Heloisa estava em pânico dentro do banheiro de sua casa, se olhando no espelho e com as mãos tremendo enquanto tinha o calendário aberto em seu celular. Sua menstruação era pra ter vindo dois dias atras, mas ao invés dos sintomas normais ela sentia outros, e com isso mais desespero se formava em si.
A verdade é que ela não se lembrava muito bem daquela noite há dois meses atrás. Foi fotografar a festa de uma empresa, e estava no começo dos dias de ovulação, conseguia ir ao seu compromisso. Mas lá, envolvida no ambiente,acabou esquecendo e conversando com um homem muito bonito e cheiroso. Cheirava a grama molhada. E bem, Heloisa no começo da se deixou levar.
Ele se lembrava de ter bebido, de ter o beijado, mas depois só se lembrava de ter acordado sozinha e ido embora.Nunca mais teve notícias do homem. Lembrava seu nome: Gustavo Afonso, mas acabou nem procurando. Heloisa nao queria nada com ele.
Ela não era assim, de fazer sexo do nada com alguém, mas a ovulação foi descontrolada aquele dia, e a bebida junto...
- Pronto, cheguei - Gisele apareceu em em seu apartamento, os cabelos suados pela correria, estava ofegante.
- Trouxe? - Heloisa a olhou ansiosa.
- Trouxe - a amiga lhe entregou a sacola - Você acha que pode mesmo...
- Não sei Gi, melhor tirar a dúvida logo...
Gisele saiu do banheiro enquanto esperava Heloisa, que fazia os tres exames que a amiga trouxe. Minutos depois os tres estavam dentro da pia. Os três positivos.
- Pode dar falso, não pode? - Heloisa perguntou.
- Os três? - Gisele retrucou.
- Eu vou fazer um de sangue amanhã,não pode ter dado positivo, não posso engravidar antes da ovulação...
- Mas e se você ficou tão bêbada aquela noite que não sentiu a ovulação começar de fato e nao lembra de terem usado camisinha?
- Caralho Gisele me ajuda! - Heloisa disse desesperada saindo do banheiro e indo até a sala,se jogou no sofá e começou a roer a unha do dedão - Não pode tá positivo...
- Você ao menos se lembra quem é o pai? - Gisele perguntou, sentando ao seu lado.
Heloisa a fuzilou com o olhar - Claro que lembro, mas nao quero nada dele, o erro foi meu...
- E dele não que não usou camisinha né Lolo? Para de ser tão gente boa, talvez você tenha algo pra vida inteira aí dentro de você, ele tem o dever de ajudar.
- O máximo que posso fazer é contar pra ele, e só, não quero que ele se envolva se não quiser...
Gisele tirou o celular de dentro do bolso - Fala o nome, vou pesquisar no instagram.
Heloisa bufou - Gustavo Afonso. - Momentos depois Gisele digitava com olhos arregalados - O que foi?
- Seu Gustavo Afonso por acaso é esse Gustavo Afonso? -a amiga mostrou uma foto do homem no celular.
- É sim... porque?
- Puta sorte Heloisa o cara é milionário! É ceo no Rio!
Heloisa arregalou os olhos - Agora é que eu não conto mesmo, ele vai achar que foi tudo armado!
- Mas não foi você que disse que não queria nada dele? Direito se saber ele tem,e como eu disse, ele poderia muito bem ter tirado o pinto antes de gozar mas nao tirou...
- Gisele! - Heloisa a repreendeu rindo e depois seu semblante fechou e ela colocou a mão no rosto, sufocando um soluço.
- Lolo... - Gisele disse se aproximando e abraçando a amiga.
- O que eu vou fazer? - Heloisa disse soluçando.
- Olha pra mim - Gisele pediu e Heloisa ergueu o rosto molhado a ela - Você vai fazer o exame de sangue amanhã, e se der positivo mesmo, você vai respirar fundo, entrar em contato com esse Gustavo Afonso,e entao seguir em frente. Enfrentando tudo como você sempre fez. Você é forte e decidida Lolo... vai dar tudo certo, e eu vou estar aqui com você em tudo. Certo?
Heloisa assentiu, e então voltou a abraçar a amiga. De noite, deitada na cama, Heloisa nao conseguia dormir. Levou as mãos de forma tímida até a barriga, pensando se teria mesmo um serzinho ali.
Respirou fundo, sentindo em seu coração algo diferente brotar.
No outro dia lá estava ela com sua nova realidade nas mãos. Estava mesmo grávida de quase 8 semanas.
Parado em frente ao laboratório ela não sabia o que fazer, e em seu maior ato de coragem acabou pegando o número da empresa de Gustavo ,sua inocência nem pensou que, por ser o CEO, falar com Gustavo diretamente seria quase impossível, mas ela queria tanto se livrar daquilo que nem pensou duas vezes. Se sentou no banco da praça da cidade, discou o número, e, com lágrimas nos olhos, esperou.
~
Leonardo estava no hall de entrada naquela quarta feira entediante. Nem sabia porque estava ali, não costumava ficar por ali, mas a secretaria disse que tinha chegado um pacote para si e fora buscar, então ele esperava, encostado no balcão.Mexia no celular, impaciente, enquanto esperava. Foi quando o telefone começou a tocar.
De primeira ele ignorou, afinal, aquela nao era sua função e sabe-se lá quem estaria ligando pra querer o que.
Mas o barulho estava o irritando.Insistente, o telefone não parou de tocar, e Leonardo, movido pela irritação, acabou atendendo. - Alô - Ele disse curto e Grosso.
A voz na outra linha fungou "B-boa tarde eu g-gostaria de f-falar com Gustavo Afonso"
Leonardo franziu a testa - Quem tá falando?
"Heloisa Santos, mas talvez ele n-não se l-lembre de m-mim..."
- Garota isso é trote? Nao to com paciência pra isso...
"NAO POR F-FAVOR, por favor me e-escuta eu to d-desesperada"
- Você tem 30 segundos pra me falar o que quer.
A voz na outra linha suspirou "Dois meses atrás eu dormi com Gustavo em uma festa e agora to grávida. Eu só quero que ele saiba, só isso. Eu só preciso tirar esse peso de mim"
Leonardo ficou paralisado. Ele poderia achar que era um trote? Poderia. Mas conhecendo o amigo ele sabia que aquilo tinha 100% de chance de ter acontecido. E pelo visto a garota na outra linha estava bem abalada, resolveu dar o benefício da dúvida.- Me passe seu número, eu vou falar com Gustavo. - a garota disse seu número e Leonardo anotou em seu celular. - Como você disse que era seu nome mesmo?
"Heloisa Santo"
- Certo Heloisa Santos, você sabe que se estiver inventando essa história nós podemos te processar por calunia certo?
"Eu nao to inventando"
A garota disse tão convicta que surpreendeu Leonardo - Eu vou falar com Gustavo e te dou um retorno.
"Como posso confiar que você vá falar com ele?"
- Já te mandei um oi no seu whats, sou Leonardo Lemos, procure no Google e vai saber quem Eu sou e que pode confiar em mim. Te dou retorno depois. - e desligou - Porra Gustavo - Ele sussurrou, abrindo a foto de contato de Heloisa Santos e respirando devagar.
Nao podia nem julgar o amigo. A garota era linda demais.
Só esperava que Gustavo arcasse com seus atos.
- Você conhece essa mulher? - Leonardo mostrou o celular do outro lado da mesa na grande sala do sócio. Ele tinha ficado a tarde inteira pensando como falaria para o amigo o que tinha ouvido mais cedo, porque sabia, certamente, que Gustavo se defenderia.
O amigo desviou sua visão da tela e olhou rápido para o celular de Leonardo, voltando a tela e depois voltando ao celular, e dessa vez o pegando da mão do amigo - Ah lembro, uma garota que conheci em Petrópolis, uns dois meses atrás. - Ele entregou o celular para Leonardo e voltou para o computador, mas logo o olhou de novo - Perai, como você tem a foto dela?
- Ela ligou aqui hoje mais cedo, procurando você.
Gustavo sorriu, presunçoso - Elas não se cansam de mim.
- Ela ta grávida.
Gustavo soltou uma risada - Até parece... inventando algo assim pra chamar atenção.
- Eu disse que se fosse mentira iria processa-la e ela disse que não tava inventando.
- E você acreditou?
- Gustavo, ela parecia bem abalada, disse que queria apenas te contar,e eu prometi que contaria.
- Até parece que esse filho é meu Leo... fiquei com a garota em uma festa qualquer, nem me lembro direito.
- Então não se lembra se usou camisinha ou não? - Leonardo o observou e Gustavo ficou em silêncio - Mas que merda hein? E se ao invés de um filho vocês pegassem uma doença?
- Eu tava muito bêbado, não me lembro de muita coisa...
Leonardo suspirou - Você precisa falar com ela...
- Eu não vou falar com ele!
- Sério Gustavo? Imagina o escândalo que ia ser se ela fosse pra imprensa...E se ela conseguir um exame de dna na justiça e for provado que você é o pai e que você não deu assistencia...
- Credo Leo, você fala como se eu fosse um canalha, se o filho for meu claro que vou dar todo suporte possível, mas eu tenho certeza que não é.
Leonardo suspirou - Então fale com ela, chame pra fazer um exame, pra colocar tudo em panos limpos, além da sua reputação temos a da empresa, e eu sou meio dono dela, então, como amigo eu to te pedindo - ele disse se levantando - mas como sócio eu to mandando. - e saiu da sala.
~
A noite, Heloisa estava sentada em seu apartamento, olhando para a televisão ligada sem realmente prestar atenção. Não tinha ido trabalhar pois tinha ficado muito nervosa com o exame, e depois do resultado tinha ficado ainda mais ansiosa.Ficava pensando no cara que tinha atendido seu telefonema, se era alguém de confiança, que iria mesmo falar a Gustavo. Ela realmente não queria nada dele, Heloisa tinha uma renda boa, e tinha juntado um bom dinheiro, era um fotógrafo conhecido em Petrópolis, tinha vários trabalhos,ele só queria que Gustavo soubesse, afinal era um filho dele no mundo, mas respeitaria se ele não quisesse se envolver. Havia amor o suficiente em Heloisa pelos dois.
E sim, Heloisa já estava apaixonada pelo filho que nem aparecia em seu corpo ainda.Prova disso era a caixinha que estava ao seu lado no sofá. Tinha ficado tão emocionada deppis de ter desligado o telefone que, andando no centro da cidade, não resistiu e comprou a primeira coisa que viu. Um sapatinho de bebê.
A mão estava pousada em sua barriga sem ela nem perceber, e sua cabeça estava congelada - nada passava nela. Ela não sabia o que pensar na verdade. Ela pensava que ia casar primeiro, achar um amor, noivar, e então engravidar... não assim do nada...Mas ela sabia que a criança não tinha culpa então não ia colocar um peso nela. Ia amar e dar seu melhor.
Estava tão absorta em suas reflexões que o celular vibrando a assustou. Na tela tinha um número desconhecido e sua barriga gelou ao imaginar quem era.Mas então respirou fundo, não ia deixar um homem a amedrontar, e atendeu o celular. - Alo?
"Heloisa Santos? Aqui é Gustavo Afonso" - e por incrivel que pareça, ela se lembrou de sua voz "Fiquei sabendo que me procurou hoje, como você esta?"
- Eu estou bem, apesar das circunstâncias... - ela disse mexendo na barra da camiseta.
"Então você confirma o que disse ao meu amigo?"
- Eu sei que nós não tivemos tempo de nos conhecermos naquela noite, e eu nem me lembro da maioria dela,mas eu não te procuraria se não tivesse a confirmação.
"E você tem certeza que é meu?" - Heloisa bufou ao telefone "Desculpe, mas você precisa entender minha dúvida..."
- Claro que tenho Gustavo Afonso.
"Então você não se importaria de vir até aqui para fazermos um teste de dna?"
- Não, não me importaria - ela disse respirando fundo - Mas porque eu tenho que ir? Porque você não vem?
Gustavo riu baixinho "Porque é você quem esta falando que eu sou o pai, e porque se der positivo aqui eu posso te dar toda assistencia que precisa..."
- Eu não quero nada seu Gustavo - Heloisa o interrompeu - Eu só queria que soubesse que vai ter um filho seu no mundo, mas não quero seu dinheiro, nem nada do tipo...
"Heloisa, se esse filho for meu ele vai ser filho de um dos mais ricos empresarios do Rio, e eu vou assumir sim,e dar tudo que ele precisa, você não pode me impedir de fazer isso pelo meu filho"
Heloisa fechou os olhos, Gustavo tinha razão - Eu vou ver o preço das passagens e te aviso.
"Eu compro pra você, só me mande seus dados"
- Não, eu tenho dinheiro pra comprar, você paga o exame.
Um silêncio se fez do outro lado "Certo, guarde esse número, é o meu, me avise quando tiver tudo certo."
- Ok.
"Boa noite Heloisa, e qualquer coisa me avise."
- Boa noite. - ela disse e desligou, jogando a cabeça pra trás. Até que não tinha sido muito ruim.
Ela procurou passagens e conseguiu uma para dois dias dali. Queria resolver aquilo logo, só não tinha comprado para o outro dia pois queria ir ao médico e ver como estava tudo.
Na consulta ela ficou sabendo que estava mesmo com 8 semanas, a médica a liberou para ir ao Rio,por ser uma viagem curta, e ela saiu de lá realmente entendendo que seria mãe. Ele seria mãe! E estava transbordando de felicidade.