Autora Diene Médicci
Era sábado, e Angélica ansiava pela noite, um desejo constante para aquela baladeira de carteirinha. Para ela, qualquer festa servia, de eventos badalados a modestos batizados. Naquela noite, sua chegada à festa já prenunciava percalços. A entrada era gratuita para mulheres até as 22h, mas ela chegou dez minutos após o limite, enfrentando uma fila. O segurança hesitou em liberá-la sem o pagamento, e Angélica contava apenas com uma quantia limitada para consumir e o crédito do cartão, que não era aceito para a entrada. Sozinha, tentou inutilmente contatar as amigas que já estavam lá dentro. Encostada, observava o fluxo de pessoas, sentindo o peso de um início de noite desfavorável, enquanto persistia nas ligações.
Sua produção era impecável: batom vermelho intenso, saia preta justa e curta, um cropped branco adornado com pérolas ao estilo de sua cantora favorita, e um salto alto preto envernizado. Angélica chegou com a postura de uma madame, mas a espera solitária na entrada a consumia em vergonha. Os olhares alheios pareciam questionar sua capacidade financeira ou idade para estar ali. Um rapaz alto, coberto de tatuagens e com um boné de marca, fitou-a ao chegar sua vez de entrar. Angélica notou-o pelos detalhes em seu visual todo preto, pelas correntes, pulseira e o relógio elegante. Imediatamente desviou o olhar, concentrando-se no celular. O rapaz iniciou uma conversa animada com o segurança e, ao olhar novamente para a portaria, Angélica percebeu que ele a observava fixamente. Ele a cumprimentou com um sorriso aberto e encantador. Sem graça, ela retribuiu o cumprimento e voltou a fitar a tela do celular. Em poucos passos, ele se aproximou, parando ao seu lado.
- E aí, tudo bom? Qual seu nome, moça? - perguntou ele.
Angélica respondeu, olhando para as pessoas na fila, evitando seu olhar.
- Tudo. Angélica!
Ele sorriu. - Prazer, Angélica. Sou o Guto e vou te colocar lá dentro, pode ser?
Ela o encarou, séria. - Como assim?
Com simpatia, ele explicou: - Bora lá, o segurança é meu amigo. Ou não quer entrar?
Angélica, esperta, assentiu. Caminhou ao lado dele até a entrada, onde Guto pegou duas pulseiras para a área VIP com open bar, sem efetuar pagamento, assim como fez com a sua. Ao colocar a pulseira no pulso dela, Angélica agradeceu. Gentilmente, ele segurou sua mão para ajudá-la a subir alguns degraus. Caminharam lado a lado por um instante, enquanto Angélica procurava suas amigas com o olhar.
- Você está sozinha? Ou com alguém? - ele perguntou.
Ela explicou que estava procurando as amigas. Ele se ofereceu para esperar que ela as encontrasse, mas Angélica dispensou a oferta, agradecendo novamente por tê-la ajudado a entrar. Guto sorriu, beijou seu rosto e disse: - Que isso, aproveita a noite. A gente se vê por aí então?
- Guto, né? Valeu, te devo uma! - respondeu Angélica.
Ele se afastou, e logo Angélica encontrou suas amigas. Procurou por Guto, mas não o viu por um bom tempo. Contou o ocorrido, e as amigas brincaram que ele não devia ser tão bonito assim, senão ela teria ficado para agradecer a gentileza. Angélica insistiu que ele era bonito, estiloso e muito simpático, bom demais para ser verdade, e que só não ficou porque ele desapareceu. As amigas ficaram curiosas para vê-lo. Enquanto dançavam e se divertiam, Angélica o avistou no camarote VIP, encostado na sacada, observando-a. Olhou discretamente duas vezes e percebeu que ele a encarava seriamente, com um olhar quase predatório. Angélica começou a dançar de forma mais expressiva, como se fosse para ele, e ao verificar, ele ainda a observava, até esboçando um sorriso enigmático.
Ao ir buscar uma bebida, Angélica se distraiu. Quando voltou a olhar para o camarote, Guto não estava mais lá. Perdeu-o de vista por uns vinte minutos ou mais, até sentir uma mão leve em seu braço. Virou-se e viu Guto, sorrindo.
- Oi - disse ela.
Ele se aproximou e falou: - Vamos sair daqui? Está muito barulho!
Angélica respondeu, feliz, tentando disfarçar a empolgação: - Tá, só deixa eu avisar as meninas. Me dá um minuto!
Ela comunicou às amigas que ia dar uma volta. Guto pegou sua mão e a guiou pela frente. Ao perceber que se dirigiam à saída, Angélica perguntou, curiosa: - Onde a gente vai?
Ele respondeu com naturalidade: - Vou te levar pra casa, vamos? A minha casa!
Angélica recuou, soltando a mão dele. - Não, espera, eu não... - Balançou a cabeça em negativa.
Ele perguntou, em tom de deboche: - Não quer ir comigo? Qual foi? Tá com medo?
Angélica sorriu, jogando os cabelos com charme, e disse que não podia deixar a amiga, inventando uma desculpa por sentir um certo receio daquele estranho. Guto se aproximou de sua boca e beijou o canto dos lábios dela. Colocou a mão na nuca de Angélica, puxou-a delicadamente, aproximando-a pela cintura.
- Posso? Estou louco para beijar sua boca, morena! - sussurrou no ouvido dela.
Angélica sorriu sutilmente, mordendo os lábios. - Pode!
Ela inalou o perfume dele, sentiu sua pele e colocou as mãos no rosto dele com suavidade. Ele se aproximou e a beijou. O beijo começou lento e foi ganhando intensidade. Desde o início, houve uma química inegável, e logo estavam trocando beijos apaixonados, de tirar o fôlego. A pegada de Guto a desestabilizou rapidamente. Era um conjunto de sensações: a mão no cabelo, na cintura... Ficaram se agarrando perto da saída por um tempo, sem trocar muitas palavras. Ele a convidou para voltar à festa, queria que ela ficasse onde ele estava e prometeu levá-la e à amiga para casa depois. Angélica avisou a amiga por mensagem e, de mãos dadas, seguiram para o camarote VIP. Ao subir, Angélica se sentiu um pouco deslocada em meio àquelas pessoas elegantes e sofisticadas. Não interagiu com ninguém, e Guto permaneceu ao seu lado, abraçado a ela, beijando-a constantemente. Havia mais homens do que mulheres ali, e as poucas presentes não demonstraram interesse em conversar com Angélica. Um amigo de Guto o chamou para um canto, onde conversaram brevemente, olhando para o celular. Depois disso, Guto ficou mais distante, com o olhar vago, pensativo, e parou de beijá-la e abraçá-la. Angélica sugeriu que voltasse para perto das amigas. Ele disse que já podiam ir embora, deu-lhe um selinho e perguntou: - Vamos?!
Angélica foi falar com a amiga, que também já queria ir embora. Encontraram-na na saída, e Guto não segurou mais sua mão depois que deixaram a multidão. Caminharam até o estacionamento, onde o carro dele, um Golf impecável, com rodas estilosas, rebaixado e com vidros escuros, chamou a atenção de Angélica. Ao entrarem no carro, ele se aproximou para colocar o cinto nela e disse, quase beijando-a: - Tem que andar na linha no meu carona, moça!
Angélica riu, lambendo os lábios em provocação. - Ou não? O que você faz com quem não se comporta no seu carro?
Ele se afastou, sorriu e respondeu: - Deixo a pé. Ué?!
Ela gargalhou. Ele acariciou sua mão brevemente. Levaram a amiga de Angélica primeiro. Durante o trajeto, ouviram músicas de artistas como Hungria e Tribo da Periferia, e Guto permaneceu um tanto quieto. Ao deixarem a amiga em casa, ela perguntou se Angélica iria dormir ali. Guto olhou para Angélica e disse, sério: - Se você quiser, te trago depois ou de manhã, você que sabe, sei lá.
Naquele momento, a mente de Angélica gritava "NÃO", mas seu corpo ansiava por dizer "SIM". Ela disse à amiga que ficaria com ele um pouco e depois iria para sua casa. Guto perguntou onde ela morava, e ela mencionou o bairro. Conversaram mais para se conhecerem. Ele disse onde morava, que dividia a casa com um primo que raramente estava lá. Angélica contou que estudava e morava com o pai e a madrasta. Ele mencionou que tinha um estúdio de tatuagem e piercing. Chegaram à casa dele, um imóvel bonito com portão eletrônico fechado e muros altos. Ele guardou o carro na garagem, e ao entrarem, Angélica notou que a casa era arrumada para ser habitada apenas por homens. Assim que entraram na sala, ele fechou a porta e começou a beijá-la, encostando-a na parede. Tirou o boné, e Angélica jogou a bolsa no sofá. Ele a puxou, sentou-se e a colocou no colo. Sem dizer nada, tudo aconteceu naturalmente. Angélica nem estava bêbada e não tinha o costume de ter relações íntimas no primeiro encontro. Estavam apenas se beijando, com ele passando as mãos em suas costas e braços. Pararam o beijo e se olharam. Angélica sorriu e perguntou: - Quantas tatuagens você tem?
Ele disse que já tinha perdido a conta, mas que cerca de 80% do corpo estava tatuado, ou melhor, "rabiscado", como dizia o avô dele. Angélica, tirando a camiseta dele, falou: - Então, deixa eu contar.
Ele estava um pouco sério, sorriu e disse que ela demoraria muito. Angélica respondeu, beijando o pescoço dele: - Tudo bem, tenho a noite toda para você!
Ela continuou beijando, descendo pelo peito e barriga dele. Abriu a calça dele e o ajudou a tirar a calça e os tênis. Ele a deitou no sofá, tirou seus sapatos e começou a beijar suas pernas, subindo. Voltou a beijá-la, ficando por cima dela. Ansiosa, Angélica se moveu para sair de baixo dele, sentou-se de costas e pediu para ele abrir seu cropped. Ele abriu o zíper e beijou suas costas, deixando-a apenas de calcinha. Ele a colocou de quatro no sofá. Não era exatamente o que ela esperava, mas ela aceitou e se curvou. Sem pressa, ele começou a tocá-la intimamente, massageando seu clitóris, brincando com seu corpo e a provocando. A cada toque, Angélica suspirava ansiosamente, esperando ser tomada por ele. Ela estava extremamente excitada, quase latejando. Ele colocou a camisinha, se aproximou e a penetrou lentamente. Angélica o sentiu deslizando cada vez mais fundo e gemeu baixinho, tentando se conter. Ele deslizava as mãos por todo o corpo dela, apertou seus seios e começou a masturbá-la enquanto a penetrava lentamente. Angélica já estava enlouquecida por aquele homem. Na agitação, quase chegando ao orgasmo, buscou a mão dele, que estava em seu quadril, e a apertou. Ele riu, parando o movimento.
- O que foi? - perguntou ele.
- Não para, me aperta! - Angélica falou ofegante, ainda segurando a mão dele perto de sua cintura.
Guto se afastou, sentando-se. - Vem aqui.
Angélica foi até ele e sentou em seu colo, começando a rebolar enquanto o beijava intensamente. Ele puxou seus cabelos, encarando-a nos olhos. - Eu te disse para aproveitar a noite, mas acho que você levou isso muito a sério! Vai com calma aí, morena!
Angélica sorriu, gemendo de prazer, e não parou. Ele deu alguns puxões em seus cabelos, e ela entendeu que era para ir mais devagar quando ele fizesse isso. O cansaço começou a chegar, e ela diminuiu os movimentos, permanecendo apenas nos beijos, fundidos um ao outro. Finalmente, atingiram o êxtase juntos. Exausta, Angélica o abraçou e deitou em seu ombro. Ele a segurou forte, e ficaram em silêncio, sentindo a energia percorrer seus corpos cansados e satisfeitos. Guto a beijou e falou, tirando-a de cima dele: - Não vai dormir aí, né?!
Angélica sorriu e disse que ainda não. Ele foi ao banheiro e voltou com uma toalha. - Posso jogar uma água no corpo? - ela perguntou, enrolando-se na toalha.
Ele respondeu, mexendo no celular: - Claro, vai lá.
Angélica foi e fechou a porta, aproveitando para dar uma olhada nas gavetas do gabinete no banheiro. Tomou banho e, ao sair, encontrou Guto encostado na porta do quarto. Aproximou-se e lhe deu um beijinho. Ele acariciou seus cabelos, deu-lhe um beijão e a levou para a cama. Angélica deitou-se nua, e ele ficou por cima. Logo voltaram a fazer amor, dessa vez demorando ainda mais. Nem trocaram de posição, estava muito bom, e ele foi bem intenso com ela, com uma pegada bruta que Angélica apreciou muito. Tomaram banho juntos, e ele a convidou para dormir ali. Como era muito tarde, ela acabou ficando. Ele lhe deu uma camiseta para vestir, juntou suas coisas e as colocou no quarto, tudo arrumadinho. Angélica deitou-se primeiro, e ele se juntou a ela, abraçando-a. Beijaram-se por um tempo antes de adormecerem.
Dormiram até tarde. Ao acordar, Angélica percebeu que Guto não estava no quarto. Sentiu-se um pouco deslocada por ter que sair andando pela casa sem nem ter o número dele para mandar uma mensagem. Vestiu-se e ficou esperando por ele sentada na cama. Ele voltou para o quarto, deu-lhe bom dia, pegou uma camiseta e disse: - Vamos, vou te levar!
Angélica o sentiu um pouco seco, diferente da noite anterior, mas não era o primeiro homem que agia assim na manhã seguinte, um comportamento até típico. Ele ofereceu café da manhã, mas como pareceu uma formalidade, ela recusou. Saíram, e no caminho ele perguntou se ela trabalhava, estudava e sua idade. Angélica respondeu séria: - Eu só estudo, faço direito e tenho 19!
Ele respondeu: - Maneiro, entendi.
Ficaram em silêncio. Ao se aproximarem de sua casa, Angélica pediu para ele deixá-la no bairro, mas não em frente de casa. Mostrou onde queria ficar. Não trocaram contatos, ele não pediu, e ela também não. Despediram-se com um beijo no rosto. Ele a observou descer, acenou e buzinou. Angélica ficou pensando no quanto ele era estranho e atraente, uma combinação incômoda. Foi para casa, tomou banho e deitou-se. Tentou procurar as redes sociais dele, mas não encontrou, ficando super curiosa e até imaginando se ele tinha namorada.
Angélica mentiu lindamente para o pai e a madrasta sobre onde havia dormido. Mais de duas semanas se passaram, e ela até tinha deixado essa história de lado, sem ficar pensando nele.
Uma noite, enquanto corria na avenida com a amiga Fernanda, Angélica avistou Guto em uma rodinha bem no caminho. Chamou a amiga para trocar de calçada, mas Fernanda se recusou por pirraça, dizendo que não havia motivo para desviar, pois ele nem se lembraria dela. Angélica não olhou para o grupo, mas assim que passaram, ele a chamou: - Angélica!
Ela parou e olhou para trás, surpresa. Ele foi em direção a ela, enquanto Fernanda começava a rir muito, deixando Angélica sem jeito. Guto falou simpático: - E aí, morena, você sumiu, hein... Tudo bom?
Angélica respondeu sem muita ousadia: - É, considerando que não tenho seu contato e nem você o meu. Tudo ótimo e você?
Ele sorriu e respondeu: - Tudo em cima. Me passa seu número aí, curti muito você!
Angélica disse que estava com um número novo e não sabia de cabeça ainda. Sua amiga se intrometeu: - Eu passo para você, anota aí, eu tenho aqui.
Angélica olhou para ela, fazendo sinal para que não fizesse isso, mas Fernanda passou o número mesmo assim. - A gente já vai indo. Tchau! - disse Angélica, se afastando.
Ele disse que ia mandar mensagem. As duas voltaram a correr, e Fernanda riu dela o resto do caminho, dizendo que seria a madrinha do casamento. No mesmo dia, ele ligou para Angélica, convidando-a para sair. Ela ainda estava na rua com Fernanda e disse que estava em semana de provas e muito ocupada. Ele percebeu que ela não estava interessada e não insistiu, e eles não conversaram mais. Dias depois, ele mandou mensagem dizendo que ia ter uma festa e que podia conseguir convites de graça para ela. Angélica disse que ia ver com as meninas se elas queriam ir. Ela até queria, mas ninguém topou ir com ela. Um dia antes da festa, ela disse a Guto que agradecia, mas não ia conseguir ir porque suas amigas não estavam a fim. Ele disse que ela podia ir com ele, que ele a buscaria. Angélica demorou para responder, pensando, mas acabou aceitando. Ficou ansiosa sem saber o que vestir. Escolheu um vestido curto azul royal de um ombro só e salto alto nude. Seu cabelo longo e preto, na altura dos glúteos, estava com cachos nas pontas, e a maquiagem era forte e brilhante. Colocou uma lingerie preta combinando e saiu com segundas intenções. Marcou com ele na esquina de casa. Ele a buscou no horário combinado, estava sozinho e cheiroso. Ao entrar no carro, Angélica tentou beijar seu rosto, mas ele virou a boca, e eles se beijaram. Ele começou a conversar animado sobre a festa. Chegaram ao local, um baile funk com vários DJs e muita gente. Angélica desceu do carro, ajeitando o vestido e o cabelo. Ele pegou sua mão, o que ela achou estranho pela mudança de comportamento, mas como havia muita gente, era melhor assim para não se perderem. Assim que entraram, ele foi para perto dos amigos e a apresentou a todos educadamente. Em um momento, Angélica sentiu que estava sendo exibida como um troféu aos amigos dele, e ele nem estava lhe dando atenção. Ela não estava se sentindo à vontade cercada de estranhos e logo disse que queria ir embora, mas que ele não precisava se preocupar com ela. Ele perguntou o motivo, o que estava acontecendo.
- Não é nada demais, só sei lá, não conheço ninguém, fico meio excluída, mas aproveita sua festa aí, eu tô numa boa... Sério! - respondeu Angélica.
- Não, eu te levo, de boa. Você não quer esperar o show? - ele respondeu sério.
Angélica ficou sem graça, queria ir embora, mas não queria ser chata. Pegou no rosto dele e deu-lhe o primeiro beijo da noite. Ele a segurou pela cintura, e eles trocaram alguns beijos. Depois, ele se aproximou mais, e eles ficaram se curtindo, bebendo, com Angélica dançando na frente dele, atiçando-o. Quando o show acabou, ele perguntou se ela queria ir embora.
- Mas a gente vai ficar ou você vai me levar para casa? - ela perguntou.
Ele respondeu rindo: - Se depender de mim, fico a noite toda com você, mas é você que manda, morena!
Angélica, abraçada a ele, virou um copão de bebida e respondeu: - Quero ficar mais com você, só que em outro lugar, pode ser?
Ele respondeu rindo com malícia: - É você que manda!
Logo se despediram do pessoal. Angélica pegou mais um copão, e saíram de mãos dadas da festa. Ele a levou para a casa dele. Assim que entrou, Angélica tirou os sapatos na sala. Ele a levou para o quarto no colo, colocou-a deitada e disse que ela estava dando muito trabalho. Angélica sentou-se e respondeu, tirando o vestido: - E você não quer trabalhar?
Ele estava tirando a roupa em pé, olhando para ela. Sorriu e disse: - Eu que vou te dar trabalho agora, que estou doido para te pegar a noite toda.
Angélica engatinhou até a beirada da cama e falou, esticando a mão: - Vem aqui.
Ele se aproximou só de cueca, segurou sua mão e a beijou. Angélica, de forma provocativa, alisou o elástico da cueca dele e perguntou: - Posso? Te chupar?
Ele disse que sim, se ela quisesse. Angélica o tocou por cima da cueca e perguntou: - E você quer?
Ele respondeu com malícia: - Por favor.
Angélica abaixou a cueca e o beijou, começou a masturbá-lo com a boca. Não era algo que ela fazia sempre, mas por ele, fez. Dessa vez foi melhor do que a primeira. Ele colocou música e foi super atencioso com ela, como se estivesse querendo ganhar pontos. Ele a beijou bastante, e começaram a fazer amor, beijando-se. Ele ficou por cima e realmente a "deu trabalho". Ficaram a noite toda se amando e foram dormir quase de manhã. Angélica adormeceu antes dele.
No dia seguinte, ele a acordou com um beijo. Ficaram deitados preguiçosamente por um tempo, depois ele a levou para comer em uma padaria, sendo muito gentil e simpático. Ele a levou para casa e, mais tarde, a convidou para ir à casa dele novamente. Angélica não deixou que ele a buscasse em casa, mas foi. Assim que chegou, eles se beijaram. Ela conheceu o primo dele, que morava lá e estava de saída. Os dois conversaram em segredo, em voz baixa, e Angélica, sem conseguir ouvir, ficou super curiosa.
Foram para o quarto, e Angélica, que já havia comentado sobre seu sono devido à noite anterior e o cansaço do corpo por não ter dormido direito, deitou-se. Guto a acariciou até que ela adormeceu. Com ele, tudo era natural, espontâneo, e Angélica não precisava se preocupar em como agir, pois ele era muito tranquilo, do tipo "foda-se o mundo". Dormiram quase a tarde toda. Ele a acordou passando a mão por baixo de sua roupa, começou a beijar seu pescoço e foi tirando seu short e sua blusa. Começaram a se beijar, e Angélica adorava o modo como ele a tocava. Suas mãos deslizavam por todo o corpo dela, não apenas nas áreas de maior interesse, diferente dos outros com quem ela já estivera. Guto parecia estar realmente presente, curtindo o momento e a tendo por inteiro, como se fossem íntimos e houvesse um afeto entre eles, o que era impossível, pelo menos por enquanto.
Angélica estava deitada de lingerie, relaxada. Ele foi beijando-a, descendo, e começou a beijar sua virilha. Angélica riu e tirou a calcinha. - É claro que você pode!
Ele riu também, ajudando-a a tirar. - Posso mesmo? Então pede!
Angélica o acariciou. - Por favor!
Ele não disse mais nada, olhou para ela com aquela expressão de quem ia aprontar e começou a beijá-la lentamente. Angélica confessa que no começo se sentiu um pouco incomodada, mas logo entendeu. Obviamente, eles não tinham pressa, e o orgasmo dela foi muito intenso, embora tenha demorado mais para chegar. Angélica mal respirou. Ele subiu em cima dela, deu-lhe um beijo apaixonado e disse que ela era uma delícia. Angélica sorriu e eles se beijaram. Sem nem perguntar, ele já pegou a camisinha, o que pareceu muito responsável e agradou Angélica. Começaram a fazer amor, e ele não beijava apenas a boca dela, mas também o rosto, chupando e beijando onde alcançava, como um cachorrinho. Às vezes fazia cócegas, e Angélica ria, se contorcendo toda. Ele disse com deboche: - Tá achando graça? Olha que eu vou parar, hein!
Angélica o abraçou, acariciando seu rosto, contornando as tatuagens sutilmente com a ponta dos dedos. - Não pare, por favor, eu ainda estou cheia de vontades de você.
Ele sorriu carinhosamente, afastando-se para trocar de posição. - É, eu nem imagino, porque foi bem difícil te encontrar. Vem aqui sentar para mim, me mostra o quanto você está com vontade. Por favor!
Angélica fez o que ele pediu e falou, sem se mexer, beijando o pescoço dele: - Você está me deixando muito excitada, sabia?!
Ele puxou seus cabelos de leve e disse, abraçando-a: - Que bom, então meu plano está dando certo?
Angélica começou a rebolar lentamente e disse que sim, muito certo. Ficaram muito tempo na mesma posição até terminarem. A química era tão forte que Angélica só conseguia pensar em quando aconteceria de novo. Ela sempre fora um pouco insegura, mas com ele estava se sentindo confiante e acreditava que ele estava adorando. Foi diferente para ela ficar com ele sem ter bebido nada, e o que mais o diferenciava dos outros para Angélica era que ele curtia o momento, se entregava na cama, não fazia por fazer, não ficava trocando de posição toda hora, não tinha pressa para acabar. Foi muito diferente para ela estar com alguém como ele, as músicas eram diferentes, o estilo, o vocabulário. Na verdade, ele era um pouco diferente do seu tipo de homem ideal. Dessa vez, Angélica não ficou para dormir, já era noite. Tomou banho e se vestiu, enquanto ele mexia muito no celular. Ele tomou banho, trocou de roupa e a levou para casa.
Ao se aproximarem do bairro de Angélica, Guto disse que eles não poderiam mais se ver. Sem entender, ela perguntou o porquê.
- Não está dando muito certo, Angélica. Se eu fico com você, só fico pensando quando vai ser a próxima vez! - ele falou sério.
Surpresa, Angélica respondeu: - O quê? Como assim, Guto? O problema é você estar gostando demais? Porque eu também estou!
Ele riu e respondeu, segurando a mão dela: - Meninas como você não ficam com caras como eu. Não dou um mês para você me dispensar.
Ele parou no semáforo, olhou para ela, e Angélica lhe deu um beijinho. - Se você for legal comigo, pode passar um mês ou um ano, não vou te dispensar por você ser diferente de mim. Para de bobeira. E você nem me conhece direito ainda, julgando o livro pela capa? Que feio, malandro!
Ele respondeu: - Ah, para de caô. Você não sabe do que está falando!
Angélica riu. - Você me mostra? Eu vou pagar para ver!
Ele deu risada e disse: - Você que manda, morena!
Angélica pediu para ele a chamar de Angel. Ele a deixou na esquina, e eles se despediram com um beijo e um abraço. Guto ficou olhando de longe até ela entrar em casa. Antes de dormir, Angélica recebeu uma mensagem dele:
"Boa noite, dorminhoca"
"Me fez dormir tanto de dia, que vai me fazer ter insônia à noite"
Angélica respondeu que já estava quase dormindo de novo e deu boa noite. Depois desse dia, eles começaram a conversar bastante por mensagem. No fim de semana, Angélica tomou a iniciativa de convidá-lo para sair, mandando mensagem na sexta-feira:
"A gente vai para onde hoje?"
Ele respondeu que não daria para se verem porque ele tinha trabalho até tarde. Angélica disse que tudo bem, mas não acreditou muito. No sábado de manhã, ele não respondeu sua mensagem de bom dia. Ela sentiu que estava sendo boba correndo atrás e não mandou mais nada. Suas amigas a convidaram para sair, e Angélica ficou indecisa se ia e se falava com ele, pois queria ficar com ele de novo, mas não queria sair à toa sem nem saber se ele queria algo sério com ela. Esperou a tarde toda, mas ele não respondeu seu bom dia. Resolveu sair, e à noite, quando estava com as amigas, ele ligou, perguntando o que ela estava fazendo e onde estava. Angélica disse a verdade e perguntou o que ele tinha feito o dia todo. Ele disse que estava trabalhando e que ficou sem bateria. Perguntou se dava para eles se verem. Angélica não queria, pois nunca gostou de ser segunda opção e tinha certeza de que era desculpa dele. Disse que não dava porque estava com as amigas.
- Você está brava comigo? - ele perguntou.
- Por que eu deveria estar? Você não me fez nada! - respondeu Angélica.
Ele respondeu irônico: - Sei lá, eu não fui te ver ontem e não te respondi hoje.
Angélica falou tranquilamente: - Mas a gente não tem nada, né, Guto? Você não me deve satisfação, relaxa, eu tô de boa.
Ele perguntou novamente se Angélica não queria encontrá-lo. Ela respondeu que não, já tinham se despedido e desligaram a ligação.
Angélica teve oportunidades de ficar com outros rapazes, mas não conseguiu. Até quase tentou, mas percebeu que não estava interessada. Chegou a se arrepender de ter saído, estava irritadiça e amarga.
No dia seguinte, domingo, Angélica acordou com uma mensagem de Guto. Logo cedo, ele disse que a levaria para sair. Ele não perguntou se ela queria, apenas deu bom dia e a intimou a sair com ele, pedindo para ela levar biquíni, toalha e filtro solar, para ir preparada. Angélica perguntou preparada para quê, e ele respondeu que era para ela levar umas coisas.
"Kkkkk"
"Caiu da cama?? Que disposição, hein!" ela respondeu.
Ele disse que já estava pronto, esperando por ela. O pai e a madrasta de Angélica tinham saído. Ela pediu para ele a buscar no portão de casa, dizendo que estava sozinha. Quando ele chegou, abaixou o som, Angélica entrou no carro, e eles se beijaram.
- Vou me desculpar com você. Gosta de surpresas? - ele perguntou.
- Se eu não gostar da surpresa, posso falar? - Angélica respondeu, curiosa.
Ele disse que sim e fez piada sobre o tamanho da bolsa dela, que era grande. Eles foram para longe, em outra cidade, e Angélica não tinha a menor ideia de onde ele a estava levando. Ele a levou a um clube enorme com parque aquático, pousada e várias atrações. Assim que chegaram, Angélica adorou o lugar. Disse que amava aquele tipo de ambiente. Guto pagou tudo, e não era nada barato. Pegou um quarto, e eles foram guardar as coisas e se trocar. Ele ajudou Angélica a amarrar o biquíni, deu-lhe alguns beijinhos carinhosos e ficou a encarando com um olhar safado sentado na cama. Angélica riu.
- A gente vai descer, né? Agora?
- Vamos, né? Aproveitar que está sol, você está precisando de uma cor, um bronze - ele respondeu com graça.
Foram para o parque de mãos dadas, conversando. Guto estava falando sobre suas tatuagens, dizendo que Angélica passaria horas só passando protetor nele. Eles aproveitaram bastante o passeio, conversando muito sobre eles, se conhecendo de verdade. Ele disse que já tinha "amigado" duas vezes e que não queria nada sério com ninguém tão cedo, mas que se encontrasse alguém que valesse a pena, investiria todas as fichas. Angélica disse que nunca tinha tido um relacionamento muito sério, comentou que não tinha mãe e que seu pai pegava muito no seu pé. Ele fez várias perguntas sobre ela, falou da família dele, mãe e irmãs. Eles trocaram muito carinho o tempo todo. No fim do dia, quando foram para o quarto, Angélica disse que estava cansada de tanto ficar na água. Ele riu, debochando.
- Vai dormir?
Angélica riu, abraçando-o por trás. - Não, né? Dormir eu durmo em casa depois. Vou fazer outras coisas!
Ele perguntou que tipo de coisas. Angélica disse que ia mostrar, depois de tomar banho. Assim que entraram no quarto, ele disse que precisava de uma massagem. Angélica foi tomar banho primeiro, e ele foi em seguida. Ela ficou esperando usando uma camiseta dele e fez massagem no corpo todo de Guto com seu creme, deu vários beijinhos por todo o corpo dele, e ele cochilou deitado de bruços. Angélica deitou ao lado dele e ficou admirando-o dormir. Ele falou sonolento:
- Amanda, por que parou?
- É Angélica! Você está de brincadeira, né?! - Angélica falou indignada.
Ele deu risada e disse que estava brincando. Perguntou o que ela estava fazendo olhando-o daquele jeito. Angélica respondeu, deitando-se ao lado dele: - Contando suas tatuagens e imaginando com quais tipos de coisas você sonha.
Ele se aproximou, deitou-se abraçado a ela e disse que sonhava com várias coisas malucas e com ela. Angélica perguntou rindo: - Está me chamando de maluca?
Ele respondeu, acariciando-a por baixo da camiseta: - Olha, você é meio surtada, não sei se já notou. Estou cansadão, bora cuidar de mim um pouco?
Angélica guiou a mão dele até seus seios. - Cuidar mais ainda? Você até dormiu com a massagem. Malandro, hein!
Ele disse que não estava tão cansado assim. Começaram a se beijar. Angélica tirou a camiseta e ficou nua, puxando-o para ficar por cima dela. Fizeram amor mais uma vez, e foi bom e demorado. Ela arrumou suas coisas, e ele disse que não ia àquele lugar há muito tempo e que precisava voltar mais vezes. Angélica falou irônica: - Comigo, espero!
Ele disse que ia pensar no caso dela. Foi um dia muito bom. Angélica dormiu no caminho para casa. Ele a acordou quando estavam chegando no bairro e perguntou se podia deixá-la bem perto ou na rua de trás. Para evitar problemas, ela pediu para ficar três casas abaixo da sua. Despediu-se rápido e desceu do carro. Seu pai estava em casa, e ela mentiu como sempre. Ele não acreditou, mas estava de bom humor e apenas a ameaçou dizendo que ia começar a segui-la na rua e na casa de Fernanda. Angélica ficou sorrindo à toa e mal conseguiu dormir de tão radiante que estava. Guto não mandou mensagem, mas ela nem ligou muito, começou a achar que aquele era o jeito dele mesmo, mais tranquilo, sem muita melosidade.
Angélica ficou super animada com o passeio, cheia de expectativas em relação a Guto, imaginando quando seria o próximo encontro. Eles se falaram alguns dias durante a semana e se viram apenas uma vez. Angélica saiu à noite para correr na avenida com Fernanda e postou uma foto nos status, que Guto viu. Ele mandou mensagem perguntando se ela queria vê-lo. Angélica disse que não podia demorar. Ele foi até lá. Fernanda já tinha ido embora quando ele chegou. Ele estacionou o carro na rua de trás da pracinha, Angélica entrou e lhe deu um beijinho. Guto colocou o boné virado para trás e falou com deboche, olhando os retrovisores:
- Só isso, morena? Do jeito que você falou na mensagem, achei que ia me agarrar tal, chegar tirando a roupa, sentando para me mostrar o tanto de vontade, saudades.
Angélica respondeu com ironia: - Ué, só eu que tenho que ir atrás? Está com a agenda cheia aí e quer graça! Para de caô, cara.
Ele disse, abrindo o porta-luvas: - Alaaaaa, ó as ideias tortas. Isso é só porque eu não gosto, vê se você gosta aí.
Ele pegou uma sacolinha de chocolates da Cacau Show e deu na mão de Angélica. Curiosa, ela abriu para ver. Eram trufas de licor. Angélica falou impressionada: - É sério? Licor?
Ele disse como quem não entendeu: - É, sei lá, peguei qualquer um. E aí, tudo bem? Nem tive tempo de pegar no celular hoje!
Angélica, quase chorando, abriu uma trufa. - Aham... E você?
Ele estava olhando para ela. Angélica ofereceu, tentando não chorar, com um nó na garganta. Ele falou, reclinando mais o banco: - De boa. Se eu soubesse que você ia ficar triste, eu não tinha trazido. Vem aqui.
Angélica tirou os tênis e sentou no colo dele de lado, com os pés no banco do passageiro. - Não estou triste, só é difícil. Complicado! - respondeu, abrindo outra trufa.
Ele estava acariciando-a. - Posso imaginar - disse ele. Angélica colocou um pedaço na boca dele e deitou-se encolhida, encostando a cabeça no ombro dele.
- Obrigada por não gostar e por comprar por acaso. Você esqueceu a nota na sacola, comprou no caminho para cá - ela falou.
Ele sorriu, beijando a mão dela. - É, né?!
Não era um simples sabor ou uma trufa qualquer, aquilo lembrava sua mãe, e Angélica contou isso a ele, o quanto era importante para ela tudo o que a fazia sentir a presença da mãe. Falou também como seu pai não gostava de nada em casa que a lembrasse. O modo como ele a ouviu de verdade e a delicadeza de lhe dar justamente aquilo a emocionaram muito. Ficaram um pouco ali sem nem conversar. Angélica já tinha ganhado a semana toda só de vê-lo. Depois de quase uma hora, ele a levou embora. Ela agradeceu pela trufa, e ele disse que precisava de pontos extras com ela, porque no fim de semana teria uma viagem de trabalho. Angélica achou legal da parte dele dar uma "satisfação", mas não gostou porque não confiava nele, era como se soubesse que ele não estava dizendo a verdade. Despediu-se com um abraço muito apertado.
Ele ficou fora o fim de semana inteiro. Conversaram apenas uma vez. Angélica não saiu para lugar nenhum, ficou pensativa, insegura, criando paranoias, mas como estava apaixonada por ele, procurou não se apegar a elas.
Ele voltou e avisou que queria vê-la. Deu certo apenas dias depois, em um dia que o pai de Angélica ia trabalhar. Ela foi depois da aula. Guto a buscou perto da faculdade, e eles se beijaram assim que ela entrou no carro. Ele a levou para conhecer seu estúdio. Entrou abraçado a ela, beijando-a com carinho. Angélica se fez de difícil, imaginando o momento em que matariam a saudade. Ele se ofereceu para fazer uma tatuagem nela. Angélica começou a escolher, meio hesitante, mas aceitou a sugestão dele de fazer uma estrela no bumbum. Era uma loucura, pois fez escondido do pai, e se ele soubesse, a daria uma surra. Afinal, ele era um policial super careta, conservador e preconceituoso. A faculdade de Angélica foi mais uma escolha dele do que dela. Ela só queria a aprovação paterna, mas quando via qualquer sinal de correção ou desprezo, que ela julgava errado, logo aprontava para compensar o esforço perdido. E ele sempre a quis como um exemplo.
Angélica ficou de calcinha para fazer a tatuagem e falou para ele antes de começar: - Você sempre faz isso? Deixa mulheres de calcinha aqui?
Ele riu. - Eu não, aqui não. Mas se você quiser pode tirar, só que aí eu não me responsabilizo pelo meu lado profissional.
Assim que ele terminou, passou pomada e tirou foto. Angélica falou de forma provocativa, levantando-se: - Pode se sentar e tomar cuidado com as suas mãos bobas.
Ele estava arrumando as coisas e disse com um olhar malicioso: - Por quê? Quer que eu sente?
Angélica tirou toda a roupa. - Porque eu vou sentar em você e eu já estou muito excitada só de imaginar.
Ele se aproximou e a beijou, falando eufórico enquanto tirava a própria roupa: - Que isso, hein, morena? Assim você me quebra! Caralho, Angel.
Angélica o colocou na cadeira, encostou-a na mesa, sentou no colo dele e começaram a se beijar. Ele falou carinhosamente, olhando nos olhos dela enquanto acariciava seu cabelo e suas costas: - Você é maluca, né?! Com você não tem tempo ruim!
Angélica falou com vergonha: - Na verdade, tem, só que você ainda não precisa ver esse meu lado.
Ele perguntou curioso o que ela escondia de tão vergonhoso. Angélica disse que nada demais. Voltaram a se beijar. Ela ficou pensativa, imaginando o que ele pensaria dela se soubesse que era depressiva e tomava remédios, e sobre as crises de ansiedade e pânico então, nem cogitava contar aquilo tudo.
Acabou se distraindo com suas paranoias enquanto ele beijava seu pescoço e chupava seus seios. Ele percebeu que ela estava distante e parou. - Oww, que foi?
Angélica disse que não era nada e o beijou sutilmente. Ele a abraçou cada vez mais forte. Ela colocou a cabeça em seu ombro, e ficaram em silêncio, apenas ouvindo e sentindo a respiração um do outro, sem roupas. Angélica beijou o pescoço dele e sussurrou em seu ouvido: - Quero você dentro de mim! Por favor?!
Ele fez contato visual e fez o que ela pediu, voltou a abraçá-la e disse que ela não precisava fazer nada se não quisesse mais. Angélica estava até então sem se mexer, mas começou a rebolar lentamente, sentindo-o cada vez mais fundo. Olhando em seus olhos, ela falou: - Com você eu sempre quero!
A conexão íntima entre eles era algo que Angélica nunca havia experimentado antes. Não se tratava apenas de sexo ou tesão, era algo mais profundo. Ela sentia uma entrega total, sem controle ou pudor, desde o primeiro beijo. Qualquer toque dele, por menor que fosse, a fazia ser inteiramente dele, e ele percebia isso.
Depois de um longo tempo de beijos e carícias, Guto disse que tinha um compromisso e que precisavam terminar logo. Angélica respondeu que ele podia terminar, mas ela não conseguiria. A verdade era que ela havia tomado seus remédios controlados corretamente, e isso a deixava diferente. Ele pediu para ela se levantar, por favor, educado como sempre, pegou sua mão e a levou até a mesa, deitando-a de bruços. Disse que a faria gozar, e Angélica concordou. Ele já conhecia seus pontos fracos, e eles atingiram o clímax juntos. Guto a cobriu de beijos, explicou que não podia desmarcar o compromisso e que lhe daria mais atenção assim que possível. Angélica disse que tudo bem. Foi ao banheiro se trocar e ouviu Guto falando ao celular. Ela não conseguiu entender o que era, mas o achou nervoso e irritado. Ele disse que não poderia levá-la e deu dinheiro para ela pegar um carro por aplicativo. Ao se despedirem, ele a beijou na calçada e disse que ligaria. Mais tarde, naquela noite, ele mandou mensagem perguntando se ela estava bem. Angélica só viu a mensagem na manhã seguinte e respondeu que estava tudo bem.
Dias depois, ele a convidou para ir ao estúdio. Foi uma semana difícil para Angélica; seu pai estava brigando e a humilhando por causa das notas, sempre jogando na cara tudo o que lhe dava. Ela disse a Guto que estava de TPM e tinha provas. Ele disse que isso não tinha nada a ver e que ela podia ir mesmo assim. Convidou-a para sair à noite em outra cidade, onde estava tendo um festival de churros, que Angélica adorava. Ela acabou aceitando o convite. Seu pai tinha ido à missa naquela noite. Angélica esperou ele sair e se trocou às pressas, colocando uma saia preta curta, um cropped preto, maquiagem básica e salto alto. Guto a buscou na rua de trás. Assim que ela entrou no carro, ele lhe deu um selinho e falou animado:
- E aí, morena, tudo bom? Foi difícil te encontrar, hein? Achei que não ia mais querer sair comigo!
Angélica respondeu sem jeito: - Tudo indo, e aí? Você me ofereceu comida, eu tive que aceitar!
Ele respondeu rindo: - Eu sempre quero te comer, já te falei isso.
Angélica sorriu sem jeito. Ele estava dirigindo e segurou sua mão carinhosamente, dizendo que estava brincando, não muito, mas que sentiu sua falta. Angélica fez carinho na mão dele e disse: - Desculpa, eu estava com a cabeça cheia por causa da faculdade e umas coisas em casa. Também achei que você não ia querer mais!
Ele disse que só queria aproveitar a noite deles e perguntou se ela estava a fim de algo diferente. Angélica, curiosa e pensando em besteira, respondeu: - Acho que sim, me fala, o que é?
Ele fez suspense com graça e começou a cantar uma música que falava sobre sexta-feira. Foram conversando sobre as leis, e Angélica explicou várias "entrelinhas" para ele. Todo entretido, ele fez várias perguntas e disse que nunca quis estudar, que o negócio dele era viver da arte. Foram ao festival de churros. Assim que desceram do carro, ele se aproximou e a beijou intensamente. Angélica, abraçada a ele, disse que queria o churros.
- É, eu tô ligado que você quer. Bora lá, a noite só tá começando! Vai dormir comigo, né? - ele respondeu.
Angélica disse que não podia dormir fora. Foram caminhando de mãos dadas, e enquanto estavam na fila, ele falou sério:
- Eu fiz alguma coisa para você? É que aquele dia no estúdio, você ficou diferente e eu não sei. Passou pela minha cabeça que talvez eu não te tratei bem. Angel, pode falar, se eu te fiz alguma coisa para você ficar assim e não querer mais dormir comigo, ficar me evitando.
Super constrangida, Angélica disse que não tinha nada a ver. Sem acreditar, ele respondeu irônico: - Ahhh, beleza, então. Vai querer do quê?
Elas fizeram o pedido e ficaram quietos. Quando pegaram os churros, Angélica ofereceu o dela, mas Guto não quis. Angélica falou apreensiva: - Meu pai anda pegando no meu pé. Não é nada com você!
Ele respondeu irônico: - Aham.
Super chateada, Angélica respirou fundo, tentando não chorar, e começou a falar nervosa: - Guto, desde que minha mãe se foi, eu não sou mais a mesma e eu tenho fases, tá bom?! Não quero que você veja algumas delas e esses dias eu não estava bem, foi isso o que aconteceu.
Ele se aproximou, pareceu surpreso e disse que ela não precisava se explicar. Ofereceu água e foi comprar. Voltou falando das barracas, mudando de assunto. Angélica disse que não queria mais e que, na verdade, preferia sair dali. Foram para o carro, e ele falou meio sem jeito: - E aí, onde quer ir? Está a fim de ir para algum rolê? Balada?
Angélica disse que só queria ficar com ele e começou a mexer no som. Ele ficou falando de uns artistas e do trabalho dele, encostou o carro no meio do nada e falou, pegando um maço de cigarros no porta-luvas: - E aí? Vamos fumar um? Quantas leis está a fim de infringir hoje?
Angélica disse que algumas, saiu do carro e sentou no capô ao lado dele. - Por que não desligou os faróis? Não tem nada aqui, é melhor não chamar atenção - falou sem entender.
Enquanto fumavam, ele respondeu: - Está com medo? Eu que não vou ficar no escuro aqui, está maluca?!
Angélica disse que não tanto quanto ele e ficou ouvindo-o contar histórias sobre as aventuras de quando ia acampar no meio do nada. Ele a pegou encarando-o com admiração e perguntou o que ela estava pensando.
- Ahhh, em você - Angélica respondeu.
- Em mim?! Ata! Deve estar de saco cheio de me ouvir, né?! - ele disse sério.
Angélica deitou-se no capô e o puxou para cima dela. - A gente pode conversar depois, quero você.
Ele se encaixou entre as pernas dela, e eles começaram a se beijar intensamente. Só com isso, Angélica já ficava excitada sem nenhum esforço. Ele levantou seu cropped e começou a chupar seus seios. Angélica falou apreensiva: - Ei, não é melhor a gente sair daqui?
Ele riu. - E por que você acha que eu deixei o farol ligado? Para te ver melhor, enquanto a faço minha!
Angélica respondeu rindo, levantando a saia enquanto ele beijava suas coxas. - Eu fico louca com você. Senti sua falta!
Antes de começar a beijá-la ali, ele disse que ela poderia demonstrar o quanto sentiu sua falta. No meio do nada, à luz do luar e dos faróis do carro, ele a beijou intensamente, como se ela fosse uma fruta doce e madura, sedento por ela. Ele a fez gozar em sua boca e, antes que ela recuperasse o fôlego, a beijou com toda a sua vontade e a possuiu ali mesmo, no capô. Angélica nem tirou a roupa, e foi sua maior aventura. Beijaram-se o tempo todo, e ele pediu para ela olhar para ele, algo difícil de fazer quando seu orgasmo se aproximava. Atingiram o clímax juntos. Angélica disse que queria ir para a casa dele, mas para não dormir. Ele respondeu debochado: - Com a vontade que eu estou de ter você, não vou te deixar dormir nem meia hora, pode ter certeza disso.
Foram para a casa dele, rindo da situação. Angélica disse que precisava se limpar. Ele perguntou se podia tomar banho com ela. Angélica falou surpresa, com ironia e rindo: - Por favor?!
Chegando lá, Angélica entrou na frente, tirou os sapatos e jogou a bolsa na cama. Ele se aproximou e a beijou, tirando suas roupas e acariciando seu corpo todo. Quando Angélica ficou nua, ele falou, olhando em seus olhos enquanto tirava suas próprias roupas: - Você é muito gostosa e eu fico louco com você, Angel.
Angélica foi para o banheiro rindo, entrou primeiro, e Guto logo a seguiu, agarrando-a e pegando-a no colo. Eles sempre usavam camisinha, mas Angélica percebeu que ia acontecer sem proteção. Disse que queria retribuir o agrado. Ele a soltou, e Angélica começou a beijar sua boca, pescoço e desceu, chupando-o com muita vontade. Pediu para ele gozar em sua boca. Ele falou surpreso: - Tem certeza? De boa mesmo?
Angélica sorriu e voltou a chupá-lo enquanto o masturbava ao mesmo tempo. Ele ficou enlouquecido com ela. Ficaram meia hora no chuveiro apenas abraçados, sentindo a água quente. Ele desligou o chuveiro e perguntou se ela queria alguma coisa. Angélica respondeu, enrolando-se na toalha: - Além de você? Não!
Ele sorriu e disse: - Bem que eu queria ser o suficiente para você.
Angélica soltou a toalha e se aproximou. - Então seja!
Ela ficou mais um tempo com ele, e aconteceu mais uma vez do jeito que eles mais gostavam, "papai e mamãe" se beijando muito. Ele pediu para ela dormir ali, mas Angélica disse que não tinha como. Ele disse que o encontro deles já tinha valido muito a pena, a levou embora e, na despedida, a chamou de safada, dizendo que ela ia aparecer nas fotos de algum satélite. Angélica riu. - Mas valeu a pena! Obrigada pela noite inesquecível.
Ele disse que realmente foi marcante e ficou na esquina olhando de longe até ela entrar. No dia seguinte, cedo, Angélica acordou com o pai gritando com ela. Não conseguiu sair no fim de semana, mas na segunda-feira cedo matou aula e foi ao estúdio ficar com Guto. Ele nem ia trabalhar, só foi para encontrá-la. Assim que Angélica chegou, ele a pegou no colo, cheio de desejo, e foram para o sofá que tinha lá. Angélica tirou a camiseta, e Guto disse que não queria fazer nada, chamou-a de safada, dizendo que ela deveria estar estudando e que ele se sentia mal por incentivá-la a matar aula. Angélica começou a rir muito. Ele falou: - É sério mesmo, só hoje e você dá seus pulos para a gente se ver de noite.
Angélica disse que então deviam aproveitar a manhã toda. Como ficavam dias sem se ver, quando dava, eles iam direto aos "finalmentes" e não perdiam tempo. Se viram três ou quatro vezes depois. Angélica dizia que ia correr ou que ia à casa de Fernanda, e sua madrasta a dava cobertura mesmo sem saber o que ela estava aprontando.
Já havia se passado um mês desde que eles estavam juntos, e Angélica começou a se incomodar com algumas coisas. Percebeu que não era paranoia, mas algo real e comum: não podia mexer no celular dele, ele sumia às vezes por horas, dias, vivia ocupado e depois fazia algo para agradá-la, compensando o vácuo, dando chocolates, levando-a a motéis diferentes. Mas era chato, eles não conheciam a família um do outro, nem os amigos. Tudo bem que eles apenas ficavam, não havia nada sério, mas já estavam em um ponto de grande intimidade, e Angélica já estava muito envolvida, gostando dele. Ela fez outras duas tatuagens escondidas: uma frase na costela em homenagem à mãe e um ramo de flores na coxa, perto da virilha.
Houve uma briga em casa por causa do seu cartão de crédito. O pai disse que ia tirá-lo porque ela não sabia usar, sendo que Angélica havia comprado um tênis e um livro para a faculdade. Naquele dia, teve duas crises de ansiedade horríveis. Saiu escondida e foi para a rua só para poder ligar para Guto. Eles tinham marcado de ir a um pagode no sábado, e Angélica havia insistido para ir e conhecer os amigos dele. Ela foi sentar em uma praça e mandou mensagem à noite desmarcando, dizendo que tinha acontecido um imprevisto. Ele quis saber o que tinha acontecido, ligou e perguntou se ela estava bem. Angélica começou a chorar, tentando disfarçar, e disse que precisava desligar, pois estava vindo outra crise. Ele disse que ia vê-la e que era para ela dar um jeito e ir encontrá-lo. Quando a crise passou, ela mandou mensagem dizendo onde estava. Ele foi buscá-la, chegou todo sério, sentou ao lado dela, a abraçou. Angélica disse que não podia demorar. Ele ficou encarando-a em silêncio, e ela se segurava para não chorar. Preferiu não contar o que aconteceu em casa, morria de vergonha, principalmente porque seu pai tinha boas condições e também porque ela nunca tinha trabalhado fora. Ele disse que precisavam sair dali. Entraram no carro, e Angélica ficou quieta durante todo o trajeto. Foram para um lugar não muito longe, no meio do mato. Ele continuou em silêncio, olhando para ela e fazendo carinho. Angélica falou cabisbaixa:
- A gente pode dormir na sua casa?
Ele respondeu exultante: - Claro, mas tem certeza? Não quero te colocar em mais problemas em casa. Brigou com seu pai? O que aconteceu?
Angélica enxugou as lágrimas que insistiam em cair. - Eu já sei fazer isso muito bem sozinha, me colocar em problemas. Não foi nada demais, eu nem sei por que ainda fico chateada, deveria estar acostumada já! Vamos? Por favor?
Ele ligou o carro e foram para a casa dele. Ele aconselhou Angélica a começar a se esforçar um pouco na faculdade, porque era nítido que ela não estava levando a sério. Angélica disse que não foi escolha dela e que não gostava daquilo. Ele respondeu: - Você gosta pelo menos um pouco, vai, pensa no seu futuro, e seu pai nem sempre vai estar aqui para cuidar de você, Angel. Você ainda é muito nova, sei que sua vida não é tão fácil sem sua mãe, mas ela com certeza ia querer te ver bem, no caminho certo.