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Amo pós o Casamento

Amo pós o Casamento

Autor:: PandaDeSeattle
Gênero: Romance
Amélia não queria ser mais uma ômega obrigada a se casar. Mas ela não tem muitas opções e terá que fazer isso. Ela só não esperava que a sua alfa fosse diferente do que ela esperava.

Capítulo 1 Introdução

Amélia é a filha mais velha dos Bernard. Ela acabou de completar 21 anos e para seus pais estava na melhor idade para se casar.

Faltava 1 ano para que ela se formasse na faculdade de Literatura inglesa. Sempre foi uma garota obediente e sorridente, que adorava crianças, ainda mais quando suas quatro irmãs mais novas cresceram.

Amélia se descobriu ser ômega quando entrou no cio aos 14 anos. Foi uma experiência quase traumática porque estava na escola, mas como a instituição era preparada para isso, conseguiram tirá-la de lá antes que o pior acontecesse.

Ela era a única filha ômega de uma família de cinco filhas.

Após Amélia, vinha Viviene,19 anos, que faz faculdade de moda. Depois vinha, Verônica, 17 anos, acabou de terminar a escola e, para a surpresa da família, escolheu o curso de medicina. Por último vinha os gêmeos Taylor e Christopher, 10 anos, que são jovens demais para descobrir o gênero.

Os Bernard eram uma família bastante conhecida por serem donos de uma rede de hotéis. Mas ultimamente a companhia andava lidando com alguns processos nas costas, Giovanni Bernard vivia atolado de papéis no escritório e tinha várias reuniões com advogados e acionistas, sempre tentando achar uma solução para o problema.

Numa tarde estressante, ele estava em um dos saguões de um de seus hotéis. Tomava uma dose de whisky puro quando uma mão tocou seu ombro.

- Augusto! - Giovanni sorriu, ainda tenso, e se virou para apertar a mão do amigo de longa data.

- Como vai? - Augusto Bustamante era um homem de negócios, também vinha de uma família muito rica e tinha uma rede de resorts.

Ele e Giovanni foram criados praticamente juntos. Seus pais eram amigos, mesmo sendo concorrentes. Até porque tinha espaço para todos naquele ramo.

- Fiquei sabendo que os hotéis Bernard estão mal das pernas - Augusto disse, após receber uma dose de whisky também.

- Yeah... - Giovanni suspirou e bebeu o restante do líquido forte.

- Você sabe que eu não gosto disso, mas infelizmente, preciso de ajuda - Ele encarou o homem ao seu lado.

- Meu irmão andou desviando dinheiro dos três hotéis que fecharam e foi isso que resultou na falência deles. Além de estar metido com outras coisas, a mídia está em cima e isso não está ajudando em nada. - Desabafou.

- Desculpa, mas seu irmão sempre foi um cretino - Augusto comentou e bebeu um gole de whisky. - Mas eu posso te ajudar Giovanni.

- Como? - Bernard perguntou receoso. - Eu não quero o seu dinheiro.

- Eu sei que você é orgulhoso. - Bustamante sorriu.

- Então, vou te propor o seguinte... - tomou fôlego. - Minha filha mais velha, Alicia, está na idade de se casar. E eu sei que você tem uma filha ômega quase na mesma idade que ela.

- Alicia já é adulta? - Bernard perguntou risonho.

- Essas crianças crescem rápido demais. Ainda me lembro da pequena Alicia correndo pelada pela casa para não tomar banho - suspirou nostálgico, e Augusto sorriu das lembranças da sua filha mais velha. - Mas sim, Amélia tem 24 e está na hora de casar.

- Bom, Alicia está com 29 e acabou de voltar dos EUA após seu MBA em Harvard. Está me ajudando, mas ela pode ajudar vocês. - Augusto continuou.

- E eu acho que com um casamento entre nossos filhos, eu poderia te ajudar financeiramente ainda mais com a mente fresca da minha filha que pode te beneficiar com ideias novas que poderão te tirar da falência.

Giovanni encarou o amigo ponderando a ideia. Isso o ajudaria muito. Porém, ele amava demais sua filha para forçá-la a fazer algo que não queria. Ele também sabia que iria destruir o seu sonho de amor. Amélia sonhava com uma princesa, sonhava em se apaixonar.

Mas situações desesperadas pediam medidas mais desesperadas ainda.

- Alicia é uma boa alfa, Giovanni, se esse é o seu medo - Bustamante disse, ao fitar a expressão preocupada do amigo. - Ela nunca faria alga para machucar Amélia, eu e Carolina a criamos bem, para sempre respeitar os ômegas.

- Eu sei, Gusto, mas... - Giovanni suspirou. - Eu tenho medo de machucar minha filha forçando-a a fazer algo que não quer.

- Eu entendo - Augusto assentiu, bebendo mais um gole de whisky. - Mas pense bem e depois conversamos mais.

- Alicia está de acordo? - Bernard perguntou.

- Sim, ela está - o outro confirmou. - Alicia entende e diz que está mais do que satisfeita em ajudar. Quando conversamos sobre isso de novo, posso trazê-la e você fala com ela para ter mais certeza.

Giovanni concordou com a cabeça e os dois amigos brindaram mais uma rodada de whisky. E aquele foi uma prévia do acordo que seria selado mais para frente.

Capítulo 2 Você quer se casar comigo

Mais um jantar na mansão dos Bernard. As meninas conversavam animadas, Amélia estava meio dispersa enquanto brincava com a comida em seu prato. Giovanni observava sua filha e as vezes trocava olhares com a esposa.

Ele já tinha conversado com Clara sobre o assunto e ela estava preocupada. Sabia como a filha era, mas acreditava que a garota iria aceitar se fosse para ajudar a família. O casal tinha decidido que iria dar a notícia após o jantar.

- Você está bem, Amélia? - Giovanni perguntou a filha, tirando-a de seus devaneios.

- Uh? - A garota levantou a cabeça, confusa.

- Perguntei se você está bem. - Giovanni tornou a repetir.

- Desculpe, papai. - A ômega pediu, sempre submissa. - Estou sim, só pensativa.

- Sua mãe e eu gostaríamos de conversar com você, em particular, depois do jantar. - O pai voltou a falar.

- Tudo bem. - Amélia concordou e voltou a comer.

Clara ainda fitava a filha apreensiva, mas suspirou. As irmãs da garota a encararam, perguntando se Amélia tinha feito alguma coisa para que os pais precisassem falar a sós com ela.

Depois de terminaram de comer e recolher a louça, as meninas subiram para os seus quartos e Giovanni foi para o seu escritório acompanhado de sua esposa e de Amélia.

A ômega e sua mãe se sentaram lado a lado no sofá e o pai se sentou na poltrona.

- Filha, nós estamos com problemas. - Giovanni começou.

- Que tipo de problemas? - A garota perguntou, encarando o pai.

- Financeiros. - O alfa respondeu. - Três dos nossos melhores hotéis se fecharam, você já sabia disso. Certo?

A ômega apenas assentiu, balançando a cabeça.

- Sendo assim. Estamos com apenas dois hotéis de pequeno porte funcionando e com risco muito grande de ambos fecharem. - Giovanni começou a falar. - Você sabe que estamos reduzindo os gastos nessa casa e precisamos de uma solução rápida.

- O que posso fazer para ajudar? - Ela perguntou, preocupada.

Ela sabia que estavam enfrentando problemas, apenas não sabia que eram nesse patamar. Ela não estava usando seu carro e cartões de crédito, e já tinham dispensado boa parte dos empregados da casa. Assim como suas irmãs estavam restritas a muitas coisas.

- Bem, você se lembra da família Bustamante? - Giovanni perguntou e viu a filha assentir novamente. - Augusto me ofereceu ajuda, mas vou precisar da sua também.

Amélia ficou confusa. Ela conhecia sim a família Bustamante, era até amiga de Louis, o filho mais novo de Carolina e Augusto. O menino era um alfa da sua idade e ambos estudavam Literatura juntos. Mas se Augusto Bustamante ofereceu ajuda, o que ela tinha a ver com isso?

- Você se lembra de Alicia? - Seu pai voltou a lhe perguntar.

É claro que ela se lembrava de Alicia Bustamante. A alfa que lhe importunava todas as vezes que ela ia para a casa dos Bustamante com os pais ou para brincar com Louis. Ela sempre a provocava, puxava seu cabelo ou fazia brincadeiras idiotas.

Ela era uma chata na opinião de Amélia. Deu graças a Deus quando a alfa completou dezoito anos e se mudou para os EUA, para fazer faculdade.

- Lembro. - Amélia disse, ainda sem entender.

- Então, eu e Augusto selamos um acordo. - Giovanni voltou a falar, de uma forma cautelosa. - Você precisa se casar com Alicia e em troca ele nos ajuda a não falir.

Amélia não teve tempo de reagir. Estava tão surpresa que não teve palavras para se expressar.

- Filha, eu sei que não é isso que você queria. - Seu pai começou a falar, preocupado. - Sei que você queria se apaixonar primeiro para depois pensar em formar uma família, porém, infelizmente casamentos arranjados acontecem a todo tempo ainda. - Ele a fitava intensamente.

- Lia, meu anjo, precisamos da sua ajuda para passar por essa crise. - Sua mãe, que até então estava calada, finalmente disse alguma coisa. – Não queremos te pressionar a aceitar, você tem todo o direito de recusar. Vamos encontrar uma outra alternativa mesmo que fique mais difícil.

A garota ainda estava chocada demais para verbalizar alguma coisa. Encarava sua mãe e seu pai e seus pensamentos estavam a mil.

Amélia se considerava uma ômega sonhadora. Ela gostava da ideia de encontrar um alfa incrível e que a fizesse se sentir a ômega mais especial do mundo, que a amasse como ela era.

A jovem sonhava com o amor. Ela nunca se apaixonou, nunca entregou seu coração para alguém. Obviamente que já tinha beijado e conhecido diversas pessoas. Porém, ela queria passar por todas as fases antes do casamento: encontrar alguém que valesse a pena, apaixonar-se, noivar e depois se casar.

Mas parece que o destino não iria deixá-la realizar esse sonho.

Ela sabia do rombo que seu tio deixou nos hotéis, sabia que muita gente estava desempregada e para pagar todos os direitos dos trabalhadores quase ficavam sem nenhum dinheiro. Venderam algumas propriedades, dispensaram alguns luxos que tinham, mas as coisas ainda estavam difíceis.

E Amélia amava demais suas irmãs para deixá-las passarem por qualquer tipo de necessidade. Então, logicamente que ela iria ceder e aceitar o acordo de seu pai com Augusto Bustamante. Por mais que ela odiasse sua filha. Ela não iria deixar sua família cair na miséria.

- Papai... - Ela conseguiu externar depois de alguns minutos em silêncio.

- Eu aceito. – Informou nervosa, mas decidida.

- Vou ajudar a nossa família. – Disse com os olhos cheios de lágrimas.

- Ah, meu amor! - Clara exclamou, chorosa, e puxou sua pequena para os seus braços.

Giovanni viu sua filha se aninhar nos braços da mãe e se sentiu cada vez mais culpado. Não era isso que ele queria para a sua menina. Podia estar sendo egoísta, mas estava pensando no bem da própria Amélia também. Ele esperava que não estivesse cometendo o maior dos erros.

....

Quando Giovanni informou os Bustamante que Amélia tinha aceitado, Augusto os chamou para um jantar entre as famílias.

Amélia se arrumou impecavelmente. Mesmo se sentindo sufocada e parecia que seu coração ia saltar pela boca. Estava muito bonita como sempre, mas não sorria e nem tinha o brilho hipnotizante em seus olhos verdes.

- Vai dar tudo certo, querida. - Sua mãe lhe disse, assim que pisaram na mansão Bustamante e foram recebidos por uma governanta.

Amélia e sua família foram direcionados a uma das várias salas de estar da mansão e encontraram a família Bustamante quase completa os esperando. Enquanto seus pais se cumprimentavam, a pequena ômega foi atacado por um abraço de urso. Ela riu um pouco, porque conhecia aquela cabeleira castanha. Era Louis.

- Lia! - O garoto exclamou, ainda abraçada a ômega. - Espero que você esteja bem depois de tudo.

- Eu ainda não consegui... Hm, digerir. - Foi o que Amélia disse, após terminaram o abraço. - Foi tudo tão rápido.

- Eu acredito. - Louis disse, compreensivo. - Mas vai ficar tudo bem, sweetie... A Alicia não é uma má pessoa, nem uma alfa ruim.

- Sei que as pessoas mudam, Lou. - Amélia tentou intervir. - Mas se casar com uma garota que sempre enchia o meu saco quando éramos adolescentes não estava nos meus planos.

Os dois riram e logo Augusto chamou a mais velha dos Bernard para cumprimentá-lo. Alicia ainda não tinha aparecido, mas foi só pensar na diaba que ela apareceu na sala.

Amélia sabe que Alicia nunca foi feia. Ela era linda e a idade só a fazia bem. Estava bem mais alta do que se lembrava, o cabelo ondulado bem maior, as covinhas ainda estavam ali juntamente com o sorriso de tirar o fôlego.

O sorriso.

Alicia tinha um sorriso conquistador, um sorriso de deixar qualquer um com as pernas bambas.

- Boa noite. - Ela desejou com a voz suave. - É um prazer revê-los.

Clara e Giovanni a cumprimentaram, mas Amélia se sentiu nervosa. Não sabia bem como cumprimentar a sua... noiva? Mas Alicia não perdeu tempo, aproximou-se da ômega e estendeu a mão.

- É muito bom te ver de novo. - Ela sorriu para Amélia.

- Sim. - Amélia respondeu envergonhada. - Como você está?

- Melhor agora e você? - A alfa respondeu no mesmo instante.

A menor apenas balançou a cabeça, ainda constrangida com toda a gentileza da alfa.

- Espero conversar melhor com você durante o jantar. - Foi o que Alicia disse e então uma empregada chegou na sala de estar para avisar que o jantar estava pronto.

As duas famílias se encaminharam para a sala de jantar, que era um luxo na opinião da ômega.

Na verdade, toda a mansão era.

Amélia já conhecia a mansão Bustamante por ter passado parte da infância ali, mas fazia alguns bons anos que não pisava na residência.

Amélia tentou quebrar seu nervosismo falando durante o jantar, rapidamente foi relaxando e interagindo com todos.

Ela pode sentir os olhos de Alicia em si durante todo o momento.

Suas irmãs mais novas não foram, Clara e Giovanni acharam melhor que o jantar inicial fosse apenas com eles e Amélia.

O restante da família Bernard ainda teria muito para conhecer Alicia, já que as meninas ainda eram pequenas quando ela foi para os EUA e quase não conviveram com ela durante a infância.

Após o jantar, todos estavam de volta a sala de estar, os alfas bebiam uma dose de conhaque, enquanto as ômegas, e Louis, bebiam vinho.

Amélia estava sentado numa poltrona ao lado de Louis sorrindo para o que sua mãe e Carolina conversavam, as ômegas já estavam planejando o casamento que ainda nem tinha data. Alicia, por outro lado, observava as feições da ômega. Ela sempre soube que Amélia era linda, mas agora parecia mais perfeita ainda.

Seu corpo era pequeno e cheio de curvas, os olhos verdes brilhantes, o sorriso era radiante e um pouco envergonhado, o seu jeito sempre meigo. Sem contar que ela era absurdamente cheirosa.

Mas Alicia sabia que a ômega tinha mais do que isso, lembra de como a garota podia ter a língua bem afiada quando queria.

Tirou do bolso interno do paletó que usava uma caixinha azul de couro, e viu seu pai e futuro sogro sorrirem.

Aquilo já estava previsto, apenas Amélia que não sabia.

Alicia pediu a atenção de todos e pediu para que Amélia se aproximasse. Completamente tímida ela foi até a alfa.

- Eu sei que você queria algo mais elaborado, apaixonado e principalmente feito por uma pessoa que você ame. - Alicia começou a falar, pegando delicadamente na mão pequena. - Mas eu posso prometer apenas uma coisa Amélia, farei até o impossível para te fazer feliz. Então, Amélia Bernard, você quer se casar comigo?

Capítulo 3 Efeito Alicia Bustamante

Amélia olhava para o anel em sua mão direita, ainda sem acreditar no que fez aquela noite.

Era extravagante o anel, em sua concepção a pedra era chamativa. Apesar de todo o trabalho do metal ser divinamente esculpido.

Porém, Amélia não conseguia usá-lo.

Parecia que estava pesando uma tonelada em sua mão.

Por isso ela o tirava toda vez que saía, principalmente para ir a faculdade.

Ela disse sim, não por querer, mas por obrigação.

Tinha coisas maiores em jogo, como por exemplo o futuro da sua família.

Amélia sabia que as coisas não estavam bem. Seu pai a tinha mostrado os relatórios feitos pelo pessoal de consultoria dos hotéis Bernard, e mesmo pagando todas as dívidas ainda seria difícil se reerguer.

Eles poderiam perder tudo.

A solução mais viável, que Alicia tinha apresentado aos acionistas, era uma junção da rede de hotéis com a da família Bustamante. Ajudaria muito e isso estava em jogo naquela simples pergunta.

Mesmo com o coração na mão, agora ela estava noiva.

De uma pessoa que ela mal conhecia.

De uma pessoa que ela não amava.

Mas Amélia não queria pensar nas consequências desse laço.

Suspirou pesadamente e bebericou o chá em seu copo. Ela esperava Louis, o garoto tinha ido à biblioteca devolver uns livros enquanto ela o esperava no local preferido de ambos.

- Você está tão abatida, Lia. - O alfa chegou, despertando os pensamentos da ômega.

- Você sabe o porquê. - Ela respondeu, sorrindo triste.

- Eu sinto muito, sugar. - Ele disse, compreensivo. - Gostaria de poder te ajudar, mas não tenho como.

- Eu sei, Lou. - Amélia suspirou, derrotada.

- Eu só não queria me casar assim, sem poder escolher nada, principalmente a minha esposa. – Disse meio triste.

- Eu sei que você e a Alicia são as últimas pessoas no mundo que ficariam juntas, mas acho que vocês deveriam tentar pelo menos uma amizade. - O alfa falou depois de beber do seu chá que a amiga já tinha pedido.

- Ela não é mais a babaca de sempre. E vocês podem entrar num acordo, fiquem casados até a situação da sua família melhorar e depois se divorciem, sei lá. - Louis opinou.

- E você acha que as nossas famílias, tradicionais do jeito que são, vão aceitar um futuro divórcio? - A menor fez careta.

- Eles já concordaram em não precisar da marca, você sabe. - Louis voltou a opinar.

- Pelo menos isso... - Amélia suspirou. - E eu nem quero pensar em como serão os cios. Oh Deus! Como eu vou fazer? - Choramingou.

- Vocês podem se ajudar ué. - Louis deu uma risadinha.

- Louis! - A ômega a repreendeu. - Nunca!

- Nunca diga nunca, love. - Louis a provocou, fazendo a garota jogar um guardanapo nela.

- Você é o pior, Louis William. - Amélia respondeu rindo.

E Louis riu alto.

- Enfim. - ele suspirou. - Mamãe e tia Clara estão pirando com o planejamento da festa de noivado, elas já querem até marcar a data do casamento. Mas eu acho que você e a Alicia deveriam decidir.

- Eu não sei mais de nada. - Amélia respondeu pensativa.

- Você e a idiota da minha irmã deveriam conversar. - Louis pontuou de novo. - Por isso, ela vem te buscar depois da aula.

- O que? - A menor arregalou os olhos surpresa.

- Isso mesmo que você ouviu e não me olhe com essa cara. - Louis revirou os olhos. - Tomei a liberdade de fazer esse favor a ambos e a Alicia achou uma boa ideia.

- E você me avisa assim? Desse jeito? - Amélia falou chocada.

- E você queria que eu te avisasse como? - O moreno rebateu rindo. - Bom, vamos logo que temos aula com a megera da Johnson e eu não posso chegar atrasado de novo.

- Você é impossível, Louis. - Amélia murmurou, ainda incrédula, e seguiu o amigo.

.....

Ao final da aula, Amélia estava apreensiva na porta da universidade esperando Alicia. Era rotina ela e Louis irem juntos para a casa, faziam os trabalhos que tinham pendentes ou só ficavam jogados na cama do alfa assistindo séries ou não fazendo nada.

Mas hoje seria diferente.

Louis foi logo embora avisando que Alicia não demoraria a chegar e a ômega ficou sentada num dos bancos que tinha por ali à espera da alfa. Estava visivelmente nervosa, avaliava as horas de minuto em minutos pelo celular e já estava considerando pegar um ônibus para voltar para a casa quando viu um Audi R8 parar na frente da universidade.

De dentro do veículo saiu ninguém menos que a sua noiva.

Ela usava um vestido preto. Alicia estava usando óculos escuros e os cabelos compridos balançaram devido ao vento. E Amélia podia dizer que todos os presentes no local estavam com os olhos grudados na alfa maravilhosa que andava em sua direção.

Amélia sentiu as bochechas esquentarem quando viu que algumas pessoas a olhavam também, já que Alicia estava há poucos passos de distância.

- Amélia. - Alicia lhe saudou sorrindo. - Está pronta para ir?

- Oi. - Amélia disse, sorrindo timidamente, sem entender por que aquela alfa a deixava envergonhada. - Sim, podemos ir.

Alicia assentiu e as duas andaram lado a lado até o seu carro, e é claro que o alfa fez questão de abrir a porta do carona para ela, que sorriu sem mostrar os dentes em forma de agradecimento.

....

Alicia escolheu um restaurante que Amélia já conhecia, na verdade era um dos seus preferidos. Louis deveria ter dado com a língua nos dentes.

- Gostou do local? - A alfa perguntou assim que as duas estavam devidamente sentadas.

- Sim, é um dos meus restaurantes favoritos. - Amélia assentiu sorrindo.

- Louis me indicou o local, mas eu não sabia que era o seu favorito. - Alicia falou e riu da esperteza de seu irmão mais novo.

Amélia balançou a cabeça em negação, mas sorria porque assim era Louis William Bustamante. O garçom chegou com os cardápios e perguntou se elas queriam algo para beber antes da comida chegar, e ambas escolheram água.

Enquanto folheava o cardápio, pensando no prato que iria escolher, Amélia não percebeu que os olhos de Alicia não saiam de si. E a mais velha franziu o cenho quando não encontrou o anel de noivado no dedo anelar da mão direita da ômega.

- Amélia? - Alicia lhe chamou.

- Sim? - A ômega levantou os olhos do cardápio.

- Por que não está usando o anel? Não gostou? - Alicia perguntou, preocupada, pois estava realmente pensando que a menor não tinha gostado do anel e por isso não estava usando-o.

- Hm... Eu... - Amélia corou, hesitando, sem saber o que responder. - Na verdade, eu fiquei com vergonha.

- Vergonha de quê? - A alfa inquiriu.

- O anel é lindo, mas bem chamativo. - Amélia respondeu, envergonhada. - E eu não queria comentários na universidade.

- Amélia, em menos de duas semanas nossas fotos da festa de noivado estarão estampadas em todas as colunas sociais da Inglaterra. - Alicia disse após suspirar.

A ômega se encolheu ligeiramente e entendeu que a alfa a sua frente estava magoada por ela não estar usando seu anel.

- Desculpe se estou sendo rude, eu sei que te incomoda toda essa situação. Se o anel te incomoda me diga que podemos procurar um que te agrade mais. - Ela terminou.

Amélia apenas assentiu e pediu desculpas num sussurro. Alicia apenas assentiu com a cabeça antes de suspirar novamente. O garçom voltou com as águas e elas fizeram seus pedidos.

O silêncio reinou na mesa e Amélia estava se sentindo um pouco nervosa, além de incomodada. A alfa não tirava os olhos de si e ela sentia que suas bochechas estavam quentes e provavelmente vermelhas.

Iria ser difícil para Amélia se acostumar com tudo isso.

Não era o que ela queria.

Um casamento arranjado com uma pessoa que ela mal conhecia.

Alicia puxou assunto sobre algo cotidiano e o silêncio mortal se dissipou.

Sem demora os pratos chegaram.

Amélia pediu um fettuccine com molho de cogumelos e Alicia pediu algum prato com filé mignon que estava muito cheiroso na opinião da ômega.

Elas comeram e Amélia insistiu em comer uma sobremesa, um sorvete de baunilha com calda de chocolate, enquanto Alicia lhe observava saboreando mais uma taça de vinho branco.

- Eu já comecei a ajudar seu pai com os hotéis da sua família. - A alfa interrompeu a ômega de se deliciar com seu sorvete.

- Oh... Isso é ótimo. - Amélia sorriu animada. Ela só queria o bem de sua família.

- Logo, logo as coisas vão estar melhor e vocês sairão do vermelho. - Alicia continuou sorrindo pela animação da menor.

- Obrigado por isso. - Amélia agradeceu, ela realmente estava grata pelo que a alfa estava fazendo pela família Bernard.

- De nada, isso tudo é por você. - Alicia balançou a cabeça e deu mais um sorriso de lado em direção a menor.

Amélia corou e abaixou a cabeça envergonhada. Alicia apenas suspirou, pensando em como a ômega era adorável.

A alfa pagou a conta depois que a menor terminou de comer a sobremesa, e então as duas foram embora. O caminho do restaurante a casa de Amélia foi divertido. Amélia propôs um jogo onde cada uma questionava algo que queria saber para se conhecerem melhor

Quando Alicia parou o carro, já na frente da residência dos Bernard, Amélia agradeceu pela tarde e Alicia pediu para que ela esperasse um pouco mais antes de sair.

- Tenho uma coisa para você. - Ela disse e tirou um cartão preto do bolso de seu paletó.

Amélia a fitou confusa.

- Esse cartão é pra você. - Alicia disse, estendendo o cartão para a ômega. - É um cartão de conta conjunta com a minha. Ele funciona tanto para crédito quanto para débito. Eu sei que vocês ainda estão na contenção de gastos, então pensei que você gostaria de ter um cartão novamente. Assim como o seu carro, este já está a sua espera na garagem de casa.

- Alicia... - Amélia tentou negar.

- Amélia, eu só estou fazendo o que prometi. - Alicia a interrompeu. - Por favor, aceite.

Após essas palavras Amélia aceitou o cartão suspirando. Ela sabia que não adiantaria discutir com a alfa. Ela balançou a cabeça em confirmação e pegou o cartão das mãos da latina.

- Obrigado. - Ela respondeu tímida.

- De nada Amélia. - Alicia sorriu, mostrando as covinhas e ficando mais linda ainda na opinião da ômega. - Saiba que tudo que estou fazendo agora é por você, e quero dizer que não estou tentando te comprar. Só quero que você continue com a mesma vida que tinha antes, sem ter que parar de fazer as coisas que gosta porque não pode gastar mais do que deve.

- Tudo bem. - Amélia assentiu.

- Gostaria de propor que sejamos ao menos amigas. - Alicia continuou, sem tirar os olhos da ômega. - Eu quero que nossa relação seja agradável. Não quero que você me odeie ou fique com medo de mim. A única coisa que eu quero é que você se sinta bem, não se sinta acuada ou rejeitada de alguma forma. Isso não vai ser benéfico apenas para a sua família, gostaria que isso ficasse claro para você.

- Eu estou te compreendendo. - Amélia suspirou. - É difícil, por ser uma mudança muito brusca, eu não queria me casar agora e com alguém que não conheço direito. – respondeu suspirando. - Me desculpa, sei que isso é difícil para você também, você está sendo incrível comigo desde o começo e isso está ajudando bastante a entender e ver como vai ser o futuro. - Ela finalizou apertando as mãos de forma ansiosa.

- Fico feliz que você me veja assim. - Alicia respondeu. Sentiu o coração mais leve com as palavras da ômega. – Temos todo o tempo do mundo para nos conhecermos, não precisamos acelerar as coisas, podemos ir no seu tempo. - Ela sorriu e Amélia acabou sorrindo também.

- Tudo bem. - Amélia riu baixo e assentiu com a cabeça.

A alfa sorriu e por fim deixou a ômega sair do carro.

- Até mais, Amélia. - Ela acenou quando viu morena dar a volta no carro e seguir em direção a sua casa.

- Tchau, Alicia. - Amélia riu de novo e acenou timidamente.

Alicia esperou que ela entrasse em sua casa para dar partida no veículo.

E foi suspirando contente até sua casa, as coisas com Amélia estavam finalmente fluindo.

Ela precisava agradecer a Louis depois.

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