Dez anos antes.
Quando tudo começou...
Ao entrar na cozinha dos Kent, a procura de mamãe, parei abruptamente ao me deparar com um rapaz que jamais tinha visto, até então, nesta casa. Ele era, sem sombra de dúvidas, o rapaz mais bonito que já tinha visto em toda minha pouca existência, alto, cabelos negros como a noite e lindos olhos azuis, de uma tonalidade equivalente ao azul do mar.
Eu tinha doze anos de idade e mamãe era a cozinheira da família Kent há muitos anos e, segundo ela, sua mãe tinha exercido o mesmo cargo antes de lhe ensinar a arte da culinária, preparando-a para que ocupasse o seu lugar quando não mais estivesse entre nós, e assim foi, eu, apesar da pouca idade almejava um futuro diferente, queria exercer uma profissão e ganhar muito dinheiro para tirar mamãe e eu dessa casa.
─ Tudo bem, Sr. Kent. ─Volto dos meus devaneios ao escutar a voz de mamãe ao responder o rapaz que até então não sei quem é.
Permaneço no mesmo lugar, olhando fixamente o moço bonito que deve ter mais ou menos uns dezessete ou dezoito anos, apesar de ser bem grande e forte preenchendo a camiseta branca em que está vestido. Neste momento seus olhos azuis colidem com os meus, me trazendo falta de ar. Não sei o que é isso que está acontecendo comigo, mas parece que eu já o conhecia antes, não sei o que é esse sentimento forte que tomou conta do meu peito imediatamente ao olhá-lo, é como se fosse um reconhecimento, não sei, só sei que fiquei paralisada.
Mamãe, finalmente, percebe minha presença e vem até mim.
─ Sr. Kent, está é minha filha, Alycia, e este, Alycia, é o filho do Sr. Kent, Josh Kent ─ Mamãe fala nos apresentando, porém fico ainda sob o efeito da letargia que me abateu e só faço piscar os olhos o encarando. Acho que ele deve ter estranhado meu estado de torpor, mas sequer deu atenção. Vira-se para minha mãe e fala:
─ Não sabia que a senhora tinha uma filha, dona Eva, porém isso não vem ao caso no momento, porque sua vida privada não me diz respeito, só peço que a senhora ensine desde logo a sua filha qual o lugar dela nesta casa e que não deve ficar perambulando pelos cômodos sem autorização- dito isto, se virou e foi embora me deixando ainda sem entender o que tinha acabado de acontecer e por qual motivo ainda estava em estado de choque, tanto por sua visão, como pela grosseria de suas palavras.
Desde esse dia em diante eu não conseguia mais parar de suspirar toda vez que via o filho do dono da casa em que morávamos. Pelo que mamãe me falou a seu respeito, ele vivia em um colégio interno e ao terminar os estudos tinha conseguido passar no curso de Direito em Harvard e que por esse motivo tinha retornado para cursar a faculdade, iria seguir pela carreira jurídica, creio que por influência do seu pai o famoso juiz Kent, mas apesar das semelhanças na escolha da profissão, parece que esse era o único ponto em comum entre os dois, pois eles viviam em pé de guerra. Brigavam constantemente e a senhora Kent sempre tomava as dores do filho, mas de maneira que não contrariasse totalmente o seu marido, mais em cima do muro impossível. Eu sequer entendia o que se passava naquela casa, mas de uma coisa eu tinha certeza, a senhora Melissa Kent, me odiava e não fazia questão de esconder isso de ninguém, inclusive de minha mãe, que apesar de não gostar da forma com que eu era tratada por sua patroa, não podia fazer nada, pois ambas dependíamos do salário que ela recebia e da casinha que ocupávamos no fundo da propriedade dos Kent's.
Por esse motivo evitava ao máximo entrar na casa, apesar da vontade enorme de ver meu príncipe, é assim que me refiro ao Josh, filho dos Kent, desde aquele dia, há uma semana atrás, não o vi mais de perto, só conseguia vê-lo de longe, sempre estava acompanhado de uma moça loira da mesma idade que a sua, ao que me parece, porém eu jamais me aproximava com medo de sua reação ao me ver.
Observava-o de longe e toda vez que o via meu peito se enchia do mesmo sentimento forte que senti ao vê-lo a primeira vez, desenhava seu nome no meu diário e sonhava que um dia, quando estivesse grande, iríamos nos casar e morar numa casinha branca, ter dois filhos e um cachorro. Estava perdida nos meus sonhos de menina e não percebi quando se aproximaram de mim, estava sentada na grama do imenso jardim da mansão escrevendo em meu diário, só percebi quando ouvi a voz grave bem atrás de mim e que me fez arrepiar da cabeça aos pés, me fazendo virar imediatamente.
─ O que você está fazendo sentada aí menina? ─ Era Josh com a moça loira pendurada em seu pescoço, e que me olhava como se eu não fosse nada menos do que um inseto, tamanha era sua expressão de nojo ao me fitar.
─ E...eu estou es...escrevendo, senhor ─ gaguejei ao responder sua pergunta, baixando a cabeça na mesma hora, envergonhada, pois tinha certeza que minhas bochechas estavam vermelhas, pois sentia-as arder. Escutei a loira rir de mim, seguida pelas risadas do meu príncipe, o que fez meu coração doer e as lágrimas correrem soltas por meu rosto.
─ Parece um bichinho assustado ─ foi a loira nojenta que falou ainda gargalhando de mim.
─ Pensei que você não soubesse falar menina, desde o dia que a conheci não te vi falar uma única sílaba até este momento ─olhei para ele embasbacada por ele ter prestado atenção em mim, ao menos um pouquinho, para ter percebido que no dia que nos conhecemos eu sequer pronunciei uma única palavra.
─ Quantos anos você tem? ─ Eu mais uma vez levantei a cabeça e olhei no mar azul que era os seus olhos e por pouco não me perdi neles mais uma vez, porém consegui responder à pergunta dele.
─ Tenho doze anos, senhor. ─ Ele me olhou, por um longo tempo até que a loira aguada pendurada em seu pescoço, resolveu falar mais uma vez, tirando sua atenção de mim.
─ Vamos logo Josh, não estou a fim de ficar o dia todo aqui brincando de casinha com essa pirralha. Prefiro brincar de coisa bem melhor, vamos ─ ela sorriu para ele que sequer voltou a me olhar e foram para dentro da casa.
Eu permaneci no mesmo lugar, sonhando com o meu príncipe e com o nosso futuro juntos, além de escrever inúmeras frases de amor para ele.
Josh Kent meu primeiro e único amor.
Dias atuais...
Meu primeiro dia no trabalho, estou super ansiosa e bastante apreensiva também, mesmo tendo estagiando nesse mesmo escritório que, diga-se de passagem, é um dos mais conceituados de Boston, porém, a situação é diferente, porque agora eu era uma advogada recém contratada.
Empenhei-me demais para conseguir essa vaga e aqui estou eu, prestes a realizar um sonho. Lutei bastante para conseguir chegar até aqui, consegui uma bolsa de estudos em Harvard, entrei para a faculdade por mérito único e exclusivo meu e agora vou começar no meu novo emprego por mérito meu também, pois foi com afinco e determinação que consegui passar na seleção rigorosíssima para o estágio e lutei mais ainda para me destacar como melhor estagiária e, consequentemente, ser contratada efetivamente para o cargo de advogada sênior do escritório Mackenzie & Garret Advogados Associados.
Termino de ajeitar meu blazer preto por cima de minha blusa branca, aliso minha saia risca de giz, pego minha bolsa, enfio o celular dentro dela, alcanço as chaves de casa e as chaves do meu carro, verifico minha aparência uma última vez e saio do apartamento, na mesma hora que o elevador para em meu andar abrindo as portas, tomo isso como um bom sinal e entro dentro dele rumo à garagem do meu prédio.
Meia hora depois estou caminhando no hall de entrada do escritório acenando para a recepcionista chamada Amber, uma moça muito bonita, ruiva de olhos verdes. Ficamos amigas assim que comecei a estagiar aqui.
─ Boa sorte no seu primeiro dia de trabalho, Aly! ─ Amber, fala acenando para mim.
─ Obrigada, Amber. ─ Aceno de volta e corro em direção aos elevadores que a essa hora se encontram relativamente cheios, pois o escritório fica em um prédio no centro de Boston, que além de abrigar o escritório em que vou trabalhar, possui vários outros ao longo do edifico inteiro.
Dez minutos depois, chego ao meu andar e sigo em direção à mesa da senhorita Morret, a secretária do senhor Garret, tenho que me apresentar a ele, pois serei sua subordinada, sendo assim orientada por ele.
─ Bom dia, senhorita Morret. Devo me apresentar ao senhor Garret para começar o expediente, a senhorita poderia por favor me anunciar.
─ Bom dia, querida, claro que a anunciarei e, a propósito, parabéns por conseguir o cargo, senhorita Hernández. -Ela se inclina um pouco para a frente como se quisesse me confidenciar algo. Eu automaticamente abaixo um pouco também, para escutar o que ela tem para dizer.
─ Sabe, querida, aqui entre nós, eu estava torcendo por você. Não conte nada a ninguém, mas você era sem sombra de dúvidas a mais qualificada para ocupar a vaga, além de ser a mais dedicada. – A simpática senhorinha confidencia, com um sorriso cúmplice nos lábios. Ela foi uma das pessoas que mais me ajudou no meu período de estágio aqui na Mackenzie & Garret.
─ Obrigada, senhorita Morret. A senhorita é muito simpática. ─ Agradeço retribuindo o seu sorriso simpático. Ela pega o telefone e disca o ramal da sala do senhor Garret para me anunciar.
Após colocar o telefone no lugar ela me autoriza a entrar na sala. Sigo até a porta e dou duas batidinhas e adentro a sala após ouvir um "pode entrar". Ao atravessar a porta vejo o senhor Eliot Garret levantar-se de sua cadeira e andar até a frente de sua mesa para me recepcionar.
─ Parabéns, senhorita Hernández! Fico feliz que tenha conseguido o cargo de advogada sênior e espero que futuramente seja uma de nossos associados. ─ Ele fala e imediatamente sei qual será minha meta, porque irei dar meu sangue, para enfim me tornar sócia neste escritório.
─ Obrigada senhor Garret. Tenha certeza de que farei o meu melhor pelo escritório e que trabalharei com afinco para elevar ainda mais o nome da empresa e se eu chegar a me tornar sócia, será mera consequência do trabalho árduo que irei fazer, disto pode ter certeza. -Termino meu discurso com alegria, por estar certa do futuro que o destino me reserva. Porque, finalmente a vida está sendo um pouco benevolente comigo.
─ Seja bem-vinda a Mackenzie & Garret Advogados Associados, senhorita Hernández. ─ Senhor Garret me estende a mão, como que para completar o seu discurso de boas-vindas eu a aperto, com o coração transbordando de alegria.
Depois de conversarmos mais um pouco fui levada até minha sala ao lado da do senhor Garret, porém um pouco menor que a sua, mas nada que diminua o seu charme, porque o importante mesmo será o trabalho em que irei realizar dentro dela e só esse detalhe me faz querer pular de entusiasmo, como uma criança que recebe o tão esperado presente no dia de Natal.
Após, me passar alguns processos e me instruir sobre algumas ações e clientes aos quais ficarei responsável de agora em diante, senhor Garret se vai me deixando só em meu escritório, com um sorriso maior do que meu próprio rosto. Olho tudo ao redor, a sala é bem espaçosa, apesar de não ser muito grande, porque a disposição dos móveis nos dá a impressão de espaço. No centro há uma mesa de madeira com uma cadeira grande atrás dela e duas cadeiras estofadas em cores escuras em sua frente, um tapete no centro da sala, a minha direita jaz um sofá de couro em tom pastel e na parede por trás da cadeira que será minha fica uma estante, verifico também uma porta ao lado da estante o que deve ser um banheiro, caminho até lá confirmando minhas suspeitas, é um banheiro pequeno, porém organizado, ele é todo branco com exceção da pia, em que o balcão e a moldura do espelho em cima dela são de um tom escuro, iguais a das cadeiras do escritório. Voltei para a sala e sentei em minha cadeira, "minha cadeira", era contagiante repetir essas palavras em minha cabeça, eu estava feliz, realmente feliz, depois de alguns anos de tristeza, mas especificamente desde a morte de minha mãezinha querida, o meu único parente no mundo e que agora não estava mais ao meu lado para compartilhar comigo a realização do meu sonho.
Sacudi a cabeça para espantar a tristeza, e me concentrei nos processos em minha mesa, começando a trabalhar neles. E assim seguiu-se o meu primeiro dia no trabalho, fiz anotações, busquei auxílio com Eliot, pois foi assim que o senhor Garret me pediu, para chamá-lo quando estivéssemos trabalhando no escritório, porque nos traria uma maior cumplicidade para trabalhar em equipe, palavras dele. Eu custaria a me acostumar com o tratamento informal, mas faria de tudo para tentar me encaixar, ele, no entanto, foi bastante atencioso nas vezes em que necessitei do seu auxílio como advogado mais experiente, me dando dicas valiosíssimas e esclarecendo minhas dúvidas, sanando-as imediatamente.
Ao dar o expediente por encerrado no final do dia, peguei minha bolsa, acenei ao passar em frente à mesa da senhorita Morret e fui em direção ao elevador, descendo no térreo para chamar Amber, para que fôssemos embora juntas, já que ela morava algumas quadras antes do meu apartamento. Ela acena ao me ver sair do elevador.
─ Oi, Aly, e então como foi o seu primeiro dia no trabalho?
─ Foi ótimo, Amber! Amei demais a minha sala e todos foram muito simpáticos e agradáveis comigo, inclusive meu chefe, o senhor Garret. ─ Respondo sua pergunta ainda eufórica.
─ Dá para perceber que foi bom mesmo. Primeiro por seu entusiasmo e, segundo, porque te esperei para almoçarmos juntas, como sempre fazíamos, mas você não desceu e eu fiquei receosa de te ligar ou de mandar uma mensagem. Não queria te atrapalhar em seu primeiro dia. -Ela fala, pegando sua bolsa e me puxando para que saíssemos do prédio em direção ao meu carro estacionado na lateral do prédio.
─ Desculpe, Am. Eu não quis sair para almoçar e comi um sanduíche em minha sala mesmo. Mas amanhã prometo que almoçaremos juntas, está bom assim? ─ Pergunto colocando a chave na ignição e dando a partida já entrando no trânsito do horário caótico do rush.
─ Eu só desculpo se você me prometer que iremos dançar no fim de semana para comemorar o seu emprego e, quanto ao almoço amanhã, está combinadíssimo. ─ Ela fala sorrindo.
─ Não sei se vou estar a fim de sair para dançar, Am, mas daqui para lá vamos ver, até porque hoje ainda é segunda e a semana mal começou. -Sei que ela não vai aceitar a minha resposta, porque conheço bem minha amiga e que daqui para sexta ela vai insistir muito até me fazer concordar em ir dançar, ela é muito persuasiva quando quer. ─ Tente fugir o quanto quiser querida, Aly, mas você e eu sabemos de que no final de semana iremos dançar sim, porque você sempre faz tudo que eu quero.
─ A senhorita está muito segura de si ultimamente, não acha não, senhorita Amber Simpson? ─ Gargalho com a cara de indignada que ela faz.
─ Não acho não, senhorita Hernández. Simplesmente sou realista. ─ Gargalho ainda mais da sua audácia. Amber liga o rádio e começamos a cantar a música que está tocando, felizes.
Assim, os dias foram passando no mesmo ritmo, consegui vencer vários casos para o escritório e me empenhando cada dia mais para firmar meu nome na empresa com o intuito de conseguir a sociedade, além de me consolidar como uma grande advogada da área criminal.
Precisei levar trabalho muitas vezes para casa, trabalhar finais de semana inteiros em casos complicados, mas que no final de quase um ano de trabalho duro, garantiu meu sucesso e vitória e, uma promessa de sociedade cada vez mais próxima. Porém, apesar de estar bastante feliz com o meu trabalho e o rumo que minha carreira como advogada vinha seguindo sentia-me bastante só emocionalmente, porque não conseguia me envolver com ninguém e das poucas vezes que tentei foi um fracasso tremendo, pois Josh Kent jamais saiu da minha cabeça e do meu coração. Ainda não entendo que sentimento é esse que parece forte o bastante para resistir com o passar dos anos.
Nunca mais tive notícias dele, a última vez que nos vimos foi na sua última festa em Harvard, na fatídica noite em que dei vazão ao meu amor de infância e que descobri que aquela paixonite de menina, evoluiu e se transformou em algo muito maior, aquém da inocência, evoluindo para um amor carnal.
Não sei por que aquela noite me veio à mente agora, depois de tanto tempo sem saber nada dele, estando aqui sentada na varanda do meu apartamento, com uma taça de vinho na mão, uma música suave tocando ao fundo, vindo direto do sistema de som da minha sala. Era uma noite de sábado, um dos finais de semana em que raramente não trouxe trabalho para casa e que pude realmente relaxar e descansar um pouco de toda a agitação em que se transformou minha vida, mas eu não reclamo por isso, porque significa que minha vida só está seguindo o rumo que sempre almejei para ela.
E nesse devaneio repentino, meus pensamentos me traem e seguem para uma noite de sábado há quatro anos.
***
A sala da fraternidade pigmam estava lotada e barulhenta, minhas amigas Lana e Mary estão por aí em algum lugar, sinceramente não sei porque me deixei convencer a vir a essa festa, até porque eu não gosto de festas e odeio bebidas, mas bem lá no fundo eu sabia o motivo do porquê estar aqui, pois o motivo tinha nome e sobrenome, mais especificamente: Josh Kent. Eu sabia que hoje era a festa de despedida dos veteranos da fraternidade, porque depois de amanhã aconteceria a formatura deles e hoje era a última vez em que eu o veria pela faculdade.
Suspirei tristonha, porque apesar de ter dezessete anos eu ainda nutria o mesmo amor platônico por ele e continuava a observá-lo de longe, tão lindo como sempre, rodeado de mulheres por onde passava, apesar de sempre estar com a garota loira que sempre via com ele. Josh era o cara mais popular da faculdade, idolatrado pelas meninas e admirado pelos meninos, até porque ele era o capitão do time de futebol da faculdade, isso por si só já é motivo de popularidade por aqui, mas além disso ele é lindo e foi ficando mais lindo ao passar dos anos, porque adquiriu músculos e um ar de sensualidade.
Olhei ao redor procurando por minhas amigas, mas não conseguia achá-las, estou no canto da sala, que está lotada de gente dançando e bebendo, o barulho é ensurdecedor e tá me deixando louca. Corro meus olhos por todo o ambiente , procurando-as, porém paro minha procura no instante em que o vejo, Josh, está dançando no meio da pista, rodeado de mulheres, com uma cerveja na mão e sorrindo, eu estanco na mesma hora, fico observando-o por minutos sem fim, eu não sei se foi o meu olhar persistente em cima dele ou se foi por acaso, só sei que ele se vira em minha direção fazendo com que seus olhos colidam com os meus e nessa hora eu paro de respirar, ele me fita com a mesma intensidade em que eu o olho, neste momento não existe mais nada nem ninguém aqui, só eu e ele. Josh, começa a se esquivar das mulheres que o cercam e vem andando em minha direção com o olhar cravado em mim, não sei o que me dá, mas não desvio um milímetro do seu escrutínio até finalmente tê-lo bem diante de mim, ele passa a mão por meu rosto e eu arfo, por enfim sentir seu toque em minha pele, ele desliza a mão até meus ombros e percorre o meu braço direito até chegar a minha mão me puxando para ir com ele a algum lugar.
Subimos as escadas até a parte de cima da fraternidade onde ficam os quartos, não falamos nada durante todo o trajeto, tornando tudo surreal para mim, além do medo de que isto que está acontecendo acabe e eu volte a ser a garota sem graça e apaixonada que só pode olhar o amor da sua vida de longe sem sequer imaginar um dia ter a atenção do homem que ama mais que tudo no mundo.
Josh, abre uma porta que presumo ser a do seu quarto, eu deveria estar apavorada, mas não tenho medo, porque nada do que fizermos aqui fará com que eu me arrependa, pois eu o amo em silêncio a tempo demais e se eu só terei um único momento com ele em toda aminha vida, valerá a pena porque eu sequer imaginei receber sua atenção quem dirá ser tocada por ele da maneira que está fazendo agora. Entramos no quarto, ele vai até o abajur ao lado da cama e o acende, tornando o ambiente algo mágico com a luz difusa, depois vira- se para mim sem deixar de me olhar intensamente, eu só faço tremer e ansiar por ele. Ao chegar até mim, Josh continua me olhando tão profundamente que faz com que eu perca o ar dos meus pulmões porque, por mais que eu o deseje, é como se ele estivesse desnudado minha alma e todos os sentimentos guardados no fundo do meu apaixonado coração.
Não sei se ele está bêbado ou se só levemente embriagado, eu só sei que o quero como nunca quis algo ou alguém em toda minha vida, por isso não importa o seu estado de embriaguez, só importa o que eu sinto e que meu coração está quase saindo pela boca de tão ansiosa que estou.
─Você é linda. ─ Afirma com o timbre de voz rouco me olhando de cima a baixo. Meu corpo arrepia inteiro com o seu escrutínio. E é então que ele enfia a mão dentro dos meus cabelos compridos e os segura com força, me mantendo no lugar, para só então desviar seus olhos para os meus lábios os capturando com volúpia e urgência e eu, bem, eu me entrego de corpo e alma gemendo em seus lábios, tremendo e desejosa dele, é como um sonho que se torna realidade. Sentir seus lábios nos meus, sua língua explorando cada cantinho da minha boca, me faz gemer mais ainda e me entregar sem reservas e pudores.
Ele se afasta um pouco de mim, fazendo com que eu proteste pelo abandono do seu corpo no meu, porém logo que o vejo tirando a camisa e jogando- a ao longe, o meu lamento desaparece rapidamente, pois estou quase babando em cima dele, porque por mais que já o tenha visto sem camisa de longe, é claro, nada havia me preparado para o abdômen trincado, nem os bíceps rígidos e torneados diante de mim, mas não tive muito tempo para admirar o belo homem em minha frente, pois logo ele já estava enlaçando a minha cintura e devorando os meus lábios com tamanha urgência que se equiparava à fome que eu tinha dele. E foi assim que caminhamos até a cama, nos devorando, e ao sentir a madeira da cama por trás dos meus joelhos eu só me deixei ser deitada e coberta pelo corpo musculoso de Josh, estava nas nuvens, passando as mãos por todo ele, arranhando suas costas, segurando firme seus cabelos e gemendo feito uma louca, tamanho era o fogo que me consumia, neste momento eu só queria senti-lo em cada parte de todo o meu corpo para aplacar essa brasa que me devorava de dentro para fora.
De repente ele para, e começa a levantar minha blusa, eu o ajudo no processo em me despir e, logo após a blusa, foi- se meu tênis e a calça jeans, ficando apenas de calcinha e sutiã, senti-me embevecida pela fome e desejo que vejo crepitar dos seus olhos ao esquadrinhar meu corpo inteiro, mas esqueço qualquer sentimento de vaidade ao vê-lo baixar os lábios e sugar meu pescoço descendo as mãos para apertar meus seios fartos e redondos sob a lingerie, sugando-os e apertando-os, eu estou em êxtase total, gemendo e suplicando por ele. Josh desabotoa o fecho frontal do sutiã e abocanha uma auréola pontuda do meu seio excitado, sem deixar de apertar o outro seio entre os dedos, eu já estou toda trêmula, ofegante, não sei se é possível gozar dessa forma, pois jamais fiz isso com alguém, mas eu sinto minha calcinha pegar fogo e ficar toda empapada de tão molhada e excitada que estou.
─ Por favor... Hummm. -Eu suplico em agonia. Ele vai descendo uma trilha de beijos até chegar à calcinha deslizando- a por minhas pernas sem deixar um minuto sequer de fitar meus olhos entorpecidos de desejo e amor.
─ Xiuu. Eu vou cuidar de você doce morena. ─ Ele sussurra beijando minhas coxas e se aconchegando no meio delas, abrindo-as para fitar minha intimidade com desejo.
Eu fecho os olhos ao sentir seu hálito quente e em seguida sua língua me lambe de cima a baixo arrancando de mim um lamento excitado que o deixa mais doido de tesão e é então que ele abocanha minha vagina com a boca toda me fazendo gritar. Josh vai chupando sem dó, e para completar, como que para me deixar mais louca de tesão e desejo enfia um dedo na minha vagina enquanto suga meu clitóris duro de excitação.
─ Aaaa Josh! Por favor e... eu quero você. Eu vou.. Eu vou. Aaaaaaaaaaaa! Joshhhhhhh! - Não pude completar a frase pois caí no abismo sem fim, aonde eu só fazia gemer e chamar por seu nome sem pudor algum, enquanto ele me lambia como uma fruta suculenta.
Ofegante, fui aos poucos tentando acalmar a respiração enquanto Josh lambia todo gozo derramado por mim durante o orgasmo devastador que me abateu. Abro os olhos ao sentir que a cama ficava mais leve sem o peso do seu corpo sobre ela, sobre mim. Mas, suspiro aliviada ao vê-lo se despir ao meu lado, ainda me fitando intensamente com os seus lindos olhos que amo mais que tudo. Ele vai tirando a calça jeans após jogar os tênis ao longe e depois é a vez da cueca boxer preta, eu fico admirando-o embasbacada por tamanha beleza, ele termina de se despir e pega um preservativo no bolso do jeans colocando ao meu lado e vem para cima de mim devorando meus lábios.
─ Você é linda morena. Além de doce como o mel, adorei saborear você após sentir o seu gozo escorrer na minha língua. Muito deliciosa. ─ Ele fala sussurrando em meu ouvido, me deixando cada vez mais louca.
─ Hummmm, Josh. -Eu estou descontrolada com o nível de excitação beirando a loucura, se eu já amava esse homem com loucura, imagine depois dessa noite e do prazer descomunal a que ele está levando o meu corpo. ─ Eu vou te comer todinha morena, vou te deixar louca de tanto gozar e depois vou te fazer gozar de novo, porque o que é bom sempre precisa de um replay. -Ele fala gemendo em meu ouvido, esfregando seu pênis duro e grande sobre minha vagina que já está encharcada, suas mãos apertando meus seios duros e pesados.
─ Você vai me deixar louca desse jeito. ─ Meu lamento nada mais é do que um gemido, porque estou em brasa e nem parece que acabei de gozar gostoso em sua boca.
Josh pega o preservativo ao meu lado, rasga a embalagem com os dentes e começa a deslizar por sobre o seu pênis enorme e duro feito uma rocha e só agora me dou conta do que vai acontecer e de que eu preciso informá-lo sobre a minha condição.
Quando ele se posiciona na minha entrada e cai por cima de mim eu me reteso toda e olho nos seus olhos, sabendo que tenho que falar agora senão irei me machucar mais do que o previsto.
─ Josh, eu preciso te falar uma coisa antes. ─ Ele me olha um pouco intrigado e espera que eu termine de falar.
─ Pode falar morena. ─Ele me instiga percebendo a minha falta de coragem.
─ Bom... é que, bom... ai tô nervosa.
─Fale. -Ele sussurra em meu ouvido para me dar coragem.
─ Bom... é que eu nunca fiz isso em minha vida. Pronto, falei. ─Na mesma hora sinto o corpo dele ficar rígido, então ele ergue o rosto do meu pescoço e sorri lindo para mim e se é que é possível eu me apaixono ainda mais por ele neste momento.
─ Fico lisonjeado por ter a honra de ser o primeiro, linda. Mas vamos com calma ok. – Assinto. ─ Prometo ir bem devagar e te dar todo o prazer que você merece. -Ele me dá uma piscadinha sexy e desce a boca para a minha enquanto vai se encaixando no meio das minhas pernas e eu só fecho os olhos e deixo que ele guie nossos corpos em direção ao prazer.
Sinto-o deslizar por minha vagina aos poucos enquanto suga o lóbulo da minha orelha, vai descendo para o pescoço e seios, me estimulando, quando o sinto quase inteiro dentro de mim ele para ao sentir a barreira do hímen impedindo sua passagem, Josh olha para mim e diz:
─ Vou ter que ir de uma vez morena, aguenta firme porque vai ser doloroso, mas prometo que depois será só prazer ok? -Assinto com um pouco de medo, mas é isso que eu quero e é ele quem eu quero que seja o meu primeiro.
E então numa estocada forte ele rompe o hímen e eu grito com a dor aguda.
─ Aí! Está doendo, Josh.
─ Xiuu morena, vai passar, calma. -Ele fala dando beijos por meu rosto. Após alguns minutinhos parado, sinto a dor arrefecer um pouco. ─ Posso me mover? - Pergunta me encarando, tentando decifrar minha expressão.
─ Pode sim, já passou mais a dor, pode continuar. ─ Eu o incentivo a continuar, porque quero-o todo dentro de mim se movendo e me levando junto com ele ao prazer que só ele pode me dar.
Então, Josh começa a se movimentar lentamente dentro de mim, dói um pouco, mas com o aumento das estocadas e a lubrificação do gozo recente a dor vai dando lugar a um prazer sem igual e eu começo a me agarrar as suas costas e bumbum o instigando a ir mais rápido, meu corpo reagindo ao prazer de recebê-lo por inteiro, ele vai chupando meus seios enquanto agarra meus cabelos se enfiando mais é mais dentro de mim, nós dois estamos ofegantes e suados, gemendo feito dois animais. Eu enlaço sua cintura com as pernas para aprofundar a penetração.
─ Porra! Que mulher gostosa!-Josh me come ferozmente enquanto eu arranho suas costas enlouquecida de prazer.
─ Que delícia! -Eu grito extasiada.
De repente sou virada na cama e posta de quatro enquanto Josh se coloca atrás de mim, se introduz novamente em meu interior, depois ele se debruça sobre mim segurando meu cabelo em um rabo de cavalo e começa a cavalgar em mim e eu me desmancho em gemidos e gritos ofegantes de prazer.
Estou toda aberta enquanto ele estoca fundo em meu interior e chupa meu pescoço gemendo em meu ouvido e me comendo gostoso, como se fosse o macho acasalando e se apossando da sua fêmea, ele me tira da órbita quando desce a mão até o meu clitóris inchado e o manipula habilidosamente me fazendo tremer nas bases.
─ Oooo! Meu Deus! Aiii! Eu vou gozar! -Grito ensandecida de prazer.
─ Goza gostoso no meu pau, minha morena.
E assim eu o fiz, gritando desvairadamente e entorpecida de prazer, gemendo e clamando por seu nome que é quase um mantra saindo dos meus lábios enquanto gozo deliciosamente. Ofegante desabei em cima da cama quando Josh urrou sobre mim, virando o meu rosto ao puxar o meu cabelo para beijar minha boca enquanto gozava também.
Após, se acalmar ele desabou ao meu lado na cama ofegante também, passados alguns minutos eu olhei para o lado e o vi de olhos fechados respirando calmamente ainda com o preservativo no pênis, parecia que tinha apagado, não sei se por causa do sexo ou por causa da quantidade de bebida alcoólica que tinha ingerido a noite toda.
***
Suspirei, porque lembrar dessa noite me fez desejosa dele, além de me fazer recordar a manhã seguinte a essa noite, pois ao acordar a cama e o quarto estavam vazios, nem sinal de Josh, nenhum bilhete, nada, só o silêncio e o meu coração quebrado, porque lá no fundo eu desejei acordar em seus braços e viver um pouco mais do meu sonho encantado. Porém, não foi assim, porque no dia seguinte descobri que ele tinha ido embora da fraternidade junto com a Kelly, a loira que todos diziam ser sua namorada, a mesma que ano após ano estava ao seu lado e que ao que tudo indicava, se encaminhava para ser sua esposa, pois era do mesmo meio e nível social que ele, ou seja, a esposa troféu perfeita.
A mim só restaram as lembranças daquela noite, além de acalentar o amor imenso que tomou proporções gigantescas dentro de mim e que, se antes era de menina, após aquela noite se tornou mais forte e profundo, pois evoluiu para um amor carnal, amor de uma mulher para um homem, para o homem que transformou a menina em mulher.