Manuela estava na varanda da casa dos seus pais e lembrando do passado. Seu falecido marido outrora lhe daria flores naquelas circunstâncias.
Ele era carinhoso e extremamente apaixonado. Lembrar dele, trazia cenas do acidente para Manuela.
Apesar de já ter passados um ano, ela ainda não havia colocado seus pensamentos em ordem.
Manuela ainda era jovem quando se casou, teve seu pequeno filho Rafael aos 19 anos, ela amava seu marido incondicionalmente, eles eram uma família feliz, e quando ele se foi, ela sofreu muito. Eles moravam no interior de uma cidade chamada Teresópolis, no entanto com a morte dele, ela teve que se mudar para casa dos seus pais, Julia e João Feitosa, que moravam no centro da cidade.
Numa pequena cidade de quatro mil e quinhentos habitantes essa
jovem viúva que havia acabado de perder o esposo em um acidente de motoera desolada, triste, mas tinha que seguir sua vida pelo seu pequeno filho de dois anos.
Um ano depois, Manuela retirou o luto, depois de um ano vivendo as custas da pensão que seu filho recebia pela morte do pai, ela tinha que criar forças para procurar um trabalho, ela nunca foi acostumada ser bancada por ninguém, ela sempre gostou de ser independente. Mas por onde começar? A cidade era pequena e so havia poucas mecearias, os poucos empregos eram oferecidos pela prefeitura para pessoas intimas do prefeito. Ela tinha cursado licenciatura em pedagogia, então pensou em dar aulas na escola publica, para o ensino infantil e pediu para seu pai acompanha-la ate a casa do prefeito.
A casa do prefeito era grande e cheia de detalhes, havia quadros na parede, alguns eram extravagantes e Manuela achou cafona. Seu pai era de influencia na cidade, seus avos ajudaram a fundar Teresopolis, e todos respeitavam. Quando eles chegaram la o prefeito não estava, então eles aguaram ate sua chegada. Nesse período a primeira dama, dona Soraia ofereceu suco de maça com bolo de milho, Manuela gentilmente agradeceu. Dona Soraia sabia da historia de Manuela, uma vez que cidade pequena todos sabe da vida de todos.
Ela achou Manuela pálida, sentiu-se um pouco triste, como pode uma jovem de 22 anos já ser viúva e mãe de uma criança que quando o pai morreu so tinha dois anos? Aquela menina estava perdida, pensou ela.
O prefeito de Teresopólis chegou a sua casa e ficou feliz pela visita de seu João, ficou imaginando o que aquele homem precisaria, uma vez que a família Feitosa era resguardada e tranquila. Seu João apresentou Manuela para o prefeito Claudio. Claudio apertou a mão de Manuela e olhou nos olhos, Manuela continuou seria.
- Ola senhor Claudio, como vai?
- vou bem Manuela, é um prazer conhecer uma moça tão doce quanto você.
Manuela corou, ela não conhecia o prefeito, mas sabia que ele tinha fama de mulherengo. Dona Soraia olhou para Manuela com raiva, ela parecia que amava o prefeito e fazia tempo que ele não elogiava ela.
Manuela continuou seria e continuou.
- senhor espero não estar incomodando, afinal hoje é domingo, e com essa tarde linda de verão, achei que estivesse descansando, gostaria de pedir desculpas para o senhor e sua esposa gentil.
O prefeito respondeu:
- Não há incomodo Manuela, eu e minha esposa estamos lisonjeados de te-la aqui, todos dizem que você não sai muito de casa.
Dona Soraia que parecia satisfeita por Manuela não ter dado bola ao marido, afinal ela colocou agradecimentos em seu nome comentou:
- Manuela você sempre será bem vinda!
Manuela então continuou com o dialogo:
- senhor estou porque gostaria e falar particular com o senhor e com a senhora dona Soraia.
Tinha uns homens esperando o prefeito terminar de conversar com a família Feitosa, então Manuela ficou envergonhada pedir emprego na frente deles, emprego na cidade era muito concorrido, embora ela tivesse muitas qualificações, ela poderia ser recusada, ela também não achou prudente falar a sois com o prefeito, então chamou a esposa dele.
Dona Soraia conduziu Manuela e o prefeito para um quarto.
- Então Manuela, você precisa de alguma coisa? Dona Soraia perguntou.
Manuela timidamente retirou uma pasta com os certificados dos cursos e prontamente entregou nas mãos do prefeito.
- Senhor estou aqui para pedir trabalho na escola publica Dom Barroso. Sou formada em pedagogia, e tenho diversos outros cursos de qualificação, espero que me ajude.
- o prefeito sorriu da objetividade de Manuela e disse:
- não é assim que as coisas funciona menina. Eu contrato quem eu quero não importa as qualificações. A escola não precisa de novos professores, mas eu preciso de uma secretaria. Eu não posso mais me reeleger, mas eu vou colocar o filho do meu amigo da capital para concorrer nas eleições do ano que vem. Eu preciso de alguém que possa ser discreto com algumas coisas, e que tenha vontade de ajudar ele quando ele chegar no próximo mês para se apresentar a população.
- Manuela minha filha sente aqui, dona Soraia viu nos olhos do marido que ele queria que Manuela aceitasse. Então ela tentou ajudar a tentar convencer Manuela. – eu sei menina que você gostaria de ser professora, seu filho Rafael é matriculado nessa escola e você deve querer passar todo tempo com ele. Mas o que meu marido falou é verdade, Willian é formado em direito é filho do Junior Claudino, ele quer passar um tempo no interior para descansar, ele também é desconhecido na cidade e vai precisar de alguém que goste de guardar segredos, alguém como você.
Manuela olhou nos olhos de Soraia e questionou.
- Ele é filho de Junior Claudino o mesmo dono da maior empresa do pais?
Soraia olhou para Manuela incrédula.
- sim menina.
O prefeito sorriu e disse:
- ele passara cinco anos aqui, ninguém pode saber quem ele é. Logo quando ele voltar para capital ele assumira os negócios da família. E depois desse tempo eu poderei me candidatar novamente para ser prefeito. Então ele será meu candidato perfeito nessas próximas eleições. Você aceita Manuela?
Manuela jurou guardar segredo da conversa, afinal ela não tinha amigos e nem com quem conversar, e mesmo que ela tivesse amigos ela era super discreta e parecia que o prefeito sabia disso. Naquela cidade cheio de fofoqueiros era difícil encontrar alguém disposto a guardar segredo.
Manuela previu que não poderia aceitar, era perigoso se alguém soubesse que o próximo prefeito era o futuro dono do grupo Claudino S/A, ele estaria sem segurança naquela cidade e poderia ser sequestrado.
O pai e Manuela voltaram para casa. Seu João notou a filha mais calada do que o costume.
O pequeno Rafael agora com três anos esperava na porta.
Ele parecia com o pai. Tinha os mesmos olhos escuros do Matias, o ex marido de Manuela. Mas Rafael tinha os cabelos e o sorriso da mãe.
Ele saiu correndo em direção ao carro prata do avó e gritou.
--- mamãe, mãe onde a senhora estava? Senti sua falta.
Manuela respondeu: amor eu já estou aqui. Vamos fazer seu dever da escola?
Rafael disse: ok mamãe.
Eles fizeram antes do jantar o trabalho de Rafael. Manuela ajudou ele para aprender a ler.
Na hora da janta, a mãe de Manuela que era ótima cozinheira ofereceu arroz, bife, salada de fruta, e sopa de legumes para o neto. Ele comeu tudo pois sabia que sua vo só lhe daria sobremesa se ele se alimentasse bem. Despois da janta Manuela foi ate o pai para conversar no quarto.
- filha o que aconteceu na casa do seu Claudio? Você conseguiu o emprego?
Manuela disse: papai eu consegui mas ainda não aceitei.
O pai confuso respondeu.
-mas filha você não foi pedir trabalho? Como assim não aceitou?
Manuela vendo a confusão do pai sorriu.
- pai eu não consegui o emprego como professora na escola do Rafael, mas consegui uma chance de ser secretaria. O que você acha?
Apesar de Manuela não contar os detalhes para o pai sobre a proposta do prefeito, ela queria saber sua opinião.
- filha esta na hora de você seguir a vida. Estou contente por você tentar ir em frente. aceite. se não gostar ai você procura algo na cidade vizinha.
Manuela deu um beijo no pai, saiu do quarto e foi brincar com Rafael.
A noite Rafael dormiu como um anjo. Manuela olhava o filho deitado na cama e decidiu aceitar a proposta do prefeito, só assim ela ficaria perto do filho e não precisaria ir para outra cidade. A noite passou, o dia amanheceu. Manuela acordou deu um beijo no filho que estava de férias, e foi tomar um banho. Depois ela foi no guarda roupa e percebeu que todas as roupas dela eram singelas e que já fazia tempo que não comprava nada novo. Ela pegou uma lingerie preta confortável, uma calça preta, uma blusa regata branca e uma jaqueta preta, colocou um par de brincos pequenos de ouro, fez um rabo de cavalo no cabelo, passou um perfume de rosas doces, e calçou uma sandaria rasteira confortável. Desceu as escadas, deu bom dia aos seus pais e aos seus irmãos que já estavam na mesa tomando o café da manha. Ela bebeu um pouco de leite com cereais, foi ao banheiro novamente e escovou dentes. Apesar de sua mãe pedir para ela comer algo há mais, ela recusou por estar quase dando sete e meia da manha, horário no qual o prefeito estabeleceu para dar a resposta. Manuela pegou o carro abriu o portão pelo controle remoto e saiu.
A cidade pequena e calma era bonita, havia poucas pessoas naquela manha de segunda feira. O clima era suave e tropical. Estava no inverno chuvoso e era inicio de fevereiro.
Manuela chegou na prefeitura e viu o carro do prefeito estacionado. Ela desceu correndo, olhou a bela praça na frente da prefeitura e alguns dos funcionários olharam surpresa para ela. O que aquela bonita moca misteriosa que poucas vezes era vista veio fazer aqui? Ela escutou uma outra moça falando: escutei o prefeito dizer que espera por ela.. todos daquele lugar riram de Manuela.
Quando Manuela entrou na prefeitura, a recepcionista dona Trindade olhou com curiosidade para ela, e disse:
-menina o senhor Claudio te espera faz uma hora. A sala dele é a ultima do corredor do terceiro andar. Pegue o elevador ali depressa.
Manuela achou a prefeitura grande demais para uma cidade pequena, mas ela sabia que todas as secretarias funcionavam ali, e que era pratico para todos na cidade. Ela pegou o elevador e ficou um pouco perdida quando chegou ao terceiro andar. Um jovem vestido de terno preto com gravata amarela apareceu. Manuela reconheceu ele. Ele era filho de Joaquim almeida, dono do maior comercio da cidade. Ela não lembrava o nome do jovem, mas lembrava do seu rosto e de sua família.
- Oi prazer eu sou Yure. Você parece perdida. Eu acho que já te vi no comercio do meu pai, você estava linda colhendo frutas.
Ele sorriu.
Manuela continuou seria e como se não tivesse ouvido o elogiu disse elegantemente.
- prazer Yure, sou Manuela, estou um pouco perdida sim. Onde é a sala do prefeito?
Ele disse: posso te acompanhar, venha por favor.
Manuela olhou as paredes amarela do corredor e entrou em uma sala que tinha outras duas secretarias, ao lado delas tinha dois telefones e na frente um computador. Elas pareciam ocupadas com umas pilhas de pastas. Manuela se despediu de Yure.
-Yure obrigada por me trazer aqui, confesso que ficaria perdida um bom tempo se não fosse você.
Yure sorriu e disse: trabalho na contabilidade na secretaria de finanças, fica aqui do lado, quando precisar pode ir la.
Manuela ficou agradecida e disse: ok agora preciso ir.
As secretarias eram mais jovens do que dona Trindade, e elas disputavam a tapa a companhia de Yure, afinal ele era o solteiro mais cobiçado da cidade. Ficaram com inveja de Manuela.
Luana, a secretaria que sentava na sala do lado direito disse: você é Manuela Feitosa? O prefeito disse que você pode entrar.
Manuela disse ok e entrou. Passou por uma segunda sala vazia e achou estranho. Ela viu uma outra porta e bateu levemente. A porta se abriu, era o prefeito.
- bom dia minha doce Manuela, entre, por favor.
Manuela ficou vermelha e entrou sem falar nada.