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Anton Arhus

Anton Arhus

Autor:: Liliane Favalessa
Gênero: Bilionários
Anton Arhus é um engenheiro dinamarquês. O talentoso criador das armas vendidas pela sua empresa. Amigo fiel e um homem protetor que busca combater as injustiças do mundo. Cora Reed foi vendida pelos pais quando tinha vinte e um anos. Com uma enorme sagacidade ela conseguiu escapar das garras do maldito sueco que a obrigava se prostituir. Mesmo indo para Copenhague, Cora continuou vendendo seu corpo, pois ninguém queria ajudar uma desconhecida que vivia ilegal na cidade. Anton e Cora tiveram um breve encontro, mas esse único encontro resultou em algo mais, principalmente para a Cora que mudou totalmente sua vida e voltou a pensar em seus sonhos que estavam perdidos no fundo do seu coração. Destino ou não, Cora e Anton se encontram um tempo depois, mas tudo mudou, pois agora Cora tem um filho e não parece a mesma mulher de antes, já o Anton parece muito disposto a perder a paciência com a mulher soturna que esteve em sua cama um dia. Anton Arhus é o segundo livro da série Os Dinamarqueses.

Capítulo 1 PRÓLOGO

ANTON

Olho mais uma vez o celular, já não quero ficar trancado em meu apartamento, esperando o meu amigo. Knut nunca foi de se atrasar, mas acho que hoje ele tirou o dia para me tirar do sério, logo hoje que estou completando vinte e nove anos, ele não podia escolher um dia melhor.

Suspiro, cansado.

Preciso de uma cama para me deitar e esperar que esse dia acabe logo.

Mesmo hoje sendo meu aniversário, eu escolhi trabalhar o dia inteiro, não queria ficar lembrando que estou mais um ano sem as duas mulheres mais importantes da minha vida.

Eu perdi Camille, a minha única irmã quando eu tinha dez anos, ela era mais velha, eu a amava tanto que até hoje quando vejo suas fotos, eu me desabo a chorar, sinto tanto sua falta.

Anos depois, foi a vez da minha mãe me deixar, eu sofri tanto, se não existisse Knut e Storm, eu estaria perdido por aí, eles me ajudaram a dar continuidade na herança da minha mãe.

O homem que surgiu em minha vida quando eu tinha oito anos, dizendo que era meu pai, esse eu nem gosto de lembrar, felizmente ele não se encontra no mundo dos vivos e eu não tenho seu sobrenome, pois ele foi o causador de toda desgraça que aconteceu com a minha família.

Lembrar do passado sempre me deixa melancólico, principalmente quando essa data é o meu aniversário, mas eu tento seguir a diante, acreditando que estou fazendo um bom trabalho.

Ser um engenheiro mecânico, sempre esteve em meus planos, mas que iria me aprofundar em material bélico, mais precisamente em armas e munições, isso só veio depois que eu e meus melhores amigos construímos a Vaben, nossa empresa de armamentos e munições.

Voltei há dois meses do Estados Unidos, fui fazer um curso para aperfeiçoar as armas semiautomáticas. Existe mais três engenheiros na empresa, capacitados para desenvolver equipamentos de qualidades.

Não trabalhei na Interpol como o Knut, e muito menos na polícia local de Copenhague como o Storm, eu apenas me tornei um homem que aprendeu usar a arma da pior forma.

A campainha toca, e me tira dos meus pensamentos que já estava indo para um lado mais sombrio. Me levanto, querendo xingar o Knut, porque ele sabe que pode entrar em meu apartamento na hora que quiser, assim como em minha casa no Complexo.

Abro a porta, e meu amigo está lá, mas o que me chama atenção é uma loira atrás dele.

- Desculpa a demora, eu tive uns contratempos. - Ele se desculpa, ajeitando o terno.

- Não sabia que estaria acompanhado. - Falo, e a mulher atrás dele acena com um sorriso.

Essa é a mulher mais bela que vi ao lado do meu amigo, ele já esteve com muitas, mas essa supera todas. Ela usa um vestido preto, que deixa seu corpo totalmente moldado.

- Não estou, ela é sua companhia. - Ele fala, dando espaço para a mulher entrar.

Ela não pode ser o que estou pensando, mas o sorriso nos lábios do meu amigo indica que é sim.

- Knut! - Resmungo.

- Não faça nada que não faria em uma situação assim. Parabéns, irmão. - Ele acena, seguindo para longe.

Olho para a garota, ela espera atenciosamente que fale algo, mas nunca fiquei com uma acompanhante de luxo.

- Oi, desculpe por isso, eu não sabia que ele iria trazer você. - Me desculpo, fechando a porta.

- Ele me pagou, acho que foi um presente. - Ela diz, não demonstrando qualquer vergonha.

- Uma acompanhante de luxo? - Pergunto.

Algumas garotas preferem que a chame assim. Nunca estive com uma, não para transar, e acho que hoje não será diferente, mesmo tendo uma mulher belíssima em minha frente, eu não a usaria dessa forma. Knut sabe disso, protegemos mulheres, acabamos com prostíbulos e homens que sequestram mulheres para a prostituição.

- Me chame do que achar melhor, acho que temos umas duas horas. - Ela diz, ainda se mantendo no lugar.

- Não iremos fazer nada. - Digo, e ela dá de ombros.

- É algum joguinho? - Ela pergunta com uma risada.

- Não, eu não fico com uma acompanhante de luxo. - Informo, indicando o sofá para que ela sente, ela fica em dúvida, mas se senta.

- Poderia ficar ofendida, mas eu ganho a vida transando com os homens, acho que dessa vez ganhei muito dinheiro apenas para olhar um homem gato. - Ela cruza as pernas.

- Eu acho que meu amigo quis apenas fazer algum tipo de brincadeira que não faz sentido. - Explico, não gostando da atitude do Knut, mas sei que é por causa da Vicki, ele não gosta muito dela, mas ela é a minha segurança pessoal.

- Pelo jeito não tem um bom amigo. - Ela diz, e olho para a mulher sentada em meu sofá.

Eu passaria a noite transando com essa mulher, seria muito bom ouvir os gemidos falsos de sua boca, mesmo que meu pênis dá sinal de vida só olhando para suas pernas, eu não ficarei com essa mulher, mas não posso dizer que não estou tentado a fazer isso.

- Qual é seu nome? Idade? - Pergunto, me sentando na poltrona um pouco afastada. Não sou uma pessoa curiosa, mas preciso saber dessa mulher que meus olhos não param de analisar.

- Se não vamos fazer o que viemos fazer, eu estou indo embora. - Ela se levanta, e faço sinal para que fique no mesmo lugar.

- Podemos pelo menos jantar? - Pergunto.

Não seria justo com a garota, ela está fazendo o trabalho dela, e eu apenas não quero que ela saia daqui e vá para cama de outro homem que posso a maltratar.

Ela toca o colar em seu pescoço, e dá um sorriso, depois me olha sem qualquer vontade de estar em minha companhia.

- Tudo bem, acho que vale a pena ficar para o jantar. - Ela avisa, dando um sorriso, um belo sorriso.

- Meu nome é Anton.

- Prefiro não falar o meu. - Ela avisa, dando de ombros.

- O que quer comer? - Pergunto, pegando meu celular.

Eu sou um desastre na cozinha, nunca me ofereceria para fritar um ovo, e não quero que ela faça isso.

- Qualquer coisa, não me importo, eu sou apenas uma intrusa em sua casa. - Ela diz, mostrando a sala ao redor.

- Esse é meu apartamento, não a minha casa. - Falo, e ela dá de ombros.

Certamente ela não seria uma mulher que estaria em minha casa, o Complexo é um lugar onde não levamos qualquer mulher, eu nunca levei uma, além da Vicki, mas ela é a minha segurança, me faz lembrar da minha irmã.

Namoro, casamento ou um relacionamento fixo, não faz parte dos meus projetos de vida, mas viver solteiro e morrer livre é algo que combina com meus pensamentos, minha vida é muito agitada e perigosa para ter alguém ao meu lado.

- Legal. - Ela diz, batendo os dedos no braço do sofá.

- Gosta de comida japonesa? - Indago, seus olhos parecem felizes.

- Sim, minha comida preferida, não como a um bom tempo, mas ainda continua sendo a melhor.

- Vou pedir, também gosto. - Informo.

Eu gosto de tudo, mas ela não precisa saber disso.

Faço o pedido para duas pessoas, e tento conversar com a mulher, que é muito soturna, pensei que eu fosse assim, mas essa mulher em minha frente se supera.

- Eu tenho vinte e dois anos, mas não vou falar meu nome, não gosto de falar algo íntimo assim. - Ela informa, depois de um tempo em silêncio.

- Tudo bem, soturna. - Falo, e sua expressão é de confusão. - Você é muito silenciosa, e...

- Eu sei o que soturna significa. - Ela me impede de explicar o motivo de chamá-la assim.

- Como não saberei seu nome, mas iremos comer japonês juntos, eu vou te chamar assim.

- Pode me chamar do que quiser.

Tento conversar com a mulher, mas ela é realmente uma soturna, não fala muita coisa.

Quando estou quase sugerindo que ela leve a comida para comer em casa, ela me surpreende perguntando se pode usar a mesinha de centro para comer, eu confirmo com um sorriso, enquanto busco a comida com o entregador.

Volto para a sala, coloco a sacola na mesa, e ela arruma rapidamente.

Me sento de frente para ela. É algo estranho, eu estou comendo com uma mulher que não sei o nome, mas me sinto confortável, eu estou fazendo isso tudo para que não precise passar a noite na cama de outro homem.

Comemos em silêncio, enquanto tento descobrir se seus olhos são castanhos ou verdes, talvez seja a composição dos dois.

- Que cor são seus olhos? - Pergunto.

- Avelã, castanhos esverdeados, mais predominante o verde. - Ela explica, e faço sinal de concordância.

- É bonito. - Falo, e ela dá de ombros.

- O seu também não é feio. - Ela diz, voltando a atenção para os sushis.

- Os meus são pretos, não tem algo de interessante. - Falo, e ela para de comer.

Me olha por um tempo, sei que está encarando profundamente meus olhos.

- Eles são expressivos, algo neles dizem que você quer me levar para cama e saber o que posso lhe proporcionar...

- Eu não quero isso. - A corto. Ela não está mentindo, mas não posso dizer isso abertamente.

- Eu não chamo sua atenção? - Ela pergunta, ajeitando os cabelos que caem nas costas.

- Muito, mas não me sinto bem em transar com alguém que vive disso.

Sou realista, eu sei que parece um pouco duro.

- E se eu quiser? - Ela questiona, deixando a comida de lado.

- Vale a pena tentar mudar minha opinião? - Pergunto, ela dá de ombros.

- Nunca estive com um homem lindo assim, mas confesso que pensei que você seria virgem, nunca fui contratada para ficar com outro homem que não seja o que me contratou. - Ela revela.

- Eu posso te provar que não sou um homem virgem, mas eu não te pagarei por isso. - Pisco, e ela dá de ombros.

- Sinceramente, eu quero estar na sua cama, descobrir o que um homem cheio de músculo é capaz, mas eu não irei devolver o dinheiro do seu amigo, preciso muito dele. - Ela informa, ajeitando o resto da comida na sacola, eu a ajudo porque nosso jantar acabou.

- Não devolva, o dinheiro não irá fazer falta. - Aviso, pegando a sujeira que deixamos.

Quando volta para a sala, ela já está no sofá, me olha de um jeito sedutor, e ela parece muito a fim. Me sento na poltrona.

- Podemos transar, depois vou embora, você finge que isso nunca aconteceu. - Ela sugere.

- Quer mesmo transar comigo? - Pergunto, desejando que ela responda que sim.

- Claro, sinto que será prazeroso, mas se não quiser, eu posso ir embora. - Ela fala, ajeitando a bolsa no ombro.

Me levanto mais rápido que ela, em poucos segundos estou em sua frente. Toco seus cabelos, e ela fecha os olhos para aproveitar a sensação. Me abaixo um pouco, sinto seu perfume, tão excitante e penetrante.

- Venha comigo. - Seguro sua mão e subimos rapidamente para o segundo andar do meu apartamento.

A guio em direção ao meu quarto do lado esquerdo, já estive com outras mulheres aqui. Não vou tratá-la como uma acompanhante de luxo, mas eu transarei com ela.

Abro a porta, e a levo direto para a cama, ela não diz nada, apenas se senta na cama e espera.

- Olha, eu só transo com preservativos. - Ela informa, quando tiro minha camisa.

- Sou a favor da proteção. - Falo, subindo na cama.

Eu queria ser rude, a colocar de quatro, mostrar com quem ela está lidando, mas eu preciso ser paciente com essa mulher, acho que ela já esteve na cama de muitos idiotas.

Meu celular começa a tocar, sei que é a Vicki, ela sabe que tem alguém aqui, acho que o Knut a fez saber, mas não irei atender a minha segurança agora.

Tiro minha calça, e subo em cima da mulher desconhecida, é tão excitante transar com alguém sem saber seu nome, mas acho que essa será a primeira e última vez.

- Eu passei o jantar todo desejando saber o gosto dos seus lábios, me sentir atraída desde o momento que coloquei os olhos em você. - Ela revela, ofegante.

Passo a mão pelos seus braços, abaixando a alça fina do seu vestido. Beijo seu ombro, e ela ofega, me deixando mais duro.

Puxo ela para o meu colo, enquanto tiro seu vestido, revelando o quanto ela ainda é mais linda.

Quando ela está apenas de calcinha, eu olho para seus seios, que são muito apetitosos e pequenos. Pego um em minhas mãos, e ela geme me levando a loucura, não é um gemido falso, é muito excitante e nada tímido, é de alguém que realmente esteja aproveitando o momento. Chupo o mamilo e ela segura meu cabelo, puxando em sua direção.

A deito na cama e a beijo, se ela falou que desejava saber o gosto dos meus lábios, imagina eu que não parei um minuto de querer sentir seus lábios em mim.

Nosso beijo se aprofunda, ela parece querer as coisas rapidamente, mas eu quero que dure sempre.

Vou beijando seu corpo, ele é tão perfeito que meu desejo não é somente ficar assim, mas sei que gozaria facilmente. Chego em sua abertura, e ela geme quando toco minha língua no seu clitóris inchado.

- Ah! - Ela grita, tentando fechar as pernas, mas a impeço que faça isso.

- Goze! - Sai mais como uma ordem, e ela obedece, se desmanchando em minha língua. Enquanto seu corpo ainda treme com o orgasmo, eu a estímulo para continuar pronta para mim.

- Isso foi um orgasmo? - Ela indaga, tomando fôlego.

- Sim, nunca teve antes? - Pergunto, e ela nega.

Seu rosto está um pouco vermelho, não sei se é pelo calor que se instaurou no quarto ou se ela está envergonhada.

- Não.

- Sério? - pergunto, me sentindo um sortudo por proporcionar seu primeiro orgasmo.

- Não, eu nunca tive nada disso, nem alguém passando a língua em mim. - Ela nega, fechando as pernas e tiro minha mão.

- Eu posso te proporcionar muitos orgasmos nessa noite, mas apenas se quiser continuar. - Falo, mostrando para suas pernas fechadas, que ela abre, rapidamente.

- Eu quero, estou apenas sentindo um formigamento. - Ela conta, e volto a tocar em sua abertura suculenta.

- Eu não entendo muito de orgasmo feminino, mas acho que foi intenso e muito prazeroso. - Dou de ombros, e volto com a minha língua para seu clitóris delicioso.

- Pode fazer novamente? - Ela pede, e afirmo com a cabeça.

Eu irei fazer isso a noite toda se ela permitir, quero que ela se sinta bem, eu não posso questionar a sua vida, mas eu posso te dar momentos prazerosos, que ela se lembre para sempre.

- Goze, soturna. Sem pudor, apenas se liberte. - Encorajo-a.

Se soubesse que ela estava apenas precisando de algo assim, eu a teria trazido no momento que entrou no meu apartamento, mas agora darei meu melhor.

Ela geme e mais uma vez sinto seu gosto na minha boca, espero que seu corpo volte ao normal, enquanto tiro minha calça, pego o preservativo em uma gaveta ao lado da cama e coloco sobre o meu membro que está duro apenas de olhar par a belíssima imagem em minha frente.

Ela me encara, e abre mais as pernas, indicando que posso me enterrar nela. Me encaixo na abertura, e vou enfiando aos poucos, enquanto ela me recebe. É tão apertadinha que suas paredes me apertam.

Fico em um movimento de vai em vem, enquanto beijos seus lábios e falo em seu ouvido como é bom isso.

Quando já não estou aguentando, eu passo o dedo pelo seu clitóris, quando ela geme forte, eu me deixo ser levado na mesma sensação.

Apoio minha mão para que não caia em cima dela, espero que minha respiração vá se acalmando, enquanto olho para a mulher mais linda que já conheci, ela parece satisfeita.

- Preciso ir. - Ela diz, e me levanto.

Olho o relógio e são quase uma hora, acho que passamos muito tempo apenas nos olhando.

- Está tarde, eu te levo. - Me ofereço, seguindo para o banheiro, onde me limpo rapidamente e volto para o quarto.

- Gosto de andar sozinha. - Ela explica colocando sua roupa.

Me aproximo dela, e tiro a roupa das suas mãos, depois coloco na cama.

- Você é tão linda, sei que não nos veremos, então passe a noite aqui e vá embora amanhã. - Peço, tocando seu rosto.

- Tudo bem, não vou perder a oportunidade de passar mais tempo com um desconhecido. - Ela diz, se sentando na cama.

- Você sabe meu nome, devia dizer o seu. - Digo, caminhando para o closet. Pego dois roupões e volto para o quarto, estendo um para ela.

- Não falarei meu nome, apenas serei um rosto em suas memorias. - Ela diz, se levantando. - Posso tomar um banho?

- Sim, vou ficar com o banheiro do outro quarto. - Me afasto dela e sigo para o quarto ao lado do meu.

Tomo um rápido banho, e volto para o meu quarto, se posso aproveitar uma noite com essa mulher, eu não perderei a oportunidade.

Quando ela sai do banheiro, seu cheiro predomina no ambiente. Logo estamos nos olhando como duas pessoas cheias de tesão.

- Iremos dividir a mesma cama? - Ela pergunta, ajeitando os cabelos loiros em um coque.

- Não tenho problemas com isso, você tem? - Pergunto, batendo ao meu lado na cama.

Já dormir com outras mulheres, não algo íntimo, claro que prefiro aquelas que vão embora logo depois do sexo, mas com a soturna em minha frente é diferente, eu quero que ela se sinta desejada da maneira correta.

Ela se deita ao meu lado, logo estamos se beijando e querendo saciar o desejo que não parece ter fim.

Quando dormimos, já está amanhecendo, deixo que ela se aconchegue em mim, e me sinto bem ao seu lado.

Penso que não sou tão diferente dos homens que pagam para ter um sexo com uma mulher, me sinto péssimo, mas eu não estou usando o corpo dela indevidamente, ela permitiu que fizesse isso.

Deixo meus pensamentos de lado, e aproveito para dormir um pouco.

Quando abro meus olhos, ela já não está em minha cama, fico um pouco decepcionado até ouvir seus passos saindo do banheiro.

- Usei seu banheiro novamente. - Ela explica, ajeitando o seu vestido.

- Fique à vontade. Eu pensei que estivesse ido embora. - Falo, e ela dá um sorriso.

- Já estou indo. - Ela diz, e me apresso para segurar sua mão.

- Fique mais, eu quero te pedir desculpa, não devia ter transado com você. - Falo, me sentindo péssimo.

- Por que sou uma prostituta? - Ela indaga, não demostrando qualquer tristeza.

- Não, porque não sou o tipo de pessoa que paga para transar com uma mulher. - Falo, e ela puxa minha mão.

- Não mesmo, você é o gostoso, rico e que pode ter todas as mulheres! - Ela debocha.

- Não é isso. - Tento dizer, e ela me empurra na cama.

- Não fale, apenas curta. - Ela sobe em cima de mim, meu membro reage apenas com seu toque, ele não parece satisfeito com a noite que tivemos.

Mesmo sabendo que estou me esquecendo da proteção, deixo que ela tome o controle e me prove que quer isso mais que eu.

Senti sua pele na minha é tão prazeroso que não consigo me conter, mas antes que goze, eu a faço gozar gritando meu nome, assim me libero dentro dela.

- Eu não queria fazer isso dentro de você. - Digo, quando ela sai de cima de mim.

- Apenas curta, Anton. - Ela pede, seguindo para o banheiro.

Espero que ela volte, e entro no banheiro tomando um banho demorado, quando saio, ela está sentada em minha cama.

- Já está na hora do almoço. - Falo, pegando meu celular para pedir a comida.

- Eu te acompanho no almoço. - Ela avisa, se levantando.

Descemos para a sala, enquanto mostro a cozinha e ela avisa que irá arrumar a mesa, eu sigo para a sala onde a companhia toca. Abro a porta e Vicki está com um sorriso e as sacolas na mão.

- Trouxe a comida que pediu. - Ela diz, estendendo a sacola, pego e impeço que ela passe.

- Eu tenho visita. - Falo, e ela tenta ver, mas me coloco em sua frente.

- Ainda está com aquela mulher que o Knut trouxe? - Ela pergunta, surpresa.

- Depois conversamos.

- Knut não presta! - Ela resmunga, saindo da minha vista.

Fecho a porta, volto correndo para a cozinha, onde os pratos estão colocados bem alinhados na mesa.

Enquanto almoçamos, eu tento puxar assunto, mas ela é muito discreta e prefere não falar muito.

Depois do almoço, eu a convido para tomar uns drinques, sei que estou adiando sua partida, mas quero fazer isso.

No fim da tarde, ela se levanta do sofá, deixa sua taça com vinho e pega sua bolsa, indicando sua partida.

- Posso te levar em casa? - Pergunto, seus olhos avelãs brilham, e ela nega.

- Foi maravilhoso passar o dia aqui, mas preciso ir, obrigada por me proporcionar orgasmos verdadeiros. - Ela agradece, passando o braço ao redor do meu pescoço.

- Não agradeça. - Peço, frustrado.

- Você é bondoso, não nos veremos mais, mas sempre me lembrarei de você. - Ela beija meu rosto, e se afasta, me esforço para deixá-la ir, ela não faz parte da minha vida.

Aceno quando ela sai, deixando apenas seu perfume para trás. Fico um pouco na sala e subo.

Assim que entro no quarto, eu sinto seu cheiro, meus olhos vão diretamente para o topázio azul nos travesseiros. Pego o colar da mulher desconhecida e desço rapidamente para ver se a encontro.

Pego o elevador e já estou xingando com sua demora, assim que chego ao térreo, vejo Nixon, o segurança do prédio.

- A mulher que estava em seu apartamento acabou de pegar um táxi. - Ele forma, queria xingar, mas vejo o Knut vindo em minha direção.

- Qual é o nome da mulher? - Pergunto, puxando-o para o elevador, ele me encara sem entender. - A mulher que levou para meu apartamento.

- Não sei, eu a encontrei na rua. - Ele diz, e guardo o colar no bolso. - Parece que se divertiu muito.

Ele está sério, mas tudo que aconteceu foi por culpa dele, se não tivesse trazido a mulher, nada disso teria acontecido.

Suspiro, antes de falar tudo que aconteceu, e tentar esquecer essa mulher, mas algo no meu coração garante que sempre lembrarei dela em meu aniversário ou em qualquer oportunidade.

Capítulo 2 UM

ANTON

Um tempo depois

Não imaginei que a veria novamente, claro que procurei por ela para devolver seu colar, não tive sucesso, o colar com um topázio azul ainda permanece sobre meu domínio.

Não nego que fiquei balançado por ela, como se fosse uma paixão avassaladora, que da mesma forma que abalou meu coração, também se dissipou como uma fumaça, só deixando o aroma de sândalos e cassis, pois o cheiro dela ficou impregnado em mim que não sosseguei até encontrar um perfume igual.

Hoje a soturna tem nome.

Cora Reed, a irmã mais velha da Erin.

Jamais passou pela minha cabeça que aquela mulher que mexeu com os meus pensamentos, a mesma que ainda não havia sentido um orgasmo verdadeiro, seria a irmã desaparecida da Erin.

Entendo que o mundo é gigante, existem muitas pessoas, mas penso que o destino esteja entrelaçados para acontecer da maneira certa e no tempo devido, o que realmente tem que acontecer.

Quando vi sua foto, eu sabia que era ela. Seus cabelos estavam curtos e pretos, ela usava óculos, mas reconheceria aqueles olhos avelãs em qualquer lugar, meu coração descompassou por um momento, mas logo tratei de domá-lo.

Não sabia o que tinha acontecido com ela. Já havia passado mais de um ano que nos despedimos em meu apartamento, e talvez agora eu terei chance de devolver seu colar, e eu espero que a Erin não demore para procurar pela irmã.

Meu celular começa a tocar, o nome do Knut surge na tela, atendo imediatamente.

- Iremos na casa da Cora. - Ele anuncia, e esse momento não podia ter vindo em um dia melhor, eu preciso vê-la pessoalmente. - Erin acha melhor que esteja presente.

Knut, o homem que disse que jamais estaria acompanhado, hoje se tornou um homem apaixonado pela namorada, que em breve se tornará sua esposa, meu amigo deveria morder a própria língua por dizer a palavra nunca, hoje ele está de quatro pela Erin, que mudou totalmente sua vida, assim como o pequeno Valentin.

- Erin já está bem? - Questiono, pois ela passou por momentos tensos nos últimos dias e estava no hospital, onde também descobriu sobre a irmã e acabou ficando agitada.

- Sim, ela teve alta mais cedo.

- Que bom. - Paro por um segundo. - Eu vou com vocês na casa da Cora.

- Estamos te esperando no hospital. Vamos direto para Christiania. - Ele informa, e eu entendo o desespero da Erin em encontrar a irmã.

- Eu estou indo. - Desligo, sentindo uma pontinha de emoção.

Pelo jeito eu a encontrarei hoje. Isso parece bom, mas não posso afirmar nesse momento.

Anton, não pense muito, já se passaram um tempo.

Assim que os dois entram no banco de trás do meu carro, porque Knut não deixa a mão da Erin um momento. Eu olho para a minha amiga, que está muito feliz, e seu semblante parece muito melhor.

No começo, fiquei meio receoso com a presença da Erin no Complexo, mas a menina de sorriso gentil me conquistou pela boca, ela é uma ótima chef de cozinha, e eu sou um degustador nato, não reclamo de nenhuma comida, apenas aproveito a sensação que elas proporcionam.

Enquanto me aproximo da casa da Cora, eu vou pensando em tudo que ela pode dizer ao me encontrar, e quando paro próximo a cidade livre, pois lá não circulam carros, eu desço com uma sensação estranha.

Cumprimentamos algumas pessoas conhecidas. Eu e meus amigos ajudamos aqui, principalmente porque esse foi o lar do Storm desde o seu nascimento e do Knut quando veio morar aqui.

Há pinturas em todos os lugares. Sempre fico admirado com a cultura daqui.

Caminhamos pelo um caminho de terra, e logo seguimos uma estrada estreita até uma casa colorida que eu conheço bem.

- Essa era a casa do Storm, brincávamos muito naquela grama. - Knut conta a namorada.

- E o Anton? - Ela questiona, e eu coloco a mão no bolso.

- Eu não morava aqui, conheci o Knut na escola, depois o Storm. - Explico, lembrando do momento que conheci os meus amigos.

- Meu amigo era um riquinho. - Knut deboche e dou de ombros como se não fosse minha escolha.

- Trocaria minha infância rica por isso aqui. - Informo, pois talvez eu seria mais feliz, e não precisaria passar por tudo que passei, teria minha mãe e irmã ainda comigo.

- Erin? - Knut a chama, e aponta a casa com o queixo.

Erin parece tremer um pouco, mas segura sua mão e caminha na direção da casa, Knut passa a mão pela cintura dela, e sigo um pouco atrás.

Ela bate na porta, é como estivesse batendo em meu coração, sinto todas as vibrações, estou tão ansioso.

A porta se abre, meus olhos recaem sobre ela, mas ela logo desfaz nosso contato. Continua linda, diferente, mas ainda a mesma mulher deslumbrante que entrou em meu apartamento.

Ela olha séria para a irmã, como se estivesse com ela o tempo todo e não que estão se encontrando depois de um tempo separados por uma crueldade.

- Entre, Erin. - Ela fala, sua voz não parece a mesma daquele dia, ela está mais grave e feroz.

- Eles...

- Você sozinha, acho que não precisamos de plateia em nossa conversa. - Cora corta a irmã, séria.

Seu olhar para mim é como uma espada atravessando um coração, e ela não parece animada com a minha presença.

- Esperamos aqui fora, Erin. - Knut aperta a cintura da namorada que dá um sorriso gentil, se desfazendo dos seus braços protetores, sei que meu amigo está se esforçando para deixá-la ir, mas ele sabe que ela precisa de um momento a sós com a irmã.

Cora fecha a porta forte assim que Erin entra, olho para o Knut que parece muito preocupado.

- Vamos nos sentar um pouco. - Bato em seu ombro e seguimos em direção a um banco. Me sento e espero que ele faça o mesmo.

- Ela nos odeia. - Ele fala, sua voz parece tensa.

Não falo nada, pode ser que seja isso, mas parecia que ela estava esperando pela visita da irmã, o que deixa mais evidente que ela sabia que a Erin estava conosco, mesmo assim não procurou por ela.

Ficamos um tempo em silêncio, apenas observando um pouco da natureza ou conversando sobre o Valentin e como meu amigo está lhe dando com a responsabilidade de ser pai.

- Se eu soubesse que ela tinha sido sequestrada, eu teria ajudado naquela noite. - Falo, e ele bate no meu ombro, confirmando com a cabeça.

Matamos homens que sequestram mulheres para prostituição, eu teria o maior prazer de matar quem tirou a Cora de perto da sua família, assim como Knut matou o homem que tirou a Erin dos Estados Unidos.

Knut se levanta depois de um tempo, ele não está confortável com essa situação.

- Eu vou ver como a Erin está. - Ele informa.

- Vou com você.

Ele bate na porta, e esperamos um segundo até a porta ser aberta por Erin, ao seu lado está a Cora, mas a minha atenção vai toda para o bebê em seu colo.

Ela tem um filho?

- Estava preocupado. - Knut revela.

- Não matei minha irmã! - Cora resmunga, Knut desvia a atenção para ela, se surpreendendo por vê-la com uma criança, eu também estou surpreso.

- Essa é a Cora, minha irmã, e o Hero filho dela. - Erin apresenta quando o clima começa a ficar pesado.

Encaro a Cora, que não abaixa a cabeça e mantem seu filho ao seu lado como uma mãe protetora.

- Oi, Cora. - Cumprimento, mas ela não me olha e dá as costas.

- Não quero vocês em minha casa. - Ela informa, e caminha para longe

- Ela parece um pouco zangada. - Knut fala, tocando o rosto da Erin.

- Estou bem, me busque depois, temos muitas coisas para conversar. - Erin informa.

- Te ligo quando sair da empresa. - Ele avisa.

Olho para casa com esperança que a veja mais uma vez, e que consigo pedir mais uma vez desculpa por aquele dia.

Erin acena, e fecha a porta, me deixando sozinho novamente com o Knut.

Seguimos para o carro, enquanto isso penso no bebê que vi em seu colo.

Será que ela ainda é uma acompanhante de luxo?

- Ela está tão diferente. - Falo, quando o Knut se senta ao meu lado no carro.

- Ela teve um filho, pintou os cabelos, usa óculos. - Ele dá de ombros como se não fosse importante.

- Sim, ela teve um filho. - Falo, pausadamente.

- Sentiu algo ao vê-la? - Ele pergunta, e dou de ombros.

- Não. - Minto, ligando o carro.

- Viu como ela parece uma fera? - Ele questiona, e revira os olhos.

- Ela odeia a gente, principalmente eu. - Concluo.

Seguimos para a empresa, onde vou direto para minha sala, porém meus pensamentos estão na mulher que achei que havia esquecido, mas agora vejo que não, queria muito tocá-la, saber da sua vida, dizer que foi coincidência nosso reencontro, mas por muito tempo desejei que algo assim acontecesse.

Tento concentrar no trabalho, mas não consigo nem ligar o computador. Então apenas fico olhando pela enorme parede de vidro, enquanto penso nela e em tudo que fizemos.

Pego minhas coisas, e vou para casa. Enoch, um dos meus seguranças pessoais, me acompanha até em casa e depois aviso que pode ir embora já que não irei sair hoje, mas se precisar a Vicki pode me acompanhar.

Entro na sala, e a única mulher capaz de me tirar um sorriso depois de um dia cansado, se encontra no sofá mexendo no computador. Na verdade, a Erin também me deixa muito feliz quando me convida para comer em sua casa, mas não posso falar isso com a Vicki.

Vicki me faz lembrar da minha irmã. Camille morreu jovem, mas morreu lutando contra o mal, e a Vicki é assim, ela perdeu a mãe cedo e o pai ela não conheceu, mas ainda continua lutando por seus objetivos. Knut vivia implicando, falando asneiras, mas o meu carinho por essa mulher é somente de um irmão, e acho que ele entendeu isso, porque parou de implicar.

- Salma precisou ir embora cedo, mas eu fiz nosso jantar. - Ela avisa, deixado o computador de lado.

- Eu estou morrendo de fome. Aceita beber uma taça de vinho comigo? - Pergunto, seguindo para meu bar no canto da sala, onde tem uma pequena adega com meus vinhos preferidos.

- Está angustiado? - Ela pergunta, me seguindo.

- Não, apenas com vontade de beber vinho com você. - Falo, colocando as taças no balcão.

Dobro as mangas da minha camisa branca, revelando algumas da tatuagem que tenho nos braços.

Não uso camisa de manga longa porque quero me esconder de uma sociedade preconceituosa, eu me acho mais elegante e confortável usando roupas sociais. Knut é mais sério nesse quesito, ele acha que devemos estar mais formais na empresa e todos os dias usa um terno. Storm é o espírito livre da empresa, todos os dias o veremos de calça jeans, uma camiseta simples e uma jaqueta preta, corre das reuniões como uma presa que entende que é uma comida fácil para seu predador e não deseja ficar por perto.

Temos personalidades diferentes, mas somos como irmãos, eu não tenho apenas um melhor amigo, os dois são meus melhores amigos.

- E como foi com a irmã da Erin? - Ela pergunta, preocupada.

Vicki sabe que a irmã da Erin é a mesma que esteve em meu apartamento naquele dia.

- Ela não deixou que eu e Knut entrassem, mas o que importa é que a Erin está com ela. - Falo, servindo nossas taças com um vinho chileno.

Vicki dá de ombros, sei que ela não gosta da Erin, mas já conversamos sobre isso, ela aceitou que a namorada do Knut faz parte do Complexo agora.

- Talvez ela se sinta envergonhada por ser uma garota de programa. - Ela dá de ombros, provando o vinho.

Sei que não é isso, mas não irei ficar falando da vida da Cora.

- O que fez de bom para o jantar?

Pego minha taça, e caminho na direção da cozinha.

- Seu prato preferido. - Ela diz, me seguindo.

As panelas já estão na mesa, e o cheiro delicioso invade o meu nariz, dizendo que fiz a melhor escolha em gostar de comida.

- Tudo? - Pergunto, me sentando,

- Sim, um pouco de cada coisa, depois do banho posso fazer aquela massagem que você gosta, que tal? - Ela pergunta, me ajudando a arrumar a mesa.

- Você é ótima!

Ela se senta, aproveitamos o jantar com um delicioso vinho e uma conversa boa.

Vicki não morava aqui, mas ela é minha segurança pessoal, não como o Enoch que cuida da minha proteção, ela vai além, cuida de toda minha agenda porque não tenho secretária, então a convidei para morar aqui, e é bom ter uma companhia de alguém que me faz bem.

Ela ocupa um dos quartos do segundo andar, enquanto eu fico no último, que apenas tem meu quarto, um escritório e uma sala de vídeo.

As casas dos Complexos têm um padrão, nos três preferimos assim, mas cada um com sua personalidade. Não posso falar privacidade, porque isso tiramos do Knut, vamos em sua casa sempre que possível, principalmente o Storm que gosta de provocá-lo.

Depois do banho, visto uma bermuda confortável e desço. Vicki já me espera na sala do segundo andar, a maca como sempre já está posta perto da janela, se ela não fosse segurança, seria massagista, ela tem muito talento para isso.

- Deite e relaxe. - Ela pede.

Me acomodo para receber a melhor massagem que já estive na vida. Enquanto deixo meus pensamentos serem apenas coisas brancas, mas então a mulher que agora tem cabelos pretos e usa óculos invadem meus pensamentos, não pedindo permissão, apenas se apoderando do que não te pertence.

Por que estou pensando tanto nela?

- Anton? - Vicki me chama, e levanto minha cabeça.

- Oi. - Falo, e ela indica que posso descer.

- Você conseguiu relaxar muito hoje. - Ela diz, apertando meus ombros.

- Me sento bem melhor. - Aviso, beijando seu rosto em agradecimento.

- Eu vou um pouco na casa do Storm ver o Asger. - Ela informa.

- Se cuide. - Passo a mão pelo cabelo dela e saio da sala.

Antes não queria que ela se envolvesse com o Asger, mas depois que conversei com ele, descobri que ele gosta realmente dela, os dois não tem um relacionamento, mas ela parece feliz, então decidir não interferir nisso, conheço o Asger desde criança, ele é irmão do Storm, mas não é como ele, isso me deixa mais tranquilo.

Subo para meu quarto, dou uma risada quando piso nos degraus de vidros, me faz lembrar da Erin, ela tem medo de subir as escadas assim, é tão engraçado de ver como ela sobe com todo o cuidado do mundo.

Quando pego meu celular, tem uma mensagem do Knut, ele disse que precisamos comprar ternos. Ele conta que a Cora não é mais acompanhante de luxo, e cria roupas para vender. Respondo rapidamente que vou querer muitos ternos.

E certamente isso parece bom, pois a verei novamente.

Ela não é mais acompanhante de luxo.

Não podia estar feliz com isso, mas eu estou.

Depois recebo uma mensagem, essa faz meu coração se alegrar e apertar ao mesmo tempo.

Cora não tem um companheiro, mas quem foi o merda que a abandonou com um filho?

Eu o mataria da mesma forma que mataria o homem que a sequestrou, mas deixo meu sangue apaziguar, porque amanhã cedo, eu a verei mais uma vez, isso vale a pena, mesmo que ela me odeie.

Capítulo 3 DOIS

CORA

Sempre penso que a vida gosta de brincar comigo, mas dessa vez, eu tenho certeza, ela está brincando comigo de uma forma que sei que no final vai acontecer uma merda grande.

Olho para meu filho, que dorme ao lado da Erin e do Valentin. Toco nos cabelos da minha irmã e começo a chorar baixinho.

Eu amo tanto ela, queria me fazer de durona perto do Knut e principalmente do Anton, mas eu nunca faria aquilo se a Erin estivesse vindo sozinha.

No começo fiquei com medo dela está com as pessoas que dizem ser nossos pais, esperava que pudéssemos nos encontrar um dia, mas estava com medo de procurar por ela depois de tanto tempo.

Quando fui sequestrada, foi a primeira vez que Elina e Omar me deixaram sair sozinha, eles estavam contentes e achei que esse era o motivo por me dar um dia livre ou porque tinha acabado de completar vinte e dois anos.

Não fiz muitos amigos ao longo dos anos, então eu sempre estava sozinha, e enquanto esperava um táxi para voltar para casa, a minha vida mudou, pois fui surpreendida por uma picada em meu braço, tudo ficou escuro e a desgraça começou.

Lembro como se fosse hoje, o dia que acordei em Malmo na Suécia, e fui estuprada por Alrik, o homem que me atormentou dizendo que era meu dono e poderia fazer qualquer coisa comigo. Naquele dia, dei graças por ter perdido minha virgindade na formatura do ensino médio, eu viveria para sempre lembrando daquilo, o que não mudou muito, eu sempre lembro daquele homem me forçando a fazer coisas que não queria.

Alrik me contou a verdade sobre Elina e Omar, eu acreditei imediatamente. Eles se tornaram muitos protetores depois que a minha avó morreu, eu não entendia, mas hoje entendo que eles venderiam as filhas na primeira oportunidade.

Assim que soube que se eu não cooperasse a Erin seria vendida, eu me entreguei aos vários homens nojentos, até que Alrik disse que a minha irmã teria o mesmo destino independente do que fizesse.

Fugi em uma noite muito movimentada, ninguém me viu saindo sorrateiramente pelas portas do fundo, estavam todos dispersos porque havia chegado mais garotas para eles usarem como forma de ganhar dinheiro. Eu sabia que se eles me pegassem, eu morreria, mas precisava tentar, estava quase há um ano naquele lugar, não conseguia mais ser abusada.

Eu andei muito, até encontrar um hotel quase abandonado. A dona era uma senhora, ela deixou que ficasse no hotel se ajudasse com a limpeza. Ela não perguntou nada, apenas me ajudou com o dinheiro da passagem para Copenhague, eu sempre serei grato aquela mulher.

Quando cheguei em Copenhague, eu me senti em casa, pois estudei durante anos sobre a Dinamarca, amava a língua e a cultura. Quando eu tinha seis anos, Elina me obrigou a estudar dinamarquês, no começo, eu odiava, mas o professor era tão bom que acabei me apaixonando pelo idioma, por isso decidi vim para cá, além do mais, eu não poderia voltar para os Estados Unidos.

Mesmo falando tão bem dinamarquês, eu era uma estrangeira sem documentos, e não queria que descobrissem onde estava, voltei a usar meu corpo para sobreviver, mas dessa vez a maioria dos homens que estive só queriam uma companhia, e assim eu me tornei uma acompanhante de luxo e em vários momentos não precisei ir para cama por dinheiro.

Podia ter denunciado aqueles dois, mas eu conheci muitas mulheres e algumas me falavam como alguns policiais eram corruptos, fiquei com medo de voltar para aquele lugar.

Estava perto de Malmo, mas não tinha outro lugar para mim, conhecia a história da Cidade Livre de Christiania, sabia que os moradores me ajudariam, e isso foi algo que acertei, fui bem recebida, não contei muito da minha vida, mas falei o suficiente e eles me emprestaram uma casa, onde ainda estou morando, só não imaginei que essa casa fosse de Storm Coster, um dos amigos do Anton.

Em uma certa noite, me lembro como se fosse hoje, Knut surgiu em um ponto de ônibus, o lugar que ficava sempre, ele me ofereceu dinheiro, não para transar, apenas para ficar algumas horas com seu amigo para irritar uma mulher. Se eu não estivesse aceito, eu não teria conhecido o Anton e minha vida nunca mudaria.

Anton foi o homem que me fez ter o meu primeiro orgasmo, pode parecer uma bobagem, mas eu passei por tantas coisas que jamais imaginei que sentiria algo, já que conhecia muito bem o desprezo ao ser invadida por alguém, ele me mostrou o que é sentir o real prazer, e por esse motivo, tudo mudou.

No dia seguinte, cortei meu cabelo e pintei de preto, precisava me esconder, eu não seria mais aquela mulher que vendia o corpo. Comecei a usar óculos que apenas usava quando desenhava. Fiquei irreconhecível, precisava disso para começar uma vida em paz.

Peguei o dinheiro que o Knut havia me dado e comprei materiais para confeccionar roupas para vender, e há mais de um ano venho conseguindo o suficiente para mim e o meu filho.

Eu não odeio o Knut, ele foi um idiota, mas sei que ele não me pagou para transar com seu amigo, fiz isso porque desejei o Anton desde quando coloquei os olhos nele e sentia que havia sido mútuo.

Eu agradeço ao Knut, ele me ajudou sem saber, e ajudou a minha irmã quando mais precisava, e por esse motivo eu fui mais gentil com ele depois que ele voltou aqui.

Anton tem outra questão, preferia que ele ficasse bem longe de mim. Ele foi especial aquela noite, me tratou como uma mulher e não uma prostituta, mas tudo mudou depois que passamos aquela noite juntos.

Me aconchego mais a minha irmã, e agradeço por ela está aqui. Não sou muito carinhosa e não gosto tanto de abraços, mas o Hero me mudou um pouco, meu filho é tão carinhoso, tenho certeza de que puxou isso da tia.

Agora não vivo mais ilegal na cidade, pois precisei dos meus documentos para registrar o Hero, e a Erin me contou que foi através de um registro que conseguiram me encontrar, e eu sei que Elina e Omar também pode fazer isso, mas pelo menos eu tenho a Erin comigo agora.

Fecho os olhos, e me deixo pensar no Anton, pensar é algo que venho fazendo há muito tempo, e agora que o vi mais uma vez, eu não consigo pensar em outra coisa.

Os cabelos pretos e bagunçados dele ainda predominam em seu visual. O momento que o vi em minha porta, eu desejei tocar seu cavanhaque perfeitamente desenhado para sentir os fios tocando minhas mãos, mas ele não tinha aquele sorriso fofo, e eu não era mais a soturna que ele conheceu.

Hero se remexe na cama, e sobe em cima de mim, procurando leite, abaixo um pouco a minha blusa e deixe que meu pequeno se alimente. Ele é tão esfomeado, durante os primeiros meses, sugou tudo de mim, mas agora ele come outras coisas, o que me ajuda bastante.

- Ele tem seus olhos. - Erin diz, e olho para ela que assiste a cena, admirada.

- Pelo menos isso. - Brinco, beijando o cabelinho do meu pequeno.

- Amanhã vou fazer uns legumes para ele. - Ela diz, pegando na mãozinha gordinha do Hero.

- Eu agradeço, eu não sei cozinhar tão bem, acho que por isso ele não come os legumes que faço. - Informo com uma risada baixinha para não acordar o Valentin.

- Suas mãos foram feitas para criar roupas maravilhosas, as minhas para cozinhar. - Ela dá de ombros.

Conversamos um pouco até o Hero voltar a dormir, logo Erin está dormindo, ela sempre foi a mais que gostou de aproveitar o sono. Fico mais um pouco acordada, mas logo me rendo ao sono.

Quando acordo, sinto cheiro de café, tomo um rápido banho e sigo para a cozinha, onde Erin já arrumou a nossa mesa e está com o Valentin que come algo.

- Fui à padaria rapidinho, comprei algumas coisas. - Ela diz, colocando o café na mesa.

- Você é tão cuidadosa.

Me sento a mesa porque não quero perder a oportunidade de comer algo digno, não faço isso há muito tempo.

- Eu amo cuidar das pessoas, principalmente na alimentação. - Ela diz, colocando um pouco de café na xícara.

- Tenho certeza de que o Knut ama sua comida. - Falo, e ela afirma com um sorriso apaixonado.

Já aceitei o fato que ela o ama, e o amor é mútuo, principalmente depois de saber que o Knut ajudou a Erin mais de uma vez.

- Ele gosta, mas não é como o Anton, ele não come simplesmente, é tipo uma adoração a comida. - Ela conta, depois dá uma risada, baixinha.

- Vocês são amigos? - Pergunto, bebendo o café para ela não perceber que estou interessado nesse assunto.

- Sim, ele é um dos preferidos, gosto de todos, mas acho que temos uma ligação por causa da comida. - Ela explica.

Enquanto tomamos café, ela vai contando sobre o Albert que é seu segurança e uma pessoa querida para ela, assim como sua esposa. Ela encontrou pessoas maravilhosas, não tive a mesma sorte, mas estou feliz por ela.

Depois ela fala sobre a Arizona, sua amiga de Yuma que irei conhecer em breve, e que fez o delicioso jantar de ontem. Ela sabe que foi o nossos pais que nos venderam, mas acabei descobrindo que mais ninguém sabe disso. Erin falou que se o Knut souber, ele seria capaz de matar Elina e Omar. Eu o apoiaria, mesmo aqueles dois merecendo mais que uma simples morte, mas não irei falar isso com a minha irmã, acho que ela não pensa a mesma coisa.

Enquanto dou banho no Hero com a ajuda do Valentin, Erin arruma a cozinha. Quando estou saindo do quarto, eu ouço batidas na porta, sei que é o namorado e os amigos da minha irmã, eles irão fazer alguns ternos, ideia do Knut, sei que ele quer me ajudar, claro que não vou negar, eu preciso disso.

Assim que entro na sala, todos os olhares são para mim, me sinto um pouco desconcertante, mas finjo está normal diante de vários olhares de homens bonitos.

Erin pega o Hero do meu colo, e logo meu filho segue para o colo do Knut que já está com o Valentin no colo.

- Bom dia, todos irão comprar ternos? - Pergunto.

- Sim, temos um casamento em breve para irmos. - O homem ruivo de barba grande fala, ele é bonito e tem um sorriso presunçoso no rosto. Caminha em minha direção. - Prazer, eu sou o Storm.

Ele beija meu rosto e dou um sorriso gentil para ele antes de me apresentar.

- Cora.

- Anton você já conhece, e esses são o Albert e Soren, eles são seguranças do Knut, na verdade eu roubei o Albert. - Erin conta, dando um sorriso para o homem mais velho, ele realmente parece um pai protetor.

- Bem-vindos, sentem-se - Digo, apontando os sofás. Eles são velhos, mas consegue acomodar todos.

Enquanto atendo o Storm, os outros ficam no sofá, dou um sorriso em ouvir a gargalhada do Hero, brincando com o Albert e o Valentin, o homem parece ter experiência com crianças.

- Você é muito bonita. - Storm fala, e dou um sorriso medindo seu peitoral.

- Obrigada, não irei retribuir o elogio porque você sabe disso. - Falo, e ele concorda dando um sorriso divertido.

Chamo Erin para me ajudar, porque não quero ficar sozinha quando for a vez do Anton.

- Sim, eu sei.

- Então você morava aqui quando criança? - Pergunto, e ele afirma, olhando ao redor.

- Sim, foi uma época boa. - Ele conta, nostálgico.

- Cora, sua mão é tão macia. - Storm fala, tocando minhas mãos.

- Obrigada, Storm. Já finalizamos suas medidas. Pode ficar à vontade para escolher os modelos. - Falo, apontando para a mesa com croquis.

- Não, olhe para mim e veja o que combina, estou nas suas mãos. - Ele pisca, e volta para o sofá.

Gostei do Storm, ele é meio paquerador, mas fala as coisas sem se preocupar, o que as vezes é bom.

- Agora é o Albert, pois ele precisa ficar bonito para a esposa bela que ele tem. - Erin fala, acenando para o Albert.

- Eu tenho uma bela esposa. - Albert concorda, seguindo em nossa direção.

Albert pergunta como estou, ele parece meio preocupado, e fico feliz que ele veja a minha irmã como uma filha.

Depois do Albert, é a vez do Soren, o segurança é um pouco engraçado e faz algumas piadas, ele é muito legal.

Storm acena e sai da casa, mas antes olha um pouco para o lugar que um dia foi seu lar. Assim que Albert e Soren se despedem de mim, meu corpo estremece por saber que falta apenas ele.

Olho para o Anton, enquanto ele se levanta porque será o próximo, não queria essa aproximação, mas eu sou a profissional e ele o cliente.

Enquanto tiro suas medidas, não deixo de admirar seu corpo bem estruturado. Um homem cheio de músculo.

Não pense muito, Cora.

- Pronto. - Digo, me afastando dele.

Não posso ficar tão perto assim, seu cheiro é familiar, e disfarço para aspirar mais um pouco, o que me faz confirmar que é o mesmo cheiro do meu perfume. Suave e doce, esse não era o cheiro desse homem.

Por que ele usa o mesmo perfume que eu?

- Obrigado. - Ele agradece.

Não quero lembrar do passado, não posso.

- Acho que consigo finalizar tudo em duas semanas. - Falo, anotando as últimas medidas no caderno.

- Não precisa ter pressa com os meus. - Anton informa, olhando para mim.

- Não, mas eu gosto de agilidade. - Explico.

- Entendo, faça do seu jeito, agora preciso ir. - Anton fala, apontando a porta.

- Te acompanho até a porta e volto para acertar os valores com a Cora. - Knut fala, seguindo ele que acena para nós

- Titio. - Valentin corre até ele e abraça suas pernas.

- Te vejo logo. - Anton fala com o Valentin que dá um sorriso voltando para perto do Hero.

- Tchau. - Valentin acena e o Hero o imita com um sorriso fofo.

Anton sai, me deixando mais tranquila, enquanto converso com Knut sobre seu terno azul. Ele não dá muitos detalhes, mas informa que será um evento importante e especial.

Conversamos mais um pouco sobre os pagamentos de todos os pedidos, que ele efetua, me obrigando a cobrar um valor elevado. O dinheiro irá me ajudar muito, preciso comprar tecidos bons para criar ternos perfeitos.

Quando ele se vai, Erin fica comigo, e agradeço por sua presença, não quero me afastar dela.

Mesmo Erin não me dando sossego um minuto, enquanto organizo tudo que preciso comprar, meus pensamentos ainda fogem para o homem de cavanhaque perfeito, estive tão perto dele, mas parecia que uma barreira invisível estava entre nós.

- Eu fico com o Hero e o Valentin enquanto você costura. - Erin diz, se sentando no tapete com meu bebê e o seu filho.

- Acho que vou precisar da sua ajuda. - Pisco para ela.

- Vamos ficar quietinhos enquanto você trabalha. - Erin promete, pegando nas mãozinhas do Hero e do Valentin.

- Obrigada.

- Cora, podia passar um tempo no Complexo comigo. - Ela diz, e acho que não me deixará trabalhar em paz.

- Não, eu já sei a fama daquela grande estrutura de concreto, prefiro ficar aqui mesmo. - Informo.

- Tudo bem, estarei aqui sempre, todos os dias depois da minha aula de defesa pessoal. - Ela comenta.

- Aula de defesa pessoal? - Pergunto, surpresa. Minha irmã sempre gostou de correr, mas nada além disso.

- Tenho que me proteger de alguma forma, estou em um mundo sombrio. - Ela brinca. - O Knut, Anton e Storm também são donos da Beskyt, já ouviu falar?

Ela pergunta, e afirmo, pois sei que é uma escola de segurança de Copenhague.

- Sim, só não sabia que era dos três, só sei da empresa de armas. - Informo.

- Eu treino lá. Asger, irmão mais novo do Storm é o meu professor. - Ela conta.

- Legal, acho que preciso praticar um esporte.

- Storm tem uma quadra de basquete, podia ir conhecer o Complexo. - Ela fala, tentando me convencer.

- Acho que não. - Nego, ela faz bico, mas finjo não está vendo.

- Você continua difícil! - Ela resmunga.

- Vou trabalhar.

Deixo-a e sigo para minha mesa de trabalho, tenho muito trabalho pela frente.

Estou feliz, não queria que o passado batesse em minha porta, mas ele me trouxe a Erin, não podia me sentir mais feliz, principalmente por saber que eu tenho um sobrinho.

Anton é uma consequência, enquanto me manter longe dele, eu estarei segura. Sei que não é simples, mas irei fazer que seja, eu consigo.

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