Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Amor e Ódio: O Plano Perfeito
Amor e Ódio: O Plano Perfeito

Amor e Ódio: O Plano Perfeito

Autor:: Xiao Wang Qin Qin
Gênero: Romance
O dia do nosso aniversário de casamento começou perfeito. Pedro me trouxe café na cama. Com um beijo e um "feliz aniversário, meu amor" . Mas algumas horas depois, o mundo desabou. Uma dor aguda, uma tontura, e então a queda da varanda. Acordei no hospital, com a verdade me atingindo como um soco. Ouvi a voz de Pedro, clara e fria: "O plano funcionou perfeitamente, Patrícia. O bebê se foi." E a resposta dela, satisfeita: "A paralisia? O médico confirmou?" Danos na medula espinhal. Eu estava paralisada. Meu filho, embora ainda não nascido, morto. Assassinado pelo próprio pai. Tudo por um herdeiro bastardo. A Júlia apaixonada morreu naquele dia. Deitada naquela cama, quebrado em todos os sentidos possíveis, eu sabia. Se eles me queriam morta, morta eu estaria. Para eles. Fingi catatonia, observei, e eles revelaram tudo. O pingente do meu bebê no pescoço do filho dela. Os pagamentos. A apólice de seguro de vida triplicada. Eu ouvi. Eu vi. Cada mentira. Cada traição. E então, minha chance. Uma convulsão teatral. Um sussurro: "Casa" . Eles me mandaram para uma clínica de cuidados paliativos, um lugar para eu "desaparecer". Achavam que me apagariam. Mal sabiam eles a Júlia que estavam criando. A mulher que ressuscitaria para a vingança. E minha primeira parada seria ali, no território deles, para arrancar deles tudo o que me tomaram.

Introdução

O dia do nosso aniversário de casamento começou perfeito.

Pedro me trouxe café na cama.

Com um beijo e um "feliz aniversário, meu amor" .

Mas algumas horas depois, o mundo desabou.

Uma dor aguda, uma tontura, e então a queda da varanda.

Acordei no hospital, com a verdade me atingindo como um soco.

Ouvi a voz de Pedro, clara e fria: "O plano funcionou perfeitamente, Patrícia. O bebê se foi."

E a resposta dela, satisfeita: "A paralisia? O médico confirmou?"

Danos na medula espinhal.

Eu estava paralisada.

Meu filho, embora ainda não nascido, morto.

Assassinado pelo próprio pai.

Tudo por um herdeiro bastardo.

A Júlia apaixonada morreu naquele dia.

Deitada naquela cama, quebrado em todos os sentidos possíveis, eu sabia.

Se eles me queriam morta, morta eu estaria.

Para eles.

Fingi catatonia, observei, e eles revelaram tudo.

O pingente do meu bebê no pescoço do filho dela.

Os pagamentos.

A apólice de seguro de vida triplicada.

Eu ouvi.

Eu vi.

Cada mentira.

Cada traição.

E então, minha chance.

Uma convulsão teatral.

Um sussurro: "Casa" .

Eles me mandaram para uma clínica de cuidados paliativos, um lugar para eu "desaparecer".

Achavam que me apagariam.

Mal sabiam eles a Júlia que estavam criando.

A mulher que ressuscitaria para a vingança.

E minha primeira parada seria ali, no território deles, para arrancar deles tudo o que me tomaram.

Capítulo 1

O dia do nosso aniversário de casamento começou com o sol da manhã entrando pela janela, um calor suave que prometia um dia perfeito. Pedro me trouxe café na cama, com um beijo demorado e um sussurro de "feliz aniversário, meu amor" . Eu sorri, com a mão repousando sobre minha barriga de quatro meses, sentindo a vida que crescia dentro de mim. Tudo parecia perfeito, um conto de fadas que eu acreditava ser a minha realidade.

"Hoje vai ser um dia especial, Júlia" , ele disse, seus olhos brilhando de um jeito que eu confundia com amor.

Horas depois, o mundo desabou.

A dor aguda na minha barriga foi a primeira coisa que senti. Depois, a tontura. Estávamos na varanda do nosso apartamento no terceiro andar, e eu me apoiei no parapeito, tentando respirar fundo.

"Pedro, não estou me sentindo bem" , eu disse, com a voz fraca.

Ele se aproximou, o rosto uma máscara de preocupação. "O que foi, meu bem? Sente aqui."

Mas antes que eu pudesse me mover, uma onda de vertigem me engoliu. Minhas pernas fraquejaram, e o mundo girou. A última coisa que vi foi o céu azul se distanciando enquanto eu caía. O grito ficou preso na minha garganta. O impacto com o chão foi um baque surdo, uma explosão de dor que me roubou a consciência.

Acordei em um quarto de hospital, o cheiro de antisséptico invadindo minhas narinas. Uma confusão de vozes flutuava ao meu redor, distantes e abafadas. Tentei abrir os olhos, mas minhas pálpebras pesavam uma tonelada. Meu corpo inteiro doía, uma dor profunda e latejante que parecia vir da alma.

Foi então que ouvi a voz dele, clara e fria, vindo de algum lugar perto da porta.

"O plano funcionou perfeitamente, Patrícia. O bebê se foi."

A voz era de Pedro. Meu Pedro.

Meu coração parou. O ar pareceu se solidificar nos meus pulmões. O que ele estava dizendo? Plano?

Uma voz feminina respondeu, baixa e satisfeita. "E a paralisia? O médico confirmou?"

"Sim" , disse Pedro, e eu pude sentir a satisfação em sua voz. "Danos na medula espinhal. Ele disse que as chances de ela voltar a andar são quase nulas. Agora, não haverá mais obstáculos. Léo será o único herdeiro. Minha família finalmente vai reconhecê-lo."

Léo. O nome ecoou na minha cabeça. Patrícia. A enfermeira que cuidou da mãe de Pedro no ano passado. A mulher que ele jurou ser apenas uma amiga da família.

A verdade me atingiu como um soco no estômago, mais brutal que a própria queda. Não foi um acidente. Foi planejado. Ele tentou me matar. Ele matou nosso filho. E tudo por um herdeiro ilegítimo.

A porta do quarto se abriu e um médico entrou, o rosto sério. Ele parou ao lado da minha cama, olhando para os meus sinais vitais no monitor.

"Senhora Júlia, consegue me ouvir?"

Eu não respondi. Não conseguia. A dor da traição era tão avassaladora que a dor física se tornou secundária.

Ele suspirou. "Sinto muito em lhe informar, mas devido à gravidade da queda, não conseguimos salvar o bebê. Você sofreu um aborto espontâneo."

Cada palavra era uma faca. Meu filho. Nosso filho. Morto.

"Além disso" , ele continuou, com a voz carregada de uma falsa compaixão, "os exames mostram uma lesão grave na sua coluna. É provável que você não consiga mais andar."

As lágrimas que eu não sabia que estava segurando começaram a escorrer silenciosamente pelo meu rosto, molhando o travesseiro. Eu estava paralisada. Grávida de um filho que foi assassinado pelo próprio pai. Presa em um corpo que não me obedecia mais. E o homem que eu amava, o homem com quem construí uma vida, era o monstro por trás de tudo.

Naquele momento, deitada naquela cama de hospital, quebrada em todos os sentidos possíveis, uma decisão se formou na minha mente, fria e dura como aço. Eu não podia deixá-lo vencer. Eu não podia deixá-los desfrutar da vida que eles construíram sobre as ruínas da minha.

Se eles me queriam morta, então morta eu estaria. Para eles.

Eu fechei os olhos, deixando a escuridão me levar, e comecei a planejar. A Júlia ingênua e apaixonada morreu naquela varanda. A mulher que sobreviveria buscaria justiça. Ou melhor, vingança.

Nos dias que se seguiram, eu mantive a farsa. Fingi estar em um estado catatônico, sem responder a estímulos, perdida em meu próprio mundo de dor. Pedro vinha todos os dias, segurava minha mão, chorava lágrimas de crocodilo e falava sobre como sentia minha falta. Era nojento.

Uma noite, ouvi a porta se abrir suavemente. Eram ele e Patrícia de novo, achando que eu estava dormindo.

"Ela não reage a nada" , disse Pedro, com a voz baixa. "O médico disse que o trauma foi grande demais. Talvez ela fique assim para sempre."

"Melhor para nós" , respondeu Patrícia, sem um pingo de remorso. "Menos um problema. Agora só precisamos convencer seus pais a aceitarem Léo de vez. Com a Júlia fora de cena, permanentemente incapacitada, eles não terão escolha."

"Eu já cuidei de tudo" , disse Pedro. "Conversei com o Dr. Martins. Ele vai garantir que os relatórios médicos reforcem a gravidade da condição dela. Ninguém vai questionar."

Ele estava subornando médicos, manipulando tudo para se encaixar em sua narrativa doentia. A frieza com que eles discutiam meu futuro, como se eu fosse um objeto quebrado a ser descartado, alimentou a chama do ódio dentro de mim.

Cada palavra deles era mais uma prova. Cada gesto de falso carinho de Pedro era um insulto. A vida que eu achava que tinha, o amor que eu acreditava ser real, tudo não passava de uma encenação. Uma longa e cruel mentira.

Eu olhava para o teto branco do hospital e via o rosto dele, sorrindo para mim no dia do nosso casamento. Ouvi a voz dele me prometendo amor eterno. E tudo se transformou em cinzas na minha mente. A dor da perda do meu filho se misturou com a fúria da traição, criando uma força que eu não sabia que possuía. Eles achavam que tinham me destruído, mas estavam enganados. Eles apenas me deram um motivo para viver.

Capítulo 2

Pedro entrou no quarto no dia seguinte, trazendo um buquê de lírios brancos, minhas flores favoritas. O cheiro doce encheu o ar, um aroma que antes me trazia alegria e agora me causava náuseas. Ele se sentou na cadeira ao lado da minha cama, o rosto contorcido em uma expressão de sofrimento ensaiado.

"Júlia, meu amor" , ele começou, a voz embargada. "Eu sei que você pode me ouvir. Por favor, volte para mim. Eu não sei o que fazer sem você."

Ele pegou minha mão, que permaneceu inerte na sua. Seus dedos estavam quentes, mas seu toque me gelava a alma. Eu queria gritar, arranhar seu rosto, expor o monstro que ele era para o mundo inteiro. Mas eu me forcei a permanecer imóvel. Meu corpo era minha prisão, mas também minha arma. Minha fraqueza aparente era minha maior força.

Mantive os olhos fixos em um ponto vago na parede, a mente trabalhando furiosamente. Cada segundo que eu passava naquele quarto era um risco. Eu precisava de provas, algo concreto que pudesse usar contra ele quando a hora chegasse.

A oportunidade surgiu alguns dias depois. Pedro, acreditando que eu era pouco mais que um vegetal, tornou-se descuidado. Ele deixou sua maleta ao lado da minha cama enquanto foi falar com um médico no corredor. Com um esforço sobre-humano, movendo músculos que protestavam com espasmos de dor, eu estiquei meu braço. Meus dedos roçaram o couro frio da maleta. A dor era excruciante, mas a imagem do rosto satisfeito de Patrícia me deu forças.

Consegui abrir o fecho. Dentro, entre papéis de negócios, havia uma pasta azul. Com os dedos trêmulos, eu a abri. A primeira coisa que vi foi a certidão de nascimento de Léo. Nome do pai: Pedro Alencar. Nome da mãe: Patrícia Soares. A data de nascimento era de quase dois anos atrás. Ele tinha um filho com ela enquanto estávamos casados, enquanto ele me dizia que eu era a única mulher da sua vida.

Abaixo da certidão, havia extratos bancários. Transferências mensais de valores altos para a conta de Patrícia, marcadas como "despesas médicas" . E o pior de tudo: uma apólice de seguro de vida em meu nome, com Pedro como único beneficiário. A apólice tinha sido atualizada um mês antes do "acidente" , com o valor da indenização triplicado.

Era tudo ali, preto no branco. A prova irrefutável do seu esquema doentio. Ele não queria apenas que eu ficasse paralisada, ele estava preparado para o caso de eu morrer. Talvez a morte fosse o plano original.

Ouvi seus passos se aproximando no corredor. Com o coração martelando no peito, empurrei a pasta de volta para dentro da maleta e a fechei, deixando meu braço cair ao lado do corpo, fingindo a mesma inércia de antes. A dor aguda na minha coluna era um lembrete constante do que ele tinha feito, mas a adrenalina me impedia de desmaiar.

Quando ele entrou, sorriu para mim, um sorriso que não alcançava seus olhos frios. "O Dr. Martins disse que seu quadro é estável. Isso é bom, não é, meu amor?"

Eu não respondi. Apenas o encarei com olhos vazios, guardando a imagem do monstro na minha memória.

Com as provas em mente, meu plano de fuga começou a tomar uma forma mais concreta. Eu precisava sair dali, mas não podia simplesmente ir embora. Tinha que ser de um jeito que os fizesse acreditar que eu estava piorando, que minha condição era irreversível.

Comecei a usar a dor a meu favor. Durante as sessões de fisioterapia, que eram parte do teatro de Pedro para mostrar o quanto ele "se importava" , eu gemia e chorava, fingindo uma dor insuportável ao menor movimento. Eu me recusava a comer, forçando as enfermeiras a me alimentar por sonda. Meu peso despencou, e a palidez do meu rosto se tornou genuína.

Pedro, ao invés de se preocupar, parecia satisfeito. Ele trazia investidores e parceiros de negócios para me "visitar" , usando minha condição trágica para ganhar simpatia e fechar negócios.

"Minha pobre Júlia" , ele dizia, com a voz cheia de falsa tristeza. "Ela era a luz da minha vida. Agora, tudo que me resta é o trabalho."

Eles o olhavam com pena, apertavam sua mão com solidariedade. E eu, deitada na cama, observava tudo, o ódio queimando frio e constante dentro de mim.

O Dr. Martins, o médico comprado por Pedro, fazia sua parte. Os relatórios que ele emitia eram cada vez mais pessimistas. "Atrofia muscular progressiva." "Danos neurológicos permanentes." "Estado vegetativo iminente." Cada diagnóstico falso era um prego a mais no caixão da "velha" Júlia.

Uma tarde, enquanto Pedro estava sentado ao meu lado, lendo e-mails de trabalho no celular, eu decidi dar o próximo passo. Com uma concentração imensa, foquei toda a minha energia em fazer minha mão tremer. Um espasmo leve, quase imperceptível. Depois outro.

Ele notou. Levantou os olhos do celular, a testa franzida.

"Júlia?"

Eu continuei, deixando meu corpo inteiro convulsionar levemente, como se estivesse tendo uma crise. Meus olhos rolaram para trás e um gemido escapou dos meus lábios.

Pedro entrou em pânico. Ele apertou o botão de emergência, gritando por uma enfermeira. Em segundos, o quarto estava cheio de gente. Eles me examinaram, administraram um sedativo, e a "crise" passou.

Mais tarde, o Dr. Martins veio conversar com Pedro no corredor. Eu agucei meus ouvidos.

"A condição dela está se deteriorando rapidamente, Pedro" , disse o médico, com a voz grave. "Essas convulsões são um sinal de que o cérebro está sendo afetado. Sinto muito, mas acho que devemos nos preparar para o pior."

Pedro suspirou, um suspiro longo e pesado. "Existe alguma coisa que possamos fazer?"

"Podemos transferi-la para uma clínica de cuidados paliativos" , sugeriu o médico. "Lá, ela terá o conforto necessário. Será menos estressante para você também."

Era exatamente o que eu queria ouvir.

Naquela noite, quando Pedro veio se despedir, eu fiz algo que exigiu todo o meu autocontrole. Reuni minhas forças e, com a voz rouca e fraca, sussurrei uma única palavra.

"Casa."

Ele se inclinou, os olhos arregalados de surpresa. "O que você disse? Júlia, você falou?"

"Casa" , repeti, um pouco mais alto. "Quero... ir para casa."

Era uma jogada arriscada, mas calculada. Um último desejo de uma mulher moribunda. Eu sabia que ele não me levaria para o nosso apartamento, seria inconveniente demais para ele e sua amante. Mas ao expressar um desejo, eu o fiz acreditar que ainda havia uma centelha de consciência em mim, uma centelha que ele precisava apagar de vez. A clínica de cuidados paliativos, um lugar isolado e discreto, se tornou a solução perfeita para ele. Um lugar onde eu poderia desaparecer silenciosamente, sem causar mais problemas.

Ele segurou minha mão, os olhos brilhando com uma emoção que quase me enganou. "Claro, meu amor. Faremos o que for melhor para você. Você vai para um lugar tranquilo, um lugar onde poderá descansar."

Eu fechei os olhos, escondendo o triunfo que sentia. O plano estava funcionando. Eu estava um passo mais perto da minha liberdade e da minha vingança.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022