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Amor Perigoso - Mafia

Amor Perigoso - Mafia

Autor:: Lia Oliver
Gênero: Romance
Quando o impiedoso chefe da Máfia Capital envia seu filho, Damiano Mazzini, para cobrar uma dívida, ele não faz ideia de que essa missão desencadeará uma série de eventos que mudarão sua vida para sempre. Victoria Moretti é uma jovem estudante de medicina, animada para passar as férias da faculdade com seus queridos pais. No entanto, ela não imagina que esse reencontro familiar se transformará em um pesadelo quando sua casa é invadida por criminosos impiedosos, deixando seus pais reféns. Movida por uma coragem surpreendente e altruísmo, Victoria se oferece para tomar o lugar de seus pais como garantia na dívida. É assim que ela se vê no centro do perigoso mundo da Máfia, presa em uma mansão sombria e imponente. Enquanto Damiano obedece às ordens de seu pai, ele não consegue ignorar a presença cativante e corajosa de Victoria. Intrigado pela bela ruiva de cabelos longos, ele é confrontado com sentimentos conflitantes em meio à vida criminosa que ele sempre conheceu. À medida que o tempo passa, os dois são envolvidos por uma teia de segredos, traições e paixão proibida. Em meio ao perigo iminente e ao caos, Damiano e Victoria são forçados a confrontar seus desejos mais profundos, redescobrindo o significado do amor e da lealdade em um ambiente repleto de perigos mortais.

Capítulo 1 Pesadelo

Sem imaginar o terror que acontecia na casa onde passou sua infância, Victoria estava sentada no banco da praça onde costumava ir acompanhada de seus pais quando criança.

Já que seu voo decolou um pouco mais cedo, ela decidiu aproveitar um pouco do clima agradável antes de ir até a casa onde seus pais moravam.

A falta de pressa não era sem explicação, já que chegando de surpresa em Luca, uma pequena cidade na Itália, Victoria sabia que a essa hora seus pais ainda estariam na fábrica de tecidos onde trabalhavam.

Com calma, ela percorreu pelas ruas onde cresceu, sentindo as memórias a visitarem de forma vívida mesmo após tanto tempo. Apenas quando suas pernas se cansaram, ela decidiu ir até a casa de seus pais para descansar das longas horas em que passou apertada no assento do avião.

Tudo parecia normal. Os vizinhos continuavam silenciosos, e as flores do jardim em frente a casa onde cresceu continuavam bonitas e aparentes, exibindo o extremo cuidado que seu pai tinha com as suas preciosas plantas.

Os passos arrastados de Victoria demoraram a alcançar a entrada, e talvez, devido ao seu cansaço, ela tenha demorado demais a notar que havia algo de errado.

A porta entreaberta a surpreendeu, a fazendo acreditar que seus pais, por algum motivo, teriam chegado mais cedo em casa. Porém, sua intuição só a alertou sobre algum perigo, quando ela avistou pequenas machas vermelhas espalhadas pelo carpete que cobria o chão.

Talvez a atitude mais lógica fosse sair dali o mais rápido possível e acionar a polícia. No entanto, quando pensou na possibilidade de seus pais estarem feridos, ela jogou ao chão todas as bolsas que segurava com firmeza, correndo o mais rápido que pôde até o quarto, que para a sua surpresa, estava vazio.

Confusa, ela observou todos os cômodos vazios até perceber o barulho que vinha da cozinha.

E nesse momento, Victoria o viu pela primeira vez.

Escondida atrás da parede que separa a sala e a cozinha, ele não a enxergou de volta. E assim Victoria permaneceu, estática, o observando enquanto pensava em qualquer tipo de atitude que pudesse tomar para manter seus pais seguros.

Ele estava parado, com o corpo apoiado sobre a ilha, exibindo uma expressão nada agradável em seu rosto. Alguns fios soltos de seu cabelo longos caíam sobre suas bochechas, e ele continuava a encarar com ódio o celular em suas mãos.

Quando os olhos de Victoria seguiram mais a frente, ela viu seus pais.

Seu corpo automaticamente desabou sobre o chão marcado com o sangue despejado anteriormente, sem conseguir forças para se manter intacto diante de uma cena tão difícil.

Ela os viu amarrados um ao outro, chorando copiosamente ao mesmo tempo que pediam para terem as suas vidas poupadas.

Infelizmente, estavam buscando misericórdia em uma fonte vazia. Vez ou outra, os olhos negros do chefe que os mantinha ali os encontrava, dispersando rapidamente ao exibir um sorriso ladino no canto de sua boca.

Ele parecia se divertir com a situação, e isso deixou Victoria enojada.

Tentando pensar de maneira lógica, ela decidiu aproveitar a sua invisibilidade diante dos homens que os mantinham como reféns e correu até a porta, fazendo o mesmo caminho que usou para chegar até lá. Desesperada, continuou buscando o celular dentre as peças de roupas emboladas em sua bolsa, e no momento em que viu uma luz no fim do túnel ao observar a tela acesa no fundo da mala, toda a sua esperança se esvaiu.

Um homem magro e esguio surgiu em sua frente, surgindo pela porta de entrada, sorrindo maliciosamente ao vê-la com lágrimas nos olhos.

Ele agarrou seu braço sem qualquer gentileza, a arrastando até a cozinha. O sorriso em seu rosto fazia parecer que ele havia ganhado um prêmio, e de fato, ele tinha motivos para estar contente.

- Chefe! - Ele gritou animado antes de continuar - Achei isso aqui na porta de entrada.

Os pais de Victoria se desesperaram no momento em que enxergaram sua filha indefesa nas mãos de um marginal como aquele, e, ao mesmo tempo, os olhos dele se acenderam.

Ele a fitou atentamente, a observando espernear e se debater contra o chão, dificultando o trabalho do capanga que a manteve sob o seu controle.

Indignado, ele se aproximou, dando passos lentos e intimidadores em direção à ruiva, que permaneceu caída no chão.

- Se levante! - Ele ordenou, fazendo Victoria estremecer ao ouvir o tom grave de sua voz - Está surda? Se levante agora! - Dessa vez, ele sacou sua arma de calibre 380 em direção a jovem que, por fim, acatou a sua ordem.

Ela se levantou com dificuldade, sentindo suas pernas bambas pelo terror que sentia naquele momento. Desajeitada, arrumou seu vestido branco que insistia em subir todas às vezes em que ela se movia. O líder dos outros homens seguiu o movimento de suas mãos puxando o tecido do vestido justo, e o sorriso malicioso que surgiu em seu rosto fez Victoria temer imaginar o que se passava em sua mente naquele momento.

- Por favor, não os machuque - Ela pediu com a voz baixa e receosa, notando um sorriso largo surgir na face dele.

Ele não respondeu, apenas seguiu em sua direção, segurando seu rosto com uma força desproporcional.

- Quem te deu permissão para falar, putinha? - suas palavras fizeram Victoria querer cuspir em seu rosto. No entanto, ela precisava pensar com sabedoria. - Já que você quer salvar seus pais, o que me propõe em troca? - O moreno perguntou maliciosamente.

- Faço o que for preciso. - Ela respondeu com a voz trêmula, assistindo os olhos de seus pais saltarem de preocupação.

- Está disposta a qualquer coisa? - Ele perguntou antes de continuar. - Seu pedido é uma ordem, princesa. Você vem comigo.

O homem arrastou o aço frio da arma que empunhava com firmeza sobre a pele sensível de Victoria. Ela não debateu, apenas aceitou o destino que a escolheu naquele exato momento.

Pensando no bem de seus pais, ela fez o que achou necessário, e estendeu sua mão trêmula em direção ao homem que a devorava com os olhos desde o momento em que a viu pela primeira vez.

O sorriso que ele exibiu em seu rosto não transmitia felicidade. Era óbvio para Victoria que ele não passava de um sádico, que naquele momento, encontrou um novo brinquedo para se divertir.

Capítulo 2 O Que Poderia Dar Errado

Antes

O cheiro de formol, as paredes exageradamente brancas, e a luz forte iluminando o local, pareciam a fórmula perfeita para causar uma baita dor de cabeça em qualquer um que estivesse presente. Os alunos assistiam atentos enquanto a professora de anatomia retirava o fígado do cadáver em decomposição, deitado na mesa fria de metal, exposto como se fosse uma mercadoria. Ainda que a experiência servisse para fins educativos, era difícil não imaginar que esse corpo era uma pessoa. Que tinha sonhos, objetivos e até uma família.

As reflexões profundas de Victoria a fizeram perder completamente a concentração, tornando difícil a tarefa de prestar atenção na aula extremamente importante. A maioria dos alunos tinha um olhar vago, prestando atenção em qualquer ação que acontecia através da janela que dava para o campus. Porém, Victoria não poderia se dar a esse luxo.

Como bolsista em uma universidade de renome, é necessário se esforçar pelo menos três vezes mais do que a maioria. E, sinceramente, todo mundo sabe que basta um contato privilegiado na diretoria para conseguir uma bolsa, ainda que as listas estejam preenchidas. Nada que uma boa quantia colocada como doação para a universidade possa resolver.

Por conta disso, os pais de Victoria sentiam muito orgulho de sua filha. Sabiam exatamente o quanto era necessário de seu esforço para que entrasse em uma universidade por conta própria. Fizeram de tudo para juntar o valor das mensalidades de todo o semestre, ainda que isso os causasse um grande rombo em suas finanças.

Foi por um bem maior, como o pai de Victoria dizia a todo momento.

A jovem se sentia mal em gastar toda a economia dos pais que trabalhavam com muito afinco na fábrica da família, de domingo a domingo. No fundo, esperava ansiosamente para o dia que pudesse retribuir todo o investimento que eles estavam fazendo em sua carreira.

Podia se dizer que Victoria era uma das melhores alunas da turma, ainda que sentisse certa dificuldade em se destacar com seus ensinamentos vindos da rede pública de ensino, que infelizmente era inferior, em comparação com os preparatórios que seus concorrentes tiveram oportunidade de participar. Todavia, amava a profissão que havia escolhido.

Mesmo que ainda faltasse muito tempo para poder exercer seus conhecimentos da faculdade de medicina, sabia que faria o melhor que conseguisse.

Era algo notável, tendo em vista as noites que passava em claro estudando, evitando todas as festas universitárias famosas no campus.

Suas duas colegas de quarto, Marina e Clara, sabiam muito bem que qualquer convite que fizessem, seria recusado instantaneamente.

Porém, para elas, não custava tentar.

À noite, enquanto estava sentada folheando algum livro que pegou emprestado sobre a aula de Anatomia, Victoria ouviu suas amigas cochichando do outro lado do dormitório enquanto olhavam em sua direção.

Não precisou de muito esforço para saber do que se tratava.

Era fim de semestre, e todas as fraternidades estavam dando incontáveis festas antes que chegassem as férias. Todos estavam ansiosos em voltar para as suas casas luxuosas, ou até mesmo planejando viagens com seus amigos. Porém, Victoria estava frustrada em voltar para a Itália, mesmo que soubesse que a saudade de seus pais aumentava cada dia mais.

A ruiva sempre gostou de estar em um ambiente diferente, tendo contato com todo tipo de pessoa possível. Já em Luca, não sentia as mesmas emoções que podia vivenciar atualmente, mesmo que a província fosse adorável. Até o ar era diferente, de uma forma inexplicável.

O custo de vida alto, além da necessidade de estudar o dobro de seus colegas de classe, era o maior empecilho para que não aproveitasse tudo que Londres tem a oferecer.

Viver sem dinheiro não é uma opção, nunca foi, então Victoria estava determinada a conseguir um emprego no próximo semestre. Estava aberta a tentar quase tudo, menos o que uma colega de turma sugeriu quando a ouviu conversar com Marina sobre o assunto.

A menina loura, alta e de olhos verdes como o mar, tinha a aparência de uma modelo da Victoria's Secrets. Ninguém poderia imaginar que fora sua ocupação com a faculdade de medicina, sua principal atividade era a prostituição.

Não do tipo comum que as pessoas marginalizam, era algo diferente.

Como tudo na vida desde a criação humana, as coisas evoluem, e com essa profissão pode-se dizer que aconteceu o mesmo. Existem agências virtuais que aceitam cadastros, e após uma rigorosa seleção, a pessoa é "contratada" para certos serviços.

Tudo de forma disfarçada, claro.

O que não se sabe, é que o maior cliente não é o marido entediado com a vida suburbana, e sim o CEO de alguma empresa milionária, que gosta de se divertir com garotas de luxo.

É horrível, mas as pessoas tendem a demonizar tudo que não envolve pessoas de "classe alta" no meio de toda a sujeira. Típico.

Mesmo declinando a oferta imediatamente, a cabeça de Victoria quase explodiu ao ouvir os números que caíam na conta bancária de Alexa.

O valor era inimaginável para a ruiva, e ver a forma que os números não impressionam suas colegas de classe, a fez enxergar a tamanha desigualdade social que estava inclusa.

Sempre no mundo da lua, não notou que suas amigas chamavam seu nome, ainda envolta em uma teia com seus próprios pensamentos. Em meio a tantas preocupações, eram como uma fuga da realidade estarrecedora.

- Victoria? - Clara se aproximou, passando a mão em frente ao seu rosto vidrado em um quadro na parede oposta.

- Hã? Oi, o que foi? - respondeu, saindo de seu transe.

- Eu sei que você vai dizer não, mas vou implorar mesmo assim. Vai com a gente na festa da Liz? É a melhor festa do campus, juro que vai ter muito menos homem chato do que a última! - Victoria tentou se concentrar nas palavras que saíam da boca de sua amiga, mas falhou completamente ao notar que havia fitas coladas em seu rosto.

- O que são essas coisas na sua sobrancelha? - perguntou, tocando sutilmente o rosto arredondado da loura.

- Marina! Você disse que não dava para enxergar - Clara gritou, antes de correr para frente do espelho - Tá muito esquisito, vou ter que tirar.

- Desculpa, eu tô sem óculos. Juro que não enxerguei. - Alcançando seus óculos na bancada ao lado do beliche, Marina se juntou a Clara em frente ao espelho, dando uma risada escandalosa ao notar as fitas obviamente aparentes em sua testa.

- Afinal, qual a função disso? - Victoria voltou a perguntar, curiosa, mesmo sabendo que seria alguma ideia boba.

- É para afinar o rosto, vi que funciona.

- Ela fica vendo tutorial de maquiagem e quer reproduzir tudo. - Marina respondeu, recebendo um tapa em seu braço.

- Não explana meus truques - A morena bufou, irritada, antes de voltar seu olhar para Victoria - Então, Sra. Livros. Sim ou não?

- Não. - retrucou.

- Dessa vez não aceito um não. Se você for, eu lavo suas roupas por um mês. - Marina ofertou, sabendo que seria algo que a faria pensar, tendo em conta de que era uma das atividades menos favoritas de Victoria.

Coçando sua testa, presa em uma dúvida cruel, Victoria não viu um vestido preto se aproximar de seu rosto, antes de atingir sua bochecha direita com mais força do que esperava.

- Porra! Doeu. Por que fez isso? - Ela jogou o vestido de volta para Clara, tentando retribuir a força com que foi atingida.

- Para você se trocar, linda. Vai com essa roupa de tia dos gatos?

- Eu não aceitei ainda - retrucou novamente.

- Para de doce, vou ficar sentada aqui até você se arrumar - A morena juntou seus cabelos longos e ondulados em um coque, tentando consertar a maquiagem que havia dado errado.

- Vocês são insuportáveis. - Victoria bufou, antes de ir para o banheiro com o vestido pendurado em seu ombro.

Se olhando no espelho, percebeu haver meses desde que se arrumou daquela forma. Suas olheiras cobertas pela base uniforme, junto da leve sombra espalhada razoavelmente bem em sua pálpebra e um blush rosado, deram uma aparência melhor do que exibiu em dias. Teria que admitir que sua rotina não estava saudável, afinal, nada em excesso faz bem.

Victoria decidiu então tirar proveito da coação de suas amigas e se divertir, pelo menos durante uma noite.

Afinal, o que poderia dar errado?

Capítulo 3 Antes De Tudo Mudar

Sempre que aceitava sair de casa, Victoria se arrependia momentos após chegar no local. Dessa vez não foi diferente. Olhando rapidamente ao redor, era possível ver mais de dez infrações cometidas em um curto espaço de tempo.

Por sorte, Liz era filha de uma das maiores contribuintes em doações da universidade.

Ela tinha pele negra, tranças vermelhas que iam até sua cintura, roupa preta de tecido semelhante a couro, a tornando a atração da festa. E não seria por menos, Liz estava estonteante.

Victoria tentava conter suas risadas ao ouvir por diversas vezes Marina afirmar que tinha certeza de sua heterossexualidade, até conhecer a anfitriã da festa.

Clara, por outro lado, estava distraída beijando algum desconhecido que estava parado ao lado das bebidas. Não podia perder tempo, queria aproveitar a noite da melhor forma possível.

Aproveitar é um termo muito particular de cada pessoa. Para Clara, era beijar o máximo de bocas possível. Já para Marina, era aproveitar o tempo de maneira agradável, conhecendo pessoas interessantes e tendo longas conversas existenciais.

E para Victoria, era utilizar o tempo da melhor forma que pudesse para finalizar qualquer coisa que precisasse fazer. Odiava ter pendências.

Em suma, estar ali era uma grande perda de tempo, se considerar que a festa, para seu gosto pessoal, nada tinha de interessante.

A todo momento, pensava que poderia estar utilizando as horas perdidas para se atualizar nas matérias que tinha mais dificuldade, como Bioquímica e Biofísica.

Se sentindo sufocada com a enorme quantidade de fumaça ocupando o local, Victoria seguiu até a área externa atrás da casa, observando haver apenas uma pessoa próximo à fonte que fica centralizada no jardim.

Sem a intenção de incomodar, se encostou próximo a uma pilastra em frente a grande porta de madeira, tentando fazer algum proveito das fotos das matérias em seu celular, ainda que fosse difícil se concentrar com o tipo de música que tocava.

O homem observou a ruiva em frente a porta, a analisando detalhadamente, de cima para baixo. Ele estava formal demais para uma festa universitária, o que causou o estranhamento da jovem. Porém, decidiu ignorar o sujeito, focando em suas anotações.

Em um certo momento, se deu conta do comportamento estranho do homem que a fitava, sentindo sua espinha gelar. Os olhos fixos em seu rosto, passeando por seu corpo vez ou outra, junto de um sorriso cínico, foi o suficiente para a deixar receosa.

Voltou para dentro da casa, buscando suas colegas de quarto.

No entanto, falhou ao não ver Marina e Clara presentes no local.

Sua primeira reação foi ir até o banheiro e aguardar para que fosse seguro ir para o dormitório, mesmo que a ideia de seguir sozinha no caminho deserto do campus não fosse a melhor das hipóteses.

Após alguns minutos, se sentiu confiante para sair do local apertado, com o olhar passeando entre as pessoas bêbadas se jogando umas nas outras ao som da música estridente. Mais uma vez, sem sinal de ambas.

Victoria sentia como se a festa já estivesse acontecendo há uma eternidade. A dificuldade em passar pelas pessoas aglomeradas no caminho, tornava a situação ainda mais sufocante. Era desesperador.

Por sorte, quando estava em frente ao vidro da porta de entrada, conseguiu enxergar Marina e Clara sentadas na escada que fica em frente a mansão.

Afobada, correu ao encontro de suas amigas, ansiosa para explicar toda a situação que a perturbava. Porém, não demorou a notar que no carro em frente a escada onde estavam, o tal homem estava sentado no banco do carona.

Victoria sentiu a sensação ruim a invadir novamente, ao mesmo tempo que notou os pelos de seu corpo se arrepiarem assustadoramente.

Era como se o seu cérebro estivesse enviando um alerta de que algo não estava certo. Ela sentia em todo seu corpo. Suas amigas tentaram entender o que estava acontecendo, porém, ao notar a forma que Victoria olhava para o homem no veículo, foi o suficiente para compreender que havia algo errado.

Sem se despedir dos homens que as acompanhavam anteriormente, elas seguraram a mão de Victoria, a guiando até o dormitório que, por sorte, pareceu ser mais próximo do que realmente era.

Ao perceber que estava segura, a ruiva conseguiu contar toda a situação, recebendo a confortante compreensão de ambas.

Ela sabia que era uma história que podia soar exagerada, considerando que ela e o tal sujeito não interagiram, porém, somente seu olhar aterrador foi o suficiente para ativar um alerta em seu subconsciente.

Marina preparou um chá de camomila para acalmá-la, e após uma certa resistência, Victoria finalmente pôde descansar.

...

Depois de uma semana desde a péssima experiência durante a festa, o primeiro semestre finalmente acabou. Todos os alunos exaustos teriam um tempo livre para relembrar como eram suas vidas antes de ter que lidar com as infinitas responsabilidades da vida adulta.

A animação de Victoria não era das mais contagiantes quando comparada a de seus colegas, que fariam viagens super divertidas para destinos exóticos e paradisíacos. Infelizmente, seu orçamento era limitado, para não dizer nulo.

Seus pais insistiram para que ela permanecesse no campus, a fim de guardar suas últimas economias ao invés de gastar viajando de volta para casa. No entanto, a saudade era maior do que qualquer preocupação financeira que pudesse ter.

Então, sem contar a eles, Victoria deixou um voo agendado para surpreendê-los.

E dessa forma, tomou rumo em direção ao destino que mudaria sua vida para sempre.

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