Prólogo
Cidade de Amarillo, Texas, 1996.
Jack Colt é um dos fazendeiros mais ricos do Texas, suas terras se estendem até onde seus olhos não podem ver. Mesmo com tanto poder e dinheiro, sente que falta algo em sua vida.
Ele entra no casarão da fazenda e anda até o escritório com a testa franzida. Nunca imaginou que algum dia iria querer ter filhos. Essa vontade estranha de ser pai apareceu de um momento para o outro na semana passada, quando foi convidado por um casal de amigos de outra fazenda para um jantar em comemoração aos dois anos de casados e da filha recém-nascida.
Quando viu a pequena garota e a segurou todo desajeitado com medo de derrubá-la, seu coração encheu-se de amor pela pequena. Ela era linda, uma pequena princesinha.
Sentado à cadeira, não consegue prestar atenção nos documentos à sua frente. Precisa encontrar alguém para ser sua esposa e lhe dar filhos, pelo menos uns cinco.
Os papéis de negócios que antes dominavam seus pensamentos agora pareciam insignificantes. As letras em negrito e as planilhas complexas não conseguiam competir com a imagem daquela garotinha nos seus braços. Ele se viu sonhando acordado com uma família própria, crianças correndo pelos campos, risadas enchendo o ar.
Jack suspirou, passando a mão pelo cabelo em um gesto de frustração. Ele sabia que encontrar uma esposa não seria tão simples quanto fechar um negócio. Precisava de alguém que compartilhasse sua visão de vida no campo, que estivesse pronta para enfrentar as dificuldades e desfrutar das alegrias de criar uma família em uma fazenda.
Levantou-se e caminhou até a janela do escritório, olhando para o vasto horizonte de suas terras. A vastidão e a solidão que antes o confortavam agora só acentuavam o vazio que sentia. Ele precisava de um plano. Talvez fosse hora de socializar mais, frequentar eventos locais, participar das feiras e dos bailes. A vida no campo podia ser isolada, mas Amarillo era uma cidade grande o suficiente para proporcionar oportunidades de conhecer novas pessoas.
Jack sabia que tinha muito a oferecer. Não era apenas um fazendeiro rico, mas um homem honesto e trabalhador, com valores sólidos e um desejo genuíno de formar uma família. Só precisava encontrar a pessoa certa para compartilhar tudo isso.
Determinando-se a seguir em frente, ele saiu do escritório com uma nova resolução. Amarillo tinha muitas possibilidades, e ele estava pronto para explorar cada uma delas. Afinal, um homem como ele, com a determinação de Jack Colt, nunca fugia de um desafio. E encontrar o amor e construir uma família seria sua nova e mais importante missão.
***
Capítulo 1
Enquanto caminhava até o estábulo para selar seu garanhão, Jack ouviu passos atrás de si. Embora estivesse desarmado, fingiu não perceber e continuou até as selas, onde guardava uma pistola 38 embaixo de uma delas.
Com rapidez, pegou a arma e se virou, apontando-a, mas abaixou o revólver assim que reconheceu a pessoa.
- Clayton, seu desgraçado! Quase te acertei!
Clayton deu uma risada ruidosa. Seus olhos estreitaram-se com malícia enquanto ele avançava, exalando uma aura de desprezo.
- Você está sempre tão tenso, Jack. Acha que eu viria até aqui para te machucar? Não seja paranoico.
Jack apertou os lábios com desconfiança, mas relaxou ligeiramente ao ver que Clayton não representava uma ameaça imediata. No entanto, a presença do homem sempre trazia consigo uma sensação de intranquilidade.
- O que você quer, Clayton? Não tenho tempo para brincadeiras - disse Jack, sua voz carregada de desdém.
Clayton deu de ombros, seus olhos brilhando com uma mistura de desafio e diversão.
- Ah, Jack, sempre direto ao ponto. Eu gosto disso. Mas relaxe, não estou aqui para causar problemas. Na verdade, estou aqui com uma proposta que pode lhe interessar.
Jack arqueou uma sobrancelha, intrigado apesar de si mesmo. Clayton não era conhecido por suas propostas benevolentes, mas a curiosidade de Jack foi despertada.
- Continue - disse ele, sua voz cautelosa.
Clayton sorriu, revelando um conjunto de dentes amarelados do tempo e mal cuidado.
- Tenho ouvido falar das suas ambições, Jack. Parece que você está querendo expandir seus negócios, talvez até mesmo encontrar uma esposa para compartilhar sua fortuna. E eu tenho uma oferta que pode tornar tudo isso muito mais fácil para você.
Jack franziu a testa, desconfiado. Ele sabia que qualquer oferta de Clayton vinha com uma série de forcas para escolher uma e se arrepender depois. Não estava disposto a se envolver em nada que comprometesse sua integridade ou sua independência.
- Vá direto ao ponto, Clayton. O que você quer?
Clayton inclinou-se para frente, seu sorriso se alargando como se estivesse prestes a revelar um grande segredo.
- Jack, como você sabe, tenho uma filha, Charlotte. Ela tem 23 anos, uma jovem encantadora e inteligente. Estou disposto a oferecê-la em casamento para você.
Os olhos de Jack se arregalaram em surpresa e indignação. Ele mal conseguia acreditar no que estava ouvindo. Oferecer a própria filha em troca de uma dívida era uma proposta ultrajante e repugnante.
- Você está louco, Clayton? Você acha que eu aceitaria isso? Charlotte é uma mulher, não uma mercadoria para ser trocada como um bem - respondeu Jack, sua voz repleta de repulsa.
Clayton ergueu as mãos em um gesto de defesa, tentando acalmar os ânimos de Jack.
- Agora, não seja precipitado, Jack. Charlotte concorda com isso. Ela sabe que é uma oportunidade única para ela. E, claro, se você aceitar essa oferta generosa, podemos esquecer completamente minha dívida. E você terá uma esposa para compartilhar sua fortuna.
Jack sentiu uma mistura de choque, raiva e nojo. Ele jamais poderia aceitar uma proposta tão repugnante. Charlotte não merecia ser tratada como uma peça em um jogo de negócios entre seu pai e um amigo. Apesar de nunca ter visto a jovem mulher, o amigo só descobriu que era pai quando avisaram que a esposa que abandonou a mais de vinte anos tinha falecido.
- Você é um monstro, Clayton. Eu nunca aceitaria tal proposta. E se você acredita que isso me fará esquecer a sua dívida, está enganado. Jamais me sujeitarei a algo tão abominável - declarou Jack, sua voz ecoando firme no estábulo.
Clayton arregalou os olhos, surpreso pela recusa firme de Jack. Ele tentou argumentar, mas Jack não estava interessado em ouvir. Com uma expressão de desgosto, disse:
- Arrume outra forma de me pagar, Clayton. Eu não aceitarei essa proposta - Jack disse com firmeza, virando-se para sair do estábulo.
Clayton observou Jack sair, seus olhos brilhando com uma mistura de raiva e frustração. Mas então, um sorriso malicioso surgiu em seu rosto.
- Bem, se você não quer minha filha, talvez Silas a queira - disse num tom ligeiramente alto para o amigo ouvir.
Jack congelou no lugar, seus olhos se estreitando em descrença. Silas era um homem de idade avançada, conhecido na região por sua brutalidade com as esposas. Todos sabem que suas mulheres não faleceram de causas naturais, mas nunca encontraram nada que o incriminasse a ponto de o prender. Apenas suspeitas. Ele era temido e evitado por todos, principalmente pelas mulheres. Engole seco antes de se virar.
- Você está louco, Clayton. Silas é um homem velho e violento. Nenhuma mulher merece ser submetida a ele, muito menos à sua própria filha - Jack respondeu, sua voz tremendo de indignação.
Clayton deu de ombros, seus olhos cintilando com satisfação por ter provocado seu amigo.
- Bem, isso é problema meu, Jack. Se não quer Charlotte, então ela terá que lidar com Silas.
Jack sentiu-se nauseado com a ideia. Ele sabia que não podia deixar Clayton usar sua filha como uma moeda de troca, mas também sabia que não podia permitir que ela fosse entregue a alguém como Silas.
- Duvido que você faça isso. Não seria um pai tão abominável.
Com um último olhar de desprezo para Clayton, Jack saiu do estábulo.
- Veremos Jack! Está convidado para o casamento que será em uma semana! - disse num tom alto em seguida gargalhou. - Em uma semana terei o dinheiro que te devo. Até mais, meu amigo.
Capítulo 2
Uma semana depois, Jack estava passando pela cidade, seu cavalo trotando lentamente pelas ruas movimentadas. Ao se aproximar da agropecuária local, desmontou e entrou na loja. Notou um grupo de homens conversando animadamente perto do balcão. Eles falavam baixo olhando para os lados.
Jack pegou um saco de ração, fingindo interesse, enquanto ouvia a conversa. Dois homens, Jim e Earl, estavam discutindo em voz baixa, mas suficientemente alta para que Jack captasse cada palavra.
- Você ouviu a última? - disse Jim, com um tom grave.
Earl assentiu, seus olhos cheios de preocupação.
- Sim, ouvi. Amanhã é o grande dia. A filha de Clayton vai se casar com o velho Silas. Que Deus tenha piedade da alma dela. Porque o Silas não vai ter, o homem é um crápula.
O coração de Jack parou por um momento, uma onda de raiva e desespero atravessando seu corpo. Ele sabia que Clayton estava disposto a qualquer coisa para se livrar da dívida, mas não imaginava que ele levaria adiante uma decisão tão cruel e precipitada.
- Isso é um absurdo - continuou Jim. - Silas é um monstro. Ninguém merece isso, muito menos uma jovem adorável como Charlotte.
Jack sentiu o sangue ferver. Ele sabia que precisava agir rápido. Com uma determinação renovada, ele deixou a ração no balcão e saiu da agropecuária, montando rapidamente em seu cavalo. Ele tinha pouco tempo, e uma única chance de salvar a jovem desse destino terrível.
Determinou-se a ir até a fazenda de Clayton, pronto para confrontá-lo mais uma vez. Ele precisava encontrá-la antes que fosse tarde demais.
Jack galopou pela estrada de terra, seu coração batendo forte com a adrenalina. Ele sabia que a missão seria arriscada, mas ele estava disposto a fazer qualquer coisa para protegê-la de um destino horrível e sem volta.
Jack chegou à fazenda de Clayton em um turbilhão de poeira e determinação. Desmontou do cavalo com um movimento rápido, puxando o revólver de trás das costas e deixando o animal solto. Com passos firmes, subiu as escadas da varanda, seu olhar fixo na porta da frente.
Ele empurrou a porta, entrando com decisão na casa. A atmosfera estava tensa, o silêncio quase palpável. Ao atravessar o hall de entrada, uma jovem mulher apareceu ao virar o corredor, seu rosto se contorcendo de medo ao ver Jack armado.
- Ahhh! - Ela gritou, recuando instintivamente, suas mãos cobrindo a boca.
Jack abaixou o revólver imediatamente, percebendo que a mulher estava em pânico.
- Calma, não vou machucar você - disse ele, tentando acalmar seus nervos. - Preciso falar com Clayton.
A mulher olhou para ele, os olhos arregalados de terror.
- Ele... ele está no escritório - murmurou ela, apontando para uma porta no fundo do corredor.
Jack assentiu, passando por ela com cuidado, mantendo o revólver abaixado. Ele sabia que Clayton não cederia sem luta, e estava pronto para qualquer coisa.
Ao chegar à porta do escritório, Jack deu um chute forte, arrombando-a. Clayton estava sentado à mesa, levantando-se abruptamente com o barulho. Seus olhos se arregalaram ao ver Jack armado e furioso.
- Jack, o que diabos você está fazendo? - Clayton gritou, sua voz tremendo de surpresa e medo.
- Você sabe exatamente o que estou fazendo, Clayton - respondeu Jack, sua voz carregada de raiva. - Eu ouvi sobre o casamento. Você não pode fazer isso com a sua própria filha!
Clayton tentou recuperar a compostura, levantando as mãos em um gesto de rendição.
- Jack, calma. Isso não é o que parece. Estou apenas tentando garantir o futuro dela.
- Entregar sua filha para um monstro como Silas não é garantir o futuro dela, é condená-la! - Jack avançou, segurando o revólver firme, mas sem apontá-lo diretamente para Clayton.
Clayton recuou, claramente assustado.
- Você não entende, Jack. Estou sem opções - disse entre os dentes.
- Arranje outra solução, Clayton. Porque eu não vou deixar sua filha pagar pelo seu desespero. - Jack deu um passo adiante, seus olhos queimando de determinação.
Clayton olhou ao redor, buscando uma saída, mas sabia que Jack estava falando sério. Sua mandíbula saltava a cada segundo que passava.
- O que você sugere então? - perguntou ele, sua voz agora cheia de medo e resignação.
Jack respirou fundo, tentando controlar a fúria que sentia.
- Eu aceito casar com Charlotte, Clayton. Mas isso só vai acontecer sob certas condições - disse com raiva, apontando a arma para Clayton que ergue novamente as mãos.
Clayton arqueou uma sobrancelha, surpreso com o que acabou de ouvir.
- E quais seriam essas condições? - perguntou com sarcasmo, mas com certa curiosidade.
Jack avançou mais um passo, seu olhar firme. Ele abaixa a mão mesmo estando com o dedo próximo ao gatilho.
- Primeiro, vamos fazer isso de maneira correta, através de um contrato. Nada de acordos informais, eu não confio em você. Quero garantir que Charlotte seja tratada com o respeito que ela merece. E segundo, vou esquecer a sua dívida comigo. Completamente.
Clayton hesitou, processando as palavras de Jack.
- Um contrato... isso significa que tudo será legalizado? - perguntou um pouco preocupado e receoso.
- Exatamente - confirmou Jack, sem rodeios. - Quero que Charlotte tenha segurança, e isso inclui termos claros e justos no papel. Se concordar com isso, eu assumo a responsabilidade por ela e por sua dívida.
Clayton respirou fundo, percebendo que essa era sua melhor e talvez única opção para resolver a situação sem perder tudo.
- Tudo bem, Jack. Eu concordo, mas quero garantir o meu futuro. Você sabe que a safra deste ano de algodão não foi das melhores, perdi muito dinheiro. Você pode ficar com minha filha e também vai me dar mais trezentos mil dólares. Vamos fazer o contrato.
Jack franziu o lábio, o desgraçado queria mais dinheiro pela filha. Com uma carranca no rosto, aceitou. Se não fosse a loucura do homem que sempre chamou de amigo, não estaria se metendo nessa situação.
- Ótimo. Amanhã de manhã, iremos ao advogado da cidade para redigir o contrato. E lembre-se, Clayton, qualquer desvio do que acordamos, você estará lidando comigo novamente e enfrentará as consequências dos seus atos - disse mostrando o revólver para fazê-lo entender melhor suas intenções.
Clayton balançou a cabeça, sentindo o peso da decisão e medo.
- Entendi. Vamos fazer isso corretamente.
Jack estava prestes a sair do escritório quando Clayton o chamou:
- Não quer conhecer sua noiva?
Jack se voltou para Clayton e pela primeira vez não tinha resposta para uma pergunta tão simples.
- Espere aqui, vou chamá-la.
Antes que Jack pudesse dizer alguma coisa, Clayton abriu a porta e chamou Charlotte. A jovem apareceu após alguns segundos, seus passos hesitantes ecoando no corredor. Jack reconheceu imediatamente o rosto assustado, o mesmo que tinha visto quando entrou na casa com o revólver na mão.
Agora, mais calmo, ele observou melhor o rosto angelical da jovem. Seus traços delicados e seus olhos grandes e assustados chamavam atenção. Ela parecia tão frágil e vulnerável, envolta em um vestido comprido que escondia sua silhueta.
Jack engoliu seco, surpreso por ter ficado admirando a jovem mulher.
- Charlotte, este é Jack Colt - disse Clayton, tentando soar amigável. - Jack, esta é minha filha, Charlotte.
Jack deu um passo à frente, estendendo a mesma mão que acabou de esconder a arma entre suas roupas.
- Olá, Charlotte. Sou Jack. Sei que esta situação é difícil, mas estou aqui para garantir que você esteja segura.
Charlotte olhou para a mão estendida de Jack, hesitando por um momento antes de finalmente apertá-la. Seus olhos buscaram algum sinal de confiança e segurança no rosto de Jack, e ela encontrou uma sinceridade que a acalmou um pouco.
- Prazer em conhecê-lo, Sr. Colt - disse ela, a voz tremendo ligeiramente.
Jack sentiu uma pontada de culpa ao ver o medo nos olhos dela. Sabia que ela estava sendo forçada a aceitar um destino que não escolheu, e prometeu a si mesmo que faria tudo ao seu alcance para torná-lo o menos doloroso possível.
- Por favor, me chame de Jack - respondeu ele, suavizando o tom. - Vamos resolver isso juntos, Charlotte. Eu prometo.
Clayton, observando a interação, parecia ansioso para que tudo se resolvesse rapidamente.
- Muito bem, então estamos todos de acordo? Amanhã de manhã iremos ao advogado para formalizar o contrato.
Jack assentiu, mas seu foco estava em Charlotte.
- Sim, vamos resolver isso amanhã. Por enquanto, vamos todos descansar. Temos um longo dia pela frente.
Charlotte olhou para o pai, depois para Jack, e finalmente assentiu, aceitando a situação com uma resignação triste. Jack sentiu um peso em seu peito, sabendo que agora tinha uma grande responsabilidade não apenas financeira, mas também emocional.
Enquanto se preparava para sair, Jack lançou um último olhar para Charlotte. Ele sabia que a partir daquele momento, sua vida mudaria drasticamente. Mas estava determinado a proteger e cuidar dela, não importa o que viesse pela frente.
- Até amanhã, Clayton. Charlotte - disse ele, dando um toque no chapéu antes de sair da casa.
Enquanto montava em seu cavalo e se afastava da fazenda, Jack não conseguia parar de pensar na jovem mulher que acabara de conhecer. Como o pai e os homens na agropecuária haviam dito, era verdade: ela era adorável.
Capítulo 3
O sol mal havia nascido quando Jack se levantou. Ele sabia que o dia seria decisivo, e não podia falhar. Depois de se preparar rapidamente, montou em seu cavalo e cavalgou em direção à cidade, seu pensamento fixo no contrato que mudaria tudo em sua vida.
Ao chegar ao escritório do advogado, Jack encontrou Clayton já à espera, com Charlotte ao seu lado. Ela parecia ainda mais pálida e nervosa, seus olhos evitavam os dele.
- Bom dia, Jack - disse Clayton, tentando parecer descontraído, mas a tensão em sua voz era evidente. - Estamos prontos para formalizar o acordo?
Jack assentiu, cumprimentando o advogado antes de se sentar à mesa com Clayton e Charlotte. O advogado começou a explicar os termos do contrato, detalhando cada cláusula com precisão. Jack prestava atenção em cada palavra, garantindo que tudo estivesse conforme o combinado.
- Então, para finalizar, Jack assumirá todas as responsabilidades financeiras e legais por Charlotte, e Clayton renunciará a qualquer dívida. Há mais alguma coisa que vocês queiram adicionar? - perguntou o advogado, olhando para os três.
Jack olhou para Clayton, que balançou a cabeça, concordando.
- Não, isso cobre tudo - respondeu Jack firmemente. - Vamos assinar.
Enquanto eles assinavam os papéis, Jack sentiu um certo alívio. O contrato estava feito, e agora Charlotte estava sob sua responsabilidade. Ele sabia que a verdadeira prova começaria agora.
Após a formalização, Clayton se levantou, estendendo a mão para Jack.
- Agradeço por isso, Jack. Espero que possamos seguir em frente sem mais problemas.
Jack apertou a mão de Clayton, mas seu foco estava em Charlotte.
- Espero que sim, Clayton. Vou cuidar bem de Charlotte.
Clayton assentiu e, sem mais palavras, deixou o escritório, deixando Jack e Charlotte sozinhos com o advogado. Jack se voltou para Charlotte, que estava visivelmente nervosa.
- Charlotte, você está pronta para ir? - perguntou ele, tentando soar o mais gentil possível.
Ela olhou para ele, a vulnerabilidade clara em seus olhos.
- Sim, estou pronta.
Jack e Charlotte saíram do escritório e montaram em seus cavalos. O caminho de volta à fazenda de Jack foi silencioso, ambos com seus próprios pensamentos.
Ao chegarem à fazenda, Jack ajudou Charlotte a descer do cavalo. Ele a guiou até o casarão, mostrando-lhe os arredores e explicando onde ficava cada coisa.
- Aqui é onde você vai morar agora, Charlotte. Quero que se sinta à vontade para fazer deste lugar o seu lar - disse ele, tentando oferecer um sorriso reconfortante.
Charlotte olhou ao redor, ainda se adaptando à ideia de sua nova vida.
- Obrigada, Jack. Vou tentar me acostumar.
Jack assentiu, sabendo que levaria tempo para ela se ajustar.
- Sei que é muito para processar. Vou dar a você todo o tempo que precisar.
Enquanto Jack mostrava o restante da casa, ele não pôde deixar de admirar Charlotte. Apesar de tudo pelo que estava passando, ela se mantinha firme.
Jack guiou Charlotte até o quarto que havia preparado para ela. O ambiente era simples, mas acolhedor, com móveis de madeira escura e uma grande janela que deixava a luz do sol entrar. Ele abriu a porta e fez um gesto para que ela entrasse.
- Este será o seu quarto, Charlotte. Sinta-se à vontade para arrumar tudo do jeito que preferir - disse ele, tentando soar encorajador.
Charlotte entrou no quarto, olhando ao redor com olhos curiosos e cautelosos. Jack pôde ver que ela estava tentando processar todas as mudanças.
- Vou deixar você descansar e se acomodar. Mais tarde, chamarei você para almoçarmos juntos - disse Jack, dando um passo para trás em direção à porta.
Charlotte assentiu, sua voz um pouco mais forte agora.
- Obrigada, Jack. Agradeço pela gentileza.
Jack sorriu antes de responder.
- De nada, Charlotte. Se precisar de qualquer coisa, estarei por perto. Vou pedir para o capataz ir buscar suas coisas.
Ele fechou a porta suavemente e desceu as escadas. Sabia que precisava dar espaço para Charlotte se ajustar, mas também queria garantir que ela não se sentisse sozinha ou abandonada.
Enquanto andava pela casa, Jack começou a pensar em como seria o almoço. Precisava ser um momento tranquilo, uma chance para ambos se conhecerem melhor. Então teve uma ideia e foi até a área gourmet.
- Julieta? - entrou chamando a cozinheira que o recebeu com um grande sorriso.
- E então, meu querido. Você se casou? Onde está sua esposa?
- Na verdade - disse sentando a mesa. - Ainda não casamos, não entendi porque o pai dela a deixou comigo. Mas por outro lado, achei melhor, vai saber o que aquele maluco faria.
- Sim, é verdade. Nunca gostei dele. Desculpe a sinceridade, senhor.
- Ele sempre foi estranho, mas isso nunca afetou nossa amizade a não ser o que ia fazer com a filha.
- Falando nisso, senhor. E o velho Silas, será que aceitou numa boa não se casar com a mocinha? - ela perguntou curiosa se aproximando e sentando a frente do patrão.
- Não sei. Mas isso é um problema do Clayton com o Silas.
- O senhor tem razão.
Jack tira o chapéu passando os dedos pelos cabelos negros. Aos quarenta anos se admira por praticamente não ter fios brancos em seus cabelos.
- O que teremos para o almoço, Julieta?
- Como uma boa cozinheira brasileira de mão cheia. Estou fazendo seu prato predileto, senhor, feijoada.
- Desde que entrou em nossas vidas na fazenda não me vejo mais sem sua deliciosa feijoada.
- Ah, obrigada - disse envergonhada.
Mais tarde, quando o almoço estava pronto, Jack subiu as escadas e bateu levemente na porta do quarto de Charlotte.
- Charlotte, o almoço está pronto. Vamos comer juntos? - chamou ele, tentando manter a voz calma e acolhedora.
A porta se abriu lentamente e Charlotte apareceu, um pouco mais relaxada do que antes. Ela deu um pequeno sorriso, que fez Jack sentir que talvez as coisas estivessem começando a se encaixar.
- Obrigada, Jack. Estou pronta - disse ela, seguindo-o até a sala de jantar.
Eles se sentaram à mesa e Jack serviu o almoço. Como é o primeiro dia dela e ainda não estão casados, talvez ela não se sinta bem com os demais a mesa.
- O que é isso? - perguntou ela, observando a comida diferente.
- Apenas experimente, é divino.
Curiosa, ela pegou o garfo e experimentou cada item separadamente. Seus olhos encheram de prazer ao experimentar o delicioso prato.
Enquanto comiam, a conversa foi aos poucos fluindo, com Jack fazendo perguntas leves sobre os interesses e hobbies de Charlotte, tentando conhecê-la melhor sem pressioná-la.
- Então, Charlotte, o que você gosta de fazer no seu tempo livre? - perguntou Jack, pegando um pedaço de pão.
Charlotte pensou por um momento antes de responder.
- Gosto de ler e de passar tempo com os animais. Sempre gostei de ajudar na fazenda, cuidando dos cavalos e das galinhas.
Jack sorriu, satisfeito por encontrar um ponto em comum.
- Temos muitos animais aqui. Tenho certeza de que você vai gostar de conhecê-los. E, se precisar de algum livro, posso trazer da cidade para você.
Os olhos de Charlotte brilharam ligeiramente com a menção dos animais e dos livros.
- Isso seria maravilhoso, Jack. Obrigada.
A refeição continuou, e aos poucos, a tensão entre eles começou a diminuir.
Após o almoço, Jack se levantou e começou a recolher os pratos.
- Vou cuidar disso. Por que você não dá uma volta pela fazenda? Pode ser bom para você se familiarizar com o lugar.
Charlotte assentiu, levantando-se da mesa.
- Acho que vou fazer isso. Obrigada pelo almoço, Jack. Estava delicioso.
Jack sorriu, sentindo uma pequena vitória naquele momento.
- Fico feliz que tenha gostado. Aproveite o passeio.
Enquanto Charlotte saía para explorar a fazenda, Jack voltou para a cozinha, sentindo uma leve esperança de que, com o tempo, poderiam construir uma vida juntos que fosse feliz e segura.