15 dias para o Natal
Nova York
Isabella
Em minha cama, permaneço olhando para a tela em branco do meu notebook.
Por amar escrever, escolhi a carreira de escritora e sempre tive facilidade para transformar pensamentos em palavras. No entanto, desde que comecei esse novo livro, venho enfrentando um bloqueio criativo e até agora não consegui sequer escrever o prólogo.
O que também não ajuda em nada é a pressão do meu editor, Travis Simmons. Ele tem ficado no meu pé, querendo que eu entregue algo para ele, para que já comece a trabalhar em como será a divulgação e capa.
Sou tirada dos meus pensamentos com toque do celular. É só pensar no diabo, que ele logo aparece.
- Boa tarde, Travis.
- Boa tarde, Bella.
Levanto-me da cama e me vou até a sacada do meu quarto, daqui tenho uma perfeita vista do Central Park, e devido à altura, o barulho dos carros quase não incomoda.
- Então Bella, como anda a escrita do seu novo livro?
Essa tem sido sua pergunta, quando me faz a ligação diária para cobrança.
- Continuo sem conseguir escrever.
- O que está acontecendo com você Bella? Sempre foi tão boa para escrever, e agora está assim.
- Como dizem, tem uma primeira vez para tudo.
- Estou percebendo, já está há quase um mês parada, só tentando escrever.
- Infelizmente estou com bloqueio, é algo que todo escritor passa em algum momento.
- Sei disso. O que quero saber é quanto tempo esse bloqueio criativo irá durar?
- Não faço ideia, Travis. O que estou tendo não tenho como saber em que momento ele irá passar.
- Assim fica difícil, Bella.
- E você me ligando apenas para ficar pressionando não ajuda em nada, só deixa tudo pior. - Não tinha intenção de ser grossa com ele, só estou cansada.
- Desculpe, é que também estou sendo pressionado para ter esse seu novo romance. Mas vou te dar alguns dias de sossego para ver se resolve.
- Também sinto muito.
- Tudo bem, entendo que não está fácil. Será que posso dar uma sugestão a você?
- Claro.
- Ficar trancada em seu apartamento não faz bem para seu bloqueio. Então faça uma viagem, aproveite que o Natal está chegando e visite algum lugar que consiga relaxar, para encontrar de novo sua inspiração e voltar a escrever.
- É uma boa ideia, vou fazer isso sim, só não sei para onde irei.
- Pense com cuidado, se precisar de dicas me avise.
- Pode deixar, obrigada Travis.
- Disponha.
Encerramos a ligação, e permaneço olhando o parque, pensando em para onde posso viajar e ter esse sossego que preciso para superar o bloqueio.
Eu poderia ir para qualquer lugar, sei que existem muitas opções, por vezes já vi lugares lindos em alguma pesquisa para meus livros. No entanto, passar o Natal sozinha, rodeada de estranhos, não é legal. E sendo assim, só existe um lugar onde terei sossego e boa companhia.
Estou decidida... irei para Leavenworth, ficar com meus avós. A pequena cidade localizada no estado de Washington, tem pouco mais de dois mil habitantes e é uma reprodução da Alemanha, tanto que possui a mais frequentada Oktoberfest fora de Munique. Ela é também muito Natalina, e nessa época do ano tem muitos festivais.
Novamente meu celular toca, porém dessa vez é Madison me chamando para encontrá-la na cafeteria, pois tem um tempinho livre antes do próximo paciente. Por ela ser dentista, é raro seus momentos de descanso, então vou logo ao seu encontro.
Antes de sair, apenas troquei de roupa para uma mais apresentável e que me agasalhe do frio. Optei por uma blusa de gola alta, uma preta justa no corpo, com uma bota de salto agulha fino. E para fugir de parecer alguém de luto, por toda roupa preta, escolhi um casaco vermelho.
Por ser perto, resolvo ir andando e ao entrar no Sabarsky, parei próxima a porta, procurando por minha amiga em meio as mesas ocupadas. Ela me vê primeiro e levanta a mão, vou até ela e nos abraçamos.
- Espero que não se importe, mas já fiz nossos pedidos, assim temos mais tempo.
Aqui é nosso lugar de encontro, sempre estamos aqui, já sabemos o que pedir.
- Sem problemas.
- Que bom, aproveitei que o paciente cancelou a pouco e quis te ver. Como você está?
- Estou bem, e você?
- Também estou bem. Mas e a escrita, tem conseguido escrever?
Ao contrário das perguntas de Travis, sei que ela está realmente preocupada comigo.
- Bem que eu queria, não estou conseguindo escrever nada.
- Nada mesmo?
- Não, nem sequer decidi qual vai ser o plot da história, e sem isso não sei como seguir em frente. Esse bloqueio está me matando.
- Não fica assim, você é muito talentosa e logo vai conseguir escrever um novo bestseller.
- Tomara amiga. O Travis me deu uma ideia para superar esse bloqueio.
A garçonete vem trazendo nossos pedidos e os coloca na mesa, agradecemos e ela se afasta. Madison pediu uma Mozarttorte, que é feito com massa Nougat com recheio de pistache e glaceado com chocolate. O charme dele está nas claves desenhadas em cima com chocolate branco.
- E qual ideia ele deu?
- Para que eu faça uma viagem e descanse um pouco.
- É uma grande ideia, e está pensando em ir para onde?
- Pensei em ir para Leavenworth.
- Vai ficar uns dias com os seus avós?
- Sim, tem um tempo que não os visito. Estou com saudade de poder dar um abraço bem apertado neles.
- Eles vão gostar.
- Com certeza sim, eles vivem querendo que eu vá para lá.
- Se dependesse deles, você já morava lá há muitos anos.
- É verdade, até tenho um quarto só meu na casa deles. E indo para lá, não passarei o Natal sozinha.
Tento não me abalar com essa questão, desde o divórcio de meus pais, nunca mais comemorei a data com eles. Em alguns anos, meus avós vem ficar comigo, porém sempre somos só nós três.
- Ei, nada de ficar triste. Você vai viajar e se divertir, e não se preocupe com nossa comemoração de pré-Natal, podemos fazer depois, quando você voltar.
- É bom poder contar com vocês.
Ficamos um pouco em silêncio para comer nossa torta, por vezes não sei o que seria de mim sem meus amigos por perto. Todo o grupo está junto desde o Middle School.
O tempo de descanso dela está terminamos, então pagamos a conta e nos despedimos, prometendo nos encontrar antes da viagem.
Enquanto vou andando para casa, fico observando as pessoas andando, imersas em suas próprias vidas e cada uma com seus problemas. A empolgação das crianças, mesmo com todo esse frio é fofo, elas estão tranquilas em seu mundinho livre de problemas e dores, ao menos assim desejo a elas. Acho graça dos turistas deslumbrados andando no Central Park e tirando fotos. Não sei se é por ter sempre morado por aqui, mas não acho nada de tão inédito um parque no meio da cidade.
De volta ao meu apartamento, peguei o notebook para falar com meus avós. Já tem alguns anos que os presenteei com um computador para que possamos conversar quase todo dia, mesmo morando tão longe, eles sempre estiveram presentes em minha vida. Joane e Harold são pessoas muito carinhosas e bem gentis, eles são muitos queridos por todos que os conhecem.
Não foi preciso tocar muito, e logo sou recebida pelos sorrisos de meus avós na tela.
Como tenho a resposta deles de que posso ligar e o que faço, foi preciso de dos toques para que atendam sorridente e faço questão de retribui sorrindo de volta. Consigo identificar que estão na sala de jantar devido à decoração do ambiente.
- Nossa querida netinha como você está?
- Estou bem e vocês?
- Bem também, só com saudade de poder dar um abraço em você.
- Também estou com saudades. E tenho uma novidade para contar aos dois.
- O que aconteceu menina?
- Estou precisando de um descanso e decidi passar o Natal com vocês, se não tiverem outros planos.
- Querida, para você sempre deixaremos qualquer plano. - Fico emocionada com as palavras deles. - E ficamos muito alegres com sua visita.
- Que bom, vovó
- Que dia virá?
- Imagino que daqui uns três ou quatro dias, é o tempo que preciso para organizar tudo para essa viagem.
- Estaremos esperando ansiosos.
Sorrio para eles, é possível ver a felicidade deles por saber que passaremos o Natal juntos.
Isabella
- Sua mãe também virá? - Posso sentir a esperança na voz de minha avó, uma que já perdi tem um tempo.
- Não sei, vovó. Ainda não falei com ela sobre a viagem, mas duvido que Kendra vá viajar, não deixará o trabalho de lado por isso.
- Uma pena queria ver a Kendra.
- Querida, não fique assim, sabe como nossa filha é.
- Sei sim, nunca nos liga e se ligamos, não fica conversando mais do que cinco minutos.
Bem que a minha mãe poderia dar mais carinho aos pais, quem vê de fora, pensaria que eles foram horríveis na criação dela. Quando na verdade, ela não poderia ter sido criada por pais melhores. O problema é mesmo com minha mãe, que é uma mulher fechada que não demonstra seus sentimentos. Tudo por culpa do meu pai, que fez até mesmo ela se fechar para mim.
- Vovó ela sempre está ocupada com o trabalho, não para pôr nada.
- O trabalho é só desculpa, sua mãe sempre está muito ocupada é para família.
- Harold não fale assim.
- E a verdade, Joane. A Kendra deixa bem claro que o trabalho dela é mais importante do que a família.
Meu avô está muito certo. Às vezes me sinto órfã tendo os pais vivos.
- Harold, ela apenas gosta de trabalhar.
- E tem momentos que só isso que ela parece gostar, Joane. A Kendra mora em Nova York e quase não se encontra com a filha. Não é Bella?
- Sim, vovô, Kendra nunca teve tempo para mim e isso não mudará. Muitas vezes liguei chamando ela para sair comigo, ou mesmo ir em um restaurante só para comer juntas, mas ela recusa dizendo que não pode porque tem que trabalhar.
Sei que o trabalho é algo importante, entretanto não pode ser a única coisa que importa na vida, a família é mais importante, mas para Kendra Bennett o que mais importa é o trabalho. Ela se tornou uma mulher muito bem sucedida, mas para isso esqueceu a família. Só queria ter uma mãe amorosa, como é o caso das minhas amigas, mas esse é um desejo que nunca se realizou.
- Nos deixa triste ver o seu olhar quando comenta que o único interesse da sua é trabalho.
- Vovô, não gosto de falar sobre isso.
- Sabemos disso querida. Então vamos falar sobre sua viagem, quando chegar te levaremos a Ambrosia.
- Ambrosia? O que é isso?
- É uma confeitaria da cidade, foi inaugurada depois da sua última visita. Isso já tem uns 6 anos?
- Deve ser, acho que fui no meu aniversário de 18 anos, depois que formei no colégio vocês que sempre vem para cá.
Sei que eles fazem isso, pois é a única forma deles verem minha mãe, que depois do divórcio se fechou por completo, até mesmo com a própria família. Assim nós que vamos até ela, nunca o inverso.
- E sobre essa confeitaria, eu conheço o dono ou dona dela?
- Se conhecer, não sei se irá se lembrar. Mas tenho certeza de que irá se dar muito bem com o Levi.
Apenas dou um sorriso, deve ser um senhorzinho fofo, aquele tipo de vozinho que fica dizendo que devemos comer mais, e por isso acreditam que vou me dar bem com ele.
- Harold tem razão, você é uma formiguinha, vai amar os doces que ele faz.
Deve ser divertido alguém de mais idade cozinhando, eu me divirto muito quando vou para a cozinha com meus avós.
- Vou gostar de conhecer ele então.
Conversamos mais um pouco antes de desligar, eles vão jantar na casa de um vizinho. Já eu ficarei sozinha nesse apartamento.
Por vezes essa solidão me sufoca, e penso se não é isso que está causando meu bloqueio. Eu consigo escrever histórias lindas para meus personagens, com finais felizes e encontrando um amor maravilhoso. E não tenho nada disso para vivenciar.
Até quando vou ficar sozinha nessa vida
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14 dias para o Natal
Leavenworth
Levi
O som estridente do despertador me faz acordar para mais um dia de trabalho, só queria ficar um pouco mais na cama, que está tão quentinha.
Após usar o banheiro, sigo para o quarto de Abigail, minha pequena está dormindo abraçada em seu ursinho de pelúcia. A única iluminação no quarto, vem do abajur de borboleta, que combina bem com o tom de rosa do quarto.
Quando minha amada esposa morreu em um acidente há dois anos, foi pela Abbie que levantei da cama toda manhã e não me entreguei ao luto. Minha princesa tinha apenas três anos e não entendia por que a mãe não estava mais em casa.
Decido deixá-la dormindo mais um pouco e desço para a cozinha, vou preparar as panquecas que ela tanto gosta, já que hoje precisarei tirar ela cedo da cama, pois sua babá ligou ontem à noite avisando que a família está com virose e ela não quer expor Abbie a doença.
Com tudo pronto, retorno ao quarto dela e me abaixo próximo a cama, fazendo um carinho em seus cabelos para acordá-la. Que só abriu um pouquinho os olhos e virou para o outro lado.
- Hora de acordar, princesa.
- Não quero, papai, deixa dormir mais um pouquinho.
- Se ficar na cama, suas panquecas de ursinhos vão ficar geladas.
Rapidamente ela levanta da cama, correndo para o banheiro, sabia que as panquecas iriam animar ela. A peguei no colo e desço a colocando em sua cadeira perto da ilha, para que possamos comer juntos.
A vendo assim, penso no que tenho ouvido de tantas pessoas da cidade. Que está na hora de superar o luto e arrumar uma namorada. O que não entendem é que para entrar em um relacionamento a moça tem que gostar da minha filha, e Abbie gostar da mulher, pois ela é e sempre será a minha prioridade. Quando essa mulher aparecer, não irei me recusar a essa nova chance para o amor.
Deixo esses pensamentos de lado para focar em minha garotinha, que está terminando de comer.
- Papai, porque acordei cedo, a Bruna não vem?
- Não princesa, ela ficará uns dias em casa, cuidando do Luan e Emma.
Emma é mãe solteira, e minha diarista, então contratei Bruna para cuidar de Abbie, por ser conhecida e de confiança. Por vezes, ela traz Luan junto, ele e Abbie são bem amiguinhos e estudam juntos.
Abbie deu um sorriso e voltou a comer, mesmo com apenas cinco anos, ela é muito inteligente, e também bem sapeca.
Ao terminar, subo com ela e a visto primeiro, optando por colocar um macacão de unicórnio, que é quase um pijama, mas bem quente e confortável. Arrumei seu cabelo com duas trancinhas, e coloco o gorro.
- Agora fique aqui assistindo um pouco de desenho, que o papai vai se arrumar e já volta.
- Tudo bem, papai.
Beijo sua testa e vou direto para o meu quarto, não me demoro muito, pois tenho uma parte do closet só para roupas de trabalho, composta de jeans e camisetas. A única diferença está no uso do casaco.
- Vamos princesa, na Ambrosia você assiste mais desenho.
Por morar perto da confeitaria, prefiro ir caminhando e aproveitar o clima frio que dura tão pouco no ano. Como Abbie tem dificuldade em andar por conta da neve, eu a carrego no colo. Acho fofo como ela vai dando tchau para todos que encontramos no caminho, ela é uma criança muito amorosa.
Levi
Ao entrar na confeitaria, cumprimentei todos os clientes que estão ali, bem como os funcionários, e segui para o fundo, onde tem meu escritório e o quarto da Abbie. Nesse cômodo tem uma cama, TV, uma mesa para desenhar e vários brinquedos. Tudo para que ela possa se entreter quando preciso trazê-la comigo.
- Princesa, fique brincando aqui que o papai precisa trabalhar.
- Vou ficar boazinha, papai.
- Se precisar é só ir chamar o papai ou a Alina.
Desde que ela aprendeu a andar, Claire já ensinava que não podia entrar na cozinha, por medo dela se machucar, e aqui na confeitaria se torna ainda mais perigoso. E ela conhece bem essa regra, nunca precisei chamar sua atenção.
Ela logo vai desenhar e vou para meu escritório, ontem não terminei uns documentos e preciso resolver isso logo. Ao finalizar, vou ao salão e me aproximo de Alina, minha gerente e que cuida do caixa.
- Como estão as coisas hoje?
- Até que bem agitadas, muitos clientes entrando e várias encomendas para entregar.
- Assim que é bom. E como estão os doces Natalinos?
- Saindo super bem, as crianças ficam eufóricas quando os vê.
Dou um sorriso, todo ano passo uma semana com Abbie escolhendo quais serão os doces servidos.
Vou para a cozinha e ajudo Tyler, marido de Alina, no preparo dos pedidos das encomendas, enquanto todos os demais se concentram nos clientes que estão no salão.
O tempo passa voando até que Alina vem me chamar, pois Abbie está com fome, nem notei que já estava na hora do almoço. Fui até o quarto dela, coloquei nossos casacos e optei por comer em casa, Abbie fez questão de chamar o tio Chris. É rotina ele comer com nós, já que somos sua única família, uma vez que seus pais não estão presentes em nossas vidas, assim como não estiveram na da Claire, nem ao menos conhecem a Abbie.
🎄🎄🎄🎄🎄
Após o almoço voltamos para a Ambrosia e coloquei Abbie na cama para seu soninho da tarde.
Ao ver que está quase sem doces Natalinos no balcão, fui a cozinha fazer mais. Demora um pouco até que todos estejam prontos e confeitados, e os levo para colocar na vitrine.
Quando Harold e Joane entram, já dou um sorriso, tenho um enorme carinho por eles, são como avós para mim e foram meu suporte quando perdi meus pais, e novamente após a morte de Claire.
- Boa tarde, Levi. Como vai?
- Boa tarde, estou bem. E você como estão?
- Não podíamos estar melhor.
- Que bom, aconteceu algo que deixou vocês tão felizes?
- Sim, a nossa netinha está vindo passar o Natal conosco.
Eles sempre falam da neta, pois viajam muito para visitar a garota. Nunca fiz muitas perguntas e nem vi foto dela, mas imagino que seja pequena já que sempre a chamam de netinha.
- Que bom, quando ela chegará?
- Daqui uns dois dias. - Falam empolgados.
- Ela virá com a mãe?
- Não, nossa filha é muito ocupada com o trabalho, vai ficar em Nova York.
Que tipo de mãe é essa que deixa a filha pequena passar o Natal com os avós e não vem junto? É possível ver como estão empolgados de estar com a neta, sei o quanto amam ela, essa menina tem a sorte que minha Abbie não tem.
- Nunca estive em Nova York, quem sabe um dia consiga ir com a Abbie.
- É uma cidade bonita, mas muito barulhenta para nosso gosto. Mas a pequenina irá gostar, tem muitos lugares para passear.
- Também prefiro o sossego aqui de Leavenworth, mas assim que sua netinha chegar, tragam ela aqui, vou gostar de conhecê-la.
Se ela não for muito mais velha que Abbie, as duas poderão ficar brincando, vou gostar de ver minha filha com uma nova amiguinha.
- Também achamos que ela vai gostar de conhecer você.
Deram um sorriso diferente, como se tivessem com algo em mente, que não sei o que é.
- Qual o pedido de vocês hoje?
- Dois chocolate-quente, e dois croissant com recheio de Nutella.
- Podem sentam que logo levarei para vocês.
- Tudo bem.
Foram até uma mesa próxima à parede de vidro, é quase a mesa padrão dos dois. Arrumei o que pediram e levo para eles.
- Obrigado.
- Onde está a Abbie?
- Estava dormindo, dona Joane. Está querendo ver ela? Posso ir ver se já acordou.
- Se não for incomodo, quero sim.
Jamais vou me incomodar de ver alguém dando carinho para Abbie, ao menos com eles ela tem uma experiencia de ter avós.
- De forma alguma, irei chamá-la.
Ao chegar no quarto, encontro Abbie deitada na cama, assistindo um desenho.
- Oi princesa.
- Oi, papai. - Levantou e veio até mim.
- Tem alguém no salão querendo te ver.
- Quem? - Seus olhinhos demonstram curiosidade.
- A Joane e o Harold.
- Eba.
- O papai apenas vai desligar a televisão e... - Abbie nem esperou eu terminar de falar e saiu correndo.
Desliguei a televisão e vou atrás dela, a encontrando já sentada e conversando com os dois.
Sabendo que ela deve estar com fome, já vou preparar seu chocolate-quente, colocando pequenos marshmallow para formar um boneco de neve. Também peguei um cupcake de chocolate, decorado com creme de confeiteiro formando um corpo para o boneco de neve, e a cabeça de marshmallow, com bracinhos de chocolate.
Peguei algo para mim e vou até a mesa, ao ver os doces, Abbie logo deu um sorriso fofo. Ela está em uma fase apaixonada por Frozen, e tudo quer com o Olaf.
- Muito obrigado, papai.
- De nada, princesa.
Dou um sorriso com a sua empolgação.
- Abbie, você tem que ir um dia lá em casa para fazermos juntos um boneco de neve.
- Eu quero Harold. Que dia podemos ir, papai?
- No dia que o Harold e a Joane quiserem.
- Que tal no fim de semana? Assim a nossa netinha poderá fazer junto, ela vai adorar participar.
- Adorei, Joane, como ela se chama?
Abbie nem é curiosa, e só então me dou conta que não lembro o nome da garota, mesmo eles já tendo falado outras vezes.
- Isabella, mas gosta que a chamem de Bella.
- Quero conhecer ela, quando vem?
- Daqui uns dois dias.
É notável que eles estão ansiosos pela chegada da neta, e agora pelo visto Abbie também ficará, tanto pela nova amiga, como parar fazer o boneco de neve.
Permanecemos ali conversando, com Abbie falando sem parar, que está empolgada com a arvore sendo montada na praça.
Ao notar que Abbie está com a boca suja, peguei um guardanapo para limpar.
- Obrigada, papai.
- Levi, estava tudo uma delícia, mas precisamos ir embora, temos que resolver algumas coisas para a chegada da Bella.
- Agradeço por terem vindo, e por favor, tragam ela para comer um doce quando chegar.
- Com certeza vamos trazer, seus doces são os melhores.
- Joane tem razão, você é um confeiteiro muito talentoso.
- Obrigado, é sempre bom ver os clientes satisfeitos, mais ainda sendo amigos tão queridos.
- E em breve terá uma nova cliente, tenho certeza de que a Bella irá querer vir todos os dias.
- Vou receber ela com muito carinho.
Eu mesmo fui buscar a conta deles, que Harold colocou o dinheiro dentro e pediu para o troco ficar na caixinha. Eu deixo a caixinha ali o ano inteiro, e depois do Natal, uso para fazer um dia especial para as crianças carentes, que moram em um abrigo da cidade. Com direito a doces e presentes.
Após dar um abraço em Abbie, e se despedir de mim, os dois vão embora.
- Filha, vai ficar aqui no salão ou voltar para seu quartinho?
- Quero ficar aqui com você.
- Está bem, mas o papai precisa trabalhar, então vou trazer seu livro de colorir.
Peguei o kit dela e ao entregar, dei um beijo em sua testa, gosto quando ela fica aqui, assim posso dar mais atenção a minha garotinha.