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Amor Sob Contrato: O CEO E A Noiva Inesperada

Amor Sob Contrato: O CEO E A Noiva Inesperada

Autor:: Vania Grah
Gênero: Bilionários
Em um mundo de segredos sombrios e intrigas, Miriam e Arlo são unidos por um casamento forçado. Mas à medida que se conhecem melhor, uma paixão ardente e uma busca por justiça os transformam em aliados improváveis. Em meio à adversidade, nasce um amor intenso que desafia todas as expectativas. Prepare-se para uma história de redenção, coragem e amor inquebrável.

Capítulo 1 O Quarto Desconhecido

⋆.ೃ࿔*:・ Miriam ⋆.ೃ࿔*:・

Meus olhos se abriram em um susto. Um quarto estranho, escuro e opressivo, me cercava como uma prisão. Meu coração disparou de medo e incerteza, enquanto tentava entender onde eu estava e como havia chegado ali. Minhas mãos tremiam ao tocar as paredes frias, e minha mente estava confusa, incapaz de processar o que estava acontecendo.

- Levy? - chamei, minha voz vacilante ecoando pelo quarto desconhecido. - Onde estou? O que está acontecendo?

A porta se abriu lentamente, revelando a figura sinistra do meu irmão mais velho, Levy. Seus olhos eram frios e calculistas, e um sorriso malicioso brincava em seus lábios. Ele atravessou a soleira e trancou a porta atrás de si.

Que porra era aquela? Meu irmão tinha me dopado e me sequestrado! Levy havia passado de vez do limite ao me colocar em uma situação daquelas...

- Miriam, querida irmã. - disse ele, com uma voz melódica e cortante ao mesmo tempo. - Finalmente acordou. Tenho uma novidade para você.

Meus olhos se encheram de lágrimas, e meu corpo todo tremia de apreensão.

- Por favor, Levy, me deixe ir embora. Prometo que não contarei a ninguém sobre este lugar. Só me deixe ir. - implorei, mesmo sabendo que ele não tinha um coração.

Levy riu sombriamente.

- Oh, minha querida Miriam, não posso fazer isso. Você é peça essencial no meu plano.

- P-plano? - gaguejei, sentindo um frio percorrer minha espinha. - Que plano é esse?

- Um plano que vai garantir meu poder e riqueza, é claro! - respondeu ele com desdém. - Você vai se casar com um CEO muito importante, o pai dele será um aliado estratégico, e assim fortalecerá nossos laços com uma família influente. Se recusar, bem... As consequências serão devastadoras para você.

Meu irmão colocou sua arma de fogo contra minha cabeça de maneira ameaçadora.

Lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto eu enfrentava o terrível dilema imposto pelo meu próprio irmão.

- Não posso acreditar que você faria isso comigo, Levy. Somos família!

- Ah, querida irmã, você sempre foi ingênua demais. - ele zombou. - Agora, tome sua decisão. O relógio está correndo.

Meu coração se partiu em pedaços. A escolha era impossível. Aceitar esse casamento forçado ou enfrentar consequências terríveis que possivelmente era minha morte com um tiro na cabeça. Pensei em resistir, em lutar contra as garras cruéis do meu irmão, mas sua ameaça pairava sobre mim como uma sombra sinistra.

Levy acreditava ser meu dono desde que nossos pais faleceram e eram anos de tortura e dor por sua causa. Não havia dúvidas de que, se ele matasse mais alguém, isso não faria diferença, mesmo que esse alguém fosse sua irmã.

- Está bem. - murmurei, a voz embargada pelas lágrimas. - Eu farei o que você quer.

Um sorriso triunfante iluminou o rosto de Levy, e eu me senti ainda mais enojada com a sua manipulação. Ele sempre fora um mestre em controlar as pessoas ao seu redor, e eu não era exceção.

- Ótimo, minha querida, continue sendo uma boa irmãzinha. - disse ele. - Esse é o contrato que você tem que assinar agora. Garantiremos que você não fuja.

Meu irmão jogou no meu rosto o contrato e uma caneta. Pensei que seria apenas um casamento forçado, no entanto, era algo além de um casamento.

Comecei a ler o contrato...

Este contrato de casamento é celebrado e acordado entre Miriam Malta, doravante referida como "Noiva", e Arlo Bennett, doravante referido como "Noivo", neste dia 14/09/2017

Objetivo do Casamento: As partes concordam que o objetivo deste casamento é a procriação de um herdeiro para a família do Noivo. A Noiva concorda em envidar todos os esforços razoáveis para conceber uma criança durante a duração deste casamento.

Herdeiro e Custódia: A Noiva concorda em gerar um herdeiro para o Noivo durante os três anos de duração deste casamento. Assim que a criança nascer, a Noiva renunciará a todos os direitos de custódia e parentalidade sobre a criança. A criança se tornará legalmente a herdeira da família do Noivo, que terá a responsabilidade total pela criação, educação e cuidado da criança.

Duração do Casamento: Este casamento terá uma duração total de três anos a partir da data de celebração deste Contrato. Após o término desse período, o casamento será considerado dissolvido e as partes estarão livres para seguir seus próprios caminhos.

Direitos e Benefícios: Durante a duração deste casamento, a Noiva terá direito a todas as prerrogativas e benefícios associados a ser a esposa do Noivo. Isso inclui, mas não está limitado a, moradia, sustento, seguro de saúde e demais benefícios normalmente concedidos a uma esposa.

Retorno à Família: Após o término dos três anos de casamento, a Noiva terá o direito de retornar à sua família de origem, sem quaisquer obrigações ou encargos em relação ao Noivo, ou à criança que gerou.

Confidencialidade: Ambas as partes concordam em manter todas as cláusulas e detalhes deste Contrato estritamente confidenciais. Nenhuma das partes divulgará publicamente os termos deste Contrato ou qualquer informação que possa prejudicar a reputação ou privacidade da outra parte.

Ao assinarem abaixo, as partes reconhecem ter lido e compreendido todas as cláusulas e termos deste Contrato e concordam em cumprir suas obrigações de boa-fé.

Meu coração disparou ao terminar de ler. Olhei para o meu irmão que acariciava sua arma de fogo enquanto aguardava minha assinatura. Foi com a mão trêmula que assinei aquele contrato, sem saber como seria as coisas. Faria o possível e o impossível para não gerar um filho durante aquele casamento forçado.

- Muito bem, estou orgulhoso! - disse ele, com um sorriso maléfico.

Levy saiu do quarto, deixando-me sozinha com meus pensamentos desconcertados e meu coração destroçado. Eu me perguntava quem era esse homem, com quem eu seria obrigada a me casar. Será que ele era tão malvado quanto Levy, ou seria apenas uma peça manipulada assim como eu?

A sensação de estar presa em um pesadelo só aumentava, e eu sabia que meu destino estava selado. Eu me tornaria uma prisioneira, não apenas nesse quarto, mas também em um casamento sem amor.

Os dias que se seguiram foram uma névoa de preparativos para o casamento indesejado. Levy estava determinado a garantir que tudo corresse como planejado, e eu me sentia como um peão em seu jogo cruel.

O dia do casamento chegou, e eu me vi diante do altar para aparentar um casamento real aos olhos dos outros. Meus olhos encontraram os de Levy, que observava tudo com um sorriso sádico. Meu coração estava apertado, pois a sensação de estar sendo empurrada para uma vida que não escolhi era sufocante.

E então, ele apareceu. Arlo Bennett, o homem com quem estava destinada a me casar. Seus olhos eram frios como o gelo, e seu rosto exibia uma expressão de desdém e indiferença. Era óbvio que ele não queria estar ali tanto quanto eu. Ele era alto e imponente, e cada movimento era calculado, como se estivesse passando por um mero ritual sem significado.

- Miriam, este é Arlo Bennett. - disse Levy, sua voz carregada de sarcasmo. - O homem com quem você compartilhará sua vida daqui para frente.

Arlo lançou um olhar breve em minha direção, não demostrando nenhum sinal de afeto ou interesse.

- É um prazer. - disse ele com uma voz fria e cortante que enviou arrepios pela minha espinha.

Eu engoli em seco e tentei conter as lágrimas que ameaçavam cair.

- Para mim é um desgosto e não um prazer. - respondi com voz trêmula, tentando parecer corajosa diante dessa figura tão arrogante.

A cerimônia começou, e eu me senti como uma marionete nas mãos de forças invisíveis que me empurravam para esse destino indesejado. As palavras do celebrante pareciam vazias e distantes, e meu olhar encontrou novamente o de Levy, que observava tudo com um brilho malicioso nos olhos.

- Você aceita Arlo Bennett como seu legítimo esposo? - perguntou o celebrante.

Engoli em seco, sentindo a pressão do momento sobre mim. Não queria estar ali, não queria aceitar esse casamento, porém, as ameaças pairavam como uma nuvem escura sobre minha cabeça. E eu também assinara um contrato.

- Sim. - sussurrei, minha voz mal audível.

Arlo pareceu satisfeito com minha resposta, mas seu sorriso era mais uma careta de superioridade do que qualquer outra coisa.

- Eu aceito. - respondeu ele, com um olhar de desinteresse enquanto me olhava de cima a baixo.

O coração doía em meu peito, e cada passo em direção à vida ao lado desse homem arrogante parecia uma sentença de prisão perpétua. A cerimônia prosseguiu, entretanto, meus pensamentos estavam conturbados, presos em um redemoinho de desespero e revolta.

Finalmente, após a troca das alianças, o celebrante declarou-nos marido e mulher. Olhei para Arlo, buscando qualquer traço de humanidade por trás de sua máscara de indiferença, mas ele permanecia impenetrável.

- Venha, Miriam. - disse ele com um tom monótono, virando-se para sair da igreja.

Engoli minhas lágrimas e segui-o, sabendo que minha vida nunca mais seria a mesma. Estava presa em um casamento sem amor, ao lado de um homem que me desprezava e manipulada por um irmão malicioso.

A festa de casamento era uma encenação de alegria, enquanto sorrisos falsos se espalhavam pelo salão. As pessoas nos cumprimentavam como se estivéssemos vivendo um conto de fadas, mas por dentro eu estava desmoronando.

Arlo e eu nos mudamos para uma propriedade isolada que ele possuía, longe do mundo que eu conhecia. A casa era opulenta, mas me sentia aprisionada em suas paredes douradas.

Meu medo da consumação do casamento era constante...

Capítulo 2 Jantar Conflitante

⋆.ೃ࿔*:・ Arlo ⋆.ೃ࿔*:・

Desde o dia em que fui arrastado para esse casamento forçado com Miriam, me sentia extremamente infeliz. Era uma união indesejada. Meu pai me obrigou a assinar um acordo de casamento para garantir que eu lhe desse um neto legítimo. Eu não conseguia fingir simpatia com minha esposa.

Como ela concordou com um contrato tão absurdo? Ah, claro, deve ter sido devido ao dinheiro envolvido, provavelmente ela e o irmão dividiriam tudo! Eu me sentia preso a um destino que não escolhi. Após um mês de casamento, eu mal falava com Miriam, e nossa relação era fria como o gelo.

Eu resistia a qualquer tipo de intimidade, pois não queria me entregar a uma mulher que eu não escolhi. Meu pai queria muito um neto e eu sabia que existia uma alternativa, uma com a qual eu não precisava consumar o ato sexual com minha esposa.

Certa noite, durante um jantar em nossa suntuosa mansão, decidi me sentar ao lado de Miriam, o que era raro em nossa rotina de jantares solitários.

- Miriam. - disse eu, minha voz carregada de desinteresse. - Você entende que não somos nada um para o outro? Essa união foi imposta a nós, e eu não tenho interesse em forjar qualquer tipo de relacionamento.

Miriam me encarou com seus olhos tristes de sempre.

- Agora eu sei que esse casamento não foi desejado por nenhum de nós, Arlo. Mas aqui estamos nós, presos nessa realidade que não escolhemos.

- Você é uma mulher vendida. - continuei, com amargura em minhas palavras. - Seu irmão te usou como moeda de troca em seus jogos de poder. E eu, como um mero fantoche, fui obrigado a aceitar essa farsa.

Miriam levantou abruptamente, seus olhos faiscando com uma mistura de raiva e indignação. Seus passos decididos se aproximaram de mim, e antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, sua mão atingiu meu rosto com um estalo. O impacto ecoou pelo cômodo, junto com o silêncio tenso que se instalou.

- Como você ousa? - ela disparou, sua voz trêmula de emoção. - Como ousa me chamar de mulher vendida? Você não tem ideia do que passei, das escolhas impossíveis que tive que fazer!

Fiquei ali, atordoado, a dor da bofetada ainda reverberando em meu rosto. Eu não tinha previsto que minhas palavras teriam esse efeito explosivo. Miriam estava fervendo, suas palavras fluindo como um rio enfurecido.

- Fui manipulada, ameaçada pelo meu próprio irmão! - ela me encarava com olhos inflamados, desafiando-me a duvidar de sua sinceridade. - Ele forçou esse casamento e contrato, eu não tive escolha. Você acha que eu queria isso?

Eu pisquei, ainda tentando processar a avalanche de emoções que ela estava lançando sobre mim. Mas a incredulidade estava entrelaçada com minha surpresa.

- Manipulada? Ameaçada? Isso é o que você quer que eu acredite? Você e seu irmão só estavam atrás do dinheiro, não é?

A resposta foi imediata e furiosa.

- Dinheiro? Você realmente acredita nisso? Arlo, você não me conhece de verdade. Tudo o que eu queria era minha liberdade, uma vida que eu pudesse controlar.

Eu me inclinei para trás, cruzando os braços, um misto de raiva e ceticismo permeando meu tom de voz.

- Você espera que eu acredite em cada palavra que sai da sua boca? Desculpe, Miriam, mas essa história não faz sentido.

- É a verdade, você acredite em mim ou não! Estou cansada de tanto sofrimento e, agora, estou neste casamento de bosta ao seu lado! - gritou para que todos os nossos empregados ouvissem.

- Sério, Miriam? Você não poderia ter escolhido um momento melhor para explodir? Estragou meu jantar todo.

- Ah, me desculpe, Sr. Delicadeza. Deveria ter pensado duas vezes antes de levantar a voz, não é? - respondeu com sarcasmo.

- Você tem uma boca suja, sabia? Eu não preciso aguentar esse tipo de atitude.

- Oh, pobrezinho. O cavalheiro ofendido. Desculpa se a verdade dói. - disse ela, cruzando os braços.

- A verdade? Você chama isso de verdade? E espera que eu engula?

- Eu não estou aqui para agradar você ou suas expectativas frágeis. Não vou me calar só porque você não consegue lidar com a realidade.

- Você não sabe a hora de calar a boca? Não estou pedindo para me agradar e não quero ser ofendido dessa maneira!

- Esse casamento tem me mostrado o quanto você é um arrogante filho da puta, que acha que o mundo gira em torno do seu umbigo! Acorda, meu querido, tanto você quanto eu estamos ferrados nessa merda!

Cerrei os punhos e respirei fundo para não fazer nenhuma besteira contra ela.

- Desde quando você se transformou em uma mulher assim? Respondona e malcriada? Quando casamos, você sempre se mostrou submissa e na sua. Por que mudou agora? - questionei, aborrecido.

- O que mudou agora? Estou farta de tudo! Eu nem sequer posso fugir dessa casa que meu irmão pode me encontrar e me matar! E o que posso dizer de você? Que fica se vitimizando o tempo todo, jogando a culpa nos outros? Bom, melhor eu nem continuar...

- Claro, claro. É tudo culpa minha, não é? Você nunca fez nada errado na sua vida.

- Não é sobre eu ser perfeita, é sobre você ser cego demais para enxergar além do seu próprio umbigo!

- Ah, sim, claro. Você é a vítima aqui. E eu sou o vilão insensível que não entende sua vida "sofrida". - enfatizei a palavra sofrida provocativamente.

- Você não entende nada, Arlo. Você nem se esforça para realmente me entender.

- Talvez você esteja certa. Possivelmente eu não entenda. Mas isso não muda o fato de que suas explosões estão me enlouquecendo.

- Pode ser que nós dois tenhamos um ponto em comum. Precisamos aprender a ouvir e falar melhor do que apenas gritar.

- Talvez. Mas isso não muda o fato de que estragou meu jantar.

Era como se um abismo se abrisse entre nós. Não queria admitir que poderia estar errado em meu julgamento. E assim, a discussão continuou, um duelo de palavras afiadas e acusações ressentidas.

No final, porém, quando os ânimos se acalmaram e o calor da discussão deu lugar à frieza do silêncio, eu me vi refletindo sobre as palavras dela. O que se destacava não era a acusação de oportunismo, mas sim a dor genuína em sua voz, a angústia nos olhos dela. Talvez, apenas talvez, houvesse mais na história do que eu estava disposto a admitir naquele momento.

No entanto, o orgulho ainda ardia dentro de mim, tornando difícil admitir qualquer coisa. Mas enquanto olhava para Miriam, senti um nó em meu estômago. E mesmo que as palavras não fossem ditas em voz alta naquele momento, eu sabia que a verdade estava bem ali, esperando para ser aceita.

Capítulo 3 Não Existem Rosas Ou Amor Entre Nós

⋆.ೃ࿔*:・ Miriam ⋆.ೃ࿔*:・

Naquela manhã, a sensação de confinamento naquela mansão sufocante era mais forte do que nunca. Eu me via presa entre suas imponentes paredes, cercada por empregados que eram mais como sombras do que pessoas reais. A solidão era quase palpável, e eu sentia que minha vida estava escorrendo entre meus dedos. Decidi que era hora de quebrar essa rotina opressora e finalmente dar um passeio pela cidade, respirar um pouco de ar fresco e ver o mundo lá fora.

O sol brilhava radiante no céu, aquecendo minha pele enquanto eu caminhava pelas ruas movimentadas da cidade. Era como se eu tivesse redescoberto a liberdade, cada passo me afastando mais da prisão dourada que era a mansão. As lojas, os cafés, as pessoas indo e vindo, tudo parecia tão vívido e real, como se eu tivesse acordado de um longo pesadelo.

No entanto, minha jornada de autodescoberta foi interrompida quando finalmente retornei àquela mansão. Arlo, meu marido indesejado, estava esperando por mim com uma expressão furiosa no rosto. Seus olhos escuros pareciam faíscas de fogo, prontos para incendiar qualquer coisa em seu caminho.

- Onde você esteve, Miriam? - ele rosnou, sua voz carregada de raiva e desconfiança.

Olhei para ele, sustentando seu olhar com firmeza.

- Eu estava dando um passeio, Arlo. Precisava sair, ver o mundo lá fora.

Ele avançou em minha direção, seus punhos cerrados.

- Você não pode simplesmente sair assim, sem me avisar! Esta é a minha casa, e você é minha esposa!

Revirei os olhos, havia anos de reclusão acumulados dentro de mim, por ter vivido ao lado do meu irmão Levy e não seria aquele casamento de merda que me colocaria novamente limites.

- Sua casa, Arlo? Não, isso é apenas uma prisão disfarçada. E quanto a ser sua esposa, bem, vamos encarar a verdade. Nós nunca fomos marido e mulher de verdade. Nossa união é apenas no papel.

Ele pareceu chocado com minhas palavras, como se ninguém jamais tivesse ousado falar assim com ele.

- Como você pode dizer isso? Estou cuidando de você, te dei tudo o que você precisa.

Cruzei os braços, enfrentando-o de frente.

- Cuida de mim? Isso é o que você chama manter alguém em cativeiro? Você acha que ter todas essas coisas materiais significa alguma coisa? Eu não quero ouro e seda, Arlo. Eu quero liberdade, eu quero viver minha própria vida.

Ele riu amargamente, uma risada carregada de ironia.

- E o que você acha que vai fazer, Miriam? Você não tem para onde ir, ninguém que possa te proteger do seu irmão.

Minha coragem só aumentou diante de suas palavras.

- Não subestime minha força, Arlo. Eu vou encontrar um caminho. E quanto a você me proteger, eu não preciso disso. Eu posso me proteger de agora em diante.

A discussão continuou, palavras afiadas sendo trocadas como espadas em um duelo verbal. Ficou claro que nossas vidas estavam entrelaçadas por circunstâncias, mas nunca por escolha. Eu não queria mais viver como uma prisioneira, controlada por alguém que tudo que queria de mim era um herdeiro, como foi concordado no contrato de casamento.

Eu estava pronta para evitar uma gravidez durante o período de casamento, no entanto, não seria necessário. Arlo não queria ter nenhuma intimidade comigo, portanto, não correria o risco de engravidar. Meu marido deveria ser um gay enrustido, isso explicaria muita coisa, como o pai dele comprar meu irmão para que eu casasse com ele e lhe desse um filho.

Arlo aproximou-se e segurou firme no meu braço, machucando um pouco e disse:

- Podemos não ter uma união verdadeira, Miriam, porém, você me deve satisfação. Você gostando ou não, estamos juntos nessa união durante um tempo. E você carregará um filho meu, não esqueça que concordou quando assinou o contrato de casamento!

Mordi o punho do meu marido e ele me soltou imediatamente.

- Vai fazer um filho em mim com um dedo? Você não gosta de mulher, Arlo. Nem conseguiu me beijar no nosso casamento falso. Para de fingir ser macho e confessa logo de uma vez que você não passa de uma gazela!

- Gazela? Eu não sou gay, caralho! De onde você tirou isso? É errado eu não querer dormir com uma mulher que não amo? Quer que eu force você ter relações sexuais comigo? É o que está parecendo! Ou você quer tanto assim me dar e fica me provocando desse jeito?

- Arlo, eu prefiro me esfregar em um mendigo do que em você!

- Miriam, você não deveria estar me provocando desse jeito...

- Por quê? Vai me surrar? Meu irmão sempre fez isso. Você deve ser pior do que meu irmão Levy. Abri meu coração pra você sobre tudo que passei e você nem acreditou em mim. Quer saber de uma coisa? Pode bater, anda, bate! - esbravejei, dando minha cara para que ele batesse e continuei. - Vai, me mostra que você é só mais um monstro como meu irmão!

- Caramba! Você é insuportável! Preferia você quando era silenciosa.

- Quer dizer submissa? Estou cansada de ser silenciada pelos outros. Vamos ter que conviver, meu querido. E eu vou fazer dos seus dias um inferno, Arlo Bennett!

- Vou tentar convencer meu pai de te devolver para o filho da puta do seu irmão. É isso que você quer? Voltar para as garras dele? Para quem se diz ter sido vítima do irmão durante anos, você parece ansiosa para voltar para seu antigo lar...

Aquela ameaça do meu marido foi muito repentina e me despertou muito medo, entretanto, tentei disfarçar.

- Acrescenta nessa conversa com seu papai, de que você quer trocar sua esposa por um marido cabeludo! Arlo, admite logo que você gosta de homens musculosos e vai viver sua vida! Ontem falou que queria liberdade e não vejo você fazer nada para isso! O que te impede de ir viver?

- Você é muito teimosa e maldosa, Miriam! Meu pai ameaçou tirar tudo de mim se eu não aceitasse me casar e lhe dar um neto. Eu não quero ser um zé-ninguém, entendeu? Ele sempre controlou minha vida...

Arlo era mesmo um mimado e medroso. Se meu problema com meu irmão fosse apenas devido a dinheiro, eu não teria vivido a vida que vivi ao lado dele.

- Quando digo que você é um mimado, não é à toa! Não sabe fazer nada da vida? Além de atormentar seus funcionários na empresa que seu pai te deu, o cargo maior de todos? Seu pai não é muito inteligente ao ter se envolvido com meu irmão. Levy, é um assassino, Arlo. Você sabe o que é, ver o amor da sua vida ser morto na sua frente e não poder fazer nada? Claro que não sabe! - desabafei, recordando meu passado doloroso.

Meu irmão havia assassinado o amor da minha vida na minha frente, simplesmente por descobrir que estávamos nos relacionando escondido. Ele era um dos seguranças do meu irmão. Levy descobriu tudo e não o perdoou. Meu namorado e eu não tivemos nem a chance de fugir juntos para muito longe.

Comecei a chorar na frente de Arlo, então, sai correndo para o meu quarto. Não queria mais continuar vivendo oprimida e em um inferno em que era controlado por todos, menos por mim.

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