O casamento estava marcado, tudo comprado e organizado, amigos e familiares aguardavam com expectativa o grande dia, a noiva chega a pequena capela toda adornada com rosas brancas, seu coração está acelerado, as mãos suavam, o melhor dia da sua vida era aquele, se não tivesse recebido um bilhete do noivo ainda dentro do carro informando que sentia muito, mas precisava sair do país para ter uma vida melhor deixando-a para trás.
Carolina Greco a típica e linda italiana, morena alta de corpo esguio, cabelos negros como a noite e grandes olhos castanhos, com lábios capazes de fazer um homem se perder, nascida em Nápoles, filha de pescador, seus pais morreram quando ela tinha 18 anos em um acidente com o barco de trabalho do pai.
Viveu com os avós até os 22 anos, quando terminou seu noivado de forma brusca e permanente com Antony seu vizinho Moreno alto de olhos cinzas e corpo escultural, um belo homem, mas um péssimo noivo, deixou Carol para fazer fortuna na América.
Antony Mathias Ricci empresário de sucesso decidiu que seria rico, quando sua família passou por um grande problema financeiro o que fez desistir do casamento com Carol, e assim ele perdeu não somente a noiva, mas também sua amiga de infância. No mundo dos negócios Antony havia aprendido a ser cínico e mulherengo, nenhuma mulher poderia satisfazer seus gostos por muito tempo mais não custava testar, a vida tinha sido dura e junto com ela havia endurecido também, seu sorriso jamais seria verdadeiro novamente.
Carol estava cansada de andar, ela nem sabia que tia Abigail deixaria seu velho restaurante para ela em testamento, muito menos que teria um sócio que deveria encontrar do outro lado da cidade por que era ocupado demais para vê-la no escritório dos advogados, como não conhecia bem o lugar havia descido do transporte público duas paradas antes da correta.
Ao chegar no restaurante percebeu que ele estava bem mudado, desde a última vez que o visitara com seus pais, quase dez anos atrás, ela olha e analisa o ambiente, que era totalmente aconchegante, parecia ter retornado a Itália, seu olhar foi vagueando até pararem uma das mesas onde um homem moreno alto lia o jornal, aquele homem lembrava muito o jovem que havia partido seu coração, e Carol desviou o olhar por que esse não era o momento para lembrar do passado.
Guy entrou abruptamente no restaurante procurando por sua nova sócia, ele já havia pensado em tudo, faria com que ela vendesse sua parte para o magnata dos restaurantes de luxo de Manhattan, que já estava lá na sua mesa predileta, sua jogada seria oferecer muito dinheiro para caipira sobrinha de Abigail se mandar de volta para Itália.
-Desculpe a demora sou Guy o sócio de Abigail- disse Guy se aproximando de Carol estendendo a mão para um aperto.
-Cheguei a pouco tempo, não se preocupe - respondeu ela aceitando a mão do homem baixinho de cabelos vermelhos, sarda no rosto e cara de vigarista.
-Quero lhe apresentar um grande amigo meu - diz Guy indo em direção da mesa perto da janela.
Carol já havia pensado algumas vezes como reencontraria Antony, mas nunca imaginou ele sentado em uma das mesas do restaurante da Nona sua tia falecida.
Antony tirou os olhos do jornal e olhou para o relógio, aquele Guy com certeza estava aprontando alguma, o único interesse era comprar o restaurante da Nona antes que aquele imbecil, destruísse tudo o que ela construiu.
Na sua juventude quando sentia saudades de Nápoles, Antony ia até aquele restaurante, sentava no lugar que estava agora e deixava o pensamento correr solto, ele havia se tornado um homem poderoso.
Guy aproximou se da mesa onde Antony estava sentado e com um sorriso no rosto anunciou que tinha que lhe apresentar alguém, tal qual foi a surpresa, quando Antony levantou o olhar do seu jornal e viu os olhos negros de Carol, a mesma mulher que ele abandonou em Nápoles há 13 anos atrás, ele via r fletido nela a mesma incredulidade que a dele, de todos os lugares e pessoas, nem nos seus sonhos mais loucos ele a imaginou em NY.
Será que ela era a tal noiva que Guy tanto falava? Não lembrava dele dizendo qualquer coisa sobre a nacionalidade ou descrição de tal mulher.
O destino havia separado os dois e o destino agora os botava face a face depois de 13 anos sem saberem nada um do outro, Carol não imaginava que o veria novamente, se não fosse por essa herança estúpida jamais teria saído de sua terra natal, o que ele fazia ali? Era advogado? Tinha algo haver com a herança ou era só um amigo que Guy avistou?
-Tony amigão, essa é a minha sócia aqui no restaurante, quando você me informou sobre seu interesse pela compra do lugar achei justo marcar essa reunião e ouvir a proposta junto com ela -Informou o homem de cabelos cor de cenoura.
Carol simplesmente virou em direção a saída do restaurante e foi embora, Guy correu atrás dela, mas ela entrou no primeiro táxi que viu, ela não podia acreditar que depois de todos aqueles anos tentando imaginar o que havia acontecido com Antony, ele estava bem, parecia saudável e tico, já que vestia um belíssimo Armani.
Guy estava furioso com Carolina, como ela podia ter ido embora assim, deixando-o nessa situação constrangedora, ela era uma camponesa imbecil que não entendia nada de negócios e ele não ia deixá-la estragar o dele com Tony, a grana é muita alta para perder.
-Eu não sei o que houve - disse Guy a Antony, quando retorna a mesa.
-Quem era aquela mulher, Guy? - Perguntou Antony.
-Ah meu amigo essa é a sobrinha da Nona que veio para a leitura do testamento, a linda Carolina Greco - disse o homem de cabelo cor de cenoura sorrindo.
-Ela é a sobrinha da Nona? - perguntou Antony, sem crer.
-Sim, uma caipira do interior de Nápoles, não sei o que deu nela, mas você vai ver que ela vai vender a parte dela bem rápido, ela nunca deve ter visto tanto dinheiro assim. - diz Guy sorrindo.
-A última coisa que Carolina Greco fará é vender a parte dela para mim - disse Antony com amargura, encerrando a conversa com Guy.
Antony pagou a conta e saiu do restaurante para a tarde nublada de Manhattan, ele ainda não podia acreditar, que depois de todos esses anos sem pôr os pés e Nápoles ele iria encontrar Carol bem ali na frente dele, e como ela podia estar mais linda do que era na juventude? Será que havia casado? Teria filhos? Por que nunca veio visitar a tia? Essa ele sabia responder, Carol odiava as cidades grandes sempre gostou de viver no interior, não que fosse uma simples camponesa, pelo contrário tinha feito faculdade de literatura, mas não sabia se exercia a profissão, ele veio embora antes que ela se formasse.
Ele não lamentava ter saído do interior para tentar a vida na cidade grande, onde deixou a vida de privações para tornar-se um grande empresário, assim podia ajudar sua família e nunca mais ver seus irmãos brigando pelo pouco dinheiro da casa, eles aceitavam o dinheiro, mas nunca o perdoaram pelo o que ele fez a Carol e sua família.
Estava tão distraído que nem reparou que já havia chegado no escritório, entrou na sua sala e pediu para Irwi sua secretária baixinha, robusta, de olhos negros para atualiza-lo dos afazeres daquele dia, sua mente voara demais para o passado, precisava focar no presente e principalmente no futuro.
Carol não sabia o que faria a seguir, já estava em Manhattan por duas semanas, precisava voltar para casa, mas não queria deixar o restaurante da tia nas mãos de Guy para ele vender para qualquer playboy, que
não manteria o lindo ambiente italiano que tinha o restaurante, Como ela podia deixar que o legado de sua tia virasse um local frio e sem vida, aquelas porcarias chiques sem sentimentos ou histórias pra contar, cores mortas, funcionários frios e comida extremamente cara.
A vida no campo era muito melhor do que a vida na cidade grande onde havia, muita poluição, muita gritaria, pessoas que mal se falam ou se tocam, tudo muito impessoal, ela gostava do calor e das amizades do interior da Itália, todos se conheciam, se cumprimentavam, eram bem calorosos, as vezes até demais.
Carol não ia desistir do restaurante, ela ia passar o dia seguinte nele e ver como era administrado e cuidado, desejava conhecer os funcionários e ver quem era leal a sua tia.
Antony tentou, tentou arduamente não pensar em Carol, por que se havia algo que ele sentia falta da sua juventude era de Carolina Greco, sua melhor amiga e namorada na juventude e... era melhor não lembrar de coisas que jamais se resolverão, ele agiu como um cretino e tinha plena consciência disso.
Antony e Carol estavam noivos, eles estavam terminando a faculdade e queriam começar a vida juntos, mas ele nunca havia se conformado com a vida na casa dos pais, uma vida familiar onde um homem abusivo maltratava esposa e filhos, ele ficava indignado como sua mãe aceitava toda essa situação, ele não queria viver um casamento assim e quando surgiu a oportunidade entre escolher ir embora de Nápoles ou casar com Carol, ele deu ouvidos a razão e foi embora sem olhar para traz.
Agora ele era dono de um império, era dono de vários empreendimentos incluindo uma cadeia de restaurantes o que o leva de volta a Carol, ele não sabia que o lugar que tanto amava era da tia dela, com tantas possibilidades logo essa aparece diante dele para mexer com sentimentos a muito guardados e selados.
Gostaria de não ter dado ouvidos a Guy e ido naquele encontro estupido, mas Antony sabia que o homem ia detonar o lugar, não entendia como uma mulher inteligente como a Nona tinha um cara como esse por sócio, como pode ser enganada, ele queria muito manter a memória da Nona e estava certo de que jamais poria mãos no restaurante enquanto Carol fosse uma das sócias.
-Senhor?!-falou Irwi sua secretária do vão da porta entreaberta, tirando-o de seus devaneios.
-Sim
-Sua reunião no Plaza foi remarcada para a próxima semana, sua tarde de hoje está livre, deseja agendar algo para esta tarde?
-Não Irwi vou aproveitar para estudar os novos projetos, evite que eu seja incomodado.
-Senhor sua mãe ligou novamente- informou a secretária.
-Tudo bem eu retorno mais tarde-ele respondeu sabendo que não o faria.
Ele culpava a mãe por tudo o que havia passado, as constantes humilhações sofridas por causa do pai alcoólatra e agressivo, ele não conseguia aceitar o por que de não pegar os filhos e ir para longe daquele homem, que agora era só um peso morto na vida dela, bebeu até ter um derrame e ficar preso em uma cama, Antony ofereceu de pagar um lugar para o homem ficar, mas a mãe disse que cuidaria dele na saúde e na doença, deixando o filho extremamente zangado e criando mais um abismo entre os dois.
O celular que estava em cima da mesa começou a vibrar, ele havia tirado o som para participar das reuniões matinais e esquecera de por de volta, seja lá quem for era insistente já que não parava de ligar, era seu telefone pessoal e ele não queria tratar de assuntos pessoais naquele momento, queria apenas estudar os novos projetos e se desligar do passado.
O dia se arrastou para Antony, sua secretária desistiu de falar com ele depois de duas tentativas frustradas e de ver uma face bem agressiva de seu chefe, ela queria dizer algo referente a alguma ligação importante, mas que era de âmbito pessoal, então ele gritou que não atenderia ninguém enquanto estivesse estudando os novos projetos, ele precisava focar no trabalho, precisava esquecer toda a amargura do passado, todo o mal vivido e causado por ele.
Carol aproveitou que tinha a tarde livre do dia seguinte e marcou uma visita ao restaurante de tia Abigail, ela ficou chocada ao saber que sua tia devia dinheiro a Guy, por isso, ela havia dado 30 por cento do lugar a ele como pagamento.
Ela havia marcado uma reunião com Guy no escritório do advogado, queria oferecer a ele um acordo de compra dos 30 por cento dele,mas queria a presença de um advogado, desde o primeiro telefonema sabia que aquele era um homem perigoso e malicioso.
Como Carol esperava o homem veio cheio de falsos argumentos para a reunião e pediu uma semana para pensar e ela pediu essa semana para verificar de perto o andamento do restaurante e ver como o lugar era administrado, não ia ficar uma semana esperando sentada enquanto ele agia por baixo dos panos, mas o que ela não esperava era a ligação exasperada de sua avó e nem o pedido que ela havia feito,o qual ela se negara veementemente a cumprir, mas depois voltou atrás.
Já passava da seis quando Antony ouviu uma batida na porta, ele não respondeu mas a pessoa insistiu e não entendendo o recado a pessoa pôs a cabeça para o lado de dentro do escritório causando espanto em Antony.
A última coisa que Carol pensaria em fazer era ir até o escritório de Antony, mas a ligação de sua avó a deixou culpada e angustiada, então resolveu ir até lá e dar o aviso, que era muito importante.
-Sua família está ligando e você não atende o telefone-disse Carol da porta.
-Estava ocupado-respondeu ele secamente.
-Serei rápida-disse ela entrando na sala e deixando a porta aberta-Seu pai faleceu esta manhã e sua mãe está fora de si chamando por você, por isso sua família estava tentando entrar em contato, recado dado, sinto muito-disse Carol saindo do escritório sem olhar para trás.
Ele ficou lá sentado olhando para porta que se fechava, havia desejado tanto isso na sua infância que aquele homem morresse e deixasse sua mãe em paz, mas agora não importava mais, ele havia se libertado de tudo isso, Carol disse que sua mãe estava desesperada, algo que jamais aceitaria era esse amor doentio dela por aquele homem que só a fez sofrer e amargar uma vida infeliz.
Carol praticamente correu até o elevador rezando para ele não ter a brilhante ideia de ir atrás dela, só respirou normalmente quando estava dentro do táxi indo para o hotel o qual estava hospedada sabia que a morte do pai não o interessava mais sua avó sempre foi amiga de Madie mãe do Antony, sempre tentou cuidar e ajudar aquela família embora Madie não deixasse muita margem para isso.
Ela nunca havia entendido que mesmo tendo apoio total dos amigos e familiares, Madie sempre apoiou o marido agressivo e alcoólatra e agora sofria com a morte daquele homem que já estava inválido dando cada vez mais trabalho e afastando seus filhos já adultos de seu convívio, agora ela chorava e sofria e pedia o retorno dos filhos que um dia foram seus.