Caroline Feng estava mergulhada em um sono profundo. Nem mesmo sentindo o estômago embrulhado, ela não tinha forças para acordar. Depois de estar lutando por um longo tempo, ela finalmente abriu os olhos. Os raios de sol intensos que brilhavam atravessando a cortina rosa quase a cegaram, o que fez com que ela mudasse de ideia sobre acordar. Ela virou-se para o lado e voltou a dormir.
'Espere um minuto!' De repente, ela lançou-se e sentou na cama como se alguém a tivesse cutucado com um fio elétrico desencapado. 'Por que as cortinas são rosa?'
Ela olhou em direção a janela com os olhos bem abertos. Seu cérebro estava a ponto de explodir, estava tudo fora de foco, nublado. O seu marido não gostava de rosa, por isso ela nunca teve cortinas rosa em casa.
'Onde eu estou?'
Exaltada, ela olhou ao redor do quarto e identificou um calendário anime pendurado em uma das paredes. O objeto, mesmo que estranho, lhe parecia muito familiar. O quarto era pequeno. Somente havia espaço para uma cama de solteiro e uma mesa. Sua memória voltou lentamente. Este era o seu quarto antes de se casar! Caroline pulou da cama e verificou o calendário. Era o ano de 2006!
Como poderia ser 2006? Ela era uma estudante e aquele era o último ano da faculdade!
Ela recompôs-se e foi rapidamente em direção ao banheiro, chegando lá, ela viu a mãe, que estava sentada no vaso sanitário. Sua mãe estava dizendo algo, mas ela ignorou a mulher e olhou diretamente no espelho. Ela era jovem de novo!
"Garota maluca, o que você está fazendo?" Ela deu um tapinha de brincadeira na bunda de Caroline.
"Oh, meu Deus! Mãe, o mundo voltou no tempo?"
Ela virou-se com medo e confusa.
Normalmente, Caroline era uma garota otimista e alegre. Ela tinha sido admitida no curso de Educação Física da A City Normal University. Ela conseguiu a qualificação de atleta nacional de nível 2. Alta, forte e de forma física proporcionada, ela tinha músculos fortes que deixavam sua pele atraente. O seu cabelo curto realçava ainda mais o seu porte atlético e sua aparência como um todo fazia parecer que ela estava pronta para enfrentar qualquer coisa.
Em frente a A City Normal University estava A City Medical University. Era uma das universidades mais famosas e importantes do país. A City Finance and Economics University estava bem ao lado. Devido à proximidade das universidades, era comum que estudantes de uma universidade namorassem estudantes da outra universidade.
No passado de Caroline, quando ela frequentava o último ano, os sindicatos de estudantes que representavam cada universidade realizavam várias competições entre as 3 universidades. Uma delas era uma competição de debate. Exatamente no último dia dessa competição, ela conheceu Edwin Han. Ele era um dos alunos do diretor da A City Medical University. Como Caroline, Edwin também era alto e tinha cabelo curto. Seus ombros largos e fortes junto com o seu rosto perfeitamente esculpido davam a ele uma beleza única. Seus olhos eram brilhantes e chamativos e combinavam perfeitamente com a forma do seu nariz pronunciado. No entanto, a melhor parte de tudo era o seu comportamento, gentil e educado. Caroline sentia-se atraída por ele como um pato pela água. Desde o momento em que ela o conheceu, não conseguia parar de pensar nele. Ele parecia o lendário cavaleiro com sua armadura brilhante!
Pouco depois, ela descobriu que ele era um candidato ao mestrado da universidade e era dois anos mais velho do que ela. Seu pai e seu tio estavam ligados à política, e sua mãe era uma diretora. Edwin, no entanto, não gostava de política. Por muito tempo escondeu dos pais que estava estudando Medicina. Medicina era realmente a sua paixão e ele estava determinado a conseguir concluir o curso. Uma vez formado, ele não concordou em trabalhar como funcionário público, o que era parte de um acordo entre ele e sua família. Em vez disso, ele escolheu seguir estudando. Foi então, que finalmente os seus pais decidiram deixá-lo em paz. Eles também suspenderam a mesada que até então davam ao filho.
Felizmente, ele era um aluno brilhante. A cada ano ele conseguia ser o melhor da turma, por isso, ganhava bolsas de estudo que o ajudavam a pagar por seus estudos. Quando ainda era calouro esteve por 1 ano no sindicato estudantil. Logo no primeiro ano, a sua habilidade acadêmica deixou os professores impressionados e por isso, eles começaram a ter grande consideração por ele.
Caroline ficou louca por ele desde que o encontrou pela primeira vez. Mesmo com a sua colega de quarto dizendo que Edwin era uma pessoa sem coração, Caroline se recusava a parar de querer conquistá-lo. Para ela, ele não poderia fazer nada errado. Ela mexeu vários pauzinhos para participar das duplas mistas de badminton e logo conseguiu o que queria, que era ser sua companheira de equipe. Porém, infelizmente, ele não gostava muito dela. Ele achava que ela era muito atirada.
Porém, geralmente as coisas aconteciam na direção oposta do que ele planejava.
Edwin foi à festa de aniversário de um amigo em que Caroline também estava. Ele tinha pouca resistência ao álcool, e bastava somente uma garrafa de cerveja para que ele perdesse completamente o controle. Depois de acidentalmente acabar derramando um pouco de vinho na camisa branca de Caroline, eles bêbados foram se beijar em uma sala vazia, que ficava perto de uma zona privada.
Caroline nunca se esqueceria de como o 'perfeito' Edwin estava desajeitado naquela noite. Ele a desejava intensamente, porém não conseguia penetrar dentro dela. Ela estava tão desajeitada quanto ele. Os dois passaram quase metade do tempo tentando descobrir como fazer aquilo.
Ela não sabia como ele se sentia naquela situação. Além do impacto violento e da dor pelo rompimento, ela não estava tão inebriante como pareciam sentir-se os personagens nos filmes para adultos. A imagem do olhar dele quando tudo acabou ficaria para sempre na memória de Caroline. Para sempre, ela se lembraria de como seus olhos estavam frios depois que ele esgotou sua paixão nela. Ele tinha olhado para ela de uma maneira estranha, como se ela fosse uma estátua.
Ele também deixou escapar friamente: "Eu sinto muito."
A resposta de Caroline foi circunstancial, já que o ar quente que tinha antes de repente esfriou-se. "Tudo bem! Eu queria fazer isso."
Ele disse: "Eu não posso lhe dar nada que você precise, nem materialmente, nem afetivamente."
"O que você quer dizer com isso?", ela perguntou.
Ele sentou-se serenamente. "Quero fazer um doutorado e meu dinheiro mal dá para sobreviver. Eu não tenho dinheiro para sustentar um relacionamento agora."
Ela sorriu: "Bem, estarei me formando em breve. Vou conseguir um emprego e ganhar algum dinheiro."
Ele suspirou, parecendo vulnerável. "Não. Eu não quero me preocupar com mais nada, além dos meus estudos agora."
Ela tinha entendido o que ele queria dizer, mesmo assim, continuou pressionando dele. "Então... Quando você vai considerar começar um relacionamento?"
Ele respondeu: "Mesmo que eu pensasse sobre isso, não encontraria uma garota como você."
"Bem, ok." Ela forçou um sorriso e ficou sem saber o que mais poderia dizer.
"Sinto muito", ele murmurou.
"Sem problemas. Você não precisa se desculpar. Ficar assim agora está na moda. Não se trata de um grande problema."
"Mesmo assim, sinto muito. Eu acabei ficando bêbado. Eu... Eu não sei como isso pôde acontecer. Eu não consegui me controlar. Se você precisar de qualquer tipo de ajuda no futuro, é só me procurar. Quando for capaz de ajudá-la, não irei recusar." Ele estava tentando compensar aquele mal estar com o máximo que podia.
Ela pegou suas roupas e começou a vestir-se. "Eu posso pedir qualquer coisa, menos que você se case comigo, certo?"
Ele sorriu amargado, mas não disse nada.
Esse dia marcou o início da história de Edwin e Caroline.
Depois daquela noite, Caroline não tentou entrar em contato com ele novamente. Eles seguiram suas vidas por caminhos separados. Até que um mês depois daquela noite, ela descobriu que havia um problema. Sua menstruação estava 1 mês atrasada. Ela estava grávida! Depois de hesitar por algum tempo, ela decidiu ligar para Edwin.
Quando ele recebeu a notícia, inesperadamente, ficou em silêncio por um longo tempo. Até que finalmente, ele disse: "Vou comprar alguns presentes amanhã e irei encontrar os seus pais. Precisamos do consentimento deles para casarmos. Tenho um relacionamento terrível com a minha família. Seus pais terão que ajudar a cuidar de você quando o bebê nascer."
Caroline nunca tinha estado tão feliz.
Seu casamento foi muito simples. Ela não teve vestido de noiva, foto de casamento e nem mesmo uma cerimônia formal. Seu casamento se resumiu em um almoço que reuniu as famílias e nada mais. Para fugir dos seus pais, Edwin foi para uma pequena cidade em outro estado para exercer a Medicina e se estabelecer por lá. O que fez com que os pais de Edwin detestassem Caroline ainda mais. Para eles, ela era um aborrecimento para o filho. Eles tinham planos melhores. Seus pais não apenas se recusaram a ajudar Caroline, como também ligavam regularmente para debochar dela. Chorando, ela contou à mãe o que estava passando, porém tudo o que a mãe fez foi apertar ainda mais a ferida da filha. Ela disse que Caroline tinha sido a primeira a dar um passo insensato e, portanto, deveria suportar as consequências do seu mau comportamento.
Quando estava no oitavo mês de gravidez, Caroline recebeu em casa a visita de uma mulher que se dizia noiva de Edwin. Ela com raiva os informou que tinha estado no exterior e ao retornar ao país, soube que uma prostituta havia seduzido o seu futuro marido. Naquele dia, a mãe de Caroline também estava em casa. Elas discutiram violentamente com aquela estranha mulher. Como Caroline sempre foi boa lutando, ela deu um tapa forte na mulher e acabou batendo muito nela. Ela e sua mãe acabaram ganhando a briga, mas Caroline sofreu uma perda enorme. Seu bebê nasceu de forma prematura e para piorar as coisas, ela sofreu uma hemorragia que não se podia parar.
Quando Edwin chegou à ala de enfermaria onde estava Caroline, a cesariana já tinha terminado. Era inacreditável o quanto o bebê era magro e pequeno. Ela estava deitada no seu berço, era um pouco maior do que uma boneca pequena. Exausta e abatida, a mãe estava deitada na cama, parecia que tinha acabado de ver um fantasma. Assim que o efeito da anestesia passou, o corte da cesariana ficou cada vez mais dolorido. Quando ela viu que Edwin tinha chegado, desejava ser consolada por ele. Porém, foi um grande golpe para sua cabeça, já maltratada, perceber o quanto ele era frio.
Embora ele não tivesse repreendido ou gritado com ela, o corpo dela tremia por sua frieza.
Mesmo depois de muito tempo que ela tinha deixado o hospital, sua saúde continuava a piorar rapidamente. Ela teria contado a Edwin sobre o que estava acontecendo, porém, porque não queria perturbá-lo e impedi-lo de ter um descanso adequado à noite, ela dormia com a criança, enquanto ele dormia no quarto de hóspedes. Essa situação seguiu assim durante 3 anos. Um bebê prematuro ficava doente e necessitava de cuidados especiais com certa frequência, e o estresse que isso causava, afetaria quem estava cuidando da criança, mais cedo ou mais tarde. Caroline fazia o seu melhor para cuidar da criança. Porém, o desafio a torturou fisicamente e a fez desabar. A sua silhueta que antes era atlética, foi tomada por uma feia, inchada e flácida.
Somente depois da transferência de Edwin para um hospital na cidade como médico, que Caroline e sua filha foram para cidade ficar junto com ele. No dia da mudança, repentinamente, Caroline perdeu a consciência e foi necessário levá-la para o hospital. Após minuciosos exames, Caroline foi diagnosticada com um caso grave de hipoglicemia. Devido a saúde debilitada, ela começou a falar mais devagar. Com o passar dos dias, Caroline também começou a perder a memória. Ela se esquecia de muitas coisas e precisava anotar o que fosse necessário recordar.
Enquanto isso, Edwin ganhava notoriedade pelas suas habilidades como médico. Pouco a pouco, os seus pais o aceitavam de volta em suas vidas. Atendendo ao pedido dos pais e por sua vontade própria, ele retomou os estudos. Ele finalmente conseguiu o diploma de doutorado na Universidade A City Medical. Foi bom para a carreira dele, mas eles ainda tinham problemas de dinheiro.
Quando chegou a hora de Caroline matricular a filha no jardim de infância, a mesada de Edwin, mais uma vez, mal dava para cobrir os gastos dele sozinho. Ela começou a trabalhar como faxineira na escola da filha para conseguir algum dinheiro. Aquele tinha sido o único trabalho que ela tinha feito antes de se casar.
Uma vez formado, Edwin pôde entrar no hospital associado da Universidade médica. Embora a renda de Edwin tivesse aumentado muito depois disso, Caroline estava acostumada a ser comedida nos gastos. Edwin pediu ao pai que ajudasse Caroline a encontrar um emprego, porém o homem e sua esposa achavam que Caroline era antipática e se recusaram a ajudá-la. Eles não tinham a intenção de contar aos amigos que tinham uma nora como Caroline. Por causa disso, Caroline acabou ficando sem um emprego decente.
Um tempo depois, a mãe de Edwin exigia que Caroline tivesse um outro filho para a família. Seis meses depois da exigência da sogra, ela estava grávida novamente. O que ela não sabia era que isso seria o início do seu castigo!
Quando a mãe de Edwin soube que Caroline teria outra menina, ela disse que eles já tinham uma neta e portanto, não precisavam de uma outra. Ela chegou a enviar comprimidos abortivos para Caroline, dizendo que sua gravidez era inútil para eles. Caroline ficou assustada com o que estava acontecendo. Sem saber a quem mais recorrer, ela imediatamente ligou para Edwin pedindo ajuda. Seu marido ouviu o que ela tinha a dizer e antes de dar sua opinião se manteve calado por alguns instantes. "Bem, nós ainda somos muito jovens. Minha mãe tem os motivos dela, eu acredito. Se ela diz que quer um neto e não uma neta. Escute o que ela está dizendo e tome o comprimido." Ela não teve outra escolha a não ser ceder à pressão. Ela tomou os comprimidos com as lágrimas que escorriam dos olhos.
Depois daquele episódio, ela passou por mais quatro abortos! Em três deles, ela foi forçada a tirar o bebê por que estava esperando de novo uma menina. O quarto aborto, que foi espontâneo, ela estava esperando um menino. Em muitas ocasiões, na presença de Edwin, sua sogra a acusava de ser incapaz de conseguir um emprego razoável. Ela a chamava de parasita e dizia que ela só queria sugar a vida do seu filho. Caroline era acusada pela sogra de nem mesmo conseguir cuidar de uma criança. Ela ficava doente pelo menos uma vez a cada três dias. Ela não podia nem mesmo ter um menino para a família. Ela não servia para nada! "Ela é completamente inútil para a família Han!" Disse a mãe de Edwin. Caroline sentia que se fazia uma grande injustiça contra ela. Ninguém dava a mínima importância para como ela estivesse se sentindo sobre nada, eles estavam preocupados em seguir suas vidas. A resposta de Edwin fez com que para ela fosse ainda mais difícil lidar com a injustiça que estava sofrendo. "O que minha mãe disse de errado?" Ela sentiu o mundo desabando quando percebeu que estava com sérios problemas.
A Caroline que antes era alegre se tornou uma pessoa desanimada e deprimida. Ela chorava por pequenas coisas e passava a maior parte do tempo se lamentando. Edwin não conseguia entender como ela tinha chegado naquele ponto da sua vida. Ele foi incapaz de compreender o sofrimento dela, em vez de se importar, sentiu repulsa por ela. No início, ele a via chorando e tentava consolá-la. Porém, com o passar do tempo, ele começou a ignorá-la. Quando Caroline percebeu o quanto ele ficava irritado quando ela estava chorando, decidiu chorar apenas quando ela estava sozinha, sem ninguém por perto. Ela frequentemente mudava para uma versão mais alegre de si mesma quando ele estava por perto.
Como o seu marido a tinha deixado sem amor, ela dava toda atenção à filha e por isso, era muito apegada a filha. Infelizmente, sua filha era mais parecida com Edwin. Por mais irritada que Caroline ficasse, a garota era indiferente e tratava a mãe com frieza. Na verdade, ela preferia ficar mais próxima do pai.
Aos 36 anos de idade, ela finalmente teve um filho. Naquele dia, depois de deixar a sala de cirurgia, já no quarto, ela se sentia fraca e precisando de carinho, foi então, que ela viu seus pais que cercavam sua cama. Edwin estava sentado na beira da outra cama com o filho recém-nascido nos braços. Ao lado dele, estavam a filha e a sogra. Foi quando ela ouviu a mãe de Edwin dizendo que queria levar o neto com ela para criá-lo "adequadamente". A mãe de Caroline discordou veementemente do que pretendia fazer a mãe de Edwin e disse isso na cara dela. O que levou que as duas iniciassem uma grande briga.
A mãe de Edwin começou a ofender a família de Caroline. "Meu neto não vai ficar com uma mulher que fez sexo ocasional com um homem e terminou engravidando antes do casamento! Estou preocupada que quando ele cresça acabe se tornando um hooligan ou um zero à esquerda! Eu não posso deixar que isso aconteça."
As duras palavras da mãe de Edwin fizeram com que a mãe de Caroline sofresse um ataque cardíaco. Ela teve que ser reanimada no hospital. Edwin ficou do lado de Caroline sobre a decisão de não permitir que sua mãe levasse a criança, o que não impediu que ela sentisse um ódio profundo pela sogra.
À medida que seu filho crescia, o entusiasmo pela vida de Caroline ia diminuindo. Era como se aos poucos ela fosse perdendo o interesse pelo o cotidiano da vida. Algumas vezes, era como se ela tivesse em transe, e não se desse conta do ambiente em que estava. Frequentemente, ela se recusava a ajudar a sogra quando ela estava fazendo as tarefas domésticas e cuidando dos filhos. Quanto mais cansada a mulher ficava, mais feliz Caroline ficava. Porém, na verdade, ela não tinha muito tempo para se sentir feliz. Depois do ataque cardíaco que a mãe de Caroline sofreu no hospital, a saúde dela acabou piorando. Ela estava tão mal, que com muita frequência precisava ser internada. Nos anos seguintes, com tudo o que tinha acontecido, Caroline não tinha nenhum desejo, esperança ou decepção. Ela simplesmente continuou sobrevivendo.
Foi só quando sua mãe morreu de ataque cardíaco que ela finalmente se deu conta de como estava sendo tratada pela vida. Caroline sentiu como se estivesse vivendo a vida de outra pessoa. Enquanto ela olhava para o corpo frio de sua mãe, ela não tinha forças nem mesmo para chorar. 'Na verdade, a morte não é uma má ideia. De uma maneira ou de outra, todo mundo vai morrer um dia', ela pensou. Um ano depois da morte de sua mãe, seu pai faleceu de depressão. Caroline de repente sentiu-se sozinha no mundo. Ela não tinha mais ninguém para amá-la.
Ela ficou ainda pior quando chegou à menopausa. Uma noite, dominada pelo desejo profundo de ver os pais, Caroline foi ao cemitério. Porém, ela acabou se perdendo no caminho de volta para casa. Estava escurecendo e ainda sem conseguir encontrar o caminho, ela decidiu ligar para polícia. Eles prontamente a conduziram até o hospital onde Edwin trabalhava. Esse era o único endereço que ela conseguia lembrar. Quando Edwin a recebeu do carro da polícia, seus olhos demonstravam somente indiferença. Ela ficou chocada com sua expressão, de quem não tentava disfarçar a falta de interesse.
No dia seguinte, ela decidiu sair para comprar algumas roupas. Foi uma decisão que ela tomou sem pensar. Ela obrigou também a filha a pedir dispensa para acompanhá-la ao shopping. Ela comprou roupas do mesmo tamanho que ela costumava a usar antes de ser mãe. Quando ela as experimentou, Edwin comentou totalmente insensível, "Elas são tão feias!" "Bem, eu gosto delas", ela respondeu o comentário do marido.
Com o tempo, eles foram se distanciando, estavam dormindo em quartos separados porque ela estava sofrendo com insônia por conta da menopausa. Na manhã do dia seguinte, ela não saiu do quarto no horário que costuma sair. Até quando Edwin se levantou para se preparar para o trabalho, não tinha nenhum sinal dela. Aquilo era estranho. Ela geralmente se levantava cedo para preparar o café da manhã para ele. Edwin chamou o nome dela várias vezes, e não ouviu nenhuma resposta. Ele tinha a sensação de que algo estava errado. Ele empurrou a porta do quarto de Caroline e a viu deitada na cama. Seu rosto estava voltado para a janela.
"Caroline?", ele chamou novamente, mas ela não se mexia. Ele se aproximou e a puxou pelo braço. Ela continua sem se mover. Edwin imediatamente entendeu o que estava acontecendo. Ele esticou a mão para sentir sua pulsação, mas o que tocou foi a pele fria e rígida.
Mais de um mês havia passado desde o renascimento de Caroline. Os sindicatos estudantis das três universidades voltaram a realizar os campeonatos. Caroline foi extremamente cautelosa em sua decisão de participar do campeonato de debate.
No entanto, por mais cuidadosa que tivesse sido, ela havia cometido um deslize. Ted Sun e Caroline eram amigos no ensino médio. Atualmente, ele estudava na A City Medical University. No início, na vida passada de Caroline, Ted Sun a convidou para ajudá-lo a se preparar para a competição de debate. Mas então ela conheceu Edwin. Depois de seu renascimento, ele ainda pediu a ajuda de Caroline para se preparar para a competição. Ele até ofereceu dinheiro para que ela não se recusasse a participar.
No início, ela rejeitou a ideia. Ela se gabou do fato de que não poderia ser seduzida por uma quantia tão pequena de dinheiro. Finalmente, depois de muita persuasão, ela concordou em fazer parte do comitê de preparação do debate pelo alto preço de trinta mil.
Como eles tinham que escolher o tema da competição, enviar convites aos jurados, organizar a programação e cuidar de muitas outras coisas, ela frequentemente trabalhava com Ted e os outros até meia-noite. À noite, ela e Ted dormiam juntos no sofá surrado do prédio da união estudantil. Durante todo esse tempo, nenhum deles jamais tentou iniciar o sexo de qualquer forma.
Uma noite, por volta das nove horas, Caroline estava voltando da faculdade de medicina. Ela havia passado os dois últimos dias com Ted e estava tão cansada que quase adormeceu no caminho de volta.
Havia uma pedra enorme no portão da A City Normal University. Talhada nela, o dizer: "A autoridade absoluta dos professores." Assim que chegou à frente da pedra, ela levantou a cabeça e se deparou com Edwin! Os dois estavam a apenas alguns passos de distância um do outro.
Esta foi a primeira vez que ela o viu desde seu renascimento. Quando seus olhos se encontraram, sentiu seu coração parar e seu cansaço se esvair.
Os olhos dele eram tão frios quanto ela se lembrava. Era encantador quando semicerrava seus olhos escuros. Sua aparência frígida o fazia parecer muito bonito. Ela podia jurar que ele era a obra-prima de um escultor. Em sua vida passada, ela havia se apaixonado perdidamente por aqueles olhos. Porém, ela também passou cada um de seus dias procurando, inutilmente, algum resquício de amor neles.
Agora, de frente para ele mais uma vez, seu coração ainda tremia com um desejo intenso. E, assim, descobriu que ainda era louca por ele. Ela abaixou a cabeça e sorriu amargamente ao perceber isso. Ele não havia mudado nada. Suas belas feições ainda estavam intactas. Caroline, no entanto, sabia que não poderia repetir os erros do passado.
Edwin estava parado do outro lado da grande pedra. Seus olhos percorreram o corpo de Caroline. Instintivamente, ela fugiu.
Ela correu até ter certeza de que ele não podia mais vê-la. A atração que sentia por ele era tão forte que, mesmo quando estava longe, ela ainda podia sentir seu olhar penetrante sob sua pele. Ela cerrou os punhos desesperadamente e respirou fundo. Ela já deveria ter desistido de amá-lo, certo? Por que ainda era tão vulnerável a ele? Mesmo depois de tudo, aquele homem ainda a afetava. Caroline tentou se acalmar e lentamente retornou ao caminho de seu dormitório, como se nada tivesse acontecido.
Ela não sabia que, no momento em que Edwin a viu, seus olhos normalmente calmos se acenderam repentinamente, como uma chama selvagem, desesperada e rebelde. Sem se mover nem um centímetro, ele assistiu a sua fuga.
O dormitório de Caroline ficava no terceiro andar do antigo prédio. Ele fora construído na década de 1970, com tijolos vermelhos. Tinha cinco andares no total. As janelas verdes de ferro não eram grandes, e não havia varanda. Choupos verdes decoravam o andar de baixo.
No prédio do dormitório, haviam quartos em ambos os lados. O corredor não era muito claro e os banheiros, onde os alunos tomavam banho, estavam localizados nas extremidades leste e oeste. Cada quarto tinha apenas dez metros quadrados de tamanho. Cada um deles tinha quatro beliches. Debaixo de cada uma das camas havia uma escrivaninha. Além disso, uma pequena mesa foi colocada no canto do quarto para o uso geral dos colegas de quarto.
Caroline era uma pessoa comum comparada às demais meninas do dormitório.
A cama de Shelia Gu ficava ao lado da dela. Até onde sabia, Shelia era uma pessoa completamente diferente dela. Uma menina que nasceu para os homens, e muitos homens diferentes. Ela era boa em fingir ser coquete e fofa para atrair o sexo oposto. E não gostava de Caroline, pois a considerava antiquada. Caroline, por sua vez, não gostava do estilo de vida chamativo de Shelia. As duas, portanto, não costumavam ficar perto uma da outra.
Quando Caroline retornou ao dormitório naquele dia, Sheila era a única pessoa lá. Estava aplicando uma máscara facial. Ela ignorou Caroline e continuou a examinar seu rosto no espelho.
Naquela época, os celulares não podiam ser conectados à internet e Caroline usava um modelo antigo. Depois de entrar no dormitório, a primeira coisa que fez foi ligar o computador de Kristi Qian para que pudesse assistir às notícias do mercado de ações online.
A família de Kristi não estava nesta cidade. Ela era rica e muito generosa. Kristi nunca brigou com seus colegas de classe por causa de coisas materiais que considerava triviais. Ela entendia de negócios e, muitas vezes, chegou a embarcar em investimentos de pequena escala enquanto estava na escola.
Enquanto Caroline olhava para a curva ascendente do mercado de ações na tela, seu coração, que havia acabado de ser atingido por Edwin, se acalmou.
Foi então que o telefone tocou. Ela ficou quieta em seu assento, sem se mover. Shelia estava mais perto do telefone, logo Caroline esperava que ela o atendesse. Todavia, Shelia simplesmente saiu do quarto, com a máscara ainda em seu rosto. Caroline ficou surpresa com seu comportamento. 'Ela é surda ou algo assim?', pensou ela. O telefone continuou tocando. Ela se levantou e atendeu.
"Olá, aqui é Blake Li."
"Ah, Mae não está aqui. Você pode ligar para ela mais tarde", explicou Caroline.
"Não, obrigado. Por favor, apenas deixe um recado para ela por mim. Diga a ela que não acho que somos almas gêmeas. Então, estou terminando o namoro." Ele então desligou o telefone.
Caroline demorou um pouco para entender o que tinha acabado de acontecer. Por que ele pediu a outra pessoa para comunicar o término da relação? 'O que devo fazer? Devo contar a ela sobre isso?', pensou. Antes que pudesse decidir, Shelia voltou.
'Entendi. Ela saiu apenas para evitar anotar o recado. Tanto faz. Não importa o motivo de ela ter saído', pensou.
À noite, Mae Zhou voltou ao dormitório enfurecida. Assim que abriu a porta, gritou para Caroline: "Caroline! O que você disse para o Blake?"
"Ele disse que queria terminar com você", Caroline respondeu impulsivamente, pega de surpresa pelos gritos de sua colega de quarto.
"Não é da sua conta se terminarmos ou não! Quem você pensa que é para se intrometer na minha vida?", gritou Mae. "Que diabos? Do que você está falando?
Está louca? Ele ligou para deixar um recado. O que acontece entre vocês dois não é da minha conta. Eu deveria ter impedido ele de falar?" Caroline não era uma covarde. Ela revidou sem hesitação. "Não desconte sua raiva no mundo inteiro. Entendeu?" Caroline acrescentou.
Mae gritou: "Você deveria ter vergonha! Aposto que está em abstinência de amor! Você quer roubar meu namorado! Não se iluda! Ele nem gosta de você!"
"Não, cale a sua boca! Você deveria ter vergonha da sua mente pequena! Você acha que todo mundo tem esse mesmo gosto estranho que você tem? Nem se eu quisesse, então me poupe!", gritando, Caroline retrucou.
O volume aumentou e logo, as meninas estavam xingando uma a outra. Algumas garotas de outros quartos também vieram assistir ao drama. Durante todo esse tempo, Shelia estava deitada em sua cama, olhando calmamente seu rosto no espelho. Foi só quando Kristi retornou ao quarto que ela deu um fim à briga entre Caroline e Mae.
Naquela noite, Caroline estava furiosa. Ela deixou o dormitório e foi para casa. Não queria dormir no mesmo quarto que aquela garota maluca. Ela estava com medo de não ser capaz de aturar Mae e jogá-la pela janela por conta de sua raiva.
Além disso, também queria discutir negócios com seu pai.
Ela não voltou para a escola até a tarde do segundo dia. Assim que ela adentrou o portão da escola, Ted a parou.
Ele parecia muito ansioso. O menino estava suando sem parar e sua camiseta cinza estava encharcada de suor na frente e nas costas. Ele segurou a mão dela. "Ei! A final começa às 3 horas da tarde. Liguei para você, mas seu telefone estava desligado!"
Foi somente nesse momento que Caroline se lembrou que, naquele dia, aconteceria a competição de debates.