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Amor no Vidigal

Amor no Vidigal

Autor:: Kyraferri
Gênero: Romance
Diego Ferrí, é dono do morro do Vidigal, e comanda alguns complexos aliados, junto com a maior facção do Rj. Ele e o seu irmão, Vítor. Vivem em uma eterna briga por poder. Em meio ao caos que é o tráfico, o comando e tudo que isso envolve. Ele ainda consegue se divertir bastante com toda patricinha que sobe o morro atrás de adrenalina. Mas nenhuma princesa da pista chama a atenção dele, como a Barbie da favela.. Em circunstâncias normais, ele não olharia pra ela duas vezes - Prefere mulheres mais velhas, e experientes. - Mas ao ver a irmã mais nova da sua ex, tão crescida e bonita. Ele resolve investir tudo o que tem para conquista-la, por pura vingança. Bianca aprendeu a ser forte desde pequena, e não é nenhuma jovem inocente. Apesar da sua vida difícil ela não quer ser vista como uma coitada. Mesmo novinha, ela é esperta o suficiente para perceber as intenções do dono do morro, e virar o jogo deixando claro que não vai ser manipulada por ninguém. Diego e Bianca tem uma história foda, cheia de altos e baixos, desencontros, brigas.. mas com muito amor envolvido.. Você não vai se arrepender de investir seu tempo nessa história!

Capítulo 1 1

Bianca narrando:

Já faz uma semana que meu pai não aparece em casa, e eu dou graças a Deus por isso.

Sim, familia é muito mais do que laços de sangue, e uma pessoa tem o direito de odiar o próprio pai.

Sou nascida e criada no morro do Vidigal, apesar disso, não costumo ir muito em bailes e até mesmo a praça eu evito. Meu pai me passa muita vergonha, sempre bêbado ou drogado, gritando comigo no meio das pessoas, caído em algum lugar, ou me batendo pra caramba. É um inferno, mas faz parte. Desde que minha mãe morreu essa é a nossa realidade.

Como faz um tempo que ele não aparece por aqui, a minha melhor amiga, Carol. Acaba me convencendo de ir ao baile hoje. Só quero beber uma caipirinha, dançar e me divertir um pouco..

Coloco uma saia preta curtinha com brilho que desenha bem meu quadril, um cropped da mesma cor que tem um decote bonito e um salto alto. Faço uma maquiagem simples, e deixo o cabelo solto. A Carol está linda com um vestido curto e tênis branco.

A gente chega no baile lotado, já tarde da noite, porque a Carol trabalha em um salão e só fecha quando termina a última cliente. Apesar do pai dela ser envolvido no tráfico, e ter dinheiro pra bancar a família, ela prefere ter a própria grana. Eu até tento aprender algumas coisa de salão, mas sou péssima, não é a minha área. Mesmo assim faço bicos cuidando de algumas crianças pela comunidade, pra fazer meu próprio dinheiro.

A quadra está completamente lotada, o cheiro de maconha e essência está por todo lado, a gente passa por alguns homens com fuzil pro alto de cara fechada, mochila nas costas e rádio na cintura. Pra muitas pessoas isso pode ser incomum, sentem até medo. Mas nós que crescemos na comunidade, sabemos que eles são a lei aqui, e esse novo comando não prejudica morador nenhum. Apenas se fizer algo errado, aí o negócio fica feio.

A Carol puxa minha mão indo em direção ao bar, a gente pede duas caipirinhas e o cara nos entrega um copão quase derramando. A gente da uns dois goles seguidos, e vamos procurar um lugar bom pra dançar.

Ficamos rebolando até o chão, quicando e fazendo passinho. Encontramos vários conhecidos, e também algumas patricinhas com um pessoal diferente. Eles nos olham curiosos, como se fosse algo de outro mundo. Nem dou bola pra isso, porque sempre convivemos com turistas no Vidigal, e até fazemos amizades as vezes.

Já de madrugada, passamos pra vodka com energético, muitos caras em cima da gente, oferecendo bebida, droga e tudo que a gente quiser. Mas desde sempre aprendemos a ficar longe desse mundo problema, tudo parece flores no começo, e um tipo de vida que enche os olhos. Principalmente pelo ouro enrolado no pescoço e no pulso, o bolo de dinheiro no bolso, e o open bar de tudo que você imaginar. Muita gente de mente fraca, se envolve com homens do tráfico, em busca de uma vida melhor, mas no fim descobrem que é só ilusao.

O nosso baile funk é com certeza um dos mais animados do RJ, tem dancinha, gritos, bunda rebolando pra todo lado, e a galera sorrindo. Apesar de não vir muito, eu amo..

O Kaká se aproxima da gente já sarrando na Carol, eles ficam de vez em quando e eu até acho ele gente boa, mas desde que virou fogueteiro, venho pedindo pra Carol dar um tempo dele.

- E aí loirinha, chefe tá mandando vocês subir! Agora! - O Canela chega e fala segurando meu braço bem de leve, com um sútil aviso no olhar. Eu sabia que não devia ter vindo, que teria problemas.

A algumas semanas atrás eu trombei com a tropa do dono do Vidigal, quando estava subindo uma escadaria, eles estavam todos parados em cima das motos, conversando e sorrindo. Passei de cabeça baixa como sempre, evitando qualquer tipo de problema. Porque sabia que desde que o Diego terminou com a minha irmã, ele não suportava a minha família. Ameaçou mandar a gente embora várias vezes, e se não fosse a tia do Diego, que é um amor de pessoa, eu já teria vazado daqui a muito tempo.

Nesse dia eu tive aula de educação física, e estava voltando pra casa de legue, tênis e uma blusinha fina, tentando seguir meu caminho, quando os moleques começaram a mexer comigo. Claro que o Diego marrento do jeito que é não falou nada, mas o seu olhar de desprezo e raiva, mudou nesse dia. Eu não sei se ele estava entediado, e viu em mim uma forma de diversão, mas a partir daí ele começou a me encher. Antes eu era apenas a irmã mais nova da sua ex namorada, agora ele viu que eu cresci e seus olhares tem segundas e terceiras intenções. Isso me irrita em um nível absurdo, porque ele acha que pode ter qualquer mulher da comunidade, como se tivesse um rei na barriga.

- Agradece o convite, mas estamos bem aqui. - Falo tentando me livrar o braço dele.

- Tá ligada que o chefe não pede né? Bora aí! - Fala me puxando pelo braço e eu respiro fundo. A Carol e o Kaká me seguem sem falar nada.

Vamos passando pelos camarotes elevados de madeira, e eu vou me xingando mentalmente. Eu sabia que ele tentaria alguma coisa depois do aviso que ele mandou me dar na praça. " O chefe mandou tu ficar esperta, que logo tu cai pro abate." Que ódio mil vezes que ódio. Ele trata todas as mulheres como lixo, e ainda acha que eu estava na fila esperando a minha vez de ficar com ele.

No camarote tudo é muito mais explícito, e é como se tivéssemos chegado pra fazer parte de tudo que os mandachuva decidirem. Não gosto dos olhares e da sensação aqui de cima, principalmente por a Carol ter passado do ponto na bebida hoje. Ela disse que não comeu nada, e isso com certeza fez ela ficar mais louca.

- Amiga da um tempo! - Falo quando ela começa a beber mais.

- Tô bem, relaxa! - Fala revirando o olho.

- Pega uma água pra mim Kaká? - Peço e ele continua dançando muito louco, sem me dar atenção. Olho pra trás e vejo o bar, decido ir até lá e pegar eu mesma. Vou andando e quando alguém impede minha passagem olho pra cima. Meu coração acelera no mesmo momento em que vejo o dono do morro me encarando com o rosto fechado. O Diego parece uma parede, mesmo eu estando de salto, ele ainda é bem mais alto que eu.

- Bem vinda.. - Fala olhando pra minha boca e desce o olhar pra o meu pescoço e seios, na maior cara dura.

- Ja to de saída. - Falo querendo meter bronca, mas minha voz sai baixa e fina pela música ao redor. E eu não consigo evitar de mostrar o nervosismo e medo que estou.

- Te coloquei no melhor camarote do Rj, vai fazer desfeita? - Ele abre o braço, ao redor tem um bar cheio de garrafas de uísque empilhadas na parede, como se fossem troféus. Uma mesa com várias carreiras de pó, bala, lança perfume e maconha. E no outro canto uma mesa com comidas. Tudo que encheria os olhos de muitas garotas que não viram de perto o que vi.

- Você vai me obrigar a ficar aqui? - Pergunto irritada e me encolho quando vejo sua expressão de puto da vida com minha pergunta.

- Tenho cara de que precisa obrigar mulher a alguma coisa porra? - Pergunta com raiva se aproximando de mim.

- Não. - Respondo na mesma hora.

- Então não fode! - Ele fala colocando o boné pra trás e se aproxima. - Ainda tô decidindo se tu vale esse cu doce que tá fazendo, novinha. - Fala no meu ouvido e sai em direção a uma rodinha de homens. Ele não está aparentemente armado, como o soldados que estão ao redor. Mas ele nem precisa estar para intimidar só com o olhar de puto da vida. A mandíbula trincada e o olho baixo vermelho pela maconha.

Volto pra onde o Kaká está com a Carol, ela esta dançando até o chão rebolando, e eu fico toda sem jeito incomodada.

Um menino chega com dois copos enormes de drink pra mim e pra Carol, e um outro chega falando pro Kaká que se a gente quiser maconha é pra ir falar com ele, que ele bola na hora.

Quando olho pro Diego, vejo ele sentado fumando um cigarro e conversando com o pessoal

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Sou só um jogador

Perigoso, eloquente, que pensa lá na frente

Vou roubar sua carne, sua mente, o seu amor

sua alma e seu inconsciente.

Filipe Ret

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Capítulo 2 2

Bianca

Peço pra Carol pra gente descer, mas é tarde demais, ela já está aproveitando muito bem o camarote e fica me pedindo pra esperar.

A duas semanas atrás o Diego me odiava, e eu não sei porque isso mudou tão rápido. Como se eu fosse realmente me envolver com um traficante. Mesmo que seja o Diego, um dos homens mais bonitos do Vidigal, alto, tatuado, cara de marrento e todo intimidador. Que tem toda mulher que quer, tanto daqui quanto de fora, elas abrem as pernas sem nem pensar duas vezes. Mas a vida de luxo, ouro e poder não me interessa nem um pouco, vindo de traficantes. Porque vi de perto o que a minha irmã passou quando namorou com ele, apesar de na época ser muito nova, ainda lembro dela me mostrando os presentes caros que ganhava dele, e lembro mais ainda dela chorando sempre.

Não sei exatamente o que aconteceu entre eles, na época rolou muita fofoca, mas é bem nítido o ódio que ele tem dela. Só sei que eles terminaram e ele expulsou a Letícia do Vidigal, nunca mais tive contato com ela, ela me deixou com o Francisco e nem olhou pra trás. E o Diego passou a ter raiva de mim e do meu pai, como se tivéssemos culpa de alguma coisa que a Letícia fez com ele.

Como a Carol não quer descer, decido ficar e curtir a festa do jeito que da. Passo o resto da noite bebendo e dançando com ela, tentando esquecer o olhar do Diego em mim. Ele está sentando diretamente na minha reta, algumas mulheres ao redor dele, mas ele não tira o olho daqui, analisando cada movimento. Por mais que eu evite olhar pra ele, não consigo.

Despertei seu interesse em um único sentido, eu não sou besta. Talvez ele esteja me olhando e pensando na minha irmã, somos muito parecidas fisicamente. Mas nunca cometeria os mesmos erros que a Letícia.

- Vou embora. - Aviso a Carol. Já passa das 3 da manhã e meu pé está doendo. Ela fica me pedindo pra ficar mais um pouco, mas não consigo. Me despeço dela, do Kaká, e de algumas pessoas conhecidas que vejo. Desço e saio da quadra já procurando um mototáxi.

Quando encontro, é um conhecido, ele sabe onde fica minha casa e vai seguindo pelas ruas, passando pelas escadarias. Escuto o barulho de uma moto potente atrás da gente, e mais duas pra trás, seguindo, ou fazendo a segurança.

O mototáxi me deixa em frente a escadaria que preciso subir pra chegar em casa. Bem na ponta tem um bar, que ainda está aberto. A primeira pessoa que vejo é o Francisco, ele está muito bêbado falando com alguém. Quando ele me olha, começa o esculacho. Gritando e fazendo cena, me chamando de piranha por ter ido ao baile, e me humilhando na frente das pessoas. Quando ele me pega pelo braço e começa a subir a escadaria já me batendo, o barulho das motos fica alto, e escutamos um assovio.

- Olha quem voltou! - O Diego fala descendo da moto, ele se aproxima segurando meu pai pelo pescoço com uma mão, com a outra ele pega a pistola e aperta em sua testa. - Já tava na hora né filho da puta! - Fala com o olhar frio. O negão desce da moto dele também junto com o menor e os dois se aproximam da gente.

- Eu vou pagar todo mundo patrão! - Francisco fala tremendo com a voz falha de medo. - Eu fiz um corre, to com o dinheiro. - Ele fala tirando uma mochila das costas, o Diego solta ele e sorri ao olhar dentro da mesma. Sempre soube que o Francisco não daria certo como traficante, porque ele é viciado, usa mais do que vende. Fez dívida com a boca e com todo bar da favela. Assim que saiu do trabalho de eletricista, eu sabia que ele iria vender drogas e se dar mal.

- Ta certo! - O Diego passa a mão na barba. - Mas tu sabe que eu não admito essas paradas ai no meu morro né! - Ele aponta pra mim com uma gesto de cabeça.

- Tu gosta de bater em mulher né filha da puta! - O Negão fala se aproximando e dando uma coronhada no Francisco. Que cai se contorcendo.

Depois da alguns chutes nele enquanto me encolho chorando com a cena.

- Não mata ele! - Peço baixo e chorando enquanto olho pro Negão.

- Você ta com dó desse desgraçado que te bate pra caralho? - Negão fala se aproximando de mim.

- Não. - Falo baixo e com ódio lembrando de tudo que o Francisco já me fez. - Mas não quero que ele morra por minha causa! - Sussurro olhando pro Diego.

- E tu quer continuar apanhando? - O Diego pergunta me olhando nos olhos.

- Não! - Sussurro e fecho os olhos. Ele se afasta e pega sua arma, aperta na cabeça do Francisco e fala:

- Não quero tu mais nem na porta da boca, seu filho da puta! Isso aqui paga a dívida mas não paga o desrespeito com a tropa, aproveita bem teus últimos dias, quanto menos eu te ver por aí, mais tempo tu tem de vida. - Diego fala e o Francisco se encolhe com medo, depois me encara com ódio.

Lanço um olhar suplicante ao negão, ele é tio da Carol e me conhece desde pequena, sabe bem o que eu passo.. Ele então se aproxima do Diego e fala alguma coisa baixo.

-Vai arrumar tuas coisas! - Ele fala me fazendo arregalar os olhos.

- Não tenho pra onde ir! - Falo baixo olhando pra ele.

- Vou te levar pra casa da minha tia, ou tu prefere continuar aí apanhando? - Me pergunta. Procuro segundas intenções no seu olhar, mas ele parece com raiva e sem paciência.

Me viro pro Francisco, ele me olha cheio de ódio.

Subo as escadas correndo, pegando a chave na bolsa, estou com muito medo de ficar, mas também de ir com ele. Entro tirando o salto e colocando uma havaiana, pego algumas roupas pra escola, meus materiais e maquiagens, jogo dentro da mochila e saio descendo as escada. Francisco tá no bar e o Diego tá sentado na moto conversando com o Negão e me olhando.

- Sobe. - Fala seco e eu relutante obedeço com dificuldade por conta da saia.

Tento segurar na parte de trás da moto mas ele arranca rápido, subindo pelas ruas igual um maluco, aperto meus braços em sua cintura, quando sinto a arma em sua barriga me assusto e levanto um pouco a mão. Não acredito que to na garupa de um traficante. E logo na do Diego, depois de tudo que aconteceu hoje.

Pouco tempo depois chegamos a parte de cima do Vidigal, ele aperta um botão no controle e entra com a moto em uma casa grande, tem uma rodinha de pessoas bebendo e jogando. Desço da moto envergonhada e todos nos olham.

- Pega que o problema é teu! - Diego fala pra tia dele e ela me olha preocupada, levanta e vem me abraçar.

- Boa noite! - Falo baixo acenando timidamente, tentando ser educada e todos me respondem.

- Tá tudo bem minha filha? O que aconteceu? - Pergunta me analisando. Diego está cumprimentando as pessoas enquanto ela me leva pra dentro de casa. A tia Lurdes era amiga da minha mãe, e amava a Letícia, eu não lembro muito como era quando o Diego e ela namoraram, mas hoje em dia a tia Lurdes também odeia por tudo a minha irmã, e não suporta nem ouvir o nome dela. Mas ao contrário do sobrinho dela, sempre soube separar bem as coisas, e nunca me tratou mal, pelo contrário, me ajuda em muitas coisas.

- O Francisco voltou, ele estava me machucando quando o Diego chegou.. - Explico sentando na mesa da cozinha enquanto ela enche um copo com água e me da.

- O Diego.. ele, matou ? Ele? - Pergunta agoniada.

- Não! Não ainda, eu acho, porque o Francisco deu dinheiro pra ele, não sei como ele fez pra conseguir esse dinheiro, mas por isso não morreu! - Explico.

- Ele te machucou? - Pergunta me olhando com pena. É o olhar que mais recebo por aqui, eu odeio tanto as humilhações que o Francisco me faz passar..

- Mais o meu braço. - Levanto o pulso pra ela.

- Isso não é um pai, é um monstro. - Ela fala fazendo massagem no meu pulso. - Tá com fome? Quer comer alguma coisa? - Ela pergunta e eu nego.

- Não vou incomodar vocês? - Pergunto desconfortável.

- Claro que não minha filha! Para de bobeira. Eu sempre quis que você saísse daquela casa Bia! Mas amanhã a gente conversa direitinho, vou te levar pro quarto, você pode ficar à vontade. - Ela fala e eu a sigo pela casa.

- Tu pode ficar com esse quarto aqui, os lençóis das camas estão limpinhos, e tem toalha nesse guarda-roupa. - Ela fala abrindo as portas. - Coloca suas roupas aqui.

- Obrigada tia Lurdes, eu nem sei como agradecer tudo isso.. - Falo baixo envergonhada.

- Imagina Bianca, já era pra você ter vindo pra cá a muito tempo! - Ela fala. Conversamos algumas coisas e ela sai do quarto.

Pego uma toalha e vou pro banheiro que fica perto do quarto. A casa dela é grande e toda limpinha, assim que tomo banho volto pro quarto e me deito na cama, fico pensando sem conseguir dormir.

Eu to com medo. É isso, medo do Francisco entender isso como uma afronta, e em algum momento descontar em mim sua raiva pela ameaça do Diego, por ele ter me tirado de lá sem o Francisco poder fazer nada. Penso varias coisas, em como vai ser daqui pra frente, agora não dá pra voltar atrás, não posso voltar pra lá porque o inferno vai ser duas vezes pior.

Isso ocupa minha mente e não consigo pensar muito no Diego, e em como fazer ele entender que não tô fazendo doce, eu realmente não quero nada com ele!

.

No dia seguinte acordo com fome, levanto e vou ao banheiro, depois de escovar os dentes saio pra sala, a tia Lurdes está na cozinha e me chama pra tomar café.

- Bia durante a semana o Ruan vai pra escolinha de manhã, e a tarde ele estava ficando com uma amiga minha, mas eu não to gostando mais de levar ele pra lá, estava preferindo alguém pra ficar aqui em casa mesmo com ele. - Ela fala colocando café na xícara. - E se você quiser a gente pode combinar um valor por semana, pra você cuidar dele na parte da tarde, pode ser? - Ela pergunta e eu fico muito feliz com a ideia, acertamos um valor muito bom por sinal, e ficamos conversando mais um pouco. Ruan tem quatro aninhos e é muito educado, vou adorar cuidar dele. E assim eu vou me sentir muito melhor aqui, porque estarei sendo útil, ajudando em algo em troca do lugar pra ficar.. Não sei como vai ser daqui pra frente, mas já é um bom começo.

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Descreve ser feliz, mas com outro gosto

A melhor maquiagem é o sorriso no rosto

E ela vai com o seu jeito, que ninguém entende..

Tribo

...............

Capítulo 3 3

Diego

To encostado na grade de proteção do camarote, olhando lá pra baixo. Dou um trago no cigarro e fico passando o olho em geral, quando vejo o Kaká pegando a morena já dou o confere ao redor, sabia que a loirinha ia colar com ela. Avisei que queria e ela logo deu as caras, não me lembro de ver ela em outro baile.

- Busca aquela dona ali pra mim, agora. - Chamo o canela e mando, ele me olha confirmando com a cabeça e desce.

- Qual a boa de hoje? - Negão pergunta um tempo depois se aproximando.

- A irmã da Letícia.. cresceu, tá gostosa pra caralho, vou dar um confere! - Falo e dou um gole no meu copo de uísque com gelo.

- Letícia tua ex? - Negão pergunta me olhando torto e eu confirmo apontando com a cabeça pra novinha subindo a escada, de cara amarrada olhando pra todo lado.

- Tá arrumando caô Ferrí! - Fala balançando a cabeça e eu sorrio.

Depois de desenrolar um papo fodido com ela, me estressando atoa com um cu doce que eu não tô acostumado, volto pra minha mesa mandando um moleque encher meu copo e bolar um skunk.

- Qual foi? A Barbie te mordeu? - Negão fala me zoando, filho da puta.

- Famoso cu doce, tá ligado. - Falo e dou um gole. - Bom que a parada fica interessante. - Dou uma olhada nela. A dona é gata pra caralho, uma beleza natural e diferenciada, tem cara das patricinhas que sobem aqui, mas o rebolado é de quem nasceu no Vidigal. Apesar de se parecer com a filha da puta da Letícia, ela é ainda mais gata.

- Não tá acostumado com essa parada né meu bom, aqui buceta voa na tua cara. - Ele da risada. - Essa daí vai comer teu juízo, escreve. Não tá procurando nada do que tu quer oferecer! - Negão fala. Pior que ela cresceu com a sobrinha dele, e conhece a mina melhor que eu. Mas que se foda, ela veio aqui hoje por um motivo, já tá la jogando a bunda e rebolando, se não quisesse já tinha metido o pé.

Passo o resto da noite só de olho nela, também tenho a minha bronca e não sou de ficar forçando, sei que essa loira ainda vai comer na minha mão.

Quando vejo ela descendo sozinha, chamo os moleques da contenção, pego minha glock e saio sem fazer alarde, ainda tá cedo pra caralho, o fervo tá só começando.

Meu plano era encontrar com ela fora do baile, onde tem menos movimento, ela pode ficar mais a vontade. Mas ela subiu no mototáxi e picou o pé, caralho mesmo. Pego minha moto e vou atrás com os moleques, quando chego na porta de um bar, vejo o fodido do pai dela metendo o louco. Já tava doido pra pegar ele vacilando pelo morro, porque tá devendo a boca pra caralho. Aí ele ainda tem coragem de fazer uma patifaria dessas na minha comunidade.

Depois de explicar o proceder, o Negão me dá a ideia de levar ela pra minha tia, pra não deixar esse filho da puta junto dela.

Quando ela sobe atrás de mim, arranco de uma vez fazendo ela se segurar na minha cintura. Olho pra sua mão pequena e tímida e já imagino altas paradas, quando chego na casa da dona Lurdes, deixo o problema com ela.

Hoje não tinha muito o que desenrolar, depois do que aconteceu com o pai dela deu ruim, então só deixei ela lá e voltei pro baile.

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No dia seguinte cheguei na casa da minha tia a tarde, tava um calor do caralho e assim que entrei o Ruan já foi zoando comigo. Quando cheguei na cozinha vi ela de costas encostada na pia, se esticando pra encher um copo com água no filtro. De shortinho curto e blusinha pequena, o cabelo amarrado mostrando seu pescoço. Foi bom ter trago ela pra cá, vou me aproximar aos poucos, já que quer ficar nesse joguinho de comadre primeiro, bora lá. Tenho pressa não, é até bom que me diverte e da um expectativa diferente pra parada.

Não da pra enjoar de buceta, é sempre bem vinda. Mas ultimamente eu tô preferindo as que vem de fora. Nasci e me criei nessa comunidade, conheço toda mulher daqui, não gosto de repetir as paradas porque aí tenho que dar condição de amante, e já tenho algumas pelo complexo da maré. Aqui no Vidigal é minha casa, e gosto de paz.

Quando vi essa loira subindo o morro no sol quente, de calça apertada marcando bem a bunda, não deu outra, quis pra mim. Pareceu diferenciada no primeiro momento, mas quando olhei de perto vi que era a irmã da fodida da minha ex. Não lembrava dela assim, achava que ainda era uma pirralha, mas a dona já tem quase 18 e ta gata pra caralho.

Ser irmã da maldita da Letícia, e ficar nesse jogo duro, é o que tá tornando a parada interessante, não vou negar.

Me aproximo bem dela, já sentindo um cheiro bom, de sabonete e tal. Ela se vira quando sente a minha presença e se assusta.

- E aí. - Falo passando por ela e estendendo o braço pra pegar um copo.

- Oi. - Fala se afastando. - É.. queria te agradecer por me trazer pra ca ontem. - Fala me olhando sem jeito, encostada na pia enquanto bebo água.

- Quer agradecer mesmo loirinha? - Falo me inclinando pra perto dela sorrindo, já sabendo que ela ia correr.

- Diego! - Ela reclama e se afasta. Coloco o copo na pia ouvindo ela respirar fundo. - Como eu vou deixar claro pra você que não tô fazendo doce? - Pergunta me olhando e eu encaro ela interessado.

- É o que tu diz, mas nem tu mesmo acredita nisso po. - Falo passando por ela. - Tô saindo fora. - Falo sem esperar resposta. Deixa o tempo novinha, logo tu vai entender o que tá perdendo

Bianca

No dia seguinte acordo cedo e começo a me arrumar pra escola, pego minhas coisas e saio pra sala, tia Lurdes já esta dando café pro Ruan que também vai pra escolinha, e ela me fala o horário que tenho que buscar ele lá.

Quando saio de casa aviso a Carol que já estou descendo, pouco tempo depois encontro ela na escadaria e vamos juntas pro colégio. Já tinha falado pra ela por mensagem que estava na casa da tia Lurdes no dia em que o Francisco voltou me envergonhando, mas ela perguntou de novo todos os detalhes, e me chamou pra morar com ela. Eu não aceitei, porque se era pra morar de favor na casa de alguém, melhor numa casa que poderia trabalhar pra ajudar né.

A gente ficou conversando sobre o estupido do Diego, e todo o achismo dele sobre mim. A Carol fica me zoando, porque sabe que tô odiando de verdade essa história. Ela me dá alguns conselhos e eu conto o que aconteceu ontem também.

- Não sei se vou assistir todas as aulas hoje. - Ela fala quando a gente entra na sala.

- Por que? - Pergunto.

- Não to bem, desde ontem passando mal. - Ela apoia os braços na mesa e deita por cima deles.

- Quer que eu te leve no postinho? - Pergunto preocupada.

- Não amiga, agora não, só se não passar. - Ela fala e eu fico o resto das aulas dando cobertura pra ela, e fazendo nossas atividades. Carol vive doente mas odeia hospital porque morre de medo de agulhas, por ironia ou não, é ela que tem varias tatuagens..

No intervalo a gente encontra nossa amiga Mayara e ficamos conversando.

- O Lucas chamou a gente pro aniversário dele, nós vamos né?- Carol fala olhando pro celular. Lucas é um amigo nosso da turma.

- Quando? - Pergunto ao mesmo tempo que a Mayara confirma. E a gente fica conversando sobre a festa pelo resto do intervalo.

Quando a aula acabou, passei pra pegar o Ruan na escolinha e fomos pra casa, ele falando bastante de como tinha sido sua manhã.

A tia Lurdes tinha mandado nosso almoço pelo motoboy do restaurante, então coloquei a comida pro Ruan, ajudei ele a comer e almocei também.

O resto da tarde foi bem tranquilo e apesar do Ruan ser bem agitado, correr pra todo lado brincando, quando estava assistindo desenho virava um anjo. Então eu fiquei estudando na sala enquanto ele assistia ou brincava.

- Titio! - Já no fim da tarde Ruan gritou e correu na direção do Diego, ao ver ele abrir a porta.

Ele me olhou e me cumprimentou com um aceno leve de cabeça. Eu olhei pra ele, sorri forçado e voltei minha atenção à televisão. E ele passou direto pra cozinha onde a tia Lurdes já estava.

O resto da semana se passou dessa mesma forma. Ia pra escola, cuidava do Ruan, e a maioria das noites Diego aparecia pro jantar. A gente não conversava muito, não tínhamos assunto, quando ele começava a dar em cima de mim, eu cortava e ia pro quarto. A tia Lurdes levava tudo na brincadeira, e quando mais eu negava ele, mas ele parecia gostar, sorrir e ficar instigado. Nada do eu falasse adiantava!

Mas apesar disso estava feliz, de um jeito muito estranho me sentia segura ali. Ninguém me machucava mais, e isso pra mim era tudo. Então eu estava comemorando. Não havia mais visto o Francisco ou se quer ouvido falar dele. Os hematomas haviam sumido do meu corpo, e o sorriso voltava aos poucos para o meu rosto.

Hoje era sábado, a Carol me chamou pro baile, mas dessa vez não aceitei. Tia Lurdes estava me pagando por semana, então eu comprei algumas besteiras pra comer sozinha à noite. Ela havia saído com o Ruan pra um aniversário do primo dele, e iria dormir na casa da mãe dela.

Fiquei o dia conversando com o boyzinho que sou afim da sala, sobre um trabalho que estamos fazendo juntos, e também fofocando no grupo das meninas. No fim do dia tomei um banho demorado, lavando e hidratando meus cabelos. Depois que sequei, vesti um pijama rosa curtinho e fui pra sala. Coloquei um filme, e comecei a comer as besteiras. Dividi minha atenção entre comer, responder o Gustavo, escutar os áudios da Carol bêbada, e assistir até adormecer na sala mesmo.

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A opção é diminuir o tanto de gente ao redor. Assim, serão menos decepções e assim vai ser bem melhor...

Emicida

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