- Eu não te amo Thiago!
- Não preciso do seu amor._ Fala calmo. - Você aqui comigo já é o bastante.
- Você é louco!_ Corro até a porta forçando a fechadura. _ Ele me agarra por trás e me joga na cama.
- Você só vai sair daqui, depois que disser aceito!
- Eu não vou casar com você!
Possessão é o que me domina. E o que eu quero eu consigo!
_ A primeira vez que a vi, algo em mim mudou senti uma euforia coisa que a muito tempo não sentia. Ela seria minha tudo iria durar apenas uma noite, mas fui rejeitado. Um ano inteiro tentando separa-la do meu maior inimigo. Meu irmão!
Quando meus dedos a tocaram aí sim eu soube que seria para SEMPRE!
- Porque eu?
- Porque você é minha, Somente MINHA!
Nunca imaginei que passaria por isso. Ter a atenção de um cara totalmente obcecado por você não é nada bom! O meu coração está em pedaços, sacrificar um amor para não perder outro foi a escolha que ele me deu. Na verdade não tive nem escolhas era da vida da minha mãe que ele estava falando. E por ela eu sou capaz de tudo! Até mesmo sacrificar a minha própria FELICIDADE!!
Verão.
Carolina Gonzalez.
Chego em casa cansada de mais um dia de trabalho. Passo pela porta e sinto o cheirinho de bolo vindo da cozinha. Meu estômago ronca e eu vou direto para lá deixando minha bolsa jogada em cima do sofá.
- Boa noite mãe._Saúdo, e beijo seu rosto. - Hum... Bolo de chocolate, estou morta de fome. _ Pego um prato e uma espátula para retirar um pedaço.
- Parada aí mocinha!_ Paro no lugar e a minha mãe retira o bolo da mesa. _Faço cara feia. - Não adianta fazer cara feia. _ Diz colocando o bolo em cima da bancada. -Esse bolo é só pra depois do jantar!
- Nossa mãe era só um pedacinho._ faço bico.
- Já disse só depois do jantar._ Faz uma cara que não decifro o que é. Então pergunto.
- O que de tão especial, terá depois do jantar?
- Surpresa!_ Responde feliz. - Vai tomar um banho, enquanto eu coloco a mesa.
- Eu ajudo!_ Me olha brava.
- Carolina!_ Ralha como se eu fosse uma criança de apenas 5 anos.- Me obedeça, e vá tomar o seu banho!
- Está bem!_ Levanto às mãos em rendição.- Eu só queria ajudar. _ Saio da cozinha e pego minha bolsa na sala. E ela grita da cozinha.
- E sem banho demorado, ou o jantar esfria! _ Entro no meu quarto, me livrando das peças de roupa._ Minha mãe é uma comédia.
Nossa casa é simples e contém poucos cômodos. Uma sala três banheiros, um em cada quarto e um no final de um pequeno corredor, uma cozinha e um pequeno, mas fantástico quintal, cheio de pés de frutas, a mangueira e a goiabeira são os meus favoritos.
Somos apenas nos duas desde os meus quatorze anos. O meu pai, faleceu em um acidente de carro, deixando para nós duas, apenas uma casa aqui em Hallsburg. A minha mãe até tentou se apaixonar novamente, ela saiu com um homem que não tinha o rosto tão amigável. Ele me dava medo! E eu tinha razão... No começo do relacionamento tudo era flores, mas depois os espinhos vieram e a minha mãe sofreu muito.
Então por escolha dela, resolveu ficar sozinha._ Depois da morte do meu pai, as dificuldades que já não eram poucos se multiplicaram, então quando completei dezesseis anos comecei a trabalhar. A minha mãe não queria deixar, ela estava quase se matando para me sustentar, insisti muito eu queria ajudar. E para minha alegria ela concordou com a condição que, eu não deixasse que o trabalho atrapalhasse o meu desempenho escolar. E assim seguimos a nossa vida. _ Com boas notas completei o ensino médio e graças a Deus ganhei uma bolsa de estudos e comecei a fazer a minha faculdade. E o próximo ano será o meu último. Meu sonho sempre foi estudar em L.A, mas não conseguiria por não ter dinheiro suficiente para pagar. Enviei várias cartas junto a coordenação pedindo transferência e nunca consegui. Agora prestes a formar não sei se quero ir mais.
Aqui em Hallsburg eu sou feliz! Tenho minha mãe o bem mais precioso, que eu tenho na vida.
- Pronto cheguei._ Digo para minha mãe. Me sento a mesa.
- Pontual como sempre minha filha._ Começa a colocar comida em meu prato.
Começamos a comer e durante o jantar conversamos sobre vários assuntos. Inclusive sobre o último ano de faculdade que vou começar mês que vem.
- Eu tenho muito orgulho de você meu amor._ Se levanta e vai até o armário, pega o bolo e também um envelope azul marinho._ Me entrega.
- U.N.L.A? Mãe eu não acredito!
- Abre filha!_ Ela diz.
Meus olhos se enchem de lágrimas.
- Eu fui aceita mãe. Eles aceitaram a minha transferência _ Nos abraçamos.
- Finalmente minha filha, você conseguiu!_ Diz eufórica, mas o seu semblante triste a entrega.
- Eu não irei!_ Me olha confusa.
- Como não vai? Você sempre quis estudar em Los Angeles, e agora vai desperdiçar essa chance?
- Eu não vou mãe, tá decidido! Não vou deixar a senhora aqui sozinha._ Jogo o envelope sobre a mesa.- Quando pedi transferência a senhora estava com planos de ir pra lá, mais agora não. Já passou muito tempo! _Saio da cozinha ignorando os chamados dela. _ Sento no sofá emburrada.
Minutos depois...
- Toma, você queria tanto, e nem comeu._ Me entrega o bolo em um prato._ Noto o envelope em sua mão, mas não falo nada.
- Filha, sei que provavelmente sabe sobre o que quero falar, e não quer saber do assunto, mais mesmo assim eu vou falar._ fico calada. - Durante todos esses anos eu vi você lutar, para que tudo o que você é fosse reconhecido por alguém. Que fosse valer a pena. E valeu! _ Pega meu queixo e vira o meu rosto para ela.
- Eu te amo meu bem, você é a minha única família. Eu vou morrer de saudade, mais jamais meu amor vou deixar que desista dos seus sonhos, por mim!_ Começo a chorar.
- Sempre estarei aqui meu amor... Independentemente aonde estiver, seja aqui ou do outro lado do mundo. Sempre serei sua mãe!
- Eu não vou conseguir ficar lá, sem você!_ Pego as suas mãos.
- É claro que vai Carolina! Você é uma Gonzalez! É forte, guerreira. Você consegue!! _ Diz com convicção.
- Promete que vai ficar bem?_ Ela assenti. - Te amo mamãe! _ Sorrio e deito no seu colo.
"Eu vou conseguir!"
Aeroporto nacional de Hallsburg. 06:30 da manhã, 3 semanas depois.
Carolina Gonzalez.
- Promete pra mamãe que vai se cuidar minha filha, comer certinho, dormir na hora certa. _ Minha mãe pede chorando.
- Vou mamãe. E a senhora também se cuide viu dona Carmem!_ Seguro às lágrimas, não quero ver a minha mãe mais triste do que já está.
- Aí, minha menina, vem cá._ Me puxa para mais um abraço.
Passageiros com destino a Los Angeles, Estados Unidos. Embarque imediato no portão seis. _ A voz do auto falante no aeroporto anuncia pela segunda vez.
-Você precisa ir minha filha.
- Aí mãe, tem certeza que vai ficar bem? E se eu não conseguir?_ Falo.
- Carolina eu já te disse não tem essa se eu conseguir. Você vai conseguir!! Termina essa faculdade mostra para todos aquelas pessoas que você pode, que você é uma Gonzalez! Por nós duas, pelo seu pai. Por você!!
- A benção mãe._ Peço lhe estendendo as mãos.
- Deus lhe abençoe e proteja sempre minha filha!
Vou até o portão de embarque. Com apenas uma mochila nas costas; minhas malas já tinham sido despachadas. Entrego a passagem e o passaporte para moça._ Ela me entrega e assenti. Me viro para minha mãe e movo meus lábios dizendo um " eu te amo" para que só ela entendesse. E ando pelo um longo corredor até chegar no avião. Los Angeles, aí vou eu!
Entro no avião e me acomodo em minha poltrona, coloco minha mochila no chão e retiro meu notebook, os fones. Tenho que me distrair afinal são 10 horas de viagem até Los Angeles, e eu tenho pavor de viajar de avião.
O meu lado esquerdo está vazio e uma poltrona ao lado da que está vazia uma velhinha se senta. Quando penso em destravar o cinto para me sentar na outra poltrona uma garota de cabelos ruivos se senta. Meu sangue gela com a possibilidade de viajar tão próxima a janela.
- Moça?_ Chamo a garota. E ela me olha. - É a primeira vez que viajo de avião, e eu tenho um certo pavor. Será que, se não for incômodo é claro, você poderia trocar de lugar comigo?
- Claro que posso, sei bem como é se sentir assim.
- Muito obrigada. _ Troco de lugar com ela.- A propósito meu nome é Carolina. _ Estendo a mão. Ela pega.
- Natasha. Prazer em te conhecer, Carolina!_ Sorrio.
- Como pode ter tanta calma dentro de um avião?
- Já viajei muito, desde novinha. E além do mais, meu pai é o dono da companhia aérea, e acho que ele não vai querer que a sua única filha morra em um acidente de avião.
- Seu pai é o dono? E porque a filha do dono está na econômica?
- A primeira classe está cheia, meu pai queria tirar alguém de lá para mim, mas eu não quis. Afinal qual o problema de viajar na econômica? _ Explica.
- Verdade! Já gostei de você!! _ Rio.
- E eu ainda mais. Então Carolina o que vai fazer na grande Los Angeles? Porque pra sair de uma cidade maravilhosa como essa algum motivo deve ter!
- Estou indo para lá terminar a faculdade consegui transferência depois de tanto tentar. _ Fico triste.
- Porque essa carinha?
- Minha mãe, tive que deixar ela para trás. Não é fácil deixar ela aqui, mas sobreviver em Los Angeles não será fácil para uma pessoa; imagina duas.
- Imagino. Em que faculdade vai estudar?
- Na U.N.L.A!
- Sério?_ Pergunta com alegria. - Eu também estudo lá, estou no meu último ano de arquitetura.
- Que legal, agora já tenho uma amiga para arquitetar o meu consultório quando for médica.
- Medicina? Uau!! Parabéns.
- Obrigada, me orgulho muito de estar seguindo um sonho que não é só meu mais do meu pai e da minha mãe também!
- Ei, você vai conseguir; mais vamos mudar de assunto!_ Pede. - Onde você vai ficar quando chegar lá em Los Angeles?
- Vou ficar em um hotel por hoje, e depois procurar uma pensão. Tenho um pouco de dinheiro que vai me ajudar por um tempo até achar um emprego.
- Hotel? Não acho uma boa ideia.
- Porque?
- Hotel em Los Angeles custa muito caro. Já sei porque não fica comigo lá em casa?
- Não, que isso você acabou de me conhecer. O que os seus pais vão achar quando eu chegar lá, uma total desconhecida!
- Mas eu te conheço, e os meus pais quase não ficam em casa!
- Mesmo assim Natasha, não vou me sentir confortável!_ Falo e ela fica calada, será que fui grossa?! - Natasha eu...
- Já sei! _ Não termino porque ela praticamente grita assustando não só a mim, mas também todas as outras pessoas que estavam, inclusive dormindo.
-Natasha você acordou as pessoas!
- Desculpa pessoal. _ Ela fala alto para que todas as pessoas ouvissem.
- Louca. _ Sorrio e dou um soquinho em seu braço.
- Tá, mas me deixa falar. _ Assinto. - Eu tenho um apartamento em Los Angeles que ganhei dos meus pais. _ tento falar, mas ela não deixa. E continua. - Você pode ficar lá, o apartamento está todo mobilhado eu só vou pra lá às vezes. Você só vai se preocupar com o que comer já que meu pai paga todas as contas do apartamento.
- Natasha...
- Só aceita tá bom, orgulho não vai te levar a nada!
- Obrigada Natasha.
- De nada! E pra você é Naty! Amigos não se tratam com formalidade assim! Amigas?
- Amigas! _ Um acordo é selado entre nós naquele exato momento, uma linda e maravilhosa amizade começava ali.
Horas depois...
Senhores passageiros apertem os cintos. Aterrissaremos em breve na cidade de Los Angeles, Estados Unidos da América. Sejam bem vindos!!