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Amor Além da Fama

Amor Além da Fama

Autor:: Eder B. Jr.
Gênero: Romance
Uma garota ingênua e talentosa abraça sua merecida fama e se apaixona. Mas a disputa por uma herança entre as famílias poderosas e influentes dos apaixonados transforma completamente o mundo dela e agora ela vai sentir vontade de provar de tudo, enquanto abraça a entrega de seu amado. Eles passarão por grandes mudanças e desafios enquanto buscam conseguir viver intensamente sua história de amor.

Capítulo 1 Paixão Inesperada

Aron não conseguia se concentrar no que os pais falavam mais. Para ele nada daquilo fazia sentido. Seu irmão, Antony, mais conhecido como Phantom, teve Fact como parceiro quase que pela sua vida inteira. Na só parceiro, na verdade, talvez fossem mais irmãos entre si do que na relação de sangue que tinham em suas famílias. Dividir o espólio por igual, depois daquela tragédia que foi a morte de ambos, naquele acidente terrível, era o mais certo, o mais justo e o mais respeitoso com suas memórias.

Mas as duas famílias ali, pais e mães de ambos, transformaram pequenas rusgas e disputas de egos, num grande embate onde ninguém queria ceder. Cada um achava que seu próprio filho tinha mais merecimento que o outro.

Phantom era a mente poderosa por trás das criações e Fact era a potência materializada na voz e na presença. No palco, nos clipes, na vida, ambos se completavam.

Àquela altura, Aron nem conseguia entender mais por qual música eles estavam brigando, dentro daquela enorme sala onde os advogados buscavam atingir algum acordo. Talvez fossem os únicos dispostos a conseguir isso.

Aron nem conseguia mais pensar. Pegou um lápis, colocou ele com a ponta na mesa, prendeu um clips de papel em volta, e ficou girando, tentando esvaziar a mente e fechar os ouvidos. Sua distração do mundo foi tanta, que ele nem percebeu a chegada de Liberty. A irmã de Fact entrou pela sala de uma forma diferente do que ela está acostumada. Normalmente ela faz qualquer ambiente parar a sua volta para vê-la passar. Mas naquele momento, ela entrou sorrateiramente, abaixada, pedindo desculpa, com sua voz quase não sendo ouvida e sentou-se de frente para Aron.

- Eu não aceito, não aceito e pronto! - Aron ouviu o pai elevando a voz e finalizando a conversa. Apertou o lápis, num susto, riscando a mesa, quebrando sua ponta e fazendo o clips voar no cabelo de Liberty.

Foi quando Aron notou que ela estava ali. Ele nunca a tinha conhecido pessoalmente e aquela era a primeira vez que eles se olhavam nos olhos.

Liberty sorriu e tentou entender se Aron não se importava ou se fazia parte do time dela, dos exaustos com aquela história. Já Aron viu além dos olhos, aquele sorriso que fizeram o movimento do rosto dela parecer que estava em câmera lenta, com uma música romântica de fundo, quase como se fosse uma cena de novela. Era uma visão. Sua respiração acelerou, o calor aumentou, percebeu que tinha ficado vermelho, como se fosse explodir.

- Você está bem? - Liberty perguntou, notando aquilo e realmente ficando preocupada.

- Ah, certo, tudo certo, tudo bem, estou bem. - Aron gaguejou, parecia estar prestes a sofrer uma síncope.

Os pais dele saíram, sem terem se importado muito com aquile momento e Aron demorou alguns segundos para fazer o mesmo, levantou, tropeçando na cadeira e saiu rapidamente, quando percebeu que aquele era o final da reunião.

Ele olhou mais uma vez para Liberty, que estava rindo daquela situação, mas passou a mão, arrumando o cabelo por trás da orelha de forma tão simples e natural, mas que parecia um movimento hipnótico para Aron, que precisou de muito foco para não continuar passando vergonha, saindo de uma vez.

Aron não conseguiu tirar Liberty de sua cabeça o resto do dia.

A imagem dela era de uma sensualidade. Ele lembrava do sorriso e não conseguia deixar de imaginar aquela boca beijando seu corpo, as suas pequenas e delicadas mãos abaixando suas calças. E o perfume? Não era só o perfume, mas o cheiro de seu corpo misturado à fragrância. Ele podia imaginar como seria se estivesse no meio das pernas dela, o delicioso cheiro. Chegava a salivar imaginando o sabor, com ela excitada. Ele definitivamente não era alguém que olhava para uma mulher e imaginava essas coisas. Mas não conseguia parar de imaginar como seria fazer amor com ela. Queria muito tê-la em seus braços.

Ele era empresário, também no ramo musical. Sua vida era boa e tranquila. Sua rotina, por outro lado, um pouco mais imprevisível. Alguns dias ele não tinha muita coisa para fazer mas quando tinha algum evento ou fechamentos de contratos, quase não tinha tempo para nada. Sua família sempre teve posses, propriedades e seu trabalho nunca foi algo do qual ele dependia financeiramente, apesar de ser algo lucrativo.

Naquele dia, especificamente, ele não tinha absolutamente nada na agenda. Tinha deixado o espaço vago para o assunto dos advogados, mas o compromisso durou apenas o período da manhã. Foi para a gravadora, da qual ele era sócio, após almoçar. Ouviu algumas músicas, respondeu alguns e-mails e no final da tarde, por algum motivo, decidiu caminhar no parque, que tinha visto na frente do escritório, onde esteve mais cedo.

Era um lugar lindo e o entardecer deixava particularmente incrível, o jogo de luz e sombra que brincava com a natureza. Atravessando a ponte, sobre o lago, não pôde acreditar que parada ali, olhando o horizonte, estava Liberty, absolutamente linda e incrível, naquele cenário. Ele não sabia se parava e falava com ela ou se passava direto, fingindo que não a viu, mas torcendo para ser percebido. Decidiu pela primeira opção, mas mudou de ideia no ultimo instante, não rápido o suficiente para não ser notado.

- Aron? Você por aqui? Não entendi, você ia falar comigo e desistiu? - Ela perguntou, ao girar o rosto e o vento tocar seu corpo. Aron reparou em cada detalhe. Nos fios cacheados de seus cabelos balançando como ondas, nos claros pelos de seus braços ficando arrepiados, na camiseta ficando colada em seu corpo e ressaltando ainda mais suas curvas.

- Liberty, serei muito sincero com você. Eu só te conhecia por ouvir dizer e as vezes, vendo as gravações de nossos irmãos, afinal, você tocou algumas vezes com eles. Mas hoje, quando meu olhar cruzou o seu olhar, pela primeira vez, foi como se minha alma tivesse deixado meu corpo por alguns segundos e retornado para meu corpo, totalmente torta. Acho que você percebeu essa parte, não é? - Ela riu alto, concordando.

- Eu percebi, mas sinceramente, não tinha ligado ao fato de ter sido depois de me olhar - ela respondeu.

- Eu vi esse parque e achei tão bonito. Como eu não tinha nada pra fazer hoje, resolvi vir e dar uma volta, mas eu sei que o motivo real era o fato de estar perto de onde te vi. A coincidência de te encontrar não podia ser maior. Decidi falar com você, pois seria muito triste correr o risco de não me ver e eu perder essa oportunidade. Mas quando cheguei perto, achei que poderia achar que eu fosse um stalker ou coisa assim e agora que você me viu, bem no meio desse desastre, eu achei que não tinha mais nada a perder, então, joguei tudo isso pra fora.

- Minha nossa, quanta coisa! Realmente, me pegou de surpresa. - Ela demonstrou que ficou bastante assustada com tanta informação.

- Que tal a gente esquecer que isso aconteceu? Me desculpe! - Aron virou-se de costas e estava indo embora, quando Liberty o chamou de volta.

- Espere! Eu não disse que queria esquecer.

O sorriso de Aron chegou nas orelhas, ele voltou e ficaram se olhando por alguns momentos.

- Você sentiu isso tudo mesmo? - Ela quis confirmar.

- Com toda essa intensidade e talvez mais.

- Preciso saber de uma coisa, qual sua opinião sobre essa confusão toda que fizeram em cima da morte de nossos irmãos? - Ela perguntou, para a estranheza de Aron.

- Eu... Bom, eu acho um desrespeito com eles, com a história deles e com quem eles foram e ainda são - ele respondeu temeroso.

Liberty abraçou ele bem forte e começou a chorar.

- Eu não acredito que eu consiga ficar com alguém, por enquanto, com tudo que me aconteceu. Tanta coisa... Mas eu com certeza aceitaria alguém do meu lado, agora.

- Eu entendo e, depois desse abraço, não tem nada que eu queira mais do que ficar ao seu lado.

A luz do luar, que surgiu forte, com o anoitecer, iluminou os dois abraçados e eternizou aquele primeiro momento dos dois, puro e romântico, mas que já deixava claro que o desejo dela parecia tão forte e intenso quanto o dele.

Capítulo 2 Duro Golpe

O fim daquele encontro foi como uma espécie de conto de fadas. Mãos dadas, risadas, músicas cantadas em dueto no meio da rua, uma dança rápida. Não tinham nenhum rumo, andando pela larga calçada daquela grande avenida.

- Acho melhor eu ir pra casa, agora! - Disse ela.

- Onde você deixou seu carro? - Aron perguntou.

- Eu não ando mais dirigindo, prefiro a liberdade de fazer o que quiser e depois uso algum aplicativo pra chamar algum carro que me leve pra casa.

- Eu te levo, então!

- Aron, não seria uma boa chegar em casa com você, não agora. Você tem meu número, não tem? - Liberty perguntou para ele.

- Eu não faço ideia. - Aron respondeu, realmente não se lembrando se tinha o contato dela.

- Não vou te passar, tenho certeza que você será capaz de descobrir - ela respondeu sorrindo e dando um ar de mistério. Chegou bem perto dele, segurou seu cabelo pela nuca, colocou a outra mão em seu rosto, deu um suave beijo em sua bochecha e se despediu.

Aron achou que não conseguiria dormir, chegando em casa, mas caiu em um sono pesado.

Sonhou com Liberty e o sonho foi todo o complemento da noite que tiveram. Não foi um sonho sexual, foi sensual, apaixonante, com sentimento. Nunca tinha sonhado com ninguém assim.

Acordou pela manhã com uma chamada tocando.

- Filho, vou passar aí para te buscar, precisamos discutir como vamos acabar com os Fenders. Preciso da sua ajuda. Temos que achar todos os podres possíveis deles. - Gregory, o pai de Aron, falou, assim que ele atendeu, no seu jeito desesperado de conversar a distância.

- Pai, eu jamais faria isso. Você sabe que eu não concordo com o que estão fazendo! - Aron argumentou, mas nem foi ouvido.

- Chego em cinco minutos.

Gregory era do tipo de pessoa que preferia fingir que não ouvia as coisas que iam contra o que ele estava falando. Na verdade, só fazia isso com quem ele sabia que tinha menos poder que ele.

Não houve tempo sequer de Aron se arrumar e o pai já estava em seu quarto.

- Já disse para o Philip não deixar você entrar desse jeito. - Aron falou ao pai, se referindo ao seu secretário, que na verdade era mais uma espécie de governanta da sua casa.

- Ele não é maluco de me fazer esperar. Vamos direto ao assunto. Eu sei que você tem contatos com o pessoal da banda e que eles, com o incentivo correto, podem contar histórias sobre Fact. Precisamos de tudo. Talvez até alguns podres da irmã dele. - Aron detestava o comportamento do pai mas nunca o enfrentava. Aquele momento foi um divisor de águas.

- Eu sempre te respeitei, mesmo no ápice das suas loucuras, mas agora você vai me escutar! Não ouse falar de Liberty! Na verdade, não deveria sequer estar fazendo todo esse estardalhaço. Chega! Meu irmão merece descanso!

- Você tem coragem de levantar a voz para mim, defendendo aquela vadia da irmã dele? Não me diga que você está comendo ela? - Aron deu um tapa na cara do pai, como um impulso, quase que como um movimento de reação.

Gregory virou com um soco no nariz do filho, derrubando-o e fazendo seu sangue esguichar longe.

- Escuta aqui! Você acha que pode dar um tapa na cara de seu pai? Pois acredite que se quiser se voltar contra mim ou contra o que eu acredito que seja o melhor para nossa família, eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para proteger você de você mesmo. Inclusive quebrar seu nariz para você aprender. - Ele deu de ombros e saiu, sem dizer mais nada. Aron nunca imaginou que seu pai faria aquilo.

- Aron, o que aconteceu? Meu Deus! - Philip entrou no quarto e viu o rapaz caído no chão, sem conseguir levantar, meio tonto, sangrando muito.

- Não foi nada, Philip - respondeu Aron, caindo novamente, enquanto se levantava.

- Até parece, está aí destruído! Vou pegar gelo! Vocês são malucos, isso sim! - Philip saiu correndo e logo voltou com um pacote com gelo. Sentou Aron, segurando-o nos braços e colocou o gelo no seu nariz.

- Talvez fosse bom chamar um médico, parece que ele te pegou de jeito. Pode ter algum trauma na cabeça, aí! - Ele sugeriu, mas Aron, imediatamente pediu para que ele esquecer disso, que já estava melhor.

Philip o colocou na cama e trouxe o café da manhã.

- Não acostume, não! Só trouxe algo para você comer, para não desmaiar!

Aron agradeceu e sequer respondeu nada, além de um obrigado, quase murmurando.

Depois de comer, voltou a dormir.

Liberty acordou cedo.

Diferente de Aron, ela pensou nele por alguns momentos, ficou empolgada com a noite anterior, mas sua mente tinha alguns mecanismos que dê alguma forma a impediam de criar expectativas. Dormiu pouco e não teve sonhos, pelo menos não lembrou-se de ter. Ela fazia um serviço social, pela manhã, ajudando num hospital infantil do câncer.

A tarde ela dava aulas de piano e fazia ensaios com a orquestra da qual ela fazia parte. A mulher mais jovem a ocupar uma vaga de pianista numa orquestra daquele porte, apesar de não ganhar muito, ela tinha muito orgulho do que fazia e amava aquilo.

Seus pais não eram ricos, apesar de não passarem dificuldades e da vida ter melhorado muito depois do sucesso do irmão. Fact a amava e valorizava tudo que ela fazia. Teve inspiração musical nela, a quem dedicava muito de sua fama.

Entre uma aula e outra, resolveu escrever para a mãe:

"Oi, mãe, tudo bem? Espero que tenham pensado melhor sobre o acordo a respeito do espólio!"

"Oi, filha, tudo bem, espero que esteja bem também! Não chegamos, infelizmente. Eu falei para seu pai pedir metade, propor isso, mas ele acredita que no momento que propuser isso, o crápula do Gregory irá automaticamente pedir mais, mudar seus termos novamente. Ele não acha justo. Eles tem tanto e não reconheceram em nenhum momento, sequer, que o trabalho deles era meio a meio."

Seus pais tinham razão, mas chega uma hora que a razão não deveria mais ser levada em consideração.

"Mãe, eu tive um encontro com Aron, nada aconteceu, mas estamos envolvidos e acho que algo pode rolar. Precisava que você soubesse!"

"Querida, a única coisa que posso te aconselhar sobre isso é: Se afaste dele, não se envolva, enquanto ainda é tempo!"

Ela não chegou a responder sua mãe. Recebeu uma mensagem de Aron:

"Achei seu número! Será que podemos nos ver hoje a noite novamente?"

Liberty quis se fazer de difícil, mas não viu motivo para ir contra o que queria.

"Sim. Acho que sei um lugar tranquilo, vou te mandar a localização e o horário."

Liberty sorriu, terminou de escrever e voltou a dedilhar as teclas do piano, enquanto aguardava a chegada de seu aluno.

Capítulo 3 União

"Espero que não pense que usar um Motel como ponto de encontro signifique que tem uma intenção de sexo por trás. Costumo ir sozinha nesse lugar sempre que quero privacidade, servem uma comida deliciosa e a decoração é incrível. Pensei que evitaria problemas com gente nos reconhecendo, jornalistas fazendo matérias, etc. Te vejo mais tarde? "

A explicação de Liberty, junto com o endereço, teria feito a mente de Aron viajar longe, com as possibilidades daquele convite, se ele não estivesse com a cara inchada, depois de ter colocado no nariz no lugar, sozinho e anestesiado pelas medicações que tomou por conta própria. Respondeu que sim para a pergunta e foi no horário combinado.

- Aron, o que aconteceu? - Foi a reação de Liberty ao ver a cara do rapaz, quando ele chegou, correndo em direção a ele.

Ele contou cada detalhe da visita matutina do pai, inclusive que aquela havia sido a primeira vez que ele o enfrentou na vida.

Liberty não resistiu e beijou Aron que não aguentou a dor por muito tempo, apesar de ter tentado, pois ele queria muito aquele beijo.

- Nossa, me desculpe! Mas ouvir você falando que deu um tapa no seu pai e tomou um soco de volta, para me defender, foi um pouco Irresistível para mim.

A palavra irresistível fez Aron notar pela primeira vez como Liberty estava produzida. Ela usava um vestido vermelho escuro, bem justo, que combinava com a cor do batom, que ressaltava ainda mais seus lábios grossos. O estilo era um pouco diferente do habitual dela, que normalmente chamava a atenção, mesmo tendo um perfil mais "clean", com maquiagem leve, roupas claras e poucos acessórios.

Mas, naquela noite, ela inconscientemente se vestiu para matar. Poderia facilmente ser eleita a mais linda e sexy de uma noite de premiações, isso tudo, sem parecer exagerada.

- Você está incrível. Não que normalmente você não esteja, mas você fez essa preparação para me ver? - Aron tentou expressar pelo menos um pouco de seu espanto.

- Estou muito exagerada? Queria fugir um pouco do básico que sempre uso. - Liberty olhou no espelho, ouvindo o elogio e assimilando como algo completamente diferente, algo que fazia parte de sua personalidade, por não ser tão confiante em si mesma e achar que todos a elogiavam por simpatia.

- Eu me sinto honrado por você ter se arrumado dessa forma para me ver. O seu básico já é algo de parar qualquer trânsito, mas você arrumada, assim, podia subir ao palco de um grande show. Juro que eu te beijaria dessa vez, se não parecesse que tem um buraco de dor no centro do meu rosto.

Liberty acariciou o cabelo dele e o abraçou. O aumento da temperatura corporal de ambos, no contato, foi imediato.

Ela se afastou e pediu pra ele se sentar e escolher o que comer.

- Você tinha razão, esse lugar é mesmo impressionante. Tenho a sensação nesse ambiente que estamos num restaurante famoso e já vejo pelo outro lado que a parte do quarto também parece mágica. - Aron percebeu depois daquele abraço que dificilmente, mesmo em seu estado, eles não acabariam naquela cama.

Pegou o cardápio e escolheu um prato leve e um vinho. Liberty o acompanhou e fez o pedido através de uma tela digital que ficava fixada na mesa.

- Contei para minha mãe que pretendo me envolver com você... - Liberty contou.

- Sério? Você pretende se envolver comigo? - A curiosidade de Aron foi maior em relação a essa revelação do que sobre a reação da mãe.

- Não tinha ficado evidente? - Liberty respondeu com seu tradicional sorriso encantador.

- Mas ouvir isso da sua boca, com certeza resolve algumas dúvidas.

- E você pretende se envolver comigo?

- Mais envolvido do que já fiquei? Só se eu morar dentro de você... - Aron percebeu como aquilo tinha soado e tentou se corrigir. - Digo, no sentido de alma, de pensamento, você entendeu, né? - Ambos riram e foram interrompidos pela campainha que indicava o serviço de jantar. - Fui salvo!

Ele se levantou, permitiu a entrada do garçom que serviu os dois e desejou um bom apetite.

- Um brinde? - Sugeriu ela.

- A uniões improváveis, repentinas e inesperadas? - Aron perguntou de volta.

- Parece uma ótima causa - ela concluiu, os dois brindaram e provaram o vinho.

- Mas o que sua mãe te respondeu? - Finalmente ele perguntou, após o gole.

- Que eu deveria ficar bem longe de você e me afastar o mais rápido possível, enquanto isso ainda estava no começo. Chamou seu pai de crápula, eu acho...

- A palavra é um pouco antiquada, mas não parece tão errada para definí-lo. Eu sei que faz parte de como ele foi criado, forçado a aprender que precisava fazer o que fosse para manter a herança de meu avô. Foi jogado nessa realidade muito cedo e os tempos eram outros. Não consigo julgá-lo pois, para mim, ele é só uma vítima dessa realidade que lhe foi imposta.

- Ainda assim, isso não muda as consequências das ações dele, não é? - Liberty tentou fazer Aron pensar.

- Você tem razão, não muda. - Aron respondeu, pesaroso, ficando em silêncio por um tempo, enquanto comia com dificuldade.

- Pelo menos não perdeu nenhum dente. Foi um soco digno de um lutador - Liberty analisou.

- Tá horrível, né? - Aron perguntou.

- Tá sim, chego a ficar com dó de você. Fico um pouco chateada que na nossa primeira vez você não poderá usar muito bem nem a boca e nem a língua. - A cara que Liberty fez para Aron, com um olhar de baixo para cima, provocante, merecia uma atitude de arremessar longe tudo que estava em cima da mesa e pular em cima dela, mas Aron só continuou aproveitando a visão por uns segundos.

- Nossa primeira vez, então? - Ele quis fazer ela falar mais sobre suas intenções.

- Bom, de verdade não era minha intenção em primeiro lugar, mas eu sabia que haviam grandes chances daquela cama ter nós dois, pelo menos abraçados. Sua cara amassada podia parecer um fator negativo, mas o motivo dela estar assim, foi fundamental para eu querer arrancar sua roupa e beijar cada pedacinho do seu corpo. - Aron estava extasiado por como ela conseguia ser direta em seus desejos e ao mesmo tempo tão encantadora.

- Bom, acho que isso finaliza o jantar e pede a cama com urgência. - Ele se levantou, pegou ela no colo, a jogou na cama e começou a tirar a própria roupa.

Ela fez o mesmo e os dois admiravam os corpos um do outro durante o processo, como se nunca tivessem visto alguém nu antes.

Liberty levantou, deu a volta nele e jogou Aron na cama, empurrando-o pelo peito.

- Agora, você fica quietinho que sou eu quem começo!

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