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Amante [Morro]

Amante [Morro]

Autor:: Izza Marques
Gênero: Romance
Bg é o traficante mais procurado do Brasil, aos dezesseis anos matou o tio por assediar a sua irmã e assumiu o seu lugar, construindo o seu legado. Com poucos amigos, muita inteligência e sede de vitória ele conquista um pouco mais a cada dia, mas se vê em um desafio quando desperta um interesse por uma certa mulher baixinha que sem motivo algum o odeia. Samantha Bastos é uma mulher independente, que cresceu tendo que cuidar da mãe após o pai morrer de overdose. Como uma menina criativa, seu interesse pela moda foi quase instantâneo, resolveu se profissionalizar nisso mesmo sem muito apoio, atualmente sendo uma das maiores estilistas do Brasil com apenas vinte e dois anos. Uma proposta irrecusável os une pelo resto de suas vidas. Ele é não confia em ninguém. Ela é cercada de amigos. Ele é cruel e frio. Ela é a pessoa mais alegre do mundo. E eles, bom, eles são fogo e gasolina. >>> @aut.izzamarques

Capítulo 1 1- Prólogo.

Karol

Abri a porta de casa depois de mais um dia cansativo, o estágio que eu fazia era em uma grande clínica veterinária do outro lado dessa porra de cidade. Entrei vendo as marcas de sangue no chão, coloquei a mão na boca estática pela quantidade. Sentados no meu sofá estavam dois caras que eu reconheci serem vapores aqui do morro e deitado no maior estava um homem baleado. Fechei a porta atrás de mim e caminhei até eles.

Karol: O que porra tá acontecendo aqui? – O magrinho que é um dos amigos do meu primo eu já conhecia, uma vez ele veio trazer umas compras aqui em casa para mim.

Magrinho: Aí mina, disseram que tu é médica e o mano aqui tá precisando retirar a bala do peito. – Neguei sabendo da intenção deles.

Xx: Qual foi mina? Vai me deixar morrer? Eu te pago pelo serviço pode deixar. – O cara que estava deitado no meu sofá praticamente morrendo de sangrar disse com a voz fraca.

Não era sobre isso, era sobre eu ter aprendido a cuidar de animais e não de pessoas. Caminhei até o armário da cozinha e peguei uma caixinha de primeiro socorros que eu deixava lá.

Peguei os produtos para higienizar e me sentei em um banquinho na frente dele.

Karol: Toma. – Estendi um pano de prato pra ele. – Morde isso aí pra você não gritar tanto.

Ele colocou a toalha na boca assim que eu despejei o líquido na ferida, os gritos abafados pela toalha na sua boca eram estridentes.

Peguei a pinça com as mãos tremendo e retirei a bala do ferimento. Quando eu peguei a agulha pra começar a suturar o ferimento o cara segurou a minha mão me impedindo.

Xx: Toma cuidado aí Doutora. – Revirei os olhos.

Terminei tudo e me levantei, lavei as mãos na pia e voltei encontrando ele sentado no meu sofá.

Karol: Você vai comprar um novo pra mim, destruiu o meu sofá de sangue! – Murmurei. Por hoje a minha raiva por eles terem sujado a minha humilde casa superou o medo de levar um tiro no meio da testa.

Xx: Qual é o teu nome todo mandada?

Karol: Karolynne Santos de Almeida, vai me cadastrar no bolsa família?

Xx: Satisfação Karol, o vulgo é Noronha. Amanhã um menor vem trazer uma meta aqui na tua porta. – Ele tentou se levantar bruscamente, mas parou quando sentiu a dor.

Karol: Você não vai conseguir sair assim, é melhor você dormir aqui mesmo. – Ele concordou. – Qualquer coisa eu tô no meu quarto. – Murmurei.

Entrei no quarto e peguei a minha toalha passando direto para o banheiro. Tirei toda a minha roupa e liguei o chuveiro entrando em baixo, o sangue escorria pelo ralo a baixo.

Tomei um banho demorado, me sequei, passei um hidratante e vesti um pijama. Sai do quarto e voltei pra sala vendo os três ainda lá.

Magrinho: Tem como tu arranjar uns cobertor pra nós aí não novinha? – Revirei os olhos.

Karol: Abusado. Voltei pra o quarto e peguei alguns cobertores fofinhos com a maior dó sabendo que sujaria de sangue e se eu conseguisse tirar a mancha seria com muito suor.

Karol: Aí. – Joguei em cima do magrinho.

Magrinho: Não é porque tu tá ajudando a gente agora que tu vai faltar com respeito não, bandido é bandido. – Concordei com ele e abaixei a cabeça morta de vontade de mandar ele se foder.

Karol: Desculpa aí chefe. – Murmurei. – Da próxima eu deixo morrer mesmo. – Falei baixinho para que só eu ouvisse.

Noronha: Deixa a mina magrinho.

Voltei pra o meu quarto e deitei na cama, coloquei um filme na Netflix e assisti até o sono me vencer.

[...]

Acordei com o toque do celular, peguei a minha bomba debaixo do travesseiro e atendi a ligação.

Karol: Que foi caralho? – Gritei.

Xx: Oi. – A mulher falou e desligou a chamada. Chamei todos os palavrões que existem com o número, acordar assim é um saco!

Me levantei da cama e entrei no banheiro, escovei os dentes e fui até a sala. Estava vazia, os caras já tinham ido embora, mas deixaram uma bagunça enorme pra palhaça aqui limpar.

Suspirei tentando não surtar. Liguei a jbl e conectei no celular, coloquei pra tocar a música "Ela é malandra" e fui atrás das coisas pra limpar a casa na área de serviço.

Terminei por volta das onze horas, minha casa ficou limpinha tirando o sofá que eu tive que empurrar pra o quintal e lavar lá.

Tomei um banho e vesti um short jeans com uma camisa do Corinthians. Mandei mensagem pra uma lanchonete aqui do morro e pedi uma quentinha, me sentei na mesa da cozinha e comecei a olhar a página de fofocas da Rocinha no twitter.

Tinha um recado lá avisando que o dono do morro tinha sido baleado em confronto e foi levado para a casa de uma moradora no meio da noite.

Coloquei a mão na boca, em que merda eu me envolvi? Achei que era só um vaporzinho meia boca. Escutei o barulho na minha porta e me levantei pra pegar a quentinha, abri o portão e vi o magrinho encostado na XRE.

Karol: Veio limpar minha casa? Chegou atrasado. – Ele sorriu negando.

Magrinho: Tu tira muita marra pra cima de bandido Karol, vai morrer cedo desse jeito.

Karol: Novidade. – Murmurei.

Ele me estendeu uma sacola e eu abri o portão indo pegar, abri vindo que dentro tinha um bolo de dinheiro. Pelo menos não são mentirosos.

Karol: Não vou negar porque eu vou precisar comprar um sofá novo e vocês são bandidos ricos, Karolzinha é pobre. – Ele riu negando.

Magrinho: Vai me convidar pra entrar não? – Neguei. – Eu entro do mesmo jeito novinha.

Ele passou por mim entrando na minha casa, bufei irritada e fui atrás.

O Magrinho abriu a geladeira da minha casa e pegou um pote de sorvete que tinha lá, ri da careta que ele fez quando viu que era feijão.

Magrinho: Filha da puta! Tem nada nessa casa não?

Karol: Me dá trabalho, faça minhas compras e depois reclame. – Ele me deu dedo.

Magrinho: Vou pedir uma comida no garu.

Karol: Eu já pedi. – Falei enquanto mexia no celular.

Magrinho: Tô ligado. O Noronha quer bater um papo contigo, tem uns serviços pra tu pô. – Enruguei a sobrancelha.

Karol: Ele é o dono do morro? – Ele concordou. – Não tem mulher?

Magrinho: Outros tipos de serviço Karolzinha, tá voando alto.

Karol: Humm... Não quero me envolver com esse tipo de gente. – Ele murmurou alguma coisa tão baixo que eu não consegui ouvir.

Magrinho: É uma pena tu não ter opção, porque se o Noronha quer ele vai infernizar a tua vida até ter.

Agora pronto!

>>>

@aut.izzamarques

Capítulo 2 2- Doutora

Noronha

Encarei o Magrinho sorrindo pra tela do celular, viadagem do caralho. Me aproximei dele devagar e dei um tapa na cabeça dele.

Noronha: Tá falando com quem? – Ele sorriu e deu de ombros.

Magrinho: A Karolzinha tá perguntando se eu vou colar no pagode, tá ligado né? – Ele deslizou a mão pela barriga.

Noronha: Caô, a mina vai colar com a gente. – Fechei a cara na hora, salvou a minha vida, tô devendo um bagulho pra ela. – Quero pivete nenhum atrás dela não, a consequência tu já sabe qual é.

Magrinho: Qual é Noronha? Tá atrás da novinha? – Ele me encarava sério, dei de ombros.

Noronha: Segue a tua caminhada e deixa a mandada na dela.

Me levantei e peguei o fuzil em cima da mesa atravessando nas costas, sai da boca fazendo toque com os menor que estavam na atividade em frente a casa.

Subi na Xt e dei partida pra casa, parei a moto em frente ao lugar escutando o som no talo com uma funk proibidão. Porra de mulher surtada. Entrei no sapatinho e desliguei o som, Aline saiu da cozinha igual um furacão e já veio me xingando.

Aline: Tá me tirando? Liga essa porra aí parceiro. – Neguei. Ela bufou e veio ao meu encontro me dando um selinho. – Chato pra caralho.

Noronha: Meu dinheiro tu não acha chato né filha da puta?

Aline: Do jeito que você fala parece que eu tô com você só por interesse. – Sorri de lado. Meu lance com a Aline é maneirinho, ela é minha mulher, mas na nossa relação não cabe sentimento não.

Noronha: E não é não?

Ela se virou e entrou pra cozinha, revirei o olhos e passei pra o banheiro. Tomei um banho e vesti uma roupa da lala, passei o Malbec e calcei a Kenner. Sai do quarto e encontrei a Aline jogada no sofá, peguei a chave da moto na mesinha e ela já se levantou vindo atrás de mim.

Aline: Vai pra onde assim? – Bufei.

Noronha: Caçar uma puta Aline. – Ela jogou uma almofada do sofá em mim. – Vou bater um papo com o Magrinho, não é foda não?

Sai de casa e subi na minha bebê, meti marcha pra casa da Karol. Bati na porta escutando os xingamentos dela antes de abrir. Quando ela abriu a porta e viu quem era fechou na minha cara, sorri da coragem da filha da puta.

Noronha: Tu tem trinta segundos pra abrir se não eu arrombo essa porra. – Murmurei.

Ela abriu no mesmo instante com uma cara de bunda. Sorri e empurrei ela entrando na casa, me sentei em uma poltrona que estava no lugar do sofá e tirei o bolo de dinheiro do bolso.

Karol: O Magrinho já me pagou, muito obrigada, agora se você puder ir embora... – Ela apontou pra porta. – Eu vou ficar muito agradecida.

Noronha: Tu não é Doutora? Então, vai ajudar os mano quando estiverem do mesmo jeito que eu tava ontem e receber por isso. – Ela gargalhou me fazendo ficar boladão.

Karol: Eu ainda não me formei e eu estudo medicina veterinária, eu tô ligada que vocês são cachorros, mas não tem corpo de um também não. – Apertei as mãos controlando a vontade de socar alguma coisa, se tem uma coisa que me deixa puto é escutar um não.

Me levantei da poltrona e caminhei lentamente em direção a ela, empurrei o seu corpo na parede e passei as minhas mãos no seu pescoço a enforcando sem muita força. A mão dela foi pra cima da minha, mas ela me encarava como se não ligasse, como se não se sentisse intimidada e isso me deu um tesão da porra!

Me afastei dela antes que eu fizesse besteira. Coloquei o dinheiro em cima da mesa na cozinha e sai da casa dela. Mulher marrenta do caralho.

Peguei a moto e sai em direção ao bar, Magrinho tava lá com os crias. Me sentei na mesa deles e comecei a conversar, semana que vêm ia ter invasão em um morro inimigo junto com os aliados.

Tomei só duas latinhas e fiquei esperando anoitecer lá, não tava nos meus planos ficar em casa enchendo meu saco com os papo torto da Aline. Voltei pra casa só pra tomar um banho, me trajei e passei a essência do Malbec no corpo. O cheiro que atiça elas é esse.

Aline: Já vai sair de novo Kaio? – Nega chata da porra menor.

Noronha: Vai pra casa do caralho Aline, tá me estranhando é? Te devo nada não. – Ela abaixou a cabeça e bufou. – Para de estressar pra gente não começar a se dar mal, falou? – Segurei no queixo dela apertando com uma certa força.

Soltei ela e sai da casa, pagode em comemoração do aniversário da irmã de um vapor das antigas meu. O mano Jacaré patrocina tudo pra piveta dele desde menor, desde iPhone à roupas de grife.

Parti pra casa dele em alta velocidade, empinei a moto na descida do morro. 244 nunca foi crime. Estacionei na frente da casa deles vendo uma fila de motos e carros lá na frente, pagodinho rolava alto.

Entrei na casa e cumprimentei os manos, vi a mandada sentada do lado da Dayanna em uma das mesas e o Magrinho junto delas. Me sentei do lado do Magrinho na mesa deles, tirei a carteira do bolso e estendi cinco notas de cem pra pirralha.

Noronha: Parabéns dragão, que Deus multiplique os homens na sua cama. – Ela sorriu pegando as notas da minha mão.

Dayanna: Amém coração, amém. Cadê a sua mulher? – A garota sorriu falsa. Não era pra menos, Aline nunca foi de fazer muita amizade não.

Noronha: Curtindo o Mc lençol e o Dj travesseiro.

O Magrinho tava conversando umas paradas com a Karol e ela toda sorridente pra o lado dele. Não Demorou muito pra a piranha da Dayanna arrastar ela pra dançar, os mano ficaram tudo olhando e não era pra menos. A Karol tinha um corpo de cavalona e uma cara de anjo, toda ninfeta! Me diz qual homem resiste a uma mulher dessa? Eu fico duro na hora.

Vi um dos vapor se levantar e puxar a cintura dela pra dançar, me levantei da cadeira e fiquei observando de longe. Não dava nem pra chegar nele e afastar sem ganhar a atenção de todas as maria fifis que esse morro tem. Mas fiquei esperando com a paciência a mil, quando ele largou dela que ela entrou na casa eu fui atrás.

Quando a Karol ia fechar a porta do banheiro eu coloquei o meu pé no meio impedindo ela de fechar a porta, entrei junto com ela e a empurrei na parede. Coloquei o meu joelho no meio das pernas dela e a enforquei tentando colocar o mínimo de força possível.

Ela gemeu baixinho no meu ouvido, não sabia ao certo se era dor ou tesão, mas foi um combustível pra que beijasse ela. Segurei na sua nuca e colei a nossas bocas em beijo sedento. Puxei o seu cabelo para trás me dando livre acesso ao seu pescoço e chupei deixando algumas marcas vermelhas.

Karol: Não... Hmmm. – Ela me empurrou com força e ficou me encarando séria. – Você é casado!

Noronha: Vai dizer que não gostou?

Ela arrumou os cabelos e saiu do banheiro. Filha da puta gostosa! Eu vou ter ela na minha cama custe o que custar.

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@aut.izzamarques

Capítulo 3 4- Lua.

Karol

Antendi a mesa onde tinham algumas meninas, do outro lado da lanchonete entrou uma mulher loira. A Paulinha tirou a bunda dela da cadeira e foi atender a mulher, coisa que era muita raridade.

Fiquei só observando de longe enquanto atendia as pessoas. Depois de um tempo entraram alguns vapores e logo atrás deles o Noronha, ele se sentou do lado da mulher. Me condenei por ser tão lerda. É claro que aquela era a primeira dama da Rocinha, exatamente como o Magrinho me disse.

Paulinha: Karol minha filha, vem anotar o pedido dos meninos aqui. – Ela gritou de lá. Trinquei os dentes engolindo toda a minha vontade de xingar, o destino querendo me estressar as oito horas da manhã.

Fui até lá e sorri pra os homens sentados na mesa, a mulher nem sequer olhou na minha cara e eu também não fiz muita questão. Coisa mais besta, se ela soubesse que o marido vive atrás de mim não me olharia assim.

Karol: O que vocês vão querer? – Perguntei segurando o caderninho.

Xx: Trás sete mistos quente, cinco croissant e cinco sucos de maracujá novinha. – Concordei.

Karol: Vão querer mais alguma coisa?

Aline: Trás um sanduíche pra mim fofinha.

Karol: Falou, patroa. – Murmurei e sorri de lado. Virei as costas pra sair, mas parei quando escutei a voz enjoada dela.

Aline: Tu tá debochando de mim? – Me virei e dei uma risada.

Karol: Você acha que eu perco o meu tempo dessa maneira? – A mulher ficou vermelha na hora, quando ela ia se levantar o Noronha a empurrou de volta na cadeira.

Ele sussurrou alguma coisa no ouvido dela que eu não consegui ouvir e nem sei se queria também. Voltei pra bancada e entreguei os pedidos para o Alessandro, ele que preparava todos os pedidos, tem a mesma idade que eu e também faz medicina veterinária. As vezes eu costumo brincar dizendo que nós somos almas gêmeas e vamos casar do tanto que nós fazemos tudo igual, mas o Ale é gay, se bem que nem parece.

Ele me entregou os pedidos prontos em uma bandeja depois de alguns minutos, levei tudo até a mesa e organizei lá.

Xx: E aí mina, rola contato não? – Concordei. Ele tirou o celular do bolso e me entregou, coloquei o meu número e salvei o contato.

Karol: Qual é o seu nome? – Entreguei o celular de volta e ele sorriu.

Xx: L7, mas tu pode me chamar de amor da tua vida.

Noronha: Qual foi Alan? Deixa a menina trabalhar na dela.

Sai de lá pra não vomitar com tanta hipocrisia, a mulher do cara bem do lado dele e ele fazendo essas palhaçadas. Fui atender as outras mesas cheia de tédio, trabalhar pra me manter, mas que eu goste eu não gosto. Pérolas de ter nascido pobre.

[...]

Subi o morro andando junto com o Alessandro. Hoje a aula tinha sido super interessante e didática e eu achar isso é uma raridade, porque pense numa pessoa preguiçosa pra estudar.

Alessandro: Qual foi Karol? Vamos brotar no baile da Colômbia hoje? – Fiquei pensando no que o Noronha tinha dito sobre ir lá em casa hoje a noite, é melhor eu nem estar lá quando ele chegar mesmo.

Karol: Só vou em casa tomar um banho e me arrumar, te mando uma mensagem e a gente pede um Uber pra lá. Pode ser? – Ele concordou.

O cara que tinha pedido o meu número hoje mais cedo passou de moto igual uma bala, não sei porque todos os caras desse morro acham que moto é avião.

Karol: Aquele cara que passou na moto pediu meu número hoje mais cedo lá na lanchonete. – Comentei sabendo que se o menino tivesse algum podre o Alessandro me falaria. Acho que o Ale é a pessoa mais fofoqueira e FBI desse morro, todo mundo ele conhece, sabe do passado, da família.

Alessandro: Tô ligado, ele é puto mais caiu na minha que tem uma pegada do caralho. Karol: Já experimentou?

Alessandro: Queria eu mona, queria eu. – Ele sorri negando. – Eu fico por aqui nega, até daqui a pouco. – Concordei, mandei beijo no ar pra ele que só sorriu como resposta.

Fui o resto do caminho até a minha casa sozinha, era na rua de trás da casa do Alessandro e não tinha tanto perigo ir só a noite. Peguei a chave de casa dentro da minha mochila e abri a porta, liguei a luz e gritei vendo a figura do Noronha deitado no meu sofá novo.

Karol: Quer me matar seu desgraçado? Como é que você entrou aqui hein?

Noronha: Vai se arrumar logo, a gente tem que voltar cedo. – Neguei. Joguei a minha mochila no sofá e coloquei as mãos na cintura.

Karol: Vai pra sua casa, se tu quer mulher pra ser mandada lá você encontra.

Noronha: Minha paciência contigo hoje tá pouca Karol, faz o seguinte, tu não quer tanto que eu te deixe na tua? Cola comigo ali só hoje e eu te deixo em paz.

Karol: Você tá mentindo!

Noronha: Eu me garanto mandada, tu tem vinte minutos pra se arrumar se não eu te enfio dentro do carro do jeito que tiver.

Me enfiei dentro do banheiro e fui tomar um banho rápido, lavei os meus cabelos nas pressas. Ódio e ódio, apenas.

Enrolei uma toalha no cabelo e outra no corpo, passei pra o quarto e escolhi um vestido de alcinha colado no corpo. Eu já tinha usado ele umas duas vezes e acho que valoriza muito todas as minhas curvas, como uma boa sereia.

Finalizei o meu cabelo, coloquei uma argola prata e passei o meu lily. A meta é ter um Good Girl, mas o meu saldo no banco me impede de luxar tanto. Calcei uma réplica do Jordan preto e voltei pra sala vendo o Noronha agora sentado jogando no celular.

Ele guardou o aparelho no bolso assim que me viu e se levantou. Saímos de casa, tranquei a porta e guardei a chave dentro da minha bolsa. Ele entrou em um carro preto estacionado na frente da casa da minha vizinha e eu entrei logo depois.

O Noronha deu partida no carro e foi dirigindo em direção a entrada do morro, olhei pra ele surpresa.

Karol: Não é perigoso pra você sair daqui, não? E se a polícia te pegar na pista? – Ele sorriu negando. A primeira vez que eu vi ele rindo tão espontaneamente.

Noronha: Brabão é o que tentar me pegar na pista. – Ele colocou uma das mãos na minha coxa, engoli em seco e fiquei encarando o rosto dele. – Perigo mesmo é verem nós dois juntos dentro do morro com aquele bando de povo fofoqueiro.

Karol: Mas também, né? Você é casado, não tem nem porque a gente tá saindo agora pra início de conversa.

Noronha: Eu quero te conhecer melhor mandada.

Karol: Você deveria conhecer melhor a sua esposa! – Que saco. Se arrependimento matasse eu já estaria enterrada uma hora dessa.

Fomos o resto do caminho em silêncio. O Noronha parou o carro em um estacionamento perto da praia. Ele desceu do carro e eu fiz o mesmo seguindo ele, paramos de andar quando chegamos em frente ao mar.

O Noronha se sentou na areia e eu me sentei do lado dele.

Karol: Porque aqui? – A praia estava vazia, o vento frio soprava com força.

Noronha: Esse é um dos lugares que eu venho pra pensar, tá ligada? Qualquer dia desses eu te levo pra conhecer os outros.

Karol: Você disse que ia me deixar em paz Noronha.

Noronha: Brisado em tu do jeito que eu tô, tu acha mesmo que eu ia conseguir? – Dei de ombros e fechei os olhos sentindo o friozinho gostoso que fazia aqui. – Na hora que eu bati o olho em tu, eu peguei a visão de que tu era pra mim.

Karol: Você é maluco, isso sim.

Noronha: Kaio.

Karol: O que?

Noronha: Me chama de Kaio.

Ele se levantou, segurou na minha mão e me puxou pra eu levantar também. O Noronha foi me puxando até a beiradinha do mar, lá ele apontou pra o reflexo da lua na água.

Noronha: É isso o que eu venho ver aqui. – Concordei e sorri, era lindo.

A gente se encarou e eu comecei a sentir a tensão se formar, o Noronha colocou uma mão na minha cintura e apertou firme o local. Ele tentou se aproximar, mas eu recuei.

Ele segurou no meu queixo com uma certa força e me deu um selinho. Forcei o meu corpo para trás e me afastei dele.

Karol: Você é casado! Pelo amor de Deus para com isso, respeita a sua mulher.

Noronha: Eu e Aline só tamo junto pela dívida que eu tenho com ela, a mina salvou a minha vida e eu devo máxima consideração. Agora tu acha que eu e ela temos alguma coisa? Nem olhar pra cara um do outro dentro de casa a gente olha mais e depois que eu te conheci só piorou. Eu brisei em tu pô, vamos tentar um bagulho no escondido?

Karol: Você só pode tá é doido, me leva pra casa na moral. – Ele negou e se aproximou novamente de mim.

Dessa vez noronha segurou na minha cintura mais forte, sua outra mão veio pra minha nuca e ele aproximou os nossos rostos me beijando. Sua língua invadiu a minha boca em um beijo feroz. Ele me pegou no colo e eu acabei rodeando as minhas pernas na sua cintura por impulso. Parei o beijo com alguns selinhos e fechei os olhos me condenando mentalmente por ter gostado.

Karol: Esse foi o maior erro da minha vida. – Murmurei.

Noronha: É errado, mas é gostoso pra caralho, não é não? – Concordei sorrindo.

Já tava no inferno, eu ia abraçar o capeta só por hoje.

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