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Amores, Farras e Feridas

Amores, Farras e Feridas

Autor:: linda_sonhadora
Gênero: Romance
Helena acreditava ter encontrado não apenas o amor, mas uma verdadeira família no grupo que ela mesma ajudou a formar. Festas, churrascos, praias e bebedeiras... tudo parecia perfeito, até descobrir que a traição vinha de onde menos esperava. Entre a dor, o afastamento e a reconstrução, ela aprende, pouco a pouco, que a lealdade nem sempre está onde imaginamos e que, mesmo depois da maior das decepções, a vida continua - com novos encontros, velhos amigos e sentimentos que surgem quando menos se espera.

Capítulo 1 A Quebra

Helena sempre achou que tinha encontrado algo especial com Bryan. Ele a presenteava, a levava para sair, fazia planos, e ela começou a acreditar que poderia dar certo. O grupo de amigos parecia unido, sempre rindo, sempre junto. Mas naquela noite, no aniversário da sua melhor amiga, Carol, algo mudou.

Helena já vinha desconfiando de Bryan. Ele estava frequentando a casa de Bruna mais do que deveria, mas continuava ao lado dela, fingindo normalidade.

Na festa, enquanto bebia e tentava se divertir, Helena sentiu aquela estranha intuição: abriu o WhatsApp e viu que Bryan estava sem foto de perfil. Estranhou. Foi checar o Instagram... não eram mais amigos. No Facebook, o mesmo.

O chão pareceu sumir.

Helena ainda sentia a dor recente de tudo que havia acontecido. As lembranças invadiam sua mente, como se não quisessem deixá-la seguir em frente.

Ela e Bryan se conheceram de forma inesperada, numa noite qualquer, no pub onde Helena trabalhava. No meio da correria do expediente, percebeu aquele loiro de olhos verdes observando-a do balcão. Trocaram alguns olhares discretos, até que, ao final da noite, ao checar o celular, notou uma nova solicitação de amizade nas redes sociais: era ele.

Desde aquele dia, começaram a trocar mensagens diariamente. Primeiro, saíram sozinhos algumas vezes, longos papos regados a cerveja e risadas. Depois de algumas semanas, Helena o apresentou ao seu círculo de amigas - Magda, Hanna e Bruna -, e logo Bryan também a apresentou aos amigos dele - Joaquim, Nathan e Igor.

Sem perceber, o grupo foi se formando. Todos começaram a sair juntos para festas, churrascos e dias de praia. A bebida sempre rolando, as risadas também. Helena pensava em como estavam sempre bêbados, sempre juntos, como uma família improvisada.

Mas as lembranças foram ganhando um tom amargo... Ela se recordou nitidamente de uma noite específica. Já tinha combinado de sair com suas amigas de infância, mas ao chegar na fila da balada, viu, para sua surpresa, todo o grupo - seus amigos - juntos, sem ela. Ali, a tristeza se estampou em seu rosto. Sentiu-se traída, como se tivesse sido descartada do próprio grupo que ela mesma havia ajudado a criar. Naquele dia, bebeu todas que podia, afogando a mágoa com a promessa silenciosa de que não choraria mais por aquilo. Lembrou também de quando Hanna saiu do grupo. Disse, de forma enigmática, que estavam acontecendo coisas com as quais ela não concordava. Helena se repreendeu por não ter desconfiado de nada naquela época.

Agora, tudo fazia sentido: todos riam pelas suas costas, enquanto ela ingenuamente confiava em Bryan.

E, naquele turbilhão de memórias, percebeu que, mesmo que tivesse seguido em frente, as marcas ainda estavam ali, frescas, pulsantes.

Ela chorou ali mesmo, na festa. Carol a consolou, tentando arrancar um sorriso dela, tentando fazê-la esquecer nem que fosse por algumas horas. E conseguiu: Helena bebeu, riu, se jogou na pista, e quando a noite acabou, estava completamente embriagada, tentando afogar as mágoas de toda traição.

Capítulo 2 A Praia e a Verdade

No dia seguinte, Helena acordou meio atordoada, ainda digerindo como, de uma hora para outra, tudo havia mudado. Pegou o celular e viu duas mensagens: uma da sua comadre, Abigail, convidando-a para ir à praia; e outra de Joaquim, perguntando o que ela faria naquele domingo ensolarado.

Sem pensar muito, respondeu rapidamente para Abigail confirmando o convite e avisou Joaquim que também estaria lá - afinal, conhecia Joaquim antes mesmo de se envolver com Bryan.

Enquanto se levantava, fez uma promessa silenciosa: não deixaria mais aquilo tudo abalar seu coração. O dia anterior tinha sido a gota d'água. Dali em diante, prometeu a si mesma que não se apaixonaria tão facilmente.

Foi para o banho, se arrumou, desceu e encontrou sua mãe na cozinha. A mãe de Helena já sabia que ela não era de ficar em casa, principalmente nos finais de semana, e, ao notar a roupa de praia, só perguntou:

- Com quem vai?

Helena respondeu normalmente e seguiu com sua rotina.

O único peso que ainda carregava era o afastamento recente do pai. Eles não estavam se falando, depois que ele a havia xingado por ter chegado tarde de uma festa. Aquilo a magoava, pois sabia que não fazia nada de errado, apenas gostava de dançar e se divertir, não era do tipo que saía com um cara diferente a cada noite.

Depois de comer algo rápido, pegou o carro e seguiu em direção à praia.

Ao chegar, encontrou Abigail e logo desabafou, contando tudo o que havia acontecido nos últimos dias e o quanto estava triste.

Abigail, com uma expressão de tristeza sincera, apenas confirmou o que sempre dizia:

- Eu te avisei... não dá pra confiar em nenhum deles.

Enquanto conversavam, Helena recebeu uma mensagem de Joaquim pedindo a localização, dizendo que já estava chegando. Enviou e, em menos de cinco minutos, lá estava ele.

Helena o cumprimentou com um sorriso caloroso, mas Joaquim logo percebeu a quão chateada ela estava e, sem dizer nada, apenas a abraçou apertado. Às vezes, aquele silêncio bastava.

Ele não tinha certeza se Abigail já sabia de tudo, mas desconfiava, afinal, todos sabiam o quanto Helena e Abigail eram inseparáveis - assim como Helena e Carol. Começaram a conversar sobre assuntos aleatórios, fugindo um pouco da tensão, até que Helena respirou fundo, criou coragem e perguntou:

- Você já tá sabendo?

Joaquim assentiu com a cabeça, meio sem jeito, e perguntou:

- Você lembra quando eu te falei que vi o Bryan com outra menina no barzinho?

Helena confirmou, e ele soltou, direto:

- Era a Bruna.

Helena deu uma risada amarga, mas aquela revelação apenas confirmava que, no fim, ela não era paranoica, como chegou a pensar. Apenas se xingou mentalmente por não ter confiado na sua própria intuição.

Joaquim completou:

- Ele não vale a pena, Helena. Não precisava ter sido tão ingênua... O Bryan não presta e com a Bruna não vai ser diferente.

Helena notou a sinceridade no olhar de Joaquim, sentiu o quanto ele não concordava com as atitudes do amigo. Apenas agradeceu pelas palavras e, querendo aliviar o clima, mudaram de assunto.

Afinal, o dia estava lindo, a companhia era boa, e ela merecia, mais do que nunca, aproveitar o resto daquele domingo.

Capítulo 3 A Virada e o Convite Inesperado

Helena decidiu se afastar de todos por um mês. Durante esse período, viajou para se distrair e passou a frequentar mais a casa dos tios e primos, aproveitando o momento em família como uma forma de esquecer todo o mal que Bryan a havia feito passar.

Mesmo distante, recebia mensagens constantes dos meninos do grupo, sempre perguntando se ela estava bem, reforçando que não concordavam com a atitude de Bryan. Principalmente Nathan.

Ela até já o tinha encontrado casualmente outro dia, quando Joaquim a convidou para um dia de praia. Naquele momento, Helena não pôde deixar de notar o quanto Nathan era bonito. Os olhos claros combinavam perfeitamente com a pele clara e o cabelo escuro. Era fácil entender por que ele sempre estava cercado de mulheres.

Mas, para Helena, aquilo não fazia diferença. Estava farta de homens, ainda mais sabendo que Nathan e Bryan eram melhores amigos.

Mesmo assim, ela sempre respondia com educação as mensagens dos meninos. Sabia que eles não tinham culpa e lembrava das inúmeras vezes em que, com indiretas e piadas, tentaram alertá-la sobre o que estava acontecendo entre Bryan e Bruna - mas ela, cega, não quis acreditar.

Além de Joaquim, Helena vinha falando com frequência com Nathan, sempre na amizade.

Os dias passaram até que chegou 31 de dezembro.

Helena estava festejando o Ano Novo com sua família quando viu uma notificação: Nathan havia comentado na foto que ela postou minutos antes, elogiando:

- "Você tá linda."

E logo emendou o convite:

- "Vem pra festa da praia!"

Helena sorriu, mas recusou. Respondeu:

- "Agradeço, mas não seria uma boa ideia... e você sabe por quê."

Ela já tinha visto, pelas redes sociais, que os meninos estavam todos juntos, incluindo Bryan. Tinham postado fotos e stories.

Helena preferiu ficar com a família, brindar com os tios, rir com os primos, comer e beber sem peso no coração. Perto das duas da manhã, voltou para casa tranquila, com a sensação de que tinha tomado a decisão certa.

Na manhã seguinte, ainda deitada na cama, fez o que sempre fazia: pegou o celular para dar uma olhada nas redes sociais antes de levantar.

Logo de cara, viu a foto do grupo todo junto na festa da praia.

Uma única lágrima solitária escorreu pelo seu rosto.

Ela respirou fundo, limpou o rosto com a mão e confirmou para si mesma:

- "Foi a melhor decisão."

Levantou, tomou banho, fez sua higiene matinal e seguiu para a casa dos parentes, onde ainda teria um churrasco e um dia cheio de risadas pela frente.

Ali, entre os tios e primos, Helena conseguia esquecer os problemas, nem que fosse por algumas horas.

Conversou bastante com seu primo Ricardo, que era apenas um ano mais velho que ela. Helena tinha 22 anos; Ricardo, 23. Ele era seu confidente na família e estava genuinamente triste por ela.

- "Se eu cruzar com o Bryan, não perco a chance de dar um soco nele", dizia, meio rindo, meio sério.

Helena ria com as piadas e o jeito protetor de Ricardo. Não eram uma família que demonstrava afeto abertamente, mas todos sabiam o quanto se amavam. E ela era imensamente grata por isso. Sempre disposta a carregar o mundo pelos seus primos, tios e pais.

No final do dia, voltou para casa, exausta, e só então notou as mensagens acumuladas no WhatsApp. Joaquim, Abigail, Carol... e Nathan. Resolveu responder apenas as meninas naquele momento. Não tinha cabeça para lidar com os meninos.

Três dias depois, já mais tranquila, decidiu finalmente responder Joaquim e Nathan.

Nathan não demorou e logo mandou:

- "Por que não respondeu antes?"

Helena até pensou em inventar uma desculpa mirabolante, mas, no fim, só respondeu a verdade:

- "Esqueci."

Nathan apenas digitou:

- "Hum."

Helena achou que a conversa morreria ali.

Mas, para sua surpresa, logo depois recebeu a notificação:

- "Tá a fim de comer uma pizza aqui no meu apê e desabafar um pouco?"

Helena ficou relutante por alguns segundos, ponderando se deveria ou não aceitar.

Mas acabou topando.

- "Claro... somos amigos, né? Só vamos jogar conversa fora."

Mal sabia Helena que, a partir daquela noite, sua vida mudaria completamente...

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