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Amor, traiçoeiro amor

Amor, traiçoeiro amor

Autor:: Grazi Domingos
Gênero: Romance
Se havia alguém no mundo, que Domenico Angeli mais odiava, era Dante Caruso. Mas esse ódio se estendia para qualquer pessoa relacionada à ele, principalmente sua única filha, Carolina Caruso. Domenico desejava se vingar de Dante e tomar novamente para si, o que era seu por direito. Então, ao conhecer Carolina, ele decide que ela seria a chave principal para sua vingança. Ele faria Dante lhe devolver tudo o que tinha tomado de sua família, e o primeiro passo para alcançar o seu objetivo, era conquistar Carolina Caruso e convencê-la a se casar com ele!

Capítulo 1 O retorno de Domenico

Dez anos... Domenico pensou, enquanto olhava para a cidade do lado de fora, envolta pela noite.

Naqueles dez anos, ele tinha voltado ali apenas uma vez, em segredo, para ver de perto o que aquele traidor estava fazendo.

Foram dez anos alimentando a sua sede de vingança contra Dante Caruso, seu padrasto!

Na última vez em que eles se viram, foi quando Domenico foi aceito em Harvard e ele decidiu comemorar com sua mãe.

Logo após as comemorações, Domenico se mudou para Boston, para se concentrar nos estudos.

Seis meses depois, ele recebeu uma ligação de casa, informando que sua mãe estava muito doente.

Domenico a acompanhou em várias consultas, mas o câncer estava avançado demais e não era operável.

Naquele mesmo ano, Domenico enterrou sua mãe, jurando que tomaria conta de tudo, inclusive dos negócios da família Angeli. Mas, poucos meses após enterrar sua mãe, Domenico recebeu a notícia de que seu padrasto havia se casado novamente.

Ele não tinha esperado nem mesmo um ano após a morte da esposa, para substituí-la, Domenico pensou naquele momento.

Ele sentiu uma raiva gigantesca por seu padrasto, mas sabia que não poderia fazer nada. Pelo menos, não até que ele terminasse os estudos e estivesse pronto para assumir o seu lugar na empresa.

Domenico decidiu investigar seu padrasto e controlar todos os seus passos, mesmo que de longe. Foi então que ele descobriu que Dante Caruso tinha uma filha com a mulher que agora era sua nova esposa.

Durante os três anos que ele foi casado com sua mãe, Dante se encontrava uma ou duas vezes por ano com a outra mulher, mantendo sua outra família em segredo.

Isso só fez aumentar o ódio que Domenico sentia por ele e Domenico fez uma promessa diante do túmulo de sua mãe.

Um dia, ele tomaria tudo o que pertencia a ela de volta, deixando Dante sem nada.

Ele pagaria por ter enganado sua mãe durante três anos, e por não ter percebido a tempo que ela estava doente, antes que fosse tarde demais.

Em sua última visita, sem que Dante soubesse, Domenico o observou à distância. Assim como ele observou a filha de Dante, aquela garota sem graça e magrela que estava sendo tratada como a uma princesa, usufruindo de tudo o que lhe pertencia.

Domenico sentia ódio pela garota, mas esse ódio não se comparava ao que ele sentia por Dante.

Seu telefone tocou, tirando-o de seus devaneios, e Domenico o tirou do bolso da calça, olhando atentamente para o visor do aparelho antes de finalmente atender.

_ Diga. _ ele falou com um tom de voz frio e firme, enquanto dava as costas para a vista da cidade, do lado de fora, e se sentava na cama para tirar os sapatos.

_ Sinto muito por ligar a essa hora, Dom. _ seu velho amigo se desculpou, do outro lado da linha. _ Espero não ter acordado você.

_ Não estava dormindo. _ Domenico respondeu. _ Acabei de chegar em Milão.

_ Você disse que viria amanhã! _ Guido resmungou.

_ Decidi me antecipar um pouco. _ Domenico respondeu. _ O que queria falar comigo? Creio que não tenha me ligado apenas para ouvir o som da minha voz.

_ Que nojo! _ Guido respondeu, rindo logo em seguida. _ Bom saber que está de bom humor, meu chapa. Amanhã à noite teremos um evento aqui no restaurante. Gostaria que viesse, para me ajudar.

_ Que tipo de evento? _ Domenico quis saber, enquanto se despia, ansioso para tomar um banho.

_ Temos uma reserva de cinco mesas, para uma comemoração de aniversário. _ Guido contou. _ E acho que vai gostar de saber quem é a aniversariante...

Domenico ficou em silêncio, esperando que Guido terminasse logo com todo aquele suspense.

_ Diga logo, Guido! _ ele falou, impaciente.

Tinha trabalhado até tarde no dia anterior, para deixar tudo em ordem em seu restaurante, antes de poder viajar para Milão. Estava exausto da viagem e louco para tomar um banho e dormir um pouco.

_ Carolina Caruso. _ Guido contou, fazendo com que Domenico ficasse tenso imediatamente, só de ouvir aquele sobrenome.

Ele tinha acabado de retornar para Milão, e no dia seguinte planejaria um modo de se aproximar de Carolina, quando Dante não estivesse por perto.

Guido acabara de lhe dar a oportunidade perfeita, ele pensou, erguendo o canto dos lábios em um sorriso de satisfação.

_ Ela é a sua irmã, não é mesmo? _ Guido perguntou e Domenico parou de se despir no mesmo instante.

Seu sorriso se desfez, enquanto ele respondia:

_ Carolina Caruso não é minha irmã! _ ele respondeu, com um tom de voz frio.

Guido deve ter percebido a mudança em seu tom de voz, pois logo tratou de se desculpar.

_ Foi mal, cara. _ ele disse.

_ Pode contar com a minha presença. _ Domenico falou, pegando o outro de surpresa. _ Mas, com uma condição...

_ Diga...

_ Você não vai revelar a minha identidade para a Caruso. _ Domenico exigiu. _ Pretendia encontrar uma maneira de me aproximar dela primeiro, antes de ir até o Dante. Você acabou de me dar uma oportunidade perfeita.

_ Você não contou a ele que estava vindo para Milão? _ Guido quis saber, surpreso.

_ Claro que não. _ Domenico respondeu. _ Quero observar de longe por alguns dias e investigar algumas coisas, antes de ir até ele.

_ Você acha que ele vai te entregar a empresa assim, do nada? _ Guido indagou, preocupado.

_ Eu sei que ele não fará isso, Guido. _ Domenico respondeu. _ Pretendo criar a armadilha perfeita, para fazer com que ele abra mão de tudo e devolva o que me pertence, por direito.

Guido suspirou do outro lado da linha.

_ Tudo bem, amigo. _ ele disse. _ Pode contar comigo.

_Grazie! _ Domenico agradeceu. _ Me mande uma mensagem com o horário do evento. Chegarei um pouco antes, para me preparar.

Domenico encerrou a ligação, terminando de se despir.

E, enquanto fazia isso, ele sorriu, pois colocaria seu plano em prática no dia seguinte.

Dante pensava que tudo estava sob o seu controle, mas ele lhe mostraria que não era bem assim.

Ele não era mais o rapaz fraco de dez anos atrás, que nada podia fazer contra ele, que alimentou aquele ódio durante anos, esperando o momento perfeito para se vingar.

E ele se vingaria.

Ele usaria a mesma tática que Dante tinha usado ao conquistar sua mãe. E quando tivesse Carolina Caruso a sua mercê, ele faria questão que Dante acompanhasse tudo.

Não importava a aparência de Carolina.

Para completar sua vingança contra Dante, Domenico era capaz de tudo, afinal, ele teria que suportar a presença de Carolina ao seu lado por pouco tempo.

Ele tivera que esperar dez anos, para alcançar seus objetivos.

O que seriam mais alguns meses? Pensou.

Após terminar o banho, Domenico enviou uma mensagem para seu investigador particular. Até aquele momento, ele não tinha enviado uma foto recente de Carolina.

Ele precisava saber tudo sobre a garota, antes de se aproximar dela.

Como ela era, quem eram as suas amigas...

Tudo isso seria importante, se quisesse que seu plano desse certo.

_ Eu vou pegar o que nos pertence de volta, mãe. _ ele falou, mais tarde, quando se deitou para dormir. _ Eu farei Dante se arrepender por ter te enganado.

Capítulo 2 Novo lar

Carolina Caruso

_ Eu não acredito que seu pai te deu um apartamento de presente de aniversário! _ Alice disse, animada, enquanto Carolina termina de pendurar as suas roupas no guarda-roupa.

Carolina olhou em volta, admirando o seu novo quarto, no apartamento que seu pai lhe dera de presente de aniversário de dezoito anos.

_ Eu também não acreditei, a princípio. _ ela respondeu, sorrindo. _ Pelo menos, não até ele me trazer até aqui ontem à noite e me entregar as chaves.

_ No meu aniversário de dezoito anos, três meses atrás, meu pai me enviou um buquê de flores. _ Alice disse, sentando-se na enorme cama de casal, enquanto olhava em volta.

Carolina terminou de pendurar a última peça de roupa e se sentou ao lado de sua melhor amiga.

_ Amiga, eu também teria me contentado apenas com um buquê de rosas. _ Carolina falou. _ Acho que, ao me dar presentes tão caros, papai esteja apenas tentando compensar todos os anos em que ele passou tanto tempo fora de casa, longe de mim e da minha mãe.

_ Quando seu pai se casou com a sua mãe, você já estava com oito anos, não é mesmo? _ Alice indagou, lembrando-se do que sua amiga havia contado sobre o passado dos seus pais, logo quando as duas se conheceram no colégio.

_ Isso mesmo. _ Caroline respondeu. _ Quando ele nos levou para a mansão, eu pensei que estava sonhando. Então vieram todas as roupas bonitas e presentes, e eu me senti uma princesa. Antes de vir morar com ele, mamãe e eu tínhamos que economizar bastante, então foi uma mudança e tanto nas nossas vidas.

Naquela época, Caroline não sabia que seu pai tinha se casado com outra mulher, e que esse era um dos motivos por não poder visitá-la constantemente.

Mais tarde, Caroline acabou ouvindo uma conversa do pai ao telefone e decidiu questioná-lo, querendo saber por que o hotel se chamava Angeli's, quando o sobrenome dele era Caruso.

Foi então que ela descobriu sobre o casamento anterior de seu pai.

Ela havia ficado muito chateada com ele por algum tempo, por ter deixado sua mãe criá-la praticamente sozinha enquanto ele se casava com outra mulher. Mas, ao longo dos anos, seu ressentimento foi diminuindo, porque ela sentia que seu pai amava sua mãe.

Sua morte, um ano antes, pegou a ambos desprevenidos e tanto Caroline quanto seu pai ainda sentiam a falta dela.

_ Bom, mas vamos deixar esse assunto de lado. _ Caroline pediu, levantando-se novamente. _ Obrigada por me ajudar a trazer as minhas coisas e organizar tudo.

_ Não precisa agradecer, amiga. Sei que faria o mesmo por mim. _ Alice respondeu, levantando-se também.

_ Claro que eu faria! _ Caroline exclamou. _ Você é a minha melhor amiga, para quem eu conto todos os meus segredos.

_ Até parece que você tem tantos segredos! _ Alice exclamou, revirando os olhos, antes de levar um beliscão de Carolina. _ Hei! Não estou mentindo! Você sempre foi muito certinha, desde que nos conhecemos.

_ Nem sempre. _ Carolina respondeu, saindo do quarto.

Alice a seguiu até a sala.

_ Você lembra daquela vez, na sexta série, quando conhecemos aqueles garotos? _ Caroline perguntou e Alice sorriu diante da lembrança.

_ Como eu poderia me esquecer? _ ela disse. _ Foi com eles que demos o nosso primeiro beijo.

_ Saul e Matteo... _ Caroline falou o nome dos dois rapazes.

_ Isso mesmo! _ Alice assentiu, ao recordar o nome dos dois. _ Mas esse é o seu único segredo.

Carolina deu de ombros.

_ Não tive nenhum motivo para esconder qualquer coisa dos meus pais. _ ela disse. _ Quanto a mim, se meu pai descobrir que não sou mais virgem, acho que ele seria capaz de me arrancar a cabeça! _ Alice comentou, fazendo uma careta.

As duas riram, enquanto Carolina pegava a bolsa e as chaves do apartamento novo.

_ Eu preciso passar em casa novamente, para verificar se não deixei nada para trás.

_ Vai precisar de ajuda? _ Alice se ofereceu.

Ela preferia ficar ali, ajudando sua melhor amiga a se mudar, do que ficar na padaria ajudando o pai, com todos aqueles clientes chatos.

_ Não precisa. _ Caroline respondeu. _ Estou certa de que peguei tudo, mas vou checar mesmo assim. Além disso, você precisa descansar e se preparar para essa noite.

_ Está tudo certo com a reserva? _ Alice perguntou, preocupada. _ Não é tão fácil conseguir uma mesa assim, tão em cima da hora, no Dom Salvatore.

_ Sim. _ Caroline respondeu. _ Liguei hoje mais cedo para o restaurante, para confirmar. _ Cinco mesas estão reservadas para nós. Depois do jantar, vamos para a balada. Se meu pai perguntar alguma coisa sobre a nossa noite, diga que ficamos apenas no restaurante. Ele não vai gostar nada se descobrir que fui para uma boate.

_ Então, esse será o seu segundo segredo! _ Alice falou, com um sorriso zombeteiro no canto dos lábios.

_ Verdade. _ Carolina respondeu, sentindo uma pontada de culpa.

Então ela afastou esse sentimento.

Estava completando dezoito anos naquele dia, então era normal que fizesse algumas loucuras, não é mesmo?

Ela nunca tinha ido até uma boate antes, porque era menor de idade e não tinha coragem o suficiente para falsificar documentos.

Agora, sua idade não era mais um problema e ela poderia, finalmente, saciar a sua curiosidade.

_ Bem, então vamos! _ Alice chamou e as duas caminharam até a porta, saindo do apartamento logo em seguida.

Caroline trancou a porta e guardou as chaves na bolsa, lançando um último olhar para a porta de sua nova casa, antes de se virar e ir embora.

Capítulo 3 O primeiro encontro

_ Nossa, aqui é tão... lindo! _ Alice comentou, quando elas entraram no restaurante e ela olhou em volta, admirada.

_ Boa noite! _ um belo rapaz se aproximou do grupo, sorrindo para as jovens mulheres. _ Me chamo Guido Salvatore e faço questão de acompanhá-las até os seus lugares.

Carolina olhou para trás, para as outras garotas, fazendo um "Oh" silencioso, surpresa com a recepção.

As meninas riram baixinho, enquanto Carolina se voltava para Guido Salvatore.

_ Você é o dono do restaurante, não é mesmo? _ ela quis saber, pois se lembrava de ter lido o nome dele em algum lugar, enquanto pesquisava sobre o recinto.

_ Digamos que o sucesso não é apenas meu, mas faço a maior parte do trabalho. _ Guido brincou, piscando para ela. _ Mas não contem isso para o meu sócio, se um dia o conhecerem, tudo bem?

_ Não se preocupe conosco. _ Carolina respondeu, sorrindo.

_ Então, quem é a aniversariante essa noite? _ ele quis saber, olhando para todas as garotas, sem reconhecer nenhuma delas.

_ É ela! _ Alice respondeu no mesmo instante, apontando para Carolina.

_ Dezoito anos? _ ele quis saber, olhando fixamente para Carolina.

Ela corou, antes de responder:

_ Como soube? _ ela perguntou, então revirou os olhos diante de uma pergunta tão boba, quando se lembrou dos dados que ela havia preenchido no momento da reserva. _ Oh, apenas ignore a minha pergunta.

Guido sorriu para ela.

_ Não é a primeira vez que recebemos um grupo assim, tão grande de mulheres, para comemorar um aniversário. Fiz apenas uma suposição, senhorita Caruso. _ ele respondeu. _ Agora, por favor, me sigam. Vou mostrar onde fica a mesa de vocês e voltarei logo em seguida com o menu.

Elas seguiram atrás de Guido, e Carolina ouviu o comentário de uma de suas amigas:

_ Nossa, não acredito que o próprio dono do restaurante veio nos receber! _ ela comentou.

_ Juro que até me senti uma pessoa importante... _ outra comentou, baixinho.

Guido parou perto de um conjunto de mesas, organizadas lado a lado, transformando-as em uma só.

_ Tomei a liberdade de unir as mesas, para que ficassem mais a vontade. _ Guido explicou. _ Mas posso voltar todas para os seus devidos lugares, caso prefira assim...

_ Não, está ótimo assim, obrigada! _ Carolina respondeu rapidamente antes de olhar em volta mais uma vez.

Não havia mais ninguém no restaurante além delas e os garçons formavam uma fila, prontos para atendê-las.

_ Vou buscar o Menu e já volto. _ Guido falou. _ Por favor, sintam-se à vontade.

_ Caramba, Carolina! _ uma das meninas falou, inclinando-se sobre a mesa para que ninguém mais ouvisse. _ Se eu soubesse que o atendimento aqui era tão bom, teria reservado algumas mesas no meu aniversário também, ao invés de fazer aquela festa...

Carolina forçou um sorriso, lembrando-se da festa de aniversário da garota, dois meses atrás.

Foi uma festa enorme e muito bonita, mas Carolina ainda se lembrava das piadinhas a seu respeito, quando apareceu na festa com um vestido que seu pai escolhera, que evidenciava cada curva em seu corpo. O problema, era que ela não tinha seios grandes o suficiente para preencher o decote do vestido e suas amigas zombaram disso a noite inteira.

Guido retornou um minuto depois, distribuindo o Menu para todas nós, para que escolhêssemos o nosso jantar.

_ As senhoritas bebem vinho? _ Guido perguntou, olhando para todas elas, que assentiram no mesmo instante, menos Carolina. _ Isso é muito bom! Vou pedir que sirvam um Château Cheval Blanc, 1947.

_ Mas... _ Carolina estava prestes a dizer que aquele era um vinho muito caro e não queria abusar do cartão que seu pai lhe dera aquela noite, para comemorar seu aniversário.

_ Não se preocupe. _ Guido falou, piscando para ela. _ Considere como um presente de aniversário, do Dom Salvatore.

_ Ual! _ Alice murmurou, ao lado de Carolina.

_ Eu... _ Carolina gaguejou, sem saber o que dizer. Mas não podia negar, pois suas amigas pareciam ansiosas para experimentar aquele vinho. _ Tudo bem, eu... agradeço.

Guido sorriu para ela antes de pedir licença e se afastar novamente, enquanto elas escolhiam o que iriam comer.

Assim que entrou na cozinha, Guido parou de sorrir.

_ Não acredito que me fez fazer isso! _ Guido resmungou, enquanto encarava Domenico.

_ Você conseguiu descobrir qual delas é a filha de Dante? _ Domenico quis saber.

Ele decidiu que seria melhor se cancelassem qualquer reserva para aquela noite, assim seria mais fácil reconhecer Carolina e se aproximar dela.

_ Sim. _ Guido respondeu, a contragosto. _ Acho que posso dizer que é a garota mais tímida da mesa. Cabelos loiros e olhos azuis. Ela está sentada em uma cadeira no centro da mesa e acho que é a única loira natural naquela mesa. Não sei por que essas meninas de hoje em dia insistem em pintar os cabelos...

_ Você fala isso porque tem preferência por morenas. _ Domenico respondeu, arqueando uma sobrancelha.

_ Eu tenho bom gosto, cara. _ Guido respondeu. _ E você também, já que escolheu um vinho tão caro como cortesia.

_ Não se preocupe com o vinho. _ Domenico respondeu. Arcarei com as despesas dessa noite.

Foi a vez de Guido arquear as sobrancelhas, surpreso.

_ Isso é sério? _ ele quis saber.

_ Claro que sim. _ Domenico respondeu, antes de lhe dar as costas e seguir até a adega de vinhos.

Escolheu uma garrafa de Château Cheval Blanc, 1947, e voltou para a cozinha.

_ Agora é com você! _ Guido falou, afastando-se e se juntando aos cozinheiros do restaurante.

Domenico preparou o carrinho, selecionando as taças de vinho e colocando a garrafa dentro do balde de gelo, antes de sair e levar tudo até a mesa onde as garotas estavam sentadas.

_ É estranho... _ uma delas dizia, enquanto ele se aproximava. _ É um restaurante tão caro e famoso... Porque somos as únicas aqui, essa noite?

_ Você reservou todo o restaurante para comemorar o seu aniversário, Carolina? _ Outra garota quis saber, surpresa.

_ Não eu...

_ Boa noite. _ Domenico falou, ao se aproximar da mesa. _ Desculpe a intromissão, mas essa noite costuma ser menos movimentada do que as outras. Por isso o restaurante está vazio.

_ Ahhh. _ uma delas murmurou, satisfeita com a resposta.

Domenico parou ao lado da cadeira de Carolina e abriu a garrafa de vinho. Então colocou uma taça diante dela e apontou para a garrafa de vinho tinto.

_ Posso? _ ele quis saber e Carolina assentiu, encarando-o.

Ele era um belo rapaz, ela pensou, admirando-o disfarçadamente enquanto Domenico servia o vinho em sua taça.

Na verdade, se o tivesse encontrado dentro do restaurante, ela julgaria que ele era um cliente, e não um funcionário.

Principalmente, por conta do perfume que ele usava naquele momento, e que preenchia suas narinas.

Domenico se afastou para servir as outras meninas, mas não sem lançar alguns olhares na direção de Carolina, vez ou outra.

Quando ele se afastou, levando o carrinho vazio consigo, as outras garotas riram e gracejaram:

_ Acho que ele não parava de olhar para a Carolina... _ uma delas comentou.

_ Ele é um gato! _ Alice comentou, fazendo com que Carolina olhasse para ela com surpresa. _ Uma pena que o seu pai jamais permitiria que se envolvesse com um garçom.

_ Meu pai não liga para essas coisas. _ Carolina respondeu, de imediato. _ Mas, vocês estão exagerando. Ele estava sendo apenas atencioso, já que é o meu aniversário.

_ Hum hum... _ Alice comentou, com um sorriso repleto de malícia, antes de provar um gole do vinho. _ Puta merda, acho que nunca tomei um vinho tão bom em toda a minha vida...

_ Até parece que já tomou tanto vinho assim... _ Caroline respondeu e todas riram, divertidas, enquanto Alice apenas revirava os olhos.

_ Você não sabe de nada, garota! _ ela respondeu. _ Agora prove!

Carolina olhou para a taça, a sua frente, e hesitou antes de pegá-la e levá-la aos lábios.

Tomou um pequeno gole, enquanto suas amigas faziam o mesmo.

_ É muito bom. _ Caroline falou, admirada.

_ Não sei como conhece tanto sobre vinhos, sem saber que gosto tem! _ Alice resmungou, antes de pegar o Menu.

Alguns minutos depois, elas decidiram o que iriam comer e Guido voltou para anotar os pedidos, antes de voltar para a cozinha.

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