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Amor Titã

Amor Titã

Autor:: Thaíssa Freitas
Gênero: Aventura
A tentativa de capturar a Titã Fêmea falha e a Tropa de Exploração é obrigada a lidar com as consequências. Capitão Levi se encontra mergulhado na dor de ver os corpos de seus amigos novamente e sequer poder enterra-los. Entretanto, permanece com a expressão fria até chegar em seus ouvidos o boato de que há uma segunda fêmea dentro de Sina, acompanhando Eren, Mikasa e Armin. Temendo uma traição dupla, Levi se dirige até o local e encontra as duas fêmeas batalhando e seus soldados perdidos.

Capítulo 1 Um pouco do Passado

Em alguma cidade distante da segurança das muralhas, anos atrás...

O céu azul prometia um dia calmo e sem novidades para a maioria das pessoas.

Mas não para Annie e Lorena.

Os sons de golpes e respirações ofegantes eram audíveis, bem como ordens para que elas nunca parassem de golpear a madeira.

–Muito bem, Annie. Como esperado da minha filha. - A voz masculina não trazia nenhuma emoção.

A figura loira parou por um segundo, cansada e ofegante. Olhou rapidamente para a amiga que desferiu um chute no poste, igualmente sem fôlego.

–O que está fazendo Annie? Não pare!

Obedecendo a ordem, a loira continuou seu treinamento.

–Lorena! Isso é tudo que pode fazer?

Uma segunda voz masculina preenche o ambiente, deixando a morena furiosa.

Parou e encarou o homem que havia acabado de chegar. O sorriso cruel enfeitava seu rosto, aumentando a antipatia que a garota sentia por ele.

–Ora, vamos? Isso é seu melhor? - O desprezo e sarcasmo gotejava a cada palavra dita.

O coração de Lorena bateu acelerado de uma maneira que nunca ocorreu antes. O ódio corria por suas veias.

Sem pensar muito, a garota correu até o homem, atingindo primeiro seu estômago e depois seu rosto. Levantou um dos joelhos, lhe quebrando o nariz e acertando uma cotovelada em sua nuca.

Foi segurada pelo pai de Annie e pela própria loira. Seu olhar encontrou com o homem jogado no chão e sangrando.

Os olhos azuis refletiam os seus. A marca de sua família. Um azul tão claro e límpido que poderia representar a pureza e ingenuidade.

Mas ela sabia a verdade.

A verdade é que esses olhos carregava o mal, a destruição. Seu sangue era impuro e seus olhos, ela os odiava pois refletia mentiras e fardos.

Fardos que seu tio, agora com a mão pressionando o nariz quebrado, a forçou a carregar.

–Isso é tudo que pode oferecer, tio? - A ironia da garota fez o homem a encarar mortalmente.

Mataria aquela vadiazinha atrevida com as próprias mãos se não precisassem tanto dela.

Humilhado, se levantou e foi embora sem dizer nada. A punição de sua sobrinha viria mais tarde.

Lorena foi solta e arrumou a roupa, limpando o sangue em suas mãos e voltando a golpear os troncos. –Não deveria desafiá-lo. - Annie diz com a voz sem emoção, golpeando repetidamente o tronco com o punho esquerdo.

–Eu o odeio, Annie! Você não tem idéia do quanto! - Lorena retrucou com fúria, seu punho acertando o tronco com mais força, aprofundando os machucados já existentes ali. - Não farei o que querem!

A loira a olhou assustada.

Sempre soube que a amiga não concordava com muitas coisas, além de alimentar um ódio profundo por sua família e o que ela representava.

Porém, nunca imaginou que Lorena pensaria em se rebelar. Parando para analisar, não deveria estar surpresa.

–Annie, não precisamos mais fazer isso. Podemos ser livres. - Lorena parou os golpes e encarou a loira. Suas íris sempre sombrias tinham um brilho leve. Pateticamente esperançoso. - Não faz mais sentido transformar pessoas em titãs sem racionalidade e mandá-los matar pessoas. Humanos como nós!

Annie ouvia quieta o discurso da morena. Em parte concordava. Elas poderiam realmente ser livres.

Seriam livres quando cumprissem com o objetivo que lhes fora dado.

Não disse seus pensamentos. Seria retalhada por Lorena. Era a melhor em combate corpo a corpo, mas sabia que Lorena era imprevisível quando combinava suas habilidades com suas emoções.

–Podemos mesmo ser livres - disse friamente e olhou para o céu.

–Annie, estarei aqui por você independente de qualquer coisa. Sei que não concorda comigo completamente. Mas não se esqueça que somos apenas armas, peões de sacrifício.

Elas trocam um longo olhar em silêncio. A brisa agita seus cabelos, misturando fios loiros e castanhos pelo ar.

Annie sorriu e foi retribuída. Lorena a puxou para um abraço, reafirmando a promessa de ficar ao lado dela.

Annie era sua melhor amiga, sua irmã. Lorena prezava muito por ela e tentava salvá-la dessa cegueira.

Tinha que salvá-la.

Encerram o treino e seguiram para suas casas.

Annie ainda pensava no que Lorena havia dito. Parte de si queria segui-la, fazer o mesmo que ela. Entretanto, a lealdade para com seu pai falou mais alto. Era uma lealdade cega e doentia, mas Annie não abriria mão dela.

Lorena divagava e se preparava psicologicamente para o que enfrentaria. Não era estúpida a ponto de pensar que sua ousadia não tivesse consequências. Em sua mente, lista os possíveis castigos.

Chicotadas, queimaduras, espancamento, dormir para fora no frio, ficar horas ajoelhada em pedras, arear panelas até que a pele ficasse na carne viva, ficar presa com titãs enlouquecidos...

Parou por um segundo, o peito pesado. Sua mente gritava para ela não entrar em casa. Arrepios de alerta lhe percorriam o corpo. A latente sensação de que algo estava errado a corroía.

Eu deveria fugir enquanto posso...

Esse pensamento logo foi descartado com a possibilidade de deixar Annie para trás.

Lorena não a abandonaria.

Entrou e estranhou o silêncio e o vazio. Geralmente, seu tio reunia seus dois primos para lhe dar os devidos castigos. Era estranho e até mesmo perturbador estar tudo quieto e vazio.

Andou com cautela pela sala, evitando fazer barulho, pensando no que diabos poderia estar acontecendo.

Distraída, não percebeu a aproximação de seu tio pelas suas costas, e teve a cabeça atingida com força.

Caída no chão, sua cabeça girava e zunia, seu estômago estava revirado. A pancada foi forte demais e ela estava vulnerável.

–Você é uma vadia muito saidinha. - O desprezo era descarregado naquelas palavras. Lorena tentou se levantar e recebeu um chute no estômago.

A dor se espalhou por seu corpo e ela tentou puxar fôlego.

Pelo jeito, vou ser espancada.

Com as vistas embaçadas, a morena viu seu tio sorrir maldosamente e levar as mãos ao cinto.

–Talvez seja hora de eu te ensinar de outro jeito a me respeitar. Mas não se preocupe, você vai gostar. - A malícia tomou seu rosto e sua calça foi aberta.

A garota entrou em choque e tentou novamente se levantar, sendo impedida com o homem se sentando sobre seu abdômen.

Pela primeira vez na vida, sentiu medo. O terror ameaçava sufocá-la, seu corpo tremia e estava gélido.

A garota tentava se libertar, o pânico a forçando a gritar e se debater como podia.

Um tapa ardido atingiu seu rosto e a primeira lágrima escorreu.

Em todos aqueles anos, a garota nunca havia chorado ou demonstrado algum tipo de fraqueza. Mesmo com todas as humilhações e maus tratos, ela aguentava encarando o tio e os primos no olho, sem abaixar a cabeça e se render.

Mas agora, o medo a dominou. Só queria sair dali.

–Ah, agora você chora? - O tio gargalhou de forma lunática. - Sabe, você ficou gostosinha com o tempo. É o pagamento por eu ter cuidado de você apesar de ser uma vadia boca suja e mal criada.

Rasgou a blusa de Lorena que tentou novamente lutar contra o que acontecia, recebendo o soco e sentindo o gosto de sangue tomar sua boca.

Seu tio, impaciente, amarrou suas mãos com o próprio cinto e tirou as roupas que faltava da menina, se colocando sobre ela a penetrando de forma rude.

O grito de dor ecoou pela casa, mas o homem não parou. Continuou forçando seu membro contra a intimidade virgem e sem preparo.

O sangue escorria e as lágrimas da menina também. Chorava pela dor, pela humilhação.

Seu tio gemia satisfeito, sem se importar com seu sofrimento. Quando estava prestes ao chegar ao seu ápice, se retirou de dentro da jovem e se masturbou próximo ao seu rosto, fazendo sua porra sujar o mesmo.

Jogada no chão, a garota virou o rosto e vomitou sangue. Sentia-se suja, imponente e envergonhada.

O tio saiu assobiando satisfeito, largando a jovem nua e estuprada no chão de sua sala, como se fosse uma puta qualquer.

Nem putas merecem isso.

Esse pensamento foi abafado em sua cabeça e Lorena chorou como a anos nunca havia feito. Arrastou-se para o seu quarto, onde se encolheu num canto e desejou a morte.

Não pensou em Annie, nem no poder que lhe era destinado. Pensou em apenas morrer e se juntar aos pais. Morrer e dar fim aquela vida miserável.

O pensamento do suicídio lhe era atraente. Muito atraente. Porém, algo tomou seus pensamentos.

Melhor do que ela morrer, era seu tio pagar pelo o que havia feito.

Capítulo 2 Uma nova Aliada

Muralha Sina, dias atuais...

Annie acordou exausta da missão que fracassou. Capturar Eren foi mais difícil do que havia imaginado.

Além de sua falha, ainda precisava se preocupar com Lorena. Sabia que a garota estava rodeando as muralhas, sempre se movendo de forma aleatória, dificultando seu rastreio.

Se juntou a sua equipe na polícia militar e seguiu com sua missão de escolta até ser interceptada por Armin.

Lorena, por outro lado, atravessava uma entrada secreta para dentro da Capital. Sentia a perna latejar e caminhava com dificuldade. Consequências de tentar impedir um sequestro envolvendo titãs sozinha.

Encostou em um muro e tirou o capuz. O cabelo preso num coque frouxo foi amarrado novamente com mais firmeza, escondendo os cachos.

Respirou fundo e seguiu sentido o castelo. Tinha que impedir a condenação de Eren.

Levantou o olhar para o céu, praguejando o Sol quente. Dias muito calorentos sempre a fazia passar mal.

Levi se encontrava mais mal humorado que o costume. Seu olhar vazio escondia o misto de culpa e dor.

Para completar, as palavras do pai de Petra não saíam de sua cabeça. Como a garota considerava se casar com ele, justamente com ele, não tinha ideia.

Suspirou e cruzou os braços tentando se livrar desses pensamentos. Foi quando aconteceu a transformação.

Levi reconheceu. Sabia que havia um traidor na muralha. Porém, não esperava que ele fosse se revelar.

Ouviu-se um segundo barulho e os gritos de Pânico começaram. Um de seus homens, esbaforido, lhe informou que havia uma segunda Titã Fêmea.

Impossível!

Rápido e ágil, seguiu para a passagem, topando com dois titãs de 14 metros. Uma lhe era familiar. A outra lhe lembrava Eren devido ao cabelo castanho, mas o corpo feminino não deixava dúvidas.

Assim que Annie se viu sem saída, se auto mutilou, liberando sua forma Titã. Iria terminar o que começou.

Ouviu um grito.

–ANNIE!!!

Segundos depois, havia uma segunda Titã a desafiando.

Lorena tinha informações de rumores que a Tropa de Exploração iria ajudar Eren a fugir, substituindo o garoto por outro novato. Contava com isso.

Notou que a cidade estava estranhamente quieta e que algumas pessoas moviam-se de forma furtiva. Tentavam tanto passar despercebidos que se tornou óbvio para a garota que era uma cilada.

Esse pensamento fez um gelo atravessar seu estômago.

Teriam descoberto?

Impossível! Sempre mantive nomes falsos e me movi sem manter um padrão. Será que...?

Não completou o pensamento. Alguns metros a frente, visualizou uma figura loira ser atacada depois de um sinal logo depois, a transformação de Annie aconteceu.

Inferno!

–ANNIE!

Seu grito chamou atenção de alguns soldados. Ignorou todos eles e correu alguns metros, antes de morder a própria mão e se transformar.

Ambas titãs se encaravam, esperando que a outra fizesse o primeiro movimento. Os soldados se encontravam perdidos.

Eren, Armin e Mikasa corriam para o subsolo quando ouviram a segunda transformação e voltaram para averiguar.

Levi olhava transtornado a cena que se desenrolava em sua frente. Nunca imaginou que titãs lutaram a favor da humanidade. Contudo, ali estava uma segunda prova de que estava errado.

A gigante morena deu o primeiro passo, mirando o soco no rosto da loira, ao qual foi defendido.

Desviou o rosto e chutou a lateral do abdômen. Seu estômago foi atingido e ambas recuaram e se analisaram.

Não seria uma luta fácil de terminar. Annie era uma excelente lutadora e conhecia seus pontos fracos.

Lorena era persistente e pensava rápido. Conhecia suas fraquezas e tinha sempre estratégias de lutas variadas.

Não eram fáceis de serem derrotadas. Cresceram juntas e se traíram juntas.

Annie avançou, com uma série de socos diretos, desviados facilmente, porém, forçando a recuada de Lorena.

A morena sabia que não podia prolongar a luta. Havia civis por perto.

Desviou o rosto mais uma vez e moveu o punho de baixo para cima, acertando o queixo de Annie e logo depois seu estômago. Segurou os ombros da loira e acertou-lhe uma joelhada.

Se aproveitando da aproximação, Annie segurou Lorena e a mordeu próxima ao ombro.

Lorena concentrou sua regeneração, pensando em como acabar de vez com a luta sem destruir a cidade e ferir inocentes.

Viu a Tropa de Exploração se preparar para atacar e sabia que Annie usaria isso contra ela.

Apesar de se transformar num monstro, de ter feito coisas horríveis, Lorena ainda tinha um coração humano.

Endureceu a pele na região da nuca e decidiu que acabaria com essa luta agora, antes que mais mortes acontecessem. Já lhe bastava as mortes do dia anterior.

Não precisava de mais sangue nas mãos e na consciência.

Correu rápido contra Annie e se jogou pelo chão, arrastando o corpo pelo solo e derrubando Annie. Se ajoelhou rapidamente e rasgou a nuca da loira, que não teve tempo de reagir ao golpe.

Lorena abocanhou a figura humana, cuspindo na própria mão e a segurando próxima ao chão, controlando a força e se forçando a voltar à forma humana.

Dolorida, foi até a rival e retirou seu anel, recebendo um soco no rosto no processo.

Recuou alguns passos e cuspiu sangue e um dos seus dentes.

–Filha da puta!

Os soldados as cercaram, ordenando que se rendessem. Annie e Lorena ainda se encaravam, aumentando a tensão.

Annie ignorou a ordem e avançou contra Lorena, deixando se guiar pelas emoções.

A morena colocou um pé para trás e firmou o da frente, recebendo o impacto do corpo de Annie contra o seu e usando esse mesmo impulso para jogá-la no chão, sentar em seu abdômen e atingir o rosto da loira repetidas vezes antes que soldados a separassem e algemasse sua antiga amiga.

Annie, cuspindo sangue, disparou contra Lorena uma série de acusações.

–Você nos traiu! TRAIU SUA PRÓPRIA FAMÍLIA!

Lorena riu com escárnio.

Levi se aproximou e passou a prestar atenção na situação. Um dos soldados tinha uma lâmina pronta para matar Annie. Entretanto, Lorena impediu que a espada chegasse até a antiga amiga, usando uma das lâminas que um dos homens havia perdido durante a confusão.

–Não há vantagens em matá-la agora. - Lorena disse forçando a recuada do outro, que tremia de nervoso e medo.

Aquelas garotas eram assustadoras tanto em sua forma monstruosa, como na forma humana.

Lorena olhou rapidamente para a loira ferida atrás de si e se sentiu culpada. Ainda se importava com a antiga companheira e, mesmo que não quisesse admitir, estava a protegendo.

–Se afasta da Titã, coloque as mãos onde possamos ver e se ajoelhe.

Lorena se virou para quem tinha dado a ordem, encarando friamente o homem.

Obedeceu lentamente, sem demonstrar qualquer emoção.

–Traidora! - Annie grunhiu.

–Parece que somos farinha do mesmo saco, Annie. - Lorena sorriu sarcástica arqueando a sobrancelha - No fim, somos duas vadias traidoras.

Os soldados levaram Annie e tentaram se aproximar de Lorena. A garota olhou mortalmente para todos até focar o olhar em Levi.

–Você deve ser o capitão Levi. - Os olhos azuis esquadrinhou o homem de cima a baixo. Embora estivesse acostumado com todo tipo de olhar, Levi não deixou de se sentir incomodado com aquele intenso olhar azul sobre si - Não é tão impressionante olhando bem de perto. Estou até decepcionada.

O olhar frio do capitão sobre si não a abalou. Ackerman não respondeu a jovem. Burburinhos começaram entre os soldados, mas ele apenas encarava a moça.

De certa forma, lhe era muito familiar.

–Achei, inclusive, pela sua fama, que fosse mais inteligente - Continuou a mulher num falso tom casual - Mas sequer enxergou algo que estava bem debaixo do seu nariz. - A casualidade deu lugar a um tom sombrio.

Levi olhou no fundo dos olhos azuis. Embora parecessem neutros, o capitão enxergou ódio e dor neles.

Ainda sim, sentiu o corpo tencionar, a raiva ameaçando dominá-lo.

Afinal, quem aquela pirralha atrevida achava que era? Não passava de um monstro. Uma arma. Apenas mais uma ameaça a ser neutralizada.

–Acho que tem muitas perguntas a responder. Vou me divertir em arrancar as respostas que quero de você.

A morena gargalhou diante da ameaça.

Idiota! Tem muito o que aprender.

–No final, Capitão Ackerman, verá que somos mais parecidos do que imagina. Dois humanos forçados a serem monstros.

Aquelas palavras atingiram em cheio o capitão. Entretanto, ele apenas balançou a cabeça em descaso.

–Não somos parecidos.

A garota sorriu enigmática.

– Escreva minha palavras, capitão. Você vai ter que engolir a minha presença por muito tempo. Isso eu lhe garanto.

–Levem-a daqui! - Impaciente, deu a ordem e notou que um homem e uma mulher se aproximaram para obedecer.

O rapaz chegou primeiro e recebeu uma espécie de rosnado da prisioneira.

–Não se atreva a tocar em mim. - Seu tom era agressivo e sua expressão assustadora.

A mulher ainda se aproximou lentamente, se preparando para um possível embate. Mas para a surpresa de todos, Lorena apenas se deixou ser erguida pela soldada, entregando os punhos de boa vontade para ser algemada.

Houve uma nova tentativa de aproximação do homem e a reação foi a mesma.

–Deixem que Tasha cuide disso sozinha. Creio que não haverá problemas

- Levi ordena, curioso com a reação da segunda Titã.

Ela tem uma aversão muito grande ao sexo masculino. Entretanto, não exitou em me provocar. Apenas, o que está planejando?

E com essa dúvida, seguiu para a prisão. Lidaria com Eren e os outros novatos depois. Por hora, iria arrancar tudo que pudesse da morena.

Vamos ver o quão resistente você é.

Capítulo 3 Descontrole

Em alguma cidade distante da segurança das muralhas, anos atrás...

O dia amanheceu. Mas Lorena não viu. Não sabia sequer quanto tempo havia passado desde o momento que se escondeu no próprio quarto.

Seu corpo doía mais do que quando havia levado uma surra. Sua intimidade se encontrava machucada e suja de sangue. Ainda tinha que lidar com o peso de suas emoções.

Culpa, humilhação, raiva, vingança, desejo de suicídio. Tudo isso lhe pesava na mente e a garota só queria que aquilo passasse.

Se encontrava dormente, com o olhar perdido em algum ponto aleatório na estante abarrotada de livros. Não ouviu a porta abrir. Não viu o olhar de espanto que lhe foi dirigido. Não notou a raiva alheia.

Lorena era apenas uma casca vazia. Sua alma estava morta.

–O que aconteceu com você? O que meu pai fez? - Jonathan questionou segurando a ânsia de vômito que lhe acometia.

Ele tinha uma ligeira noção do que havia ocorrido. Só não queria ter a confirmação que seu pai era tão monstruoso. E pior, lembrar que por muito tempo, ele próprio apoiou esse monstro.

A risada fria e seca da garota fez Jonathan estremecer. Seu peito pesou com a culpa e os olhos ardiam de raiva.

Como seu pai pode fazer aquilo? Como ele pode apoiar as punições anteriores?

Como aquela família podia ser tão... Desumana?

Jonathan deu um passo em direção a prima, que o olhou com indiferença e lançou uma faca que tinha escondido ali.

Lorena tinha facas escondidas por todo seu quarto. Era um lugar que ela tinha total vantagem contra qualquer um.

O rapaz parou quando sentiu uma leve ardência no lado esquerdo do rosto. Um filete de sangue escorria de sua bochecha. O olhar azul se encontrou com a garota, que rodava outra lâmina entre os dedos.

–Você não vai terminar o serviço daquele velho nojento. Ninguém mais vai tocar em mim. NINGUÉM. - Fúria e desejo por sangue eram nítidos nas orbes femininas.

Jonathan recuou dois passos, assustado e ligeiramente ofendido, mas não surpreso.

–Não sou um monstro.

–Sim. Sim, você é um monstro. Assim como seu pai e seu irmão. - Rindo sombriamente, completou - Assim como eu.

Com dificuldade, se pôs de pé, ignorando as ondas de dores em seu corpo, bem como o latejar dolorido de sua intimidade.

Seu primo exitou em ajudá-la. Entretanto, não foi preciso ele fazer algo.

–Lory... - O sussurro angustiado fez a morena fechar os olhos com força. Era muito humilhante.

–Annie... Não devia estar aqui. - A garota diz sem olhar para a amiga.

Annie olhava sua companheira com um forte aperto no coração. Seus olhos estavam arregalados e sua respiração era oscilante.

As peças se encaixavam rapidamente em sua mente ágil e, tomada de uma fúria não racional, a loira atacou e dominou Jonathan, acreditando ser ele o culpado.

Seu punho chocou-se contra o rosto do rapaz repetidas vezes. O sangue manchava suas mãos e o chão.

Lorena voltou a cair no chão, se sentindo incapaz de reagir a cena em sua frente. Era como se fosse um filme numa TV distante.

–Annie... - Ela chamou e foi o suficiente para que a outra a olhasse.

O embate dos olhares azuis mostrava a diferença clara do estado de espírito das garotas.

Annie tinha os olhos agitados, furiosos e angustiados.

Lorena tem os olhos tristes, opacos e mortos.

–Controle suas emoções - Lorena termina de forma seca.

A loira notando que ainda estava em cima de Jonathan e com os punhos úmidos de sangue, pulou para longe como se tivesse recebido um choque e se guiou até a amiga.

Arrastou a mesma para o banheiro, colocando-a no banho e separando roupas limpas e confortáveis para ela.

Jonathan levantou com as vistas embaçadas e completamente zonzo.

Ela é tão forte quanto Lorena. Senão mais...

Ele já havia ligado contra a prima e tinha a Teoria que garotas poderiam ser mais fortes que garotos por terem uma determinação grande de provar que eram tão capazes quanto os homens. Quiçá, ainda mais do que homens.

E depois de ter apanhado por outra mulher, essa teoria ganhou um segundo ponto. Garotas são mais fortes defendendo quem amam.

Annie ainda o fuzilava com os olhos. Porém, estava mais preocupada em dar apoio a sua amiga.

A morena andava com dificuldade por causa da dor entre as pernas. Além disso, havia a constante sensação de humilhação.

Por Deus, ela mataria seu tio. Faria ele pagar por tudo.

Os outros dois notaram a mudança em sua fisionomia.

–Vamos te ajudar - Seu primo disse com dificuldade, massageando o maxilar. Annie provavelmente o deslocara. - Não é certo o que ele fez. Lory, desculpa. - Culpa tomou o rapaz que, se ajoelhou em frente da prima e com lágrimas escorrendo, implorou perdão.

Annie observava com frieza, louca para terminar de quebrar a cara daquele inseto infeliz.

Para ela, era muita audácia da parte dele implorar perdão depois de anos torturando a própria prima.

Antes de qualquer pronunciamento, ouviram a porta da entrada bater com certa violência.

Lorena, que sempre foi ágil, fria e corajosa, encontrava-se com os olhos arregalados de pavor, encolhida e trêmula.

Annie, por outro lado, pensava em uma saída rápida e não traumática para a morena. Ela já enfrentou muito e estava sendo incrivelmente forte em seu ponto de vista.

Ficou próxima a beira da cama, onde poderia atacar e se defender com facilidade. Pegou a faca que anteriormente a morena jogara contra o primo e esperou, os músculos tensos, mandíbula trincada.

Jonathan levantou e ficou um pouco mais à frente, atrás da porta, onde poderia atacar por trás e ter melhor domínio.

Começaria a compensar a prima agora.

A respiração de Lorena era rápida e sem ritmo. Ela estava à beira de um Ataque de Pânico. Sua garganta parecia fechar, o corpo tremia e as lágrimas escorriam de seus olhos.

Ela não suportaria mais nada.

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