Na família Larson não se sabia qual foi a última pessoa que conheceu dificuldades financeiras, pois desde sempre foram conhecidos como os verdadeiros "ricos de berço", eram donos de um conglomerado muito conhecido.
Elisa é a filha prodígio da família Larson que não teve nenhum menino para herdar os negócios, então ela se dedicou ao máximo aos propósitos empreendedores de sua família, sempre foi uma mulher admirável, com beleza etérea, de caráter amigável, bondosa e generosa com os próximos, mas devido a um problema congênito não podia engravidar naturalmente, ela era bem conformada com esta situação, até conhecer o amor de sua vida, o Italiano Noel Rossi.
Noel que também vinha de uma família muito conhecida e de muito sucesso na Itália, conheceu Elisa na faculdade em que faziam suas especializações em torno de finanças e empreendedorismo. Logo se apoiaram e se apaixonaram, tinham os mesmos objetivos e eram muito parecidos em caráter. O casamento foi iminente, e juntos decidiram continuar desenvolvendo os negócios da família Larson que tinha sede na Califórnia e várias filiais por todo os EUA. As duas famílias apoiaram as decisões do casal a todo tempo, mas a família de Noel logo começou a pedir por herdeiros sem que soubessem dos problemas de infertilidade de Elisa, pois Noel nunca achou que este era um fator que deveria ser informado à família Rossi, suas alegrias e conquistas sempre eram divididas entre as duas famílias, porém seus problemas e preocupações eram divididas apenas entre os dois, não queriam opiniões ou interferências externas, eram verdadeiramente cúmplices e respeitosos um com o outro.
Com todas as cobranças decidiram desacelerar no trabalho e começar a pensar em aumentar a família através da adoção e passarem o legado de sucesso do conglomerado Larson. Já que sempre faziam trabalhos de caridade para orfanatos, decidiram que passariam a fazer estes trabalhos pessoalmente e tentar encontrar sua criança construindo laços desde o início.
Entre um trabalho e outro como voluntários nos orfanatos, misturados a tantos outros voluntários fazendo o mesmo gesto de amor, que era doar atenção além de brinquedos e outros materiais, notaram que passaram a se identificar mais com uma menininha que vivia no orfanato "Caminho Crescente". Eles estavam procurando um bebê, mas Elisa e Noel se encantaram por Lara que já tinha 05 anos de idade e estava no orfanato desde que nasceu.
Ela estava sempre séria e tinha um espírito de liderança nato entre as crianças, com apenas algumas palavras em voz curta e clara, era capaz de organizar um ambiente com outras crianças que estavam bagunçando.
Apesar deste comportamento maduro, Elisa e Noel sabiam que Lara era assim por que tinha passado por muitas dificuldades, sendo forçada a ser independente desde cedo, as monitoras do orfanato só precisavam ensinar as coisas a Lara uma vez apenas, e ela logo aprendia, pois não gostava de depender e esperar pelos outros, já sabia que eram muitas crianças juntas e dependentes, das vezes que escolheu esperar, uma vez ou outra ficou com fome, ou teve assaduras por ficar muito tempo com a mesma fralda, entre outros problemas.
Lara parou de usar fraldas cedo, começou a comer sozinha cedo também, mesmo que fizesse uma bagunça espalhando suas comidinhas que escorregavam do prato, ou pulavam da colher, ao final ela juntava tudo com suas mãozinhas fofinhas, jogava fora e pedia apenas que as "tias" passassem um pano onde havia sujado.
Apesar de seu comportamento maduro e um tanto sério, ela era protetora e solidária, ajudava os menores e tentava ensiná-los a ser independentes também. Ela não fazia questão de ser adotada, ela já se sentia em família, as "tias" sempre a tratavam bem e sempre estavam presentes para todas as crianças, as vezes demoravam a conseguir ajudar todas as crianças ao mesmo tempo, mas para ela que não havia conhecido o amor de uma família com laços sanguíneos, o que recebia no orfanato lhe servia muito bem, ela não tinha noção do quanto o amor puro, podia ser transformador.
Lara cativou Elisa e Noel por seu comportamento tão humilde, porém firme, era esperta e foi alfabetizada apenas observando as crianças mais velhas durante suas leituras e atividades escolares. Ela viu muitas crianças irem embora com suas novas famílias e até viu infelizmente algumas serem devolvidas ao orfanato. Em situações que era preciso consolar, ajudar ou corrigir outras crianças, ela logo tomava frente e começava a tentar distrair estas crianças de forma pura, mas um pouco distante, parecia uma verdadeira irmã mais velha que não sorria muito.
Elisa e Noel começaram a ir ao orfanato todos os dias para observar sua nova paixão que era aquela menininha forte e um pouco fria, mas muito inteligente. Eles acreditavam que com amor, ela se tornaria uma princesinha muito amada e feliz, sem perder sua essência humilde e responsável. Então começaram uma saga de aproximação de Lara, para tentar ganhar sua confiança e logo poderem levá-la para sua mansão.
Após uma semana de convívio com o grupo de voluntários de Elisa e Noel no orfanato, Lara observou que estes dois passaram a ficar mais próximos dela e ajudando até nas tarefas mais simples como lavar as mãos antes de cada refeição ou contar histórias no quarto coletivo em que ela dormia com outras tantas crianças. Ela sentiu que eles estavam cuidando de todos, mas sendo mais próximos dela, e seu coração esquentou como uma sensação diferente e muito boa, mas ao mesmo tempo ficou temerosa de se acostumar com aquilo e logo não os ver mais alí, como acontecia tantas vezes com as outras crianças.
Com o passar do tempo, a conquista veio e Elisa e Noel explodindo de alegria já poderiam levar Lara para a mansão, e foram correndo contar que a teriam como filha legalmente. Lara ouviu e reagiu positivamente dizendo que precisava fazer sua mala, e precisava voltar ao orfanato algumas vezes para explicar para as outras crianças sua ausência, se comportava com uma pequena adulta responsável. Elisa e Noel disseram que não seria um problema, já que continuariam com os trabalhos voluntários, e ela sempre poderia ir junto.
O encanto do casal por Lara só aumentava, todos os dias descobriam mais qualidades na menina, e queriam poder proporcionar sorrisos para ela o quanto antes. Lara já tinha um quarto de princesa, um closet cheio de roupas lindas e feitas sob medida para ela, os funcionários da mansão já a esperavam com ansiedade para conhecer a nova alegria da casa.
Ao se despedir das crianças e monitoras do orfanato, Lara acenou com a mãozinha e com um semblante neutro deu as costas dizendo que logo voltava para visitar, não havia empolgação, mas ela andava levemente e com confiança.
Ao saírem do orfanato, um carro luxuoso estava parado ao portão, um senhor com uniforme os esperava segurando a porta aberta com um grande sorriso e um pirulito em suas mãos. Ele esperava uma criança saltitante e alegre, mas viu uma menina linda e muito comportada, que o saudou de forma um anto peculiar.
- Boa tarde senhor, me chamo Lara e tenho 5 anos. O senhor será meu monitor na Mansão Larson?
Jerry olhou divertido para os patrões por um momento, não sabia o que poderia responder, por que não esperava uma adulta em corpo de criança se aproximando. Os patrões tinham um olhar de puro orgulho e alegria e não disseram nada, esperavam que tudo se encaixasse naturalmente.
- Oras linda princesinha, sou o motorista que trabalha para seus pais e agora para você também. Meu nome é Jerry e espero que você possa aceitar este pirulito como forma de amizade entre nós.