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Amor inquebrável

Amor inquebrável

Autor:: Bank Brook
Gênero: Moderno
No coração de Raegan, havia apenas um homem: Mitchel. No segundo ano de seu casamento com ele, ela engravidou. A alegria de Raegan era imensa, mas antes que pudesse contar a novidade ao marido, ele lhe entregou os papéis do divórcio, dizendo que queria se casar com seu primeiro amor. Em um acidente de carro, enquanto Raegan, deitada na poça de seu próprio sangue, chamava Mitchel por ajuda, ele partiu com seu primeiro amor nos braços. Felizmente, Raegan escapou da morte por pouco e, com o coração partido, decidiu viver por si mesma. Anos depois, seu nome estava em todos os lugares. Mitchel se sentia muito desconfortável. Por algum motivo, ele começava a sentir falta de Raegan, e seu coração doía ao vê-la sorrindo ao lado de outro homem. Com os olhos vermelhos de raiva, ele invadiu o casamento dela, caiu de joelhos e questionou: "Achei que você disse que seu amor por mim era inabalável. Como pode estar se casando com outra pessoa? Volte para mim!"

Capítulo 1 A ex-namorada voltou

Raegan Hayes estava um pouco distraída naquele momento.

Desde a tarde, só conseguia pensar nas palavras do médico. "Parabéns! Você está grávida."

De repente, Mitchel Dixon beliscou o braço dela com força. A voz baixa dele ecoou no segundo seguinte. "Volte à realidade. No que está pensando?"

Antes que ela pudesse responder, Mitchel a beijou com intensidade, segurando a nuca dela com carinho.

Depois, foi direto para o banheiro.

Raegan permaneceu imóvel na cama enorme. Fios úmidos do cabelo colavam-se às suas têmporas e bochechas. Olhava para o teto com os olhos cheios de lágrimas, o corpo nu ainda latejando levemente.

Passado um tempo, tirou o resultado do teste de gravidez da gaveta da mesa de cabeceira.

Fora ao hospital por causa de uma dor de estômago insistente. Após o exame de urina, o médico lhe dera a notícia. Estava grávida de quase cinco semanas!

Foi um choque. Ela e Mitchel sempre usavam proteção.

Depois de quebrar a cabeça, conseguiu identificar o momento da concepção: havia sido no mês passado, depois de uma festa. Mitchel a levara para casa e, de repente, perguntara à porta se ela estava no período fértil.

Agora, percebia que aquele período estava longe de ser seguro!

O som da água do chuveiro vinha do banheiro. Mitchel era seu marido. Casaram-se em segredo há dois anos. Ele era seu superior no trabalho, o presidente do Grupo Dixon.

Tudo acontecera tão rápido... Estava recém-contratada quando, por acaso, transaram pela primeira vez após uma festa.

Dias depois, o avô de Mitchel adoeceu gravemente. Foi então que ele propôs um casamento de fachada, apenas para realizar o último desejo do avô.

Assinaram um acordo pré-nupcial, comprometendo-se a esconder a união de todos. O matrimônio poderia ser dissolvido a qualquer momento.

Era algo fora do comum. Contudo, na época, Raegan só se considerara sortuda.

Nunca, em um milhão de anos, imaginara que se casaria com o homem por quem era apaixonada havia oito anos. Aceitou, encantada.

Após o casamento, Mitchel ficou muito ocupado. Passava a maior parte do tempo trabalhando.

Raegan desejava poder ficar mais com ele em casa. Mesmo assim, sentia-se tranquila, pois não houve rumores ou escândalos envolvendo-o com outras mulheres nos últimos dois anos.

Exceto por uma certa frieza, Mitchel era um marido perfeito.

Sentimentos conflitantes invadiram Raegan enquanto encarava o resultado do teste.

No fim, decidiu contar a verdade a Mitchel.

Também queria dizer que não o conhecera de verdade há dois anos, que estava apaixonada por ele muito antes disso.

A água do chuveiro finalmente parou.

Mal saiu do banheiro, o celular de Mitchel tocou. Envolto apenas numa toalha, ele foi à varanda atender.

Raegan checou a hora: já era meia-noite.

Um frio na barriga. Quem ligaria para Mitchel a essa hora?

Ele ficou alguns minutos na varanda antes de voltar ao quarto e se livrar da toalha.

Seu corpo era uma visão e tanto. Os músculos abdominais, bem definidos. As nádegas, firmes, e as pernas, longas e musculosas. Aquele homem era um verdadeiro partido!

Não era a primeira vez que Raegan o via nu. Ainda assim, corou e o coração disparou.

Alheio ao olhar que percorria seu corpo, Mitchel pegou a camisa e a calça do terno que estavam na cama. Vestiu-se e ajustou a gravata com os dedos finos. O rosto bonito, de traços marcantes, parecia ainda mais digno naquela noite.

Estava simplesmente deslumbrante.

"Não me espere. Boa noite", disse por fim.

O quê? Ele ia sair? A essa hora?

Raegan apertou o papel do teste com mais força, olhando para ele com decepção. Inconscientemente, recuou um pouco. Após hesitar, soltou: "Já está tão tarde..."

Os dedos de Mitchel pararam na gravata. Com um sorriso leve, beliscou o lóbulo da orelha dela: "Ainda está com tesão? Quer que eu faça você gozar de novo?"

Ao ouvir, Raegan corou até a raiz dos cabelos. O coração batia forte no peito. Estava prestes a dizer algo quando Mitchel a soltou: "Seja boazinha, tá? Preciso resolver uma coisa. Não me espere."

E, com isso, dirigiu-se à porta.

"Mitchel."

Raegan correu e o alcançou.

Ele se virou, olhando-a com seriedade.

"Qual é o problema?"

Havia uma ponta de frieza na voz. Uma nuvem gelada pairou no ar enquanto se encaravam.

Aflita, Raegan perguntou baixinho: "Quero visitar minha avó amanhã. Pode me acompanhar?"

Frágil e doente, a avó sempre pedia para vê-la. Por isso, Raegan queria levar Mitchel para tranquilizá-la, mostrar que eram felizes.

"Deixa pra amanhã, tá bom?" Sem aceitar nem recusar, Mitchel saiu apressado.

Uma enxurrada de pensamentos invadiu a mente de Raegan enquanto tomava banho e voltava para a cama. Não pregaria os olhos.

Depois de se revirar por um bom tempo, levantou e preparou um copo de leite morno.

Algumas notificações de blogs apareceram no celular.

Ela não estava interessada. Estava prestes a ignorá-las quando uma chamou sua atenção. O nome familiar a fez clicar.

A notícia dizia: "Estilista famosa, Lauren Murray, é vista no aeroporto com namorado misterioso mais cedo hoje."

Lauren usava um chapéu de pescador. A figura do homem era vaga, mas o porte elegante saltava aos olhos.

Raegan deu zoom na foto. No instante seguinte, o coração pareceu parar.

Era Mitchel na foto!

Então, ele cancelara a reunião da tarde só para buscar a ex-namorada no aeroporto?

A constatação caiu como uma pedra no estômago de Raegan, deixando-a atordoada.

As mãos tremeram. Sem pensar, discou o número de Mitchel.

O tom de chamada a trouxe de volta à realidade. Quando já ia desligar, a chamada foi atendida.

"Alô!"

Uma voz feminina, particularmente doce.

Raegan congelou por um segundo antes de atirar o telefone para longe.

Um enjoo súbito a tomou. A bile subiu pela garganta.

Tapando a boca, correu para o banheiro e vomitou no vaso.

Na manhã seguinte, Raegan foi trabalhar no horário.

Mitchel tentara fazê-la parar de trabalhar depois do casamento. Mas ela insistira em ganhar seu próprio dinheiro.

Ele não se opusera, mas pedira que fosse sua assistente, ajudando com tarefas diárias.

O assistente-chefe, Matteo Jenkins, ficara com os assuntos principais.

Matteo era o único funcionário do Grupo Dixon que sabia do casamento.

Desde sempre, apenas assistentes homens trabalhavam no escritório do presidente. Raegan foi a primeira e única mulher, uma exceção à regra. Por isso, os outros funcionários não conseguiam evitar especulações sobre um envolvimento com Mitchel.

Levou um tempo até perceberem que Mitchel nunca dava tratamento especial a Raegan. Estranhamente, isso fez com que a desprezassem ainda mais.

Afinal, ninguém se mantinha no cargo por muito tempo só se apoiando na aparência. Daí ser estranho Raegan ter durado tanto.

Naquele momento, uma colega entregou-lhe um documento e ordenou que levasse ao escritório de Mitchel.

Mitchel não voltara para casa na noite anterior. Raegan ficara tão preocupada que não dormira.

Só pensava na mulher que atendera o telefone dele. Será que Mitchel passara a noite com ela?

Raegan já sabia a resposta, mas ainda se recusava a aceitar.

Era difícil assimilar o fato.

Agora, tentava manter a calma. Raciocinava que, não importasse o que acontecesse, merecia um desfecho que compensasse todos os anos amando Mitchel. Não podia ter sido tudo em vão, certo?

Pensando nisso, apertou o botão do elevador com calma e subiu até o escritório da presidência. Antes de sair, ajeitou o cabelo, certificando-se de estar apresentável.

Ao chegar, viu a porta entreaberta. Uma voz masculina veio. Ela parou instantaneamente.

"Qual é, cara! Você sente algo pela Raegan ou não?"

A voz era de Luis Stevens, amigo de infância de Mitchel.

"O que você quer dizer exatamente?" Mitchel perguntou, a voz gelada.

"Você sabe muito bem o que quero dizer!" Luis estalou a língua, impaciente. "Acho a Raegan uma boa garota. Ela não é seu tipo?"

"Quer que eu a entregue para você?" Mitchel retrucou, despreocupado.

"Quer saber? Esquece!"

A risada debochada de Luis soou especialmente cruel aos ouvidos de Raegan.

Falavam dela como se fosse um objeto.

Raegan respirou fundo e apertou o documento com mais força.

Logo, a voz de Luis voltou:

"A propósito, vi a fofoca do namorado misterioso da Lauren hoje de manhã. Era você, né?"

"Sim."

"Ora, ora, ora! Aquela mulher ainda te tem na palma da mão. Você sempre quer agradá-la."

Luis suspirou e continuou a provocar: "Vocês dois passaram a noite juntos. Como diz o ditado, a saudade aumenta o afeto. Me conta, vocês dois..."

A conversa deles ecoou como um trovão na cabeça de Raegan.

Seu rosto empalideceu; o corpo ficou frio como gelo.

Lauren e Mitchel passaram a noite juntos!

A saudade aumenta o afeto!

Cada palavra era uma facada no coração.

Sussurros invadiram sua mente naquele momento. De repente, sentiu-se tonta. A visão embaçou.

Apoiou-se na parede e deu um passo para trás. Subitamente, a porta abriu-se por dentro.

"Raegan?"

Capítulo 2 Amor unilateral (Primeira parte)

Luis foi quem abriu a porta. Parecia que estava de saída.

Raegan cerrou os punhos, virou-se para ele e acenou com a cabeça. "Olá, senhor Stevens!"

Sem esperar por uma resposta à saudação, passou por ele e entrou no escritório com o documento.

Mitchel estava sentado atrás de uma grande e luxuosa mesa. De terno caro e gravata combinando, parecia particularmente bonito.

Raegan notou que não era o mesmo terno que ele usara ao sair de casa na noite anterior. Como teria se trocado?

Baixando os olhos, engoliu a pergunta e disse: "Senhor Dixon, isto é do Departamento de Marketing. Por favor, assine."

Mitchel mantinha uma expressão inexpressiva enquanto assinava o documento de relance.

Assim que ele devolveu o papel, Raegan saiu. Luis ainda estava parado no limiar.

Só quando ela desapareceu de vista é que ele se virou para Mitchel e sussurrou: "Merda! Acha que ela nos ouviu?"

Naquele momento, os olhos atraentes de Mitchel estavam vazios. Obviamente, ele não prestava atenção ao que Luis dizia.

Para Mitchel, Raegan sempre fora dócil e nunca demonstrara ciúmes de ninguém.

Sua obediência estrita era tudo que ele exigia dela, em troca de um bom tratamento.

No elevador, Raegan prendeu a respiração para conter as lágrimas. Infelizmente, não adiantou.

Acreditara que dois anos seriam suficientes para que Mitchel percebesse o quanto ela o amava e correspondesse a seu amor.

Agora, descobria que isso não passara de um sonho.

Percebeu que sempre ficaria em segundo plano para Lauren, o verdadeiro amor dele.

Quando o elevador parou, Raegan enxugou as lágrimas. Exceto pelo rosto pálido, parecia normal quando as portas se abriram.

Arrastou-se até a sala de descanso, com a intenção de fazer uma xícara de chá.

Dentro, vários funcionários conversavam.

"Pessoal, já souberam? Lauren Murray está de volta."

"E quem é?"

"Nossa! Você não a conhece? Lauren é a herdeira do Grupo Murray e uma estilista de renome mundial. O mais importante: ela é a única namorada que o senhor Dixon já exibiu em público. É o primeiro amor dele!"

"Por que a volta dela é tão importante? Não circulam rumores sobre algo entre o senhor Dixon e a Raegan?"

"Raegan? Deve ser um dos brinquedos sexuais dele. O senhor Dixon nunca admitiu estar namorando com ela. E não me surpreende. Afinal, olhe para ela. Nem é tão bonita. Ainda assim, age como se já fosse a senhora Dixon. Que tola!"

Parada na porta, Raegan sorriu com autodepreciação ao ouvi-los. No fim das contas, todos enxergavam a verdade, menos ela.

O amor era unilateral.

"Ha-ha, a senhora Dixon finalmente acordou do seu sonho impossível?"

Uma voz zombeteira surgiu de repente por trás. Raegan virou-se e viu Tessa Lloyd, prima de Mitchel, que sempre a desprezara.

Tessa também devia ter ouvido a fofoca dos funcionários.

A última coisa que Raegan queria agora era discutir com Tessa na empresa. Ao se virar para sair, Tessa bloqueou-lhe o caminho.

Com uma xícara de café na mão, disse com sarcasmo: "Lauren voltou. Acha mesmo que o Mitchel ainda vai te dar atenção?"

Raegan não respondeu.

Segundos depois, Tessa continuou o deboche: "Ouvi dizer que você é ótima na cama. Que tal eu te apresentar a uns caras? Eles adorariam seus serviços."

Com os punhos cerrados, Raegan retrucou friamente: "Senhorita Lloyd, estamos na empresa, não num bordel. Se tem interesse nesse tipo de negócio, você sabe onde ir."

"Sua..."

Raegan acabara de insinuar que ela era uma cafetina, deixando o rosto de Tessa completamente transformado.

No instante seguinte, Tessa ergueu a mão e jogou o café quente em Raegan.

Raegan nem sequer imaginou que Tessa faria algo tão insano. Ergueu os braços para proteger o rosto do líquido escaldante. Em segundos, o café queimou seu braço, deixando a pele vermelha.

"Ai!", exclamou Raegan, franzindo a testa de dor. "Por que fez isso? Está louca?"

Era horário de almoço e muitos funcionários estavam livres para assistir ao espetáculo. Ao ver o crescente número de espectadores, Tessa ficou ainda mais complacente.

Com um olhar de garota má, disse: "O que te deixa tão convencida todo dia, hein? Acha mesmo que os outros não sabem que você é só uma bastarda sem pais? Que audácia..."

Um som nítido cortou o ar.

Tessa foi silenciada por um tapa forte no rosto, deixando-a boquiaberta. Nunca esperara que Raegan, sempre tão quieta e tímida, fosse capaz de lhe dar um tapa.

Tessa segurou a bochecha e ficou olhando fixamente por um momento, até gaguejar: "Você... você me bateu? Como ousa?!"

Raegan fitou-a e respondeu: "Sim, bati! Parece que você precisa aprender um pouco de educação."

De fato, Raegan perdera os pais na infância, mas isso não significava que permitiria que a pisoteassem por isso.

Rugas apareceram no rosto de Tessa, que franziu a testa de raiva. Como prima de Mitchel, estava acostumada a ser bajulada e respeitada. Era a primeira vez que era tratada daquela forma.

"Sua vadia!"

Tessa avançou sobre Raegan como um touro enfurecido, erguendo a mão para devolver o tapa.

Desta vez, Raegan estava totalmente preparada. Agarrou o pulso de Tessa com tanta força que ela não conseguiu se mover nem um milímetro.

Tessa era mais baixa. Como resultado, debatia-se como um polvo com um tentáculo preso numa armadilha.

"Como ousa colocar suas mãos imundas em mim?", xingou Tessa, furiosa. "Quem diabos pensa que é? Não passa de um brinquedo do Mitchel. É pior que uma prostituta que transa com vários homens!"

As palavras duras atraíram mais pessoas para a sala de descanso.

"Já chega!"

De repente, uma voz grave ecoou. Mitchel saíra do escritório e deparara-se com aquela confusão, e a sala inteira caiu em silêncio.

Capítulo 3 Amor unilateral (Segunda parte)

"Mitchel?" Ao vê-lo, o sangue de Tessa gelou. Ela sempre tivera medo dele. A mãe também a alertara para não provocá-lo.

Porém, ao lembrar-se do tapa, adotou uma expressão lamentável e chorou. "Mitchel, olhe para o meu rosto. Ela me bateu."

A luz do sol caía sobre o belo rosto de Mitchel.

De repente, Raegan sentiu uma profunda tristeza e baixou a cabeça para olhar a parte de trás do braço, queimada pelo café.

Seus olhares se encontraram. Com a testa profundamente franzida, Mitchel olhou para Raegan e perguntou: "Raegan, esqueceu-se das regras da empresa?"

A frieza dele fez Raegan perder o fôlego. Não conseguia acreditar no que ouvira.

Naquele momento, ninguém ousava emitir um som.

Raegan permaneceu em pé, com sua figura esbelta.

Quando fora contratada, Mitchel dissera-lhe que o Grupo Dixon não era lugar para bagunça e que ele não toleraria qualquer erro de sua parte.

Raegan conseguia entender sua postura.

Contudo, naquele instante, desesperava-se para saber se Mitchel ouvira as palavras cruéis de Tessa ou apenas fingira não ouvir porque concordava com elas.

Será que ele realmente a via como um objeto para seu prazer?

Assustada com a fúria de Mitchel, a multidão logo se dispersou. Alguns funcionários foram corajosos o suficiente para espiar de longe, relutantes em perder o espetáculo.

Os olhos frios de Mitchel fizeram Raegan estremecer da cabeça aos pés.

Beliscando a palma da mão para conter as emoções, Raegan olhou para Tessa.

"Sinto muito, senhorita Lloyd. Como funcionária do Grupo Dixon, errei ao bater em você."

Fitando Raegan, Tessa ergueu o queixo com complacência. "Humm! Não pense que vai se safar com um pedido de desculpas tão simples. Não aceito..."

"O tapa não tem nada a ver com a empresa. Pessoalmente, recuso-me a pedir desculpas. Agora, se me dá licença", interrompeu Raegan.

Em seguida, passou por Mitchel sem sequer olhá-lo.

"Sua... sua vadia!"

O rosto de Tessa ficou azul após ouvir as palavras de Raegan.

Em todos os seus anos de vida, nunca fora tão humilhada. Sempre fora a valentona, nunca a vítima!

A humilhação era tanta que nem despedaçar Raegan naquele momento aplacaria sua raiva.

Apontando na direção de Raegan, gritou: "Mitchel, ouviu o que essa mulher disse? Deu-me um tapa na cara e ainda é tão arrogante. Chame-a de volta. Tenho que esbofeteá-la até que implore por misericórdia!"

Mitchel, observando as costas magras de Raegan que se afastava, tinha uma expressão ambígua.

"Já chega!", disse ele friamente, erguendo a mão.

Como alguém que vivia e respirava drama e crueldade, Tessa não julgou que Mitchel estivesse sendo parcial com Raegan. Presumiu que ele simplesmente não se importava.

Tessa cerrou os dentes e disse com malícia: "Da próxima vez, arrumo alguém para dar uma lição naquela vadia."

"Tessa!" O tom e o olhar de Mitchel soaram como uma severa repreensão.

Imediatamente, Tessa estremeceu.

Com semblante sombrio, Mitchel declarou: "Só direi isso uma vez. Esqueça o que aconteceu hoje. Deixe Raegan em paz."

A aura que ele exalava secou-lhe a língua. Todas as ideias perversas que guardara contra Raegan desapareceram num instante.

Gaguejou: "Tá... Tá bom, entendi..."

Após lançar um olhar gélido sobre ela, Mitchel dirigiu-se a Matteo: "A partir de hoje, pessoas irrelevantes não serão permitidas aqui."

Sem captar a mensagem, Tessa adulou-o: "Boa decisão. Esta é uma empresa de ponta. Nem todos têm acesso."

Matteo acenou a Mitchel e dirigiu-se a Tessa, gesticulando em direção à saída. "Senhorita Lloyd, por aqui, por favor."

Foi só então que Tessa percebeu ser a pessoa irrelevante a quem Mitchel se referira. Ao tentar falar com ele, Matteo bloqueou-lhe o caminho. Os seguranças então a expulsaram, sem demonstrar qualquer piedade, tornando sua resistência inútil.

Enquanto isso, ao voltar para seu escritório, Raegan trocou de roupa.

Seu coração transbordava de tristeza ao lembrar como Mitchel a olhara minutos antes.

Logo chegou o horário de fechamento.

Raegan pegou a bolsa e dirigiu-se à saída, mas Matteo a deteve.

"O senhor Dixon tem um assunto urgente", disse ele, "e me pediu para levá-la para casa."

Raegan recusou a carona sem hesitar.

Antes, estivera cega, mas agora enxergava a situação claramente.

Aos olhos de Mitchel, ela não passava de uma ninguém.

Como ele concordaria em acompanhá-la para visitar a avó, se nem sequer se importava com ela?

Ao chegar ao hospital, Raegan viu a enfermeira prestes a dar o jantar à sua avó. Assumiu a tarefa e fez tudo sozinha.

A vida toda, a avó vivera no campo, desfrutando de uma vida tranquila. Tudo mudara no mês passado, quando seu exame de rotina mostrara que algo estava errado com seu pâncreas. Raegan insistira em trazê-la para a cidade, para um tratamento melhor.

Sua avó não sabia de seu casamento com Mitchel.

Raegan planejara surpreendê-la naquele dia, mas, como se viu, isso já não era necessário.

Esperou que a avó adormecesse antes de sair. Deixou o hospital e esperou por um táxi.

Ao longe, um carro de luxo preto entrou na entrada do hospital.

Os olhos de Raegan iluminaram-se ao vê-lo. Reconheceu o carro de Mitchel.

Terá ele vindo buscá-la?

Naquele momento, esqueceu toda a dor que sentira.

Estariam erradas suas ideias sobre ele? Importar-se-ia ele com ela, ao contrário do que diziam as fofocas?

A porta do motorista abriu-se e Mitchel saiu.

Raegan começou a caminhar em sua direção, o coração transbordando de alegria.

De repente, parou abruptamente.

Mitchel acabara de ir para o outro lado e carregara uma mulher para fora do carro.

Preocupação e compaixão estavam estampadas em seu belo rosto, apagando o sorriso do rosto de Raegan e fazendo seu coração afundar.

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