhos!", zombei, revirando os olhos. "Jennifer, escravas como você só merecem ser pisoteadas por mim pelo resto das suas vidas."
"Você se acha nobre? Por que se acha no direito de falar bobagens a meu respeito na frente do Alfa Norman? Se sou apenas uma escrava, por que você está sempre atrapalhando meu caminho? Estou olhando para você do fundo do meu coração!", Jennifer exclamou, me encarando.
"Você está me desprezando?", retorqui, deixando meu temperamento tomar as rédeas do meu comportamento e esquecendo por completo as regras de convivência em público. Pulei para cima de Jennifer sem titubear. "Sua puta, vou arrancar sua língua fora!"
Tudo que eu queria era rasgá-la em mil pedaços.
Saltando em cima dela, agarrei seus cabelos e fui direto para o seu rosto. Contudo, Jennifer estava preparada para meu golpe. Ela bloqueou meu ataque com o cotovelo, deu um chute na minha barriga e arranhou violentamente meu braço.
Gemi de dor, cobrindo minha barriga e olhando para o arranhão sangrento que ela me deixou. Estava ficando louca com aquele comportamento dela.
"Sua vadia! Como ousa me machucar?", a xinguei. Não estava nem aí se meu cabelo estava desgrenhado.
Sabia que minha aparência não devia ser das melhores naquele momento, mas isso era culpa dela. Era óbvio que eu não esperava ser derrotada por uma escrava.
"Senhora Barbara, você pediu por isso", Jennifer alegou, me encarando com frieza.
Finalmente, Alfa Norman soltou um grunhido para encerrar nossa luta. "Jennifer, prepare-se para as cerimônias, não irei repetir meu pedido outra vez", ordenou.
Aparentemente ela não receberia uma punição tão severa como eu gostaria. Meu objetivo não foi alcançado. Se fosse só aquilo, eu não estava nem um pouco satisfeita. Aparentemente eu precisaria buscar outra maneira de punir essa vadia, queria tornar a sua vida um inferno. Foi então que uma ideia perfeita me ocorreu.