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Amor Perigoso na Favela

Amor Perigoso na Favela

Autor:: Devlen Giovannucci
Gênero: Máfia
A poeira da favela grudava em minha pele, um lembrete constante da vida de medo e submissão à milícia. Tudo ruiu há seis meses, quando meu pai, o Capitão Mendes, um herói para todos, foi brutalmente assassinado em nossa própria sala, por um monstro que ele chamava de amigo, "O General". Tentei a justiça, levei provas à delegacia, mas fui ameaçada e ignorada; as sombras do General me alcançaram, seus homens me encurralaram em um beco escuro, "Fica na sua, ou você vai fazer companhia pro seu pai". O medo gelado percorreu minha espinha, e entendi naquele instante: as autoridades eram corrompidas, parte do mesmo sistema podre que me roubou tudo, me deixando completamente sozinha e sem voz. Mas a faísca da rebeldia acendeu, e com a ajuda inesperada de Zé, um ex-policial, decidi que não seria mais uma vítima; eu lutaria para desmantelar o império do General e buscar a verdadeira justiça que meu pai merecia.

Introdução

A poeira da favela grudava em minha pele, um lembrete constante da vida de medo e submissão à milícia.

Tudo ruiu há seis meses, quando meu pai, o Capitão Mendes, um herói para todos, foi brutalmente assassinado em nossa própria sala, por um monstro que ele chamava de amigo, "O General".

Tentei a justiça, levei provas à delegacia, mas fui ameaçada e ignorada; as sombras do General me alcançaram, seus homens me encurralaram em um beco escuro, "Fica na sua, ou você vai fazer companhia pro seu pai".

O medo gelado percorreu minha espinha, e entendi naquele instante: as autoridades eram corrompidas, parte do mesmo sistema podre que me roubou tudo, me deixando completamente sozinha e sem voz.

Mas a faísca da rebeldia acendeu, e com a ajuda inesperada de Zé, um ex-policial, decidi que não seria mais uma vítima; eu lutaria para desmantelar o império do General e buscar a verdadeira justiça que meu pai merecia.

Capítulo 1

A poeira do beco subia com o vento, grudando na pele suada de Maria da Luz, ela sentia o cheiro de esgoto e de fumaça que dominava a favela desde que a milícia tomou o controle, o ar parecia pesado, difícil de respirar, e ela odiava aquilo, odiava a sensação de estar presa, de não ter para onde correr. A vida tinha se tornado um ciclo de medo e submissão, cada dia era uma luta para simplesmente sobreviver, para não chamar a atenção errada, para não se tornar mais uma estatística. Ela era enfermeira, treinada para salvar vidas, mas ali, naquele lugar, ela mal conseguia salvar a si mesma.

O desejo de liberdade era uma dor física, uma queimação constante no peito que a mantinha acordada à noite.

Tudo mudou há seis meses, o dia em que seu pai, o Capitão Mendes, foi assassinado, ele era um ex-militar condecorado, um homem que acreditava na justiça e na honra, um herói para a comunidade, e foi morto na sala de sua própria casa, com uma brutalidade que chocou a todos. Maria lembrava do som dos tiros, do cheiro de pólvora, e de encontrar seu pai caído, o olhar ainda surpreso, traído. O assassino não era um estranho, era "O General", um ex-colega de seu pai, um homem que ele um dia chamou de amigo, mas a ganância e a crueldade o transformaram em um monstro, e agora ele era o dono da favela, o dono de tudo, inclusive das vidas dos moradores.

Nos dias que se seguiram, Maria tentou fazer a coisa certa, ela juntou o que podia de provas, testemunhos de vizinhos que tinham medo demais para falar em voz alta, e levou tudo para a delegacia mais próxima. Ela esperou por horas em um banco de plástico duro, o cheiro de desinfetante barato misturado com o de café velho. Quando finalmente foi atendida, o delegado mal olhou nos olhos dela, ele folheou os papéis com desdém, um sorriso cínico no canto da boca.

"Minha jovem, você não sabe com quem está se metendo", ele disse, a voz baixa e ameaçadora. "Esqueça isso, pela sua própria segurança."

Ela insistiu, a voz tremendo de raiva e dor, mas ele apenas a ignorou, e quando ela saiu da delegacia, dois homens a seguiram, eles a encurralaram em uma rua estreita, um deles segurou seu braço com força, os dedos afundando em sua pele.

"O General mandou um recado", o homem sibilou. "Fica na sua, ou você vai fazer companhia pro seu pai."

A ameaça a deixou sem ar, o medo gelado percorreu sua espinha, e ela entendeu que estava sozinha, as autoridades eram corruptas, parte do mesmo sistema podre que matou seu pai.

Naquela noite, enquanto revirava os pertences de seu pai em busca de alguma memória, de algum conforto, ela encontrou algo inesperado, escondido no fundo de uma velha caixa de munição, havia um diário de capa de couro e um mapa amarelado. As anotações de seu pai revelavam um esquema de corrupção gigantesco, envolvendo "O General", políticos influentes e um tesouro, dinheiro sujo de um golpe antigo, escondido em algum lugar. Era por isso que seu pai tinha morrido, ele sabia demais. Naquele momento, a busca por justiça ganhou um novo propósito, não era apenas por seu pai, era para desmantelar tudo o que "O General" havia construído.

Foi então que um homem a procurou, ele se apresentou como Zé, um ex-policial, seu rosto era marcado pelo cansaço e pela desilusão, mas seus olhos ainda tinham uma faísca de integridade. Ele tinha visto Maria na delegacia, tinha ouvido os rumores sobre a ameaça que ela sofreu.

"Eu sei o que você está tentando fazer", disse ele, a voz rouca. "E sei que não vai conseguir sozinha, esses caras são perigosos, mas eu saí da polícia porque não aguentava mais a sujeira, talvez eu ainda possa fazer alguma coisa de bom."

A promessa dele foi um pequeno raio de esperança no meio da escuridão, pela primeira vez em meses, Maria sentiu que não estava completamente sozinha.

Naquela mesma noite, enquanto conversava com Zé em um canto discreto da comunidade, planejando os próximos passos, uma sombra se projetou sobre eles, o ar ficou pesado, e o barulho da favela pareceu silenciar. Era "O General", ele caminhava em direção a eles, seus homens armados logo atrás, seu olhar fixo em Maria, um olhar de predador, intenso e possessivo.

Ele parou a poucos metros de distância, ignorando completamente a presença de Zé.

"Maria da Luz", ele disse, o nome dela soando como uma ordem, uma declaração de posse. "O que você está fazendo aqui fora a essa hora? Conversando com esse tipo de gente?"

O desprezo em sua voz era palpável, ele se aproximou mais, seu corpo grande e imponente bloqueando a luz do poste, ele estendeu a mão e tocou o rosto de Maria, o polegar traçando a linha de sua mandíbula, um gesto que deveria ser de carinho, mas que era carregado de ameaça.

"Você sabe que não gosto que ande por aí sozinha", ele continuou, a voz agora um sussurro perigoso. "Você é minha responsabilidade agora, a filha do meu velho amigo... eu tenho que cuidar de você."

A menção ao pai dela foi como um soco no estômago, Maria sentiu o sangue ferver, mas se manteve imóvel, o medo a paralisando.

"Volte para casa", ele ordenou, o tom final, sem espaço para discussão. "E não quero mais ver você com esse ex-policial de merda, entendeu?"

Ele não esperou por uma resposta, apenas se virou e foi embora, seus homens o seguindo como cães de guarda. Maria ficou ali, tremendo, o toque dele ainda queimando em sua pele. Zé a olhou com preocupação, a mandíbula tensa de raiva.

"Ele não vai desistir", disse Zé. "Ele acha que é seu dono."

Maria sabia que ele estava certo, a luta pela justiça havia se tornado algo muito mais pessoal e perigoso, era uma luta pela sua própria vida, pela sua própria alma. E ela não ia desistir.

Capítulo 2

Maria aprendeu a usar uma máscara, na frente do "General" e de seus homens, ela era a órfã dócil, a jovem assustada que aceitava sua "proteção", mas por dentro, cada fibra de seu ser gritava em protesto. O ódio era um fogo lento, queimando em seu peito, era o que a impulsionava. Toda vez que ele a olhava com aquele ar de posse, ela sentia vontade de vomitar, mas sorria, um sorriso frágil e submisso que ela praticava em frente ao espelho quebrado de seu banheiro.

"Você está tão pálida, Maria", disse "O General" em uma manhã, enquanto ela servia café para ele em sua própria casa, a casa que antes era um lar e agora era um quartel-general informal. "Não está comendo direito?"

Ele a observava de perto, os olhos pequenos e calculistas percorrendo seu rosto, seu corpo, procurando por qualquer sinal de rebeldia.

"Estou bem, só cansada", ela respondeu, a voz baixa, mantendo os olhos baixos.

Ele deu de ombros, um gesto de indiferença que a feria mais do que qualquer grito, para ele, ela era um objeto, um troféu, a filha do homem que ele matou, sua última conquista. Ele terminou o café, levantou-se e saiu sem dizer mais uma palavra, deixando-a sozinha com o cheiro dele impregnado na casa, um lembrete constante de sua presença opressora.

A vida de Maria se tornou um inferno sutil, pontuado por momentos de terror explícito, uma tarde, uma das namoradas de um dos milicianos, uma mulher chamada Valéria, cheia de ciúmes e maldade, a empurrou contra a parede de um beco.

"Você se acha especial, não é?", Valéria cuspiu, o rosto contorcido de raiva. "Acha que só porque o chefe te quer, você é melhor que a gente?"

Valéria agarrou o braço de Maria com força, as unhas pintadas de vermelho vivo cravando em sua pele. Maria não reagiu, aprendeu que a passividade era sua melhor defesa.

"Eu não acho nada", Maria sussurrou, o coração batendo descontrolado.

A violência foi interrompida por uma voz grossa e irritada.

"O que diabos você está fazendo, Valéria?"

Era "O General", ele apareceu de repente, sua expressão era de pura fúria, mas não era por Maria, era por sua propriedade ter sido tocada por outra pessoa. Ele agarrou Valéria pelo braço e a jogou para o lado com uma força brutal.

"Ninguém toca nela", ele rosnou, o aviso servindo para Valéria e para todos os outros que estavam por perto. "Ela é minha, entenderam? Só eu posso tocar nela."

A declaração a fez se sentir suja, exposta, ele não a estava protegendo, estava apenas marcando seu território, como um animal. Ele se virou para Maria, o olhar suavizando minimamente, mas a posse ainda estava lá, queimando em seus olhos.

"Você está bem?", ele perguntou, a voz ainda dura.

Ela apenas assentiu, incapaz de falar. A humilhação era um gosto amargo em sua boca.

Mais tarde naquele dia, ele a mandou limpar um dos depósitos da milícia, um lugar sujo e cheio de caixas pesadas, era um trabalho pesado, feito para homens, mas ela obedeceu sem questionar. Ao tentar mover uma caixa de munição, ela escorregou e a caixa caiu em seu pé, a dor foi aguda, lancinante, e ela caiu no chão, segurando o pé que começou a inchar imediatamente. Um dos milicianos riu da cena.

Quando "O General" soube do ocorrido, ele foi até o depósito, sua expressão era indecifrável. Ele a pegou no colo sem dizer uma palavra, o gesto surpreendendo a todos, e a levou para a pequena clínica comunitária, que agora também estava sob seu controle. Ele mesmo limpou o ferimento e enfaixou seu pé com uma delicadeza que contrastava brutalmente com sua natureza.

"Você é uma enfermeira, deveria saber tomar mais cuidado", ele disse, a voz quase gentil.

Por um segundo, Maria se permitiu sentir uma pontada de confusão, seria possível que houvesse um resquício de humanidade nele?

A ilusão durou pouco, assim que terminou de enfaixar seu pé, ele a olhou nos olhos, o calor se esvaindo de seu olhar.

"Amanhã, quero que você organize todos os suprimentos médicos da clínica", ele ordenou. "Faça um inventário completo, não quero desculpas por causa do seu pé."

A gentileza tinha sido apenas um prelúdio para mais uma ordem, mais uma forma de controle. Maria olhou para ele, o pé machucado latejando, e sentiu o ódio retornar com força total. Ela não confiava nele, não podia confiar, cada gesto dele, por mais ambíguo que parecesse, era parte de um jogo doentio de poder e controle. Ela era uma prisioneira, e a bondade de seu carcereiro era apenas mais uma corrente, talvez a mais perigosa de todas.

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