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Amor De Lobo

Amor De Lobo

Autor:: Cassandra Branca
Gênero: Romance
Livro 3 Sara resolve mudar a sua vida, deixando o lugar onde vive para começar de novo, noutro lugar. A vida dela estava um caos, ela se sentia deprimida e farta das desilusoes que as pessoas ao seu redor a tinham presenteado. Precisava de estar com novas pessoas, precisava de um novo emprego e dedicar-se somente a ela. Tinha passado por um casamento ruim, onde sofreu a traição de seu marido e já não acreditava mais no amor e na fidelidade dos homens. Rafael está na nova cidade, um homem que lhe desperta uma enorme atracção e que poderia faze-la mudar de ideia sobre os homens. Mas ele é um lobisomem e ela não sabe. E não é grande ajuda quando se esconde um inimigo que odeia Rafael. Com uma vingança planeada há dez anos, Gaspar é um lobo perturbado que não olha a meios para se vingar. Agora Sara é um alvo para ele finalmente ter a sua vingança. Rafael ao descobrir que Sara é a sua companheira destinada, vai fazer de tudo para preservar a mulher que o destino escolheu para ele. Nem que para isso tenha que matar o seu opositor.

Capítulo 1 Capitulo 1

Naquele dia , o sol brilhava mais forte do que os outros dias no mês de Junho,pelo menos para Sara . Talvez por ela estar plenamente consciente do que deveria fazer a partir daquele momento e finalmente se sentia livre de todas as suas preocupações e desilusões.

Respirando profundamente o ar fica ali uns segundos apreciando todas as pessoas que a rodeavam,,ea estava sentada na esplanada de um pequeno café, onde a maioria das pessoas bebiam a sua bebida fresca , mas ela tinha optado por um capuccino quente , somente para ser diferente dos demais , pois desejava realmente fazer algo fora do habitual numa sociedade que se regia por modelos fixos na maneira de vestir, agir e até de viver. naquele momento ela precisava, ela desejava acima de tudo, experimentar novas sensações, emoções , novas realidades.

Olhando o céu ela suspira , desta vez frustrada, ao pensar o quanto tinha sido ingénua durante tantos anos em sua vida . A mensagem que todos passavam quando era criança era que a vida seria como um conto de fadas. O principe encantado aparecia , oferecendo amor incondicional e depois viveriam felizes para sempre. Como estavam enganados, a vida não é um mar de rosas . Ela era a prova disso mesmo, naquele momento estava a passar a pior fase da sua vida, algo que a deixava deprimida e cansada espiritualmente . Naquele ponto sentia que se tinha deixado cair num poço sem fundo e se não fizesse nada em breve, provavelmente não iria conseguiria ver a luz tão cedo.

Quem a observava, ali sentada na esplanada de um pequeno café à beira mar,tranquila, o sol batendo ligeiramente em seu rosto, podiam pensar que estava ótima, mas não podiam estar mais enganados. A vida dela era um caos, o emprego tinha desaparecido, assim como seus amigos, nem um tinha sobrado para poder ter ao menos o direito de um desabafo.

Depois de um casamento que a fez desacreditar completamente na habilidade dos homens de poderem amar e serem fiéis, Sara perdeu a única coisa que necessitava em sua vida , uma carreira profissional e seus amigos da faculdade. Aquele casamento tinha-lhe custado sua independência financeira, suas amizades e seu dinheiro. Ela dedicara-se á casa e ao bem-estar do seu principe encantado quando ainda era muito jovem, acreditando em suas promessas de amor, carinho e felicidade eterna, mas na realidade, em troca ,ele simplesmente a deixava sozinha , se dedicando totalmente à sua bela secretária, loura e com seios de silicone. Quando decidiu pelo casamento, Sara ainda pensava que o amor era lindo e que o seu marido cuidaria dela e iria ama-la para toda a vida, igual aos romances que sempre lia .Como tinha sido tão idiota !!!! Como podia ter sido tão ingénua.!!!

Sara olha o céu limpo, respirando fundo ao pensar em todo o seu percurso de vida, na verdade tinha uma boa razão para acreditar que seria possível ter um amor genuíno e um casamento feliz , seus pais eram a viva prova que poderiam existir almas gémeas, eles estavam juntos há mais de 40 anos , se amavam exatamente como no primeiro dia em que se tinham conhecido. Sua lealdade e cumplicidade era algo tão incrível , tão fascinante que Sara cresceu a pensar que seu casamento, um dia , também seria assim. Algo que ficou muito longe do esperado quando conheceu Filipe , o sonho de um amor eterno rapidamente virou um pesadelo .

No entanto seu ex-marido não via as coisas desse jeito, a separação não o tinha afetado minimamente, ele a tinha expulsado de sua vida , a substituindo rapidamente por uma nova companheira , habitando na casa alugada que antes ela tinha tornado,com tanto carinho, seu lar.

Ela tinha decidido deixar a casa de livre vontade, pois Filipe não tencionava sair e ela não iria querer ver a cara de seu ex-marido, todos os dias a relembrando o quanto era uma idiota em acreditar nos homens . Mesmo assim ele poderia ter esperado mais um pouco até colocar outra mulher em seu quarto. Olhando de novo os anuncios de emprego na internet, percebe rapidamente, que começar a trabalhar depois de anos se dedicando à casa e à família estava a ser muito mais difícil do que pensara . Uma administrativa de vinte e oito anos sem experiência já não era ideal para algumas empresas , e o que restava eram trabalhos temporários, a deixando sempre com receio do amanhã. Tudo aquilo levou à situação em que se encontrava naquele momento, desempregada,sem casa, sem qualquer esperança no futuro.

Completamente frustrada e deprimida , tinha chegado a um ponto em que já não sabia por onde começar, seus pais estavam sempre presentes, a apoiando em tudo o que fosse necessário , mas não podia continuar a depender deles, era hora de fazer alguma coisa. Olhando ao redor observa alguns pessoas nas mesas ao lado, pelos vistos ela era a única a solo naquela esplanada . Do seu lado havia um jovem casal , eles faziam planos para viajar nas férias de verão, queriam explorar novas culturas , novas experiências de vida antes de começar um novo ano na faculdade. Eles analisavam um mapa com tamanha euforia e felicidade que acabava sendo contagiante. Sara deu-se conta que sorria amplamente também e foi aí que algo bateu nela, aquela cidade não tinha mais nada a oferecer, pelo menos , não para ela e ser feliz era um direito adquirido de qualquer um desde o nascimento,afinal ninguém pede para nascer , a decisão é exclusivamente de nossos pais e as vezes , até para eles, nem é controlavel. Por isso mesmo, se a vida nos dá limões amargos , porque não tentar fazer uma doce limonada com eles. Esse pensamento rapidamente a leva a uma única conclusão. Era altura de ir para longe de tudo o que lhe causava tristeza e lembranças ruins. Uma mudança radical onde uma nova esperança reavivasse sua mente e corpo. Como seus pais diziam, precisava de dar uma reviravolta na sua vida,e nada melhor do que começar tudo de novo, noutro lugar, sem pensar no passado, nem no futuro, simplesmente arranjar um novo local para viver , um novo emprego e viver feliz para sempre, sozinha.

Sara se levanta num pulo, era agora ou nunca , e naquele momento de euforia , com todas as certezas absolutas sabia que nada... nem ninguém... a conseguiria fazer mudar de ideias .

Capítulo 2 Capitulo 2

"Ai! Meu!Deus!"

Sara estava aterrorizada, a palavra certa era mesmo aterrorizada. Na teoria deixar tudo o que conhecia para trás e começar de novo era fácil, mas na prática rapidamente ficou a perceber , pela apreensão que invadia seu corpo e mente , que era muito mais difícil fazer do que dizer .

Embora com o apoio incondicional de seus pais e com a opinião reforçada deles em que realmente devia sair e explorar o mundo, não estava a correr como esperava, o medo do desconhecido começou a apoderar-se dela e de uma forma que a deixava completamente sem ar.

Naquele momento, já se encontrava na saída do aeroporto, com único mapa na mão e um sentido de orientação que a costumava levar a perder-se até na sua própria casa, e o apartamento não era muito grande.

Depois de uma cansativa viagem de avião, Sara ainda tinha pela frente umas horas até chegar a pequena cidade onde tinha decidido viver o resto da sua nova vida, mas o que via ao redor a deixava um pouco hesitante . Assim que o táxi surgiu , ela de imediato passou ao motorista , a localização onde supostamente deveria ir. No momento em seu campo de visão ela só via florestas rodeando uma estrada , nada de civilização ao longe. Realmente sua escolha tinha sido baseada na paz e sossego do campo, além do baixo numero de habitantes, o que ela desejava era estar o mais afastada possível das cidades barulhentas, mas nunca pensara que estaria assim tão longe .

A caminho da cidade, a beleza das grandes florestas intocáveis rapidamente começaram a surgir deixando seu espírito cada vez mais tranquilo. A natureza que a rodeava a deixava com um sentimento de paz , de recomeço , e era isso mesmo que pretendia , viver sua vida sozinha , somente a natureza por companhia , trabalhar , comer e dormir , sem mais emoções em seu corpo . Havia uma sensação de felicidade que já há muito Sara não sentia e ela começa realmente a acreditar que tudo iria correr bem. Mas depois de uma hora , o taxista abranda ao entrar num caminho de terra batida, os buracos eram tantos que Sara saltava do banco traseiro , a fazendo ofegar ao perceber que aquela "estrada" para a cidade não deveria ser muito usada . Suspirando profundamente ela somente revira os olhos , com seu Karma já devia desconfiar que nem tudo podia ser tão bom como parecia . Seria muita sorte e isso era algo que nunca tinha tido antes.

Quando o táxi saiu do meio da floresta, a pequena cidade começou a surgir no horizonte, Sara imediatamente começou a ter dificuldade em respirar.

__ Tem a certeza que este é o sítio certo? – Sara questiona com sincera perplexidade .

__ Certeza absoluta, senhorita. - O taxista sorri com um semblante calmo quando estaciona bem perto de uma lanchonete.

__ Olhe , não me leve a mal... – Sara morde o lábio completamente descrente das palavras do velho motorista.__ Mas acho que se enganou .- Constrangida ela mostra seu mapa , assinalando o lugar com o dedo. __ Tem a certeza que é este o lugar . - O Taxista dá um relance para seu dedo logo acenando com a cabeça antes de sair do veículo.

__Eu conheço bem este lugar!!- O velho motorista avança até sua bagageira , e Sara de imediato o imita , pegando em seus pertences, assim que ele os entrega em suas mãos. _ Apesar de ser raro eles receberem senhoritas tão simpáticas e bonitas por aqui.

_Será? – Sara solta a palavra com uma exalação , antes de olhar de novo ao seu redor, o lugar era minúsculo em comparação as cidades que ela conhecera. __ Posso lhe garantir que não consegui ficar mais tranquila com essa afirmação.

__ Não há nada a temer .- O velho motorista de táxi solta uma risada . __ Só tem que avançar com o pé direito .

__ Sim, claro ...melhor avançar logo com os dois...- Sara fica ali especada por um segundo, mas quando o velho senhor se dirige ao táxi, com o intuito de ir embora e a deixar ali sozinha , o pânico de imediato se instala. __ O senhor não pode partir assim ?- Segurando seu braço ela quase suplica . __ Pelo menos me diga onde posso pedir algumas informações, por favor.

__Tenha calma. - O experiente motorista se compadece ao ver Sara tão perdida e assustada , sorrindo ele tenta tranquiliza-la .-__ Tudo vai correr bem. - Batendo carinhosamente na mão dela, acrescenta . __ Só precisa ir á Lanchonete da Marta. - Ele de imediato aponta para o estabelecimento ao lado do seu táxi. __Ela conhece tudo e todos. - Sorrindo com ternura o homem coloca de imediato o carro a trabalhar,levando a mão fora da janela ele acena em despedida acrescentando antes de partir. __Ela ajudará, é só pedir.

__ Ok ... agora já não há nada a fazer mesmo... - Suspirando Sara murmura a palavra observando ,cada vez mais longe. o seu único meio de transporte para sair dali, mesmo que quisesse desistir dessa nova aventura, agora já era tarde.

Quando ela se tinha informado sobre a cidade, sabia que era pequena, do interior, com uma população de uns quinhentos habitantes. Era o ideal, porque procurava um local para viver onde as pessoas se conhecessem, se preocupassem umas com as outras mas que não se metessem em confusões de inveja ou intrigas. Mas o que se encontrava perante ela naquele momento, era no mínimo, assustador.

Do que a vista alcançava, podia ver duas dúzias de casas de madeira, tipo chalés, separadas entre si por alguns metros e todas rodeadas por uma pequena cerca. Eram agradáveis á vista e pareciam aconchegantes,ali ao redor de uma clareira. À volta da cidade existia uma densa floresta, apesar de não se notar muita mão humana ali, seus caminhos entre as árvores altas estavam limpos , sem mato nem lixo.

Mas o problema não eram as árvores, nem a floresta. O problema era que além de umas poucas lojas, uma estação de correios, uma pastelaria e uma pequena bomba de gasolina, Sara não via onde poderia encontrar um modo de subsistência naquela cidade. Como ganhavam a vida por ali? Onde arranjaria um emprego ? Essa era a sua questão.

__ Ele tem razão! - Sara declara para si mesma com firmeza . Enchendo seus pulmões com ar e seu corpo com confiança, aperta as mãos na sua bagagem com firmeza. _ Coragem Sara . - Ela caminhou em direção à lanchonete, colocando as preocupações de lado por alguns momentos.__Esta é a tua chance de começar... de novo ...

Entrando com o pé direito e exalando uma boa baforada de ar puro daquele lugar , ela mostra um sorriso nos lábios , tentando acreditar em suas próprias palavras,pois aquele era realmente o primeiro dia de uma nova vida que ela desejava com todas as suas forças que fosse ...finalmente... feliz .

Capítulo 3 Capitulo 3

Sara assim que entrou na lanchonete se dirigiu a um dos bancos rotativos que estavam presos ao chão e sentou-se em pleno balcão. Olhou em volta e reparou que apesar de ser maior do que parecia do lado de fora, a lanchonete era simples, mas acolhedora. Naquele momento poucas pessoas se encontravam por ali, provavelmente só enchiam á hora das refeições e ainda faltava uma hora para o anoitecer. Ao longe estava uma senhora a servir café a um casal, e ela apostava que era a proprietária pela forma como sorria e conversava animadamente com os clientes.

Enquanto analisava a senhora aproximar-se do balcão, Sara suspira antes de esboçar um sorriso nervoso. Assim que seus olhares se fixam uma na outra de imediato seu estômago contrai e começa a doer de nervosismo. Ultimamente parecia uma menina assustada no seu primeiro dia de escola, não uma mulher adulta que sabia exatamente aquilo que queria.

__ Boa tarde minha querida! - Marta sorri amplamente enquanto observa sua cliente com curiosidade.Ela conhecia todos ali naquela pequena cidade e a bela jovem saltava á vista , não só por ser a primeira vez que a via , mas também pelo ar perdido que ostentava.

__ Boa tarde! - Pegando o menu,Sara responde timidamente, mas esboçando um sorriso em cumprimento .

__ O que deseja tomar?- Marta analisa por uns segundos a bagagem que estava aos pés de Sara, mas logo se foca na sua nova cliente .

__ Por agora ... - Sara analisa rapidamente o menu tentando disfarçar seu nervosismo e de imediato responde.__ Pode ser uma sandes de carne e um café , por favor.

__ Muito bem !- Marta esboça um sorriso enquanto prontamente serve uma xícara de seu delicioso café acabado de fazer , aproveitando a situação para questionar de imediato . __ Veio só de visita à nossa cidade ou tenciona ficar?

__ Por acaso... -Sara tenta retribuir o sorriso, mas com apreensão ainda latente em seu espírito e corpo sua voz soa um pouco derrotista . __ Tenciono ficar!

__ Mas isso é uma noticia maravilhosa!!!- Marta sorri amplamente desta vez , encarando a moça na sua frente fica pensativa um segundo antes de acrescentar .__ Já estava na hora de termos sangue novo por aqui.

__Sangue novo ?- Sara fica um pouco confusa e isso é visível em seu rosto quando encara a velha Senhora .

__ É uma maneira de dizer que precisamos de mais jovens por aqui !- Marta solta uma risada tentando tranquilizar a nova habitante daquela cidade . __Seja muito bem vinda!- Atrás do balcão a proprietária da lanchonete de imediato aproveita para acrescentar . __ A populaçao aqui está cada vez mais envelhecida ,sabe, é exelente que alguns jovens decidem ficar por aqui,apesar de pequena , nossa cidade é muito boa para formar familia. - marta percebe o constrangimento da moça e logo balança a cabeça esticando a mão. __ Que disparate!!Nem me apresentei. Sou a Marta! è um prazer conhece-la!

__ Obrigada ! O prazer é meu, de verdade! -Sorrind amplamente Sara sentiu-se de imediato em casa depois daquela maravilhosa recepção. Mas mesmo assim não conseguiu evitar de soltar um suspiro profundo.

__ O que se passa ?- Marta fica um pouco comovida pela fragilidade que Sara ostentava naquele momento. _ Até parece que foste forçada a vir para aqui !

__ Nada disso.- Sara de imediato encara Marta com um sorriso forçado._ Eu própria escolhi o lugar . - Mordendo o lábio ela encara Marta de novo .__ Mas agora... sinto-me um pouco...perdida.

__ E não nos sentimos todos um pouco assim em alguma fase da vida? - Marta de imediato solta uma gargalhada . __ Se eu puder ajudar em algo ...- Ela deixa o prato decorado com uma bela sandes de carne, acompanhada com cenoura , tomate , alface e molho holandês. __ É só dizer !

__ Se não for um abuso da minha parte,vou aceitar sua oferta... - Sara respira fundo antes de acrescentar. __Quando decidi dar uma nova chance a mim mesma ...longe do que me fazia mal... estava um pouco mais otimista, posso garantir.

__ Oh! Minha querida!- Sorrindo, Marta caminha para fora do balcão se sentando de frente a Sara.__Estás na cidade certa para começar uma nova vida e serás muito acarinhada por todos neste lugar.

__ Espero bem que sim.- Os lábios de Sara de imediato se estendem num sorriso sincero pela confiança e simpatia que Marta, transmitia. __ Não quero que me vejam como uma estranha, mas sim alguém que se quer fixar e viver em paz com todos .

__ Não tens nada que te preocupar, as pessoas aqui gostam de ajudar . - Marta volta a encher a xícara de Sara com café, se servindo de imediato de uma também.__Então o que posso fazer por ti?

__ Bom, primeiro...um lugar para ficar...- - Sara observa Marta com admiração, deveria estar a volta dos 60 anos, mas sua empatia crescia a cada minuto que passava. __Ainda esta noite ...será possível? - Sara suspira ao compartilhar um olhar com a velha senhora .__ Depois trabalho.- Balançando a cabeça ela acrescenta. __ Só preciso que me diga por onde hei-de começar a procurar! Se for possível até recebo um salário menor em troca de quarto e comida.

__ Então, mais uma vez te digo que vieste á cidade certa. -Enquanto tomava o seu café na robusta xícara de barro, Marta encara Sara com tranquilidade. __ Aqui só temos uma pousada, por isso um quarto e uma refeição encontra-se sempre. - Marta dá-lhe uma palmadinha carinhosa no ombro. __Os proprietários aparecem aqui ao final do dia. Eu dou-lhes uma palavrinha, não te preocupes.

__ Muito obrigado, D. Marta. - Sara simplesmente pula do banco abraçando a velha senhora que acabara de conhecer. __ Não sei o que faria sem a sua ajuda.

__ De nada, querida. - Marta fica emocionada pela reação de Sara, retribuindo o abraço ela sorri. __Agora, se me dás licença vou adiantar os jantares, daqui a pouco começam a surgir os meus clientes. - Piscando o olho ela acrescenta. __Aguarda por aqui e conversamos um pouco mais tarde. Quem sabe... até pode surgir trabalho .

__ Ah , isso para mim era quase um milagre. - Sara sorri completamente descrente.__Um alojamento já é o suficiente para mim , pelo menos hoje.

__ E quem disse que esta cidade não é milagrosa...- Marta esboça um enorme sorriso ao declarar aquelas palavras .

__Será? Talvez os correios ou o posto de gasolina precise de uma boa administrativa.- Sara esboça um sorriso zombeteiro. __ Isso é que seria sorte ....muita sorte.

__Quem sabe a pousada precise ...- Marta esboça um sorriso de lado. __ Aqueles irmãos vivem sozinhos há anos demais .- Antes de se afastar do balcão Marta acrescenta em tom divertido. __ Talvez seja o Destino.

"Destino?" Bebendo o resto do café de um só gole Sara repete mentalmente a palavra em sua mente . Ela não acreditava mais em amor , nem no destino . A vida a tinha derrotado de tal forma que agora somente acreditava na sorte ou no azar que a vida podia trazer.

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