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Antigo Amor

Antigo Amor

Autor:: Luhmag
Gênero: Romance
Paola foi convidada a ser guia de um grupo de dançarinos vindos de Buenos Aires para fazer a inauguração de uma sucursal do jornal onde trabalhava. Conheceu Carlos, o chefe do grupo, e por ele se apaixonou perdidamente, mas e ele, amava-a como ela merecia? Esse amor teria futuro ou duraria apenas enquanto durasse a turnê? As intrigas de um membro do grupo abalariam esse amor? Ou o tempo e a distância só fortaleceriam esse amor?

Capítulo 1 Amor à primeira vista

- Paola, por favor, você pode vir até aqui? – interfonou seu chefe de seu luxuoso escritório.

- Sim – respondeu – já estou indo.

Paola se dirigiu ao elevador imaginando qual loucura seu chefe ia pedir para ela fazer dessa vez.

Bateu à porta do escritório e foi recebida com um sorriso que a deixou alarmada.

"Ele sempre sorri quando quer que eu faça uma loucura ou uma idiotice", pensou.

- Senhor, em que posso lhe ser útil dessa vez?

Beto começou a falar com empolgação, e, enquanto ele falava, Paola pensava em como se dava bem com ele e com sua esposa. Mantinham um relacionamento não de patrão-empregado, mas sim de amizade.

- E então, Paola, aceita?

Sem ter prestado atenção em uma única palavra que o patrão falou, Paola enrubesceu.

- Desculpe Beto, mas aceitar o quê?

- Paola! Pelo visto não escutou nada do que eu te falei! Vou trazer um grupo de dança de Buenos Aires para a inauguração da sucursal do jornal, e quero que você sirva de guia para eles.

- Mas por que eu?

- Porque você é minha melhor funcionária, está comigo desde o início, é de minha confiança, conhece como ninguém esta cidade e sabe falar o idioma deles.

- Mas e meu trabalho? Ficará acumulado, eu não vou ter tempo de fazer a editoração do jornal se servir de guia turística para seu grupinho de dança.

- Paola, você é a única que pode tomar decisões aqui no jornal sem ter meu aval, você é a única que tem carta branca para fazer o que bem quiser aqui dentro sem sequer pedir permissão para mim ou para qualquer outro membro da diretoria, eu só posso delegar essa tarefa a você. Você entende como essa inauguração será importante para mim, para o jornal e até mesmo para você?

Paola nada falou, apenas ficou olhando seu patrão. Sabia que ele confiava muito nela, mas nunca imaginou que confiasse tanto assim.

- E então, o que me diz?

- Tudo bem, já que você colocou nesses termos... Mas, quando eles chegarão?

- Amanhã pela manhã.

- Amanhã? E posso saber por que você não me falou antes?

- Porque não tinha motivo. Mas, vamos ao que realmente interessa. Vou te dar todas as informações necessárias sobre o grupo, o resto eu sei que você saberá o que fazer. Até o dia da inauguração eles irão se apresentar em localidades próximas, e é claro, você irá com eles.

- E onde eles ficarão hospedados?

- No hotel mais luxuoso que existir aqui em Santa Maria. Não me importa que custe uma fortuna, mas quero que esse grupo tenha tudo o que for melhor. E se tiver qualquer contratempo é só me ligar que eu estarei vinte ao seu dispor, mas você terá que tomar todas as decisões.

Paola fez uma careta o que fez Beto rir.

- Um dia, Paola, você ainda vai me agradecer muito por esse trabalho extra que estou pedindo para você fazer. Agora vá, pois antes de você ir buscá-los no aeroporto temos que terminar a edição de hoje. Daqui a umas três horas você volta aqui para que eu possa lhe dizer em que voo eles virão.

Paola saiu apressada e se encaminhou para sua sala. Sua secretária Camile esperava ansiosa.

- Então, qual a maluquice dessa vez?

- Você não vai acreditar... Ele vai trazer um grupo de Buenos Aires para a inauguração da sucursal e eu terei que bancar a guia turística desse grupo.

- Eu bem que tenho te avisado que você dá muita moleza pra ele. Você não sabe dizer um não...

- Você tem razão, Camile, mas eu não posso abandoná-los, eles me estenderam a mão quando eu mais precisei, agora é a hora de eu retribuir.

- Você e esse seu senso de dever...

- Não se preocupe, acho que será até divertido. Agora vamos parar de conversar, pois tenho muito que fazer antes de ir buscar o tal grupo amanhã de manhã no aeroporto.

A correria naquele dia estava além do normal, pois Paola além de fechar a edição como sempre fazia, ainda tinha que deixar tudo encaminhado para as próximas edições que ela não estaria para fazer.

- Pietro, você sabe como o Beto é exigente com esse jornal, nossos empregos estão em risco se você fizer qualquer coisa errada.

- Não se preocupe, eu não vou desapontá-la.

Já era madrugada quando Beto finalmente a liberou. Havia ouvido as mesmas informações várias vezes. Estava cansada. Precisava descansar para estar com uma boa aparência na hora de encontrar os dançarinos, mas teria apenas algumas horas, pois o grupo chegaria no primeiro voo da manhã.

Às seis horas o telefone tocou. Paola assustada pulou da cama e correu atender. Ainda estava meio sonolenta, mas mesmo assim foi atender.

- Alô, quem fala?

- Acorde, Paola, o avião chega daqui há uma hora!

- Ah, não amole, sabe que horas são?

- Sei. É hora de ganhar dinheiro. Se arrume rápido que em vinte minutos eu estarei aí.

- Vinte minutos? Por favor! No mínimo trinta... Quero tomar um banho e me arrumar.

- Tudo bem. Então, dentro de meia hora estarei aí. Esteja pronta.

Pôs o fone no gancho e fez uma careta.

- Como esse louco pode me acordar a essa hora e ainda limitar um tempo para eu me arrumar? Que petulância!

Mal humorada, tomou seu banho e se arrumou em tempo recorde. Pronta, foi falar com seus pais que dormiam tranquilos.

- Estou indo buscar aqueles argentinos no aeroporto.

- Com quem você vai?

- Não fique preocupada mãe, vou com o Beto. Só vim avisar que estou saindo. Durmam, ainda é muito cedo.

Quando saiu de casa Beto já a esperava.

- Mas que demora!

- Ainda não terminou o prazo que você deu. Ainda faltam quatro minutos.

- Ah, cale a boca e entre logo. Não quero me atrasar.

- Não precisa gritar seu mal-humorado.

- Paola, vou deixá-la no aeroporto, lá você pega um taxi, um carro de aluguel, um carro com motorista, você quem decide. Só trate muito bem aquele pessoal. Não deixe lhes faltar nada. E o hotel que eles ficarão é bom? Todas as despesas serão pagas pelo jornal. Vou te dar o cartão platina do jornal, use como quiser.

- Calma, eu reservei uma suíte no melhor hotel daqui, o Royalle Plazza, tenha certeza que eles não terão do que se queixar.

- Tudo bem, você tem carta branca para agir. Não precisa nem me ligar pedindo permissão. Confio em você, Paola, sei que não vai me decepcionar.

Chegaram ao aeroporto bem antes do voo, Beto fez o percurso todo em alta velocidade, apavorando Paola.

- Achei que ia morrer de tanto medo! Pra que correr tanto?

- Faltam só quinze minutos para o voo chegar.

- Você diz só quinze minutos? E se atrasar? O que farei até lá?

- Calma, calma, vá até o restaurante e tome um café. Talvez assim você fique menos mal-humorada.

Às sete horas o avião aterrissou. Para surpresa de Paola, pois não atrasou sequer um minuto.

No saguão do aeroporto Paola esperava com um cartaz nas mãos com o nome Flamingos escrito em letras negras.

Ao avistar um grupo que trajava roupas iguais, Paola presumiu que se tratava do seu grupo. E estava certa.

Viu um homem lindo, moreno, cerca de 1,80m, cabelo comprido amarrado num rabo-de-cavalo se aproximar dela.

- Bom dia. Sou Carlos, você deve ser a senhorita Paola.

Paola olhou para a mão que lhe era estendida sem conseguir se mover. Ele era lindo. Nem em seus sonhos havia encontrado um homem como ele.

- Senhorita? Está bem?

- Ah, sim, me desculpe eu estava distraída. - Envergonhada com a situação, ela pigarreou. - Muito prazer, Carlos. Sou Paola e terei imenso prazer em lhes mostrar a cidade. Acredito que queiram ir para o hotel tomar um banho e descansar da viagem?

- Sim, seria maravilhoso! Deixe-me cumprimentá-la, fala bem meu idioma.

- Obrigada, assim poderei atender todas as exigências que fizerem.

- Eu também falo fluentemente seu idioma- disse em português – eu e todo o grupo.

- Que bom. Assim não haverá nada que me impeça de realizar todas as suas vontades.

- Não se preocupe, não somos exigentes. Prometo não dar-lhe muito trabalho.

- Senhor Carlos, com que transporte gostaria de ir até o hotel? Taxi, carro alugado ou carro com motorista?

- Senhorita, por favor, chame-me apenas Carlos. E quanto ao transporte, a senhorita escolhe.

- Já que quer que eu o chame pelo nome, eu também quero ser chamada apenas de Paola.

- Estamos entendidos, Paola. Como pretendia nos levar até o hotel?

- Na verdade eu deixei isso para vocês decidirem.

- Está bem, vou chamar meu pessoal e eles decidem.

Fez um sinal com a mão e logo o grupo estava cumprimentando Paola.

Era um grupo de seis pessoas, três lindas mulheres e três homens maravilhosos.

Enquanto eles conversavam entre si, decidindo qual meio de locomoção usariam, Paola analisava o líder do grupo, Carlos. Alto, com pernas bem feitas e coxas que pareciam rebentar a apertada jeans. Os olhos eram de um negro tão intenso que parecia a profundeza de um lago. Imaginou-se nos braços dele e ruborizou. Teve que sacudir a cabeça para conseguir afastar tal imagem.

- Paola, decidimos ir de taxi.

- Tudo bem. Eu vou chamar um.

O taxi parou e o motorista começou a colocar as malas no bagageiro.

- Paola, creio que não caberemos todos em apenas um taxi.

- Sim, eu sei, por isso chamei dois taxis. Vamos nos repartir em dois grupos. Eu irei em outro taxi para deixá-los mais confortáveis.

- Achei que você iria conosco.

- Não. Olhe, o segundo taxi já chegou.

Uma das integrantes do grupo que ouvia a conversa chegou perto de Carlos e disse em tom de deboche:

- Nunca fui tão mal recebida como estou sendo aqui. Nem um carro com motorista veio nos buscar.

- Constancita, fique calada, ela está fazendo tudo o que queremos, foi ideia nossa ir de taxi, não dela.

- Pierre, você a está defendendo porque se interessou por ela.

- Parem vocês dois. Vamos logo, coloquem suas malas no taxi para podermos descansar um pouco e deixem Paola em paz.

Paola deu o endereço aos motoristas e embarcou em seu taxi.

No caminho lembrou de seu passado, de sua infância sem muitos recursos e ficou feliz por poder dar conforto a sua família.

Na entrada do hotel Paola ficou admirada com a beleza do lugar.

- Também achei o lugar lindo. Parece que nunca havia entrado aqui antes?

- Não é isso, eu não consigo me acostumar com tamanha beleza. Cada vez que eu venho aqui minha reação é sempre a mesma.

- Que idiota! Deviam ter mandado alguém menos vislumbrada para nos receber!

- Senhorita Constancita, peço que me perdoe por ficar extasiada quando vejo algo tão belo, eu, diferente da senhorita, não viajei o mundo, a arte que conheço se resume ao que eu vejo na televisão ou na internet. Desculpe se não estou à altura de vocês, se preferirem, peço ao meu patrão para me substituir e mandar alguém que os agrade mais.

- Nem pense nisso. Constancita quer nos fazer o favor de calar a boca? A partir de agora, até o almoço eu não quero ouvir sua voz. Certo?

- Mas Carlos, merecemos uma guia melhor...

- Eu achei que já tinha encerrado esse assunto. Quer continuar discutindo comigo?

- Não quero discutir com você, Carlos meu amor, só acho que merecemos ser tratados com mais zelo.

- Senhorita, vejo que não está satisfeita com meu serviço, e eu não quero aborrecê-la mais, sugiro que entre em contato com meu patrão e peça outro guia.

- Certamente é isso que farei. Deve ter alguém mais culto que você nesse jornalzinho. Não sei como seu patrão teve a audácia de mandar você, um serzinho tão insignificante, tão sem cultura nos recepcionar.

- Senhorita, mais uma vez eu peço desculpas por não estar no nível que vocês merecem, por isso eu mesma ligarei para meu patrão e solicitarei outra pessoa para acompanhá-los em sua turnê, com certeza ele mandará uma pessoa mais qualificada do que eu, com mais cultura e não tão insignificante para lhes servir. – Virou-se para Carlos e prosseguiu – Quero agradecer esses poucos minutos que passei com vocês, adorei conhecê-los, espero encontrá-los novamente no futuro.

Paola virou-se e saiu sem olhar para trás. Não olhou nem quando Carlos a chamou. Saiu do hotel, atravessou a rua e chamou um taxi. Para sua infelicidade, os taxis passavam lotados, o que fez com que Carlos a alcançasse.

- Aonde pensa que vai? Você é minha guia, não vou permitir que nos deixe. Por favor, Paola, volte comigo e tente desculpar Constancita. Hoje ela está intolerável, parece que um bicho a mordeu. Vamos Paola, volte comigo, por favor!

- Tudo bem senhor Carlos, mas, eu quero que o senhor me garanta que Constancita vai me respeitar do mesmo modo como eu sempre a respeitei.

- Nós não tínhamos combinado que nos trataríamos mais informalmente? E quanto a garantir que ela não vai mais lhe desrespeitar, isso eu já não posso fazer, mas posso prometer que tentarei mantê-la de boca fechada. Aceita voltar comigo?

Paola olhou-o fixamente e pensou por instantes até que desistiu de argumentar com ele.

- Tudo bem Carlos, eu volto.

Carlos voltou para o hotel onde todos, exceto Constancita, estavam muito felizes em ver Paola voltar junto com Carlos.

- Vai ficar conosco?

- Vou Pablo.

- Constancita, você não tem nada a dizer a Paola?

- Carlos, deixa pra lá, não quero mais confusão por minha causa.

- Não Paola, ela lhe deve, no mínimo, um pedido de desculpas. E então Constancita, estamos todos esperando.

- Tudo bem, tudo bem, desculpe-me por tudo o que falei.

Houve um pedido de desculpas, mas Paola notou a ironia na voz de Constancita e o olhar frio, de ódio que ela lhe lançou.

- Aceito suas desculpas. Agora vamos, vou levá-los até a suíte de vocês. Espero que gostem, escolhi a melhor que o hotel possui. É uma suíte com quatro quartos, dois banheiros e uma sala enorme.

- Quatro quartos? Então quer dizer que alguém vai ter que repartir o quarto?

- Se vocês preferirem peço para colocarem em quartos isolados. Só reservei assim porque achei que queriam ficar juntos.

- Não se preocupe, para mim está ótimo. Assim você não precisará ir de quarto em quarto para atender aos pedidos do pessoal. Vamos ficar nesse quarto.

- Como assim Carlos? Não vai nos consultar primeiro?

- Não Constancita, faremos uma votação para ver quem irá dividir os quartos. Vou sugerir assim: Pablo e Pierre num quarto, Carmen e Carla no outro, eu fico sozinho e você também, pois acredito que nenhuma das moças vai preferir dividir o quarto com você. Todos estão de acordo? – todos concordaram – então vamos para nosso quarto descansar, estou com muito sono.

O quarto era maravilhoso, e Paola notou isso nos olhos deles.

- Lindo quarto, Paola.

- Que bom que gostou Carlos.

- Pessoal, escolham os quartos, o que sobrar é o meu. E você Paola, onde estará caso precise de você?

- Estarei no fim do corredor, quarto 312. Aqui está o número do meu telefone. O que precisarem é só ligar ou irem até o quarto. Tenham um descanso.

Paola saiu do quarto e fechou a porta. Foi até o seu quarto e se atirou sobre a enorme cama de casal. Seu quarto era bonito, não era tão luxuoso quanto o dos dançarinos, mas era luxuoso. Deitada, cobriu os olhos com o braço e lembrou de sua juventude. Como eram difíceis aqueles tempos. Ela era a segunda filha de um casal de agricultores. Nunca teve muitos recursos quando criança. Era ridicularizada pelas outras crianças do vilarejo onde morava por não ter roupas caras e da última moda, mas nem por isso deixou de ser feliz. Com muito sacrifício de seus pais, estudou e formou-se jornalista, uma das mais inteligentes e bem sucedidas do seu ramo. Poderia ter ido trabalhar na televisão, mas preferiu a área de jornais. Ainda sofria a perda de seu namorado, o homem que julgava ser "o amor da sua vida", e por isso não se envolvera com mais ninguém desde então. Sou feliz sozinha, pensava, homens nunca mais.

Capítulo 2 Resistindo às tentações

Algumas horas depois acordou de um sonho maravilhoso que estava tendo, sonho com Carlos, porque alguém batia insistentemente na porta de seu quarto.

- Já vai. Por favor, aguarde um minuto. – Correu abrir a porta – Ah, é você. O que deseja?

- Você não, senhorita Constancita. É assim que deve me chamar.

- Desculpe, o que a senhorita deseja?

- Estamos com fome. Será que pode providenciar algo para comermos?

- Senhorita, é só pegar o interfone e ligar para a cozinha e fazer seu pedido. Eles trazem no quarto. A senhorita não sabia?

- Sua insolente. Carlos saberá que você me desrespeitou.

- Por favor, corra e conte para ele. Agora se me der licença eu estava indo tomar um banho.

Fechou a porta deixando Constancita falando sozinha.

Meia hora depois Paola foi até a suíte ver como todos estavam e foi recebida por Constancita.

- O que você faz aqui?

- Vim ver se precisam de algo.

- Vá embora, não precisamos de você, sua insolentesinha. Carlos não gostou de saber que você me desobedeceu.

- O que você disse Constancita?

- Carlos...

- Como pode falar por mim? Quem lhe disse que poderia falar em meu nome? Paola, eu não falei nada, ela veio me contar que você foi rude com ela e eu disse que se você fez isso, foi porque ela mereceu. Agora, gostaria de te convidar para ir até o terraço comigo, preciso de um cigarro.

Foram ao terraço. Lá o vento estava frio. Era final do inverno, mas ainda fazia muito frio. Paola olhou ao seu redor, apesar do frio a paisagem era linda. Ela estava encantada, e ao seu lado Carlos a observava.

Ela o olhava distraidamente, sem perceber que o olhava fixamente e que ele a observava. Pensava em como deveria ser bom estar nos braços dele, dançar com ele...

- Ei Paola, em que mundo está agora?

- No mundo da dan... O que foi que você perguntou mesmo?

- Você entendeu muito bem.

- Estava admirando a paisagem. Adoro flores, árvores... a natureza. Você tem que ver na primavera. Tudo fica tão lindo.

- É, mas não estarei aqui na primavera.

- É tinha me esquecido – falou tristemente.

- Por que ficou triste?

- Eu? Triste? Não. É só impressão sua.

Fumaram e como estava muito frio resolveram voltar para o quarto.

- Como está quentinho aqui dentro.

- Claro, com esse ar condicionado e essas lareiras todas.

- Sabe Carlos, estou adorando ser guia de vocês. Vocês são maravilhosos.

- Até Constancita? Estou brincando. Também estou adorando ser "guiada" por você.

Pegou a mão dela e segurou entre as suas. Paola não tinha coragem de levantar a cabeça. O calor das mãos dele a deixava com o coração acelerado. O que estava acontecendo com ela? Por que estava se sentindo tão estranha?

- Você não sabe como estou feliz em conhecê-la. Acho que foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida.

As palavras ditas quase em seu ouvido eram doces, quentes que Paola começou a sentir-se zonza. Sentia o perfume dele, o hálito quente dele em seu pescoço. Levantou a cabeça e viu a boca dele se aproximando da sua. Paola entrou em pânico, pois sabia que, uma vez que ele tentasse beijá-la, ela não resistiria aos encantos daquele homem. Mas uma voz vinda de longe os fez separar.

- Carlos meu amor, o que está fazendo parado na porta?

- Nada que seja do seu interesse, e, Constancita, não sou o seu amor.

- Se me dão licença, vou para meu quarto.

- Paola, ainda não terminamos nossa conversa. Espere um pouco.

- Não posso, realmente preciso ir.

- Mas ir para onde? Não vai ficar aqui no hotel conosco?

- Não, eu preciso ir para minha casa, tenho assuntos importantes para resolver. Mas eu volto à noite. Qualquer coisa que precisarem me liguem.

- Você tem carro, Paola?

- Tenho Constancita, eu só não os fui buscar nele de manhã porque eu estava muito cansada para dirigir, ontem eu precisei ficar no trabalho até muito tarde. Eu volto à noite.

- Vou esperar ansioso a hora passar para terminarmos nossa conversa.

- Deixa ela ir Carlos, o esposo dela deve querer ficar um pouco com ela.

- Você tem um esposo? – Carlos ficou tenso

- Não, nem namorado, nem ninguém, tenho pais, irmã, sobrinhos, uma família.

- Assim está melhor. Vá, mas volte logo.

Acenou com a cabeça e saiu fechando a porta atrás de si.

Quando chegou à recepção, parou e colocou as mãos no rosto, estava apavorada. Como pode ter resistido ao charme daquele homem? Por um momento quis estar em seus braços, ainda bem que foram interrompidos por Constancita. Será que conseguirá se controlar se ele tentar beijá-la novamente? Ela sabia que não porque ele era o homem de seus sonhos. Homem de meus sonhos? Que besteira! Nem o conhecia como poderia saber que ele era o homem de seus sonhos? Não sabia responder, mas sabia que ele era o homem de sua vida, algo lhe dizia que ainda seria muito feliz com ele.

Chegou em casa quase meio-dia, sua mãe já estava preocupada.

- Filha, você está horrível.

- Obrigada mãe.

- Eu não quis ofendê-la, querida, eu só quis dizer que você está trabalhando demais. Precisa descansar.

- Mãe, como posso descansar? É meu trabalho, a senhora sabe como eu gosto do que faço. Se eu não trabalhar eu fico doente.

- Não filha, se continuar a trabalhar assim é que vai ficar doente.

- Eu prometo pra senhora que assim que esses dançarinos partirem eu vou tirar férias. Mas enquanto eles estiverem aqui eu precisarei estar lá no hotel com eles em tempo integral. Só passei em casa pra pegar umas roupas e coisas que vou precisar.

- Vai ficar morando no hotel até eles irem embora?

- Sim mãe, é preciso. Mas se vocês precisarem de mim é só me ligar que eu venho correndo.

- Não se preocupe, ficaremos bem. Você tem que aprender que sabemos nos cuidar.

- Eu sei mãe, mas eu me preocupo. Quando eles dormirem eu venho ver vocês. Agora mãe, eu vou arrumar as coisas que vou levar para o hotel.

- Filha, e o jornal? Quem o fará enquanto você banca a babá desses argentinos?

- Deixei tudo nas mãos do Pietro, mas quando der eu vou lá ver como andam as coisas se não o Beto enlouquece. Não que o Pietro não seja um bom profissional, ele é um excelente profissional, mas sabe como o Beto é, tem que ser tudo exatamente como ele quer.

- Vá filha ou vai se atrasar. Vai almoçar conosco, certo?

- Vou mãe. Num minuto estarei pronta.

Saiu de casa passavam das quatorze horas. Foi para a redação do jornal e lá encontrou Beto nervosíssimo.

- O que está acontecendo?

- O Pietro, ele estragou nossa edição de hoje.

- Como assim? Eu havia deixado a edição pronta, era só imprimir. Deixa-me ver o que ele fez.

Pegou o jornal, olhou, re-olhou, olhou mais algumas vezes e nada achou de diferente.

- Beto, me desculpe, mas o que há de errado com essa edição? Eu não vi nada errado.

- Aqui – apontou ele – não acredito que você não está vendo aqui, esse borrão.

- Beto, você já olhou outro exemplar? Será que não é uma mancha de café nesse exemplar?

- Não. Eu peguei direto das prensas.

- Espera, eu vou buscar outra edição.

Paola foi até o depósito e pegou alguns exemplares e comparou-os, não havia nada. Levou então para o patrão.

- Olha aqui. Viu? Não tem nada de errado. Está uma beleza. Eu disse que era apenas um borrão, mancha de café. Não sei por que você se estressa tanto sem motivo.

- Você está certa. Vou até as prensas pedir desculpas para o Pietro. Gritei com ele mais cedo.

- Você não perde essa mania. Mas espere depois você vai falar com ele, agora eu preciso falar com você.

- O que foi?

- É sobre aquele grupo de dança. Não estou mais aguentando um dos membros do grupo. É uma mulher, ela faz de tudo para me humilhar, ela discorda de tudo o que eu falo tudo o que eu faço a desagrada, ela disse que não sou culta o suficiente para servi-la. Já não aguento mais.

- Calma Paola, tenha paciência, isso logo acabará.

- Pois é só nisso que eu penso. Quando eles partirem quero férias.

- Você está louca? Como vou dar férias agora pra você com o outro jornal em formação? Você sabe que eu preciso de você.

- Beto, aprenda a confiar nas pessoas. Eu não sou a única profissional nessa redação capaz de fazer seu jornal. Há muita gente esforçada e que trabalha muito para o desenvolvimento desse jornal. Esse jornal não é feito apenas por mim. Veja, temos vários outros profissionais que ficariam muito satisfeitos com um voto de confiança de sua parte.

- Eu sei que temos ótimos profissionais, afinal foi você quem escolheu cada um deles, mas não adianta, eu só confio em você.

- Você terá que aprender a confiar nos outros. Já está avisado assim que os dançarinos forem embora eu tiro férias. Agora eu preciso ir paparicar seus convidados.

O trânsito não estava muito movimentado e ela chegou cedo ao hotel. Carlos já a esperava, enquanto os outros descansavam para o show que fariam à noite.

Assim que ele olhou para a janela e viu-a descer do carro ele esperou-a na porta da suíte.

- Você demorou.

- Desculpe, mas eu tinha coisas no jornal que precisava resolver. Mas agora estou aqui. Precisou de alguma coisa enquanto estive ausente?

- É claro que sim. Precisei de você.

Abraçou-a.

- Carlos, não devemos.

- Por que não devemos?

- Porque eu sou funcionária de vocês.

- Eu vou te pedir pela última vez, pare com essa besteira de dizer que é minha funcionária. Eu não a vejo assim. Paola, desde a primeira vez que a vi no aeroporto eu quis ficar a sós com você, quis beijá-la, abraçá-la, quis ficar com você assim, nos meus braços. Não me negue isso, eu sei que você também quer o mesmo que eu. Negue se tem coragem.

Paola desviou o olhar baixando a cabeça, mas ele segurando seu queixo levantou e beijou-a com paixão.

Paola não conseguiu resistir, a boca dele explorava a sua, a língua dele se movia deliciosamente dentro da boca dela procurando sua língua, ela gemeu tamanho era o desejo que aquele beijo escondia. As mãos dele a apertaram com mais força, trazendo ela de encontro ao seu corpo.

- Olha como você me deixa. – Sussurrou em seu ouvido – Eu fico louco só de pensar que você irá dormir aqui, perto de mim e não poderei tê-la nos braços a noite toda, veja Paola, como você me excita. Eu quero você desde o momento que a vi.

Paola estava prestes a levá-lo até seu quarto quando Pierre apareceu no corredor e tossiu.

- Desculpe incomodá-los – disse irritado – se soubesse que vocês estavam ocupados não teria subido.

- Não nos atrapalhou, Pierre. Essa conversa apenas está começando, não é mesmo, Paola?

- Não Carlos, essa conversa acabou aqui – disse envergonhada – Essa conversa nunca mais vai se repetir. Eu te peço que respeite a minha vontade.

- Sua vontade? Pelo que bem me lembro você estava quase me implorando para fazer amor com você.

- Carlos!? Com quem pensa que está falando?

- Pierre, não se meta, essa conversa é entre eu e Paola.

- Não Carlos, eu não vou deixá-lo ofender Paola.

- Não se preocupe Pierre, ele tem razão, eu estava mesmo quase implorando para fazer amor com ele, que bom que você chegou e me impediu de cometer a maior loucura de minha vida. Não vou negar Carlos, você mexeu muito comigo, com meus sentimentos, mas a partir desse momento eu saberei me controlar. Nossa relação será apenas profissional. Até o jantar.

Saiu sem olhar para trás. Entrou em seu quarto e foi direto para o banheiro tomar um banho. Ainda sentia o calor do corpo dele no seu, ainda sentia o gosto daquela boca, o perfume daquele corpo...

- Meu Deus, estou ficando maluca? Nunca agi assim. Por que agora estou agindo? Deus, o que esse homem está fazendo comigo?

Tomou um demorado banho e na hora do jantar pediu a refeição no quarto. Somente as vinte e uma horas Carlos ligou pra ela.

- Paola, precisamos ir para uma cidade chamada Itaara, temos um show lá daqui há uma hora. Você pode no levar?

- Claro que sim. Vocês já jantaram?

- Sim. Pedimos uma refeição no quarto mesmo. Você pode vir aqui para sairmos?

- Em cinco minutos estarei aí.

- Tudo bem.

Paola já estava vestida para o evento, pois além de levar os dançarinos ela teria que documentar o evento para pôr no jornal. Ligou para o fotógrafo e para a repórter que iria entrevistar o grupo e avisou que dentro de poucos minutos estariam indo para a cidade vizinha.

Foi até a suíte e tocou a campainha. Pierre foi quem atendeu.

- Olá. Você está bem?

- Estou.

- Senti sua falta no jantar.

- Pierre, você sabe que eu não viria jantar com vocês, não hoje, não depois do que aconteceu.

- Eu sei, mas não fique tão na defensiva, Carlos não é de agarrar as mulheres, ele deve ter ficado mesmo muito interessado em você.

- Por que isso o deixa irritado, Pierre?

- Irritado eu, não! Mas venha, entre. Estamos todos prontos para partir.

- Certo quero saber como querem ir.

- Não sei, você não pensou nisso?

- Sim, Carlos, eu pensei. O que vocês acham de locarmos uma van com motorista?

- Isso é muito bom. Teremos espaço e não precisaremos nos preocupar em dirigir.

- Todos concordam com Pierre? – todos concordaram – Muito bem, vamos a van.

- Eu já deixei pré-locada, é só ligar para a locadora e dentro de no máximo dez minutos estaremos a caminho de Itaara.

- Essa cidade fica muito longe daqui?

- Não, cerca de vinte e cinco quilômetros. Logo estaremos lá.

- Precisamos estar lá a tempo de começar o show sem atraso.

- Pode confiar em mim.

A van chegou e as vinte e uma hora e quarenta e cinco minutos chegaram em Itaara.

- Eu não disse que chegaríamos a tempo?

- Em nenhum momento duvidei de você. Agora vamos ao camarim nos arrumar para o show.

Após cinquenta minutos de um maravilhoso show de dança, o grupo se despediu dos espectadores e foi para o camarim. Paola estava encantada, nunca tinha visto nada nem parecido com o que acabara de ver.

- Muito lindo. Vocês são incríveis. Nunca vi tanta beleza numa dança.

- Vindo de você é mesmo um elogio muito importante.

- Para Pierre, assim eu fico com vergonha. Vocês são mesmo maravilhosos.

- Obrigada. Fico feliz que tenha gostado. Quem sabe você começa a ensaiar conosco para aprender alguns passos?

- Não havia visto você Carlos. É uma ideia interessante. Será que eu consigo aprender?

- Mas é claro que sim. Com um professor como eu qualquer um aprende.

- Convencido você...

Ambos riram. A tensão entre eles havia acabado, eles já começavam a falar sem reservas como antes do beijo.

Pierre saiu furioso, deixando-os a sós novamente.

- E então, você me perdoa pelo que eu falei hoje de tarde? Eu não devia ter sido tão rude com você. Descontei minha frustração por termos sido interrompidos em você. Eu sei que não mereço, mas será que você pode me desculpar?

- Tudo bem Carlos. Eu já havia te desculpado mesmo. Só não faça mais isso.

- Não farei, amor. Agora vamos para o hotel? Estou moído.

- Vou chamar o pessoal. Encontre-me na van.

- Te esperarei lá, não demore. - Abraçou-a e beijou-a de leve. – Quero continuar de onde paramos está tarde.

Paola saiu apressada pensando em como se livrar das investidas de Carlos porque sabia que não iria resistir se ficassem a sós e ele a tocasse como fizera de tarde.

Achou quase todos, não conseguia achar Constancita, levou o pessoal até a van para ir procurar novamente por Constancita. Quando chegou na van teve uma grande e dolorosa surpresa, Carlos e Constancita estavam abraçados, trocando beijos e carícias apaixonadas.

- Você está aqui, estávamos procurando por você.

- Então perderam seu tempo. Onde mais queriam que eu estivesse? Vocês sabem que depois dos shows eu e Carlos gostamos de ficar a sós e comemorar a boa apresentação que fizemos. Por que hoje seria diferente?

- Você podia pelo menos ter me avisado, eu não sabia desse ritual de vocês. Da próxima vez, esperem até chegarmos ao hotel ou eu não me responsabilizo se deixarmos vocês pra trás.

Carlos olhou Paola depois para Constancita sem entender o que estava acontecendo.

- Posso saber por que estão discutindo agora?

- Não estamos discutindo, apenas conversando.

- O que você está fazendo no meu colo Constancita? Eu jurava que quem estava aqui era Paola.

- Amor, não se faça de bobo, é claro que você soube desde o começo que era eu quem estava com você, do contrário não teria me chamado pelo meu nome.

- Eu estava dormindo e alguém me abraçou eu jurava que tinha sido você Paola.

- Mas não era. E não precisa me dar explicações, eu não as quero e você não as me deve. Se não se importam, vamos embora, estou muito cansada.

Chegou ao hotel, se despediu do motorista e marcou para o outro dia, despediu-se rapidamente de todos e foi para seu quarto. A cabeça lhe doía, o corpo todo doía, parecia que havia levado uma surra. Tomou um longo banho e deitou-se. Ouviu baterem na porta, mas fez que estava dormindo, insistiram um pouco e de repente fez-se silêncio.

Naquela noite demorou a conciliar o sono. As imagens da tarde a atormentavam, os faziam sorrir, mas na sequência vinham às imagens da noite, Carlos nos braços de Constancita. Tentou tirá-lo de sua cabeça. Olhou para o relógio, quatro horas da manhã. Levantou-se, interfonou para a recepção e pediu um calmante, enquanto esperava, resolveu ir até a sacada fumar um cigarro. No escuro, por mais que tivesse alguém nas outras sacadas ela não seria vista.

Olhou para as sacadas vizinhas e assustou-se ao ver um vulto na sacada da suíte de Carlos.

Alguém se movia de um lado para o outro, uma luzinha fraca aparecia quando a pessoa fumava. Resolveu se esconder para não ser vista. Desistiu até de fumar. Voltou para o quarto quando bateram na porta. O serviçal trouxe o remédio e ela tomou, conseguindo assim dormir.

Capítulo 3 Se entregando ao prazer

Na manhã seguinte, Paola não conseguia acordar. A campainha de seu quarto tocava insistentemente e seu telefone também.

Meio sonolenta, foi atender a porta e se deparou com Carlos. Estava com a aparência mais cansada que já vira.

- Entre.

- Desculpe se eu te acordei, mas precisava falar com você. Não dormi a noite toda.

- Eu também não consegui dormir, tive até que pedir um calmante. Mas fala, o que você quer?

- Paola, eu não estava beijando a Constancita na van. Eu juro que achei que fosse você, eu estava tão sonolento que nem abri os olhos eu simplesmente me deixei ser acariciado, ser beijado, ser amado. E ela não falou absolutamente nada.

- Tudo bem, você não precisa me explicar nada, não me deve explicação nenhuma, afinal, nós não temos nada um com o outro.

- Eu sei, mas eu gosto de você e não posso imaginar que você pense que eu só quero uma noite de sexo com você. Eu sei que o modo como tudo está acontecendo faz parecer que quero com você apenas uma noite de sexo, mas não, eu quero conhecê-la, quero ter um relacionamento sério com você.

- Só me explica como pretende fazer isso? Você já pensou quem vai ter que desistir dos sonhos? Eu ou você?

- Como assim?

- Carlos, você mora na Argentina e pelo que vi ama o que faz. Eu moro aqui no Rio Grande do Sul e também amo o que eu faço. Então, me explica como iremos ter um relacionamento assim? Você lá e eu aqui?

- Paola, meu amor, daremos um jeito.

- Não Carlos, não quero me iludir, não de novo. É melhor continuarmos assim, amigos. Agora vá para seu quarto e tente dormir um pouco.

Levou-o à suíte e colocou-o na cama.

- Você não deveria ficar aqui do meu lado, não no meu quarto.

- Carlos, tente dormir. Eu só vim aqui para trazê-lo, agora descanse você tem uma apresentação hoje à noite.

- Fique aqui até eu pegar no sono.

- Tudo bem, mas tem que me prometer que não vai tentar me agarrar.

- Eu juro.

- Tudo bem, eu fico aqui com você. Venha, deite aqui.

Colocou a cabeça dele em seu colo e ficou acariciando seu cabelo até a respiração dele ficar calma e pausada. Ficou imaginando como seria deitar ao lado dele e não resistiu, aconchegou-se a ele abraçando-o pela cintura e adormeceu.

Acordou já era quase meio-dia, estava dolorida, pois havia ficado muito tempo deitada do mesmo lado e, além disso, Carlos havia colocado o braço sobre sua cintura. Moveu-se de vagar para não acordá-lo, mas mesmo assim ele acordou espreguiçando-se.

- Eu estou sonhando? Ou você está mesmo deitada ao meu lado?

- Não se empolgue. Eu fiquei aqui porque você precisava de mim. Mas nada aconteceu e nada acontecerá. Entendeu?

- Eu vou ter paciência, eu sei que você virá pra mim, mais cedo ou mais tarde, só espero que seja mais cedo.

- Carlos, não vamos falar sobre isso, vamos combinar uma coisa: vamos deixar as coisas acontecerem naturalmente, não force as situações. Tudo bem?

- Eu vou esperá-la, vou fazer como você quer. Isso a deixa feliz?

- Muito. Agora vamos ou todos vão pensar que passamos a noite juntos.

- E não passamos?

- Não. Eu vim pra cá pela manhã. Esqueceu?

- Não, mas eles não precisam saber que não aconteceu nada entre nós dois.

- Claro que precisam, eles devem saber que nada aconteceu.

- Tudo bem, tudo bem, eu direi a verdade. Agora vamos almoçar?

- Eu almoço no quarto mesmo.

- Não, você almoça conosco.

- Tudo bem, aguarde pelo menos eu tomar um banho?

- O tempo que quiser, amor.

Saíram do quarto e encontraram todos na sala ensaiando.

- Achamos que não os veríamos tão cedo. A noite foi movimentada pra vocês dois.

- Não pense besteira, Pablo, Paola esteve aqui pela manhã bem cedo, eu fui até o quarto dela sem conseguir dormir e ela me trouxe até aqui, ficou do meu lado até eu pegar no sono e daí também adormeceu, nada além disso. Não julguem ela por isso, pois ela foi o anjo que me fez adormecer. Agora que todos sabem o que aconteceu, espero não ouvir mais falar nesse assunto. Paola, pode ir se arrumar para almoçar. Nos encontraremos aqui daqui a quarenta minutos. Está bem para você?

- Sim, até daqui a pouco pessoal.

Em seu quarto Paola se sentia feliz. Tomou um longo banho e se arrumou com cuidado, queria estar linda para Carlos. Pontualmente, após os quarenta minutos ela batia na porta da suíte, onde era recebida por Pierre.

- Você está linda.

- Obrigada. Você também está muito bonito. E Carlos onde está?

- Terminando de se arrumar. Daqui a pouco ele estará aqui. Quer ir descendo para o restaurante comigo?

- Ela vai comigo, Pierre.

- É, eu já imaginava isso. Vou descendo. Você sempre está na minha frente.

- O que ele quis dizer com isso?

- Não sei, o Pierre às vezes fica estressado sem motivos. Vamos descer?

O almoço aconteceu num clima divertido, apenas Pierre os olhava com certa tristeza e irritação.

À tarde foram passear, Paola os levou ao zoológico, depois foram ao parque e ao shopping, já era hora do jantar quando voltaram para o hotel.

Paola estava com saudade da família porque havia passado o dia todo sem vê-los. Assim que entrou em seu quarto ligou para sua mãe.

- Como estão todos aí mãe?

- Bem filha e você, tem se alimentado direitinho?

- Sim mãe, agora inclusive vou tomar um banho e me arrumar para jantar.

- Estamos com saudade.

- Eu também mãe. Se der amanhã eu vou aí. Tenham uma boa noite.

Tomou seu banho e se arrumou para jantar, já escolhendo uma roupa que usaria também na apresentação de Carlos em Cacequi.

Jantaram e foram para o show. Como sempre, o show foi maravilhoso.

Paola ainda dormia profundamente quando ouviu a campainha de seu celular. De início não identificou o número de quem lhe ligava, mas mesmo assim atendeu.

- Paola, é você?

- Sim, quem fala?

- Sou eu, Carlos. Será que você poderia vir aqui no meu quarto um pouco?

- Claro que sim.

- Só não demore muito.

- Não demorarei.

Cinco minutos depois, ainda de pijama, Paola batia na porta da suíte de Carlos.

- Ah, já aqui?

- Você pediu para vir logo, o que é tão importante assim que não deixou nem tempo para eu trocar de roupa? Espero não tê-lo feito esperar muito.

- Não brinca, olhe para mim, nem fiz hora trocar de roupa, achei que fosse o serviço de quarto. Só esperava você daqui a no mínimo trinta minutos.

- Você me pediu urgência, então eu vim assim – mostrou o pijama – e espero que você não se importe com meus trajes nada formais.

- Até parece – riu – eu também não estou nada formal.

- Mas então, o que é tão importante assim?

- Eu queria que você viesse tomar café comigo. Só isso.

- E isso era tão urgente assim?

- Ficar a sós do seu lado um minuto apenas já é um assunto urgente. A gente nunca fica sozinhos, sempre tem alguém junto.

- Eu entendo o que quer dizer, também gostaria de ficar mais tempo a sós com você.

- Será que eu ouvi mesmo você falar que também quer passar mais tempo a sós comigo?

- Ouviu sim. O tem demais nisso?

- Nada/, apenas que eu não acreditei no que eu estava ouvindo. Logo você que nunca quis admitir que gostava de estar comigo confessando que quer ficar mais tempo a sós comigo! Isso parece um sonho. Tem certeza de que não estou sonhando?

- Tenho. Carlos eu preciso falar com você, é muito importante, por isso, não me interrompa até eu acabar de falar, do contrário, posso perder a coragem.

- Fale, eu prometo não interrompê-la.

- Desde o dia em que eu te vi pela primeira vez, no aeroporto, eu me imaginei nos teus braços, me imaginei sendo beijada por você, amada por você. Depois, aquele dia na sacada, quando eu te falei que você deveria ver as flores na primavera e você disse que não estaria aqui para ver, eu estava me imaginando dançando com você, queria muito estar em teus braços. Quando fomos interrompidos por Constancita, eu fiquei tão frustrada que você não faz ideia. Queria ter sido beijada por você naquele momento. Depois quando enfim nos beijamos e Pierre nos interrompeu eu estava no paraíso e você, com tudo o que me disse a seguir, me fez ir direto ao inferno. Te ver nos braços da Constancita naquela noite após o show onde você tinha me convidado para terminar nossa conversa do dia anterior me desestruturou. Eu passei a noite inteira em claro, e de manhã você veio me acordar para conversar. Então eu o levei para o quarto e dormimos abraçados, esse momento foi mágico para mim. Carlos, você deve estar se perguntando o que eu quero dizer com tudo isso, eu já lhe explico. O que eu quero dizer com tudo isso é que não adianta eu tentar esconder, não adianta eu tentar lutar contra, esse amor já está dentro de mim, já tomou conta de todo o meu ser, eu quero você, quero você agora, amanhã, depois, a vida toda. Desculpe, Carlos, mas estou apaixonada por você.

Carlos não desviou os olhos dos dela nem um segundo sequer e quando ela terminou de falar abraçou-a com força e a beijou. No começo foi um beijo suave, tímido depois o beijo se tornou selvagem, exigente, Carlos parecia faminto, sua boca sugava a de Paola como se ela fosse a água que ele procurava no deserto, ele a apertava tão forte que o ar lhe faltava.

Tomada por um último sentimento de bom senso, Paola o empurrou.

- O que foi?

- Calma, esse não é o local para isso, poderemos ser surpreendidos por qualquer um a qualquer momento.

- Isso não é problema, vamos para o meu quarto.

- Não. Vamos para o meu quarto.

Agarrou a mão dele e o puxou em direção ao corredor.

Abriu a porta do quarto e empurrou-o para dentro, ele não parava de olhá-la. Já dentro do quarto o resto de timidez que ainda poderia existir foi embora. Ele a pegou no colo e levou-a até a cama, depositou-a com carinho e começou a beijar-lhe os lábios, enquanto uma das mãos abria o pijama.

Aos poucos carícias começaram a ser trocadas, carícias mais e mais ousadas, prenunciando o que viria a seguir.

Paola não conseguia raciocinar, sabia que o que iam fazer era uma loucura, mas a paixão era mais forte do que qualquer outro sentimento.

Ele a despiu por completo e ela o ajudou a se despir da cueca, ambos ficaram nus, se olhando, admirando, até que ele não resistindo mais puxou-a para si e depositou-lhe um beijo, enquanto seu corpo pressionava o dela em direção ao colchão. Carinhosamente, ele deitou-a na cama e um a um sugou seus seios com volúpia, enquanto a mão traçava caminhos nunca antes traçados naquele corpo quente e macio.

A boca abandonou os seios e foi em busca dos lábios, que se abriram como flor.

Não satisfeito, desceu até o seu ventre, e no seu mais louco desejo, sugou-lhe as partes mais obscuras de seu corpo levando-a ao delírio.

Paola gemia e contorcia-se ao toque louco da língua de Carlos.

- Possua-me agora amor, eu estou queimando.

- Quero que você se queime ainda mais com meu fogo amor.

Louca de desejo, Paola enlaçou-o pela cintura e puxou-o para si, fazendo-o deitar-se sobre ela. A partir desse momento nenhum dos dois controlava mais as emoções.

Ele a possuiu com força, desejo e carinho. Paola gemia em seu ouvido palavras de amor que o excitavam ainda mais. Durante mais de uma hora os corpos se procuraram e se saciaram, até que cansados adormeceram abraçados.

Quando acordou, Paola não acreditava no que haviam feito. Sabia que havia cometido uma insensatez, mas amava ele. Olhou-se no espelho e ainda podia ver as marcas do amor em seu corpo. Acordou Carlos com um beijo e foi puxada por ele para a cama onde novas carícias começaram a ser trocadas.

- Você me fez o homem mais feliz da terra, meu amor.

- E você me fez a mulher mais feliz.

- Desde o primeiro dia esperei por isso, sonhei com isso.

- Eu também amor, queria muito você.

- E agora ambos realizamos nossos desejos.

- É o que faremos agora?

- Eu não posso e não quero mais dormir naquele quarto sozinho. Temos duas alternativas, ou você se muda para meu quarto ou me mudo para cá. Você escolhe.

- Carlos, está tudo maravilhoso, será maravilhoso dividir o quarto com você, mas isso será até quando? Daqui a duas semanas será a inauguração e você irá embora. Nossa brincadeira de casinha irá acabar e eu sei que sofrerei sem você.

- Eu não vou deixá-la amor, nunca mais. Não será uma brincadeira de casinha será o início do nosso relacionamento, da nossa vida a dois. Você não quer?

- Ficar com você é o que mais quero na vida.

- Então amor, deixe de pôr obstáculos e venha cá, me dá mais um beijo.

- Carlos eu até quero ficar com você o dia todo aqui na cama, mas temos compromissos. Já perdemos o almoço, temos que ensaiar um pouco para seu show de hoje à noite.

- O show pode esperar nosso amor não...

Naquela mesma noite Carlos transferiu suas coisas para o quarto de Paola, o que deixou Pierre e Constancita muito irritados.

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