Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Amor Desfeito, Vida Recomeça
Amor Desfeito, Vida Recomeça

Amor Desfeito, Vida Recomeça

Autor:: Mabel Souza
Gênero: Romance
Era nosso aniversário de casamento de três anos, e eu tinha tudo planejado. Mas Pedro não apareceu, e meu coração começou a apertar. Ignorei o pressentimento e fui procurá-lo no estúdio de Clara, sua ex-namorada, que andava "precisando de apoio". Lá, o encontrei consolando-a, íntimos, como eu não via há muito tempo. Então ele ligou, forçando um "Esqueci nosso aniversário, amor" e a desculpa ensaiada de uma emergência de Clara. Ele me mandou pegar um táxi para casa, enquanto ele levava A OUTRA para o hospital. Eu estava grávida. Preparada para contar a ele naquela noite, eu, sua esposa, que esperava ele chegar em casa e me amar. Mas na próxima esquina, Pedro e Clara me passaram, com a emergência dela no colo e o meu segredo calado na minha barriga. Naquela noite, a mentira que era meu casamento veio à tona, e minha vida desmoronou. Mas não mais. Meu sofrimento seria minha força. Eu não estaria mais sozinha. E meu filho, nosso bebê, não cresceria em um lar desfeito. Eu não seria mais a segunda opção. Tudo mudou quando fui deixada sozinha no hospital. Eu não perderia meu filho para a maldade de outra mulher e a cegueira de um homem. Aquele dia, a dor da perda e a ra raiva da traição se transformaram em uma força incontrolável. E seria essa força que me faria lutar, não apenas para sobreviver, mas para me reerguer e, talvez, dar a Pedro e Clara o que eles realmente mereciam.

Introdução

Era nosso aniversário de casamento de três anos, e eu tinha tudo planejado.

Mas Pedro não apareceu, e meu coração começou a apertar.

Ignorei o pressentimento e fui procurá-lo no estúdio de Clara, sua ex-namorada, que andava "precisando de apoio".

Lá, o encontrei consolando-a, íntimos, como eu não via há muito tempo.

Então ele ligou, forçando um "Esqueci nosso aniversário, amor" e a desculpa ensaiada de uma emergência de Clara.

Ele me mandou pegar um táxi para casa, enquanto ele levava A OUTRA para o hospital.

Eu estava grávida. Preparada para contar a ele naquela noite, eu, sua esposa, que esperava ele chegar em casa e me amar.

Mas na próxima esquina, Pedro e Clara me passaram, com a emergência dela no colo e o meu segredo calado na minha barriga.

Naquela noite, a mentira que era meu casamento veio à tona, e minha vida desmoronou.

Mas não mais. Meu sofrimento seria minha força.

Eu não estaria mais sozinha. E meu filho, nosso bebê, não cresceria em um lar desfeito.

Eu não seria mais a segunda opção.

Tudo mudou quando fui deixada sozinha no hospital.

Eu não perderia meu filho para a maldade de outra mulher e a cegueira de um homem.

Aquele dia, a dor da perda e a ra raiva da traição se transformaram em uma força incontrolável.

E seria essa força que me faria lutar, não apenas para sobreviver, mas para me reerguer e, talvez, dar a Pedro e Clara o que eles realmente mereciam.

Capítulo 1

Hoje era nosso aniversário de casamento de três anos.

Eu tinha reservado uma mesa no nosso restaurante favorito com um mês de antecedência.

Era o lugar onde Pedro me pediu em casamento.

Passei a tarde inteira me arrumando, escolhendo o vestido perfeito, um que eu mesma desenhei, e fazendo uma maquiagem leve que realçava meus traços.

Eu queria que essa noite fosse especial.

Mas Pedro não apareceu.

Liguei para ele várias vezes, mas o celular dele estava desligado.

Uma sensação ruim começou a se instalar no meu peito, mas eu tentei ignorar.

"Ele deve estar ocupado com o trabalho", eu disse a mim mesma. "Alguma emergência."

Esperei por uma hora, sentada sozinha na mesa para dois, sentindo os olhares de pena dos outros clientes.

Finalmente, desisti. Paguei pela água que não bebi e saí do restaurante, sentindo um nó na garganta.

No caminho para casa, decidi passar pelo estúdio de dança de Clara.

Clara era a ex-namorada de Pedro. Eles tinham um romance intenso na adolescência, o tipo de amor que todo mundo achava que duraria para sempre. Mas não durou.

Ela voltou para a cidade há alguns meses, divorciada e, segundo ela, de coração partido.

Desde então, Pedro passava cada vez mais tempo com ela, sempre com a desculpa de que ela precisava de apoio.

Eu não queria acreditar que havia algo mais acontecendo, mas a dúvida estava lá, crescendo a cada dia.

Quando cheguei perto do estúdio, vi o carro de Pedro estacionado na frente.

Meu coração afundou.

Pela janela de vidro do estúdio, eu os vi.

Não havia mais ninguém lá. Apenas os dois.

Clara estava com uma roupa de dança justa, o cabelo preso num coque bagunçado. Ela estava chorando.

Pedro a segurava pelos ombros, o rosto dele cheio de uma preocupação que eu não via direcionada a mim há muito tempo.

Ele a abraçou com força, afagando suas costas, sussurrando algo em seu ouvido.

Era uma cena íntima, dolorosa de assistir.

Eu fiquei ali, parada na calçada fria, invisível para eles, sentindo como se o mundo estivesse desmoronando ao meu redor.

Aquele abraço não era de um amigo consolando outro. Era algo mais.

Eu sabia disso.

Depois de um tempo, ele a soltou, mas ainda segurava suas mãos. Ele olhou para o tornozelo dela, que parecia inchado.

Então, ele se ajoelhou, examinando o pé dela com um cuidado que me fez sentir um gosto amargo na boca.

Ele a pegou no colo, como se ela não pesasse nada, e a levou para o banco do carona do carro dele.

Meu celular tocou naquele exato momento. Era ele.

Atendi, tentando manter a voz firme.

"Sofia? Onde você está?"

"Eu estava no restaurante. Onde você está, Pedro?"

Houve uma pausa.

"Ah, droga, o aniversário. Desculpa, amor. Eu esqueci completamente."

Esqueceu.

"Aconteceu uma emergência com a Clara. Ela torceu o tornozelo durante o ensaio e não tinha mais ninguém para ajudá-la. Estou levando ela para o hospital."

A desculpa era tão ensaiada, tão fácil.

"Entendo", eu disse, a voz saindo mais fria do que eu pretendia.

"Olha, eu sei que você está chateada", ele continuou, o tom agora impaciente. "Mas a Clara está com muita dor. Você pode pegar um táxi para casa? Eu preciso cuidar disso."

Ele não estava perguntando. Estava mandando.

"Tudo bem", eu murmurei, sentindo as lágrimas finalmente brotarem nos meus olhos.

"Ótimo. Te vejo mais tarde. Te amo."

Ele desligou antes que eu pudesse responder.

Eu o vi arrancar com o carro, levando Clara para longe.

Eu fiquei sozinha na rua escura.

Coloquei a mão sobre minha barriga, um gesto que se tornara instintivo nos últimos dias.

Lá dentro, um segredo minúsculo crescia. Um segredo que eu planejava contar a ele esta noite, durante nosso jantar de aniversário.

Eu estava grávida.

Uma risada seca e sem humor escapou dos meus lábios.

Que piada cruel.

Eu me virei e comecei a andar para casa, cada passo mais pesado que o anterior.

A gravidez não foi planejada. Aconteceu há dois meses, numa noite rara em que Pedro parecia ser o homem por quem me apaixonei. Ele chegou em casa com flores, preparou o jantar e nós fizemos amor com uma ternura que eu não sentia há anos.

Naquela noite, eu acreditei que as coisas poderiam voltar a ser como antes.

Eu estava errada.

Uma semana depois, Clara voltou.

Ela ligou para Pedro, chorando, dizendo que seu casamento tinha acabado e que ela não tinha mais ninguém. Pedro, sempre o cavalheiro para ela, correu para o seu lado.

No começo, era apenas um café, um ombro amigo.

Depois, tornaram-se jantares longos, telefonemas tarde da noite.

Ele começou a chegar tarde em casa, cheirando a um perfume que não era o meu.

Ele se tornou distante, irritado. Qualquer pergunta minha era recebida com acusações de que eu era ciumenta e controladora.

Eu tentei me convencer de que era tudo coisa da minha cabeça. Que eu estava sendo insegura.

Mas ver os dois juntos esta noite, a forma como ele olhava para ela, o jeito como a tocava... não havia mais espaço para dúvidas.

Meu casamento estava acabado. Eu só não tinha percebido até agora.

Quando cheguei em casa, o apartamento estava escuro e silencioso.

A mesa que eu tinha arrumado com tanto cuidado para o café da manhã parecia uma zombaria.

Eu me sentei no sofá, o vestido de grife agora amassado e desconfortável.

A imagem de Pedro carregando Clara no colo não saía da minha mente.

Ele a tratava como se ela fosse feita de vidro.

E eu? Eu era apenas um inconveniente. Um compromisso que ele havia esquecido.

Eu me abracei, sentindo o frio se espalhar por todo o meu corpo.

Eu precisava ser forte.

Não só por mim.

Mas pelo bebê.

Meu bebê.

Eu não ia deixar meu filho crescer em um lar desfeito, com um pai que amava outra mulher.

A decisão se formou em minha mente, clara e dolorosa.

Eu iria embora.

---

Capítulo 2

A história de nós três era antiga.

Eu conhecia Pedro desde que éramos crianças. Ele era o garoto popular, o capitão do time de futebol, o sonho de todas as garotas da escola. E eu era a vizinha quieta, a garota que o amava em segredo de longe.

Mas ele nunca me notou. Seus olhos sempre foram para Clara.

Clara era a líder de torcida, linda, vibrante e cheia de vida. Eles eram o casal perfeito, o rei e a rainha do baile.

Eu assisti ao romance deles florescer, meu coração se partindo um pouco a cada vez que os via juntos. Eu era apenas uma amiga da família, a garota que a mãe de Pedro adorava, mas para ele, eu era invisível.

Quando Pedro finalmente me levou ao hospital naquela noite, depois de ter deixado Clara confortavelmente instalada em sua casa, ele me encontrou sentada na sala de espera, pálida e exausta.

Clara estava sentada ao meu lado, o pé apoiado em uma cadeira, com uma expressão de dor ensaiada.

"Sofia, o que você está fazendo aqui?", Pedro perguntou, a surpresa em sua voz misturada com irritação.

"Eu não estava me sentindo bem", eu disse, a voz baixa.

Clara olhou para mim, um sorriso de escárnio mal disfarçado em seus lábios.

"Ah, querida, você sempre foi tão frágil. Não se preocupe, Pedro está aqui agora. Ele cuidará de nós duas."

O "nós duas" soou como um tapa na minha cara.

Eu a ignorei e olhei para Pedro. "Podemos ir para casa?"

"Ainda não", disse Pedro, seu foco totalmente em Clara. "O médico ainda não viu a Clara. O tornozelo dela está muito ruim."

Ele se sentou ao lado dela, pegando sua mão.

"Como você está se sentindo, Cla?"

"Dói muito, Pedro. Acho que quebrou."

A voz dela era um sussurro choroso, o tipo de voz que sempre conseguia tudo o que queria dele.

Ele acariciou a mão dela. "Não se preocupe, eu estou aqui. Não vou a lugar nenhum."

Ele nem olhou para mim.

Eu me senti como uma intrusa, uma espectadora indesejada em seu momento privado. A raiva começou a borbulhar dentro de mim, quente e amarga.

"Pedro", eu disse, a voz mais firme agora. "Eu preciso ir para casa. Eu não estou bem."

Ele finalmente se virou para mim, o rosto uma máscara de impaciência.

"Sofia, por favor. Você não pode esperar um pouco? Clara precisa de mim."

"E eu não preciso?", a pergunta escapou antes que eu pudesse contê-la.

Ele suspirou, exasperado. "Não comece, Sofia. Não hoje."

Naquele momento, um médico chamou o nome de Clara.

Pedro se levantou imediatamente, ajudando-a a se levantar com um cuidado exagerado.

"Eu vou com você", ele disse a ela.

Ele se virou para mim, a expressão dura. "Espere aqui. E, por favor, tente não causar uma cena."

Eles se afastaram, Pedro amparando Clara, suas cabeças juntas em confidência.

Eu fiquei ali, sozinha de novo, a humilhação queimando meu rosto.

Ele me acusou de causar uma cena. Ele me tratou como uma criança mimada.

Eu não conseguia mais suportar.

Levantei-me, minhas pernas tremendo, e caminhei em direção à saída.

Eu não olhei para trás.

Peguei um táxi e, durante todo o caminho para casa, as lágrimas que eu segurei por tanto tempo finalmente caíram, silenciosas e quentes.

Eu chorei pela perda do meu casamento.

Chorei pelo meu amor não correspondido.

E chorei pelo futuro incerto que me aguardava, a mim e ao meu filho.

Quando cheguei ao apartamento vazio, a decisão estava tomada, cravada em meu coração como uma pedra.

Não havia mais volta.

Eu não ia mais esperar por um homem que nunca me amou de verdade.

Eu não ia mais ser a segunda opção.

Fui até nosso quarto, peguei uma mala e comecei a arrumar minhas coisas.

Cada peça de roupa, cada livro, cada objeto era uma lembrança de uma vida que não era mais minha.

Eu deixei para trás as fotos, os presentes, tudo o que me lembrava dele.

Eu só levei o que era meu, o que definia quem eu era antes dele.

Antes de me tornar a Sra. Sofia, a esposa de Pedro.

Eu estava me tornando Sofia de novo.

Designer de moda. Sonhadora. Futura mãe.

Uma mulher que merecia mais.

Deixei a aliança de casamento na mesa de cabeceira, ao lado de um bilhete simples.

"Acabou, Pedro. Estou pedindo o divórcio."

Não havia mais nada a ser dito.

Saí do apartamento e fechei a porta atrás de mim, um som final e definitivo.

Eu não sabia para onde estava indo, mas sabia que estava indo na direção certa.

Longe dele.

Em direção a mim mesma.

---

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022