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Amor Abandonado, Felicidade Encontrada

Amor Abandonado, Felicidade Encontrada

Autor:: Qin Wei
Gênero: Romance
Eu estava parada do lado de fora das portas de vidro que davam para o pátio, segurando uma bandeja de toalhas limpas. A noite era uma celebração da recuperação total de Caio Barreto, o menino de ouro do mundo da tecnologia, de volta aos seus pés após três anos da minha fisioterapia dedicada. Mas então, sua ex-namorada, Carla Matos, apareceu. Quando um pingo de água da piscina atingiu seu vestido, Caio me empurrou para o lado para protegê-la, me jogando de cabeça na borda de concreto da piscina. Acordei no hospital com uma concussão, apenas para ver Caio consolando Carla, que fingia chorar. Ele não me defendeu quando ela afirmou que éramos "apenas amigos". Sua mãe, Estela Campos, então me enviou uma mensagem de texto com um cheque de cinco milhões de reais, dizendo que eu não me encaixava em seu mundo. De volta à sua cobertura, Carla me acusou de envenenar Caio com sopa e quebrar a preciosa caixa de madeira de seu pai. Ele acreditou nela, me forçando a beber a sopa e me deixando desmaiar no chão da cozinha. Acabei no hospital novamente, sozinha. Eu não entendia por que ele acreditaria nas mentiras dela, por que ele me machucaria depois de tudo que eu fiz. Por que eu era apenas um conserto temporário, facilmente descartado? No aniversário dele, deixei uma mensagem de texto: "Feliz aniversário, Caio. Estou indo embora. Não me procure. Adeus." Desliguei meu celular, joguei-o em uma lixeira e caminhei em direção a uma nova vida.

Capítulo 1

Eu estava parada do lado de fora das portas de vidro que davam para o pátio, segurando uma bandeja de toalhas limpas. A noite era uma celebração da recuperação total de Caio Barreto, o menino de ouro do mundo da tecnologia, de volta aos seus pés após três anos da minha fisioterapia dedicada.

Mas então, sua ex-namorada, Carla Matos, apareceu. Quando um pingo de água da piscina atingiu seu vestido, Caio me empurrou para o lado para protegê-la, me jogando de cabeça na borda de concreto da piscina.

Acordei no hospital com uma concussão, apenas para ver Caio consolando Carla, que fingia chorar. Ele não me defendeu quando ela afirmou que éramos "apenas amigos". Sua mãe, Estela Campos, então me enviou uma mensagem de texto com um cheque de cinco milhões de reais, dizendo que eu não me encaixava em seu mundo.

De volta à sua cobertura, Carla me acusou de envenenar Caio com sopa e quebrar a preciosa caixa de madeira de seu pai. Ele acreditou nela, me forçando a beber a sopa e me deixando desmaiar no chão da cozinha. Acabei no hospital novamente, sozinha.

Eu não entendia por que ele acreditaria nas mentiras dela, por que ele me machucaria depois de tudo que eu fiz. Por que eu era apenas um conserto temporário, facilmente descartado?

No aniversário dele, deixei uma mensagem de texto: "Feliz aniversário, Caio. Estou indo embora. Não me procure. Adeus." Desliguei meu celular, joguei-o em uma lixeira e caminhei em direção a uma nova vida.

Capítulo 1

A festa estava a todo vapor, o som de risadas e água espirrando transbordava do quintal bem iluminado. Eu estava parada do lado de fora das portas de vidro do pátio, segurando uma bandeja de toalhas limpas. Era para Caio Barreto. Tudo tinha sido para ele nos últimos três anos.

A noite era uma celebração de sua recuperação total. O menino de ouro do mundo da tecnologia estava de pé novamente, e seus amigos estavam aqui para recebê-lo. Eu deveria estar feliz, mas um nó de ansiedade se apertava no meu estômago. Eu só precisava ouvi-lo dizer.

"Cara, não acredito que você está andando de novo", ouvi Danilo Ferraz, um dos amigos mais próximos de Caio, dizer. "É um milagre."

Isaac Soares deu um tapa nas costas de Caio. "Não é um milagre, é a Amanda. Ela é a verdadeira heroína. Três anos, cara. Ela nunca desistiu de você."

Um calor se espalhou por mim. Eles viram. Eles viram tudo o que eu fiz. Talvez... talvez hoje fosse a noite.

Danilo ergueu sua garrafa de cerveja. "Sério, Caio. Ela é para casar. Então, agora que você está de pé, quando vai ser o casamento?"

O ar ficou parado. A conversa amigável morreu, e tudo que eu conseguia ouvir era o suave som da água na piscina. Prendi a respiração, meu coração batendo contra minhas costelas. Era agora.

Caio soltou uma risada suave. Era um som que eu conhecia melhor que meu próprio nome.

"Amanda?", ele disse, sua voz suave e casual. "Ela é uma grande amiga. A melhor fisioterapeuta que um cara poderia pedir."

Ele fez uma pausa, tomando um gole lento de sua cerveja.

"Só isso."

As palavras me atingiram como um soco. Amiga. Apenas uma amiga. Minha respiração falhou, e a bandeja de toalhas de repente pareceu pesar cem quilos. O ar quente da noite ficou frio, e um arrepio penetrou em meus ossos.

"O que você quer dizer com 'só isso'?", Danilo insistiu, sua voz cheia de confusão. "A Carla Matos te largou no segundo em que você se machucou. A Amanda foi quem ficou."

O rosto de Caio escureceu com a menção do nome de Carla. "Não fale dela assim."

"Por que não? É a verdade", Isaac interveio. "Ela não aguentou te ver numa cadeira de rodas, então deu o fora. A Amanda foi quem trocou seus curativos, te ajudou a aprender a andar de novo, lidou com você quando você estava no seu pior."

Eu fiquei parada, congelada, escondida pelas sombras. As cenas dos últimos três anos passaram pela minha mente como um filme.

Caio Barreto, o prodígio da tecnologia, tinha tudo. Então, um terrível acidente de carro quebrou suas pernas e seu mundo. Ele ficou confinado a uma cadeira de rodas, sua carreira em pausa, seu futuro incerto. Carla Matos, sua namorada glamorosa, deu uma olhada em sua nova realidade e foi embora sem olhar para trás.

Foi quando eu entrei. Como sua fisioterapeuta, meu trabalho era ajudá-lo a curar seu corpo. Mas se tornou muito mais. Eu o empurrei quando ele queria desistir. Eu o abracei quando ele chorou de frustração. Eu comemorei cada pequena vitória, cada passo doloroso. Eu coloquei minha própria vida em espera, dedicando cada momento acordada à sua recuperação.

Todos presumiam que ficaríamos juntos. Sua mãe, Estela Campos, tolerou minha presença como uma necessidade. Seus amigos me tratavam como parte da família. E eu me permiti acreditar nisso também. Eu me apaixonei pelo homem quebrado, e pensei que ele também tinha se apaixonado.

Mas agora, ele estava inteiro novamente. De pé, o homem carismático que costumava ser. E eu era apenas a fisioterapeuta. Apenas uma amiga. Ele não era mais o homem que precisava de mim.

Abri a porta, forçando um sorriso no rosto. "As toalhas chegaram."

A tensão se quebrou, mas a atmosfera estava densa com palavras não ditas. Caio não encontrava meus olhos. Ele apenas pegou uma toalha e se virou.

Nesse momento, uma nova voz cortou o silêncio constrangedor.

"Caio, querido!"

Minha cabeça se ergueu. Lá, caminhando em nossa direção com um balanço praticado e delicado, estava Carla Matos. Ela usava um deslumbrante vestido branco, parecendo em todos os aspectos a socialite que era.

"Carla?", Caio sussurrou, seus olhos arregalados de descrença e algo mais... algo que parecia muito com desejo.

"Ouvi dizer que você estava melhor", disse ela, sua voz um ronronar suave. "Tive que vir ver por mim mesma."

Danilo e Isaac trocaram um olhar sombrio. Eles se lembravam de como ela o havia abandonado. Mas Caio parecia ter esquecido. Ele estava cativado.

"Você... você está incrível", ele gaguejou.

Carla sorriu, uma imagem de inocência. "Senti sua falta."

Os convidados da festa estavam em uma guerra de água na piscina. Um pingo perdido atingiu o vestido de Carla.

Ela soltou um pequeno grito. "Ah, meu vestido!"

De repente, alguém na piscina perdeu o equilíbrio e se debateu, acidentalmente derrubando uma boia grande e pesada em direção a Carla. Estava se movendo rápido.

"Carla, cuidado!", Caio gritou.

Sem pensar duas vezes, ele se lançou para frente, me empurrando com força para o lado para chegar até ela. Ele envolveu os braços em volta de Carla, puxando-a para fora do caminho da boia.

Eu cambaleei para trás, perdendo o equilíbrio. Minha cabeça bateu na borda de concreto da piscina. Um estalo seco. Uma dor explosiva atrás dos meus olhos. O mundo girou.

E eu caí na água.

A última coisa que vi antes da escuridão tomar conta foi Caio embalando Carla em seus braços, seu rosto uma máscara de preocupação por ela, sem nem mesmo olhar em minha direção enquanto eu afundava sob a superfície.

Lembrei-me de uma vez, um ano atrás, quando escorreguei enquanto o ajudava a se transferir da cadeira, torcendo gravemente meu pulso para amortecer sua queda. Ele segurou minha mão, seus olhos cheios de gratidão. "Eu nunca vou esquecer isso, Amanda", ele prometeu. "Nunca."

A promessa ecoou em minha mente, um som amargo e vazio.

Ele estava recuperado agora. Ele não precisava mais de mim.

Enquanto meus amigos me tiravam da água, meu celular, em uma mesa próxima, vibrou. Era uma mensagem de sua mãe, Estela Campos.

"Amanda, Caio está de pé novamente. Você fez seu trabalho bem. Aqui está um cheque de cinco milhões de reais. É hora de você ir embora. Você não se encaixa no mundo dele."

Fechei os olhos, a dor na minha cabeça nada comparada à dor no meu coração.

Tudo bem. Eu vou embora.

Capítulo 2

As luzes do hospital eram muito fortes, piorando a dor latejante na minha cabeça. Um médico deu três pontos no meu couro cabeludo e me diagnosticou com uma concussão leve. Ele me disse para descansar.

Saí da emergência, minha mão pressionada contra o curativo na minha cabeça. Ao sair para o ar fresco da noite, eu os vi.

Caio estava parado perto de seu carro, com o braço protetoramente em volta de Carla Matos. O rosto dela estava enterrado em seu peito, seus ombros tremendo com soluços suaves.

"Sinto muito, Caio", ela chorou, sua voz abafada. "Eu nunca deveria ter ido embora. Eu só estava com medo. Não sabia como lidar com isso. Mas nunca deixei de te amar."

Era uma mentira. Uma mentira linda e bem elaborada. Eu a tinha visto em festas ao longo dos anos, rindo e bebendo com outros homens, sem nunca perguntar sobre a condição de Caio.

Caio apenas a abraçou mais forte. "Está tudo bem, Carla. Isso está no passado."

Ele me viu então. Sua expressão vacilou com algo - culpa, talvez - mas desapareceu em um instante.

"Amanda", ele disse, sua voz tensa. "Você está bem?"

"Estou bem", eu disse, minha própria voz plana e vazia.

Carla espiou para mim por cima do ombro dele. "Oh, Amanda, sinto muito. Espero que você não esteja brava. Caio e eu... temos muita história." Ela olhou para ele com olhos grandes e inocentes. "Ele me disse que vocês são apenas amigos. Eu não gostaria de atrapalhar... nada."

Caio não a corrigiu. Ele não defendeu os três anos que eu lhe dei. Ele apenas ficou lá, em silêncio, seus braços ainda em volta da mulher que o havia abandonado.

Os lábios de Carla se curvaram em um pequeno sorriso triunfante, um sorriso que só eu podia ver.

Soltei uma risada curta e amarga. Era um som que parecia vir de outra pessoa.

"Não se preocupe", eu disse, olhando diretamente para Caio. "Você não precisa se preocupar comigo de forma alguma."

Virei-me e fui embora, sem olhar para trás.

Na manhã seguinte, fui ao escritório administrativo do hospital. Eu havia recebido uma oferta de emprego meses atrás, de uma prestigiosa clínica de reabilitação no exterior. Eu a recusei por Caio. Agora, eu a aceitei formalmente.

Meu voo era em dois dias.

Voltei para a cobertura que Caio possuía, o lugar que chamei de lar por três anos. Estava cheio de memórias, cada canto guardando um eco do nosso tempo juntos. Os corrimãos especiais no banheiro, a rampa na porta da frente, o elevador de cadeira nas escadas. Todas as coisas que eu instalei.

Metodicamente, comecei a me apagar. Embalei minhas roupas, meus livros, meus produtos de higiene pessoal. Tirei as fotos do quadro de cortiça na cozinha - fotos de seu progresso, de nós rindo, de seus primeiros passos com o andador.

Meus dedos roçaram uma foto em particular. Era de um ano atrás, no aniversário dele. Ele ainda estava na cadeira de rodas, mas eu tinha feito um bolo para ele, e seus amigos tinham vindo. Na foto, eu estava me inclinando para acender as velas, e ele estava olhando para mim, um sorriso genuíno e feliz em seu rosto. Foi o sorriso que me fez apaixonar.

Com uma respiração profunda, peguei a foto e a rasguei em pedacinhos. Deixei-os cair na lixeira como confete.

Tinha acabado. Eu tinha que aceitar isso.

Meu telefone tocou. Era Caio.

"Ei, onde você está?", ele perguntou, sua voz casual, como se nada tivesse acontecido. "Acordei e a casa está vazia. É estranho."

Fechei os olhos. "Eu tinha algumas coisas para fazer."

"Bem, você pode passar no escritório mais tarde? Tenho uma reunião do conselho e quero que você verifique minha postura. Para ter certeza de que pareço confiante."

O pedido era tão normal, tão típico dos últimos três anos. Eu era sua fisioterapeuta, seu sistema de apoio. Sua muleta.

"Ok", eu disse, minha voz mal um sussurro.

Fui para a empresa dele, a Barreto Tech. O prédio elegante e moderno parecia estranho para mim agora. Encontrei-o em seu escritório de canto, olhando para o horizonte da cidade.

Carla estava lá, é claro. Ela estava empoleirada na beirada de sua mesa, parecendo a dona do lugar.

"Ah, Amanda, você está aqui", disse ela, seu tom doce e meloso. "Eu trouxe almoço para o Caio. É o favorito dele, daquele restaurante italiano na Vila Madalena que costumávamos ir." Ela gesticulou para um recipiente de massa rica e cremosa em sua mesa.

Meu estômago se contraiu. Passei anos planejando meticulosamente sua dieta, garantindo que ele comesse alimentos saudáveis e de baixa inflamação para ajudar em sua recuperação. Aquela massa estava cheia de tudo que ele não deveria comer.

"Caio, você não deveria comer isso", eu disse, meus instintos profissionais assumindo o controle. "É muito pesado. Vai causar inflamação nas suas articulações."

Ele acenou com a mão, desdenhoso. "Estou bem, Amanda. Não sou mais um inválido. Posso comer o que eu quiser."

Ele deu uma grande garfada na massa, gemendo de prazer. "Nossa, Carla, senti falta disso."

A dor começou em seu estômago cerca de vinte minutos depois. Ele agarrou o lado, seu rosto ficando pálido e suado. A comida rica era demais para um sistema acostumado a uma dieta limpa.

Eu não disse nada. Apenas coloquei silenciosamente um frasco de enzimas digestivas e analgésicos em sua mesa.

Então, virei-me e saí do escritório.

Quando a porta se fechou atrás de mim, ouvi a voz de Carla, afiada e zombeteira.

"Ela é apenas uma enfermeira de luxo, Caio. Não deixe ela mandar em você. Ela deveria ser grata por você ter deixado ela ficar tanto tempo."

Encostei-me na parede do corredor, o som de suas palavras ecoando em meus ouvidos. Mas o que doeu mais foi o que eu não ouvi. Não ouvi Caio me defender. Não o ouvi dizer uma única palavra.

Foi quando eu soube, com certeza absoluta, que ele a amava. Ele a amava o suficiente para deixá-la envenená-lo, para deixá-la insultar a mulher que salvou sua vida. E eu tinha sido uma tola por pensar o contrário.

Capítulo 3

O rosto de Caio estava pálido quando o vi mais tarde naquela noite. Ele estava sentado no sofá, agarrando uma almofada contra o estômago.

"Você tomou o remédio que eu deixei?", perguntei, mantendo minha voz neutra.

Ele assentiu fracamente. "Sim. Eu... eu tive que fazer uma lavagem estomacal."

As palavras pairaram no ar. Ele tinha ido ao hospital, passado por um procedimento invasivo, tudo porque não queria chatear Carla recusando a comida que ela trouxe. A profundidade de seu sentimento por ela foi um golpe físico.

Ajoelhei-me para verificar o suporte em seu tornozelo, uma rotina que eu havia feito mil vezes. Enquanto ajustava as tiras, as costas da minha mão roçaram na borda afiada da mesa de centro, arranhando a pele. Uma fina linha de sangue surgiu. Foi um ferimento pequeno e estúpido, mas ele nem percebeu. Seu foco estava inteiramente em seu próprio desconforto.

Terminei com o suporte e me levantei. Ele se inclinou em mim, descansando a cabeça no meu ombro. Seu corpo estava tenso de dor.

"Apenas massageie minhas têmporas", ele murmurou. "Como você costumava fazer."

Fiz o que ele pediu, meus dedos se movendo em círculos lentos e familiares. Ele suspirou, seu corpo relaxando contra o meu. Por um momento, foi como nos velhos tempos. Por um momento, eu era seu conforto, seu lugar seguro.

Mas o sentimento se foi. Eu não desejava mais essa proximidade. Eu não sentia nada além de uma dor oca.

Ele adormeceu, sua respiração se acalmando. Cuidadosamente, eu o ajeitei contra as almofadas do sofá, puxando um cobertor sobre ele.

Então, sem um segundo olhar, saí do quarto.

No dia seguinte, ele parecia ter esquecido todo o incidente. Ele me encontrou guardando as últimas coisas em uma mala.

"O que você está fazendo?", ele perguntou, uma carranca vincando sua testa.

"Fazendo as malas", eu disse simplesmente.

Ele não pareceu processar a finalidade daquilo. "Ah. Bem, escute, preciso de um favor. A Carla tem uma pequena inauguração de galeria para sua fotografia hoje à noite. Preciso que você venha comigo."

Eu o encarei. "Por quê?"

"Ela acabou de voltar para o país, sabe? Ela não tem muitos amigos aqui ainda. Quero ter certeza de que ela tenha uma boa presença, fazê-la se sentir apoiada." Ele olhou para mim, sua expressão séria. "Significaria muito para mim."

Eu era apenas um adereço. Alguém para preencher um assento e fazer sua ex-namorada parecer popular. A ironia era sufocante.

Mas eu concordei. Uma última noite. Então eu iria embora.

Na galeria, Carla estava em seu elemento. Ela se agarrou ao braço de Caio, um sorriso radiante no rosto enquanto o apresentava a todos. Ele parecia orgulhoso, banhando-se em sua glória refletida. Ele comprou cada uma de suas fotografias, um grande gesto que fez a pequena multidão sussurrar.

Carla se aproximou de mim, uma taça de champanhe na mão. "Viu?", ela ronronou, seus olhos brilhando com malícia. "Ele é meu. Sempre foi meu. Você foi apenas um quebra-galho. Um substituto."

Eu não disse nada. Não havia mais nada a dizer.

De repente, um alarme de incêndio soou, seu grito cortando a conversa educada. Um fio de fumaça saiu de uma sala dos fundos. O pânico explodiu. As pessoas começaram a empurrar em direção à saída.

No caos, alguém me empurrou, e eu torci o tornozelo, uma dor aguda e lancinante subindo pela minha perna. Gritei, tropeçando contra uma parede.

Procurei por Caio. Ele estava a apenas alguns metros de distância. Nossos olhos se encontraram por uma fração de segundo.

Então ele se virou e correu, empurrando contra a maré de pessoas, de volta para a galeria.

"Carla!", ele gritou, sua voz rouca de terror. "Carla, onde você está?"

Ele a encontrou encolhida em um canto, tossindo por causa da fumaça. Ele a pegou nos braços e a carregou em direção à saída, seu rosto uma máscara de determinação obstinada.

Ele passou correndo por mim. Ele não me viu caída contra a parede, meu rosto pálido de dor. Ele não me viu de forma alguma.

Enquanto a fumaça engrossava, minha visão começou a embaçar. A dor no meu tornozelo era excruciante. Tentei me levantar, mas a perna não aguentava meu peso. Caí no chão, minha cabeça girando. A última coisa que me lembro foi o som de sirenes distantes.

Acordei em uma cama de hospital. Danilo e Isaac estavam sentados ao meu lado, seus rostos sombrios.

"Ele nem perguntou por você, Amanda", disse Danilo, sua voz baixa e irritada. "Os paramédicos te trouxeram, e nós ligamos para ele. Ele disse que estava ocupado garantindo que a Carla estivesse bem. O vestido impecável dela ficou com uma pequena mancha de fuligem."

Isaac balançou a cabeça em desgosto. "Ele perdeu a cabeça. Este não é o homem que conhecemos."

"Você precisa deixá-lo", disse Danilo, seus olhos suplicantes. "Por favor. Você merece muito melhor."

Olhei para o gesso no meu tornozelo. Uma fratura limpa, o médico disse.

"Eu vou", sussurrei. "Estou indo embora."

A porta do quarto do hospital se abriu. Caio estava lá, seu cabelo desgrenhado, seus olhos selvagens.

"Indo embora?", ele disse, sua voz perigosamente quieta. "Aonde você pensa que vai?"

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