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Anel no meu dedo, coroa na minha cabeça

Anel no meu dedo, coroa na minha cabeça

Autor: Snow Fox
Gênero: Moderno
Khloe passou três anos amando o homem errado antes de finalmente desistir de vez. Pensando que sua família estava à beira da falência, se apressou em um casamento por conveniência. Depois do casamento, ela descobriu que seu marido era o lendário Caiden Barton, uma figura intocável e temida por todos. Diziam que ele era frio e desinteressado em mulheres, mas quando ela queria terminar o casamento, ele se recusou a deixá-la ir e pediu: "Querida, por favor, não me deixe." Quando o ex arrependido de Khloe voltou rastejando, Caiden a puxou para seus braços, sua voz baixa e possessiva: "Cai fora. Ela é minha esposa, muito além do seu alcance."
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Capítulo 1 Traição

O plantão da noite no Hospital Meridian já estava quase acabando quando Khloe Todd voltou ao consultório, recém-saída de uma cirurgia.

Mal tinha pousado o prontuário na mesa quando o celular vibrou com uma mensagem de Vernon Harrison, seu namorado.

"Estou atolado de trabalho esta noite, não vou conseguir jantar. Não me espera, descansa um pouco."

Como esse dia marcava o terceiro aniversário do namoro deles, ela planejava ir para casa, preparar o jantar e esperar por ele para comemorarem juntos. Também tinha preparado uma surpresa: um projeto que ele perseguia havia seis meses sem sucesso - e ela tinha acabado de garantir para ele.

Mas ele estava ocupado.

Nos últimos três anos, administrar o Grupo Harrison o mantinha sempre atolado, e a essa altura ela já tinha se acostumado com as ausências constantes.

Por isso, nem chegou a contar que tinha sido transferida temporariamente pro Hospital Meridian.

Quando Khloe estava prestes a sair, uma enfermeira do pronto-socorro entrou correndo no consultório. "Doutora Todd! Acabamos de receber uma emergência - ruptura do corpo lúteo com hemorragia interna. Ela está piorando rápido!"

O rosto de Khloe se fechou e ela se levantou num impulso.

Caminhando depressa ao lado da enfermeira, perguntou: "Alguma ideia do que causou isso? Trauma ou espontâneo?"

A enfermeira hesitou, claramente constrangida. "Uhm... aparentemente foi por... sexo muito violento."

Khloe não fez mais perguntas - só acelerou o passo.

Como ginecologista e obstetra, esse tipo de coisa não era novidade - já tinha atendido muito casal jovem cujo entusiasmo passou da conta.

Não era uma emergência incomum.

Mal entrou na sala de emergência, uma voz masculina irritada ecoou acima da correria. "Onde diabos está a médica? Ela mal está consciente de tanta dor! Alguém vai atendê-la ou não?"

Khloe parou no meio do caminho, uma dor aguda apertando-lhe o peito.

Seu olhar percorreu a equipe apressada e os equipamentos ao redor antes de se fixar no homem alto, de ombros largos, parado rígido ao lado da maca.

Era Vernon - o namorado que dissera que trabalharia até tarde e não tinha tempo para comemorar o aniversário deles.

Mas lá estava ele, em pânico, os olhos grudados na mulher que se contorcia na maca, mal consciente de tanta dor.

O quarto pareceu girar em volta de Khloe, e o barulho do pronto-socorro virou um zumbido agudo nos ouvidos dela.

"A médica chegou!", anunciou a enfermeira, alheia à cena.

Vernon se virou para a entrada, e seus olhos pousaram na mulher parada ali, de uniforme cirúrgico e máscara cobrindo o rosto.

Vendo que ela não se movia, o rosto dele escureceu de raiva. "O que está esperando? Salve ela! Se ela morrer, responsabilizarei todo este hospital!"

Khloe olhou para ele em silêncio. O homem que sempre a tratara com doçura e carinho agora exibia apenas pânico e fúria - tudo por causa de outra mulher.

Ficou imóvel, as unhas cravadas com dor nas palmas das mãos.

Sem tirar a máscara nem encará-lo, virou-se para a equipe e disse, com a voz neutra: "Tipagem e compatibilidade sanguínea. Sala de cirurgia um, agora."

Vernon franziu a testa.

Essa voz... parecia familiar.

Por um instante, a voz o fez pensar em Khloe, mas não fazia sentido, pois Khloe trabalhava no Centro de Saúde Evergreen - não tinha nada a ver com o Hospital Meridian.

A ideia se desfez tão depressa quanto veio. Toda a atenção dele voltou para Ruby Bailey, que jazia na maca, gemendo de dor.

Enquanto isso, a luz vermelha acima da porta da sala de cirurgia continuava acesa.

Sob as luzes da sala, Khloe respirou fundo e pegou o bisturi.

Uma hora se passou até a operação terminar com sucesso.

Khloe acompanhou a equipe que empurrava a maca pra fora da sala de cirurgia.

As portas mal se abriram quando ela viu Vernon pular do banco, correr até Ruby e beijar a bochecha dela.

"Ruby... você está bem agora", sussurrou ele. "Estou aqui e não vou a lugar algum."

Khloe lançou a Vernon um olhar frio, virou-se e foi embora.

De volta ao escritório, ela tirou o contrato da bolsa, rasgou-o em mil pedacinhos e jogou tudo no lixo.

Depois de trocar o uniforme, chamou um táxi e foi pra casa que ela e Vernon um dia sonharam dividir como marido e mulher.

Capítulo 2 Mudança

Pouco antes das onze, a porta da frente se abriu com um bipe do teclado.

Vernon entrou, acendeu a luz do corredor e encontrou Khloe no sofá.

Aproximou-se e se inclinou para abraçá-la. "Amor, por que está sentada no escuro? Estava me esperando?"

Uma onda de repulsa atingiu Khloe, fazendo-a enrijecer.

Horas antes, esses braços seguravam outra mulher, a quem o mesmo corpo estivera colado.

E lá estava ele, agindo como se nada tivesse acontecido.

Sem hesitar, ela o empurrou para longe.

Pego de surpresa, Vernon cambaleou para trás, com o rosto se fechando. "O que deu em você?"

Khloe permanecia em silêncio, se levantou do sofá e subiu direto as escadas.

Vernon franziu a testa e foi atrás dela.

Quando chegou na porta do quarto, ela apareceu com uma mala na mão.

Ao ver a mala, ele concluiu que ela estava fazendo drama por causa do aniversário perdido.

Contendo a irritação, ele falou num tom gentil: "Tudo bem, sei que errei, mas o trabalho estava uma loucura hoje. Você sabe que estou fazendo tudo isso por nós. Quando as coisas se acalmarem, vou te levar para algum lugar, só nós dois. Tá bom?"

Observando aquela cena patética, Khloe não aguentava mais desperdiçar um segundo com ele. Pegou o celular, abriu o arquivo baixado do sistema do Hospital Meridian e esticou a tela na frente dele.

Os dados e o diagnóstico da paciente apareciam nítidos na tela: Ruby Bailey, vinte e dois anos, com ruptura aguda do corpo lúteo.

Assim que leu, Vernon arregalou os olhos.

Chocado, ergueu a cabeça e encarou Khloe com fúria incrédula, nunca imaginando que as conexões dela alcançariam os registros de outro hospital.

"Você estava me espionando?", devolveu ele, franzindo a testa.

Ele não sentiu um pingo de culpa - apenas raiva por ela se intrometer nos assuntos dele.

Khloe guardou o celular e observou-o lutar para falar em meio à raiva, achando isso patético.

Não viu motivo para dizer que tinha sido ela mesma a cirurgiã principal na operação de Ruby.

Vernon interpretou o silêncio dela como confirmação da suspeita. Em segundos, a raiva tomou conta, cegando-o.

O rosto dele se torceu num sorriso sarcástico. "Muito bem, Khloe. Não achei que você fosse capaz disso. Mas e daí? Você queimou todas as pontes com sua família para ficar comigo. Agora você não tem ninguém, nem pra onde ir. Se sair por essa porta, pra onde acha que vai?"

Khloe o encarou sem qualquer emoção. O amor que dedicara a ele por três anos agora lhe parecia inútil e ridículo.

No entanto, um alívio imenso a inundou.

Graças a Deus tinha descoberto a verdade antes de se prender ainda mais àquela situação ridícula.

Então, ela deu um tapa forte no rosto de Vernon.

"Vernon Harrison, tudo em você me dá nojo."

Sem mais explicações, passou por ele puxando a mala e seguiu para a porta.

Com a mão na bochecha ardendo, Vernon gritou atrás dela: "Saia por aquela porta e não volte rastejando para mim!"

Khloe nem se virou, apenas seguiu andando até a escuridão engoli-la.

Sob um poste de luz, parou, pegou o celular e bloqueou o número dele e todas as redes sociais.

Respirou fundo e ligou para um número que evitava havia três anos.

A ligação tocou uma vez - e uma voz familiar veio do outro lado.

Os olhos dela arderam.

"Eu tava errada. Posso voltar pra casa?", perguntou, a voz embargada.

Capítulo 3 Casamento

Na manhã seguinte, às dez horas, o aeroporto fervilhava de passageiros.

Puxando a mala atrás de si, Khloe saiu do terminal de desembarque.

Mal ligou o celular, uma mensagem do irmão mais velho, Ashton, chegou: "Emergência no escritório. Não vou poder te buscar - mandei alguém no meu lugar."

Khloe respondeu só "tudo bem" e levou a mala pra área de espera.

Perto dali, um homem alto, de passos longos e confiantes, seguia para a saída do desembarque.

Era Caiden Barton.

Seu semblante era sombrio, e sua aura gélida afastava qualquer um.

Se seu pai não tivesse ameaçado com tanta veemência, ele jamais teria perdido a manhã buscando uma estranha para levar direto ao cartório e registrar o casamento.

Com os lábios cerrados, sua impaciência estampava o rosto.

Pegou o celular e abriu a foto que o pai lhe enviara.

Evidentemente, a foto fora tirada de longe - uma mulher baixinha banhada de sol, os olhos se fechando num sorriso que a fazia parecer inocente e gentil.

Ele guardou o celular no bolso e deixou o olhar percorrer a multidão.

Não demorou a avistar uma mulher esbelta de casaco preto, cujo cabelo estava preso num coque despojado.

Mesmo sem maquiagem, sua beleza era inegável.

Caiden observou-a por um instante e se aproximou.

"É de Esterland?", perguntou, com a voz calma e distante, ao parar diante dela.

Khloe ergueu os olhos, surpresa com a pergunta inesperada.

Supondo que Ashton o enviara, ela assentiu em silêncio.

Obtida a confirmação, Caiden não perguntou mais nada.

"Siga-me", ordenou, antes de se virar e sair.

Khloe pegou a mala num instante e foi atrás dele.

Dentro do carro, Caiden se recostou e fechou os olhos, sem a menor vontade de conversar.

Khloe também se calou, o olhar perdido na paisagem do lado de fora.

Acabara de deixar para trás um erro de três anos. Exausta, só queria voltar para a casa que não visitava há anos.

Do banco do motorista, o motorista os espiava pelo retrovisor.

Esses dois não pareciam um casal prestes a se casar...

Khloe piscou devagar e voltou a olhar a paisagem. Mal reconheceu o prédio à frente, seu corpo se tensou.

Era o cartório de Sokmont.

Sem entender nada, virou-se para Caiden. "Por que me trouxe aqui?"

Caiden já tinha saído do carro, e com uma leve carranca, a encarou. "Sua família não te explicou nada? Diante da situação deles, casar comigo é sua melhor opção."

Ao ouvi-lo, a mente de Khloe ficou em branco.

Do que ele estava falando?

A mensagem anterior de Ashton voltou à mente, e um pensamento horrível a atingiu.

A família estava com problemas?

As coisas estariam tão ruins que Ashton precisou obrigá-la a se casar para salvá-los?

Com os dedos trêmulos, Khloe ligou para Ashton, mas a chamada caiu direto na caixa postal.

Discou de novo, e de novo, mas toda tentativa terminava do mesmo jeito.

Sem conseguir falar com ele, o peito dela se apertou.

Três anos antes, ela abandonara a família sem olhar para trás, cortando todos os laços por causa de Vernon. Se sua família estivesse mesmo em apuros agora, como poderia virar as costas para eles outra vez?

Casamento não passava de um pedaço de papel, e quem era o noivo não importava. Se isso pudesse salvar a família, ela aceitaria - custasse o que custasse.

Khloe guardou o celular, respirou fundo e saiu do carro. "Vamos logo."

Caiden lançou-lhe um olhar. A resposta lhe soara estranha, mas não estava interessado em perguntar.

Um após o outro, entraram no cartório.

Todo o processo foi concluído em menos de uma hora.

Ao saírem do prédio, Caiden tirou uma chave do bolso e a entregou a Khloe. "Unidade 8, Vilas Crystal. Pode se mudar quando quiser. Preciso resolver algumas coisas - até depois."

Dito isso, entrou no carro e foi embora.

Khloe viu o carro sumir ao longe, seus lábios entreabertos de descrença. Será que era esse todo o entusiasmo que ele tinha pelo casamento?

Por outro lado, talvez fosse exatamente assim que devia ser. O casamento deles era só um acordo - não havia por que agir como um casal apaixonado.

Deixando o pensamento de lado, ela guardou a chave na bolsa, foi até a beira da estrada e chamou um táxi.

Uns trinta minutos depois, o transporte parou diante dos familiares portões de ferro forjado.

Depois de pagar o motorista, Khloe saiu do carro.

Seus olhos arderam ao contemplar a casa.

Três anos atrás, ela saíra daqui prometendo nunca mais voltar, convencida de que o amor era tudo de que precisava e de que Vernon era o homem da sua vida.

Agora, tudo aquilo parecia tão absurdo...

Os portões da frente se abriram devagar.

Um homem idoso, de cabelos grisalhos, veio apressado até ela, acompanhado de dois funcionários da casa.

"Khloe! Você finalmente voltou para casa!" Edwin Hayes, o mordomo de longa data da família, parou diante dela com os olhos marejados. "Você emagreceu tanto..."

Ao ver o homem que cuidara dela desde pequena, o coração de Khloe se aqueceu. Tomou o braço dele com carinho, sorriu e disse: "Voltei."

"Claro, é isso que importa." Edwin enxugou a umidade do canto do olho, com a voz embargada. "Entre."

Com um sorriso gentil, Khloe assentiu e entrou na casa ao lado dele.

"Onde estão meus irmãos?", perguntou ela num tom casual.

Edwin respondeu: "Ashton está ocupado com os assuntos da empresa, mas avisou a todos ontem à noite para prepararem sua chegada - a casa inteira está em polvorosa desde cedo. Quanto a Bryson, ainda está no exterior, então provavelmente ainda não sabe do seu retorno."

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