Era inverno. O frio estava cada dia mais intenso. As ruas eram quase desertas nos finais de semanas. A maioria das pessoas, optavam por ficar em casa com seus familiares.
Ainda era agosto, e claro, um novo semestre se iniciava na Universidade de Grenview.
Nayra, Blair e Dana, amigas de longa data, e agora universitárias, caminhavam pelo campus alegremente. As três se conheceram no colegial, desde então nunca mais se separaram. Como vinham de uma cidade onde o calor era extremo, elas não estavam acostumadas com esse frio penetrante.
- De quem foi a ideia de ingressar em Grenview? O cidadezinha fria ein, mal sinto os meus pés! - Reclamou Blair.
- Eu falei para Nayra, podíamos ter ido para Mandre ou Cantil, lá o clima é mais agradável. - Disse Dana.
- Parem de reclamar, vocês que quiseram vir. Vamos, as aulas vão começar já! - Disse Nayra as puxando para irem mais rápido.
Nayra cursava música e arquitetura. Música sempre foi sua paixão, e por robbie ela decidiu cursar Arquitetura também, e quando tinha tempo assistia algumas aulas de economia com as amigas. Blair e Dana cursavam Economia e finanças. As três seguiram até a sala de aula, onde teriam uma palestra sobre finanças. Nayra quis acompanhar para aprender mais.
Enquanto tomavam os seus lugares. O professor já havia feito a chamada, quando avistou as três entrando em silêncio, e de cabeças baixas. Ele disse alto. - Nayra Leone, Blair Cali e Dana Benson. Atrasadas de novo?
A atenção do professor fez com que todos os estudantes levassem os seus olhares as três meninas. Nayra praguejou dentro de si, ela odiava se atrasar, mas os últimos dias tem sido corrido.
- Nos desculpe professor, será a última vez! - Disse Nayra. O professor fez sinal para se sentarem. Blair e Dana agradeceram Nayra.
No final da aula, como de costume, as três foram almoçar juntas.
- Hum, eu adoro a comida do refeitório, se eu pudesse moraria aqui para sempre! - Disse Blair enquanto comia.
- Ue, mas você deu graças que Nayra nos convidou para morar com ela, disse que não queria viver no campus. - Disse Dana.
Blair fez cara feia - É modo de falar, eu adoro morar com nossa Nana.
Blair abraçou forte Nayra, que fez cara feia. Por um breve momento, isso a fez lembrar o motivo de estar em Grenview.
Aos 14 anos de idade, Nayra se viu com o pai doente, à beira da morte, onde não conseguia nem se comunicar mais. Nelson Leone passou os últimos dias no hospital, enquanto Nayra ficava aos cuidados de uma empregada.
Não demorou muito para que Nayra fosse chamada ao hospital. Ao chegar, ela se deparou com três homens grandes e de terno, onde mais tarde, lhe disseram que seriam advogados.
Nayra recebeu alguns documentos, e contratos. Seu pai estava em estado vegetativo, e os aparelhos teriam que ser desligados, então, ela recebeu da pior forma, e de pessoas que ela nem conhecia, que ao nascer, seu pai havia lhe prometido ao filho mais velho de um grande empresário, como pagamento de uma dívida.
O que Nayra não esperava, era que esse filho mais velho, era ninguém mais, ninguém menos que, Hades Rossi.
Hades foi um irmão para Nayra, ele cuidou dela, e sempre a tratou muito bem. Quando Nayra fez 12 anos, teve seu coração partido, quando soube que Hades tinha ido estudar no exterior para mais tarde, assumir seu lugar na empresa de seu pai. O que mais lhe doeu, apesar da pouca idade, era que ele não tinha nem se despedido.
Hades não suportava a ideia de conviver com a menina que um dia ele teria que casar, ele amava Nayra, mas era como sua irmã mais nova.
Após o falecimento de seu pai, ao tirarem ele dos aparelhos. Nayra foi obrigada a morar com uma tia distante, Casia Leone. Casia era a única parente que Nayra tinha por parte de pai, já que a sua mãe morreu durante seu nascimento, e Nayra acabou nunca conhecendo seus familiares maternos. Nem mesmo depois da morte de seu pai.
Durante sua estadia de 4 anos com sua tia, ela recebia duas pensões, a de seu pai, que ela mal recebia já que a tia alegava que era para despesas da casa, mesmo Nayra sabendo que ela gastava com roupas e joiás. E a outra pensão, era direcionada a uma conta, onde seria usada para seus estudos quando terminasse o ensino médio.
Sua tia Casia odiava o fato de não poder mexer nesse dinheiro, por isso sempre que explodia de raiva, acabava descontando em Nayra, porém como não podia agredi-la, já que o conselho as visitavam toda semana, ela destilava seu ódio com palavras. Nayra também era deixada presa em seu quarto quando não tinha aula e nos finais de semana, ela ficava muitas vezes sem poder comer ou beber. Casia dizia que isso era apenas para ela aprender, e seria seu castigo por ter tirado sua liberdade em ter que cuidar dela. Nayra sofreu muito, e esse dinheiro preso a fazia sentir ódio de quem o mandava. No fundo ela sabia.
Ao completar seus 18 anos, Nayra recebeu a visita dos mesmos homens de terno. Havia muitos papeis, e alguns documentos para ela assinar. Nayra sabia muito bem do que se tratava.
Depois de anos, ela ainda tinha esperanças de que Hades voltaria, ou teria a decência de ligar para ela. Mesmo após a morte de seu pai, ele nunca mandou uma mensagem se quer.
Nayra teve que assinar alguns papeis, um deles tinha uma assinatura com o nome de Hades Rossi, claramente era o contrato de casamento. Depois de alguns segundos, olhando aquela assinatura, Nayra sentiu uma tristeza em seu coração, e se perguntou do por que, de tudo isso estar acontecendo em sua vida.
Mesmo após 1 ano de casados, Nayra e Hades ainda não se viam, desde que ele foi embora, a 7 anos atrás. Com o tempo, Nayra foi deixando de lado o sentimento que nutria por Hades, o sentimento de irmão. Ela ficou indiferente quando algo era relacionado a ele.
Ela decidiu ter paciência durante o período do contrato, que dizia que, após 3 anos eles poderiam se divorciar e seguir suas vidas. Faltavam 2 anos ainda.
Após almoçarem. Nayra e suas amigas passearam pela cidade e as oito da noite, finalmente chegaram ao apartamento onde moravam.
Nayra ganhou o Ap no dia em que se casou com Hades. Como um presente. Todas as suas despesas e custas, eram pagas pelo mesmo, por sigilo, o que não era um segredo para Nayra. Ele também mandava presentes em datas comemorativas. Havia uma conta bancária no nome de Nayra, onde ele depositava uma quantia generosa todo o mês, para ela usar como quisesse.
Como o apartamento era grande, Nayra convenceu suas amigas a irem morar com ela, já que iriam para a mesma faculdade.
- Até hoje não entendo como seu pai deixou esse Ap para você, mas você só soube depois que fez 18 anos. Poderia ter te poupado de viver com aquela megera. – Disse Blair enquanto colocava uma mascará facial.
Nayra havia dito, que ganhou o Ap como herança depois da morte de seu pai. Ela não pretendia contar sobre Hades tão cedo, mesmo querendo muito. Guardar esse segredo era sufocante.
- Eu acho que ele sabia que Tia Casia iria dar um jeito te pegar para ela, ou se aproveitar mais de mim. – Respondeu Nayra.
- Mesmo assim, é seu. Ela não ia conseguir tirar de você! – Continuou Blair.
- Isso não importa mais, já passou e agora eu estou aqui, e com minhas melhores amigas. O passado não me importa mais. – Disse Nayra, que por um breve momento se lembrou de Hades. As três se abraçaram.
Mais tarde, enquanto jantavam. A campainha tocou. Dana foi ver quem era.
- Boa noite, entrega para a Srta. Nayra, deixaram na recepção. – Era uma das camareiras do prédio.
- É aqui mesmo – Respondeu Dana. A camareira entregou a caixa e saiu.
- Nayra, isso é para você! Nossa é pesado. – Reclamou Dana enquanto arrastava a caixa até a sala. – A camareira deve ter sofrido para trazer isso até o 17° andar.
- Abre! – Disse Nayra enquanto comia seu macarrão.
Blair foi até a sala para ver o que era, ela estava curiosa. Nayra lembrou que poderia ser de Hades, afinal, hoje os dois completavam 1 ano de casamento. Apesar de ser o primeiro aniversário. Ele sempre mandava presentes. Nayra os deixava em um quarto trancado, ela nunca se sentiu confortável em usar as coisas que ele mandava. A uma semana ele mandou um colar de brilhantes, era aniversário de Nayra.
Quando Dana abriu a caixa. Nayra se lembrou. "E se tiver alguma carta mencionando o casamento? ". Ela correu em direção a sala, deixando Blair e Dana espantadas, sem entender.
- O que houve? – Perguntou Dana, vendo a amiga segurar a tampa da caixa.
- E se tiver algo perigoso? Nem sabemos de onde veio, deixa eu averiguar primeiro! – Disse Nayra, com o coração quase pulando para fora. Por sorte havia um pequeno papel do lado, preso com um grampo. Nayra conseguiu pegar disfarçadamente, sem que Blair e Dana visse.
As duas ficaram com medo e se afastaram enquanto Nayra abria a caixa. Dentro da caixa, havia uma coleção inteira de livros, do modista favorito de Nayra, uma vitrola antiga, porém bem conservada, que fez Nayra achar que deveria ser uma peça única. E alguns discos de vinil, com as canções que Nayra mais gostava. Um em especifico era a favorita dela quando mais nova. "Ele lembrou do meu disco favorito de quando eu era criança? ". Pensou Nayra. Ela pegou a vitrola e os discos primeiro. Blair e Dana ficaram admiradas.
- Uau Nana, não é seu ídolo do mundo da moda? – Perguntou Blair enquanto olhava os livros.
- E essa vitrola? – Perguntou Dana curiosa.
Nayra colocou a vitrola sobre uma escrivaninha delicadamente, depois pegou um dos discos, o que ela ouvia quando criança. Dana e Blair estavam encantadas. A música começou a tocar. Era um tom suave de piano, uma melodia encantadora e angelical.
Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Nayra, que estava emocionada, depois de anos, poder ouvir algo de sua infância, do tempo em que seu pai era vivo.
- Esse foi o disco favorito do meu pai. Quando eu nasci, e minha mãe faleceu. Ele me contou que eu era uma bebe muito chorona, e sempre que ele colocava essa canção, eu me acalmava quase que instantaneamente. Alguns anos depois, ele passou a ser meu disco favorito também. Depois que o pai morreu, e eu tive que ir morar com tia Casia. Ela quebrou o disco por que dizia que o som irritava seus ouvidos. – Disse Nayra enquanto enxugava as lagrimas. Blair e Dana a abraçaram para reconforta-la.
- Quem sabia sobre isso? Não é coincidência te mandarem justamente o seu favorito? – Perguntou Dana curiosa.
Como Nayra cresceu com Hades por perto, ele sabia seus gostos. Pelo menos os que ela tinha aos 12 anos. Mas ela não podia menciona-lo.
- Não sei também. - Disse ela, com esperança de que não perguntassem mais.
- Mas por que você recebeu essas coisas? – Perguntou Dana novamente.
Nayra não sabia o que dizer.
Por sorte, Blair ouviu e disse. – Devem ter mandado pelo seu aniversário que foi semana passada, esses dias fui pegar um pacote na recepção e a moça disse que os pacotes estão chegando atrasados.
- Isso, deve ter sido isso – Disse Nayra aliviada. Dana ainda olhou desconfiada. Nayra percebeu e disse. – Eu realmente não sei quem mandou, não me olhe assim.
- Ta, ta, vou deixar passar desta vez. – Disse Dana.
Após o jantar e toda a comoção com os presentes. As três assistiram um filme enquanto apreciavam um bom vinho.
Não demorou muito para que Blair e Dana ficassem sonolentas.
- Vão dormir, ficarei mais um pouco. – Disse Nayra. Fazendo com que elas não resistissem. Blair e Dana foram para seus quartos, se despedindo de Nayra.
- Boa noite Nana. – Disseram as duas.
- Boa note Blair, boa noite Dana. – Disse Nayra.
Ela ainda ficou um tempo acordada, olhando a coleção de livros que Hades havia mandado. Era do seu modista favorito. Nayra o admirava, pois foi por causa dele que ela decidiu fazer dois cursos juntos. Ela passou horas lendo os livros.
Pouco antes de ir dormir, Nayra verificou se suas amigas estavam realmente dormindo e foi para seu quarto. Ela se lembrou do bilhete que estava na caixa mandada provavelmente por Hades.
No bilhete estava escrito a seguinte mensagem.
"Aproveite os presentes, acho que acertei desta vez. Jamais me perdoarei por faze-la passar por tudo isso. H. "
Nayra leu e releu diversas vezes. Ela ficou sem reagir. Faziam 7 anos desde a partida de Hades. Ele nunca voltou, nunca ligou, nunca mandou nem se quer uma carta. Esse bilhete desestabilizou completamente a cabeça de Nayra. Ela não sabia o porquê de ele não querer se perdoar. Ela nunca o culpou pelas coisas que aconteceram, e sim por ele ter ido embora sem ao menos avisa-la, mesmo que ela ainda fosse uma criança, ele não tinha o direito de ir embora assim. Foi a primeira carta, a primeira tentativa de entrar em contato com ela, ou a primeira e última. Nayra tentou imaginar, como ele começou escrevendo essas palavras, se ele ficou horas pensando no que dizer, ou apenas colocou a primeira coisa que apareceu na sua cabeça. Nayra sentiu raiva nesse momento, seus olhos começaram a lacrimejar e ela desejou nunca ter lido esse bilhete. Nayra o jogou no lixo depois de amassa-lo com força e rasga-lo.
Naquela noite, ela mal conseguia dormir. O bilhete de Hades ecoava em sua cabeça, com uma voz grossa de homem, como se fosse a própria voz de Hades, aquela maldita voz em sua cabeça. Ela riu de si mesma, por achar que seria a voz dele, mesmo nunca ter escuta-lo sua voz de adulto. Ela mal lembrava da voz dele quando criança. Nayra não percebeu as lagrimas escorrendo em seu rosto, até seu travesseiro. Ela começou a chorar de tristeza sem perceber. E no fundo de seu coração, sentiu falta de Hades, e do tempo em que cresceram juntos, mesmo que por um curto período. Foram os anos mais felizes da vida de Nayra.
Sem perceber, ela adormeceu. Durante a madrugada Nayra se revirava de um lado para o outro. Ela teve pesadelos, e sempre que acordava ficava com medo de voltar a domir, e ter o mesmo sonho. Nayra custou a finalmente dormir, porém já estava perto de amanhecer.
No dia seguinte, era sábado. Nayra acordou cedo, ela foi convocada para uma entrevista em uma produtora famosa. Ela se arrumou formalmente, querendo causar uma boa impressão. Ela usou uma calça social cinza, uma blusa bege e um blazer da mesma cor que a calça. Para finalizar, Nayra prendeu o cabelo para cima em um coque chique.
Antes de sair, ela deixou um bilhete para Blair e Dana. Nayra pediu um taxi e foi até o local da entrevista. Chegando lá, o prédio era enorme e tinha um belo designer. Nayra estaria fazendo uma entrevista para a FP. MUSIC PRODUÇÕES. Era uma das maiores empresas de música de Grenview. Nayra sabia que muitas pessoas queriam trabalhar ali, e outra sonhavam em ter suas carreiras patrocinadas pela RS.
Entrando ao prédio, Nayra foi recepcionada por uma moça muito bonita e gentil.
- Olá Srta. Leone. Estávamos lhe esperando. Disse a moça depois que Nayra se apresentou.
Nayra a seguiu até uma sala, onde haviam 3 pessoas, contando com 2 homens e uma mulher.
Nayra sentou na cadeira que lhe foi designada antes de se apresentar.
- Olá, meu nome é Nayra Leone, é um prazer estar aqui. – Disse ela os cumprimentando com um aceno.
- Seja bem-vinda Srta. Leone, meu nome é Marta Di e irei entrevista-la com a supervisão dos meus colegas, tudo bem?
Nayra confirmou com a cabeça.
Marta fez algumas perguntas sobre a vida profissional de Nayra, e sobre os estudos. Por enquanto estava indo tudo bem, e Nayra se sentiu confortável com a conversa.
- Agora, queremos saber mais sobre você, e um pouco sobre sua vida pessoal. Se estiver desconfortável, por favor nos diga.
- Tudo bem. – Respondeu Nayra.
- Você é casada? Solteira? – Perguntou Marta.
- Eu sou solteira. – Respondeu Nayra.
- Você mora com seus pais?
- Eu moro com duas amigas em meu apartamento, viemos para Grenview a um ano atrás.
- E seus pais? – Perguntou Marta.
Nayra travou por um momento.
- Tudo bem Srta. Leone?
- Sim, me desculpe. Meu pai morreu quando eu tinha 14 anos. Minha mãe ao me dar à luz.
- Você tem contato com outros familiares? Perguntou Marta.
- Hum, meu pai me criou sozinho, os pais dele morreram cedo também. Eu conheci a irmã dele apenas. Sobre minha mãe, nunca conheci sua família, meu pai não me falava sobre ela, como eu era criança acabei não dando importância. – Respondeu Nayra.
- Eu sinto muito. – Disse Marta.
- Sem problemas, eu vivo bem com isso. – Nayra foi gentil, ela percebeu a tensão na sala. Os dois homens não falavam e um deles parecia mal-humorado. Nayra percebeu seu olhar estranho durante toda a entrevista.
- Vou deixar meu colega, Marcos fazer algumas perguntas e aí finalizamos. – Disse Marta. Nayra consentiu
- O que te fez querer trabalhar conosco Srta. Leone? – Perguntou Marcos.
- Como vocês sabem, eu estudo música, acho que seria uma grande oportunidade para mim, se um dia eu quisesse seguir carreira, sei que ainda estou apenas começando, mas penso nisso como um ponto de partida para meu futuro. Eu escolhi a música por querer saber mais sobre os conceitos e história sobre isso, queria entender mais sobre o ramo em que eu sonho seguir, que é cantar. Também estudei muito sobre a empresa, nunca pensei que fosse ter a oportunidade de trabalhar aqui.
- Interessante. Esperamos um dia poder ouvi-la cantar. – Disse Marcos com um sorriso. Nayra ficou envergonhada, porém muito feliz.
No final da entrevista. Nayra agradeceu a oportunidade de estar ali, já na saída da sala, onde foi acompanhada por Marcos, ele disse.
- Ainda temos outras candidatas. Nós ligaremos, ou a esquipe do RH irá te mandar um e-mail caso a vaga seja sua. Boa sorte!
- Obrigada. – Agradeceu Nayra.
Marcos fechou a porta e voltou para a mesa de reunião.
- Sr. Fernando. O que achou da candidata? O currículo dela é bom. Achei que ela foi super bem na entrevista. – Perguntou Marcos. A pessoa a quem ele estava perguntando. Era Luiz Fernando Perroni. Vice-presidente da FP. Foi a mando do próprio CEO que ele acompanhou a entrevista de Nayra.
- E a faculdade? Ligou?
- Sim, falei com o diretor. Ela é considerada uma das melhores alunas de toda a faculdade. Tanto em música, quanto em Arquitetura, que é outro curso que está fazendo. - Respondeu Marcos.
- Por que eu não estou sabendo sobre isso? Perguntou Luiz com raiva.
- Me desculpe Sr. Fernando. Estava no currículo, porém achei que não fosse prejudica-la estar fazendo outro curso que não fosse música. – Marcos sentiu medo de perder o emprego neste momento. Luiz sempre foi arrogante e frio com todos, bastava um pequeno erro para que ele mandasse a pessoa para o olho da rua, sem se importar se era por justa causa ou não. Quando Marcos e Marta, souberam que ele acompanharia a entrevista. Os dois passaram dois dias inteiros revisando todas as perguntas, e a maneira como se portariam, ainda mais quando souberam que foi o próprio CEO quem encaminhou os dados de Nayra para a seleção. Com certeza tinha alguma coisa a mais nela. Eles não tinham inveja ou raiva dela, só não queriam perder seus empregos.
- Mande os dados da Srta. Nayra para meu e-mail. Ligue para ela daqui uma semana. Enquanto isso preparem os documentos para a admissão. – Disse Luiz enquanto saia pela porta.
Marco e Marta suspiraram de alivio quando a porta foi fechada atrás dele.
- Essa foi por pouco! – Disse Marta apoiando seu braço no ombro de Marcos.
Luiz foi até seu escritório. Apoiado em sua mesa, ele pegou seu telefone e discou um número, que foi atendido instantaneamente.
- Deu tudo certo, já estamos preparando a admissão. Acho que ela vai se dar bem na empresa. – Disse Luiz.
- Ótimo, me mantenha informado! – Disse a outra pessoa, desligando a chamado. Luiz sentou em sua cadeira e abriu seu e-mail, onde havia acabado de receber as informações de Nayra por Marcos.
- Te achamos!
Já passava de uma semana, desde a entrevista de Nayra. Ela andava de um lado para o outro dentro do apartamento.
- Amiga, já te falei que normalmente eles ligam depois de uma semana. – Disse Blair, quase ficando tonta com Nayra.
- Fez uma semana ontem!
- Mas hoje é domingo, quem trabalha no domingo? – Disse Blair.
- Pergunte para Dana. – Disse Nayra. Dana trabalhava em uma casa de festa aos domingos.
- O dela não conta, as festas são nos domingos, é claro que ela iria trabalhar. – Disse Blair revirando os olhos.
O telefone tocou. Nayra saiu correndo como se fosse um caso de emergência.
- Alo?
- Nana, sou eu – Era Dana. Nayra ficou desapontada, ela realmente achou que fosse a equipe da FP. Blair suspirou de pena da amiga.
- A, é você. – Disse Nayra.
- Nossa, quanta animação com sua melhor amiga – Brincou Dana. – Olha, fiz uma reserva no Pub Bier para nós, estou indo direto daqui, não aceito desculpas, estamos precisando
Distrair a cabeça – Disse Dana.
- Mas...
- Mas nada. Bjos, espero vocês – Disse Dana interrompendo Nayra de recusar e desligando na cara dela.
Nayra olhou para Blair cansada.
- Vamos sim, você está precisando e muito, não para de andar, estou ficando tonta com você assim. - Disse Blair a puxando para irem se arrumar. Blair arrastou Nayra para o banheiro, que foi obrigada a tomar um banho.