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Amor à Toda Prova

Amor à Toda Prova

Autor:: Bernadete Estanini
Gênero: Romance
Após cinco anos morando fora do país, Chloe retorna ao Brasil e em sua recepção de boas-vindas ela conhece Roger, um enigmático amigo do seu irmão, que até então não tinha noção da existência. Durante toda a noite, eles trocam olhares comprometedores e a moça acaba percebendo que o rapaz é muito mais que um simples convidado da família, Roger na verdade faz parte dela. Mexida pela constante presença dele, tanto na empresa dos pais, onde trabalham no mesmo departamento, como na casa a deixa vulnerável. E completamente atraídos por um sentimento incontrolável, ambos se jogam de cabeça na relação. O que parecia normal é complexo e segredos começam a surgir afastando-os cada vez mais. Os dois passarão por inúmeras provas, todas terão um gosto amargo e a última será decisiva para o conturbado casal.

Capítulo 1 Lar

Assim que o avião pousou, meu coração que até então estava tranquilo, pulsou mais forte em um misto de sensações, afinal estava há cinco anos longe de casa e do meu país. Trabalhar na Itália esse tempo todo me ensinou a ser a mulher na qual eu me tornei hoje, independente, decidida; e eu devo tudo isso a Daiana, uma amiga querida da faculdade.

Nos formamos em administração com ênfase em comércio exterior; e no término do curso, Dai foi selecionada, por indicação de Rui, um primo dela, para ocupar um cargo de confiança em uma empresa do ramo alimentício que ficava na cidade de Pádua. Mas o destino tinha outros planos para ela, que foi obrigada a recusar a tentadora proposta devido a uma gravidez inesperada. Diante dessa artimanha da vida, ela conversou com o primo e o mesmo me indicou para a vaga, e desde a minha partida cinco anos se passaram.

Daiana se casou e atualmente mora com o esposo e o filho em Portugal. Infelizmente não nos falamos muito, mas acompanhamos a vida uma da outra pelas redes sociais. Com toda essa mudança repentina, a antiga Chloe de apenas 23 anos, recém-formada, cheia de ideias e desesperada para provar a si mesma o quanto era capaz se foi, deixando no lugar uma nova mulher.

Depois dos trâmites, incluindo alfândega e outros detalhes, empurrando meu carrinho pelo saguão do aeroporto, avistei as três pessoas que mais amava nesta vida. Há quase um ano não vejo meus pais, Denise e Luiz; e meu irmão André, desde sua última viagem. Acelerei feito uma maluca, arrastando tudo que estava à minha frente e com o coração saltando pela boca, nos abraçamos.

- Que saudade de vocês. - Agarrada a eles e com a voz embargada, repetia sem parar.

- Muita, irmãzinha, é difícil não ter com quem brigar. - André sorriu, ressaltando suas covinhas que causava frisson nas mulheres.

- Está linda, filha. - Minha mãe abraçou-me apertado o bastante a ponto de me fazer perder o ar.

- Ei! Deixa um pouco para mim, afinal eu ajudei a fazer essa preciosidade. - Papai gargalhou com os olhos marejados, ele nunca teve problema algum em demonstrar seus sentimentos em público.

- Não chora! Manteiga derretida. - O abracei. - O senhor continua o mesmo, lembro-me muito bem das nossas intermináveis despedidas.

- Disse e repito! Nossa casa não é a mesma sem você - ele disse acariciando meu rosto.

- Eu sei. Vocês me fizeram muita falta, também. Quando voltavam para o Brasil, eu ficava completamente sem rumo, é ótimo estar de volta - Nos abraçamos mais uma centena de vezes.

- Vamos, ou não sairemos daqui tão cedo - minha mãe brincou.

André pegou o carrinho com as minhas bagagens, enquanto eu caminhava abraçada aos meus pais, matando um pouco mais da saudade que oprimiu o meu peito várias vezes ao longo desses cinco anos.

Respirei fundo ao entrar no carro e agarrei o André no banco traseiro.

- E aí! Me conta. Como vão as pretendentes?

Meus pais se olharam e riram em cumplicidade.

- Você destroçou alguns corações quando me visitou. - Sorri ao me lembrar de pelo menos quatro garotas me torturando por conta do charme irresistível do meu irmão.

- Não tenho culpa, eu as atraio como moscas no mel. - Retribuiu o sorriso maliciosamente. - Estou de rolo com uma garota, se é isso que quer saber.

- Jura?! Vai nevar em São Paulo - gargalhei.

- Vai conhecê-la, sua mãe jamais deixaria sua volta passar em branco. Prepare-se! O caldeirão vai ferver.

- Mãe? - indaguei, curiosa.

- Nada de mais. Apenas uma reuniãozinha. O André é exagerado.

Meu pai me olhou pelo retrovisor e piscou enquanto dirigia. Eu deitei no ombro do André, e apreciei o percurso até em casa.

Quando o veículo estacionou na nossa garagem, fui surpreendida por um cachorro enorme ao descer do carro.

- Madonna mia! O que é isso? - Mal acabei de falar e recebi uma generosa lambida.

- Fog? Aqui, garoto - André chamou o cão, que se recusava a sair de cima de mim.

- Olha, Fog, estou feliz com a sua recepção calorosa, mas você é bem grandinho... e pesado. - Ele me olhou, parecendo sorrir.

- Chloe, definitivamente ele foi com a sua cara - minha mãe enfatizou.

- É o que parece. - Entramos e o Fog atrás, um cão da raça boxer e albino, a coisinha mais fofa.

Andei pela casa toda tentando me reconectar com o ambiente. O que não foi difícil, o cheirinho ainda era o mesmo do qual me lembrava.

Entrei no meu quarto, todo arrumado e com um lindo cobre-leito azul-marinho sobre a minha cama.

- Bom, aqui estão suas bugigangas - brincou André, ao entrar acompanhado dos meus pais trazendo minhas bagagens.

- Bugigangas? Tudo bem! Nada de presentinhos pra você, irmãozinho. - Semicerrei os olhos.

- Que saudade dessas briguinhas - minha mãe falou e saiu apressada.

- Descansa, filha - comentou papai. - Amanhã ajudamos você a organizar tudo.

- Descansa mesmo, porque, como eu disse, mais tarde o caldeirão vai ferver.

- Vou fugir pela janela - brinquei.

Eles saíram, tirei meus sapatos e me joguei na minha deliciosa e saudosa cama. Exausta da viagem, adormeci.

Fui acordada por uma lambida e até me situar foram alguns minutos e mais algumas lambidas. Fog decididamente não economizava na saliva.

- Ei! Você é bem folgado, sabia? - Acariciei a orelha dele. - É o seguinte, meu mais recente amigo, vou tomar uma ducha. Vê se não faz estragos por aí. - Levantei enquanto ele continuava esparramado na minha cama. Dei uma olhada no relógio e eram quase dezoito horas.

Treze horas de voo, e eu não havia dormido o suficiente, geralmente não costumava dormir sossegada enquanto viajava, seja por qual meio de transporte fosse, gostava de ficar atenta a tudo. Um banho seria revigorante, já que o caldeirão iria ferver, embora o que eu quisesse mesmo era ficar com a minha família e aproveitar o aconchego do lar, porém, se alguma comemoração férvida fosse acontecer, teria que estar disposta.

Ri sozinha, entrando no banheiro, tirei a roupa e fechei a porta, por precaução. Vai saber se o danadinho do Fog, além da minha cama, não o apreciava também.

Foram longos e deliciosos minutos imersa na água morna. Ao sair, o cão já havia dado no pé.

Desta vez tranquei a porta do quarto e abri uma das minhas malas à procura de algo para vestir. Optei por jeans, uma blusinha básica preta, sapatilha preta com listras brancas. Escovei os cabelos, passei uma leve camada de maquiagem, para disfarçar as olheiras, dei uma generosa borrifada do meu perfume predileto e ao me olhar no espelho, fiquei satisfeita com a aparência. Entre o banho e me arrumar, passaram-se quase duas horas e para não parecer chata diante sabe-se lá de quem, porque eu não fazia ideia de quem minha mãe havia convidado para aquela reuniãozinha, apesar do esgotamento, curiosa resolvi me juntar a eles.

Capítulo 2 Olhares

- Uau! Até que enfim. - Antony abriu os braços ao ver-me entrando na cozinha.

- Quanto tempo, cidadão. - O abracei forte.

Tony era amigo do meu irmão desde sempre. Morou na nossa rua, estudaram juntos; e assim como o André, ele também tinha um instinto protetor e se julgava meu irmão.

- Você sempre foi linda, Chloe, no entanto os cinco anos na Itália transformaram-na em uma mulher extremamente exuberante.

- Obrigada. - O abracei novamente. E só aí me dei conta de que, além do André e do Tony, havia outro homem que eu nunca tinha visto. Mesmo porque, se tivesse, dificilmente teria esquecido. Ele era lindo, alto, cabelos castanho-escuros até a altura do pescoço, pele bronzeada e os olhos pretos e expressivos. Os italianos eram homens belíssimos, galanteadores. E esse não perdia em nada; pelo contrário, era um páreo duro.

- Esse é o Roger, é com ele que você vai trabalhar - André nos apresentou. - Roger, essa é a minha irmãzinha, Chloe.

- Oi! Prazer - cumprimentei-o com dois beijos no rosto.

- Prazer, Chloe. Vai ser muito bom ter você na nossa equipe. - Sua voz soou como um acorde de violino nos meus ouvidos.

- Fico feliz - retribuí a recepção com um discreto sorriso.

Eu não contava que, ao voltar e assumir um cargo na metalúrgica do meu pai, eu teria essa surpresa. Trabalhar ao lado de um homem cujo olhar era fascinante.

- Nos conte, Chloe. Como foi a experiência de viver cinco anos longe do seu irmão? - perguntou Tony, em tom de brincadeira.

- Uma maravilha, eu diria mais... uma bênção. - Caminhei rindo até a geladeira e peguei uma cerveja.

- Você bebendo cerveja? - meu irmão indagou com sua velha conhecida cara de espanto.

- André! Acorda. - Encostei minha latinha na dele. - Fratello salute.

- Saúde - responderam Tony e Roger em uníssono.

- Está com uma carinha ótima, filha - comentou minha mãe, assim que entrou na cozinha acompanhada do meu pai.

- Obrigada, umas horinhas de sono me caíram muito bem. - Sorvi um pouco da cerveja estudando o meu futuro colega de trabalho.

- A Chloe tornou-se uma linda mulher - reafirmou Tony.

Sorri agradecida e troquei olhares com Roger, que estava totalmente à vontade com no meu seio familiar.

- Tony, cai fora! Você é dez anos mais velho que a minha irmã, se enxerga.

- Eu não ligo para a idade, Tony. - Pisquei para ele, brincando. Eu adorava irritar o André, assim como ele amava me infernizar; já estava com saudades de seus devaneios em relação aos homens e seus galanteios. Isso sempre o tirou do sério, deixando-o puto da vida a ponto de querer me trancar dentro de casa, como acontecera certa vez.

Quanto ao Tony, ele era muito bonito, loiro, cabelos bem curtos e lisos, olhos castanhos, esguio e extremamente educado, sabia exatamente dizer as palavras certas no momento certo. Sempre foi tranquilo, caseiro e por isso acabou se casando com uma golpista que soube direitinho se aproveitar das qualidades dele.

Ele era dono de uma rede de lavanderias, herdou o negócio do pai e multiplicou sua herança ao longo dos anos. Com seu coração grande, não percebeu que estava caindo em uma cilada e acabou se casando com uma mulher, que dois anos mais tarde enfiou uma faca em seu peito ao trocá-lo por outro. E se não bastasse levou também uma fortuna junto com ela. Eu não presenciei a história toda, pois já havia me mudado para a Itália. Fiquei sabendo, porque meus pais e irmão me colocaram a par da situação e mesmo de longe demonstrei minha solicitude.

- Nem de brincadeira - meu irmão insistiu, dando um ligeiro soco no braço do Tony, que correspondeu rindo.

- Que tal minha famosa caipirinha? - perguntei já separando os ingredientes.

- Roger vai provar a melhor caipirinha do mundo - Tony caminhou em minha direção, pronto para me auxiliar como sempre fizera.

- Então, vamos lá! - Empolgada com toda a situação, principalmente pelo estimulante amigo novo do meu irmão, preparamos dois litros de caipirinha.

- Aceita, Roger? - inquiri erguendo um copo.

- Por favor - ele anuiu e eu o servi.

Roger bebeu um generoso gole e lançou seu olhar desestabilizante em minha direção. Aquele capaz de fazer qualquer mulher existente na face Terra, aquecer-se como se estivesse em pleno climatério.

- Perfeita, Chloe. - O atraente amigo do meu irmão virou o copo na boca, olhando-me com curiosidade, como se estivesse me estudando e seu potente olhar, esquentou-me ainda mais.

- Obrigada. - balbuciei

Nossos olhares foram interrompidos pelo som da campainha. André retirou-se e voltou acompanhado por duas mulheres. Uma loira abraçada a ele e uma morena, que tascou um beijo na boca do Roger assim que o viu. Caramba! Por essa eu não esperava. Sem graça diante da revelação desestimulante murchei como uma flor sedenta por míseras gotas de chuva em um verão escaldante.

- Olá! - disse a loira.

- Dafne? Essa é a Chloe, minha irmã.

- Oi! Prazer - cumprimentei-a com um beijo.

- Que legal! Até que enfim estou conhecendo a irmã do André, ele fala muito em você.

- Espero que bem. - Pisquei para o meu irmão e sua simpática namorada sorriu.

- Ah! Essa é a Kelly, namorada do Roger.

- Oi, Kelly. Prazer - cumprimentei-a também.

- Prazer o meu - retribuiu com extrema polidez.

- Estão servidas? - ofereci a caipirinha, tentando disfarçar o meu desapontamento.

Se toca, Chloe, você acabou de conhecer o cara. - Minha voz interna tentou me chamar à razão, no entanto, parte de mim não estava disposta a cooperar.

- Meninas, não bebam demais, isso sobe que é uma beleza - meu pai recomendou e saiu para a área da churrasqueira, eu quase o segui se não fosse pela curiosidade da Dafne.

- E aí? Me conta, cunhada, como está sendo a sua volta? - questionou esticando o braço para pegar o copo e se servir da bebida.

- Por enquanto ótima. - Ri. - Eu amava o meu emprego, minha casa, os amigos que fiz por lá, mas já era hora de voltar. Estava com muita saudade de todos e de tudo. Sabem como é... "Um bom filho à casa torna". - Sorri novamente e sorvi minha caipirinha.

- Deixou algum gato italiano por lá? - Kelly perguntou bebendo seu segundo copo.

- Não. Já havíamos terminado há quase quatro meses. Viramos grandes amigos.

- Tinha namorado? Como nunca nos disse? - André franziu o cenho ao me indagar.

- Se liga, André! Belíssima como a Chloe é, acha que ela ficaria esses anos todos solteira? - frisou Tony.

- Acho que o Tony respondeu. - Tilintei no copo do meu amigo. André era tão protetor, que chegava a ser hilário.

- Chloe! - André beliscou meu braço. - O que aconteceu com a minha irmã?

- Não faço a mínima ideia. - Devolvi o beliscão. - Provavelmente ela se livrou das amarras e foi ser feliz por aí?!

- Poderíamos sair nós seis para dançar. O que acham? - sugeriu Kelly.

- Não é uma má ideia, o Tony está sozinho e a Chloe também - comentou Dafne.

- Estou gostando da ideia. - Tony aproximou-se e envolveu minha cintura.

- Pois eu não. Tira suas patas da minha irmã. Já disse é muito velho pra ela.

- Você também é oito anos mais velho do que eu, assim como o Roger é sete mais velho que a Kelly - protestou Dafne. - O que tem de errado nisso?

- Viu? - Beijei o rosto do Tony entrando na brincadeira e observei que o Roger só me fitava calado, com sua namorada gostosona a tiracolo.

- Posso me servir? Sua caipirinha é divina - perguntou Kelly, no seu quarto copo.

- Claro! - respondi ao ajudá-la.

Capítulo 3 Flerte

Meu celular vibrou e fui atendê-lo na sala. Fugir mesmo que por alguns minutos da tensão era bom. Sentei-me no sofá e Fog, como se me conhecesse a vida toda, colocou sua cabeça no meu colo. Acariciando meu recente amigo peludo conversei por quase meia hora com Enrico, um amigo da Itália. Quando encerramos a conversa e eu voltava para a cozinha esbarrei acidentalmente em Roger, que saía do banheiro.

- Ai, desculpa. - Afastei-me por conta do susto.

- Imagina! Eu assustei você. - Roger afirmou, apertou meu ombro com delicadeza e ao sentir seu toque quente na minha pele por ora fria, fez-me querer correr dali antes que não conseguisse sequer afastar-me da presença enigmática dele.

- Tudo bem! - Vislumbrei seu rosto quadrado, másculo e um convite ao pecado. - Estava distraída, não descansei o suficiente, quando cair na cama tenho certeza que vou desmaiar. - Trocamos um sorriso e até isso nele era tentador.

O moreno charmoso se afastou, deu-me passagem e caminhando a passos lentos atrás de mim seguimos em direção à cozinha.

- Vamos ao jantar? - minha mãe perguntou e soltei uma piada um tanto sem graça, eu diria:

- Ué! Pensei que o caldeirão fosse ferver - brinquei.

- Te enganei! Bobinha. - confirmou, André sugando com exagero os lábios da namorada e cheios de chamego rumaram para o quintal.

Meus pais prepararam comida para um batalhão, nós nos sentamos e entre uma garfada e outra conversamos sobre tudo, minha estadia em Pádua, amizades, namoros e, claro, meu regresso para a metalúrgica dos meus pais. Eu descobri que o Roger na verdade era amigo do Tony antes de ser do meu irmão. Eles estudaram juntos na faculdade e haviam perdido o contato, mas há quatro anos se reencontraram. Tony o apresentou ao André e, pronto, estava formado o trio de gostosões, para o terror da mulherada. E desde então ele trabalhava na empresa da minha família. Acabei descobrindo também que namoravam as garotas, que eram amigas há menos de seis meses. A Kelly bebeu tanto, que nem se deu conta das olhadas furtivas do namorado direcionadas a mim, deixando-me desconfortável.

Terminamos o jantar e nos sentamos na área onde ficava o jardim da casa. A lua estava linda, exuberante e eu não sabia se contemplava o céu estrelado ou o Roger me encarando com suas pupilas escuras num tom incomum. Quanto a namorada dele, a moça se amontoou em uma das cadeiras e adormeceu totalmente embriagada, não só pela caipirinha, mas por toda bebida

alcoólica que fora servida. Ela literalmente apagou.

- Ela bebe, né? - sussurrei no ouvido do Tony, mostrando a Kelly discretamente com a cabeça.

- Não sei o que o meu amigo viu nela - Ele balbuciou dando um meneio de cabeça.

- Ela é linda. - eu disse por fim.

- Você é linda e não bebe feito um gambá - brincando, Tony me empurrou com o ombro e devido ao impacto acabei me desestabilizando.

- E você continua um gato. - Rindo, baguncei o cabelo dele e não pude deixar de notar os olhares de Roger sobre nós.

- Estão cheios de graça, hein? - André debochou do amigo.

- Não enche, André, por favor, acabei de retornar, deixa para pegar no meu pé nas próximas semanas, preciso de folga, pelo menos da sua atenção excessiva. - retruquei, rindo. - Sabe que não curto microgerenciamento da minha vida, menos ainda feito por você, maninho.

Achando graça da briguinha entre irmãos, meus pais se despediram e sonolentos se recolheram.

Tony e eu lavamos a louça e limpamos a churrasqueira. Enquanto André engolia a boca da Dafne, Kelly dormia amontoada na cadeira como um saco de batatas e Roger apenas observava tudo calado, inclusive minha intimidade com o Tony.

- Acho que vou decolar também. Estou morta de cansaço e sono - comentei. - E amanhã... quer dizer mais tarde, porque já são três da manhã, preciso desfazer as malas. Buona notte pra quem fica. Trouxe um presente pra você, gatão. - Apontei para o Tony.

- Não precisava. - Ele se aproximou. - Aliás, sábado tem uma festa beneficente. Tanto seu pai quanto eu apoiamos a causa. Quer me acompanhar? - sussurrou. - Seria uma grande honra levá-la, serei o homem mais sortudo do local.

- Awn... Você continua um fofo e eu nem fazia ideia dessa tal festa. - Sorri para ele. - Eu vou sim, aceito ser sua acompanhante. Trouxe um vestido novinho de grife, ótima ocasião para vesti-lo - murmurei imitando-o, como se precisássemos esconder algo de alguém. - Até mais, gatão. - Dei um beijo e ele retribuiu. - Tchau, Roger, foi um prazer. Dafne também e a Kelly... - Olhamos para ela, que continuava apagada. - Enfim, um prazer geral reencontrar velhos e novos amigos. - Acenei.

- Até segunda, Chloe. - Roger se levantou e caminhou em minha direção. - Temos muito para conversar, trabalharemos juntos. Bem-vinda à equipe. - Sorriu discretamente e minhas pernas bambearam. - Precisamos alinhar algumas questões, mas tenho plena convicção que tirará tudo de letra. - Ele proferiu cada palavra me sorvendo com os olhos como se eu fosse a mais saborosa das bebidas.

- Ah! Claro. - O encarei. - Obrigada e até segunda. - Virei-me rapidamente, pois não queria que percebessem o quanto meu rosto estava ruborizado, era corajosa e às vezes ousada, entretanto, um pouco de prudência não fazia mal a ninguém.

Antes de sair da presença deles, Roger e eu trocamos um último olhar, um com uma energia quase tangível, ainda confusa com tudo que sentira, subi para o meu quarto e tomei outro banho, desta vez um gelado, somente a gélida água seria capaz de me fazer sair do transe, eu estava num misto de sono e alteração da consciência. Entorpecida, rolei de um lado ao outro da cama até sentir minhas forças se esvaindo.

- Socorro, no que eu estou me metendo?! Acabei de chegar e me deparo com o amigo gostosão do meu irmão, tão atraente e charmoso quanto desafiador. Roger... Roger, espero ter uma noite de sono reparador atrelado a bons sonhos, só espero que você não os invada também.

Sorrindo como uma boba, bocejei, ajeitei-me e adormeci.

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