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Ana: Renascida das Cinzas do Amor

Ana: Renascida das Cinzas do Amor

Autor:: Gong Zi Qian Yan
Gênero: Moderno
A chuva batia forte no para-brisa, as lágrimas se misturando às gotas, enquanto a urna fria com as cinzas da minha Sofia pesava no meu colo. Eu, Ana, estava no último limite da minha dor. Meu marido, Pedro, e meu sogro, Seu Carlos, me acusavam de loucura, ofuscados pela hipocrisia de Dona Lúcia, minha sogra. Ela que, com seu sorriso dissimulado e "chazinhos milagrosos", transformou a vida da minha filha em um pesadelo silencioso. Eles me culparam por tudo. Ninguém viu a verdade por trás da sua falsa bondade, da sua avareza criminosa que custou a vida da minha Sofia. Minha filha morreu envenenada por água sanitária e açúcar, uma "receita de avó" que Dona Lúcia deu para ela. E no funeral, eles me apontaram como a vilã. "A culpa não foi de ninguém", repetiam, enquanto eu via o assassino recebendo pêsames. O mundo desabou, e a Ana, doce e paciente, morreu. Cegada pela dor, pisei fundo no acelerador, determinada a levar todos nós para o inferno. O impacto foi brutal, e a escuridão me abraçou. Mas, então, um choro. O choro da minha Sofia. E a luz suave do meu antigo quarto. Eu estava de volta. Viva. Sofia estava viva. No calendário, a data fatídica: o dia em que o primeiro prego foi martelado no caixão da minha filha. Desta vez, não haveria caixão. A Ana submissa morreu naquele acidente. De suas cinzas, renasci leoa. E desta vez, a justiça seria feita. Por bem ou por mal.

Introdução

A chuva batia forte no para-brisa, as lágrimas se misturando às gotas, enquanto a urna fria com as cinzas da minha Sofia pesava no meu colo. Eu, Ana, estava no último limite da minha dor.

Meu marido, Pedro, e meu sogro, Seu Carlos, me acusavam de loucura, ofuscados pela hipocrisia de Dona Lúcia, minha sogra.

Ela que, com seu sorriso dissimulado e "chazinhos milagrosos", transformou a vida da minha filha em um pesadelo silencioso.

Eles me culparam por tudo. Ninguém viu a verdade por trás da sua falsa bondade, da sua avareza criminosa que custou a vida da minha Sofia.

Minha filha morreu envenenada por água sanitária e açúcar, uma "receita de avó" que Dona Lúcia deu para ela. E no funeral, eles me apontaram como a vilã.

"A culpa não foi de ninguém", repetiam, enquanto eu via o assassino recebendo pêsames. O mundo desabou, e a Ana, doce e paciente, morreu.

Cegada pela dor, pisei fundo no acelerador, determinada a levar todos nós para o inferno.

O impacto foi brutal, e a escuridão me abraçou.

Mas, então, um choro. O choro da minha Sofia. E a luz suave do meu antigo quarto. Eu estava de volta. Viva. Sofia estava viva.

No calendário, a data fatídica: o dia em que o primeiro prego foi martelado no caixão da minha filha.

Desta vez, não haveria caixão. A Ana submissa morreu naquele acidente. De suas cinzas, renasci leoa.

E desta vez, a justiça seria feita. Por bem ou por mal.

Capítulo 1

A chuva batia forte contra o para-brisa, cada gota um borrão nas luzes da estrada que se estendiam à minha frente. O barulho era um zumbido constante, abafando os soluços que eu tentava engolir. Ao meu lado, no banco do passageiro, a pequena urna de cerâmica branca parecia fria, pesada. Dentro dela, tudo o que restou da minha filha, Sofia.

No banco de trás, a voz do meu marido, Pedro, cortou o som da tempestade.

"Você podia ir mais devagar, Ana. Desse jeito vai acabar matando todos nós."

A ironia era tão cruel que me fez soltar uma risada seca, sem humor. Matar todos nós. Era exatamente o que eu pretendia fazer.

Seu Carlos, meu sogro, sentado ao lado de Pedro, concordou com um murmúrio.

"Seu marido tem razão. Você está descontrolada desde que... desde o que aconteceu. A culpa não foi de ninguém."

A culpa não foi de ninguém. A frase ecoou na minha cabeça, uma mentira tão grande que chegava a ser física. Eu apertei o volante com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos. A culpa tinha nome e sobrenome. A culpa estava sentada no velório, recebendo os pêsames com lágrimas de crocodilo, enquanto eu não conseguia nem respirar. Dona Lúcia. Minha sogra. A assassina da minha filha.

As memórias da última semana eram um pesadelo lúcido. Sofia, minha pequena Sofia, nasceu com uma condição rara, uma fragilidade que exigia um cuidado que beirava a obsessão. Cada medicamento, cada grama de alimento, cada grau na temperatura do banho era controlado. Para mim, era um ato de amor. Para minha sogra, Dona Lúcia, era um desperdício.

"Tanta frescura por causa de uma criança" , ela dizia, sempre com aquele sorriso de quem sabe mais que os médicos. "No meu tempo, a gente criava filho com chá de boldo e banha de porco, e todo mundo crescia forte."

Eu tentava explicar, com a paciência que se esvaía a cada dia, que a condição de Sofia não era uma gripe. Que o remédio importado, caríssimo, que mantinha suas crises sob controle não era "frescura" . Mas era como falar com uma parede. Uma parede mesquinha, obcecada em economizar cada centavo.

Pedro, meu marido, nunca me defendia. Ele apenas suspirava e dizia:

"Tenta entender, Ana. Minha mãe é de outra geração. Ela só quer ajudar."

A "ajuda" de Dona Lúcia quase nos custou tudo, muito antes do fim. Lembro-me de chegar em casa um dia e encontrar Sofia com os lábios azulados, respirando com dificuldade. Dona Lúcia estava ao lado do berço, sorrindo, orgulhosa.

"Dei pra ela um chazinho de ervas que eu mesma preparei. Muito melhor que esses venenos da farmácia. E bem mais barato."

Corremos para o hospital. Sofia ficou na UTI por três dias. O médico foi claro: a mistura de ervas desconhecidas quase parou o coração dela. Quando voltamos para casa, exaustos e aterrorizados, eu confrontei minha sogra. Pedro e Seu Carlos estavam lá.

"Ela quase matou a Sofia! Você entende isso?" , eu gritei, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

Dona Lúcia começou a chorar, um choro falso e manipulador.

"Eu só queria ajudar minha netinha. Você é muito ingrata, Ana. Não valoriza meus esforços. Eu passo o dia todo aqui, cuidando da sua casa, da sua filha, pra você chegar e me acusar assim?"

Pedro imediatamente a abraçou.

"Calma, mãe. A Ana está nervosa, não sabe o que diz."

Ele se virou para mim, o rosto fechado.

"Você está exagerando, Ana. Foi um acidente. Você precisa parar de culpar a minha mãe por tudo."

Seu Carlos balançou a cabeça, com uma expressão de reprovação.

"Sua sogra tem um coração de ouro. Você deveria ser mais grata."

Naquele momento, eu percebi que estava sozinha. Completamente sozinha em uma família que não via, ou não queria ver, a maldade disfarçada de economia.

O golpe final veio na semana passada. O remédio de Sofia acabou. A nova remessa estava presa na alfândega, e eu entrei em pânico. Havia uma dose de emergência, que eu guardava como um tesouro. Uma única seringa que poderia salvar a vida dela em uma crise.

Eu precisei sair para resolver a liberação do medicamento. Deixei Sofia com Dona Lúcia, com instruções claras e repetidas à exaustão: "Se ela começar a passar mal, use esta seringa. Não faça mais nada. Apenas use a seringa e me ligue."

Quando voltei, encontrei a casa em silêncio. Um silêncio mortal. Sofia estava no berço, pálida, sem vida. A seringa de emergência estava intacta, sobre a cômoda. Ao lado dela, um pequeno copo com um líquido esbranquiçado e um cheiro forte.

Dona Lúcia estava na cozinha, lavando a louça, cantarolando.

"O que é isso? O que você deu pra ela?" , perguntei, a voz um fio.

"Ah, o remédio acabou, né? Mas não se preocupe. Eu dei um jeitinho. Misturei um pouco de água sanitária com açúcar. Limpa tudo por dentro, mata qualquer bactéria. Uma receita antiga da minha avó."

O mundo desabou. O chão sumiu sob os meus pés. Minha filha, meu anjo, morta por uma receita de água sanitária com açúcar. Morta pela ignorância criminosa, pela avareza doentia da mulher que deveria protegê-la.

No hospital, os médicos apenas confirmaram o óbvio. Envenenamento. Negligência criminosa. Quando a polícia chegou, Pedro e Seu Carlos fizeram um escândalo.

"Foi um acidente! Minha mãe não sabia! A Ana que é uma mãe descuidada, deixou a filha doente com a sogra idosa!"

Eles a protegeram. Eles mentiram por ela. Eles me culparam. Na frente de todos, no dia mais sombrio da minha vida, eles me pintaram como a vilã. Dona Lúcia chorava, dizia que eu a estava caluniando, que eu estava louca de dor. E todos acreditaram. A família, os amigos, a polícia. Ninguém queria ver a verdade horrível. Era mais fácil culpar a mãe em luto.

Agora, no carro, com as cinzas da minha filha ao meu lado, a voz de Seu Carlos voltou a me atormentar.

"Você precisa superar isso, Ana. Pelo bem do Pedro. A vida continua."

A vida continua. Não para a minha Sofia. E não para eles.

"Você tem razão" , eu disse, a voz surpreendentemente calma. "A vida não pode continuar assim."

Pisei fundo no acelerador. O motor do carro rugiu, respondendo ao meu desespero. Pedro gritou no banco de trás.

"Ana, o que você está fazendo? Você enlouqueceu?"

"Sim" , respondi, um sorriso se formando em meus lábios enquanto as lágrimas finalmente paravam de cair. "Finalmente, eu enlouqueci."

Vi as luzes de um caminhão vindo na direção contrária. Eram brilhantes, quase celestiais. Fechei os olhos, abracei a urna contra o meu peito e virei o volante com toda a força que me restava. O som da buzina, o grito de pânico dos meus carrascos, o barulho ensurdecedor de metal se contorcendo.

E depois, escuridão. Um silêncio abençoado.

Até que... uma luz. Não a do caminhão. Uma luz suave. E um choro. Um choro de bebê, fraco, mas inconfundível. O choro da minha Sofia.

Abri os olhos, atordoada. Eu não estava em um carro destruído. Estava no meu antigo quarto. A luz do sol da manhã entrava pela janela, iluminando a poeira que dançava no ar. O cheiro de bolo assando vinha da cozinha, o meu cheiro, o cheiro da minha paixão que eu havia abandonado.

E o choro continuava.

Levantei-me, as pernas trêmulas. Caminhei até o berço ao lado da cama. E lá estava ela. Minha Sofia. Viva. Pequena, rosada, respirando. Ela estava ali.

As lágrimas que eu pensei terem secado para sempre voltaram com uma força avassaladora. Eu a peguei no colo, sentindo seu calor, seu cheiro, a vida que pulsava em seu pequeno corpo.

"Meu amor... meu amor..." , eu sussurrava, beijando sua testa, seu rosto, suas mãozinhas.

Eu estava de volta. De alguma forma, por algum milagre inexplicável, eu tinha voltado. Olhei o calendário na parede. A data marcada em vermelho. O dia em que Dona Lúcia deu o "chazinho de ervas" para Sofia pela primeira vez. O dia em que o primeiro prego foi martelado no caixão da minha filha.

Desta vez, não haveria pregos. Não haveria caixão.

Desta vez, eu não era mais a Ana paciente e submissa. A mulher que chorava no carro com as cinzas da filha morreu naquele acidente. A mulher que segurava Sofia nos braços agora era outra pessoa.

Era uma mãe. E uma leoa. E desta vez, a justiça seria feita. Por bem ou por mal.

Capítulo 2

Segurei Sofia junto ao peito, sentindo cada batida fraca, mas constante, do seu coração. Era real. O calor do seu corpo minúsculo contra o meu era real. O cheiro suave de bebê era real. Eu não estava morta, nem em algum tipo de purgatório. Eu estava de volta, no dia exato que marcou o início do fim.

A porta do quarto se abriu devagar e a figura de Dona Lúcia apareceu, com um sorriso no rosto que, na minha vida passada, eu interpretava como afeto. Hoje, eu via apenas a máscara fina que cobria a crueldade.

"Bom dia, dorminhoca. Deixei você descansar um pouco mais", disse ela, a voz falsamente doce. "A nossa pequena Sofia deu um pouco de trabalho de madrugada, não foi?"

Ela se aproximou do berço, mas eu me movi instintivamente, colocando meu corpo entre ela e minha filha. Dona Lúcia parou, a expressão mudando por uma fração de segundo. Um brilho de irritação que logo foi substituído por uma preocupação fingida.

"O que foi, Ana? Parece que viu um fantasma."

"Eu só... tive um pesadelo", respondi, a voz firme, sem o tremor que eu esperava.

A memória do metal se contorcendo, dos gritos, da escuridão, era vívida. Mas a visão de Sofia, viva e respirando em meus braços, era mais forte. Era meu combustível.

"Ah, pesadelos... Bobagem. Venha, tome seu café. Eu fiz um bolo de fubá que você adora", disse ela, tentando me guiar para fora do quarto. "Deixa a Sofia aqui no berço, ela acabou de dormir de novo."

Ela estendeu as mãos para pegar minha filha. Na minha vida anterior, eu a teria entregado sem pensar duas vezes, agradecida pela "ajuda". Hoje, eu recuei um passo.

"Não. Ela fica comigo."

O sorriso de Dona Lúcia vacilou de vez.

"Ana, não seja boba. Como você vai tomar café com a menina no colo? Ela está bem aí. Eu fico de olho."

"Eu disse que ela fica comigo", repeti, o tom de voz mais baixo, mais perigoso. "Eu tomo café depois."

A tensão no quarto era palpável. Dona Lúcia me encarou, os olhos pequenos se estreitando. Ela não estava acostumada com essa resistência. A Ana que ela conhecia era dócil, fácil de manipular. Aquela Ana não existia mais.

Ela deu de ombros, forçando um sorriso.

"Como quiser. Mas o café vai esfriar. E eu já preparei o chazinho da Sofia, pra acalmar a barriguinha dela."

Meu sangue gelou. O chazinho. O mesmo chazinho de "ervas medicinais" que quase a matou. Aquele foi o primeiro grande alerta que eu ignorei, convencida por Pedro de que era um "exagero" meu.

"Que chá?", perguntei, mantendo a voz controlada.

"Ah, umas ervas do meu quintal. Coisa boa, natural. Muito melhor que esses remédios cheios de química que você dá pra ela."

Ela se virou e saiu do quarto. Eu a segui, com Sofia segura em meus braços. Na cozinha, sobre a mesa, estava uma xícara fumegante. O cheiro era adocicado e estranho. Ao lado, a mamadeira de Sofia. Dona Lúcia pegou a xícara, pronta para despejar o conteúdo na mamadeira.

Num movimento rápido, que surpreendeu a mim mesma, eu avancei e arranquei a xícara da mão dela. O líquido quente derramou no chão da cozinha, espalhando o cheiro forte e enjoativo.

"O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?", gritou Dona Lúcia, chocada.

"Eu é que pergunto!", respondi, a voz subindo, cheia de uma fúria que eu mantive represada por uma vida inteira. "Você ia dar isso para a minha filha?"

"É claro! É um chá calmante! Você está louca, Ana? Jogou tudo fora!"

"Louca? Louca estava eu de confiar em você! Que ervas são essas, Dona Lúcia? Você sabe o nome delas? Sabe os efeitos que elas têm num bebê com a condição da Sofia?"

Ela ficou sem palavras, a boca aberta. Pela primeira vez, eu a via sem a sua máscara de boa samaritana. O que restava era uma mulher ignorante e teimosa.

"É... é erva-cidreira... com... com um pouco de boldo. Sempre funcionou!"

"Sempre funcionou pra quem? Para adultos saudáveis? Sofia não é um adulto saudável! O médico disse, mil vezes, NADA além do leite e dos remédios dela. NADA! Você é surda ou só não se importa?"

Pedro entrou na cozinha, atraído pelos gritos. Ele viu a xícara no chão, a expressão furiosa da mãe e o meu rosto transformado pela raiva. Sua reação foi a mesma da minha vida passada.

"O que está acontecendo aqui? Ana, por que você está gritando com a minha mãe?"

"Pergunte a ela, Pedro! Pergunte o que ela ia dar para a nossa filha!"

Dona Lúcia correu para o filho, o choro já engatilhado.

"Ela me atacou, meu filho! Eu só fiz um chazinho pra ajudar a acalmar a Sofia, e a sua mulher jogou em mim, me acusou... Ela está descontrolada!"

Pedro olhou para mim, a decepção e a irritação estampadas no rosto.

"Ana, de novo essa história? Minha mãe só quer ajudar! É só um chá!"

"Não, Pedro. Não é 'só um chá'. É veneno. Na minha vida... " - eu me calei. Não podia contar a verdade. Eles me internariam. - "Eu pesquisei. As ervas que ela usa são tóxicas para bebês, especialmente para um com o sistema frágil da Sofia. Podem causar parada respiratória."

Inventei na hora, mas a convicção na minha voz era total, alimentada pela verdade que só eu conhecia.

Dona Lúcia bufou.

"Que bobagem! Pesquisou onde? Nessas internets que só falam mentira? Antigamente não tinha nada disso e todo mundo sobrevivia!"

"Mas a Sofia não é de 'antigamente'! Ela é de agora, e ela é frágil! E esta é a minha filha! Na minha filha, ninguém mais toca! Ninguém mais dá 'remedinhos alternativos', 'chazinhos milagrosos' ou qualquer outra porcaria que saia da sua cabeça!"

Eu apontei o dedo para ela, tremendo de raiva. Sofia, assustada com a gritaria, começou a chorar no meu colo. Eu a aninhei, tentando acalmá-la, mas meus olhos não desgrudaram dos da minha sogra.

"A partir de hoje, você não chega mais perto dela. Você não alimenta, não dá banho, não faz nada. Entendeu?"

Pedro deu um passo à frente, incrédulo.

"Ana, você não pode fazer isso! Ela é a avó! Ela mora aqui!"

"Então talvez ela precise encontrar outro lugar para morar", retruquei, a frase saindo antes que eu pudesse contê-la.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Dona Lúcia e Pedro me olhavam como se eu fosse um monstro. Talvez eu fosse. A antiga Ana, a confeiteira doce e paciente, não teria coragem de dizer aquilo. Mas ela estava morta. E eu faria qualquer coisa para que minha filha não tivesse o mesmo destino.

Dona Lúcia, recuperando-se do choque, usou sua arma mais poderosa: a chantagem emocional.

"É isso, então? Depois de tudo que eu fiz por esta família... Criei meu filho com tanto sacrifício, abri as portas da minha casa pra você... e é assim que você me agradece? Me expulsando? Só porque eu tentei cuidar da minha própria neta?"

Ela olhou para Pedro, os olhos cheios de lágrimas.

"Você vai deixar ela fazer isso comigo, meu filho? Vai jogar sua mãe na rua?"

Pedro, como sempre, caiu na armadilha. Ele olhou para mim, o rosto uma mistura de fúria e súplica.

"Viu o que você fez, Ana? Você está destruindo esta família! Peça desculpas para a minha mãe. Agora."

Eu olhei para o rosto suplicante do meu marido, para a expressão vitoriosa disfarçada de mágoa da minha sogra. Na vida passada, eu teria cedido. Teria pedido desculpas, engolido o veneno e permitido que a tragédia seguisse seu curso.

Mas não hoje.

Eu balancei a cabeça lentamente.

"Não. Eu não vou pedir desculpas por proteger a minha filha."

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