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Anjo das Sombras

Anjo das Sombras

Autor:: Cherry025
Gênero: Romance
O que você faria se seus pais fossem distantes de si e seu irmão, a pessoa que mais amava, sumisse ou morresse? Era assim que Isabelly se encontrava, sozinha e abalada. O que pouco a pouco a fez cair em uma depressão profunda, envolvendo-se em um mundo de drogas e álcool. Amargurada e cegada pela tristeza, Isabelly foi se afastando até mesmo de seus amigos de infância, até ver-se frente a frente com a morte e decidir que precisava de um novo rumo na sua vida. Agora, dois anos após os ocorridos, quando tudo estava melhorando, novamente as coisas viram de ponta cabeça quando ela conhece Maxwell Underwood, um meio anjo caído, que a faz repensar em tudo que já chegou a acreditar ou não.

Capítulo 1 Anjo das Sombras

SINOPSE

O que você faria se seus pais fossem distantes de si e seu irmão, a pessoa que mais amava, sumisse ou morresse? Era assim que Isabelly se encontrava, sozinha e abalada. O que pouco a pouco a fez cair em uma depressão profunda, envolvendo-se em um mundo de drogas e álcool.

Amargurada e cegada pela tristeza, Isabelly foi se afastando até mesmo de seus amigos de infância, até ver-se frente a frente com a morte e decidir que precisava de um novo rumo na sua vida.

Agora, dois anos após os ocorridos, quando tudo estava melhorando, novamente as coisas viram de ponta cabeça quando ela conhece Maxwell Underwood, um meio anjo caído, que a faz repensar em tudo que já chegou a acreditar ou não.

AVISOS

Essa historia é totalmente destinada a maiores de 18 anos, podendo ter gatilhos como;

1 - Sexo, drogas e álcool.

2 - Violência extrema e tortura.

3 - Abusos fiscos e mentais.

4 - Mutilação.

Peço para quem seja sensível que tome cuidado e fiquem alerta aos avisos no inicio do capitulo. Deixando claro que meu intuito não é romantizar nenhum desses assuntos.

DEDICATÓRIA

Eu dedico esse livro a todos aqueles que em algum momento usaram da escrita para aliviar a dor/tristeza, e para o meu amigo de infância que esta sempre me apoiando e motivando a continuar...

Capítulo 2 Prólogo

Dia 15 do 05 de 1728

O pequeno garoto caminhava lentamente até o fundo de sua escola. Suas vestes eram simples e modestas, era magro e pequeno para seus dez anos, os cabelos pretos batiam em seu ombro de forma bagunçada e desgrenhada, entretanto seus intensos olhos azuis brilhavam como uma linda safira.

A criança se aproximou da árvore e sentou-se, deu uma leve olhada no céu e então focou nas folhas do chão, as olhou por alguns segundos até que teve uma ideia, sorriu animado, pegou uma folha amarronzada próxima a si.

Observou alguns segundos a folha amarronzada e sem vida focando a atenção na mesma e em segundos ela começou a levitar, sorriu de forma encantadora observando a folha flutuar a sua frente. Porém não fora só isso, a folha começara a ganhar vida, ficando verde e gloriosa, como se ainda fosse uma bela folha nova na arvore.

Sentia-se um mágico, achava aquilo incrível, mesmo não entendendo o porquê de conseguir fazer.

- Aberração!

Escutou o grito atrás de si, e instantaneamente seu sorriso morreu e a flor caiu em seu colo. Eram os mesmos garotos das outras vezes, ainda se lembrava deles lhe afogando na privada do banheiro, fora horrível. Tinha medo deles, tentava manter-se distante o máximo possível, mas eles sempre vinham atrás de si. Levantou-se apressadamente, queria correr dali.

- Ei garoto, não corre não, volta aqui!

Pode ver os quatro garotos atrás de si, eles eram mais rápidos, mesmo ele não gostando de admitir.

Olhou para trás novamente, o que foi seu erro, já que acabou tropeçando e indo de encontro ao chão, olhou de forma desesperada na direção dos rebeldes, iriam aprontar consigo de novo, não queria aquilo, levantou-se pensando em correr novamente, mas eles já estavam próximos, o cercavam.

- O que disse sobre fazer essas coisas demoníacas por aqui? - Falou um garoto alto lhe levantando pela gola da blusa.

O pequeno fez careta, aqueles meninos davam o dobro de si, na verdade praticamente toda a sua sala, era assustador.

- Me solta... - Diz entredentes encarando o garoto.

- Te soltar, o que acha Leon, soltamos ele?

- Por mim, faça o que quiser com essa aberração. - Da de ombros.

Ele os olhou assustado, sempre foram crianças bem rudes, nunca entendeu isso, não fazia nada de mais, não para si pelo menos. Remexeu-se adquirindo coragem e conseguindo acertar um chute com dificuldade no que o segurava, nunca fora de revidar, era sua primeira vez e arrependeu-se ao ver o olhar enraivecido que o garoto mais alto lhe lançava.

Correu, ou ao menos tentou, já que sem que tivesse tempo de notar direito já estava no chão e os quatro valentões estavam o cercando e lhe agredindo sem o mínimo pudor.

- Droga, parem... Por que...? - Diz baixo tentando proteger seu rosto.

- Por quê? Você é uma aberração, mamãe diz que quem faz coisas assim são demônios e bruxos, você não é coisa boa. Aberração!

- Não, não... - Lágrimas escorriam por sua face levemente ruborizada, realmente não entendia, era apenas algo simples.

Era uma criança comum fora isso, era o que ele tentava pensar, mesmo quando sofria vários tipos de agressões. Os garotos pararam, um se aproximou colocando o pé sobre sua cabeça.

- Escuta aqui, se você contar pra alguém vamos te colocar na casa do medo de novo.

Entreabriu os olhos, pensou no lugar, não! Era horrível, uma casa abandonada e escura no meio do mato. Balançou a cabeça negativamente, mesmo com o pé sobre ela, as lagrimas vinham com mais intensidade só de se imaginar sozinho novamente naquele lugar.

- Agora peça desculpas!

O garotinho caído no chão com o pé sobre a sua cabeça tentou o olhar, não havia feito nada errado para pedir desculpas.

- Peça seu monstro! - Aperta o piso sobre a cabeça.

- D-desculpa... - Fecha os olhos mordendo a própria língua, odiava se desculpar e odiava mais ainda chorar, mas como sempre, era fraco.

- Hum.

Os garotos o olharam feio por uma última vez e se afastaram. Ele encolheu seu pequeno corpo ali mesmo no chão, sentia dor em tudo.

Começou a chorar, odiou o fato de ter aquele dom. O sinal do final da recreação terminou, fungou tentando se controlar e levantou-se cambaleante, levou a mão ao rosto secando as lagrimas que ainda insistiam em sair e mordeu novamente a língua, respirando fundo, fez careta ao sentir dor.

Seu rosto estava vermelho e seus olhos azuis se destacaram com a vermelhidão a sua volta enquanto o esquerdo fechava quase sozinho pelo roxo ali presente, assim como em sua bochecha.

Entrou na sala de cabeça baixa rumando seu lugar. Levou alguns segundos até que a professora entrou o olhou e se espantou.

- Céus o que houve, querido?

- Nada... - Sussurra baixo, pode notar o garoto próximo a si lhe olhar feio, abaixou mais ainda a cabeça, fazendo bico.

- Querido, ninguém fica roxo assim do nada, vamos, conte-me o que é.

- Já disse que não foi nada! - Ele diz com um grito, começava a sentir raiva, muita raiva e isso se projetou para a lâmpada da sala que estourou a cima de si, fazendo alguns ali gritarem assustados.

- Viu! Ele é um demônio, olha, ele que fez isso.

- Isso aí, a mãe dele devia ser uma bruxa, ou coisa pior, demônio!

Ele encolheu balançando a cabeça negativamente ao ouvir os sonoros "demônio" serem falados pela sala.

- Já chega! - Gritou a professora os fazendo se calar. - Já disse para pararem com essa coisa! E se eu ver alguém falando novamente tais insulto irá ficar de castigo! - Ela se abaixa em direção ao seu rosto e lhe faz um leve carinho nos cabelos - Não ligue para isso querido, você não é nada disso, tudo bem?

✩。:*•.───── ❁ ❁ ─────.•*:。✩

- Ei? O que houve? - Diego o chama olhando preocupado.

- Nada, papai...

O pequeno subiu as escadas correndo, entrou em seu quarto se jogando na cama, ainda sentia seu corpo doer, mas queria chorar. Encolheu-se, não era um demônio, ou era? Talvez fosse mesmo, talvez sua mãe também fosse... Nunca a conheceu. Se irritou com o barulho do pássaro afundando a cabeça no travesseiro.

Chorou mais ainda de forma audível, sentia seu peito doer, só queria ser uma criança comum como às outras, sem que todos tivessem medo de si. O pássaro ali "gritou" outra vez, aquilo estava o irritando, queria silêncio. Fungou ao ouvir outro grito do pássaro.

- Cala a boca! - Esbravejou olhando irado para o bicho que como se tivesse levado algum tipo de baque caiu morto.

Então o garoto arregalou os olhos e começou a gritar se aproximando da gaiola, abriu a mesma pegando o animal, gritou em desespero segurando o pequeno bicho em suas mãos. As luzes do local piscavam e objetos pequenos flutuavam a sua volta enquanto a cama tremia bruscamente.

- O que foi?

- P-pai... - Chorou olhando o pássaro

Diego o olhou assustado.

Ia se aproximar, porém sentiu uma mão em seu ombro, parou olhando Henrique.

- Ora, ora, o que faz meu irmãozinho chorar de forma tão exagerada assim?

- E-eu o matei...

- Não acha que falar que matou ele é ruim demais? - Se aproxima abaixando-se a sua frente.

- M-mas eu matei, eu gritei e ele, ele... Eu não queria, eu só queria que ele parasse de fazer barulho, eu não queria... - Funga tentando conter as lágrimas - Eles estavam certos, eu sou uma aberração... Um demônio. - Diz, alterando-se mais, passando isso ainda mais para o local, Henrique faz uma careta olhando a sua volta e então segura o rosto do irmão, o olhando com carinho.

- Nem pensar, você não é nada disso e você não o matou. - Ele tira o pássaro morto das mãos do irmão e coloca novamente na gaiola fazendo um sinal para Diego tirar dali. - Não diga bobagens.

- Não são...

- Olhe para mim, você não é uma aberração. E ele já estava velhinho, por isso morreu, bichinhos morrem o tempo todo.

A criança balançou a cabeça negativamente, soluçou entre o choro.

- Hei irmãozinho, olha pra mim. - Levanta o rosto do irmão - Não quero que pense assim, tá? Você não é uma aberração, você é uma criança incrível, a melhor de todas, essas pessoas que o chamam assim e fizeram isso com seu rosto é que são e eu iria lá agora mesmo fazer elas se arrependerem se você me falasse quem foi.

- Irmão...

- Escuta, eu te amo, te amo muito e isso nunca vai mudar e eu quero que você coloque nessa cabecinha dura que não é uma aberração e muito menos um demônio.

Henrique levou a mão ao rosto úmido pelas lágrimas do irmão, uma luz verde emitiu e ele começou a curar os machucados.

- Não é só porque você tem algum dom que isso lhe torne uma aberração, ao contrário, isso te faz diferente e ser diferente é muito bom.

- Irmão?

- Sim?

- A mamãe, ela era uma bruxa?

- O que? Não, claro que não.

- E-ela era o que? Como era? E porque temos esses dons?

- A mamãe era um anjo, uma mulher incrível e como eu disse, somos diferentes e isso é bom.

- A-cha que ela se orgulharia de mim? Ela me amaria Henrique?

- Ela já te amava mesmo antes de tê-lo nos braços e sim, ela se orgulharia muito de você, não tem como não se orgulhar, você é um garoto incrível, amável, cuidadoso, bondoso, se tem uma coisa que a mamãe sentiria de você é orgulho.

- Eu matei meu pássaro. - Henrique fez careta com a afirmação, o olhando sério.

- Já disse que ele estava velho.

O pequeno se encolheu chorando de novo então o mais velho se aproximou mais, o abraçando.

- Ei, não gosto de ver meu irmãozinho chorando assim, eu te amo muito, quero ver seu sorriso poxa. -Diz e o mais novo o abraça com mais força chorando ainda mais. - Vamos, me diga quem fez ou falou essas coisas de você.

O irmão mais novo balançou a cabeça negativamente e Henrique fechou a cara.

- Okay, não quer contar não conte... - Suspirou - Eu te dou outro pássaro depois, tá bom?

- Pode ser um gatinho? Eu vi um sozinho perto da escola, ele parecia ser tão triste... - Diz fazendo bico.

- Claro. - Concorda com um sorriso, vendo o irmão se animar, então lhe faz um cafune.

✩。:*•.───── ❁ ❁ ─────.•*:。✩

- E aí? - Pergunta Diego.

- Ele dormiu.

- Disse algo?

- Não, ele nunca fala.

Diego balança a cabeça negativamente.

- Escuta aqui Diego, eu não quero meu irmão nessa escola, eu não quero saber que meu irmão está sendo maltratado, mude ele de escola, faça algo, antes que eu seja obrigado a tomar providências. Porque eu juro que se eu ver meu irmão machucado, chorando ou se chamando de aberração de novo eu vou lá naquela maldita escola, aí eles vão ver o que é aberração!

- Henrique, se acalme, irei mudar ele de escola e se não parar o ensino em casa mesmo, não precisa se estressar.

- Não precisa se estressar? Eu chego em casa, vejo meu irmão mais novo chorando e pensando que é uma aberração e você quer que eu não me estresse? Ele tem dez anos, Diego, nenhuma criança deve pensar coisas assim, isso é irracional.

- Também não gosto disso, na verdade odeio Henrique... Mas as crianças são maldosas. - Suspira incomodado.

- Tenho medo... - Olha o chão pensativo.

- Medo?

- Ele é uma criança tão incrível, tem tudo para ser uma pessoa incrível, não o quero com coisas assim na cabeça, não quero que coisas assim o afetem... Prometi pra mamãe que ele sempre estaria bem...

- Ele vai estar... - Diego olha atencioso o jovem a sua frente, e depois para a paisagem fora da casa.

- Os poderes dele... - Diz em um sussurro.

- Eu sei...

Henrique faz uma careta, suspirando cansado.

Capítulo 3 01

Dia 12 do 03 de 2022,

atualmente.

Abri os olhos que pareciam estranhamente pesados, enquanto minha cabeça doía. Olhei o céu acima de mim, era noite e ele se encontrava estrelado, a lua estava linda, brilhava como nunca, parecia até mesmo maior, senti que se elevasse meu braço em sua direção eu poderia tocar-lhe.

Sentei-me no chão que outrora estava deitada. Observei a onde me encontrava, diria talvez que fosse uma floresta, a minha frente havia um rio, a fundo, parecendo perfeitamente

colocado abaixo da enorme lua, tinha montanhas e a minha volta havia árvores e mais árvores.

Senti um vento gélido acertar-me um tanto inesperadamente, me encolhi levemente pelo frio que senti. Levantei-me e caminhei cautelosamente até a beira do rio, aquele enorme vestido me atrapalhava um pouco. Olhei meu reflexo sendo exposto pela luz da lua ali naquele local.

O vestido era preto e longo, lembrava-se até mesmo um de noivado. Realçava minhas curvas, expondo meus seios em um decote cavado até a base de minha fina cintura, as mangas cobriam parte dá minha clavícula, deixando um pequeno círculo semelhante a um colar enfeitando o pescoço. A saia longa e cheia me lembrava duma bela flor preta. Era aberto nas costas, o que fazia com que eu sentisse mais frio, não chegava a ser vulgar, mas sim provocante e devo admitir que estava me dando um ar bem sensual e elegante, que eu estava gostando.

Mas não acabava por aí, meus longos cabelos ruivos estavam soltos, caindo sobre minha bunda e com seus cachos perfeitamente modelados, meus olhos cinzas destacavam-se em um delineado preto e meus cílios também estavam realçados em preto, ao invés do meu ruivo natural e para finalizar, meus lábios eram desenhados em um batom vermelho sangue.

Por incrível que pareça eu estava me sentindo bonita, exuberante na verdade, era raro eu estar perfeitamente arrumada dessa maneira. Fiquei algum tempo encantada vislumbrando meu reflexo até que novamente aquele vento frio me acertou, mas ao invés de sentir somente o frio, eu senti medo, como se alguém me observa-se atentamente.

Essa sensação não mudou, ficou mais forte, percorri os olhos pelo local, mas além da luz da lua ali era bem escuro e eu não via nada, senti os pelos de meu braço se arrepiarem e uma sensação incomoda se apoderar de mim.

Ouvi barulhos vindos das árvores, meu medo aumentou e consequentemente meus batimentos cardíacos também.

- Quem está aí...? - Perguntei, minha voz saiu em um sussurro.

Ouvi uma risada baixa, mas ainda não via ninguém.

- Devo dizer que você tá estonteante, me é de muito agrado a observar tão bela. -Ouvi a voz grossa atrás de mim e senti um arrepio percorrer minha espinha.

Não consegui me mover, eu não queria olhar.

- Quem é você...?

- Eu sou o seu pior pesadelo, minha donzela... - Ele sussurrou de forma lenta e tranquila em meu ouvido.

Agora todos os meus sinais de perigo gritavam, me afastei rapidamente e não sei como, mas pude sentir que ele sorria. Agora eu queria ver, procurei, mas não o vi.

- Aqui, Isabelly.

O escutei me chamar, como ele sabia meu nome? Olhei na direção da voz, não vi seu rosto, mas vi seus olhos, seus intensos olhos azuis, pareciam brilhar mais que a lua naquela escuridão, era como se me hipnotizasse. E estou chegando a acreditar que ele fazia isso, eu simplesmente não conseguia desviar a atenção.

Comecei a sentir falta de ar, como se meus pulmões parassem lentamente, levei a mão ao peito respirando com dificuldade. Ele ainda sorria, eu sabia disso. A falta de ar se intensificou e veio acompanhada de uma forte dor em meu abdômen. Olhei aquele homem em desespero, eu queria falar, mas era como se minhas cordas vocais tivessem atrofiado.

Senti algo quente escorrer em minha barriga, e uma dor aguda em seguida, levei a mão até o local e abaixei a cabeça com dificuldades, arregalei os olhos espantada, eu estava sangrado e havia uma adaga enfiada profundamente ali.

Como não senti isso? Como não senti ao colocar a mão? Droga, agora eu sentia, sentia perfeitamente a lâmina me perfurando e tocando minha pele, era um toque frio e sôfrego.

Lágrimas começaram a brotar em meus olhos, eu queria gritar, mais nada saia. Olhei o homem, ele debochava silenciosamente de mim. Eu tinha que me afastar dele, juntei forças que nem mesmo eu sabia que tinha, virei o rosto e sai correndo entre as árvores.

- Correr só irá tornar mais doloroso.

Ignorei a voz enquanto continuava correndo, porém ele não estava errado, doía de forma tão intensa que eu poderia gritar se conseguisse. A cada passo que eu dava, ali ficava mais sufocante, menor, meu medo me sufocava de uma forma arrebatadora.

Tentei gritar em desespero, mas não saiu nada além de soluços de choro. Corri com mais afinco, entretanto meu corpo ficava cada vez mais fraco e a cada vez que eu forçava era como se houvesse centenas de agulhas sobre ele.

Antes que eu percebesse e desviasse eu tropecei em um galho preso a terra, caindo no chão e de uma forma assustadora a adaga se aprofundou mais em meu abdômen, me perguntei por que eu não tinha a tirado ainda, porque eu corria com ela enfiada em mim? Fiz careta me encolhendo pela dor, minha visão começava a ficar turva, eu ia morrer e nem ao menos sabia o que estava acontecendo, isso era horrível.

Ouvi passos em minha direção, era ele, me sentei arrastando-se para trás e vi na minha frente aqueles olhos novamente. Ele caminhava com calma em minha direção, parecia calcular seus atos e movimentos, assim como um predador faz com sua presa antes da refeição.

Sentias lágrimas quentes nos meus olhos, saiam sem controle e eu não parava de soluçar. Foi quando vi que aquele vulto se aproximava lentamente. O ser a minha frente ficou próximo a mim e agora eu podia ver seu sorriso, era um sorriso sádico e maldoso.

- Sabe, você é bem linda, a mais linda de todas. - Se aproximou pegando uma mecha de meu cabelo e levou ao rosto aspirando o perfume, me olhando diretamente nos olhos. - Almejei tanto por esse dia.

Sua voz me dava calafrios, simplesmente não conseguia gesticular uma sequer palavra. Ele chegou perto, bem mais perto, me encolhi. Queria correr, mas meu corpo simplesmente não obedecia às minhas vontades.

Tremi em desespero quando ele levou o polegar ao meu rosto, seu toque era gelado, porém extremamente leve, com a outra mão ele segurou a adaga enfiada em meu abdômen, a puxando, gritei pela dor horrível que aquilo causou. Pisquei com a ardência em meus olhos, não aguentava mais chorar, o olhei, implorando por algo que eu não sabia ao certo o que, talvez a morte? Funguei ao constatar que o mesmo sorriso maldoso se mantinha em seu rosto.

Senti sua mão sobre o corte e então ele pressionou, movendo o rosto próximo ao meu, tão próximo que eu podia sentir sua respiração quente soprar em meus lábios, minha mente entrou em pânico com a ideia de que ele fosse me beijar ou qualquer outra atrocidade.

Fechei os olhos, desolada e então um clarão se pôs entre nós, os abri novamente, olhei sua mão que tinha uma luz azul forte, senti dor, tanta dor que meu corpo tremeu.

Fiquei tonta, o olhei vendo tudo turvo, começava a perder o sentido, levantei a mão trémula tentando alcançar a sua, mas foi em vão, a fraqueza que me atingiu fez com que eu desmaiasse ainda em seus braços.

- Até mais, minha donzela. - Umedece o lábio com um sorriso, a observando atentamente.

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