Whitney Qi olhou para o homem alto à sua frente e com um sorriso irônico falou: "Saia da minha frente."
"Ele está muito ocupado de verdade, Whitney. Você pode voltar mais tarde", Ethan Ji respondeu fazendo cara feia, visivelmente envergonhado.
"Saia da minha frente!", a mulher disse levantando a voz. Ela havia estudado música no passado, então sabia quais variações sonoras poderiam irritar uma pessoa.
Como se quisesse competir com ela, outra mulher dentro da sala deu um riso que pôde ser ouvido de longe.
'É isso mesmo, então', Whitney pensou, e olhou com desdém o homem, o empurrando para dentro. Ethan acabou caindo contra a parede, vendo a expressão dela com o canto do olho. Ela não falharia desta vez.
Ao abrir a porta do escritório, Whitney viu uma pequena mulher sentada no colo de Marvin Lan. Ao vê-la, aquela mulherzinha ergueu o queixo e sorriu em sinal de provocação. Marvin segurava um cigarro com uma das mãos, enquanto a outra vagava pelo corpo da garota em seu colo. Ele fingiu não ver Whitney, era como se ela não estivesse lá. Só quando ela se aproximou do casal que praticava atos obscenos, ela ouviu: "Vá embora."
Whitney fingiu não ouvir aquelas palavras e, em vez disso, passou a olhar os seios da mulher, que pareciam exibi-los propositalmente. 'O tamanho é, no mínimo, 34D, não é?', ela disse a si. 'Ela é pequena, mas seus seios são enormes. Ela é bem bonita, é exatamente o tipo de Marvin.'
"Saia daqui!", o homem repetiu cheio de ódio, pois aparentemente a mulher não ouviu suas palavras.
"Saio agora sim, mas só se você desbloquear meu cartão." Seu olhar se desviou da garota e ela o olhou diretamente em seus olhos, insistindo impaciente: "Vamos logo com isso, apenas faça a ligação e não vou estragar sua diversão."
Sua expressão mudou repentinamente e sua voz ficou ainda mais fria: "Então é por isso que você veio aqui, não é?"
"Obviamente. Como eu poderia não fazer um escândalo se você cortou meu dinheiro?"
"Seu dinheiro? Deixemos algo bem claro sobre isso. Essa grana é minha!"
As palavras de Marvin ecoaram pelo escritório e a mulher em seus braços deu um sorriso enquanto foi ainda em silêncio.
Os lábios de Whitney se mostraram irônicos, mas seus olhos brilharam cheios de desprezo: "Bem, não importa o que você diga. Você vai me ajudar sim ou não? Não é que eu não consiga viver sem você. Há muitos homens interessados em mim."
Seus olhos eram tão frios que suas palavras saíram como gelo de sua boca: "Tudo bem, então. Foque com esses homens e me deixe em paz! Vá embora, estou ocupado."
"Vou pegá-los agora mesmo!", ela não estava a fim de discutir mais, então se virou e saiu por onde entrou, seus saltos altos estalando no chão.
Ao longo da discussão, Ethan tinha escutado e sua ansiedade crescia a cada segundo, até que em certo momento ele quase pulou no chão em sinal de frustração. Agora mais do que nunca, ele queria acertar aquele idiota chamado Trent Li, ele desejava nunca sequer ter ouvido nada que viesse daquele tolo. Depois disso, as coisas iam piorar muito e eles sofreriam as consequências.
Ethan se sentiu muito arrependido, e só assistia impotente enquanto Whitney desaparecia no corredor. Então ele se afastou da porta vagarosamente.
Não houve tempo de contar até dez até que um terrível caos estourou dentro do escritório e, em vez de se esconder, correu para fugir do que estava para acontecer.
Enquanto ele assistia Whitney ir embora, o rosto de Marvin tomou uma expressão cada vez mais ameaçadora. A mulher sentada em seu colo parecia ter gostado da experiência, ainda sem se mover. Mas quando Whitney finalmente saiu da sala, ele jogou a mulher que estava em seu colo com força para o lado, e ela caiu no chão longe do homem. Um demônio violento apareceu. Sem prestar atenção na dor de seu corpo ou em suas roupas bagunçadas, a mulher rastejou para fora da sala.
Marvin estava furioso. As veias em suas têmporas estavam dilatadas e um músculo latejava muito em seu pescoço. Ele se levantou, pegou sua cadeira e a jogou contra a mesa com força colossal. Todos os objetos voaram longe e se quebraram em mil pedaços.
Amy Ai, a secretária-chefe, estava na sala ao lado. Ela encolheu seus pequenos ombros, fazendo o possível para controlar seu medo. Ela lutou para focar-se no trabalho, digitando no teclado com dedos trêmulos, mas acabou cometendo vários erros e teve de repetir a tarefa por diversas vezes. Apesar do medo, ela suspirou preocupada com a aparência do material de escritório do presidente, já que ela sabia que teria de ir às compras para substituí-los em breve. Agora que pensou naquilo, esta vez o ataque de fúria parecia ser muito pior e mais repentino do que qualquer outra explosão que seu chefe já teve no passado. A calma que fingia ter desapareceu, então seguiu para fora do escritório como Ethan havia feito anteriormente.
No escritório do gerente geral, Ethan repreendia com firmeza Trent, que corava com a bronca.
"Mas como Whitney não caiu na armadilha e não reagiu como o planejado? Ela e Marvin estavam juntos há muitos anos. Independentemente de terem algum tipo de sentimento, ela certamente sentia um pouco de ciúmes. A não ser que ela realmente... Bom, sim, eu estava errado, foi culpa minha."
Trent continuou resmungando baixinho enquanto Ethan tomava chá sentado de pernas cruzadas.
"Você deveria ter vergonha de si mesmo!" Com xícara de chá na mão, Ethan deu um chute em Trent, nem uma gota de chá caindo da xícara.
Trent se esquivou e sorriu na hora. "Ethan, você é incrível, tem coordenação corporal perfeita e controla sua força bem demais!" Trent disse como elogio.
Ethan só bufou, "Fique quieto!" Então ele virou em direção de Aron Cui. "Você tem de encontrar outra forma, Aron, porque se as coisas continuarem assim, não há esperança de sobrevivermos. Marvin está espantado com todos e não ouso chegar perto dele até que ele recupere a compostura. Se houver novidades, você terá de informá-lo você mesmo."
"O que eu posso fazer?", Aron respondeu ao se recostar e relaxar em seu assento. "Eu disse para você não agir como um louco, mas você não ouve ninguém. Agora você só deixou as coisas muito piores e eles certamente resolverão seus problemas. Então, por que intrometer? Isso quer dizer que quanto mais tentarmos ajudar, pior as coisas vão ficar."
"O mau humor de Marvin já durou mais de uma semana! Você tem de fazer alguma coisa sobre isso, senão só Deus sabe o que irá acontecer." Ethan tomou mais chá e balançou a cabeça.
"Eu realmente não entendo. Se Marvin gosta de Whitney, por que ele não a trata bem? E se ele não gosta dela, por que está assim furioso só porque ela dançou com outra pessoa? O que será que causa tanta raiva assim nele?" Trent tocou o queixo em sinal de confusão.
"Você já assistiu documentários sobre animais selvagens?", Aron entrou na conversa também, com seus braços cruzados. "Não importa a espécie, quando um animal é o alfa do território, ele fica extremamente controlador e, se um intruso invade suas terras para tomar o território, ele vai atacar sem pensar duas vezes. Isso era exatamente o que Marvin era no momento: um animal que tentava proteger seu território de intrusos. Embora ele não sentisse mais nada por Whitney e estivesse cansado dela, ele não permitiria que ninguém mais a tivesse."
"Você acha que ele está cansado dela?", Ethan palpitou na conversa enquanto fumava. "Não, eu não acho que seja isso."
"É, pode ser. Eles estão juntos há três anos e esse foi o relacionamento mais longo de Marvin, então eu não acho que vá acabar assim tão fácil." Trent também opinou no assunto.
"Não acho que vá ser tão fácil assim", Aron disse ao franzir a testa. "Na realidade, é tudo por conta de Whitney. Ela sempre amava outra pessoa e é natural que Marvin não tem paciência. É um espinho que o cutuca há três anos! Além disso, todos nós sabemos de sua personalidade e ele não desiste por nada. Talvez devêssemos deixar Marvin em paz, prestar atenção em Whitney, e encontrar uma maneira de convencê-la."
"Se pudéssemos convencê-la, já teríamos feito algo para resolver, não é mesmo? Eles nasceram um para o outro."
"Se falarmos com ela, não dará certo. Precisamos encontrar Lukas."
"Não diga esse nome! Foi ele quem nos meteu nesse problema."
Ethan estava tremendo tanto que mal podia se conter. "Ele sabia do relacionamento de Whitney com Marvin, mas ele ainda acabou ficando bêbado e estragou tudo! Se Trent e eu não o tivéssemos arrastado de lá, você sequer imagina o que teria acontecido?"
"É por isso que o culpado deve resolver os problemas que causou. Deixe-o resolver todos os problemas causados."
"Eu não sei, é que Whitney o trata melhor do que a todos nós, mas eu duvido que ela o escute."
"Ele pode fingir que é daquele jeito para ela sentir pena dele. As mulheres são sensíveis por natureza, e isso com certeza dará certo!"
"Bom, vamos fazer isso!" Ethan concordou com a cabeça. "Por mais vivaz que Lukas seja, sei que ele também não quer ficar preso para sempre. Eu sei que ele ficará feliz em vir conosco e fazer o que for necessário para estar livre."
Depois de ouvir a voz ridícula de Lukas falando ao celular, Whitney quase podia imaginar o quão miserável o rapaz da família Qin devia parecer.
Quando ela o viu pela primeira vez, ela ficou sem palavras e se lembrou que alguns homens eram tão femininos quanto mulheres. Lukas tinha pele bonita, olhos profundos amendoados e cabelos sedosos que caíam sobre os ombros. Além disso, uma delicada cruz de prata estava em uma de suas orelhas. "Você é uma mulher que finge ser homem?", ela lembrava do momento em que perguntou sem pudores.
Ela sabia que, se Marvin não estivesse lá, Lukas teria se ofendido e ficado bravo com ela. Em vez daquilo, ele apenas olhou Whitney.
No entanto, de alguma maneira, eles se deram tão bem que, depois daquele incidente vexatório, conseguiram desenvolver uma bela amizade. Lukas era um homem atencioso e sensível que se importava com sua pele, o que significava que eles tinham muitas coisas em comum. Além disso, como Whitney não tinha muitas amizades na cidade, logo os dois viraram melhores amigos. Às vezes, ela até conseguia convencê-lo a vestir um vestido e ir às compras de mãos dadas com ela.
Whitney desligou e deu um suspiro. 'Nós apenas tomamos vinho e depois, se abraçamos e dançamos. Qual é o problema nisso?' Ela não se importava que Marvin não acreditasse nela, mas ao pensar que ele nem mesmo confiava em seu amigo ... Que homem terrível!
Marvin era indiferente, arrogante e narcisista, não importava se estava indo bem ou mal. Não estaria exagerando em dizer que realmente se considerava um rei. Whitney decidiu não agradá-lo, mas Lukas implorou sendo dramático como se ele estivesse tão preocupado que nem conseguia comer nos últimos três dias. Além disso, ele havia sido ameaçado de que, se retornasse à empresa, o pessoal de Marvin o espancaria até a morte.
Whitney duvidava que isso realmente aconteceria, certamente eram apenas ameaças vazias, feitas em momentos de raiva. Normalmente ela não se incomodava com essas bobagens, afinal se mudou e não tinha motivo para encontrar Marvin. Os dias passaram, como de costume.
Porém, ela entendeu que não poderia dizer o mesmo de Lukas, já que ele se importava com Marvin mais do que com qualquer outra pessoa. Não era correto deixá-lo sozinho para resolver aquele dilema.
Whitney estava muito chateada ao pensar como as coisas estavam saindo, então ela pegou um travesseiro e o bateu contra a cama várias vezes até que as penas voaram por todo o quarto. Depois de algum tempo, ela parou e sentou-se por um pouco para ver as penas flutuando no ar à sua frente. Então ela decidiu fazer suas malas.
Enquanto isso, Marvin dirigia seu carro em direção à sua casa quando viu um pequeno veículo branco estacionado perto da garagem. Rapidamente ele pisou fundo no acelerador, deixando uma nuvem de poeira subir em seu rastro, manobrando e estacionando ao lado do tal carro branco.
Como se adivinhasse, Benson Dong, o mordomo, desceu correndo os degraus da frente da residência. "Senhor, a senhorita Whitney está de volta", ele sorriu para seu chefe e dono da casa.
"OK." Marvin jogou-lhe as chaves e deu dois longos passos para frente, porém repentinamente voltou-se ao mordomo novamente. "Ela retornou e não trouxe nada consigo?"
"Ela trouxe suas malas, senhor. Eu a ajudei a carregar as coisas dela para o quarto", respondeu Benson, seu rosto mostrava contentamento. Ele tinha vivido em verdadeiro inferno durante os últimos dias, e o retorno de Whitney foi como um alento para todos os funcionários da casa. Até Marvin parecia contente ao ouvir as novidades.
Marvin entrou na sala no momento em que Whitney descia as escadas, e ela deu um ligeiro sorriso quando o viu. "Você está de volta."
"Sim", disse ele. 'Como? Você voltou correndo porque não encontrou outro homem?', queria dizer sarcasticamente, mas ficou quieto, embora não tivesse certeza da razão.
Ela também estava um tanto surpresa por ele não ter feito algum comentário sagaz, então o alívio a invadiu e esta vez ela sorriu com sinceridade. "Vá se lavar e venha jantar."
Marvin acenou com a cabeça, olhou para ela por alguns momentos e subiu as escadas. Sem mais nem menos, não sabendo bem o que estava fazendo, Whitney foi atrás dele.
Porém, ela logo se arrependeu quando entrou no quarto, já que ela conhecia o olhar que recebeu naquele momento.
Não... Whitney virou-se para poder escapar, mas Marvin a pressionou contra a parede com seu corpo.