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Amarras do Passado Quebrado

Amarras do Passado Quebrado

Autor:: Youran Qianwu
Gênero: Sci-fi
Minha missão ultrassecreta durou três meses, e tudo que me manteve foram as memórias da minha esposa, Sofia, e a promessa de um futuro que construímos juntos. Mal cheguei e fui direto ao escritório do meu superior, Sr. Ferreira, para me voluntariar para o \"Projeto Vanguarda\", algo que recusei por anos por causa dela. Com uma calma assustadora, anunciei: "Vou me divorciar. Sofia não precisa mais de mim." A traição dela queimava em minha garganta: enquanto eu estava longe pelo país, ela trouxe outro homem para nossa casa, Pedro, e sua filha. Cheguei em casa e ela agia como se nada tivesse acontecido, indiferente, fria, e ainda teve a audácia de mudar a senha da nossa porta eletrônica para abrigar o amante. Não senti raiva, apenas um cansaço profundo e nojo. Ela tentou minimizar meu sofrimento, dizendo: "Você está sendo mesquinho." Mas no parque, eu a vi de mãos dadas com ele, rindo enquanto a garotinha o chamava de pai, e Sofia dizia que "tudo estava no lugar certo agora". Eu era a peça no lugar errado, um idiota que sacrificou anos de carreira por um amor que se revelou uma farsa. O cristal de noivado, símbolo do nosso amor, estilhaçou-se em mil pedaços, assim como meu coração. Então, a terrível verdade revelada por meu pai me golpeou: eu não era sequer um substituto para seu amor morto, mas uma ferramenta, um peão em seu jogo de carreira pelo acesso aos dados da agência. Cada pedaço de sentimento que eu tinha por Sofia morreu, foi apagado, aniquilado. Eu me senti livre de uma forma que o divórcio por si só não conseguiu proporcionar. Agora, livre das amarras do passado, com um coração transformado em pedra, eu decidi seguir em frente, em direção a um futuro onde o passado não passava de uma terra estrangeira. E assim, eu entrei na base militar, sem olhar para trás, em direção ao Projeto Vanguarda, rumo à minha nova vida.

Introdução

Minha missão ultrassecreta durou três meses, e tudo que me manteve foram as memórias da minha esposa, Sofia, e a promessa de um futuro que construímos juntos.

Mal cheguei e fui direto ao escritório do meu superior, Sr. Ferreira, para me voluntariar para o \"Projeto Vanguarda\", algo que recusei por anos por causa dela.

Com uma calma assustadora, anunciei: "Vou me divorciar. Sofia não precisa mais de mim."

A traição dela queimava em minha garganta: enquanto eu estava longe pelo país, ela trouxe outro homem para nossa casa, Pedro, e sua filha.

Cheguei em casa e ela agia como se nada tivesse acontecido, indiferente, fria, e ainda teve a audácia de mudar a senha da nossa porta eletrônica para abrigar o amante.

Não senti raiva, apenas um cansaço profundo e nojo.

Ela tentou minimizar meu sofrimento, dizendo: "Você está sendo mesquinho."

Mas no parque, eu a vi de mãos dadas com ele, rindo enquanto a garotinha o chamava de pai, e Sofia dizia que "tudo estava no lugar certo agora".

Eu era a peça no lugar errado, um idiota que sacrificou anos de carreira por um amor que se revelou uma farsa.

O cristal de noivado, símbolo do nosso amor, estilhaçou-se em mil pedaços, assim como meu coração.

Então, a terrível verdade revelada por meu pai me golpeou: eu não era sequer um substituto para seu amor morto, mas uma ferramenta, um peão em seu jogo de carreira pelo acesso aos dados da agência.

Cada pedaço de sentimento que eu tinha por Sofia morreu, foi apagado, aniquilado.

Eu me senti livre de uma forma que o divórcio por si só não conseguiu proporcionar.

Agora, livre das amarras do passado, com um coração transformado em pedra, eu decidi seguir em frente, em direção a um futuro onde o passado não passava de uma terra estrangeira.

E assim, eu entrei na base militar, sem olhar para trás, em direção ao Projeto Vanguarda, rumo à minha nova vida.

Capítulo 1

Assim que a quarentena de três meses da missão ultrassecreta terminou, Ricardo nem se deu ao trabalho de ir para casa. Ele foi direto para o escritório de seu superior, o Sr. Ferreira.

"Senhor, eu quero me juntar ao Projeto Vanguarda," disse Ricardo, sua voz firme e sem hesitação.

O Sr. Ferreira levantou os olhos dos documentos em sua mesa, surpreso. Ele empurrou os óculos para a ponta do nariz e olhou para Ricardo, seu subordinado mais talentoso.

"Ricardo, você tem certeza? Você recusou da última vez. Disse que a missão era muito longa e que sua esposa não ficaria bem sozinha."

Uma sombra passou pelo rosto de Ricardo, mas desapareceu tão rápido quanto apareceu.

"As coisas mudaram, senhor."

"Mudaram como?" perguntou o Sr. Ferreira, genuinamente preocupado. Ele sempre apreciou o talento de Ricardo na ciência de foguetes.

"Eu vou me divorciar," Ricardo disse calmamente, como se estivesse falando do tempo. "Sofia não precisa mais de mim. Na verdade, acho que ela nunca precisou."

Ele se lembrou dos últimos três anos. Ele era o cientista de foguetes mais promissor do país, mas por causa de Sofia, ele havia recusado várias oportunidades importantes, incluindo o Projeto Vanguarda. Ele pensou que estava construindo uma família, um lar. Ele sacrificou sua carreira por amor, um amor que agora parecia uma piada.

"Divórcio? O que aconteceu?" O Sr. Ferreira franziu a testa. Ele sabia o quanto Ricardo amava sua esposa.

"Ela me traiu," Ricardo respondeu, seu tom ainda controlado, mas com uma frieza que não estava lá antes. "Enquanto eu estava na missão, ela colocou outro homem em nossa casa. Na verdade, ela já o expulsou de lá também. Agora, estou sendo expulso."

O Sr. Ferreira ficou sem palavras por um momento. Ele apenas balançou a cabeça, desapontado por Ricardo.

"Eu vou cuidar dos procedimentos legais assim que possível. Só preciso que o senhor aprove minha transferência."

"Claro, Ricardo. Considere feito. A equipe do Vanguarda ficará feliz em tê-lo. Especialmente a Dra. Helena."

Ao ouvir o nome de sua mentora, Ricardo sentiu um pingo de calor em seu peito gelado. Dra. Helena era uma cientista brilhante que sempre o apoiou.

"Obrigado, senhor."

Ricardo saiu do escritório e, em vez de ir para casa, dirigiu até o bairro onde morava. Ele estacionou o carro a uma distância segura, escondido por uma grande árvore. Ele só queria ver com seus próprios olhos.

E lá estava ela. Sofia. Saindo de sua casa, a casa que ele comprou, de mãos dadas com outro homem, Pedro. Um colega de trabalho dela, como ele soube mais tarde. Pedro segurava a mão de uma garotinha, que sorria para Sofia.

Eles pareciam uma família feliz.

Ricardo observou-os caminhar até o parque próximo. Ele os seguiu, mantendo distância. Sentou-se em um banco e observou a cena se desenrolar.

Sofia estava empurrando a menina no balanço, rindo. Pedro estava ao lado dela, com o braço em volta de sua cintura.

"Mamãe, mais alto!" a menina gritou, sua voz infantil ecoando pelo parquinho.

Mamãe.

A palavra atingiu Ricardo como um soco no estômago. Ele sentiu o ar faltar em seus pulmões. Sofia nunca quis ter filhos com ele. Ela sempre dizia que não estava pronta, que uma criança atrapalharia sua carreira. Mas ali estava ela, sendo chamada de mãe pela filha de outro homem.

Ele ouviu a conversa deles, levada pelo vento.

"Querida, você está feliz?" Pedro perguntou a Sofia, beijando sua bochecha.

"Muito," ela respondeu, sorrindo para ele. "É como se tudo estivesse no lugar certo agora."

No lugar certo.

Ricardo sentiu uma dor aguda no peito. Então, ele era a peça que estava no lugar errado? Todos os anos de dedicação, o amor, o sacrifício... tudo não significava nada? Ele se sentiu um idiota. Um completo idiota. A dor se transformou em uma raiva fria e silenciosa. Ele se levantou e caminhou de volta para o carro, seu coração pesado como uma pedra.

Quando ele finalmente chegou em casa naquela noite, a casa estava silenciosa. Sofia estava no sofá, lendo uma revista, agindo como se nada tivesse acontecido.

"Você voltou," ela disse, sem nem mesmo levantar os olhos. Sua voz era indiferente, fria.

"Sim," Ricardo respondeu, sua voz rouca. Ele olhou para a mulher que um dia amou, e tudo o que sentiu foi um cansaço profundo e uma aversão crescente.

"Por que você trancou a porta eletrônica? Tive que usar a chave reserva," ele perguntou, tentando manter a calma. Ele sabia que ela tinha mudado a senha, trancando-o do lado de fora de sua própria casa.

"Eu mudei a senha. Pedro e a filha dele estavam com medo de ficarem sozinhos. Ele acabou de se divorciar, está passando por um momento difícil," ela explicou, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Ricardo quase riu da ironia. Ela estava preocupada com o homem que a ajudou a traí-lo, enquanto ele, seu marido, era tratado como um estranho.

"Um momento difícil? E quanto a mim, Sofia? Eu acabei de voltar de uma missão de três meses, isolado do mundo, pensando em você todos os dias. E volto para descobrir que você me trancou para fora da minha própria casa para abrigar seu amante."

"Não fale assim, Ricardo. Você está sendo mesquinho," ela retrucou, finalmente olhando para ele, com o rosto contorcido em aborrecimento. "Pedro precisava de apoio."

Ricardo respirou fundo, a raiva dando lugar a uma calma assustadora. Ele olhou nos olhos dela, e a mulher que ele via não era a Sofia por quem ele se apaixonou.

"Sofia," ele disse, sua voz baixa e perigosa. "Vamos nos divorciar."

Ela o encarou, seus olhos se arregalando em choque. A revista caiu de suas mãos.

"O quê? Você está louco? Divórcio? Por causa de uma coisinha boba como essa? Você está exagerando, Ricardo!"

Ela se levantou, incrédula e irritada, como se ele fosse a pessoa irracional na situação.

Capítulo 2

No exato momento em que Sofia ia começar a gritar, seu celular tocou. Ela olhou para a tela e seu rosto mudou instantaneamente de raiva para preocupação.

"Pedro? O que aconteceu? A Lili está bem?"

Ricardo observou a transformação, seu coração se tornando ainda mais frio. A preocupação dela era toda para o outro homem e sua filha.

"O quê? Ela está com febre alta? Estou indo para aí agora mesmo. Não se preocupe, eu cuido de tudo."

Ela desligou o telefone e pegou a bolsa apressadamente, sem sequer olhar para Ricardo.

"Lili está doente. Preciso ir," ela disse, já se movendo em direção à porta.

Ela não se importava com o divórcio que ele acabara de propor. Ela não se importava com os sentimentos dele. Ela o deixou ali, parado no meio da sala de estar, para correr para o lado de seu amante.

A porta se fechou com um clique suave, deixando Ricardo sozinho no silêncio da casa.

Ele ficou parado por um longo tempo, a dor em seu peito era uma presença física. Mas, estranhamente, ele não estava surpreso. Ele já estava acostumado a ser deixado para trás, a ser a segunda opção.

Com um suspiro pesado, ele subiu as escadas. Ele não ia mais tolerar aquilo. Ele entrou no quarto deles e pegou uma mala. Ele começou a arrumar suas coisas, de forma metódica e silenciosa. Roupas, livros, seus documentos de pesquisa. Cada item era uma lembrança de uma vida que ele agora percebia ser uma mentira.

Enquanto arrumava suas coisas, uma vizinha, Dona Elvira, bateu na porta. Ela era uma senhora idosa e fofoqueira, mas tinha um bom coração.

"Ricardo, meu filho! Eu vi você chegar! Fiquei tão feliz!" ela disse, com um sorriso caloroso.

"Olá, Dona Elvira. É bom vê-la também," Ricardo respondeu, forçando um sorriso.

"Eu vi Sofia sair correndo. Aconteceu alguma coisa? A pequena Lili está doente de novo?"

"De novo?" Ricardo perguntou, franzindo a testa.

"Sim. Coitadinha. Parece que toda semana ela tem alguma coisa. Febre, dor de barriga... Sofia está sempre correndo para o hospital com ela. Ela é uma boa mulher, cuidando da filha do namorado como se fosse sua," Dona Elvira disse, sem perceber a dor que suas palavras causavam.

Ricardo sentiu um nó na garganta. Ele se lembrou de uma vez, anos atrás, quando ele pegou uma gripe forte. Ele pediu a Sofia para comprar um remédio para ele, mas ela disse que estava muito ocupada com o trabalho. Ele teve que se arrastar para fora da cama e ir à farmácia sozinho, tremendo de febre.

A comparação foi brutal. Ela nunca se importou com ele, mas tratava a filha de Pedro com uma dedicação que ele nunca recebeu. A verdade era um veneno amargo, queimando por dentro.

Ele terminou de fazer as malas. Ele olhou para a casa, para a vida que ele pensou ter construído, e sentiu uma onda de tristeza, mas também de alívio. Ele estava finalmente se libertando.

Ele pegou um calendário na parede e circulou a data de hoje com uma caneta vermelha. O dia em que sua antiga vida terminou e uma nova começou. Ele escreveu ao lado: "Liberdade" .

Mais tarde naquela noite, Sofia voltou. Ela parecia cansada, mas satisfeita.

"Lili está melhor. Era só uma febre baixa," ela disse, como se esperasse que ele se importasse.

Ricardo não respondeu. Ele estava sentado na poltrona, lendo um de seus livros de física.

"Você ainda está bravo?" ela perguntou, tentando soar conciliadora. "Eu fiz o jantar. Sua comida favorita."

Ele continuou a ler, ignorando-a.

"Ricardo, não seja assim. Vamos conversar," ela disse, aproximando-se dele.

Ele finalmente olhou para ela, seus olhos vazios de qualquer emoção.

"Eu não quero sua comida," ele disse, sua voz monótona. "Você pode guardá-la para o seu... namorado."

A palavra saiu com um gosto amargo.

Sofia recuou, ofendida. "Por que você está sendo tão cruel? Eu só estava ajudando um amigo."

Ela tentou se sentar no colo dele, um gesto que costumava acalmá-lo no passado. Mas desta vez, ele a empurrou para longe.

"Não me toque," ele disse, sua voz baixa e cheia de repulsa.

O toque dela, que antes era seu conforto, agora o enojava.

Sofia o encarou, chocada e magoada com a rejeição. Ela começou a sentir um pingo de ansiedade. A calma dele era mais assustadora do que qualquer explosão de raiva.

"Ricardo, o que há de errado com você? Eu sei que errei, mas podemos consertar isso. Eu ainda te amo," ela disse, sua voz começando a tremer.

Ele a olhou, e um sorriso sem alegria tocou seus lábios.

"Amor? Você não sabe o que essa palavra significa, Sofia."

Ele se levantou e foi para o quarto de hóspedes, fechando a porta atrás de si. Ele ouviu os soluços dela do outro lado, mas não sentiu nada. Absolutamente nada. Seu coração, que ela havia quebrado tantas vezes, finalmente havia se transformado em pedra. Ele sabia, com uma certeza assustadora, que era o fim.

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